César Felício, VALOR

O PMDB irá governar a partir de janeiro o destino de 28, 6 milhões de eleitores, por meio de seus 1.202 prefeitos eleitos no primeiro e no segundo turno este mês. A base municipal do partido cresceu 54% em termos eleitorais nos últimos quatro anos. Em 2004, a sigla havia conseguido o governo de 17,7 milhões de eleitores, ou 14% do total nacional. Agora, ficou com 21,8%

O crescimento do PMDB se deu em municípios de qualquer faixa de eleitorado, segundo levantamento feito pelo Valor, mas seu resultado mais vistoso ocorreu nas metrópoles. O partido conquistou três das nove cidades brasileiras com mais de um milhão de eleitores. A última vez que o partido havia vencido numa cidade deste porte foi em 2000, quando reelegeu o prefeito de Fortaleza, Juraci Magalhães.

A expansão pemedebista destaca duas lideranças: a do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, e a do ministro da Integração Nacional, o baiano Geddel Vieira Lima. Ambos são os principais artífices das vitórias da sigla no Rio e em Salvador, as principais cidades governadas pela sigla, onde os eleitos Eduardo Paes e João Henrique não entraram na disputa como favoritos. Cabral e Geddel tornam-se protagonistas nas negociações da sigla para compor a chapa presidencial de 2010, seja com o PT, seja com a oposição ao governo federal.

O resultado eleitoral ainda revitaliza o presidente regional do PMDB paulista, o ex-governador Orestes Quércia. Derrotado nas quatro últimas eleições majoritárias que disputou, Quércia indicou a nova vice-prefeita de São Paulo, Alda Marco Antônio e conta com a promessa de apoio do governador tucano José Serra para concorrer ao Senado em 2010.

Em termos de população governada, o PT praticamente estagnou. Em 2004, havia conquistado a administração de municípios que somavam 19,6 milhões de eleitores. Agora, irá administrar o destinos de 19,9 milhões de votantes. O partido não teve grande êxito nas metrópoles: ao decidir não concorrer em Belo Horizonte, colaborou para reduzir de três para duas as cidades com mais de 1 milhão de eleitores que governa. Não conseguiu recuperar cidades que anteriormente administrou, como São Paulo, Porto Alegre e Belém e não conquistou capitais novas, como Salvador.

Mas os petistas conseguiram um desempenho expressivo entre as grandes cidades , que oscilam entre 200 mil eleitores – o limite para o segundo turno – e 1 milhão de votantes. Nesta faixa, a sigla pulou de 12 para 18 prefeitos eleitos, seu melhor resultado em cidades deste porte.

Entre os seus líderes regionais, o que se tornou melhor sucedido foi o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, um dos responsáveis, ao lado do governador tucano Aécio Neves, pela eleição de Márcio Lacerda (PSB) em Belo Horizonte. Pimentel comprou uma briga com o partido e conseguiu expandir a sigla em Minas Gerais. O embate interno derrotou os ministros do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e da secretaria geral da Presidência, Luiz Dulci. A vitória de Lacerda, contudo, foi um empreendimento conjunto entre Pimentel e o governador tucano Aécio Neves, que, com a vitória de Custódio Mattos (PSDB) em Juiz de Fora (MG), manteve o controle sobre sua própria sucessão.

Também fortalecidos ficam os prefeitos João Paulo, do Recife, que elegeu no primeiro turno o sucessor João da Costa e a prefeita Luizianne Lins, de Fortaleza, que se reelegeu também no primeiro turno. Mas ambos terão dificuldade de concorrer ao governo estadual em 2010, já que os governadores Eduardo Campos (PE) e Cid Gomes (CE), ambos do PSB, devem tentar a reeleição e podem contar com o apoio do PT, em função do papel estratégico do PSB no jogo de alianças para a eleição presidencial em 2010.

Os tucanos foram suplantados pelo PMDB e pelo PT em número de cidades governadas com mais de 200 mil eleitores. Deixaram claro nesta eleição o peso que possui a seção paulista do partido. Sem a titularidade da Prefeitura de São Paulo, recuou de 21% para 14,1% o percentual de eleitorado governado pela sigla.

Em relação a outras grandes cidades, o avanço tucano foi modesto: além de capitais que já controlava, como Curitiba e Teresina, ganhou apenas em São Luís, com João Castelo .

No caso do DEM, o partido tornou-se uma sociedade em que o prefeito Gilberto Kassab é o acionista majoritário. Sozinho, governa 51% do eleitorado de 15,8 milhões conquistado pelo partido. Partido que mais se fragilizou entre as grandes siglas, ao eleger apenas 495 prefeitos, de acordo com a Justiça Eleitoral. este ano, levantamento do DEM minimiza o recuo partidário. Mostra que o recuo em relação a 2004 – quando ganhou a administração sobre 15,1 milhões de eleitores, quase o mesmo número conquistado agora e sem uma prefeitura do porte de São Paulo para desequilibrar o resultado – é ilusório.

Na verdade, segundo avalia levantamento da sigla, houve um êxodo de prefeitos do partido para a base governista que antecedeu o período eleitoral e fez com que a base de 792 prefeitos eleitos em 2004 há muito já tivesse desaparecido. Nas contas do partido, o DEM entrou no processo eleitoral com apenas 538 prefeitos. Já havia evaporado cerca de um terço da antiga base municipal pefelista, cooptados pelos partidos governistas, sobretudo o PMDB na Bahia.

Matéria completa: Blog do Favre

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