Presidente do SEEB/SP, Luiz Cláudio Marcolino, lembra que o TRT, deu prazo de cinco dias úteis para sair um acordo

São Paulo – A postura dos representantes dos bancos nos últimos dias indica que as instituições financeiras não querem resolver o impasse da campanha nacional dos bancários na mesa de negociação.

Na entrevista que segue, o presidente do SEEB/SP, Luiz Cláudio Marcolino, que integra o Comando Nacional dos Bancários, faz um balanço das negociações e mostra como o comportamento dos banqueiros parece querer levar a categoria aos tribunais.

Porque chegamos a um impasse na campanha nacional?
Luiz Cláudio Marcolino –
Em primeiro lugar é importante deixar bem claro que foram os banqueiros que levaram os trabalhadores à greve por tempo indeterminado, no dia 8 de outubro, ao não apresentar proposta que valorizasse de fato os bancários. Nossas reivindicações foram entregues em agosto. Ficou acordado que o formato das negociações seriam em blocos temáticos divididos em questões sociais e econômicas. Num primeiro momento tivemos avanços em temas como assédio moral, saúde e segurança. O entrave ocorreu nas questões econômicas.

O que gerou o impasse?
A falta de disposição dos banqueiros em resolver logo a campanha. Todos os indicadores das empresas no primeiro semestre são extremamente favoráveis. Mesmo assim não apresentaram proposta decente para que os bancários apreciassem e pudessem encerrar a campanha. Se os bancos se empenhassem e gastassem para resolver a campanha o tanto que gastam com contingência, pagando advogados por agência aberta, alugando helicópteros, forçando os bancários a trabalhar, a campanha estaria resolvida.

A desculpa dos bancos é a crise internacional?
De fato eles tentaram colocar essa desculpa na mesa de negociação, o que não aceitamos em hipótese alguma. O debate da campanha começou em agosto e a crise internacional era debatida desde 2007. Quando propuseram o índice de 7,5% para reajuste nos salários, auxílios e cestas, e a PLR rebaixada, com formulação de valor adicional onde muitos recebem menos que no ano passado ou não recebem nada, desconsideraram nossas reivindicações. Uma afronta que foi rechaçada pelos bancários em assembléias em todo o país.

Porque os bancários não entraram em greve já naquele momento?
A greve por tempo indeterminado é a última alternativa dos bancários para resolver a campanha. Antes de iniciarmos o movimento na assembléia de 7 de outubro, fizemos uma paralisação de advertência de 24 horas no dia 30 de setembro. Uma forma de mostrar aos bancos que iríamos à greve se não houvesse melhora substancial na proposta. Uma mobilização nacional que serviu também para organizar os trabalhadores para esse momento.

E a greve ganhou o país…
Na verdade essa está sendo a greve da dignidade. Os bancários estão fazendo uma das mais fortes e organizadas greves dos últimos vinte anos. A adesão é imensa de bancários do Unibanco, Santander, Bradesco, Itaú, HSBC, Real, BB, Caixa e Nossa Caixa. Os trabalhadores estão dando provas de que não aceitam mais o assédio moral ou qualquer proposta rebaixada.

Como ficou o Tribunal Regional do Trabalho?
O TRT entrou nessa história a pedido do Ministério Público do Trabalho. Uma interferência da Justiça que não existia desde os anos 1990. O TRT deu um prazo de cinco dias úteis para chegar a um acordo na mesa de negociação. Nosso posicionamento continua o mesmo: queremos resolver as questões por meio do diálogo direto, sem interferências. Infelizmente essa mesma disposição parece não existir por parte dos bancos que têm sinalizado que pretendem levar o debate ao julgamento ao TRT.

Por que essa postura?
Nos últimos dias os bancos não levaram os debates a sério. Apresentaram na quinta, dia 16, uma proposta com pouquíssimas alterações e que foi rejeitada. Marcaram nova reunião para sexta, 17, e não apresentaram nada. Na segunda, nada de novo. Parece que eles pretendem é enrolar até acabar os cinco dias estipulados pelo TRT (que vencem nesta quinta, 23), o que poderia levar ao dissídio, cujos resultados, historicamente, prejudicam os trabalhadores.

Como ficam o BB e a Caixa nesse embate?
Essas empresas só apresentam suas propostas para questões específicas, quando estiver superado o debate das cláusulas econômicas com a Fenaban. Assim, o que a federação dos bancos faz é tentar isolar o BB e a Caixa na campanha. Se for assim, são dois movimentos: levam os bancos privados e a Nossa Caixa aos tribunais, enquanto isolam os trabalhadores dos bancos públicos.

O que fazer?
Na negociação desta segunda, dia 20, os bancos passaram o tempo todo dizendo que apresentariam proposta e não o fizeram. Os bancários já demonstraram que estão dispostos a lutar. Acabar com a greve é responsabilidade dos presidentes dos bancos, que têm que apresentar proposta satisfatória. Hoje a negociação prossegue e é a ultima chance de os bancos apresentarem essa proposta.

Fonte: SEEB/SP