Em Caucaia, a derrota de Inês Arruda (PMDB) na campanha pela reeleição já se reflete no dia-a-dia da população. Dias após a eleição, há denúncias de abandono de obras, paralisação de postos de saúde e demissões. Até o horário de expediente na Prefeitura foi reduzido

Em frente ao posto de saúde Maria de Jesus Ferreira Torres, o movimento era pequeno. E não é porque eram cerca de 16h30min de sexta-feira. O POVO encontrou o local fechado e, segundo os moradores ali de perto, no bairro Conjunto Metropolitano, em Caucaia, desde o dia anterior não era prestado atendimento. “Não passa mais carro de lixo, o posto fechado e minha mãe precisa de remédio de hipertenso. Quando chega, marca ficha e não tem médico. O único que tem é o dentista”, conta, exaltado, Daniel Paes de Almeida, morador do bairro.

Reclamações de obras paradas, demissões e paralisação de postos de saúde deram a tônica do clima pós-eleitoral em Caucaia, na semana seguinte à eleição que definiu a mudança de comando político no Município. Apesar de a maior parte dos entrevistados pelo O POVO dizer ter conhecimento de casos concretos de paralisações ou de demissões de servidores da Prefeitura, poucos são os que se dispõem a expor seus nomes, alegando receio de “repressão”. A Prefeitura do Município admite estar “readequando” a administração para a transmissão de poder ao próximo prefeito, mas afirma manter todas as obras e os serviços essenciais.

No Conjunto Metropolitano, em um pequeno comércio em frente ao posto de saúde fechado, alguns moradores contaram que teriam restado dos funcionários do posto apenas o dentista e a atendente. Segundo relataram, todos os demais, incluindo médico e enfermeira, teriam sido demitidos.

As obras de pavimentação do bairro também teriam sido paralisadas após a eleição, exceto a que implanta o calçamento na rua Madá, que seria financiada pelo Governo Federal. Um dos moradores ainda mostrou à reportagem um pequeno trecho da rua Ana Magalhães que teria sido asfaltado na sábado, véspera da eleição, e desde então, abandonado.

Ao lado do posto de saúde, no portão da escola municipal Antônio Miranda de Melo, reuniam-se alguns funcionários da escola, que esperavam o toque do final da aula. Pedindo para não serem identificados, eles informaram que, até o momento, ninguém havia sido demitido e que as obras de reforma do local também haviam sido mantidas. Mas confessaram ter o temor de que qualquer ligação telefônica ainda possa trazer a má notícia. A esse temor, soma-se ainda o de que o próximo prefeito não os mantenha em seus cargos.

Quem assume em 1º de janeiro de 2009, no lugar da atual prefeita, Inês Arruda (PMDB), é o deputado estadual Washington Góis (PRB). O caso de Inês foi o único na Região Metropolitana no qual um candidato à reeleição saiu derrotado na votação do último dia 5.

Fonte: Jornal O Povo