Fortaleza é uma das 12 redes de influência do País e a terceira maior em população. Isso significa que 20,5 milhões de pessoas buscam aqui serviços de saúde, lazer, de ensino superior e de compras

Mais de 20,5 milhões de pessoas estão vinculadas de alguma forma à cidade de Fortaleza. Gente que busca serviços de saúde, de lazer, de ensino superior e de compras. A capital do Ceará é uma das 12 grandes redes de influência do País que interligam até mesmo municípios situados em diferentes estados. A rede de Fortaleza é a terceira maior em população, perdendo apenas para São Paulo (51 milhões) e Rio de Janeiro (20,7 milhões). Os dados fazem parte do estudo Regiões de Influência das Cidades, que foi divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ele mostra as redes formadas pelos principais centros urbanos do País com base na presença de órgãos do executivo, do judiciário, de grandes empresas e na oferta de ensino superior, serviços de saúde e domínios de Internet. Muitas vezes, as redes se sobrepõem à divisão territorial oficial, estabelecendo uma forte influência até mesmo entre cidades situadas em diferentes unidades da federação. “Vem gente do Estado como um todo, mas também dos vizinhos, como Piauí, Maranhão e Rio Grande do Norte”, explica Francisco José Moreira Lopes, chefe da divisão estadual do IBGE.

O objetivo do estudo, que foi realizado ao longo de 2007, é subsidiar o planejamento estatal, provendo uma ferramenta para o conhecimento das relações sociais vigentes. “Os gestores poderão estudar quais os locais melhores para instalar novos serviços, por exemplo”, completa Lopes. Para o secretário da Saúde do Município, Odorico Monteiro, é uma oportunidade de chamar a atenção dos “tomadores de decisão”. “Ela produz uma espécie de inteligência à gestão”. Odorico afirma também que o resultado do estudo reflete exatamente a realidade. “Eu tenho colocado isso de forma sistemática. Precisamos descentralizar os serviços”.

O secretário destaca que a população de Fortaleza acaba perdendo com isso no quesito saúde. “A gente paga por ter qualidade. Como temos um serviço que resolve os problemas, as pessoas vêm pra cá. E termina congestionando”. Odorico ressalta ainda que isso compromete o financiamento do sistema municipal de saúde. “Se Fortaleza coloca parte dos seus recursos para atender os interesses locais de outros municípios, compromete o benefício à população de Fortaleza”. Ele toma como exemplo a folha de pagamento do Instituto José Frota (IJF). Tudo é pago por Fortaleza, mas a população local só representa metade dos pacientes.

“Vem gente de todos os estados. Principalmente no tratamento de queimados e de transplantes”, completa. O mineiro Itevaldo Martins, 47, é um exemplo. Ele morava em Brasília e mudou para Fortaleza com toda a família para entrar na fila do transplante de fígado. Há quatro anos descobriu que era portador de hepatite C, fez tratamento, mas ultimamente não estava mais respondendo à medicação. No início, ficou abalado psicologicamente, mas superou o problema. Conseguiu o transplante na última quinta-feira, 9. “Quero muito ficar bom”, disse, antes da cirurgia. Ele continua aqui nos três meses de recuperação e em seguida voltará a Brasília.

Fonte: Jornal O Povo