Ontem, seguranças particulares estiveram na entrada do edifício-sede da Caixa Econômica Federal, em Fortaleza, para garantir acesso dos operadores de telemarketing, funcionários terceirizados do banco, que aderiram ao movimento

No segundo dia da greve dos bancários, ontem, a direção da Caixa Econômica, em Brasília, designou seguranças de empresas privadas para garantir o acesso dos funcionários terceirizados, que operam os serviços de informação por telefone, ao edifício-sede do banco na rua Sena Madureira. De acordo com a assessoria de comunicação do banco, funciona em Fortaleza uma das seis centrais de atendimento telefônico do País, e como esse serviço orienta os clientes, principalmente durante o período de paralisação, a ordem foi para que os seguranças assegurassem a entrada dos atendentes aos locais de trabalho. Ainda de acordo com a assessoria, a decisão foi tomada porque no primeiro dia de greve (8), os terceirizados não trabalharam.

De acordo com o presidente interino do Sindicatos do Bancários, Carlos Eduardo Bezerra, a categoria de atendentes de telemarketing estava exercendo um direito e aderiu a greve por também ter reivindicações. “A essência da questão foi o equívoco cometido por aqueles que conduzem a Caixa em Brasília. Tivemos que usar do bom senso dos trabalhadores, dos administradores locais e de alguns parlamentares que intercederam em Brasília para que esse tipo de expediente, que rasga a Constituição Federal, fosse revertido”, contou. Ainda pela manhã, os seguranças deixaram a frente do prédio e as manifestações seguiram em diversas agências da cidade com faixas e cartazes. Algumas com bandas de música.

Bezerra confirma que a greve não tem data para ser encerrada. “Ainda mais porque não foram abertas novas negociações desde que iniciamos a paralisação”, anunciou. A categoria reivindica um reajuste de 13,20%, o recebimento de tíquete refeição no valor de R$ 17,50 e aumento do piso de R$ 921 para R$ 2.074 em três meses. A proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) é de 7,5%. A paralisação por tempo indeterminado é nacional e ocorreu porque não houve acordo desde a greve de advertência de 24 horas realizada em 30 de setembro. Bezerra também faz questão de ressaltar que o argumento utilizado por setores da direção dos bancos, de que a crise internacional financeira estaria empatando a solicitação da categoria e que poderia colocar em risco a situação de estabilidade dos bancos, não é válido. “Nossos reajustes só causariam inflação se fossem superiores à produtividade do banco, o que não é”, avalia.

Enquanto as negociações não forem reabertas, os bancários prometem seguir com a paralisação em grande parte das agências no País. De acordo com o Sindicatos dos Bancários somente os serviços essenciais devem funcionar no período. “Essencial é somente a compensação”, explica Bezerra. Ele diz que os terminais de auto-atendimento tem acesso liberado, mas que o dinheiro não está sendo reposto e por isso muitos já estão funcionando sem a opção de saque.

Fonte: Jornal O Povo

Postado por Erismar Carvalho, às 10h22.