A suspeita de irregularidades na gestão do sistema Fecomércio no Ceará, que engloba a administração Sesc, Senac e IPDC, teria levado o candidato Luiz Gastão a abandonar à candidatura à Prefeitura de Fortaleza. Um ofício enviado ao TRE em Fortaleza pelo Conselho Fiscal do Sesc Nacional e o documento de um sindicato deflagraram a crise

O afunilamento de uma auditoria nas contas do Serviço Social do Comércio no Ceará (Sesc/CE) seria a principal causa da retirada da candidatura de Luiz Gastão Bittencourt (PPS) à Prefeitura de Fortaleza. A fiscalização levantou suspeita sobre vários atos da gestão de Luiz Gastão à frente da Federação do Comércio do Estado Ceará (Fecomércio), entidade que presidira por 10 anos e da qual se licenciara em 4 de junho para entrar na disputa pela Prefeitura. O Sistema Fecomércio engloba, além do Sesc, o Serviço Nacional do Comércio (Senac) e o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Comércio (IPDC).

A crise começou a ganhar contornos visíveis na sexta-feira da semana passada (19), quando um ofício do Conselho Fiscal do Sesc Nacional chegou ao Tribunal Regional Eleitoral. Em um texto sucinto, o Conselho pediu que fossem investigadas denúncias referentes ao uso de equipamentos da instituição na campanha de Gastão. Além disso, o Conselho enviou um dossiê e uma denúncia formal assinada por Sebastião Freitas Menezes que é vice-presidente do Sindivendas, um dos 36 sindicatos que integra a Fecomércio.

Na denúncia, protocolada com o número 103697/2008 e que caiu nas mãos do juiz eleitoral Emanuel Leite Furtado, o empresário Sebastião Menezes lista uma série de supostas irregularidades que teriam sido praticadas na gestão de Luiz Gastão Bittencourt de 2001 até sua licença para se candidatar a prefeito. No material recebido pela Justiça existem indícios de desvio de dinheiro público do Sesc/Ceará através de triangulação com empresas de procedência duvidosa, falta de prestação de contas, pagamento de passagens aéreas para familiares e amigos de Luiz Gastão, frete de carreta com o dinheiro do sistema Fecomércio e outras.

Antes de chegar ao TRE, o Conselho Fiscal do Sesc Nacional já havia tomado conhecimento das denúncias. Em junho deste ano, auditores enviados de Brasília chegaram ao Ceará e teriam identificado algumas irregularidades. O POVO apurou que um auditor e uma auditora voltaram a Fortaleza na última sexta-feira, 19. Por causa da presença dos dois no Estado, correu, nos bastidores da Fecomércio, Sesc e Serviço Nacional do Comércio (Senac) a possibilidade de uma intervenção federal no Sesc Ceará.

A intervenção não aconteceu, mas Luiz Gastão Bittencourt – alegando “complô” contra ele na Fecomércio – renunciou à candidatura para prefeito de Fortaleza e voltou a sentar-se na cadeira de presidente da Fecomércio. A assessoria de imprensa do Sesc nacional nega que exista um processo de intervenção em andamento na entidade. No “termo de retorno”, documento assinado em uma tensa reunião às 10h35min do último dia 22, Gastão afasta o presidente em exercício Regis Dias e “reitera a promessa de observar as responsabilidades, deveres e direitos previstos na legislação”.

Logo abaixo, em sua assinatura, Régis Dias devolve a provocação e se diz “ciente, após ter convocado a diretoria da Federação para onde serão encaminhadas as irregularidades encontradas”. A reunião da diretoria deveria acontecer hoje, às 10 horas, na sede da Fecomércio, mas foi adiada por Luiz Gastão para a próxima terça-feira, 30. Ontem, ele viajou para o Rio de Janeiro em um vôo às 6h10min. O POVO apurou que a reunião, com os 27 diretores da Fecomércio (comerciantes e/ou presidentes de sindicatos), poderá afastar Gastão da presidência enquanto durar a apuração das supostas irregularidades. Gastão tem até 20 dias para apresentar sua defesa ao Conselho de Representantes da instituição (presidentes de sindicatos).

Matéria completa: http://www.opovo.com.br/opovo/politica/822226.html

Postado por Erismar Carvalho, às 09h51.

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