O ministro da Previdência Social, José Pimentel, é uma das personalidades agraciadas com o Troféu Sereia de Ouro, edição 2008. A solenidade de outorga será realizada na próxima segunda-feira, 29, às 20 horas, no Theatro José de Alencar

A vida de José Barroso Pimentel revela a história de um vencedor. O menino pobre, nascido e criado na aridez do município piauiense de Picos, nem em sonho contemplou a possibilidade de, um dia, transformar-se em um dos homens mais importantes da República. Naquela época, sobreviver já era muito. Só que ele queria mais: sonhava em estudar, ganhar o próprio dinheiro, ser pessoa de bem. Assim como os pais – o pequeno produtor rural Antônio Pimentel da Silva, de 83 anos, e a costureira Maria Eunice Mendes da Silva, de 79 anos -, José Pimentel não teve vida fácil.

O hoje ministro da Previdência Social precisou, desde cedo, arregaçar as mangas. Chegou a trabalhar na roça, participando de todas as etapas de produção, da plantação à colheita. “O que se plantava era só para nossa subsistência. Naquela época, não se tinha idéia de preservação de solo. O hábito de cultivar passava de pai para filho, mas sem uma noção das técnicas adequadas de cultivo, sem uma boa produtividade”. Talvez por isso, estudar era o principal objetivo do menino José Pimentel. Num esforço que contou, sobretudo, com o apoio da mãe, que acompanhava de perto o desempenho escolar dos filhos. Embora morando numa pequena cidade do interior do Piauí, ele teve oportunidade de estudar em uma instituição pública de qualidade, no caso a Escola Marcos Parente.

Seus poucos momentos de lazer eram passados ao lado da família. Os “precários” cinemas de Picos não atraíam José Pimentel. Ele gostava mesmo era de futebol, mas estava longe do perfil do craque. “Nunca fui dono da bola, por isso joguei pouco ao longo da vida”, justifica com bom humor, o hoje torcedor do Ferroviário. Por outro lado, dedicava-se muito às atividades nas pastorais católicas. Desde muito cedo, identifica-se com as lutas operárias e os movimentos da Igreja. Talvez uma influência da mãe, que queria ver os filhos nos caminhos religiosos. “Obrigatoriamente, a gente tinha que ir à missa todos os domingos. Bem cedo, mamãe acordava os filhos, nos mandava tomar banho e, depois, seguíamos juntos para a igreja”.

Advocacia

Paralelamente à atividade bancária, José Pimentel fez vestibular para Direito e Matemática. Após aprovado, assumiu o desafio de levar os dois cursos, ambos na Universidade Federal do Ceará. Com o tempo, devido à incompatibilidade de horários, teve que abrir mão de Matemática. Ao concluir o curso de Direito, passou a conciliar a atividade bancária com uma forte atuação na advocacia trabalhista. E prestou assessoria jurídica nas pastorais sociais. Aos poucos, sua atuação política foi ganhando mais força, principalmente após engajar-se na luta sindical, logo depois do fim da intervenção no Sindicato dos Bancários, que vigorou de 64 a 79. “Fiz parte da primeira diretoria, no Conselho Fiscal, tendo como presidente a Maria da Natividade Rocha”.

O ministro é um dos primeiros filiados ao Partido dos Trabalhadores no Ceará. E pioneiro na luta que antecedeu a criação da Central Única dos Trabalhadores. “Em 1981, participei do grande encontro em Praia Grande, em São Paulo, pela criação da CUT. Mas sua fundação só aconteceria dois anos depois”, conta. Com o tempo, a política partidária levou José Pimentel a lançar-se candidato a vereador de Fortaleza. Embora tenha ficado entre os dez mais votados, em 1992, não conseguiu entrar na Câmara Municipal por conta do coeficiente eleitoral. Em 1994, voltou a candidatar-se, desta vez a deputado federal. A partir daí, seria vitorioso em todas as eleições que disputou. E sempre pelo PT.

José Pimentel está no quarto mandato de deputado federal. O foco de atuação e o desempenho parlamentar não mudaram muito de um mandato para o outro. Já em 1995, ganhou visibilidade como vice-presidente da Comissão Especial de Reforma do Sistema de Previdência Social. No ano seguinte, integrou a Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a investigar denúncias de irregularidades nas entidades de previdência privada – a comissão ficou conhecida como CPI dos Fundos de Pensão. Ao longo do primeiro mandato, ainda integrou a Comissão de Finanças e Tributação, tendo exercido o cargo de vice-presidente.

Matéria completa: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?Codigo=574936

Postado por Erismar Carvalho, às 11h46.

Anúncios