A Petrobras descobriu que vale a pena investir na costa cearense e vai destinar R$ 147 milhões para a exploração de petróleo em águas profundas nos próximos anos. Mas isso pode ser apenas o começo.

Que a costa do Ceará guarda mais riquezas do que as explorações apontam, a Petrobras já sabe. Por isso, decidiu investir, de 2009 a 2012, R$ 147 milhões na perfuração de cinco poços em águas profundas – a cerca de 1.900 metros de profundidade. O que a Petrobras ainda não sabe, mas já está realizando estudos para descobrir, é a existência de uma camada pré-sal por aqui, a exemplo da que foi encontrada no Sul e no Sudeste. A certeza ainda não existe, mas a possibilidade de haver uma reserva de grande porte e a perspectiva de perfuração por parte da empresa são, de fato, reais.

“Pode ter pré-sal no Ceará e no Rio Grande do Norte, que foram os últimos pontos de separação entre o continente sul-americano e o africano. E não só há possibilidade de existência de pré-sal aí (no Ceará), como a Petrobras tem a perspectiva de perfurar. Eu só não sei quando porque não sei qual a prioridade (da empresa)”, afirma o diretor de Comunicação da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), Fernando Siqueira.

A reserva de pré-sal encontrada entre o litoral dos estados de Santa Catarina e Espírito Santo abriga uma enorme quantidade de óleo de boa qualidade, fruto da separação dos continentes sul-americano e africano, como explica Siqueira. “Quando os continentes estavam se separando, os rios traziam detritos orgânicos que eram depositados na abertura gerada pelo rompimento”. Esses detritos eram misturados com terra e fermentados por microorganismos, formando assim o petróleo. “No caso do Nordeste, também houve depósito de detritos orgânicos de rios como o São Francisco e pode ter havido a formação do pré-sal”, esclarece.

A camada de pré-sal, como o próprio nome explica, significa que o petróleo está localizado abaixo da camada de sal, que protegeu o óleo do aumento de temperatura e da pressão da água, impedindo a vazão de petróleo para a superfície. Essa espécie de proteção, no entanto, se transformou num entrave para a exploração, já que o óleo pode ser encontrado a nada menos que seis mil metros de profundidade do nível do mar.

“De acordo com os geólogos, a separação dos continentes se deu do sul para o norte e como no Ceará também houve um afastamento do continente africano, pode ter havido um mecanismo parecido. Nas reservas pré-sal do sul, estima-se que há 90 bilhões de barris, mas já há quem fale em 300 bilhões que já seria agregando o petróleo do Nordeste”, afirma o diretor da Aepet. Se isso se confirmar, definitivamente, o País não só se tornará um dos maiores produtores de petróleo do mundo como terá que investir em tecnologia para explorar de maneira economicamente viável essas riquezas.

EMAIS

– A camada pré-sal fica abaixo de cerca de dois quilômetros de água, dois quilômetros de rochas e sedimentos e outros dois quilômetros de sal.

– Especialistas estimam que a reserva descoberta entre a costa de Santa Catarina e do Espírito Santo tem de 40 bilhões a 90 bilhões de barris.

– Estima-se que seja necessário algo em torno de US$ 600 bilhões para viabilizar a exploração da camada pré-sal já descoberta no País.

NÚMEROS

R$ 147 milhões é quanto a Petrobras vai investir na costa cearense para explorar petróleo em águas profundas

300 bilhões de barris de petróleo pode ser o potencial da camada pré-sal em todo o Brasil

Fonte: http://www.opovo.com.br/opovo/economia/815351.html

Postado por Erismar Carvalho, às 11h14.