DATA TEVE ORIGEM EM 1951, APÓS GREVE HISTÓRICA

 

São Paulo – Bancários de todo o país comemoram nesta quinta-feira, 28 de agosto, o Dia do Bancário. Há muito que celebrar na história de uma categoria que participou dos mais importantes momentos da política brasileira nos últimos 85 anos e ajudou a construir a democracia no país. Mas, além da festa, é também um dia para reflexão sobre o atual momento dos bancários, que, se garantiram nestes anos conquistas históricas, também enfrentam hoje grandes e novos desafios, como a institucionalização do assédio moral e um crescimento salarial e de participação nos lucros incompatível com o lucro e a rentabilidade dos bancos, que na ultima década vêm batendo recordes sobre recordes.

 

História – Com o fim da ditadura de Getúlio Vargas, em 1945, em meados do século passado, os movimentos sociais começavam a retornar à cena política, com os bancários na linha de frente – a campanha de 1946 já ocupou as ruas do centro de São Paulo. Mas foi em 1951 que o 28 de agosto virou Dia do Bancário, quando teve início uma greve que durou 69 dias e conquistou 31% de aumento salarial, contra 15% oferecido com base num cálculo duvidoso da inflação.

  

Os bancários de São Paulo e Belo Horizonte, ao contrário de trabalhadores de outros locais, não abriam mão da reivindicação inicial: 40% de aumento, salário mínimo profissional e adicional por tempo de serviço. Durante o movimento, em meio a forte repressão do Dops, pressão do governo estadual, Ministério do Trabalho e até da Igreja, além da omissão da imprensa, os mineiros também acabaram aceitando acordo de 20%. Isolado, São Paulo prosseguiu com o movimento, que só terminou em novembro.

  

Os banqueiros, que ameaçavam excluir o salário profissional e o adicional por tempo de serviço, ficaram surpresos com a capacidade de organização e a mobilização da categoria. Após o término da greve, não perderam a chance de jogar pesado: muitos grevistas foram demitidos e outros transferidos para cidades do interior do Estado.

 

Dieese – Com isso, apesar da dificuldade de rearticulação dos trabalhadores nos anos seguintes, a greve de 51 resultou não só num aumento salarial maior para São Paulo, como levou suas lideranças a outros municípios, propiciando a formação de vários sindicatos bancários pelo estado. Mais ainda, ousou questionar a lei de greve do governo Dutra e colocou em xeque os índices oficiais de custo de vida, que tiveram de ser refeitos – durante o processo, estes índices pularam “milagrosamente” de 15,4% para 30,7%. O questionamento do cálculo do custo de vida culminaria, em 1955, na criação do Dieese – o hoje histórico e respeitado Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos.

 

  

Fonte: http://www.spbancarios.com.br/noticia.asp?c=8681

  

Postado por Erismar Carvalho, às 10h38.