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Duvanier Paiva: Dilma manda investigar morte de secretário do Planejamento

BRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff solicitou ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que investigue a possível omissão de socorro que resultou na morte do secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva Ferreira. Após ter o atendimento recusado em dois hospitais particulares de Brasília, que não atendiam seu plano de saúde, o secretário teve um parada cardíaca enquanto preenchia a ficha cadastral em outro hospital. O corpo dele está em São Paulo, onde será enterrado ainda nesta sexta-feira.

Caso se comprove a falha dos hospitais, eles poderão responder por ações cíveis. Já as pessoas envolvidas no atendimento poderão responder criminalmente por omissão de socorro qualificada. O artigo 135 do Código Penal estipula detenção de um a seis meses, ou multa, podendo ser triplicada em caso de morte. O ministro acionou nesta sexta-feira a Agência Nacional de Saúde Suplementar para investigar se houve irregularidade no atendimento.

A Polícia Civil do Distrito Federal já ouviu Marisa Makiyama, diretora técnica do hospital Santa Luzia, instituição suspeita de recusar atendimento ao secretário. Ainda serão ouvidas os funcionários envolvidos no caso. Também prestarão esclarecimentos representantes do Hospital Santa Lúcia, o outro que teria omitido socorro, e do Hospital Planalto, onde ele teve a parada cardíaca. A investigação está sendo conduzida pela Delegacia do Consumidor (Decon) do DF. Segundo a delegada titular da Decon, Alessandra Figueiredo, também já foram pedidas as filmagens da área de emergência dos três hospitais.

- Ela (Marisa) falou que olhou no sistema (do hospital) e não verificou a passagem do secretário pelo hospital. Por isso, pedimos as imagens – explicou Figueiredo.

A delegada também informou que tentará ouvir os familiares na segunda, uma vez que eles estão em São Paulo no momento. Ela informou também que a possível exigência feita pelos hospitais, de cobrar cheque caução para realizar o atendimento, é ilegal.

- Essa parte, de se exigir cheque caução, é ilegal. Existe até projeto de elei para tipificar como crime – afirmou.

Ainda na quinta-feira, o Blog do Planalto soltou uma nota da presidente Dilma lamentando o falecimento de Ferreira. “Sua inteligência, dedicação e capacidade de trabalho farão muita falta à nossa administração. Consternada com a notícia da sua perda, envio meu abraço solidário a seus amigos, familiares e colegas de trabalho”, afirma Dilma.

Também na quinta-feira, o Ministério do Planejamento soltou uma nota, afirmando que o secretário “tinha total confiança da ministra Miriam Belchior como condutor das relações de trabalho do governo com os servidores”.

Ferreira nasceu em São Paulo, em 6 de fevereiro de 1955, e, desde junho de 2007, ocupava o cargo de secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento. Entre outros postos, ele já foi chefe de Gabinete da Secretaria de Gestão Pública da Prefeitura de São Paulo, assessor da Presidência da Infraero, assessor político da Executiva Nacional da CUT, secretário de Formação da CUT Estadual em São Paulo e professor na Rede Municipal de Ensino da Prefeitura de São Paulo.

(AGÊNCIA ESTADO)

Palanques Estaduais: Dilma lidera com 42, Serra 26 e Marina 11

Em uma campanha presidencial, a capilaridade é considerada ponto essencial para que o candidato chegue ao fim da corrida pensando na roupa da posse. A proporção de votos colhidos nas urnas costuma responder a uma lógica que inclui o potencial de alcance aos eleitores situados nas regiões mais distantes. Se medido apenas pelo número de palanques, o quesito mostra que Dilma Rousseff (PT) largou na frente de José Serra (PSDB) e de Marina Silva (PV) no intuito de alastrar os tentáculos pelos estados e pelo Distrito Federal. Ela tem o apoio de 42 candidatos a governador espalhados pelo país, contra 26 dos tucanos e 11 da verde. Os números são vistos sob duas óticas. Líderes no ranking, os petistas acreditam que ele representa maior adesão à campanha de Dilma. Os dois principais rivais devem explorar uma suposta divisão da base de apoio à candidata, expressa pelo excesso de palanques.

Dilma consegue desgarrar dos adversários por conta dos apoios nas regiões Nordeste e Norte do país. No Amapá, ela chega a contar com três candidatos a governador no rol de apoiadores. Camilo Capiberibe (PSB), Lucas Barreto (PTB) e Pedro Paulo (PP) declararam voto à petista. Em outros estados, ela conta com os dois principais palanques na disputa pelos governos. No Amazonas, os apoiadores, Alfredo Nascimento (PR) e Omar Aziz (PMN), polarizaram a disputa, assim como na Paraíba, com Ricardo Coutinho (PSB) e José Maranhão (PMDB). Na soma dos apoios, a petista vence o tucano nas duas regiões por 29 a 14.

A contagem de palanques mostra vantagem para Serra apenas no Centro-Oeste. Embora o tucano tenha um apoiador a menos que Dilma, os candidatos alinhados ao tucano lideram as pesquisas em dois estados e no DF. A petista só tem a dianteira em um. “A vantagem de Dilma no Norte e Nordeste se deve, exclusivamente, à popularidade do governo Lula na região, o que torna praticamente impossível se eleger nesses estados fazendo oposição ao Planalto”, analisa o cientista político Leonardo Barreto.

Para o pesquisador, entre os candidatos, quem tem de se preocupar mais com os dados é Marina. Ela só tem apoiadores em pouco mais de um terço do país. Na maioria dos estados, Marina não tem candidatos a governador reforçando a campanha. Considerado o único palanque forte da senadora acreana, Fernando Gabeira (PV-RJ) é aliado local dos partidos que compõem a base de Serra e deve se dividir durante as eleições. “As eleições para presidente, embora nacionais, são federalizadas. A Marina não está equipada para falar a toda a população. Nessa situação, o discurso precisa ser eficiente para dar conta de uma diferença tão grande de capilaridade, mas o tempo de televisão dela, de um minuto e vinte segundos, praticamente inviabilizou a tarefa”, aponta Barreto. Por conta dessa brecha na campanha, os verdes colocaram fichas altas em mídias virtuais e na mobilização de voluntários.

Coesão
Dentro do comando de campanha tucano, os números superiores de palanques em favor da petista ainda não acenderam a luz de alerta. Os partidos da base de Serra enxergam na suposta deficiência uma dificuldade futura para a petista. A estratégia da legenda é se aproveitar do excesso de apoiadores de Dilma, o que denunciaria divisões regionais na base governista. A aposta é de que os rachas em estados como o Maranhão podem acabar por enfraquecer a ex-ministra da Casa Civil. “O importante nessa conta é saber em quantos estados os palanques estão unidos. A coesão nos nossos palanques é superior, não temos tantas divisões internas”, aposta o coordenador da campanha tucana, Sérgio Guerra.


SEU CANDIDATO EM “FULL COLOR”

Fotos dos candidatos em cores. Essa é uma das novidades nas 187 mil urnas eletrônicas que serão usadas nas eleições. Outra inovação é a aposentadoria do disquete. Agora, as urnas têm dispositivos com entrada USB semelhantes a pen drives. A inovação permite que a capacidade de armazenamento das urnas novas seja 34 vezes maior que as de 12 anos atrás. A velocidade no processamento de dados também melhorou. Segundo o TSE, a troca é fundamental para garantir a normalidade das votações.

(Correio Brasiliense)

TSE multa Índio da Costa por propaganda no twitter: R$ 5 mil

O ministro Henrique Neves, do TSE, decidiu neste domingo (18) impor uma multa a Índio da Costa.  

Candidato a vice-presidente na chapa de José Serra, Índio foi punido por uma infração cometida na internet. 

No dia 5 de julho, Índio pendurou no twitter um lote de mensagens alusivas ao desafio de disputar a vice-presidência. 

Uma delas foi considerada ilegal. Dizia: “A responsabilidade é enorme. Mas conto com o seu apoio e com o seu voto. Serra Presidente: O Brasil pode mais”. 

Pela lei, só no dia seguinte, 6 de julho, a propaganda eleitoral estaria liberada. Daí a multa, fixada por Henrique Neves em R$ 5 mil. 

O ministro entendeu que Índio infringiu a lei porque, além de pedir “voto”, anotou o lema da campanha de Serra: “O Brasil pode mais”. 

Os advogados de Índio tentaram argumentar que o twitter é “um ambiente restrito”, destinado à “troca de idéias” entre “pessoas previamente cadastradas”. 

O ministro não engoliu. Anotou em sua decisão que o twitter está mais para meio de comunicação do que veículo de conversa íntima entre amigos: 

“O acesso independe de cadastro, as mensagens são instantaneamente copiadas para páginas dos seguidores e, possivelmente, são replicadas para tantas outras”. 

Embora o PT tivesse protocolado uma representação contra Índio, o TSE informou que a decisão do ministro foi tomada em ação movida pelo Ministério Público. 

Como se trata de decisão monocrática, expedida por um único julgador, Índio pode, se quiser, recorrer. 

Nessa hipótese, o caso subirá ao plenário do TSE, integrado por sete ministros.

(Josias de Souza)

Qual é a proposta?

Nesse fim de semana, o ex-governador José Serra e a ex-ministra Dilma Rousseff oficializaram suas candidaturas à Presidência da República, cada qual pela coligação de partidos que os apoia. Ele, pela oposição; ela, pelo governo Lula.

Do ponto de vista da política econômica, Dilma se apresenta agora como a candidata da continuidade, como aquela que vai manter as grandes linhas que, argumenta ela, garantem a estabilidade que é precondição para o prosseguimento dos programas de desenvolvimento e aumento de densidade do Brasil na economia global. E é assim que os emissários de Dilma vêm se apresentando aos empresários e grandes administradores.

Assim, às vezes com mais sutileza e às vezes com menos, tentam explorar o que entendem como campo de indefinição ou, mais do que isso, como as incertezas que cercam o programa de política econômica do candidato adversário.

O argumento dos defensores da candidata governista é o de que, se Serra vier a ser presidente da República, a economia brasileira correrá forte risco de passar por uma ampla desarrumação, com as consequências que daí deverão provir.

Desde os tempos em que participava como ministro das duas administrações Fernando Henrique, José Serra vem fazendo críticas duras não só à política cambial e à política monetária. Ele também se pronuncia especialmente contra a concessão do atual grau de autonomia do Banco Central na condução da política monetária (política de juros): “o Banco Central não é a Santa Sé”, disse em abril na TV, em ríspida entrevista concedida à jornalista Míriam Leitão.

Mas essas posições estão longe de dar uma visão clara de como seria a geometria da política econômica num possível governo Serra. Não se sabe até que ponto seria alterado o atual tripé: responsabilidade fiscal (com formação de forte superávit primário); câmbio sujeito a “alguma flutuação suja”, na medida em que prevê intervenções do Banco Central no mercado; e sistema de metas de inflação.

Serra é conhecido como aquele que sempre exigiu muito rigor na execução da política fiscal. No mais, às vezes, indica que fará mudanças, mas não a ponto de mexer radicalmente no tripé. Outras, é crítico ou vago o suficiente para deixar empresários e analistas na dúvida ou então que tome corpo a tese do “risco Serra”.

Quando pretendia arrebatar a candidatura a vice de Dilma, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, denunciou com certa insistência a existência desse risco. Depois, no entanto, passou a defender a posição de que a economia brasileira já havia ultrapassado o estágio da puberdade e já é madura o suficiente, vem dizendo ele, para não se sujeitar a mudanças radicais no atual modelo. Isto é, independentemente de quem seja o novo presidente, as atuais vigas mestras serão fundamentalmente mantidas.

Seja como for, Serra está devendo uma definição do que pretende, se for eleito. As sabatinas se sucederão agora em todos os meios de comunicação e serão excelente oportunidade para deixar tudo isso mais claro. E é bom que fique claro. Se está erguendo a bandeira da confiança e da garantia de que “o que é bom deve continuar”, é porque Dilma está identificando fragilidades nas propostas do seu adversário que lhe convém explorar eleitoralmente.

A França usa a tesoura
A França está disposta a seguir o projeto alemão. O primeiro-ministro francês, François Fillon, anunciou ontem que o governo se prepara para um corte de €45 bilhões no orçamento até 2013. Na semana passada, foi a vez da chanceler Angela Merkel avisar que seu governo estava fazendo uma economia de €80 bilhões no mesmo período.

Dívida e soberania
Fillon justificou os novos cortes como uma decisão destinada a garantir a soberania do Estado francês: “Um país perde parte de sua independência nacional quando se endivida demais e quando acaba amarrado às decisões dos credores.”

Na contramão
As decisões da Alemanha e da França contrariam os apelos formais do secretário do Tesouro americano, Tim Geithner, reiterados na última reunião do G-20, de que os governos europeus incrementem o dispêndio público para incentivar o consumo, em vez de aumentar os cortes de despesa que produzem recessão.

(Blog do favre)

Cid: Ciro vai seguir orientação do PSB e apoiar Dilma

O governador Cid Gomes (PSB) disse nesta sexta-feira, 21, que o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) vai apoiar a candidatura de Dilma Rousseff (PT) à Presidência.

“Ciro sempre falou que vai seguir a orientação do partido. A orientação do partido é de apoio à Dilma, é natural e conseqüência que ele apóie a candidatura da Dilma”, disse o governador, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No último dia 27 de abril, o PSB anunciou que não iria apresentar candidato próprio à disputa pelo Planalto. Ciro Gomes lutou até o último momento para se manter na corrida pela Presidência. Na época, o presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, explicou que o partido, em decisão conjunta com os diretórios regionais, avaliou que não teria condições de sustentar a candidatura de maneira isolada.

Na tarde desta sexta-feira, 21, o Diretório Nacional do PSB oficializou o apoio à pré-candidatura de Dilma. “Todo o nosso partido no Brasil inteiro fará campanha para Dilma Rousseff”, disse Campos.

Cid não esteve presente ao anúncio do partido. Ele explicou a ausência dizendo que o voo que tomou para Brasília “atrasou por problemas no avião”. O governador afirmou ainda que Lula perguntou sobre o paradeiro de Ciro durante o encontro desta sexta, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede provisória do governo.

“Disse que ele (Ciro) está nos Estados Unidos, tirou uns dias aí”, contou. Perguntado se havia “mágoas” pelo fato de o PSB ter optado por não lançar candidatura própria à Presidência, Cid disse que o “momento é de olhar para frente” e aceitar a decisão da sigla.

“Acho que não é mais hora de olhar para trás. O momento é de olhar para frente. As coisas são assim. Se você me pergunta se alguém tem alguma queixa, eu ouço pessoas se queixando, se queixando do Ciro não ser candidato, mas eu tenho que olhar para a frente, e tenho certeza de que essa será a postura do Ciro também. A decisão do partido foi de não ter candidato, a gente tem que aceitar e se submeter a ela”, afirmou.

(O Povo Online)

Dilma Rousseff dá uma aula de política fiscal à Miriam Leitão

Miriam Leitão – A grande dúvida a respeito da senhora é que nunca demonstrou, durante o período em que estava mais exposta na vida pública, apoiar políticas que garantiram a estabilidade da moeda, por exemplo, controle de gastos. Quando os seus colegas de partido, Antonio Palocci e Paulo Bernardo propuseram reduzir e zerar o déficit público, a senhora considerou a ideia rudimentar. E eles estavam certo. Tanto estavam certo que, de lá para cá, a dívida pública bruta subiu de R$ 1,2 trilhão para R$ 2,2 trilhões. Agora, a senhora tem defendido estabilidade da moeda, tem defendido políticas restritivas fiscais e monetárias. Quando é que a senhora mudou de ideia, que eu perdi essa parte?

Dilma Rousseff – Ô, Miriam, deixa eu te falar uma coisa. A nossa visão naquela época, de ajuste de longo prazo, ela ainda não estava completa. A questão do ajuste fiscal de longo prazo é algo que você constrói, porque implica, inclusive, relações complexas intertemporais. Exemplo: nós mantivemos sempre a trajetória e perseguimos isso. Aliás, eu queria te esclarecer, eu sou integrante, fui aliás, desculpe, da junta orçamentária. Todos os cortes de gastos aprovados por esse governo, em 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009, e início de 2010, foram aprovados com meu acordo. Todos os superávits primários e as metas de superávit primário foram aprovadas com o meu acordo. Aliás, o Programa de Aceleração do Crescimento mostra, da nossa parte, uma maturidade maior, porque eu não posso prever um plano de ajuste fiscal de longo prazo em que o PIB começa mais alto e acaba mais baixo. É o inverso, eu tenho de prever um plano de ajuste fiscal de longo prazo em que o PIB começa mais baixo e passa para um patamar mais alto. O próprio plano de ajuste fiscal é um fator de elevação do nível de crescimento da economia.

[Aqui a ministra está dizendo que não se pode fazer ajuste fiscal constrangendo o investimento e o crescimento. Ao contrário, o ajuste deve vir como consequência do crescimento, do incentivo ao crescimento.]

ML – Ministra, deixa eu interromper, porque a minha pergunta não está sendo respondida.

DR – Eu estou tentando, viu, Miriam, estou fazendo o melhor dos meus esforços para te responder. Então, no caso do PAC, por exemplo, nós trabalhamos com metas de superávit primário, de queda do déficit nominal e de taxa de juro. Tanto é assim que foi só porque o valor do PAC, vamos supor, o primeiro valor, R$ 500 bilhões e pouco, era consistente com essa trajetória que a gente queria de queda do endividamento, e você a de convir comigo, o único governo nos últimos anos que perseguiu queda sistemática do endividamento foi o governo do presidente Lula.

ML – Ministra, os números mostram o contrário. A dívida pública cresceu, ministra.

DR – Você está falando a bruta, né, Miriam?

[Só na cabela da Miriam a dívida Bruta é a mais importante que a líquida. E como se verá a seguir, não há truques contábeis, mas diferentes interpretações sobre o papel da capitalização do BNDES. A política fiscal está tão 'descuidada' que o Risco País continua caindo. Quem será que está errando? Truques contábeis é ela se referir ao valor nominal da dívida e não sua relação com o PIB.]

ML – A bruta, que é a mais importante, até porque na líquida tem alguns truques contábeis.

DR – Então, vamos discutir porque a dívida bruta cresceu.

ML – Mas deixa eu terminar a minha pergunta. Pelo contrário, o governo Lula, a partir do momento em que a senhora assume e a partir do momento em que o ministro Palocci sai, começa a aumentar muito os gastos públicos. Então, a minha pergunta é o seguinte: a senhora estava errada quando atropelou a proposta do ministro Palocci?

DR – Me desculpa, Míriam, você está falando uma coisa que não é correta.

ML – O que não é correto?

DR – No momento em que nós fizemos o maior superávit primário, tão grande que nós pudemos construir o fundo soberano, foi em 2008. Você está equivocada no que se refere a números. Além disso, Miriam, vou te falar uma coisa. Você falou em dívida bruta. Você sabe por que que a nossa dívida bruta cresceu? A dívida líquida você concorda que é cadente.

[E mais. Foi na gestão Dilma e Mantega que o Brasil elevou as reservas aos níveis que nos garantiram passar pela crise internacional com soberania. Fruto, é claro, do trabalho iniciado por Palocci e Henrique Meirelles, mas dizer que a política fiscal foi deixada de lado com Dilma na Casa Civil, é uma afirmação que não tem base real. ]

ML – Ela aumentou recentemente também.

DR – Fizemos um pequeno desvio diante da crise, muito necessário para a gente poder sair da crise sem grandes conseqüências. Aliás, o Brasil tem um dos menores déficits nominais e uma das menores dívidas/PIB.

[A dívida líquida aumentou em 2009, mas já retomou seu ritmo de queda em 2010, mesmo com algumas desonerações ainda em curso. ]

ML – A senhora estava errada quando atropelou a proposta do ministro Palocci?

DR – Miriam, me desculpa, eu acho que você está errada no conceito. Não houve essa questão. Temos perseguido e cada vez mais aprimorado nossa política de ajuste de longo prazo. Tanto é assim que, no caso da dívida bruta, as razões pelas quais ela cresce são o fato de a gente ter construído 250 bilhões de dólares de reserva. E você sabe tão bem quanto eu: se eu quiser diminuir a dívida, eu posso. As reservas têm liquidez imediata, o BC liberou R$ 100 bilhões para os bancos, diante da crise, e agora já está voltando a recompor o compulsório. Por último, transferimos R$ 180 bilhões para o BNDES, um pouco menos do que isso, a título de garantir empréstimo e investimento de longo prazo, impedir que as empresas brasileiras tivessem um enorme choque de crédito. Portanto, não se pode discutir dívida bruta no Brasil sem dizer porque ela aconteceu. Senão, é como a gente lançar plumas ao vento. Eu digo: olha, a dívida bruta subiu e não digo, por exemplo, ela é completamente diferente da dívida bruta da Grécia, que está quebrando. Nós não estamos quebrando, pelo contrário. Estamos cada dia mais robustos.

[Dívida líquida é a diferença entre o que o país deve (dívida bruta) e o que tem a receber mais as reservas. Os tais truques contábeis, citados na pergunta anterior, se baseiam na tese mercadista segundo a qual a capitaização de um banco de investimento, no caso o BNDES, deve ser computado como dívida líquida e não apenas como dívida bruta. Essa tese não leva em consideração que o banco não só tem retorno dos financiamentos que faz ao setor privado, como tem lucro. O índice de inadimplência do BNDES é muito baixo para ser considerado uma capitalização de risco. Risco seria deixar os investidores com projetos sem financiamento.]

Você está pegando uma discussão de 2005. Que era a seguinte: como faremos? Sabe como fizemos, Miriam? Colocamos o investimento na ordem do dia, mantivemos talvez nessa trajetória até 2008 a maior queda nos últimos tempos na dívida líquida/PIB e no déficit nominal. Fomos interrompidos pela crise? Fomos. Saímos de um patamar de 3,6% ou 3,3% do superávit primário, e só fizemos 2,1%. Este ano, estamos recompondo o superávit primário. A mesma coisa houve com o déficit nominal. Estávamos numa trajetória de queda no endividamento, mas sobretudo, eu acho que a grande conquista fiscal do Brasil foi desindexar a dívida interna brasileira das moedas externas, o que foi altamente relevante. Você há de convir que país nenhum tem margem de manobra fiscal se não é capaz de ter a sua gestão internacional, em termos de dívida, de endividamento, sem o dedo do Fundo Monetário. E isso, nós conseguimos.

(Blog do Favre)

PSDB: Estado mínimo e privatizante

A queda do governador José Serra (PSDB-SP) na última pesquisa Datafolha sobre a sucessão presidencial e, conseqüentemente, o crescimento da candidata do PT Dilma Rousself vem causando alvoroço por todo o ninho tucano. Alguns líderes do PSDB admitem que a demora do partido em definir o seu pré-candidato contribuiu para o crescimento da ministra Dilma, mas o fato é que quanto mais Dilma se apresenta à sociedade brasileira como candidata do PT, apoiada pelo próprio presidente Lula, mais ela sobe nas pesquisas de intenção de votos, numa demonstração clara de que a população aprova o atual governo.

No caminho inverso, ter a imagem atrelada à do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso faz Serra despencar, e não é por menos, sua gestão foi marcada pelo desmonte dos serviços públicos, por conta da famigerada série de privatizações. A polarização da disputa entre estes dois partidos tem dado a corrida eleitoral aspectos de “plebiscito”, portanto, as comparações serão inevitáveis.

Desqualificar o debate como faz o deputado Pedro Tobias nesta coluna Opinião (em 2 de março) é confessar o desespero ante a real e absoluta possibilidade de um terceiro mandato do Partido dos Trabalhadores. Poderíamos pautar aqui os debates no campo das idéias e em programas de governo, mas o deputado prefere dar a eles um tom mais policialesco, quando afirma que um dos coordenadores da campanha de Dilma é o chefe da quadrilha do mensalão, referindo-se a José Dirceu.

Se o desespero se justifica, tal vocabulário também, pois o termo quadrilha vem fazendo parte da vida orgânica do PSDB e seu eterno braço aliado DEM. Poderíamos falar de algumas: quadrilha da Associação Hospitalar de Bauru. Quadrilha do Arruda, governador do Distrito Federal. Quadrilha que superfaturou o Rodoanel (a pressa em inaugurar a obra provocou desabamento). O escândalo do Sivan, o caso Marka/ FonteCindam, a farra do Proer, etc.

Mas prefiro falar do apego do seu partido ao receituário neoliberal: redução do papel do Estado, privatizações, técnicas da iniciativa privada aplicadas mecanicamente na gestão pública. Ressalto também as sucessivas investidas para criminalizar movimentos sociais, como o recente Caso Cutrale, assim como a impiedosa perseguição à população em situação de rua (higienização) e os despejos em massa na região metropolitana de São Paulo.

Vitimado por estas políticas de inspiração neoliberal, o nosso Estado, comandado ao longo destes vinte anos por seu partido, perdeu participação no PIB nacional. Também no período, o Estado foi palco do maior processo de transferência de patrimônio público para grupos privados de que se tem notícia no País.

As mazelas do modo tucano de governar, com ênfase na gestão José Serra, e os resultados das conquistas do governo Lula serão submetidas a um necessário julgamento político neste ano em que o povo volta às urnas para escolher novos governantes. É esse o debate que devemos fazer e o faremos sempre.

O autor, Fabrício Carlos Genaro, é membro do Diretório Municipal do PT – Bauru

(Jornal da Cidade de Bauru)