José Mujica ganha eleições no Uruguai, segundo as pesquisas

30 11 2009

Montevidéu, 29 nov (EFE).- O candidato de esquerda José Mujica ganhou hoje as eleições do Uruguai com entre 50,1% e 51,5% dos votos, segundo as primeiros pesquisas de boca-de-urna, na frente do conservador Luis Alberto Lacalle, que alcançou entre 44,4% e 46,2% dos votos.

Mujica, um ex-guerrilheiro que passou 13 anos de sua vida na prisão, boa parte deles durante a ditadura militar (1973-1985), ganhou o primeiro turno com 48% dos votos.

(Ultimo Segundo)





Instituto de ciências sociais vive crise financeira

30 11 2009

Instituto de ciências sociais vive crise financeira

Com 40 anos, Iuperj cortou salários dos docentes em 30% e não os paga há 3 meses e meio

Por Márcia Vieira

O Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), referência em ciências sociais, vive sua pior crise em 40 anos. “Estamos no fio da navalha”, diz Jairo Nicolau, diretor executivo do instituto. O Iuperj é ligado à Universidade Candido Mendes, também com dificuldades financeiras. É a universidade que paga os salários dos 18 professores do instituto, que não recebem há três meses e meio. Os 200 alunos de mestrado e doutorado em Ciência Política e Sociologia não pagam mensalidades.

A última tentativa de salvar o Iuperj é transformá-lo em Organização Social (OS), vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Assim, receberia recursos do governo federal. “O Iuperj não gera benefícios financeiros. Mas oferecemos dois serviços de excelência. Já formamos mais de 120 professores que hoje estão em universidades públicas no País inteiro”, defende Nicolau.

Há alguns dias ele percorre gabinetes em Brasília em busca de apoio para que o governo federal transforme o instituto em OS, de acordo com a lei federal de 1998. Ela permite que uma entidade privada, sem fins lucrativos, receba não só isenções fiscais como dotações orçamentárias. “É o caminho que se desenhou para manter o Iuperj íntegro com a sua história. Não há outra alternativa”, afirma Nicolau. A ideia é que, como OS, o instituto faça convênio com uma universidade privada, a Candido Mendes, para que não perca seus cursos.

INTEGRIDADE – O reitor Candido Mendes de Almeida, que criou o Iuperj em plena ditadura militar, disse que o dinheiro federal é bem-vindo, mas não admite perder o controle administrativo e acadêmico sobre o instituto. E afirma que o Iuperj não vai fechar. “Prefiro fechar a Candido Mendes. As pessoas não entendem, mas o que me move é a paixão. Educar é perder dinheiro, mas manter sua integridade.”

Segundo o reitor, o Iuperj custa à universidade R$ 6 milhões anuais. Nicolau faz outra estimativa. “Os custos giram em torno dos R$ 4 milhões, incluindo salários e custos de manutenção. Os salários são pagos pela Candido Mendes e nós vamos atrás de recursos para pagar contas, comprar livros, fazer pesquisas e seminários.”

A crise do instituto vem desde 2004. Para garantir seu funcionamento, os professores concordaram em ter redução salarial de 30%. “Sei que as instituições são mortais, mas ainda cabe no País uma instituição como o Iuperj. O Rio não tem nenhum outro programa de doutorado em ciência política”, argumenta Nicolau. O acervo do instituto é rico. Sua biblioteca, aberta à consulta de pesquisadores, tem 23 mil volumes e 400 títulos de periódicos.

Link:   http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/11/30/preservem-o-iuperj/#more-40142





O Jornalismo irresponsável

30 11 2009

Do Último Segundo

Watergate tinha dois repórteres espertos – Bob Woodward e Carl Bernstein – e um editor memorável – Ben Bradlee – que filtrava todas as informações e só permitia a publicação daquelas confirmadas por pelo menos três fontes. Até hoje Bradlee é um dos símbolos do bom jornalismo e exemplo para jornalistas de todas as partes do mundo.

O escândalo divulgado pela Folha na sexta-feira – um artigo de um dissidente do PT, César Benjamin – acusando Lula de ter currado um militante do MEP no período em que esteve preso no DOPS, é um dos mais deploráveis episódios da história da imprensa brasileira. E mostra a falta que fazem pessoas da envergadura de Bradlee.

Qualquer acusação, contra qualquer pessoa, exige discernimento, apuração. Quando o jornal publica uma acusação está avalizando-a.

Quando a acusação é gravíssima e atinge o Presidente da República – seja ele Sarney, Itamar, FHC ou Lula – o cuidado deve ser triplicado, porque aí não se trata apenas da pessoa mas da instituição. Qualquer acusação grave contra um Presidente repercute internacionalmente, afeta a imagem do país como um todo. Se for verdadeira, pau na máquina. Se for falsa, não há o que conserte os estragos produzidos pela falsificação.

A acusação é inverossímil.

Na sexta conversei com o delegado Armando Panichi Filho, um dos dois incumbidos de vigiar Lula na cadeia. Ele foi taxativo: não só não aconteceu como seria impossível que tivesse acontecido.

Lula estava na cela com duas ou três presos. A cela ficava em um corredor, com as demais celas. O que acontecesse em uma era facilmente percebida nas outras.

Havia plantão de carcereiros 24 horas por dia. E jornalistas acompanhando diariamente a prisão.

Não havia condições de nenhum fato estranho ter passado despercebido. Panichi jamais ouviu algo dos carcereiros, dos presos, dos jornalistas e do delegado Romeu Tuma, seu chefe.

Benjamin não diz que Lula cometeu o ato. Diz que ouviu o relato de Lula em 1994, em um encontro que manteve em Brasília com um marqueteiro americano, contratado pela campanha, mais o publicitário Paulo de Tarso Santos e outras testemunhas.

Conversei com Paulo de Tarso – que já fez campanha para FHC, Lula – que lembra do episódio do americano mas nega que qualquer assunto semelhante tivesse sido ventilado, mesmo a título de piada. E nem se recorda da presença de Benjamin no almoço.

E aí se chega à questão central: com tais dados, jamais Ben Bradlee teria permitido que semelhante acusação saísse no Washington Post.

Antes disso, colocaria repórteres para ouvir as tais testemunhas, checaria as informações com outras fontes, conversaria com testemunhas da prisão de Lula na época. Praticaria, enfim, o exercício do jornalismo com responsabilidade.

A Folha não seguiu cuidados comezinhos de bom jornalismo. Não apenas ela perde com o episódio, mas o jornalismo como um todo.

É importante que leitores entendam: isso não é jornalismo. É uma modalidade especial de deturpação da notícia que os verdadeiros jornalistas não endossam.

Link: http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/11/30/o-jornalismo-irresponsavel/#more-40157





Entrevista com José Eduardo Dutra, novo presidente nacional do PT

29 11 2009

Por Vera Rosa – O Estado de SP

A ministra Dilma é muito diferente do presidente Lula e, mesmo no PT, há quem diga que ela é uma candidata sem carisma, fabricada no Palácio do Planalto. Como torná-la simpática?

Em primeiro lugar, qualquer que fosse o candidato do PT entraria em desvantagem em uma comparação com o Lula. Esse é o fato. Lula é um fenômeno político, não do PT, mas do Brasil. Não é verdade que Dilma foi fabricada no Planalto. O nome dela não surgiu da cartola do Lula.

Mas foi o presidente que decidiu, não passou pelo PT…

Dilma foi uma grande revelação do governo Lula. Agora, carisma é uma qualidade intangível, você não inventa. Eu, particularmente, acho que o governador José Serra (PSDB) também não tem nenhum carisma.

Quer dizer que vai ser uma eleição dos sem carisma?

Dentro do conceito tradicional de carisma, poderia se dizer que sim (risos). Exatamente pelo fato de os candidatos até agora não terem aquilo que se chama carisma, isso vai possibilitar que a eleição seja mais politizada. É até bom do ponto de vista do debate programático.

Se Dilma for eleita, o governo comandado por ela será mais à esquerda do que o de Lula?

Eu tenho cuidado ao usar o termo “esquerda” porque depois isso é utilizado para dizer que queremos assustar o capital. Da mesma forma que o segundo mandato do Lula foi mais avançado do que o primeiro, eu acho que o governo da Dilma tem condições de aprofundar mais as mudanças. É um processo.

Dilma disse que a tese do Estado mínimo faliu. O PT defende a volta do Estado máximo?

Entre o Estado mínimo e o Estado máximo há o Estado necessário. A crise sepultou de vez aqueles que achavam que o Deus mercado regulava e resolvia todos os problemas. Não significa que o Estado tenha de voltar a produzir locomotiva, mas significa que o Brasil não pode prescindir de instrumentos estatais fundamentais, como é o caso da Petrobrás e dos bancos que restaram.

O deputado Ciro Gomes, do PSB, está bem posicionado na disputa nacional, mas Lula quer que ele seja candidato em São Paulo, apesar da resistência do PT. É possível convencer o eleitor que um político com a carreira construída no Ceará entenda dos problemas de São Paulo?

Ciro é um aliado importante e tem capacidade para postular qualquer cargo. Se ele apresentar seu nome para ser candidato a governador, o PT não pode estabelecer veto. Ciro é paulista e tem amplo conhecimento da política nacional como um todo. Eu senti esse preconceito quando disputei o governo de Sergipe, em 2002. Diziam que eu era um forasteiro.

Não é um vexame o PT ficar sem candidato próprio no maior colégio eleitoral do País?

Eu não coloco a questão de candidatura própria em São Paulo ou em qualquer Estado como um fetiche. É preciso desprendimento. Não podemos encarar isso como um Fla-Flu. A meta é ganhar o governo de São Paulo e fortalecer a campanha da Dilma.

A direção do PT pode intervir em algum Estado para garantir a aliança com o PMDB?

A estratégia será decidida pelo congresso nacional do PT, em fevereiro. Não se trata de intervenção. Esse congresso vai acontecer antes dos encontros estaduais e estabelecerá quais são as prioridades para as eleições.

(O Estado de SP)





Brasil assume liderança contra aquecimento global

29 11 2009

Por Jean-Pierre Langellier – Le Monde

O Brasil se posiciona resolutamente na liderança da luta contra o aquecimento climático. Agora assumindo com orgulho um papel de líder entre os países do Sul, o presidente Lula quer chegar a Copenhague com um texto que tenha força de lei, prova de sua vontade política.

Um ano atrás, o Brasil havia anunciado um “Plano Nacional de Mudanças Climáticas” no qual se comprometia a reduzir “de maneira constante” o desmatamento. Essa promessa não foi acompanhada por nenhuma data. Essa relativa timidez tinha diversas causas. O lobby do agronegócio, influente em Brasília e amplamente sustentado pelo ministério da Agricultura, exercia pressões hostis a qualquer medida que fosse restritiva demais para os produtores agrícolas e os pecuaristas.

Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil e futura candidata do partido de Lula, temia que objetivos ambientais com números e datas determinadas entravassem, em plena crise, o plano plurianual “de aceleração do crescimento”, um conjunto de grandes obras de infraestrutura, dotadas de US$ 290 bilhões (R$ 505 bilhões), pelo qual ela é responsável.

No decorrer do ano de 2009, as disposições mudaram. Após seis meses de recessão, o Brasil saiu da crise, incólume e com a moral em alta. A aproximação de Copenhague apressou a reflexão. Em julho de 2009, durante uma reunião dos países emergentes à margem do G8 de L’Aquila, o Brasil pareceu apoiar a posição chinesa que consiste em jogar a culpa sobre os países industrializados do Norte, poluidores históricos, e em recusar, por esse fato, a se associar a seus esforços para reduzir os efeitos do aquecimento.

A nova política brasileira em matéria de meio ambiente, anunciada em 13 de novembro, marca uma verdadeira ruptura. O Brasil promete aquilo que nem a China, nem a Índia, nem a Rússia – os outros BRIC – parecem dispostas a fazer. Ele assume “o compromisso voluntário” de reduzir em até 39% suas emissões de gás de efeito estufa em relação às previsões de 2020. Ele as limitará a 1,6 bilhão de toneladas, no lugar dos 2,7 bilhões previstos caso nada fosse feito, ou seja, menos que os 2,1 bilhões emitidos em 2005 – o ano recorde – e pouco mais que o 1,5 bilhão descartado em 1994. O Brasil é considerado, segundo cálculos, o quarto ou quinto maior emissor mundial de gás de efeito estufa, em razão sobretudo das queimadas que acompanham o desmatamento da Amazônia e provocam, sozinhas, cerca de 60% das emissões.

O grosso do esforço brasileiro dirá respeito à floresta, com uma redução do desmatamento da Amazônia de 80% até 2020. Mas ele também afetará as árvores da savana, a pecuária, especialmente nos pastos degradados, o uso de fertilizantes, os biocombustíveis, o desenvolvimento da hidroeletricidade e de fontes alternativas de energia, uma siderurgia mais limpa.

Outro sucesso – Esses objetivos foram integrados ao “plano climático” que Lula quer ver adotado pelo Congresso de Brasília antes de Copenhague. Para isso, ele pediu que o procedimento legislativo de votação entre as duas Câmaras seja acelerado. A senadora Ideli Salvatti, relatora do projeto, prometeu dizer aos representantes americanos em Copenhague: “Não só podemos, como fizemos”, alusão ao famoso “Yes, we can!” de Barack Obama.

Em Copenhague, Lula poderá mencionar um outro sucesso. Entre agosto de 2008 e julho de 2009, o Brasil registrou o menor desmatamento anual desde a implantação em 1988 de um sistema de controle por satélite. A superfície desflorestada diminuiu 45% em relação ao ano anterior.

Coisa raríssima, os compromissos assumidos por Lula receberam elogios unânimes dos políticos e dos militantes ecologistas, do Greenpeace até a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que é uma provável futura candidata à Presidência sob a bandeira do Partido Verde. A ambição proclamada por Lula reflete uma conscientização dos perigos do aquecimento, em especial para o próprio Brasil – que a imprensa menciona quase diariamente – e do fato de que a proteção do ecossistema pode andar de mãos dadas com um forte crescimento.

A população muda em sintonia. Segundo recentes pesquisas, os brasileiros colocam o meio ambiente no terceiro lugar de suas principais preocupações, atrás da criminalidade e da educação.

Tradução: Lana Lim





Profissões antigas resistem ao tempo em São Paulo

29 11 2009

Amolador de facas

Feiras ainda têm bancas para amolar facas e consertar panelas. Amolador de facas percorre ruas com o mesmo carrinho desde 1970.

A cidade de São Paulo, que costuma ser uma referência de modernidade no país, esconde traços que podem surpreender. Em meio aos grandes centros financeiros e de compras que fazem surgir novas profissões a cada dia, a metrópole abriga trabalhadores que exercem atividades cada vez mais raras, mas que ainda resistem ao tempo.

Quem passa pelas feiras da cidade não terá dificuldade em encontrar um consertador de panela ou um amolador de facas. Para Manoel Antônio Pedroso, de 69 anos, que conserta panelas e fogões há 50 anos, a profissão está longe de acabar. “Não falta serviço. O principal que está faltando é qualificação. Está acabando sapateiro, artesão de panela, porque os cursos são todos particulares e custam mais de R$ 300 por mês”, diz.

Os clientes são tantos que Pedroso, mais conhecido como seu Manoel, trabalha de terça a domingo em feiras da cidade e ainda atende em domicílio às segundas-feiras. De acordo com ele, a profissão é cansativa, mas “dá para ganhar o pão”.

Segundo seu Manoel, o serviço exige qualificação e dedicação, mas é bastante recompensador. “Para você ter noção, os fregueses chamam a gente pelo nome. Já nem é cliente, é amigo. As panelas já não são só panelas, eles lembram da mãe, do avô. A panela tem valor sentimental”, diz orgulhoso.

Herança – Quem conserta panela ou fogões com seu Manoel não precisa se preocupar com o possível fim da profissão. Seu filho Marcelo Antônio Pedroso herdou o ofício. “Ele pegou amor pela profissão e gostou, porque você conhece pessoas, vai em restaurante, cada dia um lugar diferente. Isso é uma coisa que preenche a pessoa, cativa”, explica, acrescentando que pretende ensinar o ofício ao neto também. “É uma coisa que eu vou ensinar e vou fazer questão de pagar curso, independente de que carreira ele irá seguir.”

Marcelo Antônio Pedroso na banca onde ele e o pai consertam panelas (Foto: Gustavo Paiva/G1)

Já Geraldo Aparecido Borgo, alfaiate de 59 anos, diz não ter tido a mesma sorte. Dos cinco filhos que teve e criou com os rendimentos de sua alfaiataria em Santa Cecília, no Centro de São Paulo, nenhum seguiu a profissão do pai. Para ele, a profissão perdeu muito mercado, mas não vai acabar. “A clientela diminuiu, mas agora está voltando. O pessoal que estava comprando roupa pronta voltou a fazer sob medida.”, diz, explicando que as roupas compradas em lojas não podem substituir totalmente as feitas à mão pelo diferencial da qualidade.

Mudanças – Borgo, que é alfaiate há 47 anos, reconhece que muita coisa mudou em sua profissão neste período. “Mudaram os tecidos, a moda… Quando comecei, a máquina era manual, hoje é industrial. As peças eram chuleadas [acabamento dado nas bordas do tecido] à mão, hoje tem overlock para fazer isso.” Para ele, porém, o trabalho em si é o mesmo a as técnicas não mudaram. Por isso, ele ainda mantém alguns hábitos antigos. “Para algumas roupas como terno e terninhos, tiro as medidas e anoto à mão e não no computador.”

Para Annibale Giancola, a profissão não se transformou nada ao longo dos 53 anos em que trabalha como amolador de facas. O italiano de 73 anos, que veio para São Paulo ainda jovem, percorre as ruas dos bairros da Lapa, Pompeia e Perdizes diariamente com seu carrinho com apito para chamar os clientes.

Giancola aprendeu a profissão com os tios e os irmãos que o receberam quando ele chegou ao Brasil. Como não tinham estudado e mal sabiam falar português, ele e seus parentes encontraram no ofício uma forma de sobrevivência. “Meu tio inventou este carrinho para amolar as facas e depois fez um para mim. Cada um pegava um bonde e ia para um canto da cidade”, conta.

O carrinho que Giancola usa é o mesmo desde 1970 e os clientes já estão acostumados a ouvir o seu apito pelas ruas. O mecânico Gerson Tadeu Nhoncanse, um de seus clientes, conta que não sabe com quem irá amolar suas ferramentas quando Giancola se aposentar. No caso do amolador, as filhas não herdaram a profissão, mas pela disposição que ele mostra ao percorrer as ruas da cidade entre 7h e meio dia, de segunda a sexta-feira, ele não deverá parar tão cedo.

(Portal G1)





Bancos oferecem 1.213 vagas de emprego. Salários de até R$ 12,4 mil

29 11 2009

Os concursos do Banco Central do Brasil, do Banco de Brasília e do Banco do Estado do Rio Grande do Sul somam 1.213 oportunidades de níveis médio e superior com salários que variam de R$ 980 a R$ 12.413.

Banco Central
O tão aguardado edital do concurso público de 500 vagas de nível médio e superior para o Banco Central do Brasil foi publicado. Os salários oferecidos são de até R$ 12,4 mil.

Há 150 vagas para técnico, função que exige nível médio completo. A remuneração inicial oferecida hoje é de R$ 4.896,25, que deve ser reajustada para R$ 4.917,28 a partir de 1º de julho de 2010.

O cargo de analista tem 350 postos em aberto de nível superior, com salário inicial de R$ 12.413,65, valor que deve ser reajustado para R$ 12.960,77 em 1º de julho do próximo ano.

Os candidatos poderão se inscrever a partir das 0h de 26 de novembro até as 23h59 de 16 de dezembro no site: www.cesgranrio.org.br. A taxa de participação é de R$ 50 para técnico e de R$ 110 para analista.

As provas objetivas estão previstas para 31 de janeiro de 2010. No ato de inscrição, os candidatos deverão optar pela cidade na qual desejam realizar as provas. Fortaleza está entre as cidades onde a avaliação será aplicada. Não foram divulgados os locais onde os aprovados serão lotados.

Banco de Brasília
O Banco de Brasília (BRB) abriu concurso para preencher 213 vagas, além de formar cadastro reserva, com remunerações de até R$ 6.750.

Os candidatos de nível médio poderão concorrer nas carreiras de escriturário, auxiliar de enfermagem do trabalho e técnico de segurança do trabalho. Os salários são de R$ 1.444,35, R$ 2.000,80 e R$ 3.241,64, respectivamente. As duas últimas funções, porém, exigem curso de qualificação.

As oportunidades de nível superior estão distribuídas entre os cargos de médico do trabalho, engenheiro de segurança do trabalho e advogado, que contam com salários de R$ 4.648,79, R$ 5.198,84 e R$ 6.750.

As inscrições poderão ser realizadas entre 10h do dia 27 de novembro e 23h59 do dia 18 de dezembro, exclusivamente pela internet, no site do Cespe/UnB (www.cespe.unb.br), organizador do concurso. As taxas de participação vão de R$ 35 a R$ 100. As taxas deverão ser pagas, impreterivelmente, até o dia 6 de janeiro.

Banrisul
O Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) divulgou a abertura do concurso público para escriturário, que exige nível médio completo. Desta vez serão preenchidas 500 vagas.

Além do Rio Grande do Sul, onde há o maior número de vagas (469), a presença do banco se estende a cidades como Fortaleza (1), Rio de Janeiro (2), Florianópolis (21), Belo Horizonte (1), Curitiba (2), Recife (1), Salvador (1) e São Paulo (2).

A carreira tem jornada de trabalho de 30h semanas e conta com remuneração de R$ 980,08 durante o contrato de experiência de 90 dias, após esse período o salário deve aumentar. Além disso, são oferecidos gratificação semestral, tíquetes-refeição, vale-alimentação, participação nos lucros e resultados, plano de saúde médico e odontológico, através da Caixa de Assistência dos Empregados da instituição e plano de previdência privada, através da Fundação Banrisul de Seguridade Social.

As inscrições poderão ser realizadas até o dia 30 de novembro, pelo site da FDRH (www.fdrh.rs.gov.br), organizadora do concurso. A taxa de participação é de R$ 48,43.

Mais informações

BRB: (61) 3448- 0100 sac@cespe.unb.br Banrisul: concursos@fdrh.rs.gov.br (51)3231 2888 BC: inscricoes@cesgranrio.org.br (21)21039600

(Diário do Nordeste)





Comércio de Fortaleza muda horário para vendas de fim de ano

29 11 2009

A partir deste domingo (29/11) até o final de semana após o Natal, o comércio de Fortaleza vai funcionar em horário especial.

As lojas do centro vão abrir das 8h às 19h. Já os shoppings, mantêm o horário de funcionamento praticado aos domingos, que varia de um estabelecimento para outro.

Segundo Sindicato do Comércio Varejista e Lojista de Fortaleza, a remuneração dos trabalhadores será feita com base na Consolidação das Leis do Trabalho, que prevê o pagamento dobrado do dia trabalhado na folha normal do mês. O funcionário também terá direito a uma folga na semana.

(Portal Verdes Mares)





Operação “Castelo de areia” da PF cita primeiro escalão tucano, colaboradores diretos de Serra e Kassab

29 11 2009
A Polícia Federal concluiu a Operação Castelo de Areia – investigação sobre evasão de divisas e lavagem de dinheiro envolvendo executivos da Construtora Camargo Corrêa – e anexou ao relatório documento que pode indicar suposto esquema de pagamentos mensais a parlamentares e administradores públicos e doações “por fora” para partidos políticos.

O dossiê é formado por 54 planilhas que sugerem provável contabilidade paralela da empreiteira. Elas registram dados sobre 208 obras e contratos da Camargo Corrêa entre 1995 e 1998, espalhados por quase todo o País e também no exterior – Bolívia e Peru.

 

Os repasses teriam ocorrido naquele período em favor de deputados federais, senadores, prefeitos e servidores municipais e estaduais. Em quatro anos a empreiteira desembolsou R$ 178,16 milhões. Em 1995, segundo os registros, ela pagou R$ 17,3 milhões. Em 1996, R$ 50,54 milhões. Em 1997, R$ 41,13 milhões. No ano de 1998, R$ 69,14 milhões.

O Ministério Público Federal poderá requisitar à Justiça o envio à Procuradoria-Geral da República dos dados referentes a autoridades que detêm prerrogativa de foro perante o Supremo Tribunal Federal (STF). Outra medida será a abertura de vários inquéritos para investigar as obras.

Ano a ano, mês a mês, as planilhas são um histórico de relações da construtora, alvo maior da Castelo de Areia – missão integrada que a PF e a Procuradoria da República deflagraram na manhã de 25 de abril, ocasião em que foram capturados quatro dirigentes da Camargo Corrêa. Na residência de Pietro Bianchi, executivo da empreiteira, a PF recolheu a papelada. As anotações são datilografadas e não têm assinatura.

“Eu não conheço o documento, portanto não posso me pronunciar”, disse o criminalista Marcio Thomaz Bastos, que coordena a defesa da Camargo Corrêa. Ele observou que o processo e o inquérito correm em segredo de Justiça. “É preciso lembrar que nessa mesma operação já foram divulgadas listas de nomes que depois se verificou dizerem respeito a doações absolutamente legais, declaradas à Justiça Eleitoral.”

PLANILHASDesde junho, uma equipe da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros da Polícia Federal analisa as planilhas. O trabalho foi encerrado na semana passada e entregue ao Ministério Público Federal. A PF não se manifesta sobre a investigação.

O que reforça a suspeita de caixa 2 é o fato de que os números alinhados aos nomes dos supostos beneficiários estão grafados em dólares, com a taxa do dia e a conversão para reais. Na página 54, há quatro lançamentos em nome do deputado Walter Feldman (PSDB-SP). Cada registro tem o valor de US$ 5 mil, somando US$ 20 mil entre 13 de janeiro e 14 de abril de 1998. À página 21, outros 12 lançamentos associados ao nome Feldman, entre 26 de janeiro e 23 de dezembro de 1996 – US$ 5 mil por mês. O deputado indignou-se com a citação a seu nome.

Em outro arquivo, página 18, valores ao lado da expressão “Palácio Band” – 4 anotações, entre 8 de fevereiro e 30 de setembro de 1996, somando US$ 45 mil, ou R$ 46.165. Na última planilha, página 54, na coluna “Diversos” constam nove registros, um assim descrito: “14 de setembro de 1998, campanha política, Aloísio Nunes, US$ 15.780.” Em 10 de novembro de 1995 o então senador Gilberto Miranda teria recebido US$ 50 mil.

Na página 25, 29 lançamentos que somam US$ 2.389.927 relativos a obra da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), em 1997. Cinco vezes surge a expressão “presidente” acompanhada de quantias em dólar – 9 de maio, US$ 88,3 mil; 9 de julho, US$ 203,6 mil; 14 de agosto, US$ 202,5 mil; 9 de setembro, US$ 60 mil; 4 de dezembro, US$ 390,71 mil.

Cada página é dividida em 11 colunas, com dia, mês e ano dos pagamentos e a obra. Uma coluna, intitulada “cliente/órgão”, identifica prováveis recebedores, entre autoridades e agremiações políticas. Outra cita nomes ou apelidos. “Turco”, da obra “JK”, em São Paulo, surge ao lado de oito lançamentos que somam US$ 3,7 milhões, entre 17 de agosto e 31 de dezembro de 1995 – a parcela maior, US$ 1,1 milhão, é de 27 de dezembro. Quatro dias mais tarde, “Turco” levou mais US$ 446,4 mil.

A planilha “CPA”, página 14, revela quatro pagamentos em 1996, todos supostamente destinados a partidos, denominados “clientes”. Os destaques são de 21 de março, US$ 20 mil para “líder do PMDB, Milton Montes”; 19 de julho, US$ 200 mil para PMDB-PFL; 24 de julho, US$ 200 mil para PSDB-SP; 13 de setembro, US$ 270 mil para PSDB/PMDB/PFL/PPB. Em 1998, mostra outra planilha “CPA”, foram pagos US$ 1,52 milhão em 10 parcelas a PSDB, PFL, PMDB, PPB e PTB.

“Pelas notícias que eu tenho é material apócrifo, sem assinatura e indicação de autoria”, reagiu o criminalista Celso Villardi, defensor dos executivos da Camargo Corrêa. “Lamento que uma vez mais material confidencial seja entregue à imprensa antes mesmo que os advogados constituídos nos autos tenham ciência dele.”

“Quando da deflagração da Castelo de Areia ficou comprovada a precipitada divulgação de listas e nomes”, ressaltou Villardi. “Mostrou-se temerária a divulgação porque depois restou comprovado que nenhuma ilicitude havia em relação àquelas pessoas citadas.”

( O Estado de SP)




A máfia da merenda escolar

29 11 2009

PLANILHA INDICA PROPINA DA MERENDA

Bruno Tavares e Marcelo Godoy – O Estado de SP

Uma testemunha entregou planilhas com os valores de propinas supostamente pagas pelas empresas Verdurama e SP Alimentação para cerca de 30 prefeituras do País. Ouvida em sigilo pelos promotores que investigam o caso da máfia da merenda escolar, a pessoa trabalhou em uma das empresas e disse que tinha conhecimento dos pagamentos para prefeitos, secretários e funcionários. Só a prefeitura de Carapicuíba entre os meses de abril e dezembro de 2007, por exemplo, teria recebido R$ 363.041,55 de propina. A cidade na época era governada por Fuad Chucre (PSDB).

O nome de Chucre é um dos 22 citados em conversas interceptadas pela Divisão Antissequestro (DAS) em 2008. Os policiais da DAS investigavam o sequestro de uma empresária e pediram à Justiça a interceptação de telefones ligados ao número usado pelos sequestradores. Entre eles estava o do financeiro Marco Antônio Tressoldi. Ele trabalha para a Verdurama. Seus diálogos e os do empresário Givanildo Marques da Silva, o Tiquinho, foram gravados. Neles, há referências de pagamentos a um secretário e doações a campanhas políticas.

No caso de Carapicuíba, só em 2007 a prefeitura pagou R$ 10,3 milhões à SP Alimentação – o maior pagamento ocorreu em maio, com R$ 1,41 milhão. Na planilha existe uma anotação ao lado dos valores mensais: “Tico, para sua informação, Simone”. Tico seria Tiquinho, que foi sócio da Verdurama até 2008, quando teve as conversas grampeadas.

Tiquinho cita em dez dessas conversas o nome de Heloizo Gomes Durães, dono da SP Alimentação. Segundo o Ministério Público Estadual, Tiquinho seria um mero subordinado de Durães, verdadeiro dono da Verdurama e da SP Alimentação. Em uma conversa interceptada em 12 de setembro, às 11h06, Tiquinho conversa com Carla e pergunta sobre doações. Menciona, então, o nome completo de Durães. Depois, às 15h29, Tiquinho conversa com Tressoldi e diz: “Fala que a SP tá devendo de “retorno”, fora a campanha, dois milhões”. Ele afirma que “vai pagar Carapicuíba na segunda-feira”. Em 17 de setembro, o empresário conversa com “o Doutor”. Falam sobre “valores da planilha de Osasco”, o primeiro de R$ 130 mil. Mas teria sido paga uma quantia bem maior.

“Os grampos confirmam os depoimentos, segundo os quais havia pagamento de propina em diversas cidades”, afirma o promotor Silvio Antônio Marques, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. O Grupo de Atuação Especial de Repressão a Cartéis e a Lavagem de Dinheiro (Gedec) também investiga o caso.

O advogado José Maria Trepat Cases, que defende a Verdurama, nega que as conversas interceptadas pela DAS tenham relação com pagamento de propina. Ele afirma que os diálogos dizem respeito a pagamentos de fornecedores. A SP Alimentação diz que só vai se pronunciar pelas vias judiciais.

(O Estado de SP)