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Sexualidade

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“Amor à Vida”: Novela da Globo falará sobre adoção, homossexualidade e autismo

Depois de findada a novela “Salve Jorge”, a faixa das 21h da Globo ganha uma nova trama. “Amor à Vida” estreia nesta segunda-feira (20), com direção de Wolf Maia e autoria de Walcyr Carrasco.

Apostando em temas polêmicos, o enredo abordará a homossexualidade, briga por herança, adoção, ambição e autismo.

A família Khoury vai encabeçar a trama, contando os dramas dos irmãos Paloma (Paolla Oliveira) e Félix (Mateus Solano). Os dois vão disputar a herança da família e o vilão revelará que Paloma é adotada, causando um grande choque logo nos primeiros capítulos.

A primeira parte da novela teve cenas rodadas no Peru, quando Félix sequestra a filha que Paloma teve com Ninho (Juliano Cazarré) e induz a irmã a acreditar que perdeu o bebê no parto.

Anos depois, Paloma se envolverá com Bruno (Malvino Salvador). Ele é quem cuidará da filha de Paloma, interpretada por Klara Castanho, sem saber.

Sexualidade
A novela também abordará a sexualidade. O personagem de Mateus Solano é gay, mas vive um casamento de aparências com a amiga Edith (Bárbara Paz).

Eron (Marcello Antony) e Niko (Thiago Fragoso) formam um casal gay. Eles sonham em ter um filho por meio de uma inseminação artificial.

Autismo

A novela também vai contar com uma personagem autista, interpretada por Bruna Linzmeyer. Linda é filha de Pedro (Genézio de Barros) e Neide (Sandra Corveloni).

Comédia

“Amor à Vida” não será feita só de drama. A parte cômica, que dará leveza ao enredo, conta com as atuações de Tatá Werneck, que interpreta a periguete Valdirene, uma mulher que vive atrás de jogadores de futebol e celebridades.
Elizabeth Savalla vive Márcia, ex-chacrete que tem ódio mortal de Rita Cadillac. Ela é mãe de Valdirene (Tatá Werneck).

Abaixo, você confere os personagens principais da nova novela:

Paloma Khoury (Paolla Oliveira)

Filha de Pilar e César, Paloma vive uma relação conflituosa com a mãe. Uma mulher que tem um lado impetuoso e rebelde, e que se sente rejeitada desde menina. Sua vida muda ao conhecer Ninho, seu novo amor.

Félix Khoury (Mateus Solano)

Félix é irmão de Paloma e filho de César e Pilar. Seus comentários venenosos demonstram sua absoluta falta de caráter.

Pilar Khoury (Susana Vieira)
Charmosa e sempre bem vestida, Pilar ama e confia no marido César. Adora o filho Félix, a quem faz todas as vontades. Vive uma relação tensa com a filha Paloma, em quem sempre vê erros e defeitos.

César Khoury (Antonio Fagundes)

Casado com Pilar, pai de Félix e Paloma, é César quem dá equilíbrio à família. Um homem calmo, ponderado e muito dedicado aos seus pacientes.

Bruno dos Santos Araújo (Malvino Salvador)

Filho de Ordália (Eliane Giardini) e Denizard (Fulvio Stefanini), Bruno é estudante de Direito e está prestes a se tornar pai. Se preocupa com a gestação de sua esposa, Luana (Gabriela Duarte), que corre risco de perder o bebê.

Paula Sousa Araújo (Klara Castanho)

Paula é filha de Paloma e Ninho. Quando recém-nascida, foi jogada numa caçamba por Félix. É registrada como filha legítima de Bruno, com quem vive até hoje.

Ninho (Juliano Cazarré)

Ninho é um homem bonito, sedutor e aventureiro, mas que vive se metendo em situações complicadas. Conhece Paloma no Peru, por quem se apaixona logo no primeiro olhar.

Edith Sobral Khoury (Bárbara Paz)

Edith é uma mulher bonita, sofisticada e elegante. Casada com Félix, estranha sua vida conjugal, geralmente sem fogo e paixão.

Crédito: http://www.tnonline.com.br/

Transexualidade: Raphaella Lopes, de Fortaleza, quebra barreiras e vence preconceitos

Foto: Acervo pessoal Facebook/Raphaella Lopes

O Pode Contar foi conhecer a Raphaella Lopes, ela nasceu Felipe, mas desde criança já percebia que era diferente. Apesar de não entender o que é a transexualidade ela sabia que não era gay. Foi em uma consulta a psicóloga que foi constatado que Raphaella é transexual.

A transformação para ela será total, nos documentos Raphaella ainda se chama Felipe, mas em breve, ela dará entrada no processo para mudança de nome e espera a autorização da psicóloga para realizar a cirurgia de mudança de gênero.

Ela já conseguiu quebrar algumas barreiras, como, por exemplo, usar seu nome social no crachá de trabalho com autorização dos chefes, mas o preconceito ainda é muito grande. Segundo ela, os homens ainda não conseguem assumir relacionamentos sérios com transexuais e o preconceito se reflete também no trabalho.

 

(Programa Pode Contar- NordesTV, Tribuna do Ceará)

“Amor à Vida”, nova novela da Globo, terá ritmo de série e três personagens gays

O vilão Félix (Mateus Solano) é gay, mas não admite isso publicamente. Ao contrário, camufla sua orientação sexual sob a fachada de uma união hétero e um filho.

Dois dos mocinhos, Eron e Niko (Marcello Antony e Thiago Fragoso, respectivamente), também são gays. E decidem ter filho. A maria chuteira Valdirene (Tatá Werneck) experimenta um surto místico e se torna evangélica.

Com o potencial polêmico desses ingredientes no centro de “Amor à Vida”, de Walcyr Carrasco, a Globo tenta elevar a partir de amanhã a audiência da faixa das 21h, da qual “Salve Jorge”, de Gloria Perez, se despediu anteontem sem deixar boas recordações.

A audiência média de “Salve Jorge” foi uma das mais baixas no horário, e esse pode não ser um percalço pontual. Conter a migração do público da TV aberta para os canais a cabo e a internet (ou ao menos o ritmo dessa tendência) é um desafio à Globo.

“Estamos vivendo na nossa programação um momento em que precisamos de uma novela que traga a força de modernidade que a TV Globo sempre trouxe”, diz Wolf Maya, diretor de núcleo responsável por “Amor à Vida”.

Com a direção de 20 novelas no currículo, Maya afirma: “Eu mesmo estou cansado do velho formato de telenovelas e quero desafiá-lo. Para mim, é um risco e uma excitação propor isso aos meus diretores”.

São cinco os diretores responsáveis pela novela, que conta com aproximadamente 80 atores. A renovação que o diretor de núcleo propôs foi usar “a influência da narrativa cinematográfica e das séries e sair da obviedade das novelas”, ainda que aplicando essa linguagem a “uma estrutura folhetinesca aparentemente tradicional -dos grandes conflitos familiares sempre recontados”.

Falando à Folha por telefone, na noite da última quinta, após assistir ao primeiro capítulo editado da novela, o diretor diz que o resultado é “uma narrativa mais ágil, não só na formatação de câmeras, mas também estética e dramaticamente, com coisas que são sugeridas, induzidas”.

A escolha de São Paulo como palco da trama se deve à “diversidade fantástica, ao caráter moderno e contemporâneo” que a cidade oferece, além de seu potencial para fisgar “uma juventude que já não é mais tão ligada na TV aberta”, diz Maya.

Cada capítulo de “Amor à Vida” custa R$ 700 mil. “Peço muito ao espectador que assista, porque acho que a gente tem algo diferenciado. E espero que, se gostar, ele me devolva em audiência.”

(Folha de SP)

Prostituição em Cannes, na França, move mais dinheiro do que o cinema

Quem pensa em Cannes, normalmente pensa no festival de cinema realizado na cidade todos os anos (ou, em alternativa, em iates), mas não costuma pensar em algo que um empresário líbio diz que “move mais dinheiro do que a venda de filmes”: a prostituição.

Elie Nahas tem 49 anos e foi condenado em França, em outubro do ano passado, a oito anos de prisão por proxenetismo e terá de pagar uma multa avultada, de 50 mil euros, por coordenar uma rede de prostituição de luxo que envolvia 50 mulheres e outros sete acusados, de acordo com a justiça francesa.

Contudo, o agente de modelos não está na prisão: está atualmente refugiado em Beirute, capital do Líbano, onde foi entrevistado pelo jornal espanhol “El País”.

A ligaça de Nahas a Cannes começou em 2002, não através do cinema, mas  de Mutasim Gadafi – entretanto morto -, um dos filhos do ditador líbio Gadafi, que “organizava concursos de beleza no Líbano” e que disse a Nahas “que precisava da sua ajuda na Europa para convidar mulheres belas para as suas festas”, segundo o próprio.

A partir daí, o empresário passou a ser o “homem do dinheiro” e organizava todas as estadas de Mutasim em Cannes, com dezenas de mulheres a serem contratadas para ‘embelezarem’ o ‘Che Guevara’, iate do filho de Gadafi ancorado na cidade francesa. “Cada uma cobrava mil euros por mostrar os dentes”, conta ao “El Pais”. “Estar ali, sorrir, dançar e beber”, acrescenta.

“Se alguma delas fazia alguma coisa e cobrava  cinco ou seis mil euros, não tenho nada a ver com isso” 

Elie Nahas chegou a receber, aliás, 1,5 milhões de dólares (cerca de um milhão de euros) por organizar uma festa de aniversário de Mutasim, em Marrocos, em 2004. Em Cannes, os pagamentos também eram generosos, mas o empresário insiste em dizer que apenas tinha um serviço de escorts, isto é, de acompanhantes, e não de prostituição.

“Cannes é a cidade com as escorts mais caras. O que na rua custa 50 euros, ali ascende a 500 ou mil euros”, começa por explicar. “O festival de cinema é a época em que há mulheres mais bonitas. Se alguma delas fazia alguma coisa e cobrava para ela cinco ou seis mil euros, não tenho nada a ver com isso”.

Mas as autoridades francesas acharam que Nahas era o ‘cabecilha’ de um rede organizada de prostituição, pelo que, em 2007, detiveram-no no luxuoso Hotel Carlton, em Cannes. Ficou em prisão preventiva durante 11 meses, até o caso ser encerrado por falta de provas.

Em 2008, regressou a Beirute e, quatro anos mais tarde, a justiça francesa voltou a acusá-lo. Não regressou a França, pelo que foi condenado sem estar presente no julgamento, ainda que os seus advogados tenham apresentado um recurso.

A partir do Líbano, confessou ao “El País” que não planeia voltar à Europa, para evitar a Interpol… e não só. “O mundo das modelos está cheio de belas mulheres, mas é um negócio muito sujo”, diz.

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/

76 países ainda criminalizam as relações homossexuais, denuncia ONU

A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou um vídeo para denunciar a opressão vivida pela população LGBT em dezenas de países pelo mundo. Segundo a instituição internacional, 76 países ainda criminalizam as relações homossexuais. Em sete dessas nações, a homossexualidade é tratada como crime passível de pena de morte.

Chamado de “O Enigma”, o vídeo mostra pessoas de diversas nacionalidades fazendo perguntas relacionadas à homossexualidade e a homofobia. “O que existe em todos os cantos do mundo, é acolhido e celebrado em alguns países, mas é ilegal em76 países?”, é o primeiro questionamento apresentado na gravação.

O vídeo segue fazendo perguntas contundentes. “Que característica simples faz pessoas serem tratadas como cidadãos de segunda classe em todos os lugares em que vão?”. “O que faz crianças serem expulsas de casa, estudantes intimidados e expulsos das escolas e trabalhadores serem demitidos sem aviso prévio?”. “O que existiu em todos os países ao longo da história, mas que ainda é considerado anormal por algumas pessoas?”.

A resposta para todas as perguntas é dita pela pelas mesmas pessoas, desta forma: “Ser gay, ser lésbica, ser bissexual, ser transgênero”.

Alta comissária para os Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay lembra no vídeo as obrigações de todos os países do mundo.

“Toda nação é obrigada pelas leis internacionais de direitos humanos a proteger todas as pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros de tortura, descriminação e violência”, ressalta Navi.

Ban Ki-moon, secretário geral da ONU, termina o vídeo, ao lado dos outros participantes do projeto, com uma frase inspiradora. “As Nações Unidas têm uma mensagem simples para os milhões de pessoas LGBT em todo mundo: ‘você não está sozinho’”.

A mensagem da ONU contra a homofobia ressalta ainda que os direitos LGBT são direitos humanos e que é possível construir um mundo livre e igual.

(Ig)

Paris reconhece casamento entre homossexuais, mas oposição prossegue

França é 14º país a permitir o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo. Controvertida lei também prevê adoção de filhos pelo casal. Conservadores prometem grande protesto para a próxima semana.

Após a assinatura do presidente François Hollande e a publicação no Diário Oficial, entrou definitivamente em vigor na França, neste sábado (18/05), a lei que autoriza gays e lésbicas a se casarem e a adotarem crianças. As primeiras bodas serão celebradas já no fim de maio.

A lei foi combatida até o último instante por seus opositores. Ainda na tarde da sexta-feira, o Conselho Constitucional em Paris rejeitara uma moção da oposição conservadora, abrindo o caminho para o reconhecimento oficial das parcerias homossexuais.

Segundo o Conselho, o casamento entre pessoas do mesmo sexo é “uma decisão do legislador”, não sendo “contrária a nenhum princípio constitucional”. Por outro lado, ressalvou, o direito à adoção não equivale ao “direito a um filho”. Nos casos de adoção, é antes “o interesse da criança” é que deverá ter primazia.

Conservadores nas ruas

A França é o 14º Estado do mundo a reconhecer o matrimônio civil entre pessoas do mesmo sexo – a Holanda foi o primeiro, em 2001. A promulgação da lei foi saudada por numerosos grupos que lutam pelos direitos dos gays na França. “Agora é hora de festejar”, declarou o porta-voz da associação Inter-LGBT. Segundo a SOS Homophobie, o país deu “um grande passo adiante”, embora, lamentavelmente, num clima de violência homofóbica.

Frigide Barjot, voz midiática dos conservadores

A disputa em torno do casamento gay dividiu a sociedade francesa nos últimos meses. Conservadores e a Igreja Católica apelaram para todos os meios no combate à proposta, e centenas de milhares de cidadãos têm ido às ruas protestar.

Os adversários mantiveram suas manifestações mesmo após a aprovação da lei pela Assembleia Nacional, em 23 de abril último, concluindo assim dois meses de debates. Para a humorista Frigide Barjot, uma opositora de grande presença na mídia, trata-se de uma “provocação” e de uma “mudança de civilização”. Uma grande passeata de protesto está programada para 26 de maio.

Com a assinatura da lei, Hollande cumpre uma de suas principais promessas de campanha eleitoral. “Cuidarei para que a lei se aplique em todo o território, em toda a sua efetividade, e não aceitarei que algo perturbe esses matrimônios”, disse o presidente socialista antes da promulgação do texto. Ele disse ainda que “a hora do respeito à lei e à República” chegou.

Europa (ainda) homófoba?

Na Alemanha, só é permitido a gays e lésbicas o registro civil de sua união, que, no entanto, não equivale ao casamento, do ponto de vista legal. Assim, casais homossexuais não podem adotar crianças conjuntamente. Recentemente, o Bundesrat (câmara alta do Parlamento alemão), dominado pela oposição de social-democratas e verdes, decidiu apresentar uma proposta no sentido da equiparação de direitos.

De acordo com uma enquete de âmbito europeu divulgada nesta sexta-feira, dois terços dos homossexuais, bissexuais e transexuais da União Europeia ainda temem revelar publicamente sua orientação sexual.

Medo, isolamento e discriminação seguem sendo um problema cotidiano para eles, revelou Morten Kjaerum, diretor da Agência de Direitos Fundamentais da UE (FRA, na sigla em inglês). Entre os transexuais, 28% chegaram a admitir terem sido agredidos ou ameaçados mais de três vezes nos últimos 12 meses.

Segundo Kjaerum, tratou-se da maior pesquisa do gênero, envolvendo 93 mil entrevistados dos 27 Estados-membros e mais a Croácia, que adere ao bloco em julho.

Créditos: http://www.dw.de/

Lea T recebe proposta de R$ 500 mil da ‘Playboy’ para posar nua

Lea T recebeu um convite da “Playboy” para fazer um ensaio nu para a revista por R$ 500 mil. A modelo transexual, no entanto, não sabe se vai posar sem roupa por este valor. Segundo a coluna “Retratos da Vida”, do jornal carioca “Extra” desta sexta-feira (18), o pai da top, ex-jogador Toninho Cerezo, aconselhou a filha a pedir o dobro do cachê.

A revista passa por algumas dificuldades e está selecionando com muito critério as estrelas da capa. O nome de Lea T era um dos mais cotados pelos responsáveis da “Playboy”.

No início do ano, Lea foi destaque no “Fantástico”, da TV Globo, e falou sobre a sua cirurgia de mudança de sexo. Ela explicou para Renata Ceribelli que precisou se preparar para comentar o assunto diante das câmeras.

“Eu fiquei um mês sentindo dor. Não aconselho essa cirurgia a ninguém… Eu achava que minha felicidade era embasada na cirurgia. Fiquei mais à vontade, mas a felicidade não é um peito ou uma vagina”.

Na ocasião, Lea T também declarou que não se sentia uma mulher de verdade. “Nunca vou ser 100% mulher, mesmo depois da cirurgia. Tenho minhas partes masculinas. Tenho ombros largos, tudo mais. Eu reprimia muito”.

(Entretenimento MSN)

Homenagem a Picolina: relembre o humor e a irreverência desse grande artista

Um dos nomes mais conhecidos do humor do Ceará, Picolina, foi encontrada morta. Nossa coluna homenageia ela. Conhecemos Picolina e encontramos com ela por diversas vezes. Antes de ganhar a mídia, ela já se apresentava em casas de shows voltadas para o público gay e tinha seus fãs. A pouca altura, voz diferente e desenvoltura divertida, a fizeram se destacar e chegar a televisão. Apoiada por Aurineide Camurupim, a pequena começou a fazer apresentações de humor e ampliou seu público.

Teve difíceis momentos como seu envolvimento com drogas e viveu grandes amores clandestinos. Adorava passear, dançar, curtir a noite de Fortaleza. Adorava fazer rir e ser alvo de risos. Risos dela ou com ela. Mas adorava risos, de toda forma possível. Não dispensava uma chance de ganhar seu dinheirinho, aceitava tudo, aceitava expor a vida em programas sensacionalistas, aceitava ser repórter, aceitava estar apenas sentado em um banquinho de um programa de TV, por mais que não abrisse a boca. Mas não tinha jeito. Quando abria a boca, ganhava o programa para si.

Não era bem um humorista, era uma personagem presa nas veias de alguém. Ou melhor, era ela, daquele jeito, exatamente quem era. Sem duvidar de sua naturalidade, quem a circulava a amava. Odiava em alguns momentos, mas nada que não fosse explicado por um gênio difícil.

A irreverência da personagem fez sucesso e levou Picolina até a TV Diário. Atualmente, ela participava do quadro “Detonando o velho para ganhar o novo”, no programa João Inácio Show.

Picolina visita o bairro Couto Fernandes:

 

Picolina  e Babalu no Programa da Eliana (Parte I)

 

Picolina e Babalu no Programa da Eliana (Parte II)

No programa João Inácio Show, a memória da personagem ficou marcada com um homenagem feita ao humorista. Os pais, irmão e toda a família do comediante vieram de Acaraú até Fortaleza para contar um pouco sobre a história de Francisco Igor Albino Furtado em sua difícil caminhada para entrar na rol dos bons humoristas cearenses.

Vídeo homenagem da TV Jangadeiro:

(Portal CNews – Diário do Nordeste – Tribuna do Ceará)

Dona de cabaré em Aquiraz, no Ceará, processa igreja evangélica

Em Aquiraz, no Ceará, Dona Tarcília Bezerra construiu uma expansão de seu cabaré, cujas atividades estavam em constante crescimento após a criação de seguro desemprego para pescadores e vários outros tipos de bolsas.

 

 

Em resposta, uma igreja evangélica local iniciou uma forte campanha para bloquear a expansão, com sessões de oração de manhã, à tarde e à noite.

 

 

O trabalho de ampliação e reforma progredia célere até uma semana antes da reinauguração, quando um raio atingiu o cabaré queimando as instalações elétricas e provocando um incêndio que destruiu o telhado e grande parte da construção.

 

 

Após a destruição do cabaré, o pastor e os crentes da igreja passaram a se gabar “do grande poder da oração”.

 

 

Então, Dona Tarcília processou a igreja, o pastor e toda congregação sob o argumento que eles “foram os responsáveis pelo fim de seu prédio e de seu negócio, utilizando-se da intervenção divina, direta ou indireta e das ações ou meios.”

 

 

Na contestação à ação judicial, a igreja, veementemente, negou toda e qualquer responsabilidade ou qualquer ligação com o fim do edifício.

 

 

O juiz, a quem o processo foi submetido, leu a reclamação da autora e a resposta dos réus e, na audiência de conciliação, comentou:

 

 

- Eu não sei como vou decidir este caso, mas uma coisa está patente nos autos: Temos aqui uma proprietária de cabaré que firmemente acredita no poder das orações e uma igreja inteira declarando que as orações não valem nada!

 

 

Só sei que foi assim.

 

 

Diógenes Dantas, nominuto

 

 

LEIA TAMBÉM:

Caso Picolina: Polícia trabalha com hipótese de homicídio

http://dialogospoliticos.wordpress.com/2013/05/17/caso-picolina-policia-trabalha-com-hipotese-de-homicidio/

Homenagem a Picolina: Relembre o humor e a irreverência desse grande artista

http://dialogospoliticos.wordpress.com/2013/05/17/homenagem-a-picolina-relembre-o-humor-e-a-irreverencia-desse-grande-artista/

 

Conselho Nacional de Justiça autoriza reconhecimento do casamento gay em todo o Brasil

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu na manhã de hoje (14) que os cartórios de todo o país estão obrigados a reconhecer a uniões civis homoafetivas. Dessa forma, casais formados por pessoas do mesmo sexo poderão se oficializar da mesma forma que casais heteroafetivos. A decisão também obriga que os cartórios façam a conversão de uniões estáveis e em casamentos civis. Antes da decisão, 12 estados já haviam criado regras para permitir as uniões.

“O casamento homoafetivo fica igual ao heteroafetivo”, afirma Paulo Iotti, advogado especialista em direito lgbt.

O CNJ, que supervisiona e regula a atuação da Justiça e que é dirigido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, explicou em nota que a decisão busca “harmonizar” a legislação com uma decisão de maio de 2011, que reconheceu a “união estável” entre homossexuais. A decisão foi baseada também na decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que julgou não haver obstáculos legais à celebração de casamento de pessoas do mesmo sexo.

Durante a 169ª sessão do colegiado, nesta terça-feira, o ministro Joaquim Barbosa classificou a recusa de cartórios de Registro Civil em converter uniões em casamento civil ou expedir habilitações para essas uniões como “compreensões injustificáveis”.

Também ficou definido que os casos de descumprimento da resolução deverão ser comunicados imediatamente ao juiz corregedor responsável pelos cartórios no respectivo Tribunal de Justiça. Segundo o CNJ, a decisão passará a valer a partir de sua publicação no Diário Oficial da União, o que ainda não tem data para ocorrer.

A decisão pode ser contestada no STF, pois o Congresso ainda não legislou sobre o assunto, apesar de há anos existirem diversos projetos de lei que propõem reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Esses projetos sofrem a resistência de forças políticas conservadoras e organizações religiosas que, durante os últimos anos, ganharam espaços no Congresso e mantêm bloqueadas essas iniciativas.

Joaquim Barbosa, em sua condição de presidente do Supremo e do CNJ, considerou hoje que “não faria sentido esperar que o Congresso legislasse para dar efetividade a uma decisão judicial”.

com Efe, Agência Brasil e RBA

CNJ obriga cartórios a converterem união estável gay em casamento

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou nesta terça-feira resolução que obriga os cartórios de todo o país a converterem uniões estáveis homoafetivas em casamentos civis. Com a decisão, os homossexuais que não tiverem seus pedidos de casamentos oficializados poderão comunicar o caso ao juiz corregedor do Tribunal de Justiça local, que avaliará punições aos cartórios.

“A recusa implicará imediata comunicação ao respectivo juiz corregedor para providências cabíveis”, aponta o texto da resolução, proposta pelo presidente do CNJ, ministro Joaquim Barbosa, e aprovada por 14 votos a um pelo colegiado.

Barbosa afirmou que a decisão serve para dar efetividade ao julgamento realizado em 2011 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que acabou liberando a união estável homoafetiva. Apesar de o instituto estar liberado, ainda cabe ao juiz responsável decidir pela conversão em casamento. Agora, a decisão será administrativa e tomada dentro dos próprios cartórios, sem a interferência direta dos magistrados.

“O conselho está removendo obstáculos administrativos à efetivação de decisão tomada pelo Supremo e que é vinculante [deve ser seguida pelas instâncias inferiores]”, completou Barbosa.

A decisão do CNJ valerá a partir da publicação no “Diário de Justiça Eletrônico”, o que ainda não tem data para acontecer.

(Gustavo Gantois, Portal Terra)

Fortaleza celebrou 113 uniões de casais homoafetivos em 2012

Casamento homoafetivo será realizado em junho em Belém (PA) (Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo)

Pelo menos 113 casais homossexuais registraram suas uniões em cartórios de Fortaleza durante o ano de 2012. De acordo com levantamento preliminar da Associação de Notários e Registradores do Brasil (Anoreg-BR), no Brasil foram 1277 registros de uniões. As informações são do portal G1. 

Segundo levantamento, a capital cearense foi a terceira a informar o maior número de registros. No total, 13 cidades brasileiras enumeraram as uniões. No ranking, Fortaleza fica atrás apenas de Rio de Janeiro (336 uniões) e São Paulo (407 uniões). 

A união estável de casais do mesmo sexo foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no dia cinco de maio de 2011. 

Segundo o Censo 2010, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) identificou 60 mil casais homoafetivos morando juntos no Brasil.À época, 99,6% das uniões não eram formalizada (com registro civil ou religioso). Segundo o IBGE, 20% destas uniões estavam concentradas na região Nordeste.

(O Povo Online)

Prostituição: esteio da família

Uma das maiores contradições da humanidade é a prostituição. É profissão amaldiçoada ― tanto que as moderninhas preferem o termo “garota de programa” ―, mas é um dos sustentáculos da própria família.

Recentemente, uma garota recém-graduada em letras causou alvoroço ao assumir-se como prostituta. O mesmo bafafá que Bruna Surfistinha provocou tempos atrás. Ambas, claro, usam a denominação “garotas de programa”.

O que todos estranham é a mulher assumir esta profissão tão essencial quanto a família na manutenção da sociedade. Prostituição não pode ser assumida!

A grande hipocrisia é que os homens não ficam sem mulheres, sem sexo. Mesmo os casados que não conseguem juntar na mesma fêmea a fêmea propriamente dita mais a “esposa”, a “mulher”.

Há mulheres que adoram afirmar: “Sou uma dama na sociedade e uma puta entre quatro paredes”. Erro delas. Curtir os prazeres do sexo não é privilégio de prostitutas. Aliás, poucas são as que vendem o corpo e tiram satisfação junto com o cliente.

Orgasmos e todos os tipos de práticas para atingi-los são da própria normalidade do ser humano ― afora casos patológicos ou que atentam contra a integridade física e psicológica. Relegar isso aos prostíbulos foi e é uma válvula de escape para manter a família.

As mulheres que hoje se acham moderninhas porque “ficam” com homens, não sabem que isso é tão antigo quanto a própria prostituição. Só que antes elas eram rotuladas de “biscates”, por exemplo.

A prostituição nunca será assumida pela sociedade pacificamente. Ela provoca ciúmes entre as mulheres. Qual esposa não reagiria negativamente ao saber que o marido esteve num prostíbulo. Ou uma namorada?

O problema está na restrição à sexualidade, algo necessário para manter os indivíduos em sociedade. E mais uma vez ― esta constatação não se trata de “machismo” ―, a prostituição só deixará de ser uma atividade marginal se os homens mudarem a maneira de enxergar o sexo e as mulheres. E isso afronta pulsões da própria natureza da espécie humana.

Bate de frente com a sociedade que todos enxergam. A mesma que, por motivos óbvios, reservou à privacidade todas as práticas sexuais.

(Valdeci Rodrigues, Portal do Sidney Rezende)

Facebook vacila: falha de privacidade revela amigos que procuram sexo casual

O aplicativo Bang With Friends (BWF) - que conecta amigos interessados apenas em sexo no Facebook, prometendo privacidade total – contém uma falha que torna possível aos usuários ver quais de seus contatos demonstraram vontade de transar com amigos. A possibilidade de encontrar parceiros sexuais com discrição na rede social através do app sofre um revés com a divulgação de um link que mostra amigos utilizando o BWF.

A iniciativa garante ser “completamente privado e discreto”, facilitando o encontro daqueles amigos que querem fazer sexo. “Seus amigos nunca vão saber que você está interessado a não ser que estejam também!”, afirma o app em seu site. Porém, quem começou a utilizar o aplicativo antes de janeiro pode ter revelada sua atividade no Bang With Friends devido a uma falha de segurança.

Os criadores do aplicativo se defendem dizendo que o link expõe apenas “um pequeno grupo de usuários” que se inscreveram no serviço antes daqueles mês, quando foram implementadas as atuais configurações de privacidade. Quando um usuário se inscrevia no BWF originalmente, as opções de perfil definiam automaticamente a conta como “pública”. Agora, a opção “apenas eu” é selecionada por padrão, mas pode ser modificada.

“Levamos privacidade muito a sério no Bang With Friends, e a grande maioria dos usuários não vai aparecer nessa busca”, afirmou a empresa em um comunicado. “Se você instalou o app depois de janeiro, você não vai aparecer (a não ser que tenha modificado manualmente suas configurações de privacidade.”

(Jornal do Brasil)

Vídeo homofóbico de artista evangélico incita o preconceito e prega contra direitos gays

Um vídeo pra lá de preconceituoso começou a circular na internet esta semana.  Nele, um rapaz chamado de Juninho Lutero que inclusive tem uma página oficial na rede social Facebook, intitulada Ministério Junhinho Lutero que parece ser um rapper, ínsita em sua letra o preconceito e desrespeito total as diferenças. Ele cita palavras bíblicas e diz que defende o direito de criticar o estilo de vida homossexual e defende o casamento entre homem e mulher.

O vídeo já começa dizendo que “família é pai e mãe” e que ser feliz na homossexualidade é um “conto de fadas”, que para ele ser gay não é normal. Ou rimas pobres como “não se pode fazer um suco de morango usando laranja”. Nos seus 3 minutos e 20 segundos, o vídeo é uma sucessão de bobagens e palavras desconexas onde segundo o “cantor” o fato de uma pessoa ser homossexual é algo sujo, bizarro, preconceituoso. Nem a Parada Gay fica de fora. O triste e mal sucedido vídeo aparece com quase 20 mil visualizações no Youtube e, aparentemente, de caso pensado, não deixa que os usuários do canal postem seus comentários. 

 

O vídeo foi postado dentro do chamado “Canal do Crente”, onde constam outras “pérolas” do pastor Silas Malafaia e Marco Feliciano, já dá para imaginar a fonte de criação do autor.  O tema em questão é homossexualidade e família e segundo o autor é um manifesto de repúdio ao PL 122 proposto pela Deputada Iara Bernardes que visa criminalizar a homofobia. Infelizmente ainda existem pessoas que não entendem as diferenças e enquanto houver a “falta de educação” e senso humano, vídeos como este circularão na internet.

Veja o vídeo abaixo:

 

(Revista LadoA)

 

Marcos Pereira da Silva: Pastor da Assembleia de Deus pode estar envolvido no estupro de outras 20 mulheres

Pelo menos outras 20 mulheres podem ter sido vítimas de estupros cometidos pelo pastor evangélico Marcos Pereira da Silva, da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, preso preventivamente na noite da última terça-feira, 7, no Rio de Janeiro. O pastor foi encaminhado na manhã desta quarta-feira , 8, para o presídio Bangu 2.

De acordo com delegado Márcio Mendonça, da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), o nome de 20 mulheres foram citados por trinta testemunhas ouvidas durante um ano de investigações. O pastor estava sendo inicialmente investigado por seis estupros.

Cinco dos seis inquéritos que apuram os crimes já foram encaminhados à Justiça pelo delegado; dois resultaram em mandados de prisão preventiva contra Marcos. 

Uma das vítimas é a ex-mulher de Marcos, Ana Madureira da Silva, com quem ele foi casado até 1998. Pelo menos três vítimas teriam sido abusadas pelo pastor quando eram menores. Uma delas foi abusada dos 14 aos 22 anos.

O delegado explicou que Marcos se aproveitava de pessoas pobres que achavam estar precisando de acompanhamento espiritual. Geralmente ele estuprava as mulheres dentro da própria igreja, em São João de Meriti. Ele as fazia acreditar que estavam possuídas, endemoniadas e que a única forma de se libertar daquele demônio era fazendo sexo com uma pessoa ‘santa’. Existe relato de estupros desde 1998, disse o delegado.

O apartamento onde Marcos mora, na Avenida Atlântica, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, também teria sido usado para realização de orgias comandadas pelo pastor, com a participação de outros homens da igreja. As vítimas, a maior parte fiéis, eram chamadas até o local para a realização de cultos. Com ações violentas Marcos Pereira obrigava as mulheres a fazerem sexo com ele.

Também haveria sexo de mulheres com mulheres e homens com homens. O pastor, inclusive, também se relacionava com homens, segundo relatos. O imóvel está no nome da igreja e é avaliado em R$ 8 milhões. As informações são do jornal O GLOBO.

Redação O POVO Online

Delaware se torna 11º Estado dos EUA a legalizar o casamento gay

Delaware se tornou nesta terça-feira no 11º Estado americano a legalizar o casamento gay, depois que o Congresso Estadual aprovou uma nova legislação e o governador, o democrata Jack Markell, a assinou. 

O Senado do pequeno Estado do nordeste dos Estados Unidos aprovou hoje por 12 votos a favor e nove contra a medida, que já foi respaldada pela Câmara dos Representantes em uma votação em abril. 

Markell assinou a lei assim que chegou a seu escritório e assegurou em comunicado que Delaware havia “escrito hoje um novo capítulo” em sua história e “provado que a justiça e a igualdade seguem adiante” no estado. 

Até hoje, Delaware permitia as uniões civis entre casais do mesmo sexo, mas não os casamentos, em uma situação similar à de Havaí, Illinois, Nova Jersey, Nevada, Oregon e Colorado. 

Segundo a lei, o casamento entre pessoas do mesmo sexo será uma realidade em Delaware a partir do dia 1º de julho e os casais que tenham recorrido às uniões civis poderão mudar seu status se desejarem. A legalização chega menos de uma semana depois que outro pequeno Estado do nordeste, Rhode Island, aprovou os casamentos homossexuais. 

Além de Delaware e Rhode Island, o casamento homossexual é legal nos estados de Connecticut, Iowa, Massachusetts, Maryland, Maine, New Hampshire, Nova York, Vermont e Washington, além do Distrito de Columbia. 

O casamento homossexual gera cada vez mais aceitação na sociedade americana, que espera as decisões para julho a decisão da Corte Suprema americana sobre dois casos relacionados com o assunto.

(EFE)

‘Faço porque gosto’, revela garota de programa recém graduada em letras

Gabriela Natália da Silva, ou Lola Benvenutti (Foto: Felipe Turioni/G1)

Ela tem 21 anos, é recém-formada em letras pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), exibe em tatuagens pelo corpo frases de Guimarães Rosa e Manuel Bandeira, adotou como pseudônimo um nome que faz referência a um personagem do escritor russo Vladimir Nabokov e assume, sem problemas, ser garota de programa. Gabriela Natália da Silva, ou Lola Benvenutti, mantém um blog em que escreve contos baseados nas experiências com seus clientes e chama a atenção ao tentar quebrar o tabu do sexo. “Sempre gostei de sexo, então tinha um desejo secreto de trabalhar com isso e não há nada mais justo, faço porque gosto”, afirmou em entrevista ao G1.

A realidade de Gabriela sempre foi diferente da vida de uma parcela das garotas de programa que são universitárias e optam por se prostituir para manter as despesas com os estudos. “Tem uma categoria nos sites de acompanhantes que são de universitárias e fazem isso porque fazem faculdade particular e precisam pagar, mas eu nunca precisei disso, sou inteligente, fiz faculdade, optei por isso, qual o problema?”, questionou.

Natural de Pirassununga (SP), se mudou para São Carlos para fazer faculdade, mas por temer algum tipo de retaliação resolveu manter sua identidade como prostituta com discrição até concluir o curso. “Fiquei com um pouco de medo de isso reverberar de alguma forma na faculdade, então achei melhor terminar a graduação para colocar o blog no ar”, disse.

O site recebe cerca de duas mil visitas por dia e é nele que Lola posta sua rotina como prostituta. Entretanto, vê diferença entre sua história e o fenômeno Bruna Surfistinha, pseudônimo de Raquel Pacheco, ex-prostituta que fez fama na internet e teve sua história publicada em livro e roteirizada em um filme. “Ela teve uma vida diferente da minha, com outras oportunidades”, comentou.

Além de manter seus contos e servir como contato entre seus clientes, que chegam a cinco por dia, o blog serve também para levantar discussão sobre o prazer no sexo. “As pessoas são hipócritas, vivem de sexo, veem vídeo pornográfico, mas não falam porque têm vergonha. Um monte de mulher entra no blog e fala que adoraria fazer o que eu faço, mas não tem coragem; e dos homens escuto as confissões mais loucas e cada vez mais esse tabu do sexo é uma coisa besta”, avaliou.

Barreiras
Apesar da escolha em ser uma profissional do sexo, Gabriela não desistiu de seguir carreira acadêmica ou dar aulas após a conclusão do curso de letras. “Também quero dar aula, mas por hobby, e além disso também tem a questão financeira, porque dando aula hoje você quase não se sustenta”, analisou. “Acho que as duas coisas são difíceis de casar, é muito difícil que uma escola que sabe o que eu faço me permita trabalhar com eles, vou ter que derrubar barreiras”.

Ainda este ano, ela pretende se mudar para São Paulo, onde vai continuar trabalhando como garota de programa e acumulando um mestrado na Universidade de São Paulo (USP). “Cansei um pouco de São Carlos e agora quero outras coisas, tanto que o mestrado para o qual estou estudando é na USP, converso com alguns professores e quero pesquisar na área de prostituição ou fetiche”, considerou.

Esse tipo de assunto, segundo ela, já é seu objeto de estudo desde a adolescência. “Desde os 14 anos estudo o sadomasoquismo, que hoje está ficando mais popularizado com ajuda do livro ‘Cinquenta Tons de Cinza’, que é marginalizado para quem curte, mas abriu um leque para as pessoas que não conheciam”, explicou.

Lola Benvenutti, de São Carlos, diz que sua virgidade era um fardo (Foto: Reprodução/Lola Benvenutti)
Lola Benvenutti considerava sua virgindade um
fardo (Foto: Reprodução/Lola Benvenutti)

Interesse pelo sexo
O interesse precoce por sexo começou com uma vontade íntima de deixar de ser virgem, o que considerava ser um ‘fardo’. “Desde os 11 anos queria me livrar desse fardo, mas perdi a virgindade com 13 anos e a primeira vez foi péssima, com um homem de 30 anos que conheci pela internet”, relembrou.

No início, Gabriela ficou em dúvida sobre o prazer causado pelo sexo.“Não fiquei confortável, fiquei um tempo sem fazer pensando em como era possível as pessoas falarem tanto disso, mas aí depois de um tempo eu fui gostando e a percepção mudou”, revelou.

Segundo Gabriela, nunca houve um episódio em sua vida que despertasse um interesse incomum para sexo. “Todo mundo fica me perguntando qual foi o fato que desencadeou isso, eu respondo que nada, meus pais foram ótimos, tive uma ótima educação, entrei na faculdade direto, fiz uma boa universidade e só”, garantiu.

Relação com a família
Como a personagem Tieta, da obra de Jorge Amado, Lola causa alvoroço quando retorna para sua cidade natal, mas a relação com a a família atualmente é estável. “Eu não vou muito pra lá, sinto que toda vez que vou, levanto uma poeira de discórdia e os vizinhos ficam comentando. Minha mãe já desconfiava porque nunca pedia dinheiro para ela e a relação foi muito mais difícil porque ela se importa muito com o que os outros dizem, mas a gente se fala”, disse.

Com o pai, militar da reserva, há uma relação de respeito e separação entre Gabriela e Lola. “Meu pai ficou seis meses sem falar comigo, eu achei que fosse pra vida toda, mas aí teve a minha formatura e ele veio. Na ocasião, disse que a filha dele era a Gabriela, não a outra, deixando bem claro que não compactua com isso. Mas ele ficou do meu lado e acho ele um herói porque não me abandonou”, confessou.

(Felipe Turioni, G1 Araraquara e São Carlos)

Psiquiatra Flávio Gikovate prega extinção dos termos ‘hetero’ e ‘homo’ em sabatina

No futuro, haverá uma troca erótica “mais lúdica” entre as pessoas e a identidade sexual do parceiro não fará a menor diferença, quer dizer: definições como “homossexual” e “heterossexual” devem deixar de existir e todos poderão circular livremente entre relacionamentos afetivos com pessoas do mesmo sexo e do sexo oposto.

Essa é a mais nova e controversa ideia de “Sexualidade sem Fronteiras” (MG Editores, 136 págs., R$ 37,40), último livro do psiquiatra e psicoterapeuta Flávio Gikovate, 70. O médico, que calcula já ter atendido mais de 9.000 pessoas em consultório, está acostumado a causar impacto e a fazer sucesso falando sobre sexualidade.

Reflexões sobre os dilemas sexuais e amorosos de seus pacientes são os temas de grande parte de seus 32 livros publicados e das colunas que assinou em jornais e revistas.

Sua estreia como conselheiro na mídia, em 1977, em uma revista para adolescentes, já ligava seu nome a polêmicas, porque seu texto insistia na separação entre sexo e amor. Hoje, é lugar-comum, mas a opinião era potencialmente escandalosa na época, quase 40 anos atrás.

Na semana passada, Gikovate participou de sabatina promovida pela Folha, em São Paulo. Diante de cem pessoas, respondeu às perguntas das jornalistas Cláudia Collucci, Iara Biderman e Heloísa Helvécia, editora de “Equilíbrio”, e da plateia e expôs conceitos que deram origem à tese básica do livro, como o lado agressivo, machista e negativo do desejo.

ORIENTAÇÃO SEXUAL

O muro que separa a homossexualidade da heterossexualidade tem que cair. Não há impedimento para a troca de carícias sexuais.
Preconceito é algo todo regulamentado. Na ausência de mulheres, homem transar com homem é ser muito macho. Na presença de mulher, é ser gay. Tudo burocracia.

A orientação sexual vai seguir o encantamento amoroso. Se for orientada pela noção de desejo, será deixada por conta de coisas que têm a ver com agressividade, competição, rivalidade.

SEXO LÚDICO

Sexo lúdico são todas as trocas de carícias eróticas com qualquer tipo de parceiro. Tudo aquilo que as crianças também fazem. Sexo reprodutor é essencialmente heterossexual, está mais comprometido com a agressividade do que com o amor. Do ponto de vista da reprodução, é o macho mais agressivo o que consegue copular.

O erotismo, sem estar ligado à reprodução, é um fenômeno pessoal. Começa no segundo ano de vida: a criança toca certas partes do corpo e sente a estimulação. Como é agradável, ela repete esse padrão de comportamento. A excitação é um prazer positivo, porque não serve para atenuar a sensação de desamparo: não é preciso um desconforto prévio para a pessoa poder curtir o erotismo. Já o desejo é um prazer negativo.

DESEJO

Desejo, especialmente o visual, é uma característica dos homens. As mulheres se excitam, mas desejo é uma coisa ativa, uma vontade de agarrar o outro.

O desejo é de direita, não é de esquerda como se costumava colocar nos anos 1960, quando se acreditava que a liberação da sexualidade fosse trazer um mundo de paz, em que todos se sentiriam confortáveis, as moças não iam regular tanto o sexo.

Elas continuaram regulando do mesmo jeito e tudo ficou um pouco mais tenso por conta da rivalidade entre as mulheres, para ver quem chama mais a atenção, e entre os homens, para ver quem consegue ter acesso às garotas mais interessantes. Trouxe um mundo de competição e tensões muito maiores do que antes. O mundo do desejo ficou comprometido com o do mercado e do capital.

CASUAL E VIRTUAL

O sexo casual não tem futuro, provavelmente vai ser substituído pelo virtual. Esse tipo de prática é infidelidade? Na internet as pessoas podem interagir, ter conversas íntimas com um parceiro determinado, aí o virtual e o real se aproximam. Só porque é virtual o indivíduo casado pode ficar namorando outra pessoa? Não tenho nenhuma simpatia por essas ideias, pelo que chamam de poliamor. E, na verdade, isso tem aceitação muito baixa: ciúme não desaparece por decreto.

AMOR

A sexualidade percorre um caminho que não é o do amor, o que explica tantas más escolhas sentimentais. O sexo, diferentemente do amor, é mais comprometido com a agressividade, e muitos homens acabam escolhendo suas parceiras em função do encantamento erótico.

Fonte: Folha de S.Paulo

“Não existe ex-gay, o que existe é opressão da sexualidade”, defende presidente da ABGLT

A decisão do deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) de colocar em votação o projeto de “cura gay“, na próxima sessão da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, é visto como um “retrocesso” pelo presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais (ABGLT), Carlos Magno Silva Fonseca.

MURAL: O que você acha da decisão do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) de colocar em votação o projeto de “cura gay”?

O projeto, proposto em 2011 pelo tucano João Campos (PSDB-GO), tem como objetivo barrar uma norma da Resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP), de março de 1999, que impede os profissionais da área de sugerir aos pacientes tratamentos que busquem a cura da homossexualidade.

Em entrevista a Zero Hora, por telefone, Fonseca reforçou que a homossexualidade não é uma doença e que o deputado Feliciano deveria se empenhar em tratar a homofobia, pois esta, sim, causa transtorno à sociedade. Confira a íntegra da entrevista:

ZH — Como você recebeu a notícia de que o deputado Marco Feliciano vai colocar em votação na Comissão de Direitos Humanos o projeto de “cura gay”?

Carlos Magno Silva Fonseca — É um absurdo. Na verdade, a postura do próprio deputado está só reforçando o que nós já dizíamos, que é um deputado homofóbico e que não está preocupado com os direitos humanos. A homossexualidade não é doença, não existe nenhuma indicação nem no âmbito da medicina, nem do âmbito da psicologia, nem no âmbito da ciência que aponte que a homossexualidade é uma doença, portanto ela não precisa de nenhum tipo de projeto que venha a curar nossa homossexualidade. A única coisa que traz transtorno e sofrimento à comunidade LGBT é a homofobia. Ao invés de ele discutir a questão da cura homossexual, ele devia estar discutindo a cura da homofobia, que é o mal da sociedade. Se o deputado Feliciano tivesse mesmo uma preocupação com os direitos humanos, ele estaria se preocupando com a homofobia, que mata um homossexual a cada 26 horas no país. Ele devia estar se empenhando para que a homofobia acabasse no país, para que o crime de ódio e intolerância ao homossexual fosse aprovado.

ZH — Como você entende a questão do “ex-gay”, a pessoa que resolveu deixar de ser homossexual?

Fonseca — Acho que não existe nem ex-gay, nem ex-heterossexual, na verdade o que acontece é que a pessoa oprime a sua sexualidade por causa do preconceito, mas ele não deixa de ter sua orientação sexual, seus desejos, seus afetos. Ele pode oprimir, mas mudar ele não consegue. Nenhum estudo aponta que é possível mudar sua orientação sexual.

ZH — Você acha que esse projeto é um retrocesso frente a todas as conquistas dos homossexuais nos últimos anos?

Fonseca — É um retrocesso porque essa discussão já era superada pela sociedade. Ninguém mais vê o homossexual como doente. Isso é uma discussão superada no século passado. Quando você vê uma pessoa querendo voltar à patologização da homossexualidade, é um retrocesso em relação a todos os direitos de cidadania da sociedade LGBT. Para nós, isso demonstra que essas pessoas não estão apresentando isso do ponto de vista realmente científico. Na verdade, eles estão apresentando isso do ponto de vista moral e preconceituoso, tentando colocar a gente numa condição de cidadãos de segunda categoria, e agora ainda mais como doentes, que precisam ser tratados. É muita intolerância, porque quando você quer mudar uma pessoa é porque você não aceita como ela é. Isso é uma homofobia da pior forma.

ZH — A ABGLT pretende fazer alguma manifestação em relação ao projeto?

Fonseca — Dia 15 de maio vamos ter uma marcha em Brasília contra a homofobia e em defesa do Estado laico, porque essas posturas têm de fundo um caráter religioso e moral. Isso prejudica a questão do Estado laico, porque hoje são os gays, amanhã são os negros, depois as mulheres e todos os setores que eles não consideram como cidadãos. Essa postura desse grupo é tão fundamentalista que já está tendo posturas fascistas. Esse projeto só reforça a nossa mobilização, que vai ter caravanas do Brasil todo.

ZERO HORA 

“Fiz o que a igreja mandou para deixar de ser lésbica, não deu certo”

Pastora que pregava cura gay revela: “Fiz tudo o que a igreja mandou fazer para deixar de ser lésbica, não deu certo”. Pastoras também criticam Malafaia e Feliciano: ‘infantis e desnecessariamente polêmicos’

 

Lanna sempre soube sua orientação sexual e aos 17 anos teve sua primeira experiência com uma mulher. No entanto, acreditava que sendo lésbica seria condenada ao inferno. Aos 21 anos se converteu à religião evangélica e deixou de lado uma companheira. Pouco depois se casou com um pastor, teve um filho, e a religião passou a ser parte principal de sua vida. Pelas igrejas do Brasil, ela pregava sobre a “cura” a que havia sido submetida e passou a ser vista como um exemplo a ser seguido – e uma prova viva de que seria possível superar a homossexualidade.

Em vídeos disponíveis no YouTube, é possível ver longos sermões da pastora pregando sobre a maldição e o pecado da homossexualidade. Igrejas lotadas de fiéis aclamaram suas palavras e acreditaram estar diante de uma pessoa “regenerada” e “trazida de volta ao caminho do bem”.

Em 2002, no entanto, a história mudou quando Lanna conheceu Rosania em uma igreja evangélica em Boston, nos Estados Unidos. Rosania, que morava na cidade, onde era dirigente de louvor de uma igreja frequentada por brasileiros, era casada com um pastor, com quem teve um filho. Muito conhecida na comunidade evangélica por cantar músicas gospel, iniciou uma grande amizade com Lanna, de quem sempre estava perto nos cultos: onde Lanna pregava, Rosania cantava. Da amizade ao amor bastaram seis meses e suas vidas foram viradas de cabeça para baixo. De celebridades evangélicas adoradas, Lanna e Rosania viraram párias na religião que ajudavam a espalhar.

Confira abaixo a entrevista que o Portal Virgula Lifestyle fez com as pastoras:

Como foi a sua conversão e o processo para se tornar uma ex-lésbica?

Lanna – Eu tinha 21 anos quando me converti à religião por achar que iria para o inferno por causa de minha orientação sexual. Eu usava drogas, era alcoólatra e quando me converti essa parte da minha vida deixou de existir. A religião funcionou como um processo de restauração na minha vida, mas a minha orientação sexual nunca foi alterada. Eu nunca vivenciei nenhum processo de cura, mesmo assim segui numa busca constante para deixar de ser lésbica.

Eu pensava: ‘Deus me libertou das drogas e do alcoolismo e não consegue me libertar da homossexualidade?’. Na igreja, a homoafetividade é apresentada ou como uma possessão demoníaca ou como uma doença. Eu tentava lidar com as duas coisas. ‘Se é uma doença, Deus vai ter que curar e se eu estiver possessa de algum espírito maligno, Deus vai ter que me libertar’. Tentei por sete anos.

A religião faz uma lavagem cerebral contra a homossexualidade?

Lanna – Hoje eu cheguei à conclusão de que a religião demoniza tudo o que ela não explica e não entende. A homossexualidade é uma questão muito cheia de ramificações e interpretações. A própria igreja não chega a um consenso sobre o que pensa a respeito. Enquanto tem uma parte que garante que é uma possessão demoníaca, outra parte tem certeza de que é uma doença. Por mais que no fundo a igreja saiba que a homossexualidade não é abominável, ela se recusa a corrigir um erro. É difícil voltar atrás e reconhecer que errou depois de milênios condenando os homossexuais. É mais fácil manter como está.

Você escondia sua verdadeira orientação sexual ou estava convicta de que havia sido realmente “curada”?

Lanna – Eu divulgava essa tal cura havia sete anos e pregava contra a homossexualidade. As pessoas me conheciam como “A missionária Lanna Holder, ex-lésbica”. Quando fui pra Boston, eu já estava conformada, achando que teria que viver minha vida toda escondendo minha verdadeira orientação sexual. Eu mentia, pois tinha certeza de que a minha orientação sexual era imutável, ao contrário do que eu fazia as pessoas acreditarem.

Fiz tudo o que a igreja mandou fazer para deixar de ser lésbica: quebra de maldição, cura interior, desligamento de alma, quebra de vínculo. Depois de tudo, minha orientação sexual não mudou e então cheguei à conclusão de que fazia parte da minha natureza. Esconder foi a minha única opção. Fiquei casada com um homem, não porque era o que eu queria, mas porque era o imposto para que eu não fosse para o inferno.

Como foi o momento em que você se viu diante da paixão por uma mulher após tantos anos garantindo ser ex-lésbica?

Lanna – Nos conhecemos e no começo nos tornamos grandes amigas. Tivemos uma associação total na religião e quando chamavam a Rosania para cantar, me chamavam para pregar. A vida nos uniu. Viajamos pelos Estados Unidos juntas e eu confidenciava a ela os problemas que tinha em meu casamento, pois como o “exemplo” que eu era, não podia contar para ninguém o que eu enfrentava. Não falava sobre minha orientação sexual, mas conversávamos sobre diversas questões. Quando me dei conta, tudo o que eu fazia era pensando na Rosania. Eu queria estar ao lado dela e percebi que aquilo que eu sentia não era apenas amizade. Eu chorei muito, orei muito e perguntava a Deus quando aquilo passaria. Minha paixão por ela começou a confrontar com tudo aquilo que eu dizia ser errado em minhas pregações.

Como você encarou a paixão pela Lanna já que nunca havia tido interesse em uma mulher antes?

Rosania – Eu percebi um sentimento diferente por ela e então conversamos e admitimos estar apaixonadas. Choramos muito, pedimos muito perdão a Deus e, como éramos casadas, nos sentíamos muito erradas, pois cometemos adultério. Nosso pecado na verdade não foi o nosso amor, mas sim o fato de sermos casadas e de adulterarmos por seis meses. Quando eu era criança, me sentia um pouco diferente das minhas amigas. Mas nunca tinha tido contato sexual com uma mulher até, de repente, me ver apaixonada pela Lanna. Nada foi planejado, deixei o barco me levar, tentei fugir, ficamos separadas, mas a vida nos uniu. Eu sempre digo que me apaixonei por um ser humano e não necessariamente por uma mulher.

Como foi a reação da igreja ao saber que vocês estavam juntas?

Rosania – Contamos aos nossos maridos e depois aos nossos líderes, que nos aconselharam a não contar nada a ninguém para preservar a imagem da igreja. Confiamos que tudo daria certo, eu pensei que voltaria para meu marido e que a Lanna seguiria a vida dela, já que estava decidida a se separar. Mas assim que viramos as costas, eles (os líderes) pegaram o telefone e começaram a ligar para toda a comunidade evangélica contando a novidade. Eu morei 20 anos nos Estados Unidos e convivi com pessoas na igreja a quem considerava parte de minha família. Quando tudo aconteceu, tudo mudou. Eu entrava no banheiro para passar um batom, e as mesmas pessoas que se diziam minhas amigas, saíam imediatamente. Se tivéssemos nos apaixonado por outros homens e cometido adultério do mesmo jeito, a reação teria sido completamente diferente. Passaríamos por um período de disciplina e nossos “amigos” continuariam por perto. Como me apaixonei por uma mulher, subi ao púlpito e pedi perdão por ser quem eu era, mas nunca mais consegui me encaixar na igreja. Me usavam para pregar sobre pecado e aquilo acabou se tornando um circo.

Muitos nos disseram que não tínhamos caráter por termos assumido nosso amor, mas para ter coragem de enfrentar tudo e todos, foi preciso muito caráter. Eu poderia ter ficado cantando e a Lanna pregando sem nunca ninguém imaginar que tínhamos algo. Muitas pessoas da igreja são hipócritas, pregam uma coisa e fazem outra. Tem gente casada que prega para multidões e sai para pegar as menininhas da cidade, tira a roupa na frente da câmera e coisas do gênero. São pessoas assim que nos massacram. Eu me sinto muito mais em paz com Deus sendo o que sou de verdade.

Lanna – Quando eu me converti, já comecei a pregar que eu era uma ex-lésbica e então me tornei uma referência da cura. Na minha época eu era um Silas Malafaia falando que homossexualidade era coisa do demônio, que os gays iam para o inferno. É interessante perceber como a gente cai do cavalo com as nossas convicções. Eu que tanto perseguia os gays, me tornei uma perseguida com o mesmo discurso que eu usava ao assumir minha homossexualidade.

Como é a relação com seus ex-maridos atualmente?

Rosania – Temos uma relação muito bacana. Ele se casou de novo e será pai mais uma vez. Ele mora nos Estados Unidos e sempre o vejo, pois meu filho mora com ele.

Lanna – Só falo com meu ex-marido sobre assuntos relacionados ao nosso filho.

Como é a relação com seus filhos? (Rosania tem um filho de 15 anos e Lanna tem um filho de 11 anos)

Rosania – De toda essa história, a coisa mais legal é a nossa relação com nossos filhos. Somos uma família incrível, agimos de maneira muito natural. Meu filho ama a Lanna e adora conversar com ela. Aliás, ele conta mais coisas pra ela do que pra mim. Não tem como uma pessoa afirmar que uma família constituída por gays não é coisa de Deus. Somos uma família feliz que vive em harmonia.

Como surgiu a ideia da igreja inclusiva?

Lanna – Tentamos frequentar outras igrejas, mas sempre ouvíamos as mesmas afrontas dos pastores no púlpito contra os gays. Começamos a fazer amizade com uma série de ex-evangélicos que também não eram aceitos na igreja por conta de sua orientação sexual. Pensamos em fazer algo em nossa casa mesmo, mas em 2011 inauguramos a igreja com 15 pessoas, hoje temos cerca de 500 membros.

Tirando o fato da igreja inclusiva aceitar os homossexuais, o que mais a diferencia das outras?

Lanna – Nada, se alguém entrar aqui sem saber que é uma igreja inclusiva vai achar que é uma igreja evangélica como qualquer outra. Sexo é só depois do casamento, temos dízimos e ofertas, louvamos a palavra de Deus… A bíblia do gay é a mesma do hétero, a única diferença é que interpretamos diferente a questão da homossexualidade. Não somos ativistas gays, mas acreditamos na inclusão.

Como vocês conquistam novos fieis?

Lanna – O evangelismo mais difícil é o de um gay. Primeiro que você já tem que entregar o folheto da igreja dizendo que ele é aceito como é, caso contrário eles rasgam o papel na nossa cara, jogam no chão… Na abordagem, eles logo acham que somos da igreja do pastor que fala mal, então já nos apresentamos como pastoras casadas antes de fazer o convite. Vamos nos pontos de maior concentração do público gay em São Paulo, que é a região da avenida Paulista, a rua Vieira de Carvalho e outras. Paramos nas portas das boates e fazemos flashmobs, cantando e dançando. Com isso, geramos curiosidade e eles se aproximam para saber de onde somos. Sempre vêm várias pessoas à igreja depois dessas abordagens. Vamos também à Parada Gay, à Feira da Diversidade e à Caminhada Lésbica entregar nossos folhetos.

O que os evangélicos convencionais acham da Comunidade Cidade de Refúgio?

Lanna – Tem pessoas que vêm aqui na porta para nos afrontar, teve uma senhora que quase me agrediu aqui na frente. Nos xingam, dizem que a nossa igreja é Sodoma e Gomorra, que é coisa do diabo. Há quem ligue e fale desaforos, deixe recadinhos mal-educados nas redes sociais… Tem quem pense, obviamente não é todo mundo, que aqui tem imoralidade, promiscuidade, que é um ponto de encontro para achar parceiros sexuais.

O que vocês acham do Silas Malafaia?

Lanna – Não temos nada contra o Silas Malafaia, mas achamos que ele só cresceu na religião baseado em polêmicas, a bola da vez são os homossexuais. Ele tem um discurso prepotente de dono da verdade e usa de muita ira para se referir aos gays. Lamentamos muito isso, porque o Silas Malafaia afasta todos os gays da igreja, pois eles acabam achando que todos os pastores pensam dessa forma. Mas ele não representa a maioria dos pastores. Ele não sabe o que ele fala (se referindo à comparação feita por Malafaia de gays a bandidos). Pregue a palavra de Deus, Malafaia! Pare de fazer polêmica!

E Marco Feliciano?

Rosania – A única coisa que temos a dizer ao Feliciano é: “cresça”! Ele é uma pessoa narcisista e tudo o que ele faz é para ganhar holofotes. Infelizmente ele está conseguindo isso da pior maneira possível.

Tuka Pereira, Vírgula

Homossexualidade tem cura?

Não é de hoje que os congressistas brasileiros elaboram as mais estúpidas e estapafúrdias leis, para vigorarem neste nosso país de extensões continentais, já tentaram criar uma lei para dar desconto em restaurantes às pessoas que fizeram a cirurgia de redução do estômago, também tentaram proibir o uso da minissaia e uma ainda houve um projeto de lei que serviria para definir o que é presunto.

Porém, nenhuma dessas leis é tão “estranha” quanto o projeto do ilustre deputado e presidente da Comissão de Direitos Humanos, senhor Marco Feliciano, que propõe a revogação de determinados artigos de uma resolução para dar o caráter de doença à homossexualidade.

Sim, é isso mesmo, você não leu errado, com a revogação desses artigos, a rede pública e privada de saúde poderão iniciar tratamentos contra a orientação sexual dos indivíduos.

Desculpem-me os politicamente corretos que se ofenderão com minhas palavras, mas eu fico imaginando como seria este tratamento: “Ah, o senhor é homossexual? Prescrevo então striptease de uma mulher bem gostosa três vezes ao dia e se o problema persistir, assista um filme pornô da Bruna Surfirstinha”. Imagino ainda o seguinte diálogo: “Minha senhora, o seu problema é muito grave, a senhora aprecia mulheres, mas fique tranquila que nós iremos dar um jeito nisso, este aqui é o Jorjão, e ele irá transar com vossa pessoa, até que a senhorita passe a gostar do sexo oposto”.

Obviamente, esta é uma situação ridícula que busca ridicularizar a lei que foi proposta, e apesar de ser um assunto extremamente sério e relevante para a sociedade, temos que pensar nesse projeto de lei como uma piada e fazer graça com o assunto, para que não nos aborreçamos com tal cidadão relator do projeto.

Atualmente, falar em opção sexual é considerado errado por diversos setores da sociedade, onde o termo correto seria orientação sexual, porém, não sei até que ponto as pessoas escolhem tornarem-se gays ou não, mas vamos fazer de conta que é uma escolha, assim, porque raios alguém ia querer se tratar de um “problema” que foi escolhido e que não faz mal pra ninguém?

Apesar de polêmico, o projeto encontra muitos defensores, e estes basicamente se utilizam da religião para dar força às suas argumentações de que o homossexualismo deve ser tratado, ou combatido como preferem alguns mais radicais, outros que apoiam a ideia, defendem o direito de escolha, talvez o mesmo direito que as pessoas tem para decidir que caminho seguir em sua vida sexual, para que todos tenham o direito de escolher se querem ser curados ou não.

Vale destacar, que um eventual tratamento não seria compulsório, assim o risco de um  enfermeiro do tamanho do incrível Hulk bater à porta de sua casa pra te colocar em uma camisa de força e te jogar dentro de uma ambulância é nulo, afinal o tratamento se destinaria, ou se destinará, apenas àqueles que desejarem a “cura dessa doença terrível”.

E sendo um tratamento opcional, neste momento só me vem à cabeça uma cena do filme X-Men, onde centenas de pessoas fazem fila para se curarem de uma mutação genética e outras centenas ficam do outro lado da rua protestando contra aqueles que querem ser curados.

Assim, como vivemos em um país livre e democrático, resta a você escolher de que lado da rua quer ficar.

(Livan Pereira, Última Instância)

Deputados devem decidir nesta semana sobre projeto da “cura gay”

A expectativa em torno da votação de um projeto que autoriza o tratamento psicológico ou a terapia para alterar a orientação sexual de gays reacendeu as críticas à CDHM (Comissão de Direitos Humanos e Minorias) da Câmara dos Deputados. Desde que o deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) assumiu a coordenação dos trabalhos do grupo, manifestantes contrários à sua escolha para o cargo organizaram vários protestos e conseguiram cancelar algumas agendas de trabalho da comissão. Agora, a mesma comissão se prepara para decidir sobre um dos temas mais polêmicos envolvendo homossexuais.

A apreciação do PDC (Projeto de Decreto da Câmara) que trata da “cura gay” deve ocorrer na próxima reunião do grupo, marcada para quarta-feira (8/5). O texto suspende resolução do CFP (Conselho Federal de Psicologia) que proíbe os profissionais da área de participar de terapia para alterar a orientação sexual e de atribuir caráter patológico à homossexualidade. Há quase 30 anos a homossexualidade foi excluída da CID (Classificação Internacional das Doenças).

Apesar de toda a polêmica, o relator da proposta, deputado Anderson Ferreira (PR-PE), que apresentou parecer favorável ao projeto, garantiu que não vai mudar sua posição sobre a matéria. “Só estou tentando ajustar o desajuste que ele [o CFP] tentou fazer por meio dessa resolução. Todo ser humano tem direito a procurar ajuda e tentar entender um conflito interno”, disse.

Segundo o parlamentar, a homossexualidade está relacionada a uma questão comportamental. “Em nenhum momento, disse que pode ser tratado como uma doença, apenas cito que é algo comportamental e se é comportamental você pode querer uma ajuda. Por que o conselho impede ajuda para ele tentar entender o comportamento que está tendo naquele momento?”, acrescentou.

“Em nenhum momento a resolução [do CFP] cria obstáculos ao exercício profissional, mas oferece indicadores e situa a prática profissional em contextos éticos e tecnicamente qualificados”, rebateu Clara Goldman, vice-presidente do Conselho Federal de Psicologia. Para ela, o projeto em tramitação na Câmara fere um marco na defesa dos direitos humanos. A livre orientação sexual é um dispositivo reconhecido internacionalmente como promotor da garantia de direitos.

“A Opas [Organização Pan-Americana da Saúde] tem posições claras sobre as terapias de cura, chamadas de terapias de reversão, que não têm fundamento do ponto de vista científico e são eticamente inaceitáveis. Se estamos lutando por uma sociedade livre de ódio, violência, preconceito, como retroceder a um patamar que o mundo já reconheceu como equivocado, que é a patologização (transformação em doença) da homossexualidade?”, acrescentou.

Depois da apreciação e votação na Comissão de Direitos Humanos, o PDC 234/2011 ainda será analisado na Comissão de Seguridade Social e Família e na Comissão de Constituição e Justiça. Para a deputada Érika Kokay (PT-DF), que acredita que existe uma posição clara e já definida pela aprovação do projeto na CDHM, a matéria não deve ser aprovada em outras comissões.

“O que os obscurantistas da Câmara querem é [que a homossexualidade] seja considerada uma doença e possibilitar que o profissional possa discriminar. Essa posição da Comissão de Direitos Humanos, tenho certeza, não será referendada em outras comissões”, disse. “Nunca houve qualquer nível de cerceamento a qualquer psicólogo de atender uma pessoa em sofrimento”, acrescentou a parlamentar.

(Agência Brasil)

Calouro da USP desafia preconceito e veste saia para ir à faculdade

Vitor Pereira posa com a saia que usa nas aulas e a camiseta do curso de têxtil e moda da USP Leste (Foto: Flávio Moraes/G1)

Recém-chegado ao curso de têxtil e moda da Universidade de São Paulo (USP), o calouro Vitor Pereira, de 20 anos, decidiu experimentar uma sensação pouco comum entre os homens de hoje: o hábito de vestir saias. “Sempre gostei muito de androginia na moda, nunca pensei que existe roupa de mulher e roupa de homem”, contou o estudante ao G1. No mês passado, ele comprou uma saia xadrez e passou a vesti-la para ir à Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), no campus da Zona Leste da USP. “Sempre quis vestir saia, acho que é mais confortável e libertador.”

Defensor da hipótese de que a moda transcende os gêneros, ele afirma ter colocado em prática pesquisas feitas na faculdade feitas sobre o tema e seguido os passos de alguns colegas veteranos. Na manhã de sexta-feira (3), ele combinou a saia com um par de coturnos e uma camiseta da faculdade.

A atitude do estudante desafia o preconceito contra homens de saia. Três dias após vestir a saia na USP pela primeira vez, Vitor recebeu ofensas anônimas pelo Facebook e criou uma página para defender a causa e divulgar imagens de outros homens que usam saia pelo mundo. “Achei que fosse haver alguns olhares, porque é uma coisa incomum, mas não a ponto de receber ofensa”, afirmou Vitor. “Se você posta um comentário assim é porque você reprime alguma coisa. E se você reprime, isso ou escapa por meio de palavras ou de violência. Sempre tive uma outra visão da USP, de que o pessoal tinha a mente mais aberta.”

Em nota, a assessoria de imprensa da Each afirmou na sexta-feira (3) que a unidade “repudia qualquer tipo de discriminação racial, religiosa, sexual, por gênero e etnia, praticada dentro do ambiente acadêmico ou fora dele”, e que “qualquer manifestação preconceituosa, seja ela qual for, destoa completamente do cotidiano universitário, que apresenta a diversidade em suas mais variadas formas”.

Sociologia da moda
A vontade de experimentar ele nutriu durante quase dois anos, mas a compra da primeira saia foi feita em um impulso durante uma visita a um shopping center. Por falta de opção, a saia de Vitor foi comprada em uma loja feminina e precisou ser ajustada por uma costureira para servir ao porte físico do estudante.

Porém, ele não é o primeiro aluno do curso a vestir a peça para ir à aula. Pelo menos outros três garotos também já aderiram ao hábito de usar saia ou vestido.

O aluno do quarto ano Augusto Paz, de 21 anos, vestiu sua primeira saia em 2011, como parte de uma tarefa da disciplina de sociologia da moda. O “teste de desconforto psicológico” exigido pela professora consistia em sair de casa e ir até a faculdade vestindo uma peça de roupa que Augusto nunca usaria. O estudante escolheu uma saia longa azul emprestada pela mãe, que lhe serviu sem necessidade de ajustes.

Em 2011, Augusto Paz vestiu uma saia pela primeira vez (Foto: Arquivo pessoal/Augusto Paz)
Em 2011, Augusto Paz vestiu uma saia pela
primeira vez (Foto: Arquivo pessoal/Augusto Paz)

Apesar de sempre achar que nunca vestiria a peça, Augusto acabou descobrindo que a saia é bastante confortável e decidiu comprar outros modelos –hoje, ele tem três, que veste de vez em quando. “Compro minhas saias em brechós, procuro o modelo de kilt [saia masculina típica da Escócia]. Fizemos uma pesquisa no ano passado, é muito difícil encontrar saia para homem.”

Vantagens da saia
Além de não esquentar tanto as pernas durante os dias mais quentes, os dois estudantes explicam que a saia também mexe com a postura de quem a veste. “É engraçado ver como uma peça de roupa mexe no visual. Até a maneira de andar muda”, explicou Augusto. “Minha postura tem que ser melhor para não parecer estranho”, afirmou Vitor.

Os dois dizem que a saia não é uma peça de uso diário, mas apenas mais uma opção do guarda-roupa, para vestir quando quiserem. Os motivos para vestirem ou não a saia em um determinado dia são parecidos com os de muitas mulheres. Vitor, por exemplo, desistiu da peça na quinta-feira (2), porque achou que faria frio.

Augusto afirmou que veste as suas de vez em quando. Além da vontade na hora de escolher a roupa do dia, um dos motivos, segundo ele, é o medo da reação que pode receber na rua.

“Tenho medo de violência”, diz. Ele afirma que, na faculdade, o mais comum é receber “olhares de soslaio” e comentários e risadas pelas costas, mas que “é difícil ter uma ação combativa, quando tem é anonimamente pela internet”. Porém, segundo ele, em 2012 um estudante da USP Leste tentou tirar uma foto por debaixo de sua saia. “As reações divergem muito, aqui tem muita gente esclarecida, mas muita gente ignorante.”

Vitor afirmou que não se importa sobre o que os outros pensam dele. Mas admitiu que, quando saiu de casa pela primeira vez vestindo uma saia, o nervosismo fez com que ele ficasse com taquicardia. No ponto de ônibus a caminho da USP Leste, ele diz que muitas pessoas não conseguiam desviar o olhar, e um motorista gritou uma ofensa a ele de dentro de um carro em movimento.

Reflexo da sociedade
A coordenadora do curso de têxtil e moda da USP, professora Cláudia Garcia Vicentini, acredita que é “curioso” ver, no século 21, manifestações agressivas em relação a homens de saia. “A universidade é um lugar de liberdade de expressão”, disse ela na sexta-feira (3), durante entrevista ao G1 na cantina da faculdade, vestida com uma gravata preta. “Os dois são extremamente inteligentes e bem educados, isso é o que importa”, disse. “Para eles, [vestir saia] é um exercício de diversidade. Qualquer crítica que venha pelo lado negativo não constrói.”

Já a professora Suzana Avelar, responsável pelas disciplinas de história da moda e sociologia da moda, explica que a saia sempre foi uma vestimenta masculina e que, até o Renascentismo, homens e mulheres vestiam as mesmas roupas. Ela questionou os motivos para isso incomodar tanto hoje em dia. “Gostaria que as pessoas pensassem a respeito disso”, afirmou.

Para o professor Alessandro Soares da Silva, que dá aulas de psicologia política e de sociedade, multiculturalismos e direitos no curso de gestão de políticas públicas, nem o uso de saia por parte dos alunos homens nem a reação agressiva e anônima na internet o surpreendem. Segundo ele, “o que aconteceu com esses meninos é um reflexo de uma socieade que educa para a enfermidade”.

Silva explica que o preconceito é uma “capacidade emburrecedora”, porque “autoriza o sujeito a falar algo de outro sem conhecê-lo”, partindo da premissa de que existe um “sujeito-referência” e todas as pessoas que não são como ele são consideradas inferiores. Entre as características deste sujeito estão o fato de ele ser “branco, eurocêntrico, culto, bonito, sem deformidades, heterossexual e pai de filhos, não de filhas”.

Na questão de gênero, ele afirma que o preconceito aparece nas reações a homens que ocupam espaços que a sociedade quer restringir apenas às mulheres. “O primeiro xingamento que se aprende é comparar o homem à mulher, como se ser mulher fosse algo pior. Há que se pensar na igualdade de gênero.”

Parte das reações violentas também podem ser combatidas, de acordo com o professor, com uma educação que começa em casa e sabe respeitar a diversidade e manter os de valores individuais no âmbito privado. “O que falta ao Brasil é um estado laico”, diz.

Para o estudante Augusto, “as pessoas não estão acostumadas a um homem que adote comportamentos femininos, é uma questão de tolerância”. Por isso ele celebra a posição de figuras célebres, como o cartunista Laerte, que assumiu a vontade de se vestir como mulher. “Acho fantástico, porque as pessoas se acostumaram.”

(Ana Carolina Moreno, G1 SP)

Motorista bêbado passa com veículo três vezes por cima de homossexual

Eliwellton da Silva Lessa, de 22 anos, morreu na madrugada de terça

Policiais da 74ª DP (Alcântara) investigam a morte de Eliwellton da Silva Lessa, de 22 anos, ocorrida nesta terça-feira, em São Gonçalo, município da Região Metropolitana do Rio. Homossexual, o rapaz havia discutido com um motorista de van que o xingou. Segundo dois amigos que estavam com Eliwellton, depois da briga o homem passou com o veículo três vezes em cima da vítima e fugiu em seguida. O rapaz chegou a ser levado para o Hospital Geral Alberto Torres, no Colubandê, também em São Gonçalo, mas não resistiu aos ferimentos. Ele teve a coluna quebrada em três lugares, fraturou três costelas, quebrou a bacia e teve o pulmão perfurado.

O atropelamento foi na madrugada de segunda-feira. Por volta das 2h30m, Eliwellton e os amigos passavam pela Estrada Raul Veiga, em Alcântara, quando teria sido xingado de “viado” pelo motorista.

- Eles começaram a discutir e partiram para a briga. Conseguimos apartar. O motorista, que parecia estar bêbado, foi até a van, pegou uma barra de ferro e ia partir para cima da gente. Decidimos ir embora – contou um dos amigos que acompanhavam Eliwellton, um cabeleireiro de 26 anos.

Segundo ele, os três andaram mais um quarteirão e pararam para conversar:

- Vi a van manobrar e logo depois ela veio correndo muito. Pegou o Eliwellton em cima da calçada. Ele passou por cima dele uma vez, deu ré por cima dele e depois passou de novo. Foi um horror.

O depoimento do cabelereiro está marcado para esta sexta-feira. O corpo de Eliwellton permanece no Instituto Médico-Legal (IML) de São Gonçalo. O enterro deve ser nesta sexta. A família do jovem disse que lutará por justiça.
- Um crime como esse não pode ficar sem punição. Esse homem foi de uma crueldade sem tamanho. Acabar com uma vida desse jeito – disse Ana Paula Miguel, prima de Eliwellton.

Jornal Extra

Artistas fazem vídeo de beijaço gay em defesa do casamento civil igualitário

Um vídeo onde artistas famosos mostram emoção e carinho com um beijaço gay. Tudo isso foi feito pela “Campanha Antro Positivo – Liberdade na Arte, Liberdade na Vida” para defender o casamento civil igualitário. A coordenação do trabalho foi assinada por Andrea Silva.

Participaram da cena os artistas Caco Ciocler, Aline Fanju, Camila Biondan, Fabrício Castro, Kiko Bertholini, Gustavo Haddad, Gero Camilo, Odara Carvalho, Erika Puga, Patrícia Cividanes, Clarissa Kiste, Maria Manoela, Lavínia Pannunzio, Sabrina Greve, Ruy Filho, Ricardo Amory, Ary França, Igor Angelkorte, Renata Forato e Erica Montanheiro. 

(Portal CNews)

“Festa do Cabaço”: Torcida é suspeita de favorecer prostituição

Policiais civis e militares apreenderam na manhã desta quinta-feira (30), na sede da Jovem Garra Tricolor (JGT), uma das torcidas organizadas do Fortaleza Esporte Clube, recibos de uma anunciada Festa do Cabaço. De acordo com o titular do 5º Distrito Policial, delegado Paulo André, os recibos eram dados após a confirmação de pagamento dos torcedores para participar de um sorteio, provavelmente de mulheres – o que indicaria que a promoção pode estar associada a crimes relacionados à prostituição. 

A ação dos policiais, realizada em parceria com o Ministério Público Estadual, integra a operação “Campo Limpo”, desencadeada hoje com o objetivo de cumprir mandados de busca e apreensão na sede das torcidas Cearamor, TUF e JGT.  

Na sede da JGT, no Parque Santana, área do Grande Bom Jardim, os policiais também apreenderam fichas cadastrais de torcedores. Todo o material será periciado. 

Os mandados foram expedidos pela Justiça na última sexta-feira (26), e têm o objetivo de atestar a ocorrência de diversos delitos, tais como homicídio, tráfico de drogas, formação de quadrilha, porte de arma, dano qualificado, lesões corporais, ameaças, dentre outros. A operação surgiu da necessidade de investigação das torcidas organizadas, haja vista a onda de violência que ocorre em Fortaleza, especialmente nos dias de clássico-rei e o envolvimento de integrantes de torcidas organizadas em diversos crimes. 

Também foram cumpridos mandados de citação e intimação dos presidentes das três torcidas. Eles se referem a uma liminar concedida a partir de uma Ação Civil Pública proposta na semana passada pelo Ministério Público através da 9ª Promotoria de Justiça Cível (Defesa da Cidadania), do Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon/CE), do Centro de Apoio Operacional dos Registros Públicos, das Fundações e das Entidades de Interesse Social (Caofurp) e do Núcleo do Desporto e Defesa do Torcedor (Nudetor). O pedido se baseou nos inúmeros episódios de violência envolvendo torcidas organizadas, o que motivou a concessão da liminar. 

Com a decisão judicial, ficou determinada a imediata suspensão das atividades das associações promovidas, ficando ainda proibida a entrada dos integrantes, associados e simpatizantes nos estádios portando objetos indicadores das respectivas associações. Em caso de descumprimento, será aplicada multa de R$ 1 mil para cada desobediência. 

O Estatuto do Torcedor permitiu a existência das torcidas organizadas, as quais devem, contudo, organizar pessoas com o único fim de torcer e apoiar entidade de prática esportiva de qualquer natureza ou modalidade. Ocorre que as torcidas Cearamor, TUF e JGT têm praticado atos que desvirtuam as finalidades lícitas, razão pela qual suas atividades foram suspensas. Na Ação Civil Pública, o Ministério Público requereu inclusive que ao final do processo as mencionadas torcidas organizadas sejam dissolvidas.

(Portal CNews)

Nilson Nelson Machado: Ex-deputado é suspeito de pedofilia e agressão contra menores em SC

Conhecido justamente por trabalhos sociais com crianças e jovens catarinenses, o ex-deputado estudual Nilson Nelson Machado, o Duduco, está sendo investigado por uma denúncia de abuso sexual e agressão contra menores de idade.

Duduco já foi vereador de Florianópolis por duas vezes e é, atualmente, suplente na Câmara Municipal. Dono da Creche do Duduco, que atende menores carentes há mais de 30 anos, ele foi acusado por uma suposta vítima de pedofilia.

O próprio Duduco chegou a admitir, sem saber que estava sendo gravado, que já se relacionou com menores do abrigo. “Toda vida eu trabalhei contra esse tipo de relacionamento, mas agora que eu fui mais fraco, eu fui”, revelou. Em um vídeo de meia hora, Nilson até cita nomes dos jovens com os quais se relacionou, porém atualmente ele nega as denúncia.

De acodo com a denúncia, além de exigir favores sexuais, Duduco maltratava os menores. “Ele batia na gente de cinta, sandália, com a mão também, pegava pelo nosso cabelo e chacoalhava a gente”, disse uma menina. De acordo com a investigação, os abusos sexuais seriam feitos somente contra meninos.

Uma ex-funcionária, demitida por Nilson, confirmou as denúncias, dizendo que as crianças dormiam às vezes no mesmo quarto que ele. No inquérito policial, que tem mais de 200 páginas, a autoridade pede para que sejam apreendidos computadores e câmeras fotográficas que possam comprovar os abusos.

O Ministério Público ainda não se manifestou sobre o caso.

(Portal do Sidney Rezende)

Ex-RBD Christian Chávez é preso após agredir namorado nos EUA

O ex-integrante do grupo mexicano RBD Christian Chávez foi preso após uma briga com o namorado, informa nesta terça-feira (30) o TMZ. Segundo o site de celebridades, o cantor e ator foi detido junto do companheiro, Ben, numa residência em Bevrely Hills.

A reportagem diz que Chávez e Ben apresentavam ferimentos visíveis e foram levados sob custódia nesta manhã. Citando fontes não identificadas, o TMZ informa que ambos foram inicialmente fichados por “violência doméstica”. Os dois estariam juntos há cerca de um ano e meio.

Pouco antes de se apresentar no Brasil em 2011, já em carreira solo, Christian Chávez falou ao G1 sobre sua então recente mudança do México para os Estados Unidos. “Foi importante para fazer participações em TV americanas. Nunca tinha vivido fora. É uma boa experiência para conhecer pessoas”, comentou.

Durante a entrevista, ele também tratou de sua música “Libertad”, usualmente definida como hino destinado aos homossexuais. “Essa música fala que todos os seres humanos têm direito de serem felizes, livres. Não importa a preferência sexual.”

Na ocasião, Chávez citou ainda Lady Gaga e o hit “Born this way”. “Como ela, não é somente para a comunidade gay. É importante para todas as pessoas que não nasceram com uma cara que as pessoas gostam, com a beleza ideal. Todos que têm algo diferente. É um momento importante para reconhecer os defeitos.”

(G1 Música)

Obama diz estar orgulhoso de 1º jogador da NBA a se assumir gay

Primeiro atleta em atividade de uma das quatro principais ligas profissionais dos EUA a assumir a homossexualidade, o pivô Jason Collins recebeu uma ligação do presidente Barack Obama. “É incrível, você apenas tenta viver uma vida honesta e genuína e, de repente, o presidente está te ligando”, declarou Collins ao programa “Good Morning America”.

O pivô de 34 anos afirmou que o presidente foi encorajador na conversa telefônica. “Ele foi extremamente solidário e disse que estava orgulhoso de mim, que isso não afetaria apenas a minha vida, mas a de outros daqui para a frente”, afirmou. Questionado sobre as reações ao seu anúncio, Collins disse: “É um tanto surpreendente… Eu nunca me propus a ser o primeiro”.

Revelação
O pivô revelou ser gay em artigo publicado pela revista “Sports Illustrated” e disse estar feliz. “Sei que, agora, estou mais feliz do que já estive em toda a minha vida.”

Collins atualmente está sem time, após atuar por Boston Celtics e Washington Wizards na última temporada da NBA, mas disse esperar que futuros companheiros de equipe o recebam bem. “Espero apoio dos meus companheiros, porque é o que eu faria. A equipe é como uma família, e a NBA é como uma irmandade. Espero que nos apoiemos uns aos outros dentro e fora da quadra”, disse.

Questionado sobre qual conselho daria a um jovem gay que espera jogar na NBA, Collins disse que ele deveria se concentrar no esporte. “Não importa se você é gay, o importante é o basquete. Trata-se de trabalhar duro, de se sacrificar pela sua equipe.” Mas nem todas as manifestações foram de apoio. Mike Wallace, jogador do Miami Dolphins, da NFL (futebol americano), disse que não compreendia os gays. “Todas essas mulheres lindas no mundo, e os caras querem se esfregar em outros caras”, escreveu Wallace no Twitter -depois ele apagou o post e pediu desculpas.

O impacto da revelação de Collins foi comparado ao provocado por Jackie Robinson em 1947, quando se tornou o primeiro jogador negro na MBL (liga de beisebol).

(Diário do Nordeste)

Jason Collins: “Tenho 34 anos e jogo na NBA. Sou negro. E sou gay”

Collins, "o atleta gay", segundo a SI

Collins, “o atleta gay”, segundo a SI

Em entrevista à prestigiada revista “Sports Illustrated”, o jogador de basquete Jason Collins quebrou um tabu e tornou-se o primeiro atleta das quatro grandes ligas norte-americanas – além da NBA, na qual atua, fazem parte do grupo a MLB (beisebol), a NFL (futebol americano) e a NHL (hoquei no gelo) – a assumir publicamente a homossexualidade.

Collins tem 34 anos e atua como pivô. Conhecido pelo estilo de jogo viril, ele foi companheiro dos brasileiros Leandrinho e Fab Melo, no Boston Celtics, e Nenê, no Washington Wizards, durante a última temporada. O jogador afirmou que não tinha como objetivo ser um pioneiro na questão do homossexualismo nos esportes:

“Eu não tinha a intenção de ser o primeiro atleta assumidamente gay em uma grande liga norte-americana. Mas já que sou eu, fico feliz por iniciar o debate”, declarou à revista.

Segundo Jason Collins, sua opção sexual era um segredo para todos na NBA. Apenas seu irmão, Jarron, que também atua como pivô na liga, sabia de sua condição:

“Quando eu era mais jovem eu namorei mulheres e até fiquei noivo. Eu pensei que eu tinha que viver ‘do jeito certo’. Eu pensei que eu precisava me casar com uma mulher e criar filhos com ela. Eu continuei dizendo a mim mesmo que o céu estava vermelho, mas eu sempre soube que era azul”, recordou.

Ataque à maratona de Boston motivou revelação

Collins apontou o recente atentado à maratona de Boston como um dos fatores que lhe fizeram decidir por assumir-se como gay. Segundo ele, o episódio lhe fez ver que nem sempre se pode esperar o momento ideal para se assumir:

“A recente bomba na Maratona de Boston reforçou a noção de que eu não deveria esperar que as circunstâncias de revelação fossem perfeitas. As coisas podem mudar em um instante, então por que não viver a verdade?”, questionou.

Com o debate em torno dos direitos dos homossexuais respaldado pelo presidente Barack Obama durante sua cerimônia de posse, parte da sociedade americana demonstrou estar preparada para superar preconceitos. Para o pivô, atualmente sem equipe, esse momento torna mais fácil sua situação:

“Eu vou contra o estereótipo gay, e é por isso que eu acho que um monte de jogadores ficarão chocados: Esse cara é gay? Mas eu sempre fui um jogador agressivo, mesmo no Ensino Médio. Tenho 34 anos de idade. Sou negro. Sou gay”, desabafou.

Ídolos do basquete apoiam decisão

Diversos jogadores da NBA vieram a público através das redes sociais demonstrar apoio incondicional à atitude de Jason Collins. O astro Kobe Bryant, ala-armador do Los Angeles Lakers, disse estar orgulhoso:

“Orgulho de Jason Collins. Não esconda quem você é por causa da ignorância dos outros”, afirmou o ícone no Twitter.

Seu companheiro de Los Angeles Lakers, o armador canadense Steve Nash, também comemorou a revelação:

“O tempo chegou. Máximo respeito”, afirmou.

Outro a elogiar a postura de Collins foi o armador Baron Davis, que teve passagens por Golden State Warriors, Los Angeles Clippers, Cleveland Cavaliers e New York Knicks:

“Estou tão orgulhoso por meu irmão Jason Collins estar sendo real”, postou no Twitter. 

(Jornal do Brasil)

Padre que apoia gays anuncia afastamento e critica Igreja Católica

padre

Centenas de fiéis de Bauru (SP) lotaram a igreja na manhã deste domingo (28) para assistir à missa de despedida do padre que se afastou de suas funções após declarações de apoio aos homossexuais.

Conhecido por contestar os princípios morais conservadores da Igreja Católica, Roberto Francisco Daniel, 48, conhecido como padre Beto, havia recebido um prazo do bispo diocesano, Dom Caetano Ferrari, 70, para se retratar e “confessar o erro” cometido em declarações divulgadas na internet.

Em um vídeo publicado no site Youtube, o padre admitiu a possibilidade de existir amor entre pessoas do mesmo sexo, inclusive por parte de bissexuais que mantêm casamentos heterossexuais. Ele também questionou dogmas da Igreja.

Ontem, dois dias antes do prazo estabelecido pelo bispo para a retratação, padre Beto anunciou que iria se afastar de suas funções religiosas e convocou a missa de despedida para hoje.

Na missa, o padre falou sobre amor e coerência e afirmou que para “Jesus Cristo não existia preconceito”.

“Jesus amava os seres humanos independentemente da condição social, da raça e da sexualidade”, disse o religioso.

A missa de despedida lotou a Igreja Santo Antônio, no Jardim Bela Vista, bairro tradicional de Bauru.

Em torno de mil pessoas ocuparam os bancos e ficaram em pé nas laterais.

O padre foi aplaudido de pé no final da missa e aclamado quando percorreu o corredor de saída da igreja pela última vez. Muitos fiéis choraram e, em seguida, formaram fila para cumprimentá-lo na porta.

Um dos mais emocionados era o pai  de santo umbandista Ricardo Barreira, que assistiu à celebração vestido de branco e chorou muito.

“Não sou católico, mas o padre Beto sempre me representou. Agora mais ainda”, disse. O umbandista recebeu o apoio do padre quando disputou a eleição para vereador.

Beto vai entregar seu pedido de “desligamento do exercício dos ministérios sacerdotais” nesta segunda-feira para o bispo. Ele garantiu não ter planos para o futuro, mas disse que poderá se reunir com seus seguidores para sessões de orações.

Procurado pela reportagem, o bispo preferiu esperar o recebimento do pedido para comentar a decisão.

Fonte: uol.com.br

Igreja evangélica gay inaugura seu primeiro templo em São Paulo

Templo da igreja gay no Rio de Janeiro. (Foto divulgação)

Templo da igreja gay no Rio de Janeiro. (Foto divulgação)

Com cultos às 19h nos domingos, será aberta em São Paulo a primeira igreja gay na cidade. O templo será inaugurado neste final de semana. A Igreja Cristã Contemporânea está localizada na zona leste paulista, com uma área de 700 metros quadrados. Fundada em 2006, a igreja já possui templos nos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais.

 

 

A inauguração do templo está marcada para o próximo sábado, 27 de abril, mas um primeiro culto já foi realizado no inicio do mês. O templo de São Paulo está localizado no bairro Tatuapé. Com o slogan “Levando o amor de Deus a todos, sem preconceitos”, a igreja é conhecida por defender a causa homossexual.

 

 

Além de eventos como balada gospel – onde bebidas alcoólicas não são permitidas -, serão promovidos grupos de apoio para adoção. “A gente apoia a questão da família, de adoção. Eu e o meu companheiro temos dois filhos, um de nove e um de dez anos”, disse Fábio Inácio de Souza, um dos fundadores e pastores, para a Folha de São Paulo.

 

 

“A Igreja Cristã Contemporânea não é uma ‘igreja gay’, somos inclusivos (e não ‘exclusivos’), fato que nos impulsiona a pregar o Evangelho a todas as pessoas, sem preconceitos. Inegável, entretanto, um real comprometimento no acolhimento de homoafetivos, já que foram marginalizados e condenados a uma vida de opressão e distanciamento dos planos e propósitos do Senhor pela própria comunidade cristã”, informa o site sobre a igreja.

 

 

Atualmente, a Igreja Contemporânea tem 1.800 membros em todo Brasil. São seis templos no Rio de Janeiro e um em Minas Gerais.

 

 

A Igreja Cristã Contemporânea foi fundada pelo pastor Marcos Gladstone em 2006, no Rio de Janeiro. Ele é casado desde 2009 com o pastor Fábio Inácio de Souza e segundo o site da igreja eles se identificam como o primeiro casal de “pastores evangélicos a realizarem um enlace matrimonial homoafetivo no país”.

 

 

“O pastor Marcos teve um encontro com Deus no alto de uma colina onde o Espírito Santo lhe revelou que a sua orientação sexual era algo que jamais poderia fugir, já que tinha sido o próprio Deus que o havia lhe constituído para ser daquela forma”, conta o site sobre a história de seu fundador.

 

 

“Como nunca antes no país, sem medo de mostrar a face e dizer o que eram, o pastor Marcos acompanhado do seu companheiro, o pastor Fábio, enfrentaram os algozes (Gigantes Golias) da homofobia evangélica, pastores, igrejas, parlamentares da bancada evangélica”, complementa o texto sobre a história da Igreja Cristã Contemporânea.

 

 

A igreja é adepta da Teologia Inclusiva que não condena o homossexualismo como pecado e “afirmando que o praticante da homossexualidade será salvo mesmo sem deixar esse pecado”, segundo já criticou em artigo o pastor Ciro Zibordi.

 

 

Em São Paulo, também há a Comunidade Cidade de Refúgio, liderada por um casal de pastoras lésbicas.

 

 

(Giana Guterrs, via Christian Post)

Ex-gay, pastor e deputado pelo PSB afirma que seca no Nordeste é o avanço da homossexualidade

isidorio

O pastor Sargento Isidório (PSB), deputado estadual na Bahia, polemizou ao afirmar que a seca no Nordeste, considerada a pior dos últimos anos, é consequência do avanço do pecado.

Isidório é responsável pela Fundação Doutor Jesus, um centro de reabilitação voltado para dependentes químicos e localizado em Candeias, região metropolitana de Salvador.

Identificando-se como “ex-homossexual, ex-drogado e ex-bandido”, o pastor concedeu entrevista ao Bahia Notícias e afirmou que ficou insatisfeito com a nota de repúdio que seu partido emitiu contra o pastor Marco Feliciano (PSC-SP), por conta das declarações polêmicas feitas a respeito da África e dos homossexuais.

A nota, segundo o pastor, seria de responsabilidade dos “viados e viadas lá dentro [da direção do partido]“, e que a presidente estadual do PSB, senadora Lídice da Mata, seria uma das incentivadoras dessa postura: “Ela é de Oxum e eu sou de Jesus. Eu também já fui de Oxum quando era homossexual”, revelou, antes de ressaltar não temer represálias dos colegas de partido: “Se essas desgraças [partidos] prestassem, eram inteiros”.

O pastor afirma que a homossexualidade é uma “afronta” a Deus, e isso o estaria irritado, a ponto de Ele impor castigos à humanidade, como a seca no Nordeste do Brasil, as enchentes no Sudeste, os atentados terroristas em Boston e a ameaça de guerra da Coreia do Norte.

Para ele, líderes mundiais deveriam medir suas declarações a fim de evitar mais catástrofes: “A Bíblia fala que, se nos últimos tempos se multiplicasse a iniquidade, aconteceria esses fenômenos. Foi só Barack Obama começar a falar em casamento gay que o bicho começou a pegar, atentado em Boston, ameaça de Coreia do Norte”, enumerou, segundo o jornal A Tarde.

No entanto, o pastor Sargento Isidório afirma que apesar de seu abandono à homossexualidade, ainda precisa se policiar para evitar a tentação: “O pastor é humano. Claro que eu tenho medo de recaída. Eu não posso ficar junto de um homem muito tempo porque a carne é fraca”, avisou.

Por Tiago Chagas, para o Gospel+

Mais de 40 milhões se prostituem no mundo, diz estudo

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Mais de 40 milhões de pessoas no mundo se prostituem atualmente, segundo um estudo da fundação francesa Scelles, que luta contra a exploração sexual. A grande maioria (75%) são mulheres com idades entre 13 e 25 anos.

O relatório analisa o fenômeno em 24 países, entre eles França, Estados Unidos, Índia, China e México e diz que o número de pessoas que se prostituem pode chegar a 42 milhões no mundo. O estudo revela ainda que 90% delas estão ligadas a cafetões.

O documento também analisa a questão da exploração sexual por redes de tráfico de seres humanos. De acordo com o relatório, o maior número de vítimas está concentrado na Ásia, que representa 56% dos casos.

Exploração de crianças

A América Latina e os países ricos registram, respectivamente, 10% e 10,8% do tráfico de pessoas para atividades ligadas ao sexo, afirma o “Relatório Mundial sobre a Exploração Sexual – A prostituição no coração do crime organizado”, publicado em um livro.

E quase a metade das vítimas de redes de tráfico humano são crianças e jovens com menos de 18 anos.

“Essa é uma das características da prostituição nos dias de hoje: um grande número de crianças é explorada sexualmente”, diz o documento. Estima-se que 2 milhões de crianças se prostituam no mundo.

Tráfico de mulheres brasileiras

O juiz Yves Charpenel, presidente da Fundação Scelles, diz que não há dados suficientes para avaliar o aumento da prostituição no mundo.

“O elemento marcante, na Europa, é a multiplicação de prostitutas vindas de países diversos, normalmente controladas por quadrilhas que as fazem circular por todo o continente”, afirma.

O estudo da fundação francesa afirma, com base em dados da agência da ONU contra as drogas e o crime, que o tráfico de mulheres brasileiras na Europa estaria aumentando. O documento não revela, no entanto, números em relação a esse crescimento.

“Essas vítimas são originárias de comunidades pobres do norte do Brasil, como Amazonas, Pará, Roraima e Amapá.”

“Se a maioria das prostitutas na Europa são de países do leste europeu e de ex-repúblicas soviéticas, a predominância desses grupos parece estar diminuindo no continente”, diz o relatório, acrescentando que paralelamente a isso o número de brasileiras estaria aumentando.

Em dezembro passado, a polícia espanhola desmantelou uma quadrilha internacional de prostituição que mantinha dezenas de menores brasileiras sob cárcere privado.

Eventos esportivos e prostituição

O estudo também afirma que grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo de futebol e os Jogos Olímpicos, contribuem para agravar o fenômeno da prostituição.

“Futebol e Olimpíadas são identificados como os cenários mais comuns da exploração sexual”, afirma o relatório.

Segundo o texto, essas grandes competições internacionais permitem que as redes criminosas “aumentem a oferta” de prostitutas.

Na África do Sul, por exemplo, 1 bilhão de camisinhas foram encomendadas pelas autoridades para enfrentar eventuais riscos sanitários durante a Copa do Mundo em 2010.

O número de prostitutas no país, estimado em 100 mil, aumentou em 40 mil pessoas durante o evento.

Internet

Segundo a Fundação Scelles, a internet também contribui para ampliar a prostituição no mundo.

“As redes de cafetões agora recrutam pessoas em redes sociais como Facebook e Twitter”, diz o estudo, citando um caso na Indonésia em que as autoridades prenderam suspeitos de aliciar jovens estudantes no Facebook e no Yahoo Messenger.

Nos Estados Unidos, a maioria das menores prostitutas são recrutadas por cafetões no site Craiglist, de anúncios, diz o estudo.

“Os cafetões fazem falsas propostas de trabalho como manequim e utilizam as vítimas para recrutar outras jovens.”

(Daniela Fernandes, de Paris para a BBC Brasil)

Rede Record proíbe matérias com Daniela Mercury e Marco Feliciano

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Bahia 247

Depois de a rádio CBN Salvador (Rede Globo) tirar do ar (sem explicar, até então) programa apresentado pela jornalista Malu Verçosa, a Record fez comunicação interna para a produção não mencionar em hipótese sua esposa, a rainha do axé, Daniela Mercury.

Segundo nota da coluna Ooops!, do UOL, orientação à emissora partiu da Igreja Universal, que vetou também matérias com o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, deputado Marco Feliciano (PSC-SP), que é considerado homofóbico.

A emissora baixou uma norma “informal” na casa, mas que vale para todos os apresentadores e programas. É proibido fazer comentários ou “análises” sobre a recente “saída de armário” de Daniela Mercury.

Ainda de acordo com a coluna, a ordem é esquecer o assunto e não ficar levantando a bola do universo gay na emissora.

Homem gay enfrenta pastor homofóbico em metrô e é aplaudido

Homem gay enfrenta pastor homofóbico em metrô e é aplaudido (Foto: Reprodução / Vídeo)

Homem gay enfrenta pastor homofóbico em metrô e é aplaudido (Foto: Reprodução / Vídeo)

Quem nunca se deparou com pessoas pregando ideais religiosos em pleno transporte público?

Pois bem, um pastor resolveu entrar em um vagão de metrô em Nova York para dizer que ser gay é errado. O que ele não esperava era encontrar um homem gay no caminho, que não topou ouvir aquelas besteiras contra a homossexualidade calado.

Sem revidar com ofensas, mas com educação e civilidade, ele chamou o pastor de “falso profeta” que “ensina o ódio” e é “cheio de medo”! A atitude do rapaz foi aplaudida pelos outros passageiros do metrô.

Confira abaixo trecho da conversa.

Pastor: “Vocês veem o que estou dizendo? Você não pode aceitar dois homens juntos. E eles não tem seios, têm pênis. Dois homens tem pênis”

Rapaz: “Eu sou um homem. Eu sou um homem bom. E gay. E Jesus me ama”

Pastor: “Homem gay não. Você é uma bicha. Se eu não fosse pastor e visse você, e não sendo da igreja, eu pegaria minha escopeta”

Rapaz: “Não, essa não é a era do ódio. Jesus me ama. Jesus me ama”

Assista abaixo ao vídeo legendado

Pedro Ferraz, em seu blog. Edição: Pragmatismo Politico

Jovem que se jogou de torre em Porto Velho era gay e rejeitado por família evangélica

Saulo de Assis Lima passou pelo menos nove horas na torre (Foto: Reprodução / Rondônia em Pauta)

Saulo de Assis Lima passou pelo menos nove horas na torre (Foto: Reprodução / Rondônia em Pauta)

“Esse rapaz que se matou, Saulo, foi meu aluno aos 15 anos em 2005. Que saudades, aluno simples, quieto, porém sempre perguntava a mim por que eu era tão grandona. A família dele o expulsou de casa por ser aidético e por ter sido homossexual. Certa vez na estrada de ferro Madeira Mamoré ele me disse que estava cansado de viver e que pedia todos os dias para que Deus o levasse. A família dele, evangélica, não aceitou sua vida e virou as costas para ele. Quem o ajudava era uma amiga que foi embora para outra cidade. Descanse em paz, Saulo”, escreveu no Facebook a professora Victoria Angelo Bacon.

Saulo de Assis Lima, 23 anos, morador do bairro Nacional, na capital, que , na manhã de sexta-feira, 19, subiu numa torre de telefonia e internet no bairro Liberdade e passou parte do dia ameaçando se matar. Ele cumpriu a ameaça à tarde, quando pulou para a morte após se desvencilhar de um dos bombeiros que tentava salvá-lo. O jovem passou pelo menos nove horas na torre. Por volta das 16 horas, se jogou de uma altura de cerca de 70 metros e morreu na hora.

com Rondônia em Pauta

VÍDEO MOSTRA JOVEM GAY SE JOGANDO DE TORRE EM PORTO VELHO

pulo

Saulo de Assis Lima,  23 anos, o jovem gay que se jogou de uma torre de telefonia celular na tarde da última sexta-feira (19/04) em Porto Velho. O rapaz empurrou homens do Corpo de Bombeiros e depois se jogou para a morte.

A sequência de imagens, capturada pela RONDONIAGORATV mostra o intenso trabalho dos Bombeiros, que seguram o pé de Saulo. O homem empurra e pula para a morte.

CONFIRA O VÍDEO A SEGUIR:

(Portal Rondônia Agora)

 

São Paulo ganha igreja evangélica gay

igreja gay

São Paulo – A exposição midiática das posições defendidas pelo deputado Marco Feliciano(PSC-SP) não impediu a expansão de uma corrente evangélica defensora dos homossexuais. Formada por dois pastores casados entre si, a Igreja Cristã Contemporâneainaugura neste fim de semana sua primeira sede em São Paulo. Diferentemente de outras agremiações, ela é francamente favorável aos direitos homossexuais, inclusive na adoção de filhos.

Sob o slogan “levando o amor de Deus a todos, sem preconceitos”, a Igreja foi formada pelo pastor Marcos Gladstone em 2006, no Rio de Janeiro, sob a tutela da chamada “teologia inclusiva”, que vem crescendo nos últimos anos com representantes em vários estados.

Marcos é casado com o pastor Fábio Inácio desde 2009. O casal se identifica como o primeiro de “pastores evangélicos a realizarem um enlace matrimonial homoafetivo no país”, segundo o site oficial da igreja.

Eles têm dois filhos, de 9 e 10 anos. Um vídeo no YouTube mostra a história do casal.

Hoje, são seis unidades da Igreja Cristã Contemporânea no Rio de Janeiro, uma em Belo Horizonte e agora esta, em São Paulo. Na capital paulista, ela vai concorrer com a Comunidade Cidade de Refúgio, comandada por um casal de pastoras lésbicas.

A sede da igreja de Marcos e Fábio é localizada no bairro do Tatuapé. Um culto já foi organizado ali no dia 7 de abril e continuará por lá todos os domingos.

Já o rótulo de “igreja gay” é negado pela congregação.

“O maior número de homossexuais na igreja se dá em razão, simplesmente, destes serem banidos das outras igrejas”, afirma a entidade, ao explicar os valores da congregação.

Apesar da expansão, a teologia inclusiva não é consenso entre evangélicos. Um pastor já chegou a dizer que se trata de um “evangaylho”.

(Exame Online)

Parlamento francês aprova casamento e adoção para homossexuais

casamentos homosexuais

Andrei Netto – Estadão Online

PARIS – O parlamento da França aprovou em definitivo o projeto de lei que cria o casamento homossexual. Por 331 votos a favor contra 225 contra, os deputados também autorizaram que casais gays adotem filhos. Com o voto na Assembleia Nacional, o país se torna o 14o do mundo e o nono da Europa a reconhecer a igualdade de direitos entre hétero e homossexuais, 12 anos após a Holanda, pioneira no tema.

Apesar da vitória dos socialistas, liderados pelo presidente François Hollande, a oposição promete acionar o Conselho Constitucional para contestar o texto.

Desde 1999, casais homossexuais já podiam registrar o Pacto de Civil de Solidariedade (Pacs), versão local da união civil estável. Só a partir da promulgação da lei, porém, gays terão as mesmas garantias jurídicas que os homossexuais, como direito a benefícios sociais e à herança em caso de morte do cônjuge.

A votação no parlamento encerrou seis meses do mais polêmico debate político na França depois da reforma da Previdência Social realizada pelo governo de Nicolas Sarkozy, em 2010. Desde novembro, ONGs conservadoras, a maior parte ligadas à Igreja Católica, lançaram uma campanha de marketing que levou às ruas de Paris centenas de milhares de manifestantes.

Apesar da mobilização, em todas as pesquisas de opinião sobre o assunto feitas por diferentes institutos de pesquisa desde 2004 a maioria dos franceses se disse a favor da igualdade de direitos, independente de suas opções sexuais. Na mais recente delas, do instituto BVA, 58% dos entrevistados se disse a favor do casamento gay, enquanto 41% afirmou ser contrário. Por outro lado, uma maioria (53%) se disse contra a adoção, contra 45% a favor.

Ontem, instantes após a votação na Assembleia Nacional, a ministra da Justiça, Christiane Taubira, foi ovacionada em discurso que lembrou dois adolescentes agredidos no interior do país por um grupo homofóbico nesta semana. “A responsabilidade do poder público é lugar contra as discriminações”, disse ela, dirigindo-se aos jovens gays. “Aos adolescentes deste país que viveram um sofrimento imenso, quero dizer que cada um de nós é único. Esta é a força da sociedade. Se vocês foram tomados pela desesperança, levantem a cabeça!”

Já Frigide Barjot, a líder das ONGs que se opuseram à lei nos últimos meses, foi vaiada e interpelada por militantes favoráveis ao projeto de lei, que a acusaram de ser “racista, nazista e fascista”. Há 10 dias, ela afirmara que o governo Hollande “teria sangue” se persistisse, enquanto grupos homofóbicos realizaram manifestações violentas pelo país. Sem falar aos jornalistas, Frigide respondeu via Twitter. “Não é um problema que uma lei suscite tanto ódio e violência entre seus simpatizantes?”, questionou.

Política. Embora Hollande tenha vencido a queda de braço, o casamento homossexual vem sendo interpretado por analistas políticos como divisor de águas no país. Para o presidente, a aprovação representa uma vitória no momento em que sua popularidade é a mais baixa da história – em torno de 28% de opiniões favoráveis. Para a oposição, os seis meses de polêmica marcaram a forte aproximação entre a União por um Movimento Popular (UMP), de centro direita, do ex-presidente Nicolas Sarkozy, e a Frente Nacional (FN), de extrema direita, da família Le Pen, que juntos encarnaram uma espécie de Tea Party francês. Para o cientista político Jean-Yves Camus, porém, a aproximação carece de um líder claro que possa unir os dois partidos e construir uma alternativa política. / Com EFE

Jackie Chan “sai do armário” em campanha pela liberdade sexual

JACKIE CHAN NÃO MORREU NOTÍCIA É FALSA

O ator Jackie Chan também “saiu do armário”. Bem humorado, o chinês participou de uma ação do grupo GLAAD (Aliança Gay e Lésbica contra a Difamação, em inglês), que combate o preconceito e promove o respeito à diversidade sexual.

Durante as gravações, o ator teve a ideia de fazer um trocadilho com o termo e, literalmente, sai do armário, sorrindo. Em seguida, o ator diz: “Eu sou Jackie Chan. Eu estou saindo do armário por aqueles que lutam pela igualdade”.

Antes da ação de abrir as portas do armário, Jackie diz que “não basta falar sobre aqueles que lutam pela liberdade e pela igualdade”, reforçando que ele “está com essas pessoas e quer que elas lutem”. O ator diz ainda uma frase de duplo sentido. “Acreditem em mim. Eu luto muito”, brinca.

Este não é o primeiro artista a participar da campanha. Atores como Jason Alexander, Jamie King, Tamala Jones, Sarah Shahi e Kristen Johnston também participaram de ações do GLAAD.

Confira o vídeo da campanha:

(Correio da Bahia)

SUS reduz idade para troca de sexo e para uso de hormônios

Fota de Ariadna antes e depois da cirurgia. (Fonte: Twitter)

Fota de Ariadna antes e depois da cirurgia. (Fonte: Twitter)

O Ministério da Saúde vai reduzir de 21 para 18 anos a idade mínima para que um transexual possa fazer cirurgia de mudança de sexo na rede pública e de 18 para 16 a idade para início do tratamento hormonal e psicológico. Também passará a pagar a operação de troca de sexo feminino para masculino – o que ainda não era contemplado. Antes mesmo de ser publicada, a nova norma já causa polêmica.

A portaria, que será publicada nesta semana no Diário Oficial da União, vai incluir o pagamento de cirurgias para retirada de mamas, útero e ovários, além da terapia hormonal para crescimento do clitóris. O investimento inicial será de R$ 390 mil por ano. A cirurgia para construção do pênis (neofaloplastia) não será paga, pois a técnica ainda é considerada experimental pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

“Desde 2008, somos um dos únicos países do mundo a ofertar o tratamento para transexuais de maneira universal e pública. O salto agora é aumentar o acesso e ampliar a oferta de serviços que fazem a cirurgia, além de autorizar o acompanhamento em unidades ambulatoriais”, diz José Eduardo Fogolin Passos, coordenador-geral de média a alta complexidade do Ministério da Saúde.

O grupo técnico que cuidou da revisão da portaria chegou à conclusão de que a idade mínima para a realização da cirurgia de mudança de sexo é de 18 anos. Como o pré-requisito é ter feito ao menos dois anos de acompanhamento psicológico, foi necessário diminuir para 16 a idade para início do processo. E é exatamente essa redução que dividiu opiniões.

Para a médica Elaine Costa, do Ambulatório de Transexualismo do Hospital das Clínicas de São Paulo, a medida é correta. “O paciente que é trans aos 18 anos vai continuar trans aos 21. Exigir que a cirurgia só possa ser feita aos 21 vai aumentar em três anos o sofrimento dele. É totalmente desnecessário.”

A pesquisadora Regina Facchini, do Núcleo de Estudos de Gênero da Unicamp, segue o mesmo raciocínio. “Quanto mais cedo esse paciente tiver acesso ao tratamento hormonal, melhor será para ele. A maioria se reconhece transexual muito cedo, ainda na adolescência. E, se ele não for acolhido e receber orientação e acompanhamento adequados, vai comprar hormônio clandestinamente.”

Cautela
Já Diaulas Ribeiro, promotor de Justiça de Defesa dos Usuários da Saúde do Distrito Federal e pioneiro na luta pelos direitos dos transexuais, critica a redução da idade para início do tratamento e da cirurgia. Para ele, o governo deveria ser mais prudente.

“O jovem de 16 anos pode ser emancipado para fins civis. Meu medo é o índice de arrependimento que pode surgir, já que o diagnóstico, em geral, é fechado com mais idade. Sou contra iniciar a terapia hormonal aos 16, pois se trata de um procedimento definitivo. Se a pessoa quiser desistir, não tem mais como voltar atrás”, avalia.

Uso de hormônio 
Adolescentes com Transtorno de Identidade de Gênero (TIG) poderão ter direito ao tratamento hormonal para mudança de sexo a partir dos 16 anos. É o que afirma parecer do Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgado recentemente, solicitado pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo. No Brasil, esse tipo de tratamento só era iniciado em jovens com o transtorno a partir dos 18 anos. O Hospital das Clínicas de São Paulo deve começar o atendimento em junho deste ano e será o primeiro do País.

Segundo a Defensoria Pública de SP, as portarias existentes sobre o tema – uma federal e outra estadual – não determinam a idade mínima necessária para o início do tratamento. A partir de agora, e com o parecer, que é uma orientação do ponto de vista médico e ético, pode-se exigir da administração pública a concessão do tratamento aos adolescentes.

A defensora pública e coordenadora do Núcleo de Combate à Discriminação, Vanessa Alves Vieira, informa que muitos adolescentes, sem acesso ao tratamento, acabavam por fazer o uso ilegal de hormônios. De acordo com o parecer da CFM, o jovem deve ter direito ao tratamento de forma irrestrita,o que inclui a rede pública de saúde, em centro especializado. Ainda segundo o documento, a primeira etapa do tratamento – sem o uso de hormônios – pode ser iniciada já aos 12 anos.

O Transtorno de Identidade de Gênero é verificado em pessoas que nascem em um sexo biológico, mas fazem um esforço para mudar o gênero porque não se sentem pertencentes a ele. “Esse transtorno muito provavelmente vai se transformar em transexualismo na vida adulta”, explica o psiquiatra e coordenador do Ambulatório de Transtorno de Identidade de Gênero e Orientação Sexual (Amtigos) do Instituto de Psiquiatria do HC, Alexandre Saadeh. Apesar de estar no corpo de um determinado gênero, o adulto, adolescente ou criança se vê como pessoa do sexo oposto e, então, busca tratamentos e cirurgias para isso.

Segundo o médico, o diagnóstico do TIG é completamente subjetivo e complexo, com base na história clínica, na vivência do adolescente e na busca constante pela mudança do sexo biológico.

Tratamento
Na primeira fase do tratamento, não há uso de hormônios. Saadeh explica que a partir dos 12 anos é possível apenas fazer um bloqueio (reversível) para impedir o desenvolvimento das características sexuais do gênero biológico. Só a partir dos 16 anos, e se confirmado o TIG, é que tem início o tratamento hormonal para estímulo de características do sexo com o qual a pessoa se identifica.

Para chegar à decisão, o CFM avaliou estudos de centros de referência no assunto de países como Canadá, Estados Unidos, França e Holanda. Entre os benefícios de um tratamento ainda na adolescência, o parecer destaca o maior tempo de avaliação da identidade de gênero pelos adolescentes e por seus médicos. Além disso, quanto mais cedo iniciado, o tratamento pode evitar depressão, anorexia, fobias sociais e até mesmo tentativas de suicídio, que são decorrências dos sofrimentos enfrentados a partir do desenvolvimento das características físicas não desejadas.

De acordo com o estudo, o tratamento hormonal ainda na adolescência descarta a necessidade de cirurgias mais invasivas no futuro. No Brasil, os hormônios só eram autorizados para jovens com mais de 18 anos e os procedimentos cirúrgicos para troca de gênero só são permitidos após os 21 anos.

Ainda de acordo com o médico, o Ambulatório de Transtorno de Identidade de Gênero e Orientação Sexual do HC já tem adolescentes selecionados para o tratamento. “Estamos conversando com o serviço de endocrinologia e provavelmente no mês que vem, ou no máximo em junho, os primeiros adolescentes já devem ser atendidos.”

(Agência Estado)

PSB abre processo contra o deputado Sargento Isidório por declarações contra gays

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O PSB baiano abriu um processo disciplinar contra o deputado estadual Sargento Isidório. O ato, conforme destaca nota enviada à imprensa, se deveu às recentes declarações dadas pelo pastor-deputado, consideradas ofensivas e agressivas. Sargento Isidório, por sua vez, diz que não quis ofender ninguém e aponta a existência de uma “patrulha do pensamento” dentro da sigla.

A presidente do PSB, a senadora Lídice da Mata, disse se surpreender com o comportamento do deputado. “Ninguém pode dizer que é normal a forma que ele vem se referindo à imprensa e à sociedade baiana, usando termos chulos e agressivos. Ele desrespeitou a sociedade, o partido que  o elegeu e a própria Assembleia Legislativa, em que ele está na condição de deputado”, aponta.

Sargento Isidório vem declarando  publicamente  que é contra o casamento gay,  refere-se aos homossexuais como “viadagem” e acredita que  a liberalização dos costumes é responsável por recentes tragédias, como a seca no Nordeste e os atentados em Boston. Ele prega que as relações homoafetivas são “o fim da humanidade”, pois não resultam em procriação.

O PSB entendeu que as falas de Isidório foram feitas de  “forma antiética, utilizando expressões chulas e de baixo calão, para atingir o PSB como conjunto, dirigentes do partido, personalidades da Bahia, em desacordo com princípios do partido e da representação partidária a ele conferida pela população”,  diz um trecho da nota.

Mal-entendido - O deputado tomou conhecimento do processo disciplinar aberto contra ele por meio da reportagem de A TARDE.  Ele afirmou que irá se defender perante a Comissão de Ética da legenda e espera mostrar  que foi mal entendido ou que está sendo vítima da inquisição.

“Eles abriram o processo por quê? Por eu discordar do pensamento de algumas pessoas? Elas querem exterminar a graça que Deus criou. Na hora que é homem com homem, mulher com mulher tem filhos? É o fim da humanidade”, questiona.

Sargento Isidório admite que pode ter usado alguns termos ofensivos, mas não retira suas declarações. “Eu tenho direito de ter o pensamento livre. Se alguma palavra que eu disse ofendeu alguém, eu retiro, peço perdão, mas não mudo o meu pensamento”.

Ele acusa o partido de não lhe de dar cobertura. “Onde já se viu algum partido fazer nota de repúdio, abrir processo disciplinar, antes de chamar alguém para conversar, de dizer que isso aqui está errado? Eles deviam ser justos”.

O primeiro-secretário do PSB, Roberto Hita, faz duras acusações a Isidório. “Ele não tem o direito de cobrar nada do  partido. Ele teve 44 mil votos, quando o coeficiente eleitoral era 100 mil. Precisou dos  votos do partido”. Hita também lembra que o PSB acolheu o sargento após ele ser expulso do PT. “Nós o  aceitamos  quando ninguém mais queria”.

Isidório disse que vai apresentar defesa, até mesmo diante do PSB nacional. “Não quero sair. Mas se por ventura, eu for botado para fora (sic) não posso fazer nada”.

(A Tarde)

Pastor-deputado que se diz ‘ex-gay’ revela: ‘não posso ficar junto de homem’

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Sem medir palavras para evitar polêmicas, o deputado estadual Pastor Sargento Isidório (PSB) tem criado animosidades até dentro do próprio partido que faz parte por conta das suas posições. Responsável pela Fundação Doutor Jesus, centro de reabilitação para dependentes químicos localizado em Candeias, na Região Metropolitana de Salvador, o parlamentar se diz “ex-homossexual, ex-drogado e ex-bandido”.

Ele também afirma ter “quase certeza” de ter sido infectado pelo vírus HIV – embora não haja diagnóstico que comprove a assertiva – e curado “pela fé”. Diante dos protestos que envolvem a permanência do deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) à frente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal, Isidório subiu ao altar e defendeu o colega.

O pastor também ratifica as posições de Feliciano e defende inclusive a afirmação do parlamentar de que “africanos são descendentes amaldiçoados de Noé”.

“A viadagem da África, quando viu dois cabras bons, bonitos, musculosos, saiu atrás. (…) [Por isso], o Pastor Marco Feliciano falava que por causa do pecado lá naquela região onde a pele é mais negra aconteceu a maldição”, interpretou. Ele diz que ficou insatisfeito com nota de repúdio lançada pelo PSB, credita o comunicado “aos viados e viadas lá dentro” e discorda das posições da presidente estadual da legenda, a senadora Lídice da Mata. “Ela é de Oxum e eu sou de Jesus. Eu também já fui de Oxum quando era homossexual”, comparou.

pastor isidoro homofóbico racista

Ao salientar não temer ser expulso da sigla, afirmou que “se essas desgraças [partidos] prestassem, eram inteiros”. Apesar de suas convicções, o religioso ainda titubeia quando volta seus olhos para o mundo terreno. “O pastor é humano. Claro que eu tenho medo de recaída. Eu não posso ficar junto de um homem muito tempo porque a carne é fraca”, estremeceu.

Bahia Notícias

Preconceito? Programa de namorada de Daniela Mercury é retirado do ar por emissora de rádio


maluFoi só Daniela Mercury assumir sua relação homossexual com Malu Verçosa para o programa de rádio da jornalista sair do ar da rádio CBN.

Malu apresentava, ao lado de Andréa Silva e Scheila Anunciação, o programa ‘Salto Alto’ na estação de rádio que pertence às Organizações Globo.

Pouco mais de quinze dias após assumir o relacionamento com a cantora Daniela Mercury e ganhar as capas das principais revistas do país, o programa saiu do ar.

Oficialmente, a CBN, diz que o fim do programa se deve unicamente à “reformulação na programação”. Então, tá.

(Blog do Léo Dias, O Dia Online)

Conheça 4 mitos sobre filhos de pais gays

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Começo de ano é sempre igual na escola de Theodora: cada aluno se apresenta e mostra as fotos da família. Pode ser que a menina da primeira carteira seja filha de um engenheiro e uma arquiteta e o pai do menino de cabelos vermelhos chefie a cozinha de um restaurante. Theodora, naturalmente, vai contar sobre a escola de cabeleireiros dos pais. Dos dois pais – Vasco Pedro da Gama e Júnior de Carvalho, juntos há quase 20 anos.

Theodora não hesita em explicar para os colegas: não mora com a mãe e tem dois pais gays. Ela passou 4 anos num orfanato, até 2006, quando uma juíza de Catanduva, interior de São Paulo, autorizou a adoção. Nos próximos meses, a família vai crescer: o casal espera a guarda de uma nova menina, de apenas alguns meses de idade.

Na outra metade do mundo, a história com pais gays da americana Dawn Stefanowicz foi diferente. Por toda a vida, Dawn conviveu com a visita dos vários namorados do pai. Ele recebia homens em casa, embora ainda morasse com a mãe de Dawn- o casal já não se relacionava. Ela segurou as pontas em silêncio durante a infância, adolescência e início da fase adulta. Mas depois dos 30 se rebelou contra a situação. “A decisão do meu pai de não gostar mais de mulheres mudou minha vida. Os namorados dele sempre o afastaram, e ele colocava o trabalho e os namorados acima de mim”, diz.

Dawn e Theodora fazem parte de um novo tipo de família. Somente nos EUA, segundo estimativa da Escola de Direito da Universidade da Califórnia, 1 milhão de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais criam atualmente cerca de 2 milhões de crianças. E cada vez mais casais gays optam por criar seus próprios filhos. Segundo o mesmo instituto, em 2009, 21.740 casais homossexuais adotaram crianças – quase o triplo do número de 2000. A estimativa é que cerca de 14 milhões de crianças, em todo o mundo, convivam com um dos pais gays. Por aqui, onde mais de 60 mil casais gays vivem numa união estável (reconhecida perante a lei apenas no ano passado), a história é mais recente. O caso de Theodora foi a primeira adoção por um casal gay. E isso não faz tanto tempo assim – só 6 anos.

É justamente por ser tão recente que o assunto gera dúvidas, preconceitos e medos. Quais as consequências na personalidade de uma criança se ela for criada por gays? A resposta dos estudos é bem clara: perto de zero. “As pesquisas mostram que a orientação sexual dos pais parece ter muito pouco a ver com com o desenvolvimento da criança ou com as habilidades de ser pai. Filhos de mães lésbicas ou pais gays se desenvolvem da mesma maneira que crianças de pais heterossexuais”, explica Charlotte Patterson, professora de psiquiatria da Universidade da Virginia e uma das principais pesquisadoras sobre o tema há mais de 20 anos.

Como, então, explicar as queixas de Dawn e a vida tranquila de Theodora? “O desenvolvimento da criança não depende do tipo de família, mas do vínculo que esses pais e mães vão estabelecer entre eles e a criança. Afeto, carinho, regras: essas coisas são mais importantes para uma criança crescer saudável do que a orientação sexual dos pais”, diz Mariana Farias, psicóloga e autora do livro Adoção por Homossexuais – A Família Homoparental Sob o Olhar da Psicologia Jurídica. Enquanto Theodora mantém uma relação próxima dos pais, com conversas abertas sobre sexualidade, Dawn não teve a mesma sorte. Para piorar, ela cresceu em um ambiente ríspido e promíscuo (o pai levava diferentes homens para casa e não lhe deu atenção durante os anos mais importantes de sua formação). Mesmo assim, sobram mitos em torno da criação de filhos por pais e mães gays. Veja aqui o que a ciência tem a dizer sobre eles.

Mito 1. “Os filhos serão gays!”

A lógica parece simples. Pais e mães gays só poderão ter filhos gays, afinal, eles vão crescer em um ambiente em que o padrão é o relacionamento homossexual, certo? Não necessariamente. (Se fosse assim, seria difícil, por exemplo, explicar como filhos gays podem nascer de casais héteros.) Um estudo da Universidade Cambridge comparou filhos de mães lésbicas com filhos de mães héteros e não encontrou nenhuma diferença significativa entre os dois grupos quanto à identificação como gays. Mas isso não quer dizer que não existam algumas diferenças. As famílias homoparentais vivem num ambiente mais aberto à diversidade – e, por consequência, muito mais tolerante caso algum filho queira sair do armário ou ter experiências homossexuais. “Se você cresce com dois pais do mesmo sexo e vê amor e carinho entre eles, você não vê nada de estranho nisso”, conta Arlene Lev, professora da Universidade de Albany. Mas a influência para por aí. O National Longitudinal Lesbian Family Study é uma pesquisa que analisou 84 famílias com duas mães e as comparou a um grupo semelhante de héteros. Ainda entre as meninas de famílias gays, 15,4% já experimentaram sexo com outras garotas, contra 5% das outras. Já entre meninos, houve uma tendência contrária: 5,6% nos adolescentes criados por mães lésbicas tiveram experiências sexuais com parceiros do mesmo sexo – mas menos do que os que cresceram em famílias de héteros, que chegaram a 6,6%. Ou seja, não dá para afirmar que a orientação sexual dos pais tenha o poder de definir a dos filhos.

Mito 2. “Eles precisam da figura de um pai e de uma mãe”

Filhos de gays não são os únicos que crescem sem um dos pais. Durante a 2ª Guerra Mundial, estima-se que 183 mil crianças americanas perderam os pais. No Brasil, 17,4% das famílias são formadas por mulheres solteiras com filhos. Na verdade, os papéis masculino e feminino continuam presentes como referência mesmo que não seja nos pais. “É importante que a criança tenha contato com os dois sexos. Mas pode ser alguém significativo à criança, como uma avó. Ela vai escolher essa referência, mesmo que inconsciente-mente”, explica Mariana Farias. Se há uma diferença, ela é positiva. “Crianças criadas por gays são menos influenciadas por brincadeiras estereotipadas como masculinas ou femininas”, diz Arlene Lev. Uma pesquisa feita com 56 crianças de gays e 48 filhos de héteros apontou a maior probabilidade de meninas brincarem com armas ou caminhões. Brincam sem as amarras dos estereótipos e dos preconceitos.

Mito 3. “As crianças terão problemas psicológicos por causa do preconceito!”

Elas sofrerão preconceito. Mas não serão as únicas. No ambiente infantil, qualquer diferença – peso, altura, cor da pele – pode virar alvo de piadas. Não é certo, mas é comum. Uma pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas com quase 19 mil pessoas mostrou que 99,3% dos estudantes brasileiros têm algum tipo de preconceito. Entre as ações de bullying, a maioria atinge alunos negros e pobres. Em seguida vêm os preconceitos contra homossexuais.

casal gay filhos

No caso dos filhos de casais gays analisados pelo National Longitudinal Lesbian Family Study, quase metade relatou discriminação por causa da sexualidade das mães. Por vezes, foram excluídos de atividades ou ridicularizados. Vinte e oito por cento dos relatos envolviam colegas de classe, 22% incluíam professores e outros 21% vinham dos próprios familiares. Felizmente, isso não é sentença para uma vida infeliz. Pesquisas que comparam filhos de gays com filhos de héteros mostram que os dois grupos registram níveis semelhantes de autoestima, de relações com a vida e com as perspectivas para o futuro. Da mesma forma, os índices de depressão entre pessoas criadas por gays e por héteros não é diferente.

Mito 4. “Essas crianças correm risco de sofrer abusos sexuais!”

Esse mito é resquício da época em que a homossexualidade era considerada um distúrbio. Desde o século 19 até o início da década de 1970, os gays eram vistos como pervertidos, portadores de uma anomalia mental transmitida geneticamente. Foi só em 1973 que a Associação de Psiquiatria Americana retirou a homossexualidade da lista de doenças mentais. É pouquíssimo tempo para a história. O estigma de perversão, sustentado também por líderes religiosos, mantém a crença sobre o “perigo” que as crianças correm quando criadas por gays. Até hoje, as pesquisas ainda não encontraram nenhuma relação entre homossexualidade e abusos sexuais. Nenhum dos adolescentes do National Longitudinal Lesbian Family Study reportou abuso sexual ou físico. Outra pesquisa, realizada por três pediatras americanas, avaliou o caso de 269 crianças abusadas sexualmente. Apenas dois agressores eram homossexuais. A Associação de Psiquiatria Americana ainda esclarece: “Homens homossexuais não tendem a abusar mais sexualmente de crianças do que homens heterossexuais”.

Dá para adotar no Brasil?

A lei de adoção brasileira deixa brechas para a adoção por gays sem fazer referência direta a esse tipo de família. Em 2009, quando houve mudanças na legislação, casais com união estável comprovada puderam entrar com pedido de adoção conjunta, sem o casamento civil. Em maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) garantiu o reconhecimento de união estável entre pessoas do mesmo sexo, fazendo valer também a eles os direitos previstos para casais héteros. Apesar das conquistas, uma pesquisa do Ibope revelou que 55% dos brasileiros são contra a união estável e a adoção de crianças por casais homossexuais.

Para saber mais

Adoção por Homossexuais – A Família Homoparental sob o Olhar da Psicologia Jurídica
Mariana de Oliveira Farias e Ana Cláudia Bortolozzi, Juruá, 2009.

Carol Castro, em Super Interessante

Travestis de Fortaleza na mira do tráfico de pessoas

FOTO ILUSTRATIVA

FOTO ILUSTRATIVA

Uma triste realidade presente no Ceará, o tráfico de seres humanos faz vítimas, tira a liberdade, machuca a alma, dói e até mata. E com a chegada dos megaeventos como a Copa das Confederação e o Mundial de 2014, um grupo estaria mais vulnerável: o de travestis e transexuais que são traficados por falsas promessas, se prostituem, viram reféns de cafetões. Tudo em troca de colocação de próteses e outras cirurgias de embelezamento.

7 casos de tráfico de seres humanos estão sendo investigados, atualmente, no Estado do Ceará, pela Polícia Federal e monitorados pelo Ministério Público Federal

Hoje, pelo menos sete inquéritos sobre tráfico de pessoas estão sendo investigados pela Polícia Federal e monitorados pelo Ministério Público Federal. Desses, um seria contra homossexual. Mas, conforme gestores e entidades, a subnotificação ainda é imensa; mais expressiva que contra mulheres e crianças. A fim de tentar prevenir aumento dos casos, está disponível para consulta pública (no site http://www.sejus.ce.gov.br) as minutas do Plano e da Política Estadual de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas.

Crime

“Todos podem agregar-se à luta contra o crime conhecido com forma moderna de escravidão”, diz a coordenadora do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (NETP) da Secretaria da Justiça e Cidadania do Ceará (Sejus), Lívia Xerez.

Segundo a gestora, esse crime de tráfico (deslocamento das vítimas através do engano, da coação ou do aproveitamento de sua condição de vulnerabilidade com a intenção de explorá-la no destino final, obtendo benefício financeiro e até sexual) é super invisibilizado. “As travestis não se sentem vítimas, é difícil apurar as demandas. Só temos, no nosso Núcleo, um único caso de tráfico envolvendo esse grupo e já foi resolvido. Mas estamos, sim, preocupados, principalmente com a chegada dos grandes eventos como a Copa das Confederação e a do Mundo”, afirma.

Conforme Lívia, a realidade dos homossexuais é mais grave que a exposta na novela ´Salve Jorge´. “Muitos até vão para o exterior sabendo dos riscos, desejando uma vida de glamour, mas quando chegam lá é tudo pior que imaginavam, viram reféns de dívidas, perdem a liberdade e até a vida”. Um caso ainda não esclarecido foi a morte, em 2011 na Itália, do travesti cearense Sérgio Rodrigues.

Atualmente, o Comitê Estadual realiza abordagens quinzenais de orientação. “A gente fala para elas não aceitarem propostas fantasiosas de vidas de rainha no exterior. Isso não existe, nada é de graça. O mercado do sexo é perigoso, viagem sem volta muitas vezes”, afirma Lívia.

A procuradora da República no Ceará, Nilce Cunha, representará a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão no grupo de trabalho que irá monitorar o 2º Plano Nacional. Para ela, há que se priorizar campanhas e fiscalização. “A pauta dos travestis deve ser mais trabalhada por serem um grupo muito vulnerável. Seria interessante também se pudéssemos ter, por exemplo, um posto avançado no Castelão”.

Está disponível para consulta no site http://www.sejus.ce.gov.br minutas do Plano e da Política Estadual de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas

OPINIÃO DO ESPECIALISTA

Estado se mantém em silêncio

Invisibilizado pelo silêncio do Estado e coberto pelo manto algoz da homofobia ou transfobia, assim vai se costurando uma rede e o fenômeno do tráfico de pessoas de travestis e transexuais.

Dentre as questões de fundo sobre o fato, a construção cultural da sociedade, baseadas no machismo e na heterossexualidade como a única forma de sexualidade legítima e “normal”, tudo isso alimentado pelo fundamentalismo religioso – disfarçado de “liberdade de expressão”- propõe a eliminação das pessoas que não estão dentro do “padrão” sócio-religioso.

Pesam também os interesses econômicos de neocoronéis e o projeto de “desenvolvimento” implementados pelos governos nacional, estadual e também municipal.

E assim, o Brasil se tornou no país que mais “exporta”, ou melhor, trafica, travestis para o mundo. Eis a tríplice aliança onde é mais importante investir em obras e eventos do que em vidas! E qual é a repercussão disso na sociedade?

O show de horrores desnudados em insultos, humilhação, assédio moral, tráfico, exploração sexual de adolescentes travestis e assassinatos homofóbicos. No Ceará e em Fortaleza (uma das sedes da Copa do Mundo de 2014), presenciamos a precarização das políticas públicas de saúde, assistência, educação, trabalho e de direitos humanos para esse grupo vulnerável.

O exemplo disso é que já se passaram 100 dias do atual governo municipal e nada se sabe sobre a implementação do Plano Municipal para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis (LGBT) (instituído através da Lei Municipal N° 9995/2012), ressalto que neste Plano (elaborado pelo governo e sociedade civil) existem ações voltadas para a cidadania das travestis e transexuais.

Por fim, é necessário entendermos que o fundamental é o investimento em políticas públicas para que haja sim uma “Vida Leve pelo Trilhar”, ao invés de um “Veículo Leve sobre os Trilhos”, VLT.

Em busca da sua própria existência, é óbvio que muitas das travestis e transexuais vão recorrer outros “sonhos”, esse sonhos impostos pela sociedade, pelo estado e pela Copa do Mundo de 2014.

Assim nos resta apenas o silêncio, o silêncio do Estado e a consequência do Tráfico de Pessoas, de travestis e transexuais.

Luanna Marley
Advogada e integrante da Renap/CE

“Fui refém da cafetina e me prostituí para pagar dívida”

A travesti cearense Bruna (nome fictício) se prostituiu em São Paulo, durante três meses, para pagar dívidas do traslado e implantes FOTO: KLÉBER A. GONÇALVES

Foram três meses sem liberdade alguma, refém de uma cafetina, tendo que trabalhar horas a fio, se prostituir o dia todo para pagar o valor de uma passagem área de Fortaleza para São Paulo. Essa foi a triste sina da travesti cearense Bruna (nome fictício), 25. Mas poderia ser novela de tantas outras Marias, Anas…

“Tive a oportunidade de ir para outro Estado, queria botar silicone, ajeitar o corpo, ficar mais linda. Sabia dos riscos sim, temia muito pela minha vida. Sofri um bocado, penei muito, mas dei a volta por cima e consegui voltar para a minha cidade. Muitos nem voltam, logo morrem”. Algo entristece ainda mais a vida da jovem, uma cegueira que a deixa ainda mais vulnerável.

Apesar de tudo isso, Bruna não se sente tão vítima assim, sabe que foi aliciada, mas acha tudo muito ´comum´ quando se trata de prostituição. “A minha vida sempre foi sofrida mesmo. Nem estranho mais tanto”, diz.

Mas, tudo começou mesmo aos 16 anos quando o menino franzino (sem peito, ainda sem nenhum jeito de mulherão) resolveu tirar um ´trocado´ nas pistas, esquinas e avenidas de Fortaleza, fazendo ponto, ganhando (e perdendo) a vida no duro e também difícil ´Mercado do sexo´. Chega a fazer, hoje, três programadas por noite, custando média de apenas R$30 cada.

Sonhos

Trabalhando nas calçadas da cidade, hoje ela consegue falar com mais naturalidade da sua ´opção´ (ou sina) pela prostituição. “Nem acho tudo tão ruim assim. Eu até me divirto um pouco, mas queria mesmo era sair dessa batalha, quem sabe voltar a estudar”, admitiu.

Apesar dessa história, Bruna não abandona algo tão característico seu: o sorriso. “Eu sei que vai aumentar muito o número de gringos aqui em Fortaleza. Quem sabe eu não arrumo um que se case comigo?”. Atualmente, ela recebe atendimentos sociais por meio da ONG Barraca da Amizade.

Para Andrea Rossati, titular da Coordenadoria de Diversidade Sexual da Secretaria de Cidadania e Direitos Humanos de Fortaleza, há, sim, uma linha muito tênue diferenciando o que seria, realmente, o crime da escolha.

“Sabemos que muitas travestis vão para o exterior por vontade própria, problema é quando sonho de glamour se transforma em pesadelo. Temos orientado muito para que não aceitem qualquer proposta e saibam denunciar quando estiverem perdendo a liberdade”, finaliza Andrea Rossati. O governo federal conta com o Disque 100 de Direitos Humanos.

(IVNA GIRÃO, Diário do Nordeste)

Uruguai legaliza casamento gay em clima de comoção

gay

O Uruguai é agora o 12° segundo país do mundo –  segundo da América Latina depois da Argentina – a aprovar união civil entre pessoas do mesmo sexo. A lei oficializada nesta quarta-feira (11/04) pelo Congresso foi recebida com entusiasmo e comoção, principalmente por casais homossexuais uruguaios que desejam oficializar a relação.

Imagens e reportagens da imprensa uruguaia mostram diversas pessoas aos prantos, comemorando a decisão do governo. “Um dia de festa, promessas, gargalhadas e comoção”, definiu o jornalista uruguaio Leonardo Pereyra, presente no local na hora da votação.

Com placas, fantasias e protestos bem-humorados, centenas de pessoas favoráveis à lei se compareceram no Congresso para acompanhar a decisão do governo.

A partir de agora, o Estado não vai se referir aos casais com a expressão “marido e mulher” e, sim, cônjuges. A Lei de Casamento Igualitário foi aprovada com o voto a favor de 71 dos 92 parlamentares presentes. A aprovação aconteceu graças à parceria entre o bloco governista de esquerda, o Frente Ampla, e a oposição, que contribuiu com significativo número de votos a favor da lei.

“Tenho recebido muitas chamadas de pessoas comovidas. E não consigo imaginar quantas outras não estão também”, afirmou o senador Federico Graña, membro do movimento “Ovelhas Negras”, principal incentivador da lei. 

Além de autorizar qualquer matrimônio, sem distinção de sexo, a medida também permite a adoção de filhos por casais homossexuais. Outro ponto da lei diz que os casais agora terão autonomia para definir qual será o sobrenome da criança. Entre os casais heterossexuais, existia um acordo para utilizar o nome do pai, a menos que a mãe reclamasse o direito.

“Além da questão homossexuaL, essa medida muda o papel e a importância da mulher dentro da família e traz uma discussão sobre as tradições patriarcais”, afirma Graña em entrevista ao portal El Observador.

Um ponto controverso da lei é em respeito ao direito dos filhos adotados reconhecerem paternidade. Por exemplo, um filho DE duas mulheres terá o direito de procurar seu pai biológico caso haja esse desejo. A exceção à regra é quando for utilizado o método de fertilização “in vitro”, em função do sigilo da identidade dos doadores de esperma.

A Igreja Católica se manifestou contrária à decisão. A Conferência Episcopal Uruguaia pediu aos legisladores que se declaram cristãos a não votarem em uma iniciativa que, segundo sua opinião, vai “contra o projeto de Deus”.

A Holanda (2003) foi o primeiro país a aprovar o casamento de pessoas do mesmo sexo. Na sequência, vieram Bélgica (2003), Espanha e Canadá (2005), África do Sul (2006), Noruega (2009), Portugal, Islândia e Argentina (2010) e Dinamarca (2012). Também é reconhecido legislativamente esse direito na Cidade do México e seis Estados dos EUA.

(Ópera Mundi)

Fortaleza já registou cerca de 50 uniões estáveis homoafetivas em 2013

GY

O Brasil tem assistido, nos últimos anos, o surgimento de um novo paradigma jurídico-normativo para a entidade familiar. Desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, em 2011, a união estável entre pessoas do mesmo sexo, a família está sendo vista em suas possibilidades plurais. Em Fortaleza, por exemplo, desde o começo de 2013, foram realizadas cerca de 50 uniões estáveisentre pessoas do mesmo sexo, segundo seis dos 10 Cartórios de Notariado (os que realizam esse procedimento).

A partir do reconhecimento de casais homoafetivos como unidade familiar, essas novas formas de união passaram existir legalmente. Essas são mudanças que estão se consolidando baseadas nos princípios constitucionais de igualdade, liberdade e tolerância. A união estável, no entanto, não tem peso suficiente para mudar o estado civil dos indivíduos envolvidos que, perante a lei, continuavam solteiros.

No começo de março, uma decisão do corregedor-geral da Justiça no Ceará, desembargador Francisco Sales Neto, garantiu que casais homoafetivos poderiam converter suas uniões estáveis em casamentos em qualquer cartório do estado. O casamento civil serve como prova de dependência econômica, entre outros direitos, constituídos para os efeitos administrativos de interesse comum, perante a previdência social, entidades públicas e privadas, companhias de seguro, instituições financeiras e outras similares

Para casar, é necessário apresentar a escritura de união estável e afirmação de que não há impedimentos para o matrimônio, além de opção quanto ao regime de bens e esclarecimento quanto ao sobrenome, podendo qualquer dos contraentes acrescer ao seu sobrenome o do outro. O casal dever apresentar duas testemunhas, com firmas reconhecidas por autenticidade ou firmada na presença do oficial.

No Ceará, ainda é exigido que os casais homossexuais tenham união estável lavrada em cartório antes de obter registro civil de casamento, diferente de outros estados da federação, como São Paulo e Paraná. O tabelião Cícero Mozan Machado, do 7º Notariado, em Fortaleza, acredita em breve uma lei normatizará a questão à nível nacional. Uniões estáveis em Fortaleza podem ser lavradas em 10 notariados.

(Arimatéia Moura, Tribuna do Ceará)

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O blog diálogos políticos é uma iniciativa da Secretaria de Formação do Sindicato dos Bancários do Ceará. Nosso objetivo é possibilitar o intercâmbio de informações entre as pessoas interessadas nos mais diversos temas da conjuntura brasileira.

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. Geógrafo e Funcionário da Secretaria de Formação do SEEB/CE. Atua na CCP-Banco do Brasil e CCV-Caixa. Diretor da AESB e Delegado Sindical do SINTEC-CE.

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"Todo o indivíduo tem direito a liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de expressão". Art.19 da Declaração Universal dos Direitos do Homem, promulgada em 10 de dezembro de 1948.
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