Arquivo da categoria: Sexualidade

A boneca sexual ‘mais perfeita do mundo’

Uma empresa japonesa chamada Orient Industry lançou uma coleção de bonecas sexuais ultrarrealistas que parecem mulheres de verdade.

Batizadas de “Dutch Wives” – esposas holandesas, um termo utilizado no Japão para as bonecas sexuais – de inflável elas não têm nada.

As bonecas são feitas de um silicone de alta qualidade, cujo toque lembra o de uma pele verdadeira, e seus olhos são assustadoramente realistas.

“Sentimos que, enfim, conseguimos criar uma boneca que é indistinguível em relação a uma mulher”, disse o porta-voz da empresa, Osami Seto, ao jornal The Daily Mail.

A Orient Industry trabalha nesse segmento há muito tempo mas, para Osami, faltava ainda evoluir em duas áreas: a pele e os olhos.

Com este lançamento recente, no entanto, eles acreditam que chegaram lá.

A top de linha custa cerca de R$ 14 mil e você pode customizá-la de várias maneiras: altura, cor dos olhos, cabelo, tamanho dos seios, etc.

E, claro, elas vêm com a roupa (ou fantasia) que você escolher.

Além disso, as “Dutch Wives” possuem articulações flexíveis, para você colocá-las na sua posição sexual preferida.

(Diário do Centro do Mundo)

Matheus Sathler: Candidato homofóbico do PSDB causa revolta e vergonha alheia

Defensor da polêmica proposta sobre a criação de um “kit macho” nas escolas públicas brasileiras, o candidato a deputado federal pelo PSDB Matheus Sathler, de Brasília, usa a internet para ampliar o diálogo com os eleitores. Na rede, ele diz que a “desestrutura familiar” leva mulheres a trabalhar fora e que analisa projeto de lei “anti gay” vindo da Rússia. No horário eleitoral desta sexta-feira (22/8), ele chamou atenção, na TV, para as bandeiras da campanha.

O candidato publicou, no Facebook, foto junto a crianças: “a criançada já está sabendo que kit macho é ‘menino só pode gostar de menina e as meninas só de meninos’”. Sathler também se diz contra a presença de mulheres e homossexuais nas forças armadas e policiais. A realidade de mulheres que trabalham fora de casa “deve ser corrigida nas próximas gerações”, de acordo com ele.

Em vídeo publicado no Youtube, o candidato explica que registrou em cartório as principais promessas de campanha, como doar metade dos vencimentos, se eleito, para trabalhos de recuperação de “crianças vítimas do estupro pedófilo homossexual”. “Kit macho” e “kit fêmea” são outras promessas registrada, segundo o vídeo.

Constrangimento no PSDB

As declarações radicais e homofóbicas constrangeram o PSDB. O presidente regional da sigla no DF, Eduardo Jorge, disse que vai proibir Matheus Sathler de usar o horário da legenda para defender essas propostas. “Ele disse umas bobagens, foi chamado pelo partido e se retratou. Já dissemos que retiraríamos a candidatura dele se essa situação persistisse”, afirmou. “A posição do PSDB é de tolerância e de respeito”, garantiu o tucano. O candidato ao Governo do DF, Luiz Pitiman, afirmou que não conhece Matheus Sathler nem tem informações sobre as propostas apresentadas durante o horário eleitoral.

Diretor do Grupo Elos LGBT, Evaldo Amorim disse que vai acionar a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais para enviar uma carta de repúdio ao PSDB. “Esse discurso é um retrocesso na construção de uma sociedade mais igualitária. É absurda essa história de cartilha para ensinar menino a gostar de menina, as coisas não funcionam assim. A orientação sexual é inerente ao ser humano”, acrescenta o militante.

com Correio Braziliense

Projeto na Câmara debate o conceito de família

Do Brasil de Fato

Enquete sobre Estatuto da Família bate recorde de votos e amplia debate na sociedade

Pergunta no site da Câmara mostra que maioria concorda com conceito do texto que considera família como “união entre homem e mulher”; na prática, PL pode restringir direitos de casais homossexuais

Desde o dia 11 de fevereiro, o site da Câmara dos Deputados levou ao ar uma enquete que traz à tona uma reflexão sobre a sociedade brasileira: o conceito de família. A pergunta “Você concorda com a definição de família como núcleo formado a partir da união entre homem e mulher, prevista no projeto que cria o Estatuto da Família?”, tem sido a mais acessada na história do site e, até ontem (30), foi respondida por mais de um milhão e meio de pessoas. Mais da metade dos internautas responderam “sim”, enquanto pouco mais de 43% responderam “não”.

A questão levantada é baseada no texto do PL nº 6583 de 2013, o chamado Estatuto da Família, de autoria do deputado Anderson Ferreira (PR-PE), que define o conceito de família como um “núcleo social formado a partir de uma união entre homem e mulher”. O deputado, que também foi relator do projeto de lei da “cura gay” na Comissão de Direitos Humanos e que deu parecer favorável ao mesmo, argumenta que “a família vem ‘sofrendo’ com as rápidas mudanças ocorridas em sociedade”.

Em debate realizado junto ao relator do PL, deputado Ronaldo Fonseca (Pros-DF), na TV Brasil, em maio, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) rebateu o texto questionando a exclusão das famílias homoafetivas do Estatuto. “Não é por vontade do deputado Ronaldo Fonseca e nem pela bancada de fundamentalistas religiosos da Câmara dos Deputados que os casais homoafetivos (…) vão desaparecer. Eles existem e precisam ser protegidas pelo Estado. Não é por uma visão de mundo estreita e preconceituosa que concebe a família só como aquela do comercial de margarina que as famílias reais, e na sua diversidade, vão desaparecer”, rebateu.

Em 2011 o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, por unanimidade, a união estável homoafetiva. Mas, caso aprovado, o Estatuto da Família pode restringir os direitos jurídicos dos casais homoafetivos como, por exemplo, proibi-los de adotar crianças.

Atualmente, o projeto está sendo apreciado por uma Comissão Especial da Câmara que tem até o final do ano para discutir e aprovar um parecer sobre o mesmo.

A enquete pode ser acessada no site da Câmara.

“A cura da Aids poderia estar naquele avião”

Aqueda do avião da Malaysia Airlines ocorrida nesta quinta-feira, 17, reservou tristes notícias para o mundo da ciência. No voo, estavam cerca de 100 cientistas e ativistas a caminho da Conferência Internacional sobre a Aids, prevista para começar neste domingo (20) na Austrália.

Dentre os mortos, estava o holandês Joep Lange, de 60 anos, reconhecido como um dos maiores especialistas sobre a doença no mundo. O cientista dedicou cerca de 30 anos da sua vida às pesquisas sobre o vírus HIV e à Aids. Ele ficou mundialmente conhecido por defender a diminuição dos custos do tratamento para os países mais pobres. Em anuncio, um professor da Universidade South Wales que havia trabalhado com Lange disse: “Joep tinha um compromisso absoluto com os tratamentos contra o HIV na Ásia e na África”.

Ex-presidente da Sociedade Internacional da Aids (IAS), o cientista estava trabalhando como professor de medicina na Universidade de Amsterdã e era diretor do Instituto de Amsterdã para a Saúde Global e o Desenvolvimento. Em declaração, o atual presidente da IAS falou: “O movimento HIV/Aids perdeu um gigante”.

Pioneiro nas terapias mais acessivas da doença, Lange estava voando para Kuala Lumpur, onde encontraria sua mulher para um voo de conexão à Austrália. Junto dele, estavam cerca de 100 pessoas que seguiam em direção à conferência. Em entrevista a uma rede australiana, Trevor Stratton, um consultor sobre a doença, disse: “A cura da Aids poderia estar a bordo daquele avião, simplesmente não sabemos”.

Via http://revistagalileu.globo.com

Anistia Internacional pede proteção a profissionais do sexo agredidas pela polícia

Jornal GGN - A Anistia Internacional levantou uma ação para a defesa de profissionais do sexo, despejadas e agredidas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. No dia 23 de maio, os policiais invadiram um prédio onde moravam 300 profissionais do sexo, roubaram seus pertences, estupraram-nas, e plantaram evidências para incriminá-las falsamente. A denúncia foi feita por Isabel, nome fictício de uma das profissionais, em uma audiência pública no Rio de Janeiro.

Isabel contou que além do estupro e da extorsão, elas foram detidas sem mandados de interrogatório, sem a possibilidade de acompanhamento de advogados, e tiveram seus apartamentos trancados como “cenas do crime”. O prédio estava sendo fechado por defeitos estruturais, mas somente os andares e residências das profissionais do sexo foram invadidos e barrados.

As 300 mulheres estão hoje sem moradia. Tentando apresentar queixas contra a polícia na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, elas foram negligenciadas, a delegacia recusou-se a registrar as suas alegações.

Depois das denúncias, Isabel foi ameaçada com novas agressões. No dia 21 de junho, ela foi sequestrada por quatro homens, forçada a entrar em um carro e, durante 30 minutos, os homens usaram lâmina de barbear para ferir os braços de Isabel, mostraram fotos de seu filho na escola e mandaram que ela parasse de acusar os policiais e de falar com jornalistas.

Desde a ameaçada, Isabel não voltou para casa e não fala do assunto, com medo de represálias à família.

“A violência, extorsão, detenção arbitrária e despejos ilegais cometidos pelas autoridades brasileiras violam os direitos humanos das profissionais do sexo quanto à integridade física,  segurança pessoal, saúde, habitação e não discriminação. O sequestro, a violência e a intimidação contra Isabel por denunciar a ação policial violam seus direitos humanos – direito à liberdade e segurança pessoal, integridade física, saúde e liberdade de expressão”, disse a nota da Anistia.

A entidade busca, agora, mobilizar autoridades da Secretaria de Segurança Pública do Estado e o apoio da Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro, por meio de cartas enviadas pela população, exigindo a proteção de Isabel e a investigação de seu sequestro, a apuração imediata das denúncias às profissionais e o cancelamento do fechamento ilegal dos apartamentos.

Para mais informações, acesse o site da Anistia Internacional.

Rio Festival Gay de Cinema: a partir de hoje o debate através da sexualidade na tela

Começa nesta quinta-feira (3) e vai até 13 de julho (dia da final da Copa do Mundo) a quarta edição do Rio Festival Gay de Cinema, com mais de cem títulos entre filmes de curta e de longa metragem provenientes de 24 países.

Desta vez, o filme de abertura do evento será um documentário que acompanha dois surfistas gays em uma viagem ao redor do mundo conversando com praticantes do esporte em todos os continentes: Out in the Line-Up.

O filme é baseado na história de David Wakefield, um surfista australiano que foi campeão estadual e que passou 20 anos escondendo sua homossexualidade por medo das reações de outros surfistas. Um dia, ele descobre o site gaysurfers.net, e faz amizade com seu fundador, Thomas Castets, que o encoraja a se declarar gay e que estará na abertura do festival.

No ano passado, o diretor Ian Thomson falou ao Lado Bi, sobre a homofobia no surfe e como seu filme pode ajudar surfistas gays a conciliarem suas paixões por ondas e pessoas do mesmo sexo.

“Certamente a gente torce para que o filme derrube alguns estereótipos e abra o caminho para mais abertura e aceitação. Nossa intenção é iniciar uma conversa que possibilite um futuro em que ser abertamente gay no surfe não seja mais uma questão.”

No entanto, o documentário mostra que a aceitação, de continente para continente, varia. Segundo Thomson, dois surfistas gays que foram entrevistados para o filme na África temiam por suas vidas, caso sua homossexualidade fosse revelada.

O documentário mostra ainda que alguns praticantes abandonaram o esporte por não serem aceitos. E revela ainda outro componente do machismo envolvendo surfistas lésbicas.

“Muitas das surfistas homossexuais com quem conversamos disseram que, como mulheres surfistas, elas costumam ser respeitadas e protegidas pelos surfistas homens das praias que frequentam – contanto que todos pensem que elas são heterossexuais. Depois de saírem do armário muitas reclamaram de serem constantemente agredidas verbalmente, sendo chamadas de ‘sapatonas agressivas’ – especialmente se elas pegavam uma onda melhor, ou surfavam melhor que os homens ao redor. As surfistas profissionais que entrevistamos relataram haver uma pressão gigantesca dos patrocinadores para que elas não agissem como gays, já que isso torna mais difícil conseguir ensaios fotográficos e mais patrocinadores.”

Outros destaques

A programação do festival, que pela primeira vez terá exibições na zona norte do Rio, terá uma competição internacional de longas-metragens (grande parte documentários) que vai receber 14 filmes inéditos, e outra apenas para curtas, com 57 títulos.

Dentre os longas, destacam-se São Paulo em Hi-Fi, do diretor Lufe Stephen, que relata os primórdios da noite gay paulistana (confira a participação do diretor no Lado Bi da Noite); o canadense I’m a Porn Star, que trata dos bastidores do pornô gay, mostrando inclusive que alguns homens héteros aceitam participar desses filmes “porque o cachê é maior”; o filipino-americano What’s the ‘T’?, que acompanha a vida e as convicções de cinco transexuais; o americano Seventh-gay Adventists, que conta a história de três casais de homossexuais que lutam para se manter na igreja adventista; e o argentino Familias por Igual, que mostra depoimentos de casais homossexuais e de filhos criados por eles.

Há também espaço para comédias românticas, como The 10 Year Plan, que conta a história de dois amigos que fazem um pacto: se em dez anos eles não encontrarem um parceiro, se casarão.

Na parte dos curtas, outro destaque para o espanhol Love Wars, uma sátira à franquia Star Wars que conta o romance de dois Stormtroopers na Estrela da Morte. Em meio às batalhas, questões contemporâneas sobre sexualidade são discutidas.

Confira a programação completa no site oficial do festival, que terá sessões dos já consagrados Praia do FuturoHoje Eu Quero Voltar Sozinho e Tatuagem.

 

Serviço

Rio Festival Gay de Cinema 2014

Quando: de 3 a 13 de julho de 2014. Confira os horários das sessões na programação oficial.

Onde: Caixa Cultural Rio (Av. Almirante Barroso, 25 – Centro) – R$4 (inteira).

Centro Cultural da Justiça Federal (Av. Rio Branco, 241 – Centro) – R$12 (inteira).

Instituto Cervantes (Rua Visconde de Ouro Preto, 62 – Botafogo) – R$4 (inteira).

Museu de Arte do Rio (Praça Mauá, 5 – Centro) – Entrada gratuita.

Arena Carioca Jovelina Pérola Negra (Praça Énio, S/N – Pavuna) – R$1.

Arena Caioca Dicró (Rua Flora Lobo – Penha Circular) – R$1.

Mais informações:www.riofgc.com

(James Cimino, via http://www.ladobi.com)

Itália vai incluir prostituição e tráfico de drogas no cálculo do PIB

Do O Globo

ROMA – A Itália vai incluir a prostituição e o tráfico de drogas no cálculo de seu Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos) a partir do ano que vem, para tentar melhorar os números de sua economia. O Instituto Nacional de Estatísticas (Istat) do país anunciou que o resultado incluirá também estimativas sobre o valor do contrabando de cigarros e álcool.

Além de incluir essas atividades no cálculo, os dados de anos anteriores serão ajustados para refletir a mudança na metodologia, informou o Istat. A revisão foi feita de acordo com as regras da União Europeia, informou o instituto oficial italiano

Quatro recessões nos últimos 13 anos levaram o PIB italiano a € 1,56 trilhão no ano passado, 2% menor que em 2001, descontando a inflação no período.

— Apesar de ser difícil de quantificar, é óbvio que haverá um impacto positivo no PIB — afirmou Giuseppe Di Taranto, economista e professor da Universidade Luiss, de Roma.

Colocar o novo procedimento em prática não será fácil, já que as atividades são ilegais e suas movimentações não são informadas ao governo. O Banco da Itália estimou em 2012 o valor da economia do crime em 10,9% do PIB do país.

A Eurostat, instituto de estatísticas da União Europeia, estimou que o impacto na economia italiana seria de 1% a 2% em um ano, um significativo aumento em relação à estimativa do governo de crescimento de 1,3% este ano.

Ainda segundo os cálculos da Eurostat, as nações da região teriam aumento médio de 2,4% do PIB com o novo cálculo. Os maiores aumentos ficariam com a Finlândia e a Suécia, com aumentos de 4% a 5%, seguidas de Áustria, Reino Unido e Holanda, de 3% a 4%.

 

 

 

Travesti é assediada e agredida dentro de ônibus

Não bastasse o assédio, outro passageiro saiu em defesa do abusador “Isso é um viado. Um traveco!” (Reprodução / Facebook)

No caminho para a faculdade, Sofia Ricardo sofreu agressões físicas e verbais por ser travesti. A estudante, que cursa psicologia, estava ontem (15) em um ônibus em Aracaju (SE) quando sentiu um homem a apalpando. Ao reclamar em voz alta, o abusador negou o assédio. Em seguida, ela foi vítima de mais transfobia.

Não bastasse o assédio, outro passageiro decidiu defender o abusador e ofender Sofia. “Você não apalpou uma mulher não rapaz, isso é um viado! Um traveco! Deve tá indo fazer programa!”, gritou o homem. Pela página que possui, Travesti Reflexiva, a estudante contou que as pessoas que presenciavam a cena riram da situação.

Sofia revidou o comentário, afirmando que era travesti e que estava a caminho da faculdade, mas mesmo que fosse prostituta ninguém teria o direito de assediá-la. Nesse momento, o rapaz tirou uma faca da mochila e começou a ameaçá-la. “Ele me mandou descer do ônibus. Segundo ele, ‘ia tirar o demônio do meu corpo’!”. Os passageiros pararam de rir, mas ficaram como espectadores.

“Esperei ele guardar a faca e disse calmamente a ele que o ônibus tinha câmera. Três meninas pediram pra descer do ônibus e ele deu espaço pra elas descerem, aproveitei e desci com elas. Nisso, ele me deu um chute enquanto eu estava no último degrau. Cai no chão. Riram de mim”, narrou Sofia. “Ele – não satisfeito – desceu e deu dois chutes na minha cabeça e disse que meu lugar era ali. No asfalto. Que eu deveria agradecer porque ele não meteu a faca em mim”, relatou.

O lugar onde a estudante caiu era em frente à faculdade que ela estuda, na Avenida Tancredo Neves. Ela feriu as mãos e os joelhos, além de ter seu celular danificado. Uma senhora a ajudou a ligar para sua mãe, que a levou para a delegacia. Sofia realizou o Boletim de Ocorrência, foi à empresa de ônibus para conseguir as gravações e vai fazer perícia no Instituto Médico Legal.

Revista Fórum

Outdoor de site de ‘acompanhantes de luxo’ causa polêmica em Fortaleza

Outdoor fixado antes do viaduto do Makro deverá ser retirado do local até o final desta quinta-feira (8)

Um outdoor fixado na Avenida do Aeroporto, com fotos de garotas anunciadas como “acompanhantes de luxo“, está sendo alvo de críticas por incitar o turismo sexual na Capital. A denúncia foi feita na manhã da última quarta-feira (7), no plenário da Câmara Municipal de Fortaleza, pelo vereador Capitão Wagner (PR).

O cartaz traz o endereço do site onde garotas de Fortaleza e de outros estados podem ser contratadas após se exibirem em um vasto acervo de fotos. A peça publicitária está fixada no local há mais de um mês e tem dividido opiniões entre os moradores do bairro e de pessoas que passam por ali.

O agricultor Clóvis Alves, de 58 anos, se diz contra à fixação do outdoor mas acredita que nada será feito já que, segundo ele, “o Brasil é um pais onde tudo pode né? Então, fazer o que?” Já estudante Gabriel Arruda, tem uma opinião contrária. Ele faz o trajeto onde é possível ver o outdoor todos os dias e fala que não vê nenhum agravante no anúncio “Não tem foto de mulher pelada ali! Nenhuma criança vai saber do que se trata. Então acho que é normal”, esclareceu.

Em pronunciamento na Câmara, Capitão Wagner levou uma foto do outdoor e mostrou-se indignado, já que com a chegada da Copa do Mundo, o anúncio pode insinuar de que em Fortaleza, os turistas que chegassem pelo Aeroporto, logo se deparariam com o cartaz dando ofertas de prostituição e turismo sexual.

Wagner também citou uma campanha veiculada em São Paulo onde mostra uma mulher sentada sobre uma bola, com um mini-short mostrando parte das nádegas e em sua frente, um homem com um calção baixado, dando a ideia da prática de sexo oral.

Lei proíbe

Para o advogado criminalista Ivan Moura, a Prefeitura autoriza o espaço mas não é responsável pelo teor da propaganda. Qualquer publicidade pode ser autorizada, bastando estar em acordo com as leis municipais. O advogado explica que para ser retirada, é preciso que denúnciassejam feitas. “É um crime, não deixa de ser e a prefeitura pode proibir se entender isso”, ratifica. “Mas caso não veja como insulto à prostituição, pode permitir e daí, a retirada dos anúncios do tipo só são feitos mediante denúncias”, explica Ivan.

O advogado e Procurador Federal na Capital José Erivaldo Bezerra, explica que anúncios a exemplo do outdoor fixado na Avenida Carlos Jereissati, incitam a prostituição, o que se caracteriza como um crime.

Datada de 1998, a lei sobre propaganda e publicidade no município de Fortaleza, proíbe no inciso XXII do capítulo III anúncios que “sejam ofensivos à moral, às pessoas, crenças e instituições“.

Seuma tomará providências

Procurada pela nossa reportagem, a Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) disse que uma equipe de fiscais da Célula de Controle da Poluição Visual será enviada ao local para verificar a denúncia de possível ofensa no referido outdoor. Caso confirmada, o responsável será notificado e a placa será removido em até 24 horas.

A reportagem procurou os proprietários do site através de telefones encontrados na internet mas as ligações não foram atendidas.

(Diário do Nordeste)

Candidato contrário ao casamento gay já foi drag queen em boate

Estados Unidos – Um candidato ao Senado americano está envolvido em uma situação bastante embaraçosa para os “bons costumes” que diz defender. Steve Wiles é um candidato conhecido por ser contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo e conservador. Esta semana, porém, foi revelado por um antigo colega que o político foi drag queen em uma boate. Agora ele terá que se explicar aos eleitores.

Político foi drag queen em boate

                                                                                                             Foto:  Reprodução Internet

O caso foi revelado pelo dono da boate onde Wiles trabalhou, a Odyssey. Na época, o político atendia por “Miss Mona Sinclair”, segundo o jornal Winston-Salem Journal .

“Quando vi a foto dele em uma matéria de jornal não tive dúvidas que era ele. Acho que ele é uma mentira”, contou Randy.

O político chegou a ajudar a promover uma das edições do Miss Gay Americano.

Político Steve Wiles como drag queen ‘Miss Mona Sinclair’, em 2000 – Foto: Reprodução Internet

“Independentemente do que eu tenha feito nos meus 20 anos, lembrem-se de votar hoje, votem com os conservadores e orem depois”, falou o político no Facebook.

“Acho que todos têm direito de fazer suas próprias escolhas. Para mim, de um ponto de vista religioso, para minha vida, não era algo que eu queria continuar fazendo”, declarou em entrevista ao site Business Insider .

“É claro que foi embaraçoso, mas você supera e faz de você quem você quer ser e é nesse ponto que estou agora”, completou.

(O Dia)

Travesti engravida amiga para realizar sonho de ser mãe

Casandra posa com o marido (Foto: Reprodução/Facebook)

A travesti Casandra Crash, 54 anos, engravidou de maneira natural uma amiga e fez um acordo para registrar o bebê no nome dela e de seu marido, o stripper Marcelo Poirier, 37, assim que ele nascer. Casandra mora em  Buenos Aires, na Argentina, e alimenta o desejo de formar uma família há muito tempo. 

Em entrevista ao jornal El Clarín, a travesti afirmou que a ideia de conceber o filho desta maneira foi do próprio noivo. “Tinha duas formas de fazer: tirava o meu esperma e alugava um ventre, o que é muito caro e não estava dentro de nossas possibilidades; ou dormiria com uma mulher. Não tive escolha. Elegi uma amiga, liguei pra ela e ela me disse que sim. Não foi fácil. Ficou claro que eu não gosto de mulher. Deu muito trabalho”, afirma.

Casandra disse, ainda, como será o processo para ficar com o bebê: “Não pude fazê-la (a amiga) assinar um papel que o filho é meu. Mas entramos em um acordo. Isso vai ser um processo de adoção. Quando o bebê nascer, eu o adotarei. Como tenho documento feminino e nessa data já estarei casada legalmente, automaticamente passo a ser mãe e o Marcelo, o pai”, completa.

Via http://www.correio24horas.com.br

ONU lança campanha pela igualdade de direitos da população LGBT

reprodução

Brasília – A Organização das Nações Unidas (ONU) lança hoje (28), em São Paulo, uma campanha para promover a igualdade e o respeito aos direitos da população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais). A campanha “Livres e Iguais” é uma parceria com a prefeitura de São Paulo e faz parte das atividades do Mês do Orgulho LGBT de São Paulo.

A intenção é aumentar a conscientização das pessoas sobre a violência e a discriminação homofóbica e transfóbica e promover mais respeito pelos direitos da população LGBT. Segundo a prefeitura, a campanha vai defender a necessidade de reformas legais e na educação pública para o combate à homofobia.

Criada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (Acnudh) em parceria com a Fundação Purpose, a iniciativa foi lançada mundialmente em julho do ano passado e chega agora ao Brasil. Além da campanha, a ONU lançou uma cartilha sobre o tema da campanha, disponível no site da ONU Brasil.

Relatório divulgado no início deste ano pelo Grupo Gay da Bahia mostrou que 312 gays, travestis e lésbicas foram assassinados no Brasil no ano passado, o que representa  uma morte a cada 28 horas, em média. Só em janeiro deste ano, segundo a organização, 42 pessoas da população LGBT foram mortas no país.

De acordo com o grupo, o Brasil é o campeão mundial de crimes homotransfóbicos: 40% dos assassinatos de pessoas LGBT ocorreram no país. Pernambuco (34 mortes) e São Paulo (29 mortes) foram os estados onde esses crimes mais ocorreram.

Um relatório sobre violência homofóbica divulgado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, com dados referentes a 2012, revelou que o número de denúncias de violência homofóbica cresceu 166% em relação ao ano anterior, saltando de 1.159 para 3.084 registros. O número de violações de direitos humanos relacionadas à população LGBT também cresceu: saiu de 6.809 casos em 2011 para 9.982 em 2012, o que representou um aumento de 46,6%. O número de violações é maior porque em uma única denúncia pode haver mais de um tipo de transgressão. As denúncias mais comuns foram de violência psicológica, discriminação e violência física, respectivamente.  As denúncias envolveram, segundo a secretaria, 4.851 vítimas.

A 18ª edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo ocorre no próximo domingo (4) e tem como tema País Vencedor É País sem Homolesbotransfobia: Chega de Mortes! Criminalização Já! Pela Aprovação da Lei de Identidade de Gênero.

(Rede Brasil Atual)

Cotidiano de travestis e transexuais é tema da exposição ‘Elas, Madalenas’

Exposição fica até dia 29 no Memorial Minas Gerais Vale, na Praça da Liberdade

Marcio Claesen

O cotidiano de transexuais, travestis, drag queens e pessoas que transgridem os gêneros é tema da exposição Elas, Madalenas, em cartaz até 29 de abril de Memorial Minas Gerais Vale.

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Clicadas por Lucas Ávila, as personagens da mostra são de idades, profissões e condições sócio-econômicas diferentes e aparecem em suas casas ou locais que costumam frequentar.

“O recorte diurno, que não contempla questões relacionadas à prática sexual, mostra parte da realidade pouco vista pela sociedade. O objetivo é fazer com que o espectador veja a transição de gênero com naturalidade”, diz o material de divulgação da exposição.

A mostra só foi possível graças ao sistema de crowdfunding, pelo site Variável 5. O valor inicial era de R$ 6.500, mas o montante arrecadado chegou a R$ 10.830 em 25 dias. O dinheiro extra foi usado para aumentar a qualidade e a quantidade dos materiais gráficos e o restante será doado para a Articulação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), que combate a transfobia e presta auxílio jurídico às pessoas trans.

A exposição está em cartaz de terça a domingo. Para mais detalhes, confira em nossa Agenda.

Via http://guiagaybh.com.br

 

 

‘G0ys': homens que se relacionam com homens, mas dizem não ser gays

O filme Brokeback Mountain, que narra o amor e envolvimento entre dois homens, seria ótimo, não fosse o fato de haver sexo entre eles. A opinião é dos g0ys, um grupo que nasceu nos Estados Unidos e já se espalha pelo mundo. De acordo com a ideologia deles, homens podem manter relações com pessoas do mesmo sexo desde que não haja penetração. Se, para a maioria das pessoas, um homem que se relaciona com outro é gay, para os g0ys isso não é uma regra. Os integrantes do grupo, que costumam ficar com outros caras, não se consideram homossexuais porque não praticam sexo anal.

Segundo o site Heterogoy.webnode.com, portal brasileiro sobre a ideologia, o tipo de contato que os parceiros têm entre si se resume a “preliminares na visão hétero tradicional, ou brincadeiras sacanas na visão hétero g0y.” Ou seja, vale beijo, masturbação e, eventualmente, sexo oral. Mas, a penetração é rechaçada. O grupo destaca que os g0ys só fazem esse tipo de sexo com mulheres. O site estrangeiro g0ys.org afirma ainda que o processo natural de relação entre pessoas do mesmo sexo foi denegrido pelo movimento gay moderno, por conta do sexo anal e da perversão de alguns grupos e defende que essa filosofia não seja tolerada.

O conceito de g0y, que aos olhos de muita gente é encarado com estranheza, na visão deles é bastante claro. Em uma seção do site sobre “dúvidas frequentes” a pergunta sobre como diferenciar um gay de um g0y é respondida com facilidade:

“O nome composto gay-zero confunde no momento que pode levar à interpretação de que um gay-zero = heterossexual, o que não é verdade, por analogia um guaraná zero, não é aquele que virou fanta, mas apenas um guaraná que foi retirado um único componente, no caso o açucar. No caso dos gays é justamente isso, o gay-zero (ou g-zero) seria um homem que sente atração por outro homem, mas não pratica um dos componentes do mundo gay, um g-zero não é realiza sexo anal durante contatos íntimos masculinos”

A relação entre esses parceiros costuma ser chamada de Bromance, que significa Romance entre Brothers. O grupo permite a afetividade entre homens, argumentando que o comportamento de pessoas do sexo masculinos se amarem e terem relações (com limitações) já era comum na Grécia antiga.

No Heterogoy.webnode.com , o grupo defende que um homem não precisa ser “tigrão”, “machista” ou “animal” para ser homem. Entretanto, a masculinidade é exaltada pelos integrantes e palavras descriminatórias como “baitolice” são encontradas na página. No g0ys.org as palavras de ordem são: Amor, confiança, respeito, discrição e masculinidade.

Nas páginas do grupo na internet, existe até um estatuto, que define o pensamento deles: “G0ys não namoram nem casam com outros g0ys, têm no máximo uma amizade íntima. Casam-se com mulheres. “G0ys são a salvação do “homem de verdade” e, por isso, não permitem qualquer associação com imagens e clichês do mundo gay”.”G0ys criam clubes de relacionamento onde só é permitida a entrada de outros g0ys”.”G0ys não devem se envolver com o universo gay”.”Goys são machistas”.

Ainda segundo o site brasileiro, os g0ys têm até uma bandeira, toda em tons de azul, já que se trata de uma cor considerada masculina.

(Extra Online)

(

Feminicídio: inclusão no Código Penal gera controvérsias

Ana Luiza Albuquerque, via Jornal do Brasil

“É uma tentativa demagógica, meramente simbólica. Na prática não muda nada”, afirma Sandro Sell, advogado e professor de Criminologia, sobre a possível inclusão do crime de feminicídio no Código Penal. O assassinato de mulheres por motivações de gênero estaria caracterizado em situações de violência doméstica e familiar, de violência sexual, de mutilação ou desfiguração da vítima e de emprego de tortura ou qualquer outro meio cruel e degradante. A proposta da nova forma qualificada de homicídio promete pena de 12 a 30 anos. Segundo levantamento do movimento Rio Como Vamos, o número de homicídios de mulheres na cidade do Rio cresceu 6% em 2013, subindo de 118 para 125 casos.

“Estão jogando com a opinião pública. Hoje, se você matar uma mulher por razões de gênero, já existe uma pena de 12 a 30 anos, porque é motivo fútil”, Sell continua. O advogado alerta que a opressão sofrida pela mulher não é causada pela falta de leis. “Está havendo toda essa discussão como se isso fosse resolver o problema da violência contra a mulher, mas a violência não acontece por causa da falta de uma lei. Já existe punição. Se não é aplicada, não é mudando o nome da lei que resolve. Você está dando outro nome e fazendo de conta que isso vai combater a violência”, critica. Segundo o professor, “o problema é muito mais em relação à aplicação da lei e de questões culturais como o machismo”.

Sell destaca, ainda, que a proposta infere que a violência de gênero é só contra a mulher. “E quanto aos homens que se sentem mulheres?”, questiona. O advogado ressalta que a lei não atenderia outras demandas,como as dos grupos LGBTS. “Em vez de se falar de qualificar homicídio por violência de gênero ‘contra a mulher’, eu colocaria ‘contra pessoas’. A mulher continuaria sendo contemplada”, sugere. Ele aponta, em seguida, o que vê como um problema na Lei Maria da Penha. “Na Maria da Penha, quando o pai pratica violência contra a filha, é enquadrado. Quando pratica contra o filho homossexual não. A lei associa o problema do gênero a um único sexo, o que não faz muito sentido”, conclui.

Soraia Mendes, militante feminista, doutora em Direito pela USP e professora de Direito Penal, tem outra visão. “Na realidade, a proposta é mais do que a mera inclusão de uma especificidade em relação à violência doméstica ou o crime de morte, é o reconhecimento da existência de uma situação de violência para a qual não se tem a devida visibilidade nem dados específicos”, explica.

Questionada se o feminicídio seria um motivo fútil, Mendes afirma que sim, mas não apenas. “Sem sombra de dúvidas é um motivo fútil, mas a questão toda está em dar visibilidade para algo obscurecido. Motivo fútil é uma discussão entre dois torcedores de times adversários em um estádio, que acaba resultando em morte. Quando você está tratando de uma situação entre duas pessoas que se comprometeram a entregar a vida um para o outro e o homem, por se sentir superior, resolve tirar a vida daquela mulher, isso não é simplesmente um motivo fútil. É muito mais específico”, defende.

A doutora faz questão de destacar que a proposta da inclusão do feminicídio não significa que a Lei Maria da Penha tenha sido inútil. “Embora a Maria da Penha tenha tomado uma proporção como lei de natureza penal, não é dessa característica. Ela traz todo um complexo de proteção e acolhimento da mulher,está em um compartimento diferente, o de mudança cultural, por falar de um sistema muito amplo”, expõe. “Se fosse seguida à risca, se tivéssemos uma mudança na cultura machista e sexista, se as instituições estivessem comprometidas com a lei, seria um grande passo para que pudéssemos avançar”, completa.

Quanto à crítica em relação à abrangência da proposta, Mendes é clara: “A questão da inclusão de outras minorias é um falso dilema. O que se tem nesse momento do debate parlamentar são diferentes forças se colocando no cenário político para fazer lobby e efetivar suas reivindicações. O movimento feminista está há muito tempo pleiteando o reconhecimento da violência, assim como o movimento LGBTS, então não existe contrariedade”. A professora, contanto, pondera. “Nesse debate público as mulheres pautaram e levaram suas reivindicações, mas claro que todos os que estão em situação de vulnerabilidade têm que receber proteção. O movimento feminista não se opõe a isso de forma alguma. No caso da Maria da Penha,por exemplo, o direcionamento é para mulheres, sejam biológicas ou não. Uma transexual estaria protegida”.

A proposta de inclusão do feminicídio foi aprovada no dia 2 de abril pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, mas precisa, ainda, passar pelo Senado.

*Programa de Estágio do JB

Exploração sexual infantil em Fortaleza vira reportagem na Rede CNN

Em decorrência da proximidade da Copa do Mundo no Brasil, a rede internacional de notícias americana CNN citou nessa quarta-feira, 2, a situação do turismo sexual voltado para a exploração de crianças e adolescentes em Fortaleza. A reportagem começa descrevendo o cenário nos arredores do castelão, e classifica a cidade como um ”imã para o turismo sexual”. 
A equipe conversou com agentes sociais que explicaram que desde de que o país foi eleito como sede do Mundial, o governo tem tentado diminuir a prática entre menores de idade, já que para os maiores de dezoito anos a prostituição é legalizada no Brasil. De acordo com a CNN, a policia local se recusou a dar entrevistas e expôs críticas da população de que as autoridades não estão procurando soluções para o problema, mas que estão apenas o tirando o foco das crianças e adolescentes explorados sexualmente.
Um dos fatores apontados como causa da exploração foi a grande difusão de pobreza na região. Foram entrevistadas meninas que começaram a se prostituir entre doze e dezessete anos de idade,em alguns casos por consideraram um dinheiro fácil e em outros as vítimas são encaminhadas pelos próprios pais. A promotora de justiça Antonia Lima Sousa, explanou que estas meninas vem de uma cultura extremamente pobre, de exclusão social, onde há um grande desrespeito pelas mulheres. São exibidos também, projetos sociais de escolaridade básica e treinamento profissional direcionado a meninos e meninas vítimas de exploração sexual.

(O Povo Online)

 

 

 

Projeto que legaliza prostituição está parado na Câmara dos Deputados

O projeto de lei que propõe a regulamentação dos profissionais de sexo no Brasil está parado na Câmara dos Deputados e, apesar de ser tratado como prioridade para votação antes da Copa do Mundo ainda nem começou a ser apreciado pelas comissões — que dirá pelo plenário da Casa.

As comissões da Câmara fazem as primeiras análises dos projetos de lei. Só depois de passarem pelo crivo das comissões os projetos podem ser apreciados pelo plenário.

Pelo ritmo da tramitação, são pequenas as chances de que o projeto seja votado antes da Copa, que começa em junho. Assim, o objetivo de ter uma lei para coibir os casos de exploração sexual durante o Mundial vai ficar comprometido.

A proposta foi apresentada pelo deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) em 2012. O texto considera como profissional do sexo qualquer pessoa com mais de 18 anos que queira, por livre e espontânea vontade, oferecer serviços sexuais em troca de remuneração.

Segundo o deputado, há expectativas de que o projeto tramite de forma rápida. Mas, ele admite que não há consenso na Câmara para votar o texto antes da Copa.

— A Copa se aproxima e o Congresso, mais uma vez, se divide em quedas de braço partidárias que só servem para prejudicar os trabalhos legislativos. Há de se considerar também a influência das bancadas fundamentalistas em barrar projetos que não são de seu interesse.

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Pelo projeto, não seria permitido a ninguém se apropriar de mais 50% do rendimento dos profissionais, negar pagamento ou forçar alguém a se prostituir. Todas essas práticas seriam consideradas crime de exploração sexual, com penas previstas no Código Penal.

Na justificativa do projeto, Jean Wyllys defende que regularizar a prostituição é a melhor forma de proteger os profissionais e combater crimes.

— A regularização da profissão do sexo constitui instrumento eficaz ao combate à exploração sexual, pois possibilitará a fiscalização em casas de prostituição e o controle do Estado sobre o serviço.

Se aprovada, a lei vai receber o nome de Gabriela Leite, prostituta idealizadora da grife Daspu, que vende roupas inspiradas no mundo da prostituição. Gabriela morreu de câncer em outubro do ano passado e ficou conhecida por lutar pelos direitos das garotas de programa.

Polêmica

Nem todos os parlamentares pensam como o autor da proposta, contudo. Boa parte dos deputados na Câmara acredita, aliás, que regularizar a prostituição vai incentivar a exploração sexual por meio de cafetões.

Esse é o entendimento do deputado Francisco Eurico (PSB-PE), que chegou a assinar um relatório pela rejeição do projeto na CDH (Comissão dos Direitos Humanos).

Em junho do ano passado, Eurico foi escolhido relator do projeto na comissão e votou pelo arquivamento da proposta. Para ele, um ser humano não pode ser tratado como mercadoria e regularizar a prostituição aumentaria até o tráfico de pessoas.

— O simples fato de a pessoa ser tratada como mercadoria já é uma condição incompatível com a dignidade humana, preceito fundamental dos direitos humanos. A legalização da prostituição favorece mais os cafetões e promove a expansão da indústria do sexo. A legalização acaba também por estimular o tráfico de pessoas.

Comissão

Apesar da posição do deputado, o relatório não tem valor, porque a presidência da Câmara decidiu criar uma comissão especial para apreciar o projeto. O colegiado será composto por 20 deputados das comissões de Justiça, Direitos Humanos, Família e Trabalho, além dos suplentes.

A autorização para criar a comissão foi assinada pelo presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), em setembro do ano passado. Mas os líderes partidários ainda nem indicaram quais deputados devem integrar o colegiado e, por isso, a comissão não foi instalada.

Esse não é o primeiro projeto que visa a regularizar a prostituição que tramita na Casa. Em 2004, o então deputado Eduardo Valverde (PT-RO) apresentou uma proposta, mas, depois, mudou de ideia — ele mesmo solicitou a retirada do texto.

Em 2003, Fernando Gabeira (PV-RJ) também tentou aprovar a legalização dos profissionais do sexo. Mas, quatro anos depois, o projeto foi arquivado pela Mesa Diretora da Câmara após ser rejeitado pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).

(Carolina Martins, R7 Brasília)

Ceará foi o quinto estado que menos investiu em políticas para mulheres, diz IBGE

O orçamento executado pelo estado do Ceará em políticas para mulheres em 2012 ficou pouco acima dosR$ 676 mil, o que gerou uma média de R$ 0,15 por mulher no estado, divulgou nesta quinta-feira (13) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Pesquisa de Informações Básicas Estaduais – Perfil dos Estados Brasileiros (Estadic). O estado teve a quinta menor quantia investida proporcional ao número de mulheres.

Com o maior investimento, cerca de R$ 21,7 milhões, Pernambuco atingiu R$ 4,61 por mulher. Outras unidades da Federação tiveram a média menor do que R$ 1 por pessoa: Pará (R$ 0,02), Tocantins (R$ 0,13), Piauí (R$ 0,11), Rio Grande do Norte (R$ 0,18), Paraíba (R$ 0,58), Bahia (R$ 0,80), Espírito Santo (R$ 0,70), Rio de Janeiro (R$ 0,12), Rio Grande do Sul (R$ 0,64) e Mato Grosso (R$ 0,20).

A pesquisa também mostra que o Brasil tem 421 delegacias especializadas no atendimento à mulher, mas Distrito Federal, Rondônia, Amazonas e Roraima têm apenas uma. No total, 206 estão na Região Sudeste e 125 em São Paulo. O país conta ainda com 110 núcleos especializados de atendimento à mulher nas delegacias comuns, sendo 34 deles no Distrito Federal e 34 no Rio Grande do Sul.

Veja tabela por estado:

pesquisa-mulher

Com informações da Agência Brasil

Mães evangélicas boicotam vacinação de filhas contra HPV

Recentemente, o Ministério da Saúde brasileiro lançou uma campanha nacional para vacinação de adolescentes contra o papilomavírus humano (HPV), vírus tido pelos especialistas como uma das principais causas de câncer no colo do útero. Porém, a campanha, que tem como público alvo meninas entre 11 e 13 anos, tem recebido resistência por parte de algumas religiosas antes mesmo de iniciar.

Marcada para começar no dia 10 de março de 2014, a vacinação das adolescentes estaria sendo boicotada por um grupo de mães evangélicas, que querem evitar que suas filhas tomem a vacina afirmando que a mesma pode incentivar a prática sexual.

Segundo uma matéria que tem circulado na internet (supostamente do Estado do Espírito Santo), algumas mães afirmam que, com a vacina, suas filhas “se sentiriam imunizadas e tentariam experimentar o novo”. Uma das defensoras desse ponto de vista seria a pastora e psicanalista Raquel Diniz Jantorno, 38 anos. Mão de duas meninas atualmente com 10 e 3 anos de idade, ela afirma que não permitirá que as filhas recebam a vacina quando tiverem idade para isso.

- Não tenho nada contra o cuidado do Ministério da Saúde com o povo brasileiro, mas acho que essa vacina é desnecessária. A melhor forma de prevenir Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) é a fidelidade no casamento – afirma a pastora.

- Essa é uma idade em que os hormônios estão à flor da pele e tudo desperta curiosidade. Com a vacina, elas se sentiriam imunizadas e tentariam experimentar o novo – completa.

A opinião de Raquel é defendida também pela evangélica Elizângela Gomes, 28, mãe de uma menina de 7 anos, que também afirma não haver necessidade da filha receber a vacina quando estiver na idade.

- O que previne mesmo as meninas mesmo do HPV é a relação com um só parceiro. Desde já converso com ela, na linguagem simples que ela entenda, sobre a sexualidade – defende a dona de casa.

Segundo a reportagem, o presidente da Associação de Pastores Evangélicos da Grande Vitória, Enoque de Castro, também se pronunciou sobre o assunto, dizendo acreditar que a vacina é uma boa solução para a doença, mas que concorda que a melhor prevenção é a fidelidade.

Veja abaixo a reprodução da matéria:

(Gospel+)

Noruega é o melhor lugar do mundo para ser mulher, aponta The Economist

Segundo um levantamento da revista britânica The Economist divulgado neste final de semana, Noruega é o melhor lugar do mundo para ser mulher.

Um dos fatores que definiram isso é que 40% dos cargos executivos nas empresas do país são ocupados por mulheres, graças a um sistema de cotas criado em 2008.

A revista introduziu um novo critério para a lista deste ano: a licença maternidade. Com isso, a Nova Zelândia — cuja licença maternidade é uma das piores do mundo, ao lado da americana — perdeu a primeira colocação que teve no levantamento anterior.

Como era previsível, a Escandinávia — inspiração permanente do DCM — domina o ranking. Suécia e Finlândia completam o pódio, e a Dinamarca está entre os dez países mais bem colocados.

Saiba Mais: The Local

Aids, história e informação nunca é demais

O tema é sempre recorrente na mídia pela importância na discussão e pelo fato de ser uma doença incurável. Nos últimos anos, as tentativas de se chegar a uma cura criam sempre uma esperança e uma perspectiva de que logo contemplaremos a erradicação deste mal, que assola a sociedade há 33 anos, desde os primeiros casos nos Estados Unidos, em 1981. Uma pandemia que se apresentava quando 41 jovens homossexuais apresentaram sarcoma de Kaposi, um câncer raro que até então se manifestava quase somente em idosos, que morriam logo em seguida ao se internarem no hospital. Inclusive, a doença durante um tempo era considerada como “câncer gay”, batizado de Grid (sigla em inglês para “imunodeficiência relacionada aos gays”), o que determinou o conceito equivocado de grupo de risco e estigmatizou os homossexuais, acentuando o preconceito. Foi quando a doença começou a se manifestar em heterossexuais, mulheres e crianças, que a sigla mudou para Aids (no português com definição “síndrome da imunodeficiência adquirida”). Em 1983, Robert Gallo e Luc Montagnier descobrem este novo retrovírus e publicam suas descobertas na revista científica Science.

A Aids toma proporções alarmantes nos anos 80, contaminando 89% dos hemofílicos dos EUA, pois, como não existiam técnicas para detectar o vírus, as transfusões de sangue eram arriscadas. A propósito, esta foi uma das maneiras como a doença se disseminou. As teorias do surgimento da doença são bastante numerosas e curiosas, como aquelas que são conspiratórias e defendem a ideia de o vírus ter sido criado em laboratório. No entanto, todas elas convergem numa ideia, de que a Aids é um vírus que infectava primatas, como o chimpanzé, e que não apresentava problemas.

A teoria do surgimento da Aids defendida pelos pesquisadores da Universidade de Nottingham sugere que o vírus HIV é a junção de dois outros vírus, que infectam macacos na África. Levando em hipótese que o HIV é uma variação de um vírus de nome estranho, o SIVcpz, encontrado nos chimpanzés, os cientistas descobriram o DNA do vírus de macacos de espécies diferentes e que fazem parte da dieta alimentar do chimpanzé. Na transmissão ao ser humano, a explicação mais aceita é conhecida como a teoria do caçador, ou seja, caçadores, ao manipularem a carne dos macacos caçados e consumirem esta carne, foram contaminados. Outra teoria plausível é a da Vacina Oral Pólio defendida por Edward Hooper, em seu livro The river. O escritor bitânico defende a ideia de que o vírus teria sido transmitido através de experiências de médicos nos anos 50, que estavam em busca de uma vacina para a poliomielite.  

O HIV se desenvolve em contato com o sistema sanguíneo, ocasionando a Aids. Aqui vale reforçar a explicação que após o contágio a doença pode demorar até 10 anos para se manifestar. Por isso, a pessoa pode ter o vírus HIV em seu corpo, mas ainda não ter Aids. Uma vez em desenvolvimento do vírus, começa um processo de destruição dos glóbulos brancos do organismo da pessoa doente. Como esses glóbulos brancos fazem parte do sistema imunológico dos seres humanos, sem eles, o doente fica desprotegido, e várias doenças oportunistas podem aparecer e complicar a sade da pessoa. O portador do vírus HIV, mesmo não tendo desenvolvido a doença, pode transmiti-la. 

A Aids é a segunda doença infecciosa que mais faz vítimas no mundo, logo atrás da tuberculose, revolucionou o mundo, transformando a sociedade em seus  hábitos e costumes, principalmente no que se refere ao sexo, justamente por se alastrar através de sua prática. Se por um aspecto positivo e necessário a revolução sexual na década de 60 e 70, originária da contracultura, desde o movimento beatnik, passando pelos hippies e a geração “faça amor, não faça guerra”, chegando aos movimentos femininos de emancipação das mulheres, às passeatas gays e ao surgimento da pílula anticoncepcional, possibilitou a quebra de tabus e paradigmas sociais e a ressignificação dos conceitos sobre sexo e o desejo, rompendo com a repressão sexual do passado. O vírus HIV, por sua vez, de uma maneira negativa, impôs cautela e cuidados com a entrega aos prazeres e aplicou uma nova ordem, o sexo seguro. 

De uns tempos pra cá a Aids tem sido encarada muito diferente desde sua descoberta e o primeiro caso documentado de que se tem conhecimento, em 1959, de um homem da atual República Democrática do Congo. Sua destrutividade e a ideia que se tinha de “pena de morte” logo após o diagnóstico foram substituídas por perspectivas e o prolongamento da vida com a chegada dos remédios para combater o vírus. Em 1986, com a chegada do AZT, que apresentava resultados bem limitados, ou em 1996, com o surgimento do coquetel de drogas antirretrovirais, a probabilidade de sobrevida das pessoas infectadas é muito maior. Muitos encaram o vírus como uma gripe, e não se preocupam como de fato deveriam proceder, justamente porque esta sobrevida deu uma falsa ideia de que a doença não é mais tão perigosa. Os estudos mais recentes para alcançar a cura do HIV indicam um tratamento através da terapia antirretroviral, altamente ativa (Haart, na sigla em inglês), reduzindo em 96% a transmissão do vírus e aumentando a qualidade de vida do infectado. Estas pesquisas foram apresentadas numa reunião anual da Sociedade Radiológica da América do Norte (RSNA). Os próximos passos são ensaios clínicos com os pacientes em meados de 2014. 

Fato é que a Aids já matou milhões de pessoas até hoje, e a cada ano são registrados de 33 a 35 mil novos casos (números somente do Brasil). Até hoje se estima que 630 mil pessoas no país vivam com o HIV. A melhor forma de combater esta pandemia é o uso de preservativo, não compartilhar seringas e, principalmente, muita informação contra a ignorância e equívocos, pois muitas pessoas ainda possuem dúvidas sobre as formas de contrair a doença. Combater o preconceito é essencial à medida que é preciso desmistificar algumas ideias totalmente errôneas sobre a doença, como considerar que apenas contrairão a doença homens homossexuais e usuários de drogas, ou que qualquer relação anal entre dois homens, que não estão infectados, pode levar à infecção do vírus. O dia 1 de dezembro foi eleito o Dia Mundial de Luta Contra a Aids desde 1987 e serve para reforçar a tolerância, conhecimento e a compreensão às vítimas do HIV/Aids, fatores primordiais para vencermos a doença. Às vésperas do Carnaval é sempre bom reforçar esta ideia, de que o sexo e o prazer podem ser muito mais gostosos quando somos conscientes.

Breno Rosostolato, psicólogo, é professor da Faculdade Santa Marcelina, SP.

Via Jornal do Brasil Online

A ciência já sabe como dar o golpe final no vírus HIV

Ele é rudimentar. É uma bolinha minúscula, de 130 nanômetros, com apenas nove genes dentro. O vírus HIV não se compara, nem de longe, à sofisticação de uma célula humana (que tem 20 mil genes) ou mesmo uma bactéria (500 genes). Mas ele mudou a história da humanidade: espalhou pânico, transformou hábitos, arrasou países africanos, matou 30 milhões de pessoas. O homem respondeu criando os antirretrovirais, remédios que contêm a multiplicação do vírus e evitam que o soropositivo morra de Aids. Hoje, 8 milhões de pessoas têm as vidas preservadas por esses medicamentos. Eles não são uma cura, pois não eliminam o vírus – que continua escondido no organismo.

 

Mas essa história está prestes a dar uma virada dramática. A ciência finalmente descobriu como dar o último passo: arrancar o HIV dos lugares onde ele se esconde no corpo humano. No último ano, vários grupos de pesquisadores comprovaram que é possível expulsar o HIV de seus esconderijos e jogá-lo de volta na corrente sanguínea – de onde ele poderia ser eliminado, livrando completamente o organismo do vírus. Ou seja, cura. Os pesquisadores mantêm cautela, mas a possibilidade tem gerado euforia em setores da comunidade científica. Parece que, depois de passar as últimas décadas tomando dribles do vírus, a humanidade finalmente pode ter descoberto uma forma de encurralá-lo. “Há dois anos, se alguém falasse em cura, seria considerado maluco. Isso era considerado impossível”, diz John Frater, imunologista da Universidade de Oxford e um dos líderes do Cherub (Collaborative HIV Eradication of Viral Reservoirs), projeto que reúne cinco universidades inglesas num estudo contra o vírus. “Estou genuinamente entusiasmado”, afirma.

 

A técnica de expulsão do HIV é a inovação científica mais importante, e instigante, das últimas décadas. Mas não é a única novidade na luta contra o vírus. Há pessoas que, por meio de outros procedimentos médicos, foram curadas da Aids. Em alguns casos, elas desenvolveram resistência ao HIV; em outros, o vírus desapareceu do organismo. Você vai conhecer essas histórias a seguir.

 

 

ONDE O VÍRUS SE ESCONDE

 

Como o HIV é muito pequeno, penetra facilmente nas mucosas genitais durante o sexo, e delas vai para a corrente sanguínea, onde encontra sua vítima: as células T, peças centrais do sistema imunológico. O vírus penetra nessas células e as escraviza, transformando-as em máquinas de produzir HIV. É um processo diabolicamente eficiente, que gera 100 bilhões de novas cópias do vírus por dia. No começo, a pessoa não sente nada, no máximo febre e um mal-estar discreto. Mas as células T vão morrendo até que, após alguns anos, o sistema imunológico fica comprometido – e a Aids se instala.

 

 

Existem dois tipos de células T: as ativas e as inativas. É como no exército. Alguns soldados estão de prontidão nos quartéis e outros vivem na reserva, podendo ser convocados em caso de emergência. O HIV infecta tanto as células ativas quanto as inativas. O problema é que os medicamentos antirretrovirais só agem nas células ativas. Nas células inativas, que vivem numa espécie de hibernação, o remédio não faz efeito. Isso porque essas células não contêm um montão de HIV dentro. Na verdade, é algo mais assustador ainda.

 

 

Elas têm o vírus HIV copiado dentro do próprio código genético. Isso significa que, conforme vão sendo ativadas pelo organismo (um processo natural, que acontece ao longo da vida de todo mundo), começam a se reproduzir – e fabricar enormes quantidades do vírus. É por isso que os medicamentos antirretrovirais não curam a Aids. As células T inativas funcionam como um enorme reservatório de vírus. Ele até vai sendo esvaziado aos poucos, na medida em que as células inativas vão sendo repostas pelo organismo e o vírus vai sendo eliminado pelos medicamentos, mas isso leva uma eternidade: segundo estimativas, pelo menos 60 anos. Ou seja, o portador de HIV tem mesmo de passar a vida toda tomando antirretrovirais (que provocam efeitos colaterais como hipertensão, diabetes e danos aos rins, fígado e ossos).

 

 

A menos que exista uma forma de esvaziar à força os reservatórios de HIV.

 

 

Essa possibilidade começou a se desenhar em outubro de 2006, quando o governo americano autorizou a venda de um novo medicamento, chamado vorinostat. Esse remédio foi criado para tratar o linfoma cutâneo de células T, um câncer no sistema imunológico. Esse câncer se manifesta na forma de lesões na pele, mas se origina no sangue. Ele é tratado com quimioterapia. Mas a quimioterapia só funciona bem com tumores que se multiplicam bastante (porque ela age na reprodução celular). E o linfoma cutâneo não é assim. Por algum motivo, ele faz o corpo aumentar a produção de histona deacetilase (HDAC), um tipo de enzima que faz as células pararem de se reproduzir. E isso reduz o efeito da quimioterapia. O vorinostat bloqueia a ação dessa enzima, colocando o câncer de novo em estado de multiplicação – e vulnerável à quimiotepia. Atiçar o câncer é uma estratégia arriscada. Por isso, o vorinostat só é usado em casos graves, nos quais dá resultado (70% dos pacientes respondem a ele).

A infecção – e o caminho da cura

O segredo está em acordar células dormentes, onde o HIV fica escondido

 

1. Contaminação

O HIV entra no organismo. Ele se instala nas células T, que são responsáveis por coordenar a ação do sistema imunológico. Há dois tipos de célula T: ativa e inativa. O vírus invade ambos os tipos.

 

2. Invasão do DNA

O HIV entra na célula e se infiltra no núcleo dela, onde está o DNA. As células ativas se multiplicam – e, com isso, multiplicam o HIV.

 

As células inativas não se multiplicam. Graças à ação de uma enzima, elas ficam dormentes (e o vírus também).

 

3. O tratamento tradicional

Os medicamentos antiretrovirais, usados hoje, conseguem bloquear a progressão do HIV – e controlar a Aids. Mas não agem nas células inativas, onde o vírus fica escondido. Se a pessoa parar de tomar os antirretrovirais, o HIV “escondido” acorda. E a Aids volta.

 

4. A nova tática

Um novo tipo de medicamento é capaz de fazer as células inativas acordarem: e botarem para fora o HIV que trazem escondido. O vírus é jogado na corrente sanguínea.

 

5. A eliminação

Os antirretrovirais agem sobre o HIV, permitindo que ele seja eliminado.Os reservatórios vão sendo esvaziados, até não restar mais vírus.

 

Mais tarde, alguns pesquisadores descobriram que o vorinostat também tinha outro efeito: ele desperta as células T adormecidas. E isso é valiosíssimo no combate ao HIV. Porque quando essas células acordam, elas começam a se reproduzir e jogar vírus no sangue – onde ele fica vulnerável à ação dos remédios antirretrovirais. O HIV é eliminado, as células T morrem e, se esse processo for repetido por tempo suficiente, é possível eliminar todas as células infectadas – e sacar o HIV do organismo.

David Margolis, da Universidade da Carolina do Norte (EUA), foi o primeiro cientista a testar esse procedimento. “Tive a ideia de acordar o HIV e empurrá-lo para fora do corpo, permitindo a erradicação do vírus”, diz. Depois de obter resultados positivos em testes de laboratório, ele ficou três anos pedindo permissão às autoridades de saúde americanas para fazer um estudo em humanos. O vorinostat tem efeitos colaterais, como fadiga, diarreia, hiperglicemia e anemia. Em casos raros, pode levar à formação de coágulos no sangue, o que é perigoso. Mas o grande receio era quanto ao vírus da Aids. Afinal, acordar células dormentes e estimulá-las a produzir HIV envolve risco. E se o vírus surgisse com alguma mutação, e os medicamentos antirretrovirais não fizessem efeito contra ele? Os pacientes seriam inundados pelo HIV, e morreriam.

 

Mesmo assim, Margolis obteve autorização para fazer o teste em oito portadores de HIV, que receberam vorinostat. Os resultados foram publicados em 2012 – e reanimaram o interesse da comunidade científica. Uma única dose de vorinostat aumentou em mais de quatro vezes a quantidade de vírus no sangue dos pacientes. Ou seja, a tese se comprovou. Funcionou. O remédio conseguiu o que era considerado impossível: expulsar o HIV de seus reservatórios (e fez isso sem provocar efeitos colaterais relevantes). Mas foi um estudo de breve duração. Agora, Margolis está realizando uma nova experiência, na qual os pacientes recebem mais doses de vorinostat, durante mais tempo.

 

Pelo menos um estudo, feito pela Universidade de Aarhus (Dinamarca) em parceria com a Universidade do Colorado (EUA), comprovou o mesmo efeito em células humanas testadas em laboratório. “Ainda temos um longo caminho, mas acredito que a cura para o HIV seja alcançável”, diz Ole Søgaard, líder do estudo dinamarquês. Søgaard está finalizando um novo estudo, desta vez dando o remédio diretamente a pacientes, e publicará os resultados nos próximos meses. Pesquisadores da Universidade de Monash, na Austrália, também estão testando o vorinostat e devem publicar resultados em breve. A equipe pioneira, de David Margolis, continua aperfeiçoando a técnica – em estudos que envolveram cientistas da Universidade da Califórnia e uma pesquisadora da multinacional farmacêutica Merck.

 

Ainda há dúvidas sobre o procedimento. Qual a dose ideal do medicamento? Por quanto tempo? Ele é o remédio ideal, ou surgirão outros? “É como o AZT, que foi a primeira droga da sua classe (antirretroviral). Talvez a gente encontre drogas melhores, ou resultados melhores combinando essa droga com outras”, diz Margolis.

 

Também há um dilema ético envolvido. Como convencer um paciente que toma antirretrovirais, e por isso está com o HIV sob controle, a participar de um estudo que envolve risco de acordar uma doença letal? “Os métodos que temos hoje são eficazes, relativamente seguros, bem tolerados e não tão caros”, afirma Daniel Kuritzkes, chefe do AIDS Clinical Trials Group (ACTG), um dos maiores grupos de pesquisa na área.

 

Além disso, um paciente curado pode ser facilmente reinfectado – basta fazer sexo sem proteção com alguém que tenha HIV. O ideal mesmo seria criar uma vacina contra o vírus. Infelizmente, o vírus conseguiu burlar todos os esforços nesse sentido. Há várias razões que dificultam o desenvolvimento de uma vacina. A primeira é a intensa variabilidade do vírus. Embora o HIV seja dividido em somente dois tipos, 1 e 2 (que têm origem em primatas diferentes), ele sofre constantes mutações dentro de cada tipo. Estima-se que a capacidade de mutação do HIV seja mil vezes maior que a do genoma humano. Isso torna o HIV imprevisível e complica bastante as coisas. Como preparar o corpo para se defender se ninguém sabe exatamente como o vírus pode se comportar? Mesmo assim, os esforços seguem: em maio, um novo teste de vacina foi anunciado por pesquisadores do Imperial College, de Londres, que farão um estudo em Ruanda e Nigéria e divulgarão os resultados em 2015.

 

Mas, mesmo sem uma vacina, e com a técnica de desinfecção ainda em testes iniciais, já existem pessoas que chegaram lá – foram curadas do HIV.

Nós e eles

A longa história da Aids na Terra

 

1959

Surgem os primeiros registros de homens morrendo devido a infecções de origem inexplicável. Um deles, que morreu no Congo, teve tecidos do seu corpo preservados e analisados nos anos 90. Eles continham HIV.

 

1981

O governo dos EUA publica um relatório descrevendo os casos de cinco homens homossexuais de Los Angeles, que tinham uma série de infecções raras. É o primeiro registro oficial da doença. Duas das vítimas morreram antes mesmo da publicação do artigo.

 

1983

Em abril, o Center for Disease Control (CDC), dos EUA, estima que dezenas de milhares de pessoas estejam infectadas pela doença. Ela ganha o nome de Aids (síndrome de imunodeficiência adquirida, em inglês).

 

1984

O pesquisador Robert Gallo, do Instituto Nacional do Câncer dos EUA, afirma que a Aids é causada por um vírus.

 

1985

O ator americano Rock Hudson morre de Aids. É a primeira grande celebridade a ser vitimada pela doença, que já tem casos em todo o planeta.

 

1986

O Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus batiza o causador da Aids de Human Immunodeficiency Virus (HIV), ou vírus da imunodeficiência humana.

 

1987

O governo americano aprova o uso da zidovudina (AZT), primeiro medicamento a combater o HIV.

 

1989

Magro e abatido, o cantor Cazuza anuncia publicamente que está com Aids. Morreria em 1990 depois de uma agonia que expôs a fragilidade das vítimas.

 

1991

O laço vermelho se torna o símbolo da luta contra a Aids. Magic Johnson, estrela do basquete dos EUA, anuncia que é soropositivo. O cantor Freddie Mercury, do Queen, morre vítima da doença.

 

1993

O filme Filadélfia, em que Tom Hanks interpreta um advogado com HIV, chega aos cinemas. O bailarino Rudolf Nureyev e o tenista Arthur Ashe morrem de Aids.

 

1994

A epidemia atinge 1 milhão de casos no mundo.

 

1995

Surge a terapia antirretroviral altamente ativa (highly active antiretroviral therapy – HAART), um coquetel de drogas que impede a progressão do HIV.

 

1997

O número de pessoas infectadas chega a 30 milhões no mundo.

 

2000

A busca por uma vacina se torna prioridade global na pesquisa contra o HIV.

 

2003

Cientistas comprovam que o HIV veio dos chimpanzés. O laboratório VaxGen, um dos que desenvolve vacinas, anuncia que os testes em humanos falharam.

 

2007

Médicos anunciam que um paciente está livre do HIV. Timothy Brown, conhecido como Paciente de Berlim, não registra a presença do vírus no corpo desde então.

 

2009 a 2013

São publicados os primeiros estudos sobre eliminação de reservatórios do HIV, apontando um caminho para a cura. A busca por vacinas continua.

 

OS PRIMEIROS CURADOS

Em 1995, o americano Timothy Ray Brown descobriu que era soropositivo. Logo começou a tomar os medicamentos antirretrovirais e estava indo bem, até que em 2007, quando estava morando na Alemanha, ele começou a se sentir muito fraco. E descobriu que estava com leucemia, um câncer que ataca as células T (pois é, justo elas). Seu médico, o oncologista Gero Hütter, se lembrou do seguinte: no norte da Europa, uma em cada cem pessoas é imune ao vírus da Aids. Devido a uma mutação genética, elas não produzem uma proteína chamada CCR5. E sem essa proteína, o vírus da Aids não consegue entrar nas células.

 

Como Timothy estava com leucemia, teria de receber um transplante de medula óssea. Nesse tipo de transplante, o sistema imunológico do paciente é morto (por meio de quimioterapia) e substituído pelas células do doador. O médico teve a ideia de usar, como doadora, uma pessoa que fosse imune ao vírus da Aids. Dessa forma, quem sabe, poderia acertar dois alvos com um só tiro: curar Timothy da leucemia e do HIV.

 

O primeiro transplante não teve o efeito esperado, e a leucemia voltou. Timothy aceitou se submeter a um segundo. Funcionou. Ele ficou um ano no hospital, teve várias complicações de saúde, mas se tornou o primeiro humano na história a ser curado do HIV. Parou de tomar os antirretrovirais, e o vírus nunca voltou. Timothy ficou conhecido como o “Paciente de Berlim”. Em julho deste ano, dois casos semelhantes ao dele foram apresentados na conferência da International Aids Society. Mas, nesses casos, os transplantes foram feitos há pouco tempo e ainda é cedo para dizer que o HIV não retornou.

 

Seja como for, transplante de medula é uma técnica complexa, que depende de fatores muito específicos – o procedimento de Timothy tinha apenas 5% de chance de sucesso. “Esse paciente ganhou na loteria”, afirma Caio Rosenthal, infectologista do hospital Emílio Ribas, de São Paulo. Além de pouco eficaz, o procedimento é muito arriscado. “A pessoa que vai receber o transplante de medula fica completamente sem defesas [imunológicas] durante um período”, explica Dirceu Greco, diretor do departamento de DST e Aids do Ministério da Saúde.

 

Além das pessoas que não produzem a proteína CCR5, há outro tipo de gente resistente ao HIV: os chamados controladores de elite. Eles são infectados pelo vírus, mas não desenvolvem Aids. “De todas as pessoas infectadas, 5% são chamados progressores lentos. Eles têm carga viral baixa e só vão ficar doentes muitos anos depois. E, dentro desses 5%, há também uma porcentagem de controladores de elite, que apresentam carga viral há mais de dez anos e conseguem viver sem remédios”, explica Breno Riegel, infectologista do Hospital Conceição, de Porto Alegre, e colaborador de estudos internacionais – incluindo uma pesquisa com antirretrovirais que foi considerada a mais importante do mundo em 2011 pelo jornal científico Science.

 

Para ser um controlador de elite, ou uma pessoa imune ao HIV, é preciso nascer com determinadas mutações genéticas. Mas também existe gente que se torna controladora de elite. Em março deste ano, pesquisadores do Instituto Pasteur, de Paris, apresentaram um estudo demonstrando a cura funcional de 14 pacientes franceses portadores do HIV. A palavra funcional significa que eles ainda carregam o vírus, mas não desenvolvem a Aids – mesmo tendo parado de tomar medicamentos antirretrovirais. Esses pacientes são identificados pela sigla Visconti, que vem de Viro-immunological Sustained Control After Treatment Interruption (Controle Viro-imunológico Sustentado Após a Interrupção do Tratamento). O líder do estudo, Asier Sáez-Cirión, destaca uma característica importante desses pacientes. Quando se descobriram infectados pelo HIV, na década passada, eles logo passaram a tomar o coquetel antirretroviral. Começaram a tomar os remédios no máximo 70 dias depois da contaminação. E essa rapidez ajudou muito. “Tratando desde cedo, você limita a entrada de vírus nos reservatórios (as células T inativas)”, diz Sáez-Cirión. E isso teoricamente permite que, depois de alguns anos tomando o remédio, seja possível parar com ele – e mesmo assim não desenvolver Aids. Na prática, as coisas costumam ser diferentes. “Quando a pessoa chega ao médico, na maioria das vezes ela já está soropositiva há anos, e daí o tratamento já não é mais tão eficiente”, explica Rosenthal. Um paciente que carrega o vírus há dez anos, por exemplo, já está com danos graves ao sistema imunológico.

 

Os pacientes do grupo Visconti tomaram os remédios durante três anos até que interromperam o tratamento. Eles conseguiram se manter saudáveis mesmo sem os antirretrovirais e estão assim há cerca de sete anos. Um deles está há uma década sem a medicação. Sáez-Cirión se refere a essa cura como “estado de remissão do vírus” – pois o HIV continua presente no corpo, ainda que não provoque o desenvolvimento da Aids. “Quando vimos os resultados, percebemos que isso pode ser um grande passo para a luta contra o HIV. Ficamos muito emocionados. Queremos reforçar a mensagem de que o tratamento precoce é importante”, diz Sáez-Cirión.

 

O tratamento precoce foi responsável por um caso ainda mais impressionante. Em março deste ano, cientistas americanos revelaram que um bebê (que não teve o nome nem o sexo divulgados) havia sido curado do HIV. Se uma grávida sabe que tem o vírus da Aids e recebe tratamento adequado, com medicamentos antiretrovirais, há 96% de chance de que o bebê nasça sem o vírus. Mas, neste caso, não foi assim. A mãe da criança, que não havia recebido atendimento pré-natal, chegou ao hospital já em trabalho de parto. Um teste feito na hora detectou que ela tinha HIV. Era tarde demais para tratar a mãe e impedir que transmitisse a doença para o filho.

 

Então os médicos fizeram o parto e levaram o recém-nascido para a pediatra Hanna Gay, da Universidade do Mississipi. Ela decidiu tratar o bebê com altas doses de antiretrovirais, que foram mantidos durante os primeiros 18 meses da vida da criança. A partir daí, a mãe sumiu e não veio mais pegar os remédios. Ela ficou dez meses sem aparecer, e o bebê não recebeu nenhum tratamento durante esse período. O que era um caso de relapso materno acabou resultando numa descoberta científica incrível: mesmo sem nenhum remédio, o HIV não retornou. Não havia mais vírus no sangue da criança. Aparentemente, o tratamento ultraprecoce evitou que o HIV entrasse nos reservatórios (mesma coisa que teria acontecido com os pacientes franceses).

Humanos x HIV

Veja quem já está vencendo a doença – e como

 

Terapia atual

Como é? – O portador de HIV recebe uma combinação de medicamentos (o chamado coquetel de antiretrovirais) que impede a multiplicação do vírus. A quantidade de HIV no sangue despenca, chegando a níveis muito baixos.

 

A pessoa desenvolve Aids? – Não.

 

Pode transmitir o vírus? – Sim. O HIV permanece escondido no organismo.

 

Terapia de próxima geração

Como é? – O portador de HIV recebe um medicamento que acorda as células onde o vírus estava escondido. Em seguida, toma o coquetel de antiretrovirais – que impedem a multiplicação do HIV. Com o tempo, isso pode levar à eliminação total do vírus do organismo.

 

Pode transmitir o vírus? – Em tese, não. Mas a técnica ainda está em fase experimental.

 

Geneticamente imune

Como é? – Existem pessoas que nascem com uma mutação na proteína CCR5 – e isso impede o HIV de entrar nas células.

 

Pode transmitir o vírus? – Há controvérsias. Embora o HIV não consiga se multiplicar, é possível que algumas cópias dele se instalem no organismo – o suficiente para infectar alguém.

 

Supercontrolador

Como é? – É uma pessoa cujo sistema imunológico consegue controlar o HIV, mesmo sem a ajuda de remédios. Ainda não se sabe o que torna uma pessoa controladora de elite. É o caso dos pacientes franceses do grupo Visconti.

 

Pode transmitir o vírus? – Sim.

 

Bebê de Mississipi

Como é? – O filho de uma mulher HIV-positiva começou a receber o coquetel de antirretrovirais logo após o nascimento. O vírus sumiu.

 

Pode transmitir o vírus? – Em tese, não. O bebê está aparentemente curado, com carga viral indetectável.

 

Paciente de Berlim

Como é? – Recebeu um transplante de medula óssea de um paciente que tinha CCR5 mutante, ou seja, era imune ao HIV. Com isso, ele também adquiriu imunidade ao vírus.

 

Pode transmitir o vírus? – Em tese, não. O HIV desapareceu do organismo.

 

REENGENHARIA GENÉTICA

A expulsão do vírus, o tratamento ultraprecoce, as vacinas e os transplantes não são as únicas frentes de pesquisa contra o HIV. Existe mais uma, que consegue ser ainda mais ousada: modificar geneticamente o corpo humano para torná-lo resistente ao vírus. A técnica foi idealizada em 2008 e está sendo desenvolvida pela Universidade do Sul da Califórnia em parceria com a empresa de biotecnologia Sangamo BioSciences. Primeiro, obtém-se uma amostra de células T do paciente (coletando um pouco de sangue). Em seguida, usando técnicas de manipulação genética, essas células são alteradas. Elas passam a produzir uma versão deficiente da proteína CCR5 – aquela proteína essencial para o vírus da Aids. As células geneticamente modificadas são reinjetadas na pessoa, se multiplicam e aos poucos vão substituindo as células T normais. E o paciente adquire imunidade ao HIV. Essa é a ideia.

 

A técnica já foi testada em algumas pessoas. A mais famosa delas é um homem, identificado apenas como “Paciente de Trenton” (o nome vem da cidade onde mora, em Nova Jersey). Ele recebeu as células modificadas e parou de tomar os medicamentos anti-HIV. Num primeiro momento, a quantidade de vírus em seu sangue disparou. Mas em seguida despencou, até zerar. O HIV sumiu. “Eu me senti um super-homem”, disse o paciente ao jornal New York Times. O resultado é animador, mas ainda não pode ser considerado cura. O estudo durou pouquíssimo tempo, apenas três meses (depois disso, o homem voltou a tomar os antirretrovirais, de forma preventiva). Seria preciso esperar mais para assegurar que o vírus não iria voltar. Além disso, o Paciente de Trenton possuía uma mutação genética que debilitava um pouco a proteína CCR5. Ele não era imune ao HIV, mas essa mutação pode ter aumentado a eficácia do tratamento – que não funcionou tão bem com os outros pacientes. Há um novo teste em curso, com nove soropositivos, e os resultados serão publicados até o final do ano.

 

Há um detalhe especialmente intrigante. No Paciente de Trenton, apenas 13,5% das células T adquiriram resistência ao vírus durante o estudo. Todas as demais continuaram vulneráveis. Mas essa mudança, modesta, já foi suficiente para que o organismo virasse o jogo contra o HIV e o eliminasse completamente do sangue. Talvez seja possível estender os limites do corpo humano – e, com uma pequena ajuda, torná-lo capaz de vencer a Aids. Talvez as drogas que expulsam o vírus de seus reservatórios funcionem cada vez melhor, e se tornem lugar-comum daqui a alguns anos. Talvez os tratamentos ultraprecoces livrem milhões de pessoas do vírus. Mas notícias promissoras não significam que devamos baixar a guarda. Pelo contrário. A prevenção e o sexo seguro (com camisinha) continuam sendo essenciais. Para de fato vencer a Aids, a humanidade terá de apelar para as armas mais poderosas que existem: a inteligência e o bom senso. Afinal, se o vírus pode evoluir, nós também.

 

O primeiro curado

O americano Timothy Ray Brown, 47, recebeu um transplante experimental de medula óssea – e, por conta disso, seu corpo se livrou do vírus HIV. Aqui, ele conta como foi o processo, e como vive hoje em dia.

 

O transplante, que você recebeu em 2009, era um procedimento arriscado, que poderia levar à morte. Por que você aceitou?

Quando os médicos começaram a tentar me convencer, eu disse não, porque o vírus HIV estava em remissão (sob controle). Mas eu tive leucemia, e tive de fazer o transplante por causa dela. Não fiz por causa da Aids; fiz por causa da leucemia.

 

E como você se sentiu quando descobriu que estava curado do HIV?

Eu não acreditei muito, até que o Dr. (Gero) Hütter publicou o caso no New England Journal of Medicine (em 2009). Aí eu pensei: ok, se outras pessoas acreditam que aconteceu, então eu vou acreditar. Se cientistas estavam acreditando, então era verdade. Me senti aliviado. Isso mudou a minha vida.

 

Você se sente curado?

Eu definitivamente me sinto curado. Meu corpo foi analisado da cabeça aos pés, fiz inúmeros exames de sangue, e não há sinal do HIV no meu corpo.

 

Como é a sua rotina médica?

Quando eu estava morando em São Francisco, ia ao médico pelo menos uma vez por mês. Mas, desde que me mudei para Las Vegas (onde administra uma fundação de luta contra a Aids), só vou ao médico se tiver necessidade. Mas eu continuo participando de estudos que possam ajudar mais pessoas a serem curadas.

O placar do jogo

Números da epidemia que mudou o mundo

 

- 26% da população na Suazilândia tem o vírus. É o país com maior incidência de contaminação.

 

- Em Bangladesh, menos de 0,1% da população está infectada. É a menor proporção.

 

- Mais de metade dos infectados são mulheres, mas o problema é muito pior no sul da África, onde mulheres representam 58% dos infectados.

 

- Até 2015, o orçamento estimado para combater a Aids no mundo inteiro é de US$ 24 bilhões anuais.

 

- Somente nos EUA, foram gastos US$ 344 bilhões no combate à Aids desde 1981.

 

- 30 milhões de pessoas já morreram de Aids

 

- Cerca de 15 milhões de pessoas têm acesso a tratamento com antirretrovirais.

 

- Nas Maldivas, menos de 100 pessoas possuem o vírus. É o país de menor incidência.

 

- Na África do Sul, 5,6 milhões de pessoas estão infectadas. É o líder mundial.

 

- 34 milhões estão infectadas no mundo.

 

 Via http://www.cenariomt.com.br

Homofobia no Brasil: um LGBT morto a cada 28 horas em 2013

Estudo publicado esta semana pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) aponta que 312 gays, lésbicas, transexuais e travestis foram mortos no país em 2013. O Relatório de Assassinatos de Homossexuais em 2013 apresentou aumento de 7,7% na comparação com o ano anterior. No total, 186 homossexuais (59%), 108 travestis e transexuais (35%), 14 lésbicas (4%) e dois bissexuais (1%), além de dois heterossexuais (1%) foram mortos, dando uma média de um assassinato a cada 28 horas. Também foram incluídos pela primeira vez no estudo, realizado há 30 anos, 10 suicídios cometidos por bullying e homofobia.

O estado de Pernambuco figura o campeão de assassinatos de LGBTs, com 34 mortes, seguido por São Paulo, com 29 mortes. Os locais mais seguros para os LGBTs seriam o Acre, sem registro de morte de LGBT há 3 anos, e Espírito Santo, cujas 2 ocorrências representam 0,52 mortes para cada milhão de habitantes; o Pará com 0,63, São Paulo com 0,66, Rio Grande do Sul com 1,16, Minas Gerais com 1,21 e Rio de Janeiro com 1,22 mortes para cada milhão de habitantes.

Segundo o relatório, LGBTs entre 20 a 40 anos (55%) são os mais assassinados, embora 7% dos homossexuais tinham menos de 18 anos, sendo o mais jovem uma travesti de apenas 13 anos morta em Macaíbas, Rio Grande do Norte. 100 dos assassinatos foram praticados com arma branca (faca, punhal, canivete, foice, machado, tesoura), 93 com armas de fogo, 44 espancamentos (paulada, pedrada, marretada), 31 por asfixia e 4 foram queimados.

Os requintes de crueldade encontradas nestas mortes monitoradas por meio de relatos da imprensa incluem excesso de tiros, afogamentos, atropelamentos, enforcamentos, degolamentos, empalhamentos, violência sexual e tortura. 

Para antropólogo Luiz Mott, fundador do GGB, “99% destes homocídios contra LGBTs têm como agravante seja a homofobia individual, quando o assassino tem mal resolvida sua própria sexualidade e quer lavar com o sangue seu desejo reprimido; seja a homofobia cultural, que pratica bullying e expulsa as travestis para as margens da sociedade onde a violência é endêmica; seja a homofobia institucional, quando o Governo não garante a segurança dos espaços frequentados pela comunidade LGBT ou como fez a presidente Dilma, ao vetar o kit anti-homofobia, que deveria ter capacitado mais de 6 milhões de jovens no respeito aos direitos humanos dos homossexuais”.

Na região Sul, o Paraná teve 15 mortes, Rio grande do Sul 13 e Santa Catarina registrou oito assassinatos de LGBTs. O Sul concentrou 34% dos crimes no país, ficando sendo menos seguro do que o Centro Oeste e a região Norte. O Nordeste mais uma vez foi a região onde mais se assassinou LGBTs no país. Curitiba ficou entre as 6 capitais onde mais se matam homossexuais no país, com 9 crimes no ano passado.

(Revista Lado A)

Mais de 300 gays, lésbicas e travestis foram assassinados no Brasil em 2013

Da Redação

Um levantamento divulgado pelo Grupo Gay da Bahia indica que, em pleno século XXI, a intolerância e o preconceito, infelizmente, ainda persistem no Brasil. 

Mostrou que, só no ano passado, 310 pessoas foram assassinadas no País por homofobia. Quer dizer que, na média, em quase todos os dias um gay, travesti ou lésbica perdeu a vida simplesmente por ter uma opção sexual diferente da maioria. 

O resultado, apesar de preocupante, leva em conta apenas os registros feitos por notícias de jornais e sites e informações repassadas por ONGs. Ou seja, o número de vítimas pode ser bem maior. 

Cerca de metade dos mortos tinha idade entre 20 e 40 anos. E a vítima mais jovem foi um travesti de apenas 13 anos do Rio Grande do Norte. 

Já a região mais violenta para os gays foi o Nordeste. Outro dado preocupante é que de cada 10 crimes, em apenas três o autor foi identificado.

Via http://www.regiaonoroeste.com

Facebook muda perfil e aceita 50 opções de gênero, além de masculino e feminino

Facebook decorou sua sede com as cores do arco-íris em referência à novidade na rede social (Foto: Reprodução/Facebook)

O Facebook adicionou uma opção customizável com 50 opções de termos para que as pessoas identifiquem seus gêneros. A ferramenta está disponível para os usuários que escolhem o inglês dos Estados Unidos como idioma na rede social.

O Facebook disse à agência Associated Press que tem o objetivo de dar mais escolhas para os usuários se descreverem. Entre as opções, estão andrógino, transexual, neutro, bissexual, entre outros. A rede social, que tem 1,23 bilhão de usuários ativos por mês no mundo, vai continuar a ter a opção de manter o gênero privado.

Diferente de se tornar noivo ou casar, a mudança de sexo não será registrada como um evento na vida dos usuários e não aparecerá na linha do tempo. O Facebook afirma que os anunciantes não conseguirão direcionar publicidade àqueles que se declararem transexuais ou que mudarem de sexo. A empresa teve a ideia desses termos depois de consultar os principais ativistas gays e transexuais, e planeja continuar trabalhando com eles e com ativistas de outros países para colocar termos apropriados em mais idiomas.

“Para muitas pessoas, isso não vai significar nada, mas para os poucos que isso impacta, significa muito”, disse a engenheira de software do Facebook Brielle Harrison, que trabalhou no projeto e, no seu próprio perfil, está passando por uma transformação de sexo, de masculino para feminino.

A ação do Facebook representa uma forma básica, mas significativa de reconhecimento do movimento de direitos dos transexuais. A Campanha de Direitos Humanos do ano passado descobriu que 10% de 10 mil jovens, entre gays, lésbicas e bissexuais usam a palavra “outro” ou seus próprios termos para definir o gênero.

(Portal Terra)

Bairros gays são campeões de aumento de renda nos Estados Unidos

São Paulo – É americano e quer morar em um lugar onde a renda vai aumentar? Se mude para um “gayborhood”.

A conclusão é de um estudo apresentado no início do ano no encontro da Associação Americana de Economistas.

Os pesquisadores Matthew Ruther, da Universidade do Colorado, e Janice Madden, da Universidade da Pensilvânia, analisaram dados do censo de 38 grandes cidades dos Estados Unidos divididas em pequenos setores.

Eles perceberam que as micro-regiões que tinham mais casais de homens gays no ano de 2000 experimentaram um crescimento especialmente maior da renda familiar (e, consequentemente, dos preços de imóveis) ao longo da década seguinte. 

No Nordeste e Oeste do país, houve também um crescimento populacional expressivo naqueles bairros.

Nenhuma das relações foi verificada em bairros com mais casais de lésbicas – que tem quatro vezes mais chance de ter filhos e renda em média 20% menor em comparação com os casais de homens.

O estudo mostrou também que de forma geral, os gays tendem a ser atraídos por bairros com maior taxa de vacância e habitação mais antiga. É possível, portanto, que a relação verificada entre gays e renda ande em paralelo com outras dinâmicas do mercado imobiliário.

Mitos

Os números não confirmaram outras teses levantadas por estudos anteriores. Até pouco tempo atrás, era difícil encontrar dados amplos e confiáveis sobre a distribuição dos gays na cidade.

De acordo com a análise de Ruther e Madden, eles não ficam cada vez mais concentrados em determinadas zonas com o passar do tempo, apesar de terem uma preferência maior por bairros centrais em todas as regiões do país, com exceção do Sul.

O estudo não encontrou muita relação entre onde os casais de homens e de mulheres decidem morar.

Eles também não apresentam uma preferência particularmente maior por bairros com maior diversidade racial, apesar do padrão de segregação dos homossexuais dentro da cidade ser curiosamente similar ao dos afro-americanos.

(João Pedro Caleiro, Exame Online)

Escócia é o 17º país a aprovar casamento entre homossexuais

Escócia aprovou por esmagadora maioria nesta terça-feira (4) a autorização a casamentos entre pessoas do mesmo sexo, tornando-se assim o 17º país a dar luz verde à essa união, apesar da oposição de suas principais organizações religiosas.

O governo escocês, que em setembro realizará um referendo sobre a independência da Grã-Bretanha, afirmou que a aprovação da lei de casamento entre homossexuais é um passo importante para a igualdade de direitos e abre caminho para a realização de cerimônias neste ano.

A iniciativa teve a oposição da Igreja Católica Escocesa e a igreja presbiteriana da Escócia, mas a lei não vai compelir instituições religiosas a realizar cerimônias em suas instalações.

A aprovação, por 105 votos a 18 no Parlamento autônomo da Escócia, segue uma legislação semelhante endossada no ano passado pelo Parlamento da Grã-Bretanha que permite casamentos de homossexuais na Inglaterra e no País de Gales. Os primeiros casamentos serão realizados em 29 de março.

O secretário de Saúde da Escócia, Alex Neil, disse ser correto que “casais do mesmo sexo possam expressar livremente seu amor e compromisso mútuo por meio do casamento”.

“O casamento é questão de amor, e isso sempre esteve no centro desta questão”, declarou Neil em comunicado.

Defensores dos homossexuais disseram que a votação foi um marco para a igualdade de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros na Escócia e elogiaram os esforços do governo escocês para fazer avançar a aprovação. Atualmente, a lei escocesa permite que casais do mesmo sexo estabeleçam uma parceria civil.

“Este é um momento profundamente emotivo para muitas pessoas que cresceram em um país onde ser gay ainda era um delito criminal até 1980″, disse o coordenador de políticas da entidade Equality Network, Tom French, em comunicado.

Segundo a lei, as cerimônias de casamento civil poderão ocorrer em qualquer local definido em comum acordo pelo casal e o registro civil.

Contrária ao movimento, a Igreja da Escócia disse que o casamento homossexual mudou fundamentalmente o casamento como sendo uma relação entre um homem e uma mulher.

A Aliança Evangélica da Escócia descreveu a decisão como “ficção legal” e um “golpe para a sociedade” num momento em que a Escócia está prestes a votar em setembro se deseja se separar do restante da Grã-Bretanha e se tornar um país independente.

A outra unidade do Reino Unido, a província da Irlanda do Norte, decidiu não aprovar legislação autorizando o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Escócia está entre um número crescente de países, bem como partes dos Estados Unidos e do México, que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A Holanda foi o primeiro em 2001, e no ano passado Inglaterra, País de Gales, Brasil, Uruguai, Nova Zelândia e França entraram para a lista.

(G1)

Dia da Visibilidade Trans: Programação especial celebra data em Fortaleza

Na próxima quarta-feira, 29, é comemorado o Dia da Visibilidade Trans. Por isso, a Secretaria de Cidadania e Direitos Humanos preparou programação para esta semana em Fortaleza, com exibição de filmes temáticos, vacinas para hepatites virais, blitzes educativas/ informativas, entre outras ações. 

As atividades buscam fortalecer princípios como a defesa e a promoção da pessoa humana e combate a lesbo/homo/bi e transfobia.

Na programação, um dos destaques é a Tarde de Cidadania para Traverstis e Transexuais, quando será realizada a confecção do cartão do Sistema Único de Saúde (SUS) com o nome social de travestis e transexuais. 

As ações estão sendo organizadas pela Coordenadoria da Diversidade Sexual, com apoio da Coordenadoria de Políticas Públicas para LGBT do Governo do Estado e da Associação de Travestis do Ceará (Atrac). 

Saiba mais
O Dia da Visibilidade Trans surgiu de uma campanha, em 2004, criada pelo Ministério da Saúde em parceria com o movimento brasileiro de travestis. 

Programação 
Dia da Visibilidade Trans em Fortaleza

Dia 27 de janeiro – segunda-feira

Blitz Educativa/Informativa (tarde e noite)

Local: Barra do Ceará

Blitz Educativa/Informativa (noite)

Local: Centro de Fortaleza.

 

Dia 28 de janeiro – terça-feira

15h – Filme debate “Olhe para mim de novo” (Sillvio Lucio)

Local: Espaço Vila das Artes, Rua 24 de Maio, 1.221 – Centro.

 

Dia 29 de janeiro – quarta-feira

13h – “Tarde da Cidadania para Travestis e Transexuais” com a participação da Coordenadoria da Diversidade Sexual do Município de Fortaleza e Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para LGBT do Governo do Estado do Ceará

14h – Lançamento do Cartão do SUS

14h – Testagens e Vacinas para as Hepatites Virais – parceria com o ABC Vida

20h – Noite de Homenagens e Renovações

Local: Hotel Amuarama – Av. Dep. Oswaldo Studart, 888 – Fátima.

 

Dia 30 de janeiro – quinta-feira

9h – Filme debate: “Kátia”

14h – Filme debate: “Olhe para mim de novo”

Local: CIEE – Centro de Integração Empresa Escola – Faculdade Darcy Ribeiro, Rua Heráclito Graça, 400 – Centro.

 

Dia 31 de janeiro – sexta-feira

19h – “Sexta de Todas as Cores”

Local: Cidade da Criança/ Parque da Liberdade – Rua Pedro I, S/N – Centro.

Atrações artísticas: Ricardo Dione, Lena Oxa, Cláudia Ferraz e Satyne Haddukan

Redação O POVO Online

Vida de casal gay afro desencadeia série de comentários racistas e homofóbicos na internet

Quem tem filhos e um smartphone não consegue parar de tirar fotos dos momentos fofos de sua família. É das coisas mais normais, mais comuns, e até mais irritantes para quem não tem prole e não aguenta mais ver fotos da carinha engraçada que o bebê fez quando foi dar um arrotinho. Não há nada polêmico nisso, certo?

A não ser, claro, que a fonte das fotos familiares seja um casal de homens. Com três filhas. E negros. E sarados. Daí a tuitosfera se dá o direito de achar isso muito errado, lamentar pelo futuro das crianças e se perguntar o que que os adultos envolvidos realmente querem.

O casal em questão é Kordale e Kaleb, que há alguns meses vem postando em sua conta no Instagram fotos de seu cotidiano. Os atores vivem com as três filhas de Kordale e fazem tudo que é tão prosaico se fazer: preparam jantar, penteam o cabelo das meninas para a escola, leem histórias antes de dormir, fazem selfies em momentos de descontração. E, como tanta gente que trabalha o corpinho, também tiram aquela foto no espelho (sem camisa) para postar no Facebook. A mãe das crianças conhece o casal e convive com eles, como se passa com tantos casais separados que têm filhos.

O barulho todo vem, é claro, do fato de famílias de casais gays (principalmente tão jovens, e principalmente com TRÊS filhos) ainda ser uma visão rara. Mais rara ainda é uma família gay de negros – infelizmente, a comunidade afro costuma ser mais homofóbica que a média, como discutimos no Lado Bi dos Negros. Como disse a blogueira Beyond Steven sobre Kordale e Kaleb:

É quase como se casais gays negros não existissem – mas existem. Nosso amor existe, nossos relacionamentos são reais, alguns de nós são pais, alguns de nós são jovens, e alguns de nós são casados ou pretendem se casar. Eu não quero que nossa comunidade, de todas as comunidades, não seja capaz de se enxergar quando pensam sobre o que significa ser um casal. É muito fácil pensar que amor, casamento e comprometimento são coisas que só acontecem para os gays brancos. Nós mal temos um personagem negro na TV, quanto menos um casal.

Em entrevista ao programa BlogTalkRadio, o casal explicou a ideia por trás de sua conta no Instagram:

Nós temos um amor que queremos compartilhar com o mundo. Eu espero que nós dois consigamos dar esperança para as pessoas que vivem como nós vivemos, e mostrar para eles que o amor é possível. Queremos inspirar outros a fazer seja o que for que realmente querem fazer e a escolher a pessoa com querem estar não importa seu sexo, sua raça, ou seu gênero. Acho que isso é algo que conseguimos levar a quem estiver disposto a ouvir ou ver.

Via http://www.ladobi.com/2014/01/kordale-kaleb/

 

Na Globo, mulheres podem beijar na boca; gays continuam amordaçados

A Globo adora gays. É o que se conclui ao perceber que, nos últimos dez anos, a maioria das novelas das 19h e 21h apresentou personagens masculinos homossexuais. Em uma única trama, ‘Paraíso Tropical’ (2007), existiam dois casais. Em outro folhetim, ‘Insensato Coração’, o número de gays chegou a quase dez. Não foi mera coincidência. As duas novelas foram escritas por Gilberto Braga. O autor é assumidamente homossexual. Aliás, ele acaba de ficar noivo de seu companheiro, o decorador Edgard Moura Brasil, com quem vive há 30 anos.

Apesar de a bandeira da diversidade estar fincada no horário nobre da emissora, a cúpula global nunca permitiu a exibição de um beijo na boca entre dois homens. Agora os olhos do país se voltam para Félix e Niko em ‘Amor à Vida’. O autor Walcyr Carrasco, bissexual declarado, teria recebido carta branca da direção da emissora para ressaltar o final feliz do casal com um beijo. Verdade ou mentira, saberemos somente no dia 31, quando a novela termina. 

Já o beijo entre mulheres não é exatamente um tabu na Globo. Exemplo disso é a exibição no último domingo, por volta de 11 da noite, do beijão das sisters Clara e Vanessa numa festa do BBB14. Duas loiras bonitas se beijando é uma imagem recorrente na galeria de fetiches da maioria dos heterossexuais. Será por isso que é aceito com maior naturalidade e exibido sem alarde na TV, ao contrário do boca a boca entre dois homens? E se, ao invés de duas sisters, o beijo tivesse acontecido entre dois brothers? A Globo exibiria a cena? 

Há chance desse beijo gay masculino acontecer nesta edição do reality show. O empresário Vagner é homossexual de carteirinha e crachá. Solteiro, parece disposto a se divertir muito no confinamento. O cozinheiro Rodrigo, o Portuga, é do tipo sem preconceito. Logo nas primeiras horas dentro da casa, se mostrou aberto às experiências: “Trabalho com muitos gays, eles vêm com brincadeiras comigo. Às vezes um vem e me dá um selinho na boca”. Em outro momento da conversa, o pernambucano não descartou ficar com outro homem diante das câmeras do BBB: “Eu não pretendo (beijar um homem), mas…”. Esse ‘mas’ ainda pode surpreender.

A liberação do beijo gay na teledramaturgia da Globo quase aconteceu em ‘América’, de 2005. A cena entre os peões Junior (Bruno Gagliasso) e Zeca (Erom Cordeiro) foi gravada. A direção da novela tomou o cuidado de registrar diferentes intensidades de beijo. Optou-se por um encontro de lábios calmo e romântico. Porém, a sequência foi vetada horas antes de ir ao ar no último capítulo da trama. Na época, a autora Gloria Perez expressou publicamente frustração com a censura interna.

Para não cometer imprecisão, é importante lembrar que dois homens já tocaram sim os lábios em uma novela global. Porém foi um selinho pueril. Aconteceu em ‘Um Sonho a Mais’, trama das 7 produzida em 1985. Ney Latorraca, vestido como Anabela Freire (um disfarce de seu personagem hétero Volpone), deu uma bitoca no iludido Pedro Ernesto (Carlos Kroeber), que acreditava estar diante de uma mulher. Foi tão caricatural que não chocou. 

Em novela da Globo, o beijo gay feminino mais lembrado é o de Clara (Aline Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) em ‘Mulheres Apaixonadas’, escrita por Manoel Carlos. Não foi ‘aquele’ beijo. As duas também deram um selinho angelical, numa encenação de ‘Romeu e Julieta’, de Shakespeare. Como em ‘Um Sonho a Mais’, recorreu-se à ficção dentro da ficção para amenizar o impacto da demonstração afetiva entre pessoas do mesmo sexo.

Manoel Carlos volta ao tema do amor entre mulheres em sua nova novela, ‘Em Família’. A dona de casa Clara (Giovanna Antonelli) vai trocar um casamento entediante com Cadu (Reynaldo Gianecchini) pela paixão por Marina (Tainá Müller). Em várias entrevistas, o autor confirmou a possibilidade de escrever um beijo entre as duas. Outro selinho à vista? Ou a Globo será liberal como o SBT, que mostrou um beijo com ‘b’ maiúsculo entre Luciana Vendramini e Gisele Tigre em ‘Amor e Revolução’?

A minissérie ‘A Teia’, a partir do dia 28, na Globo, terá cenas quentes entre duas mulheres. Ou seja, em minissérie e no Big Brother, pode. Na novela, não pode. Enquanto a ficção da Globo mostra selinhos tímidos entre mulheres e mantém amordaçada a boca dos gays masculinos, emissoras de outros países já liberaram geral. Na vizinha Argentina, a novela ‘Farsantes’, do Canal 13, exibiu o beijo entre dois advogados que se apaixonaram na convivência do escritório. Em Portugal, a versão local de ‘Dancin´Days’, no canal SIC, mostrou o final feliz — com direito a casamento e beijo — de um pai de família com vida dupla que se assumiu gay após se apaixonar por outro homem. 

Aqui, por enquanto, os gays das novelas só podem dar ‘beijinho no ombro’, como canta a funkeira Valesca Popozuda, musa do movimento GLBT.

Via http://diversao.terra.com.br

Humorista Paulo Diógenes, a “Raimundinha” se casa com o administrador Tarcísio Rocha

Foto: Reprodução Instagram/ Carla Soraya

O vereador e humorista Paulo Diógenes se casou na noite desta quarta-feira (15) com o administrador Tarcísio Rocha. O casamento homoafetivo ocorreu no buffet Ilmar Gourmet, no bairro Engenheiro Luciano Cavalcante, com cerca de mil convidados.

Entre os destaques da festa, estavam os padrinhos: Roberto Cláudio e Jean Willys; prefeito de Fortaleza e deputado federal, respectivamente. A cerimônia também teve a presença de personalidades cearenses.

(Blog do Roberto Moreira, Diário do Nordeste)

O fundamentalismo religioso ajuda a manter o futebol na Idade das Trevas

Hitzlsperger, que assumiu a homossexualidade

Partiu do zagueiro Alex, do Paris Saint Germain, a primeira crítica ao ex-craque alemão Thomas Hitzlsperger, que assumiu a homossexualidade. Alex, num daqueles surtos de burrice e intolerância, condenou o colega e afirmou que “Deus criou Adão e Eva, e não Adão e Ivo”.

Alex não foi o único a se manifestar contra Hitzlsperger. Outros atletas fizeram comentários no mesmo teor.

O encrenqueiro Joey Barton, ex-Olympique de Marselha, atualmente no Queens Park Rangers, da segunda divisão inglesa, bateu sem dó nos cristãos conservadores. Depois de dizer que o gesto de Hitzlsperger é “valente”, ele lamentou que jogadores tenham de esperar a aposentadoria para “sair do armário”.

“Mas é compreensível quando fanáticos religiosos, vítimas de lavagem cerebral, ainda acreditem num livro de ficção escrito há mais de 2 mil anos”, declarou. “Para ser um extremista, você deve ser extremamente burro, na minha opinião. Alex, do PSG, simplesmente confirma minha teoria com seus comentários”.

O futebol é um meio notoriamente preconceituoso e isso não é novidade. Mas Barton, à sua maneira direta (ele já chamou Neymar de “craque do YouTube”), acabou chamando a atenção para um problema enorme.

Um grande número de jogadores brasileiros é evangélico. Há alguns anos, os Atletas de Cristo fizeram barulho com suas rezas no vestiário e no meio do campo. De certo modo, a igreja funcionava, para eles, como um jeito de escapar da vida dissoluta advinda do enriquecimento rápido.

Hoje se sabe que o enriquecimento continua rápido, a vida ainda é dissoluta — e as igrejas a que eles servem estão mais poderosas e influentes. Um especial recente da BBC abordou o crescimento do número de jogadores crentes na Europa.

Assim como o fundamentalismo religioso ganha mais espaço na política, sua força cresce também no futebol. Será necessário mais do que um Joey Barton e um Thomas Hitzsperger para tirar o esporte das trevas.

(Kiko Nogueira, Diário do Centro do Mundo)

Nigéria aprova lei que proíbe casamento e uniões civis entre homossexuais

Brasília – O presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, aprovou hoje (13/1) uma lei que proíbe o casamento e as uniões civis entre pessoas do mesmo sexo, informou o seu porta-voz, Reuben Abati. A lei prevê 14 anos de prisão para quem case ou viva em união de fato com uma pessoa do mesmo sexo. Os casamentos realizados no estrangeiro não são reconhecidos na Nigéria.

Quem estiver de algum modo relacionado a clubes ou organizações homossexuais ou demonstre publicamente um relacionamento desse tipo também pode ser punido com até dez anos de prisão, de acordo com a nova lei. Jonathan diz que assinou a lei porque ela é coerente com a atitude da maioria dos habitantes do país em relação à homossexualidade.

“Mais de 90% nigerianos opõe-se ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Por isso, a lei está em linha com as nossas crenças culturais e religiosas”, explicou o porta-voz.

A Anistia Internacional havia pedido que o presidente nigeriano rejeitasse o projeto de lei, classificando-o como “discriminatório”.

(Correio Brasiliense)

Travesti Rayka Tomaz é brutalmente assassinada em Fortaleza

Foto: Facebook/RaykaTomaz

Na manhã desta sexta feira 10 de janeiro, a travesti Rayka Tomaz, foi encontrada em seu apartamento próximo a Avenida Monsenhor Tabosa, com varias perfurações a faca pelo corpo. 

Segundo um amigo da vítima que esteve com ela na última quarta-feira, na quinta-feira 09 a mesma não foi trabalhar e seu celular estava desligado. 

Nesta sexta-feira, familiares vieram à Fortaleza, preocupados com a falta de notícias da mesma e na companhia de policiais autorizaram a proprietária do imóvel a abrir a porta do apartamento encontrando o corpo de Rayka despido e com várias perfurações a faca. 

Para a perícia, Rayka Tomaz pode ter sido esfaqueada durante a noite e agonizado por varias horas antes de vim a óbito. Ainda segundo o amigo a mesma deve ter sofrido por longas horas sem poder pedir socorro já que tinha lençóis lhe tapando a boca. 

Agora parentes e amigos clamam por justiça que talvez nunca chegue. 

O enterro será neste sábado na cidade de Horizonte. 

(Portal Onix Dance)

 

Ninfomaníaca, de Lars Von Trier, estreia em Fortaleza nesta sexta

Ninfomaníaca, do dinamarquês Lars von Trier, tem enredo simplório. É noite fria de inverno quando Seligman (Stellan Skarsgård), um solteirão de meia idade, encontra uma mulher caída no meio de um beco. Ela foi espancada; está destruída.

Trata-se da ninfomaníaca diagnosticada Joe (Charlotte Gainsbourg), que, já no apartamento dele para onde é levada a se recuperar, conta seu percurso de luxúria. Da juventude até seus 50 anos. Algo equivalente a um pornográfico “bildungsroman” (expressão alemã que significa uma narrativa literária de formação ou de aprendizagem) .

Com muitas cenas de sexo – explícito, claro -, o filme chega hoje às salas de cinema em todo o País, mas não se conclui. As duas horas iniciais, divididas em oito capítulos com dúzias de referências filosóficas que tentam dar um ar substancial à trama, mostram apenas a primeira parte da narrativa.

O resto, a segunda e última metade, aparece nas telas apenas em março. Ao todo, serão cerca de quatro horas de projeção das cinco horas e meia totais que Von Trier queria ver lançadas num único produto, mas acabou impedido pelos produtores por não ser comercialmente atraente. A interdição fez o diretor terceirizar o corte final do filme, atitude absolutamente incomum.

Versão oficial apenas. Do controverso Von Trier, não custa desconfiar. Ou esperar polêmicas. Como a que deu esteira e esquentou os trabalhos de Ninfomaníaca. Em 2011, numa coletiva de imprensa em Cannes, o diretor disse que “simpatizava” e “entendia” Hitler, embora ele tenha feito “coisas erradas”.

Divulgava o recém-lançado Melancolia, que foi banido da programação. Além disso, ele mesmo virou “persona non grata” naquele festival. Depois, desculpou-se, mas já era tarde. Ao The New York Times, disse, na época, esperar que as reações acaloradas sobre suas declarações não tornassem impossível seu projeto seguinte. Não foi o que aconteceu. 

Ao contrário, ele se usou do burburinho para capitalizar atração e apimentar ainda mais o filme. No material de divulgação, Von Trier aparece com a boca fechada por uma fita adesiva. Não tem dado entrevistas há meses. E num diálogo entre os protagonistas, faz Seligman destacar que não se deve confundir “antissemitismo” com “antissionismo”.

Os cartazes e teasers do filme – incluindo o slogan “Forget about love” (esqueça o amor) – também ajudaram a aumentar a expectativa em torno da produção. Os posters traziam os rostos dos atores (Shia LaBeouf, Uma Thurman, Willem Dafoe, Charlotte Gainsbourg, Stellan Skarsgård etc.) simulando o momento de êxtase na hora do orgasmo.

O trailer exibe cenas que os sites têm reproduzido não sem um aviso indicando-as apenas para maiores de 18 anos. “Vou discutir a completa amoralidade”, afirmou o diretor. A crítica se dividiu.

“A sexualidade, em Joe, não é angústia, felicidade, gozo. Não é nada, a rigor. É um ato desprovido de sentido, embora sempre em busca de sentido”, escreveu positivamente Inácio Araújo na Folha de S. Paulo. Susana Schild, em O Globo, reclamou que o filme traz uma visão “infantil do sexo”. “Ninfomaníaca bate na tecla de que ‘mulher nasceu para pecar e sofrer’”, completa ela. O jornal espanhol El País propôs sete filmes que considerou melhores no quesito sexual do que o filme de Trier.

Junto com Um Estranho no Lago, Azul é a Cor mais Quente e Tatuagem, Ninfomaníaca faz parte de uma fornada de obras contemporâneas em que o sexo atravessa os personagens de modo incontornável. O que essa volta do olhar ao sexo está querendo nos dizer? E como ou o que exatamente fala o cinema sobre o sexo? Von Trier enfrenta de alguma forma essas questões. Resta saber se ele conseguirá convencer o espectador a acompanhar ainda o desfecho da aparentemente prazerosa vida de Joe. 

SERVIÇO 

Ninfomaníaca ( 120 minutos, 18 anos)

Direção: Lars Von Trier

Onde: Cinema do Dragão (rua Dragão do Mar 81, Praia de Iracema) 

Horários: 10/01 (16h-18h20-20h30); 11/01 (16h-18h20-20h30); 12/01 (15h20-17h40-20h); 14/01 (15h20-17h40-20h); 15/01 (16h-18h20-20h30); 16/01 (16h-18h20-20h30).

Ingressos: R$ 12 (inteira)
Saiba mais 

A atriz Charlotte Gainsbourg, filha do famoso cantor francês Serge, não é assim tão estranha às polêmicas de conteúdo sexual. Com o pai, ela gravou uma música aos 15 anos, chamada “Lemon Incest”. A letra foi acusada de ser uma apologia à pedofilia.

(Alan Santiago, O Povo)

Ian Matos, atleta do Fluminense, assume homossexualidade

O leitor do BLOG LGBT pode estar sabendo da orientação sexual do atleta do salto ornamental Ian Matos, 24 anos, antes ainda dos pais do esportista. Decidido, ele resolveu tornar pública a orientação sexual sem achar necessário  informar parte da família, somente a duas irmãs. Atleta do Fluminense, ele começou a treinar no clube na última segunda-feira (6) após uma temporada de sete anos em Brasília. O foco são as Olimpíadas do Rio, em 2016, onde a presença dele é quase certa.

Paraense da cidade de Muaná, Matos conversou sobre a homossexualidade a esta reportagem com a naturalidade e a personalidade de quem é dono do próprio nariz desde o final da adolescência, quando saiu de casa para morar na capital federal. “Desde os 18 anos sou eu quem cuida da minha vida, em todas as decisões que tomo, eu só informo que vou fazer”, disse aos risos. “Em 2011 eu queria contar [que é gay], mas aconteceram vários problemas na minha família, meus pais se separaram, muito bafafá, aí não falei nada”.

Foi três vezes campão brasileiro no trampolim de 1 metro e é o atual campeão na plataforma de 3 metros. Seguro, afirmou estar preparado para as consequências de “sair do armário”, como a fuga de patrocinadores. “Até porque não tenho patrocínio nenhum. Sempre fui pobre”, brincou.

Ao lado do também atleta do Fluminense, Luiz Felipe Outerelo, tem a melhor marca do país no salto sincronizado. Por ser o Brasil sede da competição olímpica, a melhor dupla nacional tem vaga garantida na final da competição. A primeira meta de Matos é chegar à final entre as cinco melhores duplas do mundo.

Embora tenha se destacado no esporte muito cedo, ele teve que enfrentar a homofobia de colegas de competição. Contou que muitos adversários diziam que não queriam perder “para aquele veadinho”. “No começo me incomodava, depois passei a ignorar, e fazer a minha parte. acho que [depois da entrevista] o povo vai pensar duas vezes em falar alguma coisa”, disse bem–humorado.

O atleta acredita na importância para a sociedade de tornar pública sua homossexualidade. “Eu poderia levar a vida só com as pessoas próximas a mim sabendo da minha orientação sexual. Mas acredito em legado, e que pessoas que estão na mídia são formadoras de opinião. Então, por isso, acho que tenho compromisso de mostrar que ser gay não é um defeito, não é isso que te define. E que você pode ser feliz do jeito que você é”.

BLOG LGBT – Como foi tomar a decisão de assumir publicamente a homossexualidade. Houve pressão externa para que você não tomasse essa atitude?

Ian Matos – Não teve pressão nenhuma. Quando saí de Belém em 2007 minha vida mudou completamente e nos seis anos que morei em Brasília eu cresci muito como atleta e como pessoa. Como agora estava passando por outro momento de mudança vindo para o Rio, achei que não teria problema falar sobre isso.

BLOG LGBT – Com essa divulgação na mídia pode ser que seus pais acabem sabendo de sua orientação sexual de um jeito ou de outro. Como você acha que eles vão reagir?

Ian Matos – Acredito que meu pai, se souber, não vai gostar muito. Sempre fomos distantes. Minha mãe, acho que vai aceitar numa boa, mas vai ficar com aquele medo de mãe. Eles são pessoas simples. Se gente estudada já tem um monte de “pré-conceitos” sobre homossexualidade imagina duas pessoas que só tiveram o Ensino Médio. Mas isso não me preocupa de verdade, o que eu quero agora e focar pra 2016.

BLOG LGBT – O que é ser gay no Brasil? 
Ian Matos – Ser gay no Brasil é ser menosprezado, para você ser no mínimo tratado como igual, uma pessoa “normal”, você tem que ser acima da média. Sempre soube que era gay, então, desde muito pequeno, eu sempre me esforcei muito pra ser o melhor em tudo que fazia. Levei isso para os estudos para o esporte. É meio complicado falar como é ser gay no Brasil, somos muito plurais e a própria homossexualidade é plural aqui. Ser gay no nordeste não e a mesma coisa de ser gay no sul.

BLOG LGBT – Você disse que se sentiu mais livre quando saiu de Belém. Como foi essa mudança? Quem era o Ian em Belém e como ele é hoje?

Ian Matos – Eu vivia a homossexualidade de uma forma bem diferente em Belém. Iniciei a vida sexual muito cedo, entre 11 e 12 anos com mulheres e 12 com homens, mas sempre me apaixonava por mulheres; por homens era algo completamente carnal. Em Belém, eu não me imaginava namorando outro menino até porque não conhecia ninguém que tinha um namorado (rindo). Quando mudei para Brasília foi outro universo que se abriu. Conheci casais que já estavam juntos há mais de 10 anos. Minha primeira balada gay foi em Brasília, as primeiras paixões.

BLOG LGBT – Corre nos bastidores que um famoso atleta olímpico brasileiro, que até a sombra dele sabe que é gay, não sai do armário por pressão dos patrocinadores. Que tipo de pressão um atleta sofre para ficar no armário. Você está preparado para sofrer retaliações de empresas que não vão querer associar as marcas a você ?

Ian Matos – Eu não sofri pressão até porque não tenho patrocínio nenhum (rindo). Acho que o maior medo era esse em relação a patrocínio, de talvez não conseguir algo pelo fato de ser gay assumido. Mas, eu sabia o que podia acontecer se assumisse publicamente, então estou preparado caso haja retaliações.

BLOG LGBT – Você se inspirou no seu colega de esporte, o inglês Tom Daley, para sair do armário? O que você achou da forma como ele tomou tal atitude? E como atleta, qual sua opinião sobre ele?Ian Matos – A atitude do Tom com certeza teve um impacto, ele é um talento ímpar e uma ótima pessoa. Conheci pessoalmente em 2011 e ele foi super simpático, fiz amizade com algumas meninas da delegação da Inglaterra e elas todas disseram que ele é uma ótima pessoa.

BLOG LGBT – Daley foi eleito pela revista inglesa Attitude o homem mais sexy do mundo no ano passado. Concorda com a revista? Acha ele sexy ou tem gente mais bonita no esporte e fora do meio?

Ian Matos – Eu acho o Tom muito gostoso e super simpático, mas pra mim ainda falta alguma coisa para ser mais atraente, acho difícil explicar (rindo). Tem um saltador chamado Constatin Blaha, o moleque chama muita atenção, ele tem um charme a mais, não é só o rosto e o corpo bonito. Acho que o Tom ainda é um pouco novo. E fora do esporte, eu sempre fui louco no Ian Somehalder desde que o vi em Lost.

BLOG LGBT – E para encerrar, uma pergunta clichê, mas inevitável. Como vai ser disputar as Olimpíadas diante da torcida do seu país?

Ian Matos – Aterrorizante e emocionante ao mesmo tempo. Eu tremo só de imaginar. Em 2016, no começo do ano, vamos ter a Copa do Mundo aqui no Rio, já vai dar para ter uma ideia. Isso é algo que vou ter que trabalhar até lá.

Via http://blogs.odia.ig.com.br/lgbt

Romário e a Transexual: quando a transfobia ultrapassa o affair

Romário virou mania na internet depois de aparecer com modelo transexual numa foto (reprodução)

Neto Lucon, em seu blog

“Transexual sai com Romário e diz: ‘Somos amigos bem íntimos’”, diz a chamada do jornal O Dia desta terça-feira, 17, mostrando uma foto da modelo Thalita Zampirolli de mãos dadas com o ex-jogador. Num primeiro momento, pensei: E daí? Não é de hoje que sabemos que belas travestis e mulheres transexuais se envolvem com jogadores. Depois, pensei que o romance assumido de uma trans com um ídolo do futebol poderia contribuir com a causa trans e para a naturalização do relacionamento – que geralmente cai no amor clandestino ou “na pegadinha do Mallandro”. Até que lamentavelmente vi a enxurrada de transfobia (ou despreparo) sendo derramada pela publicação, pela própria trans, por Romário e pelos leitores – muita gente na minha própria timeline compartilhando com deboche.

Primeiro, o jornalista tratou do affair como se fosse o acasalamento da mulher macaca. Perguntas óbvias como ‘Rola beijo na boca?’ ou agressivas e insistentes como ‘Qual é o seu nome de batismo?’, ‘Mas você tinha um primeiro nome, não é?’, ‘Ninguém diz que você é transexual… Ou diz?’ foram despejadas em cima da modelo. Questões que certamente não teriam o menor cabimento se o jornalista não estivesse munido da ideia de que o relacionamento com uma trans fosse digno de piada. Ou de que uma mulher transexual nada mais é que uma mulher e que tais perguntas destinadas a uma pessoa que lutou pela identidade feminina são no mínimo desrespeitosas.

Depois, senti meus ouvidos doerem com as respostas despolitizadas e munidas apenas de vaidade de Thalita – algo comum em algumas mulheres transexuais, que após passarem pela cirurgia de redesignação e mudança de documentos decidem viver apenas da passabilidade cisgênera, renegando a condição trans. Tanto que, ao receber o elogio de que tem a voz feminina, ela diz que por causa de sua aparência prefere viver de forma diferenciada, longe das lutas LGBTs e da prostituição. ‘Sou criticada por não apoiar manifestações LGBT. Eu vivo em outro mundo. Não apoio. Muitas manifestações pedem respeito, mas você vê hoje em dia nas paradas gays muita falta de respeito. Eles se beijam [???], transam na areia… Não apoio isso. Trabalho com vários gays, eles têm um padrão de vida diferente da maioria e poderiam pedir respeito de forma diferenciada”.

O que Thalita não poderia imaginar – talvez por ser “diferenciada” e não estar informada sobre o cenário T no Brasil (e este é um direito dela, mas infelizmente o mundo é um só) – é que Romário, seu amigo íntimo, fosse manifestar contra o romance público e negar tudo, dizendo que ‘ela não é mulher’ e que, por esse motivo, não teria rolado nada entre eles. Em seu Facebook, o ex-atleta alegou que Thalita é gente boa, sangue bom, é sua camarada, mas garantiu que certamente ‘casamento não iria rolar’, soltando uma gargalhada logo em seguida. ‘Disse que respeito o gosto pessoal de qualquer pessoa, mas volto a afirmar: eu gosto de mulher!’, escreveu.

Surgiram ainda a onda de comentários espinhosos abaixo da entrevista. ‘Quem diria o Romário pegando traveco…kkkk’, ‘Doutor Romário dando o ré no quibe’, ‘Quem diria… Romário que sempre foi um cara ‘machão’… Nada contra a opção homossexual, mas a gente se surpreende quando descobre que uma pessoa do perfil do Romário faz essa opção’. Um feedback claro de como a transfobia está presente no discurso, de como uma mulher transexual não tem a sua identidade feminina legitimada, de como o órgão genital ainda é visto como o destino, e de como uma transexual é percebida como um homem querendo se passar por quem não é. Ou seja, “uma farsa que deve ficar somente entre quatro paredes – jamais em público”.

Porém, esqueceram de dizer para Romário (e para muita gente) que ninguém nasce mulher, torna-se mulher [como bem disse Simone de Beauvoir] por uma construção social e física. Esqueceram de dizer que a transexualidade não é o mesmo que homossexualidade e que o genital não define o gênero. Esqueceram de dizer ainda que a atração sexual não se explica, não é digna de questionamento e muito menos de deboche. Por fim, esqueceram de avisar a todos que (um pouco) de informação, respeito e consciência política faz bem para a sociedade em geral. Inclusive para nós mesmos e para a quebra dos nossos preconceitos internalizados, que nos fazem reproduzir muitas vezes o discurso do opressor.

Afinal, enquanto ficamos presos a esse tipo de desserviço na mídia, Thalita continua considerando o beijo LGBT em público um desrespeito, Romário continua querendo abafar o relacionamento com uma transexual e deslegitimá-la como mulher, o leitor continua propagando as suas fobias na rede. E o que poderia ser uma linda história de amor, se transformou em mais uma triste manifestação de transfobia e outros preconceitos. E o pior: de todos os lados.

Miro Martins: Jovem homossexual comete suicídio em shopping de Manaus

Miro Martins (reprodução)

Mais um daqueles desfechos trágicos envolvendo rejeição e homofobia. Nesta terça-feira (10/12), por volta de 11h30, um homem se jogou do estacionamento do cinema do Millennium Shopping, em Manaus (Amazonas), que fica no 10º andar do prédio. O corpo foi encontrado no térreo com o crânio partido ao meio, após o impacto com a ponta de um dos vasos de plantas do local.

A vítima foi identificada como sendo Miro Martins, um jovem professor de inglês, que tinha acabado de sair de uma sessão de terapia com um psicólogo. Miro era abertamente gay, mas não tinha o apoio da família em relação a sua sexualidade. O IML agiu rapidamente e removeu o corpo do pátio, mas não evitou que curiosos fotografassem e postassem as imagens da fatalidade nas redes sociais. As imagens fortes não serão divulgadas em Pragmatismo Político.

Através de um comunicado no perfil do Facebook, Renato e Hiléia Silva, pais do rapaz, demonstraram tristeza com o ocorrido. “Ontem, nosso precioso e amado Miro faleceu tragicamente. Ele se jogou do 10 andar. Estamos todos arrasados com esta perda irreparável e insuperável”, declararam. “Miro sempre foi um rapaz doce, carinhoso, muito amigo. Agradecemos todas as manifestações de carinho”, concluiu o casal.

Via Pragmatismo Político

Casos de Aids no Ceará diminuem cerca de 50% em 2013

O Ceará registrou uma queda, de cerca de 50%, na taxa de incidência de aids em 2013. Este é um ano atípico, tendo em vista que houve a epidemia da doença apresentou uma tendência de crescimento no período compreendido entre 1996 e 2012.

Desde primeiro caso conhecido da doença em 1983, foram registrados 13.208 casos de aids em cearenses no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) até novembro de 2013. Somente em 2012, foram confirmados 1.072 casos de aids, sendo 58% apenas em Fortaleza.

Segundo Teófilo Gravinis, que é assessor técnico da coordenação estadual de DST Aids da Sesa, o número de casos diminuiu principalmente na transição vertical de HIV, que é quando a mãe transmite o vírus para o filho. “O perfil do Brasil é um perfil de estabilização e aí, no geral, os estados são parecidos. Para nós, houve essa coisa favorável que foi a diminuição da incidência da gestante para o bebê”.

Para essa diminuição, Gravanis garantiu que algumas políticas públicas foram essenciais, como o aumento de capacitações dos profissionais de saúde e a disponibilização de reste rápido de HIV. Tudo isso também influencia no índice de mortalidade, já que com o tratamento adequado, o paciente ganha longevidade.

 

Interiorização

Segundo a Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa), o número de municípios do estado com registro da doença é crescente, passando de 72 no ano de 2000 para 98 em 2012. Mesmo assim, apesar da interiorização da epidemia, constata-se que os 17 municípios mais populosos concentram 844 casos – cerca de 78% –, sendo por isso considerados prioritários para o controle da doença.

“Nos últimos 10 anos, houve um crescimento de serviços especializados em HIV, como os centros universitários que atendem esses pacientes, com medico infectologista. E agora, não há necessidade de vir a Fortaleza”, ressaltou. Os pacientes podem ter tratamento gratuito da Aids nos municípios de Aracati, Brejo Santo, Cascavel, Juazeiro do Norte, Maracanaú, Quixadá e Sobral.

A medicação gratuita é garantida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a única forma de acesso. Quando um paciente realiza o tratamento, ele diminui o poder de transmissão do vírus.

Contexto nacional

O Brasil registrou 656.701 casos de aids no período de 1980 a 2012, conforme os últimos dados divulgados pelo Ministério da Saúde. Desse total, a região Nordeste representa apenas 13,5%.

No contexto do Nordeste, o estado do Ceará registrou 2,1% dos casos, ocupando o terceiro lugar no ranking dos estados da região.

Crianças

No Ceará, o primeiro caso de aids em criança foi notificado em 1985. No período de 2001 a 2013 um total de 211 casos foram notificados entre crianças menores de 5 anos de idade.

O número de gestante notificadas com HIV que estava ascendendo até 2009, vem apresentando declínio. Este é fato preocupante, uma vez que quanto mais gestantes forem diagnosticadas precocemente, maior a chance de que as mesmas, com o tratamento profilático adequado, não venham a transmitir o HIV para seus bebês.

Apesar disso vem sendo observado um declínio importante de casos de Aids entre crianças a partir do ano de 2009.

Ranking de cidades do Ceará

Município Casos em 2013 Total de casos desde 1983
Fortaleza 223 8.027
Caucaia 24 534
Maracanaú 37 519
Sobral 30 317
Aracati 1 148
Iguatu 6 143
Juazeiro do Norte 4 106
Cascavel 2 104
Russas 4 103

*Dados da Sesa

Dia Mundial de Luta contra a Aids

O Dia Mundial de Luta contra a Aids acontece no próximo domingo (1º). Para celebrar a data, a Sesa disponibilizará atendimento, neste sábado (30), para prevenir a doença. Serão realizados testes rápidos de HIV/Sífilis e a entrega dos resultados já é feita na manhã do sábado.

Em caso de resultado positivo nos testes, uma equipe faz o encaminhamento para tratamento nos serviços especializados de DSTs e Aids na rede do SUS. Para orientar e alertar sobre os cuidados com a doença, também haverá distribuição de dicas de como evitar a transmissão e como fazer o tratamento da doença, além da distribuição de preservativos masculinos e femininos.

(Hayanne Narlla, Tribuna do Ceará)

SEEB/CE participa do 3º Encontro Nacional de Mulheres Bancárias

O Sindicato dos Bancários do Ceará participa, entre os dias 25 e 27 de novembro, do 3º Encontro Nacional de Mulheres Bancárias, que será realizado pela Contraf-CUT no Instituto Cajamar, em São Paulo. O tema do evento este ano é “Não mexe comigo que eu não ando só”. A expectativa é reunir cerca de 150 participantes. O SEEB/CE será representado pelas diretoras Carmem Amélia, Marlúcia, Rita Ferreira, Bernadete, Rafhaela Castro, Maria Cristina e Léa Patrícia.

“Esperamos que esse Encontro ajude a fortalecer esta luta em todos os sindicatos, aumentar a pressão sobre os bancos e acabar com a discriminação às mulheres”, diz Carmem Amélia, diretora do SEEB/CE.

O Encontro – Os temas do Encontro defendem a autonomia das mulheres como fator fundamental para garantir o exercício de seus direitos humanos em um contexto de plena igualdade. Também fazem parte desta autonomia o controle sobre seu próprio corpo, a geração de renda e de recursos próprios e a participação na tomada de decisões que afetam sua vida e sua coletividade.

A palestra de abertura será “Rosa Luxemburgo na atualidade”, com a especialista Isabel Loureiro. “Ficamos sempre encantadas com as frases de Rosa Luxemburgo estampadas nas camisetas e será um ótimo momento para conhecer um pouco da vida e obra desta revolucionária”, afirma Deise Recoaro, secretária da Mulher da Contraf-CUT.

Entre os participantes estão Sonia Montaño, diretora da divisão de gênero da Cepal; Juvandia Moreira, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo; Erika Kokay, deputada federal (PT-DF); Marilane Teixeira, economista e pesquisadora da ESIT/Unicamp; Giovanni Alves, docente da Unesp de Marília; e Carmem Foro, vice-presidente da CUT Nacional.

Ainda no Encontro será debatida a formação do Coletivo Nacional de Mulheres, com aprovação de calendário de atividades, com a finalidade de dinamizar as campanhas e formular políticas para a categoria, que sempre foi referência na luta por igualdade.

(Sindicato dos Bancários do Ceará)

Dia da Memória Transgênerx: homenagem e luta contra a transfobia

Da revista Samuel

 

Dia da Memória Transgênerx: homenagem e luta contra a transfobia

 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

 

Desde 1999, o mês de novembro marca as homenagens às pessoas transgêneras mortas em crimes motivados pela transfobia, o ódio contra pessoas transgêneras, no Dia da Memória Transgênerx. Esse ano a data será observada no dia 20 de novembro, que no Brasil marca também a resistência contra outro tipo de ódio, o racismo, no Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.

 

O Transgender Day of Rememberance ou TDoR surgiu a partir da morte de Rita Hester, uma mulher transgênera negra assassinada nos Estados Unidos em 28 de novembro de 1998. Sua morte marcou o início da reação da comunidade trans* contra a violência transfóbica no projeto “Remembering our dead” (Lembrando nossxs mortxs), que homenageia as pessoas assassinadas por intolerância e ódio devido a suas identidades e expressões de gênero.

 

O aterrador aspecto global da transfobia tem sido divulgado anualmente pelo projeto Trans Murder Monitoring, que monitora os homicídios de pessoas transgêneras em todo o mundo. Desde 2008, foram registrados 1374 assassinatos de pessoas trans* em 60 países. O Brasil apresenta dados assustadores, sendo responsável por 539 dessas ocorrências, ou 39% do total. O mapa interativo realizado pelo TMM mostra a distribuição dos assassinatos registrados entre janeiro de 2008 e outubro de 2013, com os detalhes de cada caso.

 

No último ano, entre 20 de novembro de 2012 e 31 de outubro de 2013, foram 238 homicídios; 95 somente no Brasil. É importante ressaltar que esses números provavelmente são somente uma parcela desse tipo de crime, já que nem todas as ocorrências são registradas e divulgadas. Outro aspecto considerável é que os números maiores são registrados justamente nos países onde há comunidades LGBTQ bem estabelecidas, fortes e atuantes, como aqui, nos EUA e no México – as Américas são a região mais bem documentada, segundo o relatório do TMM. Ou seja, nesses lugares há uma atenção maior a esses crimes do que na Índia, por exemplo, onde o projeto só teve acesso a oito registros de homicídios motivados por transfobia no último ano. Outros países, como Honduras (12) e El Salvador (5), apresentaram menos ocorrências, mas suas populações são consideravelmente menores do que a brasileira ou a mexicana, o que faz com que proporcionalmente a situação se mostre ainda mais grave do que no Brasil ou no México (40).

 

No Rio de Janeiro, a gente bonita do Grupo Trans Revolução, do Laboratório de Direitos Humanos da UFRJ (LADIH) e do Coletivo Transfeminista BeijATO realiza hoje, 19 de novembro, o evento TDOR – Basta de Ódio e de Violência contra pessoas Trans*, um seminário ”contra a transfobia e contra a invisibilidade trans* e a sua exclusão e dificuldade de acesso a espaços públicos e privados”, na Faculdade Nacional de Direito (FND/UFRJ) (Rua Moncorvo Filho, 08 – Centro do Rio, do ladinho da Central do Brasil e do Campo de Santana) às 17:00. Transfóbicxs não passarão, minha gente. Tamo junto.

 

*

- Sobre o X como alternativa à dicotomia de gênero na língua portuguesa, Transtudo recomenda o belo texto “Minimanual dx guerrilheirx linguísticx”, de Marcos Visnadi, na amada revista Geni.

 

- Sobre o asterisco que acompanha o termo trans*: “O termo trans pode ser a abreviação de várias palavras que expressam diferentes identidades, como transexual ou transgênero, ou até mesmo travesti.  Por isso, para evitar classificações que correm o risco de serem excludentes, o asterisco é adicionado ao final da palavra transformando o termo trans em um termo guarda-chuva [umbrella term] – um termo englobador que estaria incluindo qualquer identidade trans ’embaixo do guarda-chuva’”. Do blog Transfeminismo.

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O cartunista Laerte posa nu e não vira notícia — e isso é uma boa notícia

Cartunista Laerte

O cartunista Laerte posou nu para a revista Rolling Stone em sua edição de aniversário. Aos 62 anos, Laerte fez um ensaio para o fotógrafo Rafael Roncato. Contou que “escolheu não viver sua homossexualidade por décadas”, mas que agora “não tinha mais como não ser eu”. Também lembrou do trágico acidente em que seu filho foi morto aos 22 anos, o que o levou a “reconsiderar tudo”.

Laerte é um desenhista imensamente talentoso, o melhor de sua geração (Angeli já admitiu isso). É adepto do crossdressing, ou seja, veste-se como mulher.

Há algum tempo, as fotografias provavelmente causariam um barulho enorme. Defensores e detratores se espancando. Mas o ensaio não virou notícia. Alguns comentários em redes sociais. Não sei se era a intenção da publicação ou do retratado, mas não houve polêmica. E isso é uma boa notícia.

Recentemente, o editor do site americano Gawker foi repreendido por organizações LGBT por pressionar um apresentador da Fox chamado Shepard Smith a sair do armário. Smith teria sido visto num bar com um homem. “Smith é uma figura pública, mas tem direito a uma vida privada. Como ele não age como um hipócrita, sair do armário publicamente é uma decisão que cabe somente a ele”, disse um ativista gay. Não havia escândalo possível e nem causa.

Quem se importa com a sexualidade de Laerte ou com o fato de ele ter tirado a roupa? Não muita gente. O Marco Feliciano não falou nenhuma besteira? Não.

É um avanço. Nos EUA, Meredith Hendrix-Jackson colocou seu álbum de casamento com sua parceira Kat Jackson no Tumblr. Tornou-se viral. Ela esperava uma reação homofóbica gigantesca.

Duas semanas depois, postou um agradecimento. “Não recebi uma mensagem de ódio, apenas parabéns. Não houve bullying. Nenhuma palavra inapropriada”. Meredith contou que, no início do namoro, sua companheira acabou sendo demitida porque o chefe flagrou as duas dando um beijo. “Alguma coisa mudou”.

Mudou. No news is good news.

(Kiko Nogueira, Diário do Centro do Mundo)

Adolescente de Parnaíba se suicida após vídeo íntimo vazar no WhatsApp

Após vídeo íntimo sair no WhatsApp, jovem anuncia morte pelo Twitter (reprodução)

A morte de uma adolescente piauiense em Parnaíba tem comovido toda a população na cidade no norte do Piauí e acende alerta para os pais em todo o estado. Foi pelas redes sociais, que a jovemJulia Rebeca anunciou o dia da própria morte. Tudo aconteceu depois que um vídeo íntimo entre ela, um rapaz e outra adolescente, filmado pela própria jovem, vazou para as redes sociais através doWhatsApp.

Júlia Rebeca foi encontrada morta dentro do quarto, enrolada no fio da própria chapinha no último dia 10 de novembro, domingo passado. A data foi postada em uma mensagem através do Instagram e do Twitter da jovem, que dizia: “Eu te amo, desculpa eu n ser a filha perfeita mas eu tentei… desculpa eu te amo muito mãezinha (…) Guarda esse dia 10.11.13 [sic]“.

O caso levantou polêmica, justamente pelo dano que as redes sociais vem causando aos jovens, que não aprenderam ainda a lidar com a ferramenta e acabam caindo em armadilhas. É cada vez mais comum notícias sobre o vazamento de vídeos íntimos, que mudam a vida dos protagonistas por completo, e alguns acabam chegando ao extremo, como o caso da adolescente de Parnaíba.

Outras mensagens deixadas no Twitter da jovem, também chocaram os familiares, como as frases “É daqui a pouco que tudo acaba.” e logo após “E tô com medo mas acho que é tchau pra sempre”. No perfil de Julia, um primo postou mensagens horas depois da morte da estudante, e pediu que os comentários maldosos a respeito do vídeo fossem evitados, e agradeceu pelo apoio dos amigos. A conta de Instagram da jovem foi removido pelo primo.

Especialista em problemas de família, Antonio Noronha afirma que a morte da jovem serve de alerta principalmente para os pais. “É importante que os pais estejam próximos dos filhos, saber das amizades, o que estão fazendo. Ter todo um acompanhamento. Não precisa entrar na intimidade, não tanto, mas ter um mínimo de conhecimento. O próprio adolescente vai entender que o que você, pai ou mãe, está fazendo, é por amor”, comentou.

Ele ressaltou ainda sobre o risco de se produzir vídeos com conteúdo íntimo, e afirmou que o principal ponto para os pais é a existência de diálogo entre os filhos, que pode ajudar a evitar o pior.

com 180 graus / Piauí

Jovem sai de casa e assume relacionamento com transgênero

Gustavo faz questão de andar de mãos dadas a Bruna. “Ela é tudo na minha vida” (Agência Globo / Márcio Alves)

De segunda a sexta-feira, ela acorda às 6h para ir ao trabalho. Diferentemente da maioria das mulheres, Bruna Marx não demora para se arrumar. Sem maquiagem, veste uma calça jeans e uma camiseta larga e, assim, com cara de J. Batista, dá expediente como servidor público. A transgênero, que prefere abreviar seu nome de batismo, começou a tomar, há um ano, hormônios para adotar características físicas femininas. A decisão, tomada com a ajuda do parceiro, Gustavo Benevides, foi difícil. Afinal, o preço pela realização desse sonho custa caro: o constrangimento de uma aposentadoria compulsória.

— Como não estou nem pretendo entrar na fila para mudança de sexo, para o Código Internacional de Doenças (CID-10), eu tenho transtorno de identidade de gênero, e, por este motivo, vou precisar me afastar do trabalho — explica Bruna, de 33 anos.

A falta de uma legislação específica para casos como o de Bruna deixa pessoas à margem do conceito de cidadania. Ela já está acostumada a enfrentar esse problema. Desde criança, quando ainda morava no Ceará com a família, ela é punida por ser diferente da maioria.

— Eu devia ter uns 5 anos quando um coleguinha da escola me chamou de veadinho. Eu não tinha ideia do que significava isso. Cheguei em casa e perguntei para minha mãe o que era, e ela me deu uma surra. Foi a primeira vez que apanhei sem saber o motivo — lembra.

Ainda na infância, Bruna passou a entender que seu jeito de ser a fazia correr riscos, mesmo sem saber exatamente o porquê. Aos 14 anos, com mais discernimento, conseguiu enxergar que seu “problema” não teria a “solução” que todos queriam.

— As pessoas me cobravam para ser o que eu não era. Minha essência sempre foi feminina. Tive de me policiar muito até aparecer a primeira oportunidade de sair de casa. Se não fosse assim, eu seria expulsa pelos meus pais e teria de virar prostituta para comer. Agi com racionalidade para não prejudicar o meu futuro — conta Bruna.

Ela divide sua vida em duas etapas. A aprovação para o funcionalismo público, aos 17 anos, que a trouxe para o Rio de Janeiro, foi a primeira. A segunda começou há um ano, quando decidiu começar a tomar hormônios e assumir sua identidade feminina — com aplique de cabelo, salto alto e muitas bijuterias — fora do expediente de trabalho. Bruna afirma que haverá uma terceira, que estará relacionada ao seu momento pós-aposentadoria.

— Quando eu puder ser quem sou de verdade em horário integral, vou renascer para a vida. É só isso que falta para eu ser uma mulher completa — afirma Bruna.

Hoje, apoio é o que não lhe falta. Depois que assumiu para os pais o namoro com uma mulher que nasceu homem, o estudante de Educação Física Gustavo Benevides, de 20 anos, teve de sair de casa. Mas está feliz.

— Fui de mala e cuia para a casa dela porque não tinha para onde ir. Meus amigos também se afastaram de mim. Eu, que sempre fui um cara muito reservado, passei a ser uma das pessoas mais olhadas na rua por ter me casado com a Bruna. Mas disso eu não abro mão. Temos interesse de fazer parte de uma ONG que lute pelos direitos dos gays. Isso ainda não aconteceu, mas já fazemos uma militância diária. Andamos de mãos dadas nas ruas, no shopping. As pessoas têm que nos respeitar, porque amar não é crime. Bruna é tudo na minha vida, e, em qualquer coisa que faço hoje, levo em consideração a minha mulher. Deixei de fazer um intercâmbio em Portugal para ficar com ela — conta Benevides.

Para Bruna, que não acreditava que, um dia, fosse ter um relacionamento sério, Benevides é muito mais do que um grande companheiro.

— Ele é a minha estabilidade emocional. Quando sou atacada, mesmo que indiretamente, ele está sempre do meu lado para me amparar.

Adalberto Neto e Thalita Pessoa, O Globo

VII For Rainbow – Festival de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual

Por Arthur Yoffe

VII For Rainbow – Festival de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual, um dos mais importantes espaços de debate sobre o tema no Brasil, será realizado entre os dias 22 e 28 de novembro, em Fortaleza, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. O evento busca difundir o respeito à diversidade sexual e de gênero, contando com mostras de filmes cujas temáticas são ligadas ao universo LGBT, além de oficinas de realização audiovisual e apresentações de teatro, dança e música, entre outras atividades.

Como parte da programação,  Tonio Carvalho, diretor, autor de teatro e coordenador da oficina de atores da TV Globo, vai apresentar a palestra Processos de Arte-Educação em Oficinas de Atores. Além disso, oficinas de edição, filmagem e som realizadas pela escola Porto Iracema das Artes terão como resultado final seis minidocumentários sobre o próprio festival e um videoclipe musical para a banda Veronica Decide Morrer, que vai realizar show no dia de abertura do evento. Mais informações no site.

Serão exibidos oito longas metragens e 20 curtas em competição. Em comum, as obras abordam temas do universo LGBT. Veja abaixo a lista de filmes selecionados:

MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS
“O Uivo da Gaita”, de Bruno Safadi (Brasil)
“Jovem Aloucada”, de Marialy Rivas (Chile)
“Do Lado do Verão”, de Antonia San Juan (Espanha)
“Tudo que Deus Criou”, de André da Costa Pinto (Brasil)
“Madam Baterflai”, de Carina Rosana Sama (Argentina)
“Todo Mundo Tem Alguém para Amar Menos Eu”, de Raúl Fuentes
“Verde Verde”, de Enrique Pineda Barnet (Cuba)
“Doce Amianto”, de Guto Parente e Uirá dos Reis (Brasil)

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS
Quem Tem Medo de Cris Negão?”, de René Guerra (Brasil – BA)
“Jessy”, de Paula Lice, Rodrigo Luna e Ronei Jorge (Brasil – BA) (foto)
“Típico Casal”, de Masa Zia Lenardic& Anja Wutej (Eslovênia)
“O Segredo dos Lírios”, de Bruna Kirsch e Cris Aldreyn (Brasil – RS)
“Um Diálogo de Ballet”, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon (Brasil – RS)
“Gaydar”, de Felipe Cabral (Brasil – RJ)
“Calor Humano”, de Christophe Prédari (França)
“Eternamente Elza”, de Alexandre Figueirôa (Brasil – PE)
“Leve-me Para Sair”, de José Agripino (Coletivo Lumika) (Brasil – SP)
“Da Alegria, do Mar e de Outras Coisas”, de Ceci Alves (Brasil – BA)
“Pra Você Dançar”, de Ana Paula Olentino (Brasil – SP)
“Hinos à Noite”, de Sclcuk Zui Cara (Alemanha)
“Meninas do Cabaré”, de Tel Cândido (Brasil – CE)
“Fio das Masculinidades”, de Suely Messeder e Márcia Teixeira (Brasil – BA)
“Quem Me Disse Que é Amor?”, de Paula Fer Sánchez (Colômbia)
“Duques e Barões”, de Kiko Alves (Brasil – CE)
“Bibinha, a Luta Continua”, de Adriana de Andrade (Brasil – DF)
“Através”, de Amina Jorge (Brasil – SP)
“O Melhor Amigo”, de Allan DeBerton (Brasil – CE)
“Amor no Plural”, de André Araujo (Brasil – BA)

Via http://cinemacomrapadura.com.br/

Transexuais são humilhadas na hora de prestar o ENEM

Candidatas transexuais passaram por momentos de constrangimento neste final de semana durante as provas do Enem 2013 (Exame Nacional do Ensino Médio). As estudantes relataram ter de passar por rigorosa fiscalização de seus documentos, com mais de um fiscal, e ser obrigadas a usar o banheiro de gênero diferente daquele com o qual se identificam.

“[Eles] se dirigiram a mim no masculino e isso pesa no meio da prova, ser identificado com algo que você não é no meio de todo mundo causa constrangimento”, reclama Helena Brito, 25. “Além de todo o nervosismo de uma prova, ainda tenho que enfrentar isso”, afirma a candidata que prestou o Enem em uma escola da zona oeste de São Paulo.

A fobia social e o temor do preconceito levou a estudante a tomar calmantes antes do exame. “Tive que me medicar para poder fazer uma prova, coisas que outras pessoas não precisam. Eu acredito que meu desempenho foi afetado por causa do calmante já que quase cochilei no meio da prova”, conta.

O mesmo tipo de situação embaraçosa aconteceu em uma faculdade de Sete Lagoas (MG). “Na entrada, tinha uma pessoa que pegava os documentos e mandava para o lugar. Ele pegou meu documento e gritou meu nome civil no meio de todo mundo. Foi bem constrangedor”, contou Beatriz Trindade, 19, que disse ter pedido para que o nome civil não fosse dito alto.

A estudante disse ainda que teve problemas na identificação dentro da sala de prova. “Cheguei para fazer a prova uns 20 minutos antes. Uma das fiscais teve dúvidas e não achou que era eu pela foto. Meu documento passou pela mão de umas três pessoas para me reconhecerem.” Segundo a candidata, todas as pessoas da sala perceberam que ela era transexual por conta do transtorno na identificação.

preconceito transexual enem 2013
A transexual Ana Luiza Cunha (Arquivo pessoal)

“Todos estavam olhando e ainda tinha vários homens na sala. É ruim. Tinha certeza que isso ia acontecer de novo, como foi no Enem do ano passado. É terrível”, lamentou a candidata. “Ninguém tem preparo para atender um transexual”, considera Beatriz.

Retirada da sala

A estudante Ana Luiza Cunha de Silva, de 17 anos, afirmou que já estava sentada na carteira, com seu cartão de respostas do Enem, quando foi retirada da sala em que estava, em Fortaleza, e teve que passar por duas salas até ser liberada para fazer as provas de ciências humanas e ciências da natureza no sábado. Segundo ela, todo o processo durou entre 15 e 30 minutos, mas ela não chegou a perder tempo de prova porque chegou ao local do exame antes mesmo da abertura dos portões.

Ana Luiza, que adotou seu nome social aos 14 anos, conta que primeiramente foi levada à sala de uma subcoordenadora do Enem no seu local de provas. “Ela foi verificar a identidade, e perguntou por que não mudei meus documentos”, explicou. A adolescente explicou que já procurou seu advogado para fazer o trâmite, mas que, segundo ele, no Brasil só é possível iniciar o processo de troca do nome civil após os 18 anos, que ela só vai completar em março de 2014.

Ela foi então encaminhada a outra fiscal do Enem, que, depois de conversar com ela, a fez preencher o formulário usado para identificar os candidatos que não estão com os documentos oficiais. “Ele me perguntou informações, o telefone fixo, o nome dos meus pais, e tive que assinar três vezes.”

A situação, segundo Ana Luiza, não se repetiu no segundo dia de provas. “Hoje [domingo] eles inclusive me pediram desculpa por terem feito perder um pouco de tempo. As moças hoje todas foram super educadas comigo. O jeito que me trataram foi bem melhor. Acho que foi surpresa [para as fiscais] porque a foto estava muito diferente. Me trataram como se a identidade não fosse minha. Não vi nenhum tipo de defeito, mas acho que estavam de certa forma desprepados.”

Banheiro

Além da identificação dentro da sala de aula, Helena queixa-se do constrangimento na hora de usar o banheiro no sábado. Segundo ela, a fiscal a levou diretamente para o banheiro masculino e explicou-se.

Após toda a situação embaraçosa enfrentada no sábado, Helena decidiu, “em protesto”, se vestir de maneira ainda mais feminina para a prova de domingo. Foi para o exame de saia, meia-calça e sapatilha. Na hora de ir ao banheiro durante o segundo dia de prova, Helena foi diretamente ao banheiro feminino para evitar que a fiscal a conduzisse ao masculino.

As candidatas reclamam da invisibilidade dos transexuais na sociedade reafirmada pelo MEC (Ministério da Educação), por não poderem usar seu nome social.

“Os sabatistas são respeitados, quem está no hospital também, pessoas que estão em reclusão também, mas as pessoas transexuais não são. Se você está em uma situação de vulnerabilidade e o nome pode causar constrangimento na hora da prova, isso tem que ser respeitado para que nós possamos estar em situação de igualdade no exame”, protesta Helena.

Para elas, a inscrição no site do Enem já deveria contem um espaço com o nome social, além do nome civil. O nome social também deveria ser usado no tratamento durante as provas para evitar constrangimentos públicos.

MEC não tem relatos

Durante a coletiva de fechamento do Enem 2013, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse que o ministério não recebeu relatos de problemas com candidatos transexuais este ano. Mas que se casos forem relatados posteriormente, o ministério estudará mudanças para próximas edições.

SAIBA AS DIFERENÇAS

Transexual

Pessoa que possui uma identidade de gênero diferente do sexo designado no nascimento. Homens e mulheres transexuais podem manifestar o desejo de se submeterem a intervenções médico-cirúrgicas para realizarem a adequação dos seus atributos físicos de nascença (inclusive genitais) a sua identidade de gênero constituída.

Travesti

Pessoa que nasce do sexo masculino ou feminino, mas que tem sua identidade de gênero oposta ao seu sexo biológico, assumindo papéis de gênero diferentes daquele imposto pela sociedade. Utiliza-se o artigo definido feminino “A” para falar da Travesti (aquela que possui seios, corpo, vestimentas, cabelos, e formas femininas).

Homossexual

É a pessoa que se sente atraída sexual, emocional ou afetivamente por pessoas do mesmo sexo/gênero.

Drag Queen

Homem que se veste com roupas femininas de forma satírica e extravagante para o exercício da profissão em shows e outros eventos. Uma drag queen não deixa de ser um tipo de “transformista”, pois o uso das roupas está ligado a questões artísticas – a diferença é que a produção necessariamente focaliza o humor, o exagero.

Transformista

Indivíduo que se veste com roupas do gênero oposto movido por questões artísticas.

Transgênero

Terminologia utilizada para descrever pessoas que transitam entre os gêneros. São pessoas cuja identidade de gênero transcende as definições convencionais de sexualidade.

Cristiane Capuchinho, UOL. Fonte: Manual de Comunicação LGBT da Associação Brasileiras de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Transgêneros.

Passageiro recebe mala com frase “Eu sou gay”

Mala vermelha do passageiro com a frase “Eu sou gay” (Reprodução)

Um passageiro da companhia aérea Jetstar, subsidiária da australiana Qantas, teve uma surpresa ao buscar sua mala na esteira de bagagem quando chegou ao seu destino. Várias etiquetas foram coladas à mala vermelha formando a frase “I am gay” (“Eu sou gay”, em inglês).

O consumidor, que não se identificou, relatou o caso em seu blog. Segundo ele, a Jetstar pediu desculpas e está investigando o caso.

A mala do passageiro foi a primeira a ser disponibilizada na esteira de bagagem. Ele diz que, ao verem a inscrição, os demais passageiros passaram a encará-lo.

Como tinha de pegar outro voo, ele pegou a mala e andou com ela pelo terminal do aeroporto. Todas as pessoas por quem ele passava, diz, o olharam de forma diferente.

O passageiro conta que se sentiu humilhado. “Não são as palavras que ferem. É a intenção por trás delas. ‘Eu sou gay’ não foi escrito na minha bagagem como uma celebração. Foi usado em tom pejorativo, para humilhar”, afirma.

O consumidor também se mostrou chocado com o preconceito demonstrado pelas pessoas que circulavam pelo aeroporto.

“Eu sou um homem heterossexual branco. Isso significa que eu não estou rotineiramente submetido a preconceito. Mas, por alguns minutos, andei na pele de um gay em um lugar público. Se o que eu senti por aqueles poucos minutos é vivido a cada dia por outras pessoas, então eu posso entender completamente por que nossos amigos gays se sentem perseguidos.”

Via Pragmatismo Político, com agências

Rihanna vai a show de sexo ilegal na Tailândia, tuíta e causa prisão de dono de bar

A polícia tailandesa prendeu o proprietário de um bar em Phuket que promove shows de sexo ilegais depois de seguir pistas de Rihanna, que visitou a Tailândia no mês passado e tuitou sobre suas experiências pornôs na cidade.

Ela escreveu (manteremos no original porque a tradução é impraticável): “Either I was phuck wasted last night, or I saw a Thai woman pull a live bird, 2 turtles, razors, shoot darts and ping pong, all out of her pu$$y”.

Resumindo, ela viu uma mulher contracenar com um pássaro vivo, duas tartarugas, lâminas de barbear, dardos e bolinhas de pingue pongue.

As autoridades disseram ter usado os tuites para prender o homem na semana passada, que agora enfrenta acusações de obscenidade e operação de um local sem autorização – punível com até um mês de prisão e multa de 60 mil baht (U$ 1 900).

Esta é a terceira prisão na Tailândia provocada por tuítes de Rihanna. Dois outros homens foram detidos no mês passado depois que a cantora postou uma foto com um bicho preguiça — um animal protegido — no Instagram.

(Diário do Centro do Mundo)

O boxeador que saiu do armário merece nossa admiração

Apesar de perder, ele foi a grande história da noite

A noite não foi boa para Orlando Cruz ontem. O boxeador de Porto Rico, após apanhar durante seis rounds seguidos, foi nocauteado no sétimo assalto pelo mexicano Orlando Salido, na disputa pelo cinturão dos peso-pena pela Organização Mundial de Boxe (OMB). Não bastasse isso, Cruz ainda teve que ouvir uma saraivada de ofensas homofóbicas da torcida em Las Vegas enquanto se contorcia no chão do ringue, tentando – em vão – recuperar o fôlego para levantar e continuar a luta.

Orlando Cruz, 32, é o primeiro pugilista da história a assumir a sua homossexualidade ainda em atividade. Ele entrou ontem na arena vestindo um calção com as cores do arco-íris, símbolo do movimento gay, e as suas luvas tinham detalhes em rosa. Antes da luta, Cruz prometera dedicar uma eventual vitória ao ex-bicampeão mundial Emile Griffith, morte em julho deste ano. Griffith, um dos maiores talentos do pugilato da década de 1960, também assumiu ser bissexual, mas apenas após a sua aposentadoria.

Ao final da luta, foi Salido quem saiu com cinturão. E ele merece o nosso respeito por isso. Mas a grande história da noite foi a de Cruz. A indústria do esporte vive um atraso homofóbico que não acompanhou aos avanços da sociedade nas últimas décadas. É possível contar nos dedos os atletas que admitiram ser gay ainda em atividade.

A boa notícia? De um ano para cá, eles parecem estar se multiplicando, ainda que num ritmo lento. Cruz fez sua revelação em outubro de 2012. O pivô da NBA Jason Collins repetiu o gesto em abril deste ano. Ele foi o primeiro atleta de uma major league americana a assumir a homossexualidade, apesar de na época estar sem clube, uma situação que ainda não mudou. Finalmente em maio veio o meia Robbie Rogers, do Los Angeles Galaxy, o primeiro esportista gay assumido a disputar uma partida das ligas principais dos Estados Unidos.

Então surge a questão: onde se encaixa o futebol brasileiro nessa história toda? Uma pesquisa do UOL Esporte em maio deste ano com 105 jogadores revelou que 56% deles conhecem colegas gays. Nenhum assumiu a opção publicamente até hoje, no entanto. Não dá para culpá-los pelo receio em fazer isso. O meio esportivo ainda é extremamente machista. As ofensas que Cruz ouviu em sua luta são apenas mais um exemplo disso. Vale citar, também, o comentário que o volante Wellington, do São Paulo, fez quando Emerson deu um selinho no seu amigo: “No São Paulo não tem espaço para isto, aqui só tem homem.” Muitos torcedores do Corinthians também criticaram Emerson (que não é gay, aliás, queria apenas fazer uma crítica a esse preconceito) e pediram para o atacante se retratar. O machismo no esporte obriga muitos atletas a viveram numa sombra e isso é cruel.

Tenho dois amigos gays que vivem situações completamente opostas. Um deles assumiu a sua opção alguns anos atrás. Foi difícil para ele? Sim. Ele sofreu? Sim. Mas hoje vive em paz consigo mesmo. Mérito também da sua família, que aceita o namorado dele tão bem quanto às namoradas dos seus irmãos mais velhos. O outro amigo, não. Revelou seu segredo para alguns poucos amigos, mas esconde a realidade da família – que por sinal suspeita disso, mas prefere não tocar no assunto. Minha impressão é que ele vive com um insuportável saco de areia de 80 quilos nas costas.

Ao defender a bandeira homossexual no boxe, talvez o mais agressivo dos esportes, Cruz fez um favor não apenas a seus colegas atletas que vivem nas sombras, mas a todas as pessoas que enfrentam a mesma situação fora dos ringues, campos e quadras também. E isso é uma razão muito maior para admirá-lo do que a posse do cinturão da OMB.

(Pedro Nogueira, Diário do Centro do Mundo)

Professor que assumiu homossexualidade é apedrejado até a morte em Palmas

Foi encontrado morto no começo da manhã desta sexta-feira, 11, no fundo da Escola de Tempo Integral (ETI) Eurídice de Melo, no Jardim Aureny III, em Palmas, o professor Arione Pereira Leite, de 56 anos. Ele foi apedrejado na cabeça, sofreu afundamento craniano e morreu no local.

O corpo estava próximo ao carro da vítima, na Rua 26. Uma das três filhas de Arione foi até o local e fez a identificação do cadáver, uma vez que não foram encontrados documentos pessoais com o professor. De acordo com a Polícia Militar (PM), a pedra usada no crime tinha cerca de 15 cm de diâmetro.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e após a confirmação da morte do professor, o corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) da capital. A lideração deve ocorrer nas próximas horas.

Natural da cidade de Novo Acordo, Arione morava na quadra 1.104 sul e dava aulas de português na Escola Municipal Aurélio Buarque, onde trabalhava há 5 anos. Segundo amigos, ele havia assumido a homossexualidade recentemente. A hipótese de crime homofóbico está sendo investigada pela Divisão de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

Abalada, Bethânya Gabrielle, que era aluna da vítima, contou, em entrevista à REDE TO, que Arione era uma pessoa divertida que amava o que fazia. “Ontem durante a aula, ele estava tão alegre; falou que iria viajar, é inacreditável”, disse.

professor homossexual apedrejado tocatins
Professor que havia assumido a homossexualidade recentemente é apedrejado até a morte (Foto: Dermival Pereira, Rede TO)

O presidente do Grupo Ipê Amarelo pela Livre Orientação Sexual, Henrique Ávila, afirmou que só este ano, foram três homicídios motivados por razões homofóbicas na capital tocantinense. “Estamos entristecidos com a notícia e isso só reforça a necessidade do governo em criar medidas emergenciais para o fim da homofobia em nosso estado, pois os crimes de ódio só estão aumentando e o governo não toma uma postura diante de tudo”, afirmou.

com Maria da Penha Neles, via Pragmatismo Político