Arquivo da categoria: Ecologia & Meio Ambiente

Fortaleza precisa de um plano de urbanização à altura do seu tamanho

Com o título “Fim de festa”, eis artigo do professor José Borzacchiello, que pode ser conferido no O POVO desta quarta-feira. Ele fala sobre Fortaleza pós-Copa. Ou seja, com o fim da maquiagem e inicio da campanha eleitoral, os problemas urbanos retornarão à cena com maior visibilidade. 

Os jogos da Copa do Mundo em Fortaleza projetaram a cidade e o Ceará e permitiram a construção de olhares, depoimentos e imagens positivas do modo cearense de ser e de fazer. Esse saldo positivo deve ser tratado com muito cuidado. Nem tudo é o que parece. Com o fim da Copa e início da campanha eleitoral, a maquiagem que transfigurou a cidade no período da competição se desmancha e os problemas urbanos retornam à cena com maior visibilidade. O que fica, certamente, é a certeza que o cearense continua simpático e hospitaleiro, tendo recebido muitos elogios de brasileiros de vários estados e povos de várias nacionalidades. Aos poucos, os vestígios da festa desaparecerão. No palanque ela será sempre lembrada com imagens lindas. Não faltarão aquelas da Fan Fest, do aterrinho e as que consagraram Fortaleza como o epicentro do nacionalismo com a capela do hino nacional que empolgou os jogadores na Copa das Confederações e acabou se repetindo na Copa, em todos os estádios onde nossa seleção jogou. Também estará no palanque a cobrança pelas obras que não foram realizadas e as incompletas do plano de mobilidade urbana. Questionarão também, a inadequação de políticas de remoção da população das áreas atingidas pelas obras.

Passada a Copa, espera-se que os candidatos contemplem, em suas plataformas políticas, uma ampla e séria discussão sobre a cidade e o urbano no Ceará. É urgente que se pense em Fortaleza e sua região metropolitana, considerando sua forte concentração demográfica, seu potencial econômico e as múltiplas atividades ai desenvolvidas. Desde o Planefor, a região metropolitana de Fortaleza tem sido esquecida. Esta apresenta um nível de complexidade a ser esmiuçado pelos pesquisadores, políticos e planejadores. Fortaleza firma-se fortemente no cenário metropolitano, ampliando seu raio de influência direta e incorporando novas funções. Seu crescimento acelerado interfere sobremaneira no território à sua volta, provocando a expansão da malha viária, de infra-estrutura, de equipamentos e serviços, nem sempre concebidos e executados a partir de um plano de gestão.

Fortaleza é muito importante no cenário urbano brasileiro, entretanto, não possui uma urbanização à altura de seu tamanho demográfico e de seu peso funcional. Quando comparada com outras praças de porte idêntico, sua importância comercial e de polo de prestação de serviços se destaca. Não se pode negligenciar seu território metropolitano que contém quinze cidades e uma multiplicidade de atividades como distrito e corredor industrial, complexo porto/industrial, aterro sanitário, reservatórios e estações de tratamento de água para abastecimento de Fortaleza, potencial paisagístico e importantes polos turísticos ligados ao mar, às serras e ao sertão. Isso e muito mais vem à tona quando se discute sucessão política no Ceará. É fim de uma festa e começo de outra.

* José Borzacchiello

borza@secrel.com.br

Geógrafo e professor da UFC.

Vereadores pró-Roberto Cláudio dão farecer favorável para demolição da Praça Portugal

Comissão especial da Câmara Municipal que analisa projeto de demolição da Praça Portugal, na Aldeota, acaba de aprovar parecer favorável à ação proposta pela Prefeitura para a área. Com a medida, o projeto deve ir à votação plenária já em 3 de junho, próxima terça-feira. Em reunião conturbada, a proposta só foi aprovada após a base aliada “driblar” tentativa da oposição de adiar a votação da matéria.

Após muito bate-boca, os oposicionistas Guilherme Sampaio (PT) e João Alfredo (Psol) deixaram a reunião da comissão sem votar. Os outros sete membros do grupo, todos aliados do prefeito Roberto Cláudio (Pros), votaram favoráveis ao projeto – que autoriza demolição da praça e sua substituição por um cruzamento e quatro espaços de convivência.

Embate 

O motivo do desentendimento foi pedido de vistas da oposição, que acabou derrubado pela base aliada. Oposicionistas tentavam adiar votação do parecer para depois de uma audiência pública sobre o tema agendada por Guilherme, marcada para 2 de junho.

Argumentando que o prazo de cinco sessões para vistas não se aplica a projetos em regime de urgência, aliados do prefeito rejeitaram o pedido e aprovaram o parecer. Relatório foi feito pelo vice-líder do governo na Casa, Didi Mangueira (PDT).

Apesar dos embates, Didi minimizou desentendimentos em torno da proposta da Prefeitura. “A discussão foi toda em torno dessa votação, o projeto em si da Praça não foi questionado”, diz.

 Redação O POVO Online

 com informações da repórter Jessica Welma

Especialistas de 15 países debatem mudanças climática em Fortaleza

Fortaleza realiza a partir desta segunda-feira (12) um evento internacional que debate a adaptação às mudanças climáticas. O evento internacional Climate Change Adaptation Conference 2014 começa às 9h, com palestra da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva e vai até 16 de maio, no Hotél Vila Galé.

Também estarão presentes representantes de instituições de pesquisa e governamentais de 15 países. A conferência, que discutirá os impactos do clima e as opções de adaptação, vai reunir cientistas e profissionais de países desenvolvidos e em desenvolvimento para compartilhar abordagens de pesquisa, métodos e resultados.

O objetivo é explorar métodos para dirimir os impactos das mudanças climáticas.

O evento é realizado pelo Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Estudos Espaciais (INPE), do Programa Global de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Vulnerabilidade, Impactos e Adaptação (PROVIA) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INPE).

(G1 Ceará)

Arquitetos vão entregar abaixo-assinado pedindo tombamento da Praça Portugal

Um grupo de arquitetos vai entregar, às 15 horas desta segunda-feira, na Secretaria de Cultura de Fortaleza, um abaixo-assinado solicitando o tombamento provisório da Praça Portugal, conforme lei nº 9.347, de 11 de março de 2008. Isso, devido “a emergência caracterizada por iminente perigo de destruição, demolição ou alteração do bem”.

O abaixo-assinado, segundo a arquiteta Erika Cavalcante, possui cerca de 350 assinaturas. Segundo adianta, o documento quer comprovar que há o desejo da população em manter a praça na cidade e de estar contra a intervenção precipitada da Prefeitura na área.

(Via Blog do Eliomar de Lima)

Fortaleza será sede de conferência sobre mudanças climáticas

Vai acontecer em Fortaleza, nos dias 12 a 16 de maio, a terceira edição do International Climate Change Adaptation Conference – Adaptation Futures 2014. Esta conferência discutirá os impactos do clima e as opções de adaptação. Para isso a conferência pretende reunir pesquisadores, tomadores de decisão e profissionais, de países desenvolvidos e em desenvolvimento, para compartilhar abordagens, métodos e resultados de pesquisa no tema.

“A nossa meta é criar uma rede de pesquisa internacional, colaborativa e criativa de pesquisadores, tomadores de decisão e profissionais interessados no tema”, declara José Marengo, chefe do CCST/INPE. “A conferência irá explorar qual o melhor caminho a seguir em um mundo onde os impactos das mudanças climáticas são cada vez mais visíveis e as ações de adaptação são cada vez mais necessárias”, complementa.

A Conferência Adaptation Futures 2014 terá cinco eixos temáticos principais: Impactos das mudanças climáticas nos diferentes setores e implicações para adaptação; Relação entre adaptação e desenvolvimento para o bem-estar humano; Abordagens integradas em diferentes níveis (local até global) frente a um mundo 4oC mais quente; Adaptação ao limite em regiões que são mais vulneráveis às mudanças climáticas; e compreendendo, avaliando e comunicando adaptação.

O evento que já aconteceu, em 2010, na Austrália e, em 2012, nos Estados Unidos, é promovido pelo Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE/MCTI) e pelo Programa das Nações Unidas para Estudos sobre Vulnerabilidade, Impactos e Adaptações às Mudanças Climáticas (PROVIA), com o apoio do Governo do Federal e Estadual e vai acontecer no Hotel Vila Galé, na Praia do Futuro, em Fortaleza.

As inscrições para participar do Adaptation Futures 2014 podem ser feitas até o dia 11 de maio pelo site http://adaptationfutures2014.ccst.inpe.br/registration/

(O Estado)

FAO instala escritório regional no Nordeste, em Campina Grande

Campina Grande/Paraíba

Brasília – A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) instala hoje (28) em Campina Grande (PB), na sede do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), o segundo escritório regional no Brasil. A Unidade de Coordenação de Projetos da FAO apoiará projetos regionais para fortalecer a agricultura familiar, o combate à desertificação, ações de recuperação da degradação da terra, a diminuição dos efeitos da seca, a produção de alimentos e o incentivo à fome.

A primeira unidade regional da FAO no Brasil foi instalado ano passado no Paraná, com escritórios em Curitiba e Foz do Iguaçu e ações nos três estados da Região Sul.

O acordo de cooperação será assinado hoje em celebração aos dez anos do Insa, instituto ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, criado com o objetivo de desenvolver ações de pesquisa, formação, difusão e formulação de políticas para a convivência sustentável do Semiárido brasileiro a partir das potencialidades socioeconômicas e ambientais da região.

Na programação do Insa também estão o lançamento da primeira fase do Sistema de Gestão da Informação e do Conhecimento do Semiárido Brasileiro e comemorações ao Dia Nacional da Caatinga.

Em dois módulos de consulta, o sistema reúne e disponibiliza dados e informações econômicas, sociais, ambientais e da infraestrutura do Semiárido e será usado para divulgar experiências e estudos como forma de gerar conhecimentos nos campos da ciência, tecnologia e inovação. O módulo básico é direcionado a gestores de políticas públicas, organizações sociais e sociedade em geral; já o módulo avançado tem como público equipes técnicas de órgãos gestores, pesquisadores e professores de universidades.

Os dados disponibilizados são provenientes de várias instituições parceiras, como a Agência Nacional de Águas (ANA), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Snis).

O Semiárido brasileiro se estende por oito estados do Nordeste – Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe – e pelo norte de Minas Gerais.

Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil

Poluição atmosférica pode modificar o DNA dos paulistanos

A ciência já comprovou que a poluição atmosférica faz mal para a saúde. Mas, agora, pesquisadores brasileiros detectaram pela primeira vez uma modificação no DNA humano causada pela presença de elementos químicos encontrados na fumaça do cigarro e nas emissões de gases dos veículos de São Paulo.

Os elementos encontrados na poluição são dois aldeídos: acetaldeído e crotonaldeído. “Eles são mutagênicos e podem levar ao desenvolvimento de câncer”, afirmou a INFO a professora Marisa Helena Gennari de Medeiros, do Instituto de Química (IQ) da USP. O grupo de cientistas envolvidos no estudo faz parte de uma rede paulista financiada pela Fapesp e da rede nacional do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT).

Para chegar nessa conclusão, Marisa e sua equipe fizeram um levantamento e analisaram a urina de 82 pessoas. Dessa total, 47 eram residentes na cidade de São Paulo e outros 35 eram moradores de São João da Boa Vista, município no interior do estado.

Após os testes, os cientistas perceberam uma diferença significativa entre os dois grupos. Os moradores da capital paulista apresentaram uma maior concentração de adutos, que é o resultado da reação dos aldeídos com o DNA.

“O organismo tem sistemas de defesa que reparam as lesões no DNA. O problema é quando o nível de lesões ultrapassa a capacidade do sistema de reparo, ou em indivíduos que tem alguma deficiência nesses sistemas”, diz Marisa.

Ao entrar em contato com o organismo, os aldeídos se ligam à estrutura do DNA e a modificam. Mas as enzimas protetoras dessa estrutura fazem um corte na modificação feita pelos aldeídos. Assim acontece o reparo, que acaba sendo eliminado pela urina. Mas se o dano causado ao DNA não for reparado pode levar a uma mutação e ao câncer.

O uso urina como biomarcador (molécula que indica mudanças nos sistemas biológicos) para esse tipo de estudo é um dos diferenciais da pesquisa. Esse exame é útil justamente porque as substâncias descartadas na urina são produto desse reparo do DNA.

O exame de urina fornece uma boa possibilidade de monitorar a exposição da população a aldeídos presentes na atmosfera. Essa pode ser, portanto, uma ótima ferramenta na região de São Paulo, onde a frota veicular é imensa e os aldeídos presentes na atmosfera oferecem um grande risco para a saúde da população.  

A ideia é, daqui pra frente, ampliar o estudo para analisar e comparar amostras de urina de moradores de diferentes bairros na cidade de São Paulo e de diferentes cidades. Segundo o estudo, o monitoramento pode fornecer informações para a formulação de políticas públicas que reduzam os efeitos nocivos da poluição atmosférica. “A melhor forma de se prevenir desse tipo de mudança do DNA é não se expor. O governo deve ter políticas de controle rígido do nível de poluentes”, diz.

(Vanessa Daraya, via Info Online Abril)

Feriadão da Semana Santa será de chuvas em todo o Ceará, informa Funceme

Com previsão de ocorrência de chuvas abaixo da média histórica nesta quadra chuvosa de 2014, os cearenses podem aproveitar o feriadão com um clima mais ameno. No feriado prolongado, que une a Semana Santa ao Dia de Tiradentes, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) prevê chuva na Região Centro-Norte do Ceará e possibilidade de precipitações isoladas nas demais regiões do estado. Em Fortaleza, a maior chuva do feriadão deve ocorrer nesta quinta-feira (17), com cerca de 45 milímetros.

De acordo com a meteorologista Dayse Moraes, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) deverá ficar próxima ao Estado, favorecendo a formação de chuvas. A convergência dos ventos faz com que o ar, quente e úmido ascenda, carregando umidade do oceano para os altos níveis da atmosfera, ocorrendo a formação das nuvens.

“Os modelos mostram que esse sistema não oscilará muito, mantendo-se, na maior parte do tempo, próxima ao Estado. Somente entre sexta-feira e sábado [18 e 19 de abril] ele se desloca, diminuindo a intensidade das chuvas, mas, no domingo [20], tende a aproximar-se novamente, favorecendo as precipitações”, explica a meteorologista.

Segundo a Funceme, na quinta-feira (17), deve ocorrer chuva na parte Centro-Norte do Cearáe possibilidade de precipitações isoladas nas demais regiões. Em Fortaleza, a previsão é de nebulosidade variável com chuvas durante a madrugada e início da manhã. No decorrer do dia, sol entre nuvens.

Na sexta-feira (18), a Funceme prevê chuvas menos intensas e isoladas em todas as regiões cearenses. Em Fortaleza, deverão ocorrer chuvas ocasionais entre a madrugada e o início da manhã. No decorrer do dia, céu parcialmente nublado.

A previsão para o sábado (19), é de chuvas menos intensas e isoladas em todas as regiões do  Ceará. No domingo e na segunda-feira (21), a Funceme prevê chuva na parte Centro-Norte do estado e possibilidade de precipitações isoladas nas demais regiões. Em Fortaleza, os dois  últimos dias do feriado devem ser de sol com muitas nuvens durante o dia.

(G1 Ceará)

Novo estudo mostra que Lua é mais antiga do que se pensava

A Lua começou a se formar até 65 milhões de anos depois do que algumas estimativas anteriores, de acordo com um estudo divulgado nesta quarta-feira que utiliza uma nova forma de calcular o surgimento do único satélite natural da Terra, de 4,47 bilhões de anos.

O mega-asteróide que colidiu com a Terra, lançando detritos dos quais um mais tarde deu origem à Lua, ocorreu cerca de 95 milhões de anos depois do nascimento do sistema solar, segundo mostra uma pesquisa na edição desta semana da revista Nature.

O estudo contesta, com um grau de 99,9 por cento de precisão, a conclusão de algumas estimativas anteriores de que o impacto formando a Lua ocorreu entre 30 a 40 milhões anos após a formação do sistema solar, cerca de 4,58 bilhões de anos atrás.

O novo estudo é baseado em 259 simulações de computador sobre como o sistema solar evoluiu a partir de um disco primordial de embriões planetários girando em torno do sol. Os programas simulam as colisões e fusões dos pequenos corpos, até que se fundem com os planetas rochosos que existem hoje.

Pelo relógio geológico, o último grande impacto contra a Terra veio de um corpo do tamanho de Marte que a atingiu 95 milhões de anos depois da formação do sistema solar, de acordo com o estudo.

“Achamos que a coisa que atingiu a Terra e acabou formando a Lua, a parte do leão dela, ficou na Terra. Uma pequena fração de sua massa e algum material da Terra foi empurrado para o espaço para formar a Lua”, disse em entrevista o astrônomo John Chambers, do Instituto Carnegie para a Ciência, em Washington. “Esse foi provavelmente o último grande evento”, acrescentou.

A avaliação anterior era baseada na medição do decaimento radioativo que ocorre naturalmente de átomos reveladores dentro de rochas lunares. O mesmo processo, no entanto, também levou à descoberta de que o impacto aconteceu entre 50 milhões e 100 milhões de anos após a formação do sistema solar.

“Nosso novo método … independe de técnicas radiométricas etc, portanto, nós rompemos a controvérsia”, escreveu o pesquisador Seth Jacobson, do Observatório Côte D’Azur, na França, em um e-mail. Os resultados também criam um outro mistério ainda maior sobre o motivo pelo qual alguns planetas, como Marte, se formam de forma relativamente rápida, enquanto outros, como a Terra e, possivelmente, Vênus, demoram muito mais tempo.

Análise de meteoritos marcianos e as simulações de computador indicam que Marte foi formado em apenas alguns milhões de anos. Não há meteoritos conhecidos de Vênus, e até hoje não foram enviadas naves espaciais a Marte ou Vênus para coletar amostras.

(Reuters)

Torre Eiffel produzirá energia limpa e filtrará água da chuva

A capital francesa anda dando show de sustentabilidade: depois de liberar o transporte público gratuito por um fim de semana para combater a poluição e adotar rodízio rigoroso de veículos, Paris vai esverdear um de seus maiores símbolos, a Torre Eiffel.

A edificação está passando por uma série de obras no primeiro andar. Entre elas, a instalação de painéis solares e turbinas eólicas para que passe a produzir energia limpa para autoabastecimento. O consumo energético no local, inclusive, deve diminuir bastante, já que todas as lâmpadas serão trocadas por modelos LED, que são mais econômicos.

E não é só isso: a Torre Eiffel ainda contará com sistema de captação de água da chuva e medidas de acessibilidade. Se todas as novidades verdes não forem suficientes para estimular os turistas a visitar o símbolo de Paris, tem mais. Com a reforma, o local vai ganhar museu ao ar livre, anfiteatro e piso transparente, para que os visitantes possam enxergar o chão a 57 metros de altura.

As obras de restauração, projetadas pelo escritório de arquitetura Moatti-Rivière, vão custar 24,9 milhões de euros e devem terminar no final de 2014. Partiu França para conferir o resultado?

Via  , de Planeta Sustentável

Nordeste brasileiro teve pior seca dos últimos 50 anos em 2013

Segundo o relatório Declaração sobre o Estado do Clima, divulgado nesta segunda (24) pela Organização Metereológica Mundial (WMO, na sigl em inglês), o Nordeste do Brasil viveu em 2013 a pior seca dos últimos 50 anos. O relatório traz detalhes sobre chuvas, inundações, secas, ciclones tropicais, as camadas polares e o nível do mar em cada região do planeta.

O relatório mostra que 2013 foi o sexto ano mais quente desde início dos registros, em 1961. A temperatura média da superfície do oceano e da Terra em 2013 foi de 14,5°C, marca que é 0,50°C maior que a média registrada entre 1961 e 1990, e 0,03°Cs maior que à média da década mais recente (2001-2010). De acordo com a WMO, cada década é mais quente que a anterior, sendo que a última registrada. Treze dos 14 anos mais quentes registrados ocorreram todos no século XXI.

No Brasil o calor provocou seca no Nordeste, ao mesmo tempo em que muitos estados sofreram com chuvas fortes no final do ano. O relatório aponta, por exemplo, o Município de Aimorés (MG), com precipitação média quatro vezes maior do que a normalmente registrada no Sudeste do Brasil para o mês de dezembro.

Ações da CNM e entidades estaduais
No ano passado, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) realizou várias reuniões e mobilizações com os gestores, principalmente os do semiárido, os mais afetados pela seca. O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, e os representantes das entidades estaduais cobraram por diversas vezes do governo federal, alternativas para amenizar os efeitos causados pela falta de chuva na região.

A Carta do Nordeste, uma maneira de oficializar os problemas que a seca provocou na região, foi entregue aos ministérios das Relações Institucionais, e da Casa Civil. A carta dizia: “Os presidentes das entidades pedem a desburocratização, ações emergenciais e estruturantes, em parceria com os Municípios, para que estes passem de meros expectadores a agentes ativos desse processo e possam devolver, ao Nordeste e à sua brava gente, opções de vida, trabalho e a oportunidade de contribuir com o desenvolvimento da Nação”.

No entanto, mesmo com os inúmeros apelos da CNM e dos gestores, apenas medidas paliativas foram feitas pelo governo, como construção de barragens e pequenos sistemas de abastecimento de água, na tentativa de acalmar os ânimos dos prefeitos.

A Agência de Noticias da CNM noticiou em 2013 vários Municípios que decretaram Situação de Emergência ou Estado de Calamidade por conta de eventos climáticos.

Via http://www.capitalteresina.com.br

Jericoacoara pode ser privatizada

Da Coluna Vertical, no O POVO deste sábado (15):

Técnicos dos ministérios do Planejamento e do Meio Ambiente visitaram o município de Jijoca nesta semana e reuniram moradores para apresentar uma ideia polêmica: a privatização do Parque Nacional de Jericoacoara.

Isso mesmo! Apregoando uma Parceria Público-Privada (PPP), o governo federal quer passar para o controle de uma empresa privada toda a administração do Parque Nacional de Jericoacoara. Essa empresa passaria a controlar todo o fluxo de visitantes e até cobrar pela entrada. Além disso, teria direito de construir hotéis e restaurantes em diversas localidades, incluindo a famosa duna do pôr do sol.

Os cálculos apresentados pelos consultores levam a um faturamento anual de mais de R$ 60 milhões para a empresa que ganhar a licitação, o que representa o dobro do orçamento da Prefeitura de Jijoca.

O Instituto Chico Mendes, esvaziado desde sua criação, é quem responde no momento pelo parque. O deputado estadual João Jaime (DEM), que tem atuação política na área, está cobrando posição do Ministério Público Federal sobre o fato.

Mancha negra é registrada na Praia do Mucuripe, em Fortaleza

A mancha negra foi registrada na manhã desta quinta-feira, 13 – Foto: Luciana Otoch

Uma enorme mancha negra foi registrada no mar da Praia do Mucuripe, na continuação da avenida Beira Mar, na manhã desta quinta-feira, 13, em Fortaleza. A fotógrafa Luciana Otoch fez o registro do fenômeno, que cobre uma extensa faixa da praia.
Segundo Luciana, essa não foi a primeira vez que a mancha apareceu. A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) informou, através de nota, que uma equipe técnica está no local. A companhia orienta que “a água da chuva não deve ser despejada dentro do sistema de esgoto, pois este não está dimensionado para esta finalidade”.

Em outro ponto da av. Beira Mar, próximo à mancha negra e ao Mercado dos Peixes, motoristas desviam de um esgoto aberto e reclamam do mau cheiro. A Cagece orienta que a população não coloque lixo dentro de rede de esgoto, o que pode ocasionar entupimentos e transbordamentos.

(O Povo Online)

Influência humana é clara no aquecimento “inequívoco” do planeta, diz IPCC

Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas divulga primeira parte de estudo sobre aumento da temperatura no globo e afirma que últimas três décadas foram sucessivamente mais quentes que qualquer outra desde 1850.

O aquecimento do planeta é “inequívoco”, a influência humana no aumento da temperatura global é “clara”, e limitar os efeitos das mudanças climáticas vai requerer reduções “substanciais e sustentadas” das emissões de gases de efeito estufa. A conclusão é do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), que divulgou nesta quinta-feira (30/01), em Genebra, a primeira parte do quinto relatório sobre o tema.

Os cientistas do IPCC – que já foram premiados com o Nobel da Paz em 2007 – fizeram um apelo enfático para a redução de gases poluentes. “A continuidade das emissões vai continuar causando mudanças e aquecimento em todos os componentes do sistema climático”, afirmou Thomas Stocker, coordenador e principal autor da Parte 1 do quinto Relatório sobre Mudanças Climáticas, cuja versão preliminar já foi apresentada em setembro de 2013.

O documento serviu de base durante a Conferência das Partes (COP) das Nações Unidas sobre o Clima em Varsóvia, na Polônia, no final do ano passado. Em 1500 páginas, cientistas de todo o mundo se debruçaram sobre as bases físicas das mudanças climáticas, apoiados em mais de 9 mil publicações científicas.

“O relatório apresenta informações sobre o que muda no clima, os motivos para as mudanças e como ele vai mudar no futuro”, disse Stocker.

Correções

A versão final divulgada nesta quinta é um texto revisado e editado e não tem muitas mudanças em relação ao documento apresentado em setembro do ano passado, que elevou o alerta pelo aquecimento global e destacou a influência da ação humana no processo.

“A influência humana no clima é clara”, afirma o texto. “Ela foi detectada no aquecimento da atmosfera e dos oceanos, nas mudanças nos ciclos globais de precipitação, e nas mudanças de alguns extremos no clima.”

Segundo o IPCC, desde a década de 1950, muitas das mudanças observadas no clima não tiveram precedentes nas décadas de milênios anteriores. “A atmosfera e os oceanos estão mais quentes, o volume de neve e de gelo diminuíram, os níveis dos oceanos subiram e a concentração de gases poluentes aumentou”, diz um resumo do documento.

“Cada uma das últimas três décadas foi sucessivamente mais quente na superfície terrestre que qualquer década desde 1850. No hemisfério norte, o período entre 1983 e 2012 provavelmente foi o intervalo de 30 anos mais quente dos últimos 800 anos”, prossegue.

Aquecimento dos oceanos

O grupo de cientistas também lembra que o aquecimento dos oceanos domina o aumento de energia acumulada no sistema climático, e que os mares são responsáveis por mais de 90% da energia acumulada entre 1971 e 2010.

“É praticamente certo que o oceano superior (até 700m de profundidade) aqueceu neste período, enquanto é apenas provável que tenha acontecido o mesmo entre 1870 e 1970″, diz o relatório.

O nível dos mares também aumentou mais desde meados do século 20 que durante os dois milênios anteriores, segundo estima o IPCC. Entre 1901 e 2010, o nível médio dos oceanos teria aumentado cerca de 20 centímetros, diz o documento.

As concentrações atmosféricas de dióxido de carbono, metano e protóxido de nitrogênio (conhecido como gás hilariante) aumentaram, principalmente por causa da ação humana. Tais aumentos se devem especialmente às emissões oriundas de combustíveis fósseis. Os oceanos, por exemplo, sofrem acidificação por absorver uma parte do CO2 emitido.

Futuro sombrio

A temperatura global deverá ultrapassar 1,5ºC até o final deste século em comparação com níveis estimados entre 1850 e 1900. O aquecimento global também deverá continuar além de 2100, mas não será uniforme, dizem os cientistas do clima. As mudanças nos ciclos da água no mundo também não serão homogêneos neste século, e o contraste entre regiões secas e úmidas e regiões de seca e de chuvas deverá aumentar.

O resumo do texto ainda constata que a acumulação de emissões de CO2 deverá ser determinante para o aquecimento global no final do século 21 e adiante. “A maioria dos efeitos das mudanças climáticas deverão perdurar por vários séculos, mesmo com o fim das emissões.”

Até outubro, o IPCC ainda vai publicar mais duas partes do relatório e também um documento final. A segunda parte será divulgada em março, no Japão, e detalhará os impactos, a adaptação e a vulnerabilidade a mudanças climáticas. Em abril, Berlim será palco das conclusões do IPCC sobre mitigação.

Deutsche WelleDeutsche Welle 

Manchineel: conheça a árvore mais venenosa e perigosa do planeta

Que plantas venenosas existem, todos estamos cansados de saber. Porém, nenhuma é capaz de alcançar a Manchineel nesse requisito, a árvore mais perigosa do mundo no Guinness Book, Livro dos Recordes.

Hippomane mancinella (nome científico), é nativa da Flórida, Caribe e Bahamas, de acordo com as informações do Oddity Central. Para começar, a planta produz frutos tóxicos apelidados por Cristóvão Colombo de manzanillas de la muerte, ou maçãs da morte. O mais assustador, no entanto, é saber que essas frutinhas são apenas a ponta do iceberg.

A própria seiva na Manchineel é altamente perigosa, sendo necessário apenas uma gota para causar queimaduras, irritação, surgimento de bolhas e inchaço na pele. Aí você pensa: “tudo bem, só não comer os frutos da Manchineel nem tentar extrair sua seiva, isso não é muito difícil”, certo? Errado! Se em um dia chuvoso você simplesmente pensar em procurar abrigo em uma árvore como esta pode ter certeza que está correndo perigo, pois as gotas de chuva que entrarem em contato com as folhas e com a sua pele em seguida também podem causar queimaduras. Acha pouco? Só por precaução, não esqueça de nunca usar seus galhos e tronco para fazer uma fogueira, pois sua fumaça é capaz de causar cegueira irreversível. Muito sinistra!

Via http://blog.opovo.com.br/fimdemundo/conheca-arvore-mais-perigosa-mundo/

Navio-fantasma vaga sem rumo pelo Atlântico Norte

Uma embarcação da era soviética infestada de ratos, pesando 1.565 toneladas, vagando sem tripulação pelos mares. Poderia ser o roteiro de um filme de Hollywood, mas esse navio-fantasma existe de verdade.

 

 
  

Construído na antiga Iugoslávia em 1976, o Lyubov Orlova acabou abandonado num porto do Canadá após a falência de seus proprietários. Mas o pior estava por vir: durante a operação que o rebocaria em 2010 para a República Dominicana, onde vivia seu comprador, uma corda se rompeu, e o barco definitivamente singrou os mares sem rumo.

No ano passado, uma estação britânica de radar localizou uma massa no Atlântico Norte que correspondia em tamanho ao navio desaparecido. O sinal foi monitorado e, desde então, trabalhos eventuais de busca não tiveram sucesso em localizá-lo.

Autoridades do Reino Unido agora temem que o Lyubov Orlova se choque contra a costa do país. O barco é considerado uma bomba ambulante de doenças. E convivendo há três anos sem alimento, os ratos estariam se canibalizando uns aos outros, acreditam cientistas.

(Último Segundo)

A cada 50 mortes no mundo por raios, uma acontece no Brasil

A cada hora, mais de 5.700 raios atingem o Brasil, segundo dados do Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica). Em um ano, o número chega a 50 milhões de descargas elétricas no País. O fenômeno natural faz centenas de vítmas anualmente, o que representa, na média mundial, uma morte a cada 50 calculadas no planeta.

O caso mais recente aconteceu na praia da Enseada, no Guarujá, litoral paulista. No último domingo (12), uma mulher, de 36 anos, foi atingida por um raio e morreu. Os parentes afirmam que o socorro demorou e que o posto do Corpo de Bombeiros, que fica perto do local do acidente, não tinha equipamentos para ajudar a vítima. Os irmãos da mulher disseram ainda que não houve alertas para os banhistas sobre o risco de raios.

A mulher usava um biquíni com um acessório de metal, que se partiu ao meio depois da descarga. De acordo com meteorologistas, o objeto pode atrair o raio, mas, no caso da mulher, a proximidade com o mar pode ter sido o fator responsável pela fatalidade.

Leia mais notícias de São Paulo

Esta não é a primeira vez que turistas morrem no litoral de São Paulo, vítimas de raios. No ano passado, um casal português foi atingido em uma praia de Bertioga. Eles fazem parte das cerca de 130 vítimas que os raios fazem no Brasil por ano.

Ainda de acordo com dados do Elat, o País registrou 1.601 mortes entre 2000 e 2012. Nesse período, mais homens morreram do que mulheres (82% contra 18%), com maioria entre 20 e 39 anos (43% do total). A estação do ano em que mais mortes foram registradas foi o verão (45%), seguido pela primavera (32%), outono (14%) e inverno (9%).

No verão, as cidades normalmente registram altas temperaturas e a atmosfera é naturalmente mais úmida. Essa combinação, segundo os meteorologistas do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), provoca mais raios. Só que no caso do litoral de São Paulo, há um fator, que acontece todo verão, que influencia na quantidade de descargas elétricas. Uma faixa de umidade, que vem da Amazônia, tem se deslocado justamente para as praias paulistas.

Por Estado

O levantamento do Elat durante os anos de 2000 e 2012 mostra que o Estado de São Paulo é o que mais registrou mortes no período, com 267 casos. Minas Gerais é o segundo colocado, com 125 mortes, seguido do Rio Grande do Sul, com 121.

Ainda de acordo com o instituto, as atividades rurais (19%) representam a maior parte das circunstâncias das fatalidades. As ocorrências dentro de casa somam 15%, 14% das mortes aconteceram próximas a veículos e 12% embaixo de árvores. 

(R7 São Paulo)

Nordeste terá chuvas abaixo da média em 2014, diz Inmet

Mariana Branco
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Atingido por uma estiagem severa nos últimos dois anos, o Nordeste pode voltar a ter chuvas abaixo da média em 2014. A previsão é do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). De acordo com o meteorologista Mozart de Araújo Salvador, a temperatura do Atlântico Norte, cuja alta causou a diminuição das chuvas em 2012 e 2013, continua elevada, embora em patamar menor que o do ano passado.

Segundo Salvador, caso a situação se mantenha,  há chance de menos chuva do que tradicionalmente. No entanto, não é possível prever a intensidade de um eventual novo período de seca. “A possibilidade [de estiagem] não está afastada”, disse ele.

O meteorologista explicou que, em dezembro, quando o Inmet levantou os dados para seu prognóstico mais recente sobre o Nordeste, a temperatura do Atlântico Norte estava de 0,5°C a 1°C acima da média. “Espera-se que [a alta de temperatura] não se intensifique, ou o risco de prejuízos para as chuvas é grande”, acrescentou.

Salvador esclareceu que, no ano passado, a temperatura do oceano chegava a 1,5°C acima da média. Para normalização das chuvas no Nordeste, o ideal é que ela recue nos próximos meses. Uma nova medição será feita na segunda quinzena de janeiro.

Para o primeiro trimestre deste ano, o Inmet vê 40% de possibilidade de chuvas dentro da média e 35% de probabilidade de ficarem abaixo da média para o semiárido do Ceará, do Piauí, da Paraíba, do Rio Grande do Norte e do norte da Bahia. Existem ainda 25% de chance de precipitações acima da média.

Em 2012 e 2013, produtores rurais desses e de outros estados perderam gado e lavoura com a estiagem e tiveram de ser socorridos pelo governo, que disponibilizou linhas de crédito emergenciais e permitiu a renegociação de dívidas a agricultores que não puderam honrar os pagamentos em função das perdas com a estiagem.

Para 2014, o Ministério da Integração Nacional informou que ainda aguarda dados mais concretos com relação ao panorama relacionado à seca para definir ações. O órgão informou ainda que, até o momento, não há decisão sobre renovação das linhas de crédito, mas que é possível aderir à renegociação de débitos até 30 de dezembro deste ano.

(Agência Brasil)

 

Estudo do IBGE define limites entre 113 dos 184 municípios do Ceará

O Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) concluíram mais uma etapa  do “Atlas de Divisas Municipais Georreferenciadas do Estado do Ceará” com o  georreferenciamento dos municípios localizados no Sertão Central, Região do Inhamuns, dos municípios de Tianguá e Sobral, além dos localizados no Litoral Oeste do Estado. Com essa etapa, 113 dos 184 municípios cearenses estão com a suas áreas georreferenciadas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Esperamos entregar o trabalho completo à Assembleia Legislativa do Ceará até o fim deste semestre”, explica Francisco José Lopes, chefe da unidade do IBGE no Ceará. Segundo ele, com a finalização do Atlas, os novos limites serão reconhecidos e transformados em lei pela Assembleia Legislativa. “A maioria dos municípios do Ceará deverão fazer pequenos ajustes nos seus limites, que serão resultado de acordos entre os administradores desses municípios”, explica.

O projeto “Atlas de Divisas Municipais Georreferenciadas do Estado do Ceará” objetiva a elaboração de uma nova legislação para os limites municipais com o georreferenciamento dos elementos cartográficos e, consequentemente, com a atualização cartográfica, para substituir a citação de elementos não mais existentes no terreno. Pretende, também, definir onde começa e termina o município, a fim de determinar, com precisão, os limites que permitam uma melhor administração municipal, respeitando a cidadania e a identidade histórico-cultural.

Problemas
O estudo mostra problemas da não revisão da legislação que rege os limites municipais, a sua maioria datada de 1951, que resulta na indefinição dos limites, no surgimento de áreas de litígios, administração em área legal pertencente a outro município, distorção da arrecadação de impostos, eleitores cadastrados fora da zona eleitoral, imprecisão nos cálculos de Fundo de Participação dos Municípios (FPM), além de distorções de dados estatísticos.

O chefe da unidade do IBGE, no Ceará , ressalta que as indefinições acerca dos limites territoriais causam problemas para os administradores, prefeitos e para os órgãos técnicos, uma vez que “municípios que administram fora de suas fronteiras efetuam despesas e não recebem os devidos recursos”.

Para o presidente da Comissão de Criação de Novos Municípios e Estudos de Limites e Divisas da Assembleia Legislativa,  Luis Carlos Mourão, a dimensão exata do município é também crucial para a definição dos valores do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) recebidos pelas prefeituras. “Os municípios de Tejuçuoca e Barreiras são exemplos. A partir dos estudos eles tiveram a cota do FPM elevada em R$ 150 mil e R$ 120 mil mensais, respectivamente”, diz.

(Verônica Prado, G1 CE)

O Brasil e seu ‘mar interior’; por José Luís Fiori

Do site Carta Maior

O Brasil e seu ‘mar interior’

O Brasil possui capacidade econômica e tecnológica para explorar os recursos oferecidos pelo oceano, mas não possui o poder de defender a soberania desse mar.

Situado entre a costa leste da América do Sul, e a costa oeste da África Negra, o Atlântico Sul ocupa um lugar decisivo do ponto de vista do interesse econômico e estratégico brasileiro: como fonte de recursos, como via de comunicação, e como meio de projeção da influência do país no continente africano. Além do “pré-sal”brasileiro, existem reservas de petróleo na plataforma continental argentina, e na região do Golfo da Guiné, sobretudo na Nigéria, Angola, e no Congo, Gabão, São Tomé e Príncipe. Na costa ocidental africana, também existem grandes reservas de gás, na Namíbia, e de carvão, na África do Sul; e na bacia atlântica, se acumulam crostas cobaltíferas, nódulos polimetálicos ( contendo níquel, cobalto, cobre e manganês), sulfetos ( contendo ferro, zinco, prata, cobre e ouro), além de depósitos de diamante, ouro e fósforo entre outros minerais relevantes, e já foram identificadas  grandes fontes energéticas e minerais, na região da Antártica. Além disto, o Atlântico Sul é uma via de transporte e comunicação fundamental, entre o Brasil e a África, e é um espaço crucial para a defesa dos países ribeirinhos, dos dois lados do oceano.

A Argentina tem 5 mil km de costa, sustenta uma disputa territorial com a Grã Bretanha, e tem uma importante projeção no território da Antártida e nas passagens interoceânicas do canal de Beagle e do estreito de Drake. Do outro lado do Atlântico, a África do Sul ocupa o vértice meridional do continente africano, e é um país bioceânico, banhado simultaneamente pelo Atlântico e pelo Indico, com 3000 km de costas marítimas, e cerca de 1 milhão de km2 de águas jurisdicionais, ocupando uma posição muito importante como ponto de passagem entre o “ocidente’ e o “oriente”,  por onde circula cerca de 60% do petróleo embarcado no Oriente Médio, na direção dos EUA e da Europa. Finalmente, a Nigéria e Angola têm 800 e 1600 km de costa atlântica, respectivamente, e as reservas de petróleo do Golfo da Guiné estão estimadas em 100 milhões de barris.
 
Mas não há duvida que o Brasil é o país costeiro  que tem maior importância econômica e geopolítica dentro do Atlântico Sul, com seus 7490 km de costa, e seus 3.600 milhões de km2 de território marítimo, que podem chegar a 4,4 milhões – mais do que a metade do território continental brasileiro – caso sejam aceitas as reivindicações apresentadas pelo Brasil  perante a Comissão de Limites das Nações Unidas: quase o dobro do tamanho do Mar Mediterrâneo e do Caribe, e quase 2/3 do Mar da China.
 
O interesse estratégico do Brasil nesta área vai além da defesa de seu mar territorial, e inclui toda sua  Zona Exclusiva Econômica (ZEE),  por onde passa cerca de 90%  do seu comercio internacional; e onde se encontram, cerca de 90% das reservas totais de petróleo do Brasil, e 82% de sua produção atual; e mais  67% de suas reservas de gás natural. Além disto, o Brasil possui três ilhas atlânticas que tem uma importante projeção sobre o território da Antártida, e que são altamente vulneráveis do ponto de vista de sua segurança.

Apesar disto, o controle militar do Atlântico Sul segue em mãos das duas grandes potências anglo-saxônica.  A  Grã- Bretanha mantém  um cinturão de ilhas e bases navais através do Atlântico Sul, que lhe conferem uma enorme vantagem estratégica no controle da região. E os EUA dispõem de três comandos que operam na mesma área: o USSOUTHCOM, criado em 1963,  o AFRICOM, criado em 2007, e a sua IV Frota Naval criada durante a II Guerra Mundial, e reativada em 2008, com objetivo explícito de policiar o Atlântico Sul.
 
Além disso, as duas potências anglo-saxônicas controlam em comum, a Base Aérea da Ilha de Ascenção, onde operam simultaneamente, a Força Aérea dos EUA, a Força Aérea do Reino Unido e forças dos países da OTAN. Na mesma Ilha de Ascenção estão instaladas estações de interceptação de sinais e bases do sistema de monitoramento global, denominado  Echelon, que permite o monitoramento e  controle de todo o Oceano Atlântico. Caracterizando-se uma enorme assimetria de poder e de recursos entre as forças navais e aéreas, das potencias anglo-saxônicas e da OTAN, e a dos demais países situados nos dois lados do Atlântico Sul.

Neste ponto o Brasil não tem como enganar-se: possui a capacitação econômica e tecnológica para explorar os recursos oferecidos pelo oceano, mas não possui atualmente a capacidade de defender a soberania do seu “mar interior”. A capacitação naval do Brasil foi inteiramente dependente da Grã Bretanha e dos Estados Unidos, pelo menos até a década de 70, e o Brasil segue sendo um país vulnerável do ponto de vista da sua capacidade de defesa de sua costa, e de sua plataforma marítima. E este panorama só poderá ser modificado no longo prazo, depois da construção da nova frota de submarinos convencionais e nucleares que deverão ser entregues à marinha brasileira, entre 2018 e 2045, e depois que o Brasil adquira capacidade autônoma de construção de sua própria defesa aérea. De imediato, entretanto, o cálculo estratégico do Brasil tem que assumir esta assimetria de poder como um dado de realidade e como uma pedra no caminho de sua política de projeção de sua influência  no continente africano, e sobre este seu imenso “mar interior”.

Novo Mapa do Turismo brasileiro contempla 67 municípios do Ceará

Do G1 CE

Região Cidades e locais
Cariri Assaré, Barbalha, Crato,
Juazeiro do Norte, Missão Velha,
Nova Olinda e Santana do Cariri
Centro Sul/Vale do Salgado Icó, Iguatu, Orós, Chapada da
Ibiapaba, Carnaubal, Guaraciaba
do Norte, Ibiapina, Ipu, São Benedito,
Tianguá, Ubajara, Viçosa do Ceará,
Fortaleza, Aquiraz e Caucaia
Litoral Extremo Oeste Acaraú, Barroquinha, Camocim,
Chaval, Cruz, Granja e Jijoca de
Jericoacoara
Litoral Leste Aracati  , Beberibe, Cascavel,
Fortim, Icapuí, Pindoretama,
Litoral Oeste, Amontada, Itapipoca,
Itarema, Paracuru, Paraipaba,
São Gonçalo do Amarante, Trairi
Serras de Aratanha e Baturité Baturité, Guaiúba, Guaramiranga,
Maranguape  , Pacatuba, Pacoti,
Palmácia, Redenção, Sertão Central,
Banabuiú, Canindé, Quixadá,
Quixeramobim
Sertão dos Inhamuns Aiuaba, Crateús, Tauá, Vale do
Acaraú, Meruoca, Sobral, Vale do
Jaguaribe, Jaguaribara, Jaguaribe,
Limoeiro do Norte, Morada Nova

O Ministério do Turismo divulgou nesta terça-feira (17) o novo Mapa Turístico Brasileiro.  A configuração traz, além de regiões consagradas pelo turismo, apostas de roteiros que devem figurar nos próximos guias de viagem e atrair um número crescente de turistas nos próximos anos. O novo mapa turístico orienta a atuação de políticas e investimentos do Ministério do Turismo pelo país. No Ceará, além dos tradicionais destinos como Jijoca de JericoacoaraAquirazBeberibeParaipaba, por exemplo, outras cidades passam a figurar no Mapa do Turismo Brasileiro. 

O Mapa do Turismo Brasileiro de 2013 traz o Ceará dividido em 12 regiões – Cariri, Centro Sul/Vale do Salgado, Chapada da Ibiapaba,Fortaleza, Litoral Extremo Oeste,  Litoral Leste, Litoral Oeste, Serra da Aratanha e Baturité, Serão Central, Sertão dos Inhamuns, Vale do Acaraú e Jaguaribe – com 67 municípios contemplados. Pelo novo Mapa, o Nordeste foi dividida em 81 regiões com 820 municípios contemplados.

Em comparação ao mapa anterior, publicado em 2009, a nova versão possui um número maior de regiões turísticas (303). Todos os municípios selecionados passaram por uma reavaliação do seu interesse turístico, por isso o número diminuiu de 3.635 para 3.345. “Nem todas as cidades do mapa anterior apresentam potencial para fazer parte do processo de desenvolvimento da atividade turística no país. Isso é sinal de maturidade no trabalho de gestão”, afirma o ministro do Turismo, Gastão Vieira.

De acordo com o Ministério do Turismo, a reavaliação dos destinos e de suas respectivas regiões se baseia nas novas diretrizes do Programa de Regionalização do Turismo, definidas pelo Plano Nacional de Turismo 2013-2016.

(G1 Ceará)

Índio Guajajara se refugia em árvore e resiste a retirada no Rio

Advogado pede reintegração de posse do prédio do Museu do Índio. Polícia Civil vai autuar 24 manifestante

Grupo de 24 manifestantes retirado do antigo Museu do Índio na manhã de hoje (16) será autuado por resistência (quando há violência ou ameaça a servidor encarregado de cumprir a lei), disse o delegado da 18ª Delegacia de Polícia (Praça da Bandeira), Fábio Barucke. Os manifestantes foram ouvidos, liberados e devem receber penas alternativas no Juizado Especial Criminal.

Outro manifestante foi detido porque entrou no perímetro de isolamento montado pela Polícia Militar em volta da árvore em que o índio Zé Guajajara mantém o protesto. De acordo com o delegado, ele responderá por resistência, desobediência e desacato, por ter xingado os policiais que o retiraram à força. 

O índio Ash, da Aldeia Maracanã, tentou levar comida para Zé Guajajara, mas foi impedido pelos policiais. Guajajara está há seis horas sem comer e beber e diz que só desce da árvore quando chegar o documento da 7ª Vara Civil garantindo à tribo a reintegração de posse da área do museu.

José Guajajara, o índio que resiste na árvore, é um líder da tribo Guajajara, que está desde 2006 na Aldeia Maracanã. Quando ele chegou ao prédio do Museu do Índio, o local era ocupado por drogados e mendigos. Jairo Costa, que desde 1989 reside no bairro do Maracanã, disse que a tribo sempre desempenhou um papel histórico e de resgate da cultura indígena e não é formada por um bando de vagabundos, como diz o governo do estado e ate pessoas desinformadas.

Os índios dançaram e cantaram próximo à árvore. Negociadores da PM estão dialogando com o índio Zé Guajajara. A polícia civil está no prédio do museu. Policiais do choque também estão posicionados nas janelas do prédio creme, ao lado da árvore. Muitos populares acompanham a operação policial.

Um membro da escola técnica da Fiocruz, Alexandre Vasconcelos, negocia com o comando do Bope para que a mulher do índio Jose Guajajara, a índia Potira, possa levar comida ao marido: banana, pão seco, biscoito e água.

Como a pena pode chegar a quatro anos e seis meses, o manifestante detido será encaminhado à justiça comum, e terá de pagar fiança de um salário mínimo para ser liberado.

A decisão judicial que fundamentou a ação da polícia é a mesma que removeu a ocupação do museu em março deste ano. Em agosto, os manifestantes voltaram ao prédio.

A advogada que representa os autuados questionou a ação da polícia por não ter sido acompanhada por um oficial de justiça e por não ter sido apresentado um mandado. De acordo com o delegado, como a decisão já havia sido cumprida em março, não era necessária a presença de um oficial de justiça. 

Manifestantes reclamaram de suposta truculência da polícia: um chegou a improvisar uma tala para o pulso, que afirmou ter sido machucado. Exames de corpo de delito serão feitos para apurar as denúncias.

Outra pessoa foi autuada por receptação, por ter sido encontrada pela polícia com objetos de escritório, clipes, DVDs e CDs, que seriam do Laboratório Nacional Agropecuário, do Ministério da Agricultura. Os policiais supõem que a mercadoria apreendida foi retirada do laboratório, invadido pelos manifestantes no domingo. O prédio é vizinho ao antigo Museu do Índio e será demolido.

Com Agência Brasil

 

 

Nova Iguaçu tem 2 mil desabrigados e prefeito decreta estado de calamidade pública

Vladimir Platonow
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – As chuvas que atingiram principalmente a região metropolitana do Rio desde a noite de ontem (10) deixaram cerca de 2 mil pessoas desabrigadas no município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, um dos mais afetados pela enchente. Aproximadamente 30% da cidade registram inundação, segundo estimativa do prefeito, Nelson Bornier, que sobrevoou a região no início da tarde de hoje (11) e decidiu decretar estado de calamidade pública.

A maior parte dos desabrigados e desalojados, de acordo com ele, está sendo acolhida em igrejas evangélicas e católicas. “Fomos surpreendidos com este temporal, que inundou os quatro cantos da cidade. Estamos com o município alagado em diversos bairros. Estamos recebendo a ajuda da população, que está respondendo às necessidades com donativos, roupas, colchonetes e cestas básicas. Estamos trabalhando para dar o apoio necessário a essas famílias e retornamos o mais rápido possível à normalidade”, disse Bornier.

O prefeito está em contato com o governo do estado, que já destinou máquinas e equipamentos para ajudar as equipes de resgates e limpeza. Bornier informou ainda que vai solicitar auxílio ao Ministério da Integração Nacional, para que libere recursos que possibilitem reconstruir a infraestrutura da cidade, principalmente a malha viária, que teve o asfalto bastante danificado, e a recolocação da rede de drenagem, em muitos locais arrancada pela correnteza. Ele declarou que ainda não é possível estimar o valor do prejuízo.

A Rodovia Presidente Dutra, que corta o município e liga Rio de Janeiro a São Paulo, chegou a ficar totalmente interrompida pela água, em um trecho próximo ao bairro de Austin. Ao longo da via, empresas tiveram seus depósitos e pátios de estacionamento inundados, causando um grande prejuízo. Bornier disse esperar que a concessionária da rodovia, a Nova Dutra, invista mais para evitar enchentes em determinadas áreas.

“Ela não se preocupa com o seu deságue. Fica a cargo de cada município. Ela deveria se preocupar como um todo, não é só fazer uma rodovia sem que se preocupe também com o deságue em cada bairro com que ela vai se encontrando em sua extensão.”  A empresa CCR Nova Dutra informou, por meio de sua assessoria, que não se pronunciaria sobre a declaração do prefeito.

(Agência Brasil)

Instituto de Metereologia prevê chuvas fortes no Rio de Janeiro até sábado

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – As fortes chuvas que causaram alagamentos na capital fluminense e na Baixada Fluminense na madrugada de hoje (11) devem continuar pelo menos até o sábado (14). De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a precipitação deve superar o limite de 60 milímetros, considerado o máximo para um período de 24 horas.

De acordo com o meteorologista Lúcio de Souza, dois fenômenos são responsáveis pelas chuvas: uma frente fria sobre o Rio que veio do interior do país e encontrou instabilidade climática. “A associação entre os dois fenômenos provoca essas chuvas. Há um grande corredor de umidade que abrange desde o Atlântico Sul, o Centro-Oeste e chega ao Acre”, explicou.

Segundo o Inmet, deve chover forte nas próximas 36 horas na serra, no norte e no noroeste fluminense. O tempo deve continuar abafado, com temperaturas variando entre 13 graus Celsius (°C) e 25°C na região serrana e entre 17ºC e 25ºC na capital. Não há previsão de ventos fortes.

O meteorologista do Inmet avalia que o sol deve aparecer no final de semana, quando a frente fria se dissipar para o Espírito Santo. A partir de sexta-feira as condições climáticas voltam ao normal. “Não significa que não choverá mais, mas que o sol vai a parecer e a chuva ficará em pontos isolados. Cenário melhor que o de agora”, disse Lúcio.

(Agência Brasil)

Carros têm que ser desincentivados, dizem especialistas em mobilidade urbana

O caminho para resolver os problemas de mobilidade urbana nas grandes cidades brasileiras é apenas um: aliar o aumento da qualidade do transporte público com o desincentivo ao individual.

A tese é defendida por Elkin Velasquez, diretor do escritório regional para América Latina e Caribe da ONU-Habitat, e pelo pesquisador do IPEA, Carlos Henrique Carvalho, que falaram, na manhã desta terça-feira no EXAME Fórum Sustentabilidade, na capital paulista.

Segundo eles, é preciso inverter a lógica de mobilidade das cidades. “As cidades brasileiras sofrem de um processo de crescimento urbano rápido e desordenado, que é resultado de 50 anos de uma política industrial baseada na indústria automobilística”, diz Carlos Henrique Carvalho.

Ele compara a situação caótica do trânsito e do transporte público de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro com o sistema de mobilidade de 50 anos atrás: enquanto antes os deslocamentos eram feitos em bondes elétricos ou a pé, hoje o que predomina são as viagens individuais.

“Os cidadãos já convivem com as penalidades que esse sistema de mobilidade tem causado, então, o que podemos fazer agora é inverter a política de estímulo ao uso dos carros e promover o transporte coletivo”, diz Carvalho.

Ele explica que o barateamento do transporte individual via isenção de tributos e o congelamento do preço da gasolina acontece ao mesmo tempo que o transporte público fica mais caro.

Os aumentos nas tarifas de ônibus em diversas cidades brasileiras foram o estopim para a onda de manifestações que tomaram as ruas em junho.

“Isso que o prefeito Fernando Haddad está fazendo com as faixas exclusivas em São Paulo é uma medida de equidade, já que a maior parte da população da cidade usa transporte público”, diz.

Saiba Mais: Exame

Possibilidade de tsunami atingir Fortaleza é remota

Catástrofes naturais sempre são motivo de grande temor em toda parte do mundo. As tempestades, os furacões, os terremotos acontecem de forma severa e acabam devastando cidades, causando prejuízos irreparáveis e tirando milhares de vidas. Em Fortaleza, o que anda assustando a população é o boato de que uma grande onda chegará à capital cearense. Mas a ciência explica que as possibilidades são extremamente remotas.

A notícia tomou grande proporção devido à participação de um vidente na mídia local afirmando que, no dia 24 de novembro deste ano, um tsunami assolaria parte do Brasil, e as regiões mais prejudicadas seriam os litorais Norte e Nordeste.

A revelação causou espanto, principalmente nas famílias moradores das áreas costeiras da praia. Pessoas já pensam em sair de casa, salvar bens, proteger a família, buscar um local seguro, longe do maremoto. “Todos aqui do bairro e das redondezas estão preocupados. Pensam até em se mudar pra fugir da onda”, comenta Laélia Pessoa, 38, moradora do bairro Pirambu.

No entanto, de acordo com pesquisas do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC), as chances de uma gigantesca onda atingir o país são mínimas. “Não existe nenhuma evidência científica que comprove esse fato. Além disso, em toda a história, nunca tivemos registros de vulcões, terremotos e outras catástrofes aqui no Brasil”, explica o professor de Oceanografia do Labomar, Carlos Teixeira, com o objetivo de tranquilizar a população.

Estudos revelam que, caso haja uma erupção vulcânica nas Ilhas Canárias, situadas no Oceano Atlântico, poderá acontecer a tão falada onda. Mas isso só ocorrerá se for seguido de uma série de outros fenômenos, como a intensidade da erupção, uma parte específica da ilha (que é banhada pelo Atlântico) desmoronar no mar, e a velocidade dessa queda.

Ainda assim, acredita-se que esse fenômeno não chegará ao nosso país. “Estudos teóricos confirmam isso. As chances de acontecer são quase nulas”, enfatiza o professor. 

Via Diário do Nordeste

Planeta Terra pode virar uma tremenda lixeira em 2100

São Paulo – A cada 24 horas, a humanidade joga no lixo mais de 3,5 milhões de toneladas de resíduos. Isso representa pelo menos 40 toneladas por segundo, um aumento de dez vezes em relação ao que gerávamos cem anos atrás. Pior, esse número provavelmente irá dobrar até 2025 e, se mantido o ritmo atual de descarte, até 2100 poderemos atingir o “pico” do lixo, com uma geração de 11 milhões de toneladas diárias, o triplo da taxa de hoje. Vai faltar lugar para armazenar tanta sujeira.

O alerta vem de um estudo publicado no periódico científico Nature, que analisa três cenários diferentes, tentando determinar quando chegaríamos ao “pico do lixo”. Seguindo o modelo “business as usual”, o auge da produção de resíduos será atingido ainda neste século, com a África sub-saariana respondendo pela maior parte do crescimento.

De acordo com a pesquisa, o aumento da renda das populações de países pobres e em desenvolvimento e, naturalmente, do seu poder de consumo, são a principal alavanca da geração de lixo e da alta do desperdício.

Para o pior cenário, o estudo assume um futuro em que o mundo está nitidamente dividido entre regiões de extrema pobreza, riqueza moderada e subsistência. Um cenário onde pouco ou nenhum progresso foi feito para enfrentar a poluição e outros problemas ambientais, e onde os objetivos de desenvolvimento globais não se efetivaram. Nesse cenário, a produção de resíduos aumenta em 1 milhão em relação ao business as usual, atingindo 12 milhões de toneladas por dia.

No melhor cenário, o pico de produção vai girar em torno de 8,4 milhões de toneladas por dia em 2075. Nesse mundo, a população humana se estabiliza em 7 bilhões de pessoas, das quais 90% vivem em cidades. “As pessoas são mais educadas e ambientalmente conscientes, e os níveis de pobreza em países em desenvolvimento apresentam a menor baixa de todos os tempos”, diz o estudo.

Mudando o jogo

Dá para reverter esse quadro? Sim, é possível. Para evitar que o mundo se transforme numa grande lixeira, onde tudo é descartado, a solução passa pela preciosa regra dos 3Rs – reduzir, reutilizar e reciclar. Segundo o estudo, muito pode ser feito localmente para reduzir o desperdício. Alguns países e cidades estão liderando o caminho. São Francisco, na Califórnia, por exemplo, tem a meta ambiciosa de reaproveitar tudo o que no lixo é reciclável, até 2020. Atualmente, mais de 55% dos seus resíduos são reciclados ou reutilizados.

A cidade japonesa de Kawasaki, por sua vez, tem melhorado seus processos industriais para evitar a geração de 565 mil toneladas de resíduos potencialmente perigosos. Para isso, estimula a troca e a reutilização de materiais entre empresas de aço, cimento, química e papel.

(Exame Online)

As 100 melhores (e piores) cidades brasileiras para viver em 2013, segundo a ONU

São Caetano do Sul lidera o ranking das melhores cidades

Todos os anos, mais ou menos por esta época fazemos eco do relatório com o Índice de Desenvolvimento Humano divulgado pela ONU. O IDH do Brasil (85º) continua lá pelo meio da lista, com média de 0,727, e a novidade é que este ano o Canadá deixa o top 10 e em vez de apresentarmos as 10 melhores cidades do mundo para viver -como sempre fazemos-, mostramos o ranking das 100 melhores cidades brasileiras. Quer saber se a sua está no meio?

As seguintes 100 cidades são o que o nosso país tem de melhor para oferecer nos setores de educação, renda e expectativa de vida, segundo dados da ONU. Elas representam menos de 2% dos 5.570 municípios existentes em todo território nacional (e contando).

Estas cidades fazem parte de um seleto grupo de municípios que apresentam um elevado grau de desenvolvimento (mais ou menos a 0,8) no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), divulgado pela ONU, em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Fundação João Pinheiro (FJP). A média do Brasil hoje é 0,727, considerado alto (mas não muito alto).

Há que se levar em conta que o IDHM não mede exatamente a qualidade de vida em si. No entanto, lógico está, municípios com elevados índices relacionados com a educação, com a expectativa de vida estendida e maior renda tendem a ser bons lugares para se viver.

Top 100 melhores cidades para viver no Brasil

Posição Lugares IDHM
São Caetano do Sul (SP) 0,862
Águas de São Pedro (SP) 0,854
Florianópolis (SC) 0,847
Vitória (ES) 0,845
Balneário Camboriú (SC) 0,845
Santos (SP) 0,840
Niterói (RJ) 0,837
Joaçaba (SC) 0,827
Brasília (DF) 0,824
10º Curitiba (PR) 0,823
11º Jundiaí (SP) 0,822
12º Valinhos (SP) 0,819
13º Vinhedo (SP) 0,817
14º Santo André (SP) 0,815
14º Araraquara (SP) 0,815
16º Santana de Parnaíba (SP) 0,814
17º Nova Lima (MG) 0,813
18º Ilha Solteira (SP) 0,812
19º Americana (SP) 0,811
20º Belo Horizonte (MG) 0,810
21º São José (SC) 0,809
21º Joinville (SC) 0,809
23º Maringá (PR) 0,808
24º São José dos Campos (SP) 0,807
25º Blumenau (SC) 0,806
25º Rio Fortuna (SC) 0,806
25º Presidente Prudente (SP) 0,806
28º Porto Alegre (RS) 0,805
28º São Carlos (SP) 0,805
28º Assis (SP) 0,805
28º São Bernardo do Campo (SP) 0,805
28º Campinas (SP) 0,805
28º São Paulo (SP) 0,805
34º Rio Claro (SP) 0,803
34º Jaraguá do Sul (SC) 0,803
36º Rio do Sul (SC) 0,802
37º Pirassununga (SP) 0,801
37º Bauru (SP) 0,801
37º São Miguel do Oeste (SC) 0,801
40º Vila Velha (ES) 0,800
40º Taubaté (SP) 0,800
40º Botucatu (SP) 0,800
40º Ribeirão Preto (SP) 0,800
40º Concórdia (SC) 0,800
45º Rio de Janeiro (RJ) 0,799
45º Goiânia (GO) 0,799
47º Marília (SP) 0,798
47º Sorocaba (SP) 0,798
47º Guaratinguetá (SP) 0,798
50º Fernandópolis (SP) 0,797
50º São José do Rio Preto (SP) 0,797
50º São João da Boa Vista (SP) 0,797
53º Tubarão (SC) 0,796
53º Carlos Barbosa (RS) 0,796
53º Itapema (SC) 0,796
56º Brusque (SC) 0,795
56º Iomerê (SC) 0,795
56º Paulínia (SP) 0,795
56º Itajaí (SC) 0,795
56º Treze Tílias (SC) 0,795
61º Holambra (SP) 0,793
62º Três Arroios (RS) 0,791
62º Ipiranga do Sul (RS) 0,791
62º Nova Odessa (SP) 0,791
62º Saltinho (SP) 0,791
62º Quatro Pontes (PR) 0,791
67º Chapecó (SC) 0,790
67º Adamantina (SP) 0,790
67º Votuporanga (SP) 0,790
67º Santa Cruz da Conceição (SP) 0,790
71º Lagoa dos Três Cantos (RS) 0,789
71º Cândido Rodrigues (SP) 0,789
71º Barretos (SP) 0,789
71º Luzerna (SC) 0,789
71º Uberlândia (MG) 0,789
76º Fernando de Noronha (PE) 0,788
76º Barra Bonita (SP) 0,788
76º Cruzeiro (SP) 0,788
76º Mairiporã (SP) 0,788
76º Criciúma (SC) 0,788
76º Indaiatuba (SP) 0,788
76º Caçapava (SP) 0,788
76º Araçatuba (SP) 0,788
76º Palmas (TO) 0,788
85º Espírito Santo do Pinhal (SP) 0,787
85º Itajubá (MG) 0,787
87º Porto União (SC) 0,786
87º Barueri (SP) 0,786
87º Pompéia (SP) 0,786
87º Lins (SP) 0,786
87º Garibaldi (RS) 0,786
92º Catanduva (SP) 0,785
92º Cuiabá (MT) 0,785
92º Nova Araçá (RS) 0,785
92º Casca (RS) 0,785
92º Piracicaba (SP) 0,785
92º Monte Aprazível (SP) 0,785
92º Tremembé (SP) 0,785
92º Amparo (SP) 0,785
100º Mogi Mirim (SP) 0,784

Top 100 piores cidades para viver no Brasil

Posição Lugares IDHM
5565º Melgaço (PA) 0,418
5564º Fernando Falcão (MA) 0,443
5563º Atalaia do Norte (AM) 0,450
5562º Marajá do Sena (MA) 0,452
5560º Uiramutã (RR) 0,453
5560º Chaves (PA) 0,453
5559º Jordão (AC) 0,469
5558º Bagre (PA) 0,471
5557º Cachoeira do Piriá (PA) 0,473
5556º Itamarati (AM) 0,477
5555º Santa Isabel do Rio Negro (AM) 0,479
5554º Ipixuna (AM) 0,481
5553º Portel (PA) 0,483
5550º Amajari (RR) 0,484
5550º Inhapi (AL) 0,484
5550º Anajás (PA) 0,484
5549º São Francisco de Assis do Piauí (PI) 0,485
5548º Itapicuru (BA) 0,486
5547º Manari (PE) 0,487
5546º Caxingó (PI) 0,488
5543º Betânia do Piauí (PI) 0,489
5543º Ipixuna do Pará (PA) 0,489
5543º Afuá (PA) 0,489
5541º Santo Antônio do Içá (AM) 0,490
5541º Jenipapo dos Vieiras (MA) 0,490
5539º Olivença (AL) 0,493
5539º Satubinha (MA) 0,493
5538º Pauini (AM) 0,496
5537º Cocal (PI) 0,497
5535º Maraã (AM) 0,498
5535º Cocal dos Alves (PI) 0,498
5534º Assunção do Piauí (PI) 0,499
5531º Barcelos (AM) 0,500
5531º Recursolândia (TO) 0,500
5531º Água Doce do Maranhão (MA) 0,500
5529º Tamboril do Piauí (PI) 0,501
5529º Marechal Thaumaturgo (AC) 0,501
5524º Tapauá (AM) 0,502
5524º Lagoa do Barro do Piauí (PI) 0,502
5524º Curralinho (PA) 0,502
5524º Nova Esperança do Piriá (PA) 0,502
5524º Lagoa Grande do Maranhão (MA) 0,502
5520º Vera Mendes (PI) 0,503
5520º Olho D’Água Grande (AL) 0,503
5520º Porto de Moz (PA) 0,503
5520º Breves (PA) 0,503
5518º Joca Marques (PI) 0,504
5518º Mata Grande (AL) 0,504
5515º Roteiro (AL) 0,505
5515º Jacareacanga (PA) 0,505
5515º Caraúbas do Piauí (PI) 0,505
5510º Beruri (AM) 0,506
5510º Monte Santo (BA) 0,506
5510º Pilão Arcado (BA) 0,506
5510º Canapi (AL) 0,506
5510º Acará (PA) 0,506
5509º Oeiras do Pará (PA) 0,507
5507º Guaribas (PI) 0,508
5507º Milton Brandão (PI) 0,508
5502º Gurupá (PA) 0,509
5502º Paquetá (PI) 0,509
5502º Jurema (PE) 0,509
5502º Envira (AM) 0,509
5502º São João do Carú (MA) 0,509
5500º Itaíba (PE) 0,510
5500º Santana do Maranhão (MA) 0,510
5499º Ibiquera (BA) 0,511
5494º Ribeira do Amparo (BA) 0,512
5494º Arame (MA) 0,512
5494º Belágua (MA) 0,512
5494º Conceição do Lago-Açu (MA) 0,512
5494º Primeira Cruz (MA) 0,512
5490º Branquinha (AL) 0,513
5490º Aldeias Altas (MA) 0,513
5490º Gado Bravo (PB) 0,513
5490º Pedro Alexandre (BA) 0,513
5487º Casserengue (PB) 0,514
5487º Pau D’Arco do Piauí (PI) 0,514
5487º Senador José Porfírio (PA) 0,514
5481º Pacajá (PA) 0,515
5481º Brejo do Piauí (PI) 0,515
5481º Umburanas (BA) 0,515
5481º São João da Fronteira (PI) 0,515
5481º Queimada Nova (PI) 0,515
5481º Viseu (PA) 0,515
5477º São Roberto (MA) 0,516
5477º São Raimundo do Doca Bezerra (MA) 0,516
5477º Pedro do Rosário (MA) 0,516
5477º Jutaí (AM) 0,516
5473º Colônia Leopoldina (AL) 0,517
5473º Belo Monte (AL) 0,517
5473º São João do Soter (MA) 0,517
5473º Santa Rosa do Purus (AC) 0,517
5467º Lamarão (BA) 0,518
5467º Senador Rui Palmeira (AL) 0,518
5467º Ibateguara (AL) 0,518
5467º Centro Novo do Maranhão (MA) 0,518
5467º Itaipava do Grajaú (MA) 0,518
5467º Santo Amaro do Maranhão (MA) 0,518
5461º Santana do Mundaú (AL) 0,519

Via http://www.mdig.com.br/

UFRN quer criar rede para monitorar abalos no Nordeste

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte pretende criar uma rede de monitoramento de abalos sísmicos, em todo o Nordeste. O projeto já está em andamento, através do Laboratório de Sismologia (LabSis),  e deve ficar pronto até o final de 2014. Consiste numa rede de informações abrangendo a área que da Bahia até o Piauí. No momento a UFRN possui cinco estações de medição de tremores no RN e mais de 20 em todo o território nordestino. Por isso, outro projeto da instituição visa a montagem de novas estações de medição de tremores, elevando a mais de duas vezes o atual número.

Esses novos recursos chegariam para melhorar a vigilância quanto aos eventos sísmicos recentes, por exemplo, que atingiram a cidade de Pedra Preta, distante 149 quilômetros de Natal, nas últimas semanas. O RN é um dos estados de maior incidência de tremores em todo o país e não há uma tecnologia que preveja quando um tremor irá acontecer, mas sim monitorar com mais eficiência. 

    O coordenador do LabSis, professor Aderson Farias,   preferiu não passar valores financeiros, mas garantiu que dos projetos, o complexo de monitoramento já está em andamento, com mais da metade do processo de ativação concluído. Os equipamentos necessários já estariam instalados desde 2011, mas para a rede de informações ficar completa, precisaria de uma  central de processamento de dados.

Outra necessidade é realizar a licitação da empresa que seria responsável pela estação de transmissão, que repassaria os dados entre os estados. “Temos um projeto de monitoramento financiado pela Petrobras, que abrangeria do sul da Bahia até o Piauí. Seriam construídas várias estações de monitoramento. Estamos vendo a questão da licitação da estação de transmissão de dados, que será uma empresa que vai fazer isso”, disse o professor.

Todos os dados coletados de cada estação, seriam destinados a uma central localizada em Natal, gerenciada de perto pela UFRN. Do RN, os dados seriam retransmitidos para a Central do Observatório Nacional, do Ministério da Ciência e Tecnologia, sediado no Rio de Janeiro.

Segundo Aderson Farias, a vantagem de uma rede de monitoramento e informações é que os eventos sísmicos seriam registrados em tempo real e em toda a região Nordeste. “A vantagem é que teremos um monitoramento real em caráter regional”, destacou.

O Nordeste conta com mais de 20 estações de medição de abalos sísmicos só da UFRN, de acordo com o coordenador do LabSis. Em termos locais, o estado possui apenas cinco estações. Devido a esse panorama, outro projeto é promover uma melhor vigilância local.

“Estamos trabalhando no sentido de que a UFRN tenha um conjunto de equipamentos. Então estamos com um projeto de financiamento de estações locais. Com isso, praticamente mais do que duplicaríamos a capacidade de monitoramento tanto aqui quanto em termos de Nordeste”, afirmou Farias.

Só em Pedra Preta foram  registrados mais de 200 de abalos nas últimas semanas, entre o período de 24 de outubro e 1º de novembro. Os tremores já registrados são considerados de baixa magnitude na escala Richter, entre 2 a 4.9 graus. O mais intenso até ontem, tinha chegado a 3.7 na escala Richter, segundo registro do LabSis, e inclusive foi sentido a 149 quilômetros de distância, em Natal.

(Tribuna do Norte)

Sudene propõe criação de Centro de Estudos Climáticos do Nordeste

O titular da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste - Sudene, Paes Landim, em evento, propõe a criação de um moderno Centro com objetivo de unificar Estudos e Pesquisas relativas à previsão do tempo e pesquisa de Seca no Nordeste.

Durante o “Seminário de avaliação da Seca 2012/2013”, realizado na Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME), do qual participou da mesa redonda “Sistemas Nacionais de informações sobre Secas”, o Superintendente lançou a proposta de criação do CENEC. Veja a seguir, na íntegra o discurso de Paes Landim:

“Minhas senhoras e meus senhores é com grande satisfação que retorno à terra de Iracema e José de Alencar, atendendo ao convite da FUNCEME – Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos, para participarmos do “Seminário de Avaliação da Seca 2012/2013” e fazer parte da Mesa: “Sistemas Nacionais de Informação Sobre Secas”.

O tema é emblemático para os nordestinos, despertando paixões e discussões acaloradas e, acredito, teremos mais uma ao final da minha fala. Os primeiros métodos de Previsões de Secas no Brasil datam de 1940, realizados pelo carioca, filho de mãe maranhense, Adalberto Serra. Se já avançamos muito na Previsão do Tempo, dia a dia, ainda patinamos nas previsões dos grandes períodos de secas, haja vista esta pela qual estamos passando, sem que tivéssemos nenhuma previsão, fomos todos apanhados de surpresa por esta que é a maior Seca dos últimos cem anos.

Não podemos deixar de reconhecer os avanços alcançados pelo INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e pelo CPTEC – Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos, ligados ao MCTI – Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação. Entretanto, minhas senhoras e meus senhores, a grande verdade é que ainda não conseguimos prever as Grandes Secas, nem prever com maior acurácia a distribuição pluviométrica espacial, de forma desigual, na região semiárida do Nordeste e, nem mesmo, os veranicos, dentro das quadras chuvosas, que tanto afetam as culturas menos precoces.

Ressalte-se que os melhores trabalhos de monitoramento e previsão do tempo, de interesse direto às populações mais afetadas pelas secas, realizados até o momento, foram obras da SUDENE, baseados e suportados em dados de uma Rede de mais de 2000 Estações Pluviométricas.

Sendo assim, minhas senhoras e meus senhores, entendo que é chegado o momento de colocarmos a questão de previsão de Seca, nas mãos daqueles que, efetivamente, são os mais afetados por tão inclemente fenômeno da natureza: os nordestinos. Esta é a terra onde a Seca é literalmente uma questão de vida ou morte, repetindo-se décadas após décadas. Portanto, aproveito este encontro para desfraldar a bandeira da criação de um Centro de Estudos Climáticos do Nordeste – CENEC, cujo embrião já existe que é, a FUNCEME.

Nossas previsões climáticas ainda são realizadas utilizando-se de modelos numéricos importados dos EUA: o RAMS – Regional Atmospheric Modeling System, e o RSM – Regional Spectral Model. Não somos adeptos da xenofobia e sabemos que o clima é um fenômeno de escala global. Entretanto causa-nos estranheza, aos mais leigos, que alguns pesquisadores não consideram em seus modelos a estreita correlação entre os períodos de secas e o ciclo de atividade solar com picos de 11 anos. 
A criação do CENEC- Centro de Estudos Climáticos do Nordeste, localizado na Região Nordeste, seria um centro de estudos e pesquisas nos moldes do CPTEC que fica em Cachoeira Paulista/SP, voltado para a previsão do tempo e, principalmente, para a previsão de secas. Este centro seria responsável pelo gerenciamento, arquivamento, tratamento e interpretação dos dados de temperatura das águas dos oceanos (boias oceânicas) e dos dados de sondagens atmosféricas (balões), tendo ainda como objetivos:

1 – Desenvolver, adaptar e aplicar modelos numéricos de simulação climática.
2 – Realizar, em conjunto com outros grupos de estudos de clima do Nordeste, a previsão de tempo para toda região nordestina.
3 – Realizar o monitoramento do desmatamento dos Biomas Caatinga e Cerrado na Região Nordeste.
4 – Estudar e acompanhar os processos de desertificação em andamento na Região Nordeste.
5 – Realizar tratamento de imagens de satélite voltado para a regularização fundiária, planejamento urbano e na prevenção de desastres naturais.

A criação de um centro de pesquisas deste porte requer uma grande e avançada Infraestrutura de Tecnologia da Informação, com altíssima capacidade de armazenamento e processamento de dados, para utilização na simulação numérica de modelos climáticos. Implica dizer em construir, no Nordeste, talvez o terceiro ou quarto maior data center do Brasil.

Esta nossa proposta também prevê que um grupo de trabalho interdepartamental, juntamente com a expertise da FUNCEME, analise qual a melhor forma de governança do CENEC, levando se em conta a atual estrutura do MCTI, em especial o CPTEC e os núcleos avançados do INPE no Nordeste, bem como os outros grupos de pesquisadores que trabalham com simulação e previsão de tempo no nordeste.

Minhas senhoras e meus senhores, o Brasil é um país continental, temos espaço para todos. Entretanto, é chegada a hora dos nordestinos assumirem mais esta responsabilidade e, como bom nordestino, penso que é nosso dever lutarmos para concretizar este centro de pesquisas em terras nordestinas.

Muito Obrigado”

 Fonte: Sudene

Fukushima: o perigo de um cenário apocalíptico

Retirada de combustível em Fukushima poderá criar cenário apocalíptico (Divulgação)

Uma operação com consequências potencialmente “apocalípticas” deve começar em cerca de duas semanas – “em torno de 8 de novembro” – no reator 4 de Fukushima, que está danificado e vazando. É aí que a operadora da usina, a TEPCO, vai tentar remover 1.300 bastões de combustível gastos de um depósito completamente estragado no andar superior da usina. Os bastões têm radiação equivalente a 14 mil bombas como as que foram jogadas em Hiroshima.

Apesar de o prédio do reator 4 em si não ter sofrido um colapso, ele passou por uma explosão de hidrogênio, e está indo de mal a pior, e a chance de aguentar mais um abalo sísmico é zero.

O Japan Times explicou:

“Para remover os bastões, a TEPCO colocou um guindaste de 273 toneladas por cima do prédio, que será operado remotamente, de uma sala separada. [...] os bastões gastos vão ser retirados das armações em que eles estão armazenados um a um e inseridos em uma pesada câmara de aço, com as peças ainda submersas debaixo da água. Quando essa câmara for retirada da água e depositada no chão, será transportada até outra piscina em um prédio intacto para armazenamento.

Em circunstâncias normais, uma operação como essa demoraria três meses. Mas a TEPCO esperar completar essa antes do início do ano fiscal de 2014.”

Um coro de vozes têm soado como um alarme contra o plano – nunca algo assim já foi feito – de remover manualmente 400 toneladas de combustível gasto da TEPCO, que tem sido responsabilizada por problema atrás de problema na danificada usina nuclear.

Arnie Gunderson, engenheiro nuclear veterano dos EUA e diretor da Fairewinds Energy Education, alertou, nesse verão, que “eles terão dificuldade na remoção de um número significativo dos bastões”, e disse que “daí se pular direto para a conclusão de que vai dar tudo certo é um belo salto no escuro”. Paul Gunter, diretor do Reactor Oversight Project, também deu o alarme, afirmando ao Commom Dreams que “dadas as incertezas sobre as condições objetivas e a disposição de centenas de toneladas de partes, vai ser como um perigosíssimo jogo de pega varetas radioativo”. Gunter fez a seguinte analogia sobre o perigoso processo de remover os bastões de combustível gastos:

“Se você pensar na armação nuclear como um maço de cigarros, se você puxar um cigarro direto, ele sai – mas essas armações sofreram danos. Agora, quando eles forem puxar o cigarro direto para cima, ele vai provavelmente quebrar e soltar Césio e outros gases, Xenônio e Criptônio, no ar. Suspeito que quando chegar novembro, dezembro, janeiro, vamos ouvir que o prédio foi evacuado, que eles quebraram um dos bastões, que os bastões estão liberando gases. [...]

Suspeito que vamos ter mais liberações no ar à medida que eles tiram o combustível. Se eles puxarem rápido demais, quebram o bastão. Acho que as armações foram retorcidas, o combustível superaqueceu – a piscina ferveu – e o efeito é que provavelmente, boa parte do combustível vai ficar lá por muito tempo.”

O Japan Times acrescentou:

“A remoção dos bastões costuma ser feita por computador, que sabe a localização de cada uma das peças com precisão milimétrica. O trabalho às cegas em um ambiente altamente radioativo faz com que haja um risco de o guindaste danificar um dos bastões – um acidente que deixaria ainda mais miserável a região de Tohoku.”

Como explicou Harvey Wasserman, ativista contra atividade nuclear de longa data:

“Os bastões gastos de combustível precisar ser mantidos resfriados o tempo todo. Se eles forem expostos ao ar, seu revestimento de liga de Zircônio vai pegar fogo, os bastões vão se queimar e grandes quantidades de radiação serão liberadas. Se os bastões encostarem um no outro, ou se eles se desfizerem numa pilha grande o suficiente, pode haver uma explosão.”

RT ainda acrescenta que, na pior das hipóteses: “a piscina pode desabar no chão, derrubando os bastões uns sobre os outros, o que poderia provocar uma explosão muitas vezes pior do que a que aconteceu em março de 2011.”

Wasserman diz que o plano é tão arriscado que merecia uma intervenção global, um pedido do qual Gunter compartilha, afirmando que “a perigosa tarefa não deveria ficar nas mãos da TEPCO, deveria envolver a supervisão e o gerenciamento de especialistas internacionais independentes”.

Wasserman disse ao Commom Dreams que:

“A retirada dos bastões de energia da unidade 4 de Fukushima pode bem ser a missão mais perigosa da engenharia até hoje. Tudo indica que a TEPCO é incapaz de fazer isso sozinha, ou de informar de maneira confiável à comunidade internacional o que está acontecendo. Não há razões para se acreditar que o governo japonês também faria isso. Esse é um trabalho para ser feito pelos melhores engenheiros e cientistas do mundo, com acesso a todos os recursos que poderiam ser necessários

A potencial liberação de radiação em um caso desses pode ser descrita como apocalíptica. Só o Césio equivale a 14 mil bombas como as que foram jogadas sobre Hiroshima. Se algo der errado, a radiação poderia forçar que todos os seres humanos no local sejam evacuados, e poderia provocar a falha dos equipamentos eletrônicos. A humanidade seria forçada a assistir sem poder fazer nada enquanto bilhões de curies de radiação mortal são jogadas no ar e no mar.”

Por mais ousado que possa parecer o alerta de Wasserman, ele encontra ressonância na pesquisadora de fallout de radiação Christina Consolo, que disse ao RT que na pior das hipóteses o cenário é de apocalipse. O alerta de Gunter também foi ousado.

“O tempo é curto enquanto nos preocupamos que outro terremoto pode danificar ainda mais o complexo do reator e o depósito do resíduos nucleares”, continuou ele. “Isso poderia literalmente reinflamar o acidente nuclear a céu aberto e incendiar até alcançar proporções hemisféricas”, disse Gunter.

Wasserman diz que, dada a gravidade da situação, os olhos do mundo deveriam estar voltados para Fukushima.

“Essa é uma questão que transcende ser antinuclear. O destino da Terra está em jogo aqui, e o mundo todo deve acompanhar cada movimento daquele local a partir de agora. Com 11 mil bastões de energia espalhados pelo local, e com um fluxo constante de água contaminada envenenando o oceano, é a nossa sobrevivência que está em jogo.”

Andrea Germanos, Common Dreams / Tradução: Rodrigo Mendes

Região Metropolitana de Fortaleza pode ganhar inclusão de mais 4 municípios

Visando atualizar a zona de abrangência da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), foi apresentado, nesta quarta-feira (23), na Assembleia Legislativa do Ceará (AL), o projeto de Lei Complementar que inclui os municípios de Paracuru, Paraipaba, Trairi e São Luis do Curu na RMF.

De acordo com o autor do projeto, o deputado Lula Morais (PC do B), devido ao surgimento de novas áreas de influência econômica, como do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), existe uma necessidade de ampliar a Região Metropolitana. 

“A RMF tem um novo perfil devido às aglomerações urbanas que se formaram em razão de milhares postos de empregos oriundos da construção da Refinaria, da Siderúrgica, da Zona de Processamento de Exportação, da Ampliação do Porto do Pecém e das centenas de empresas e indústrias que estão sendo implantadas nos municípios de Caucaia, São Gonçalo do Amarante, Paracuru, e São Luís do Curu”, destaca o parlamentar.

O domínio dessas novas atividades econômicas, conforme o deputado, vem fazendo com que os limites físicos das cidades sejam ultrapassados. “O nível de integração econômica, política e de mobilidade urbana suscita a necessidade de se discutir esta a ampliação para que se minimizem os problemas comuns e maximizem as potencialidades”, defende.

Benefícios para os municípios
          
Lula Morais argumenta ainda que, caso o projeto seja aprovado, os novos municípios integrados na RMF terão benefícios fiscais e econômicos. “Em função de fazer parte da Região Metropolitana, essas cidades terão direito a recursos federais destinado a RMF”.

Projeto segue para análise

Para que ocorra a aprovação, a matéria segue agora para análise da Comissão de Constituição e Justiça. “Ainda é possível que tenha que passar pela Comissão de Desenvolvimento Regional”, acrescenta o deputado. Após as análises, o projeto segue para votação no plenário.

15 cidades fazem parte da RMF

A Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), é integrada, atualmente, por 15 municípios: Fortaleza, Caucaia, Maranguape, Pacatuba, Aquiraz, Maracanaú, Eusébio, Itaitinga, Guaiuba, Chorozinho, Pacajus, Horizonte, São Gonçalo do Amarante, Pindoretama e Cascavel.

(Diário do Nordeste)

Petrobras descobre bacia com mais de 3 bilhões de barris de petróleo em Sergipe

Por Jeb Blount

RIO DE JANEIRO, 26 Set (Reuters) - Uma campanha exploratória na costa de Sergipe mostra que uma área controlada pela Petrobras e um parceiro indiano possivelmente possui mais de um bilhão de barris de petróleo, disseram à Reuters fontes do governo e da indústria, reforçando esperanças de que a região se tornará em breve a maior nova fronteira petrolífera do país.

A Petrobras e a IBV Brasil, uma joint venture igualmente dividida entre as indianas Bharat Petroleum (BPCL) e a Videocon Industries, avaliaram que o bloco marítimo de exploração SEAL-11 contém grandes quantidades de gás natural e petróleo leve de alta qualidade, segundo cinco fontes do governo e da indústria com conhecimento direto sobre os resultados da perfuração.

O bloco SEAL-11 e suas áreas adjacentes, a 100 quilômetros da costa do Estado de Sergipe, podem conter mais de 3 bilhões de barris de petróleo “in situ”, segundo duas das fontes. Se confirmada, a descoberta seria uma das maiores do ano no mundo. A Petrobras detém 60 por cento do SEAL-11, enquanto a IBV possui 40 por cento.

A Petrobras tem apostado, desde que comprou os direitos de perfurar a área há uma década, que as águas de Sergipe possuem grandes quantidades de petróleo e gás. Como operadora do bloco, a Petrobras registrou descobertas na área junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) nos últimos anos, conforme é exigido por lei, mas ainda tem que anunciar suas estimativas sobre o tamanho potencial da reserva. A última perfuração deixa claro o quão grande a descoberta pode ser, disseram as fontes.

A área, onde a Petrobras está agora perfurando poços de avaliação, também oferece a oportunidade de aumentar a produção brasileira, com reservas de perfuração mais fácil e barata do que no pré-sal, gigantesca reserva em águas profundas, no litoral do Sudeste brasileiro. A primeira produção em SEAL-11 e suas áreas adjacentes é esperada para 2018, disse a Petrobras em nota.

“Sergipe, sem dúvidas, tem um grande potencial e excelentes perspectivas”, disse à Reuters uma fonte do governo brasileiro com conhecimento direto sobre as descobertas da Petrobras e da IBV e de seus planos de desenvolvimento. “Eu diria que Sergipe é a melhor área do Brasil em termos de perspectiva depois do pré-sal.”

Pré-sal é o nome dado a uma série de reservas de petróleo preso muito abaixo do leito marinho, sob uma camada de sal, nas Bacias de Campos e Santos.

As estimativas e perspectivas sobre Sergipe às quais a Reuters teve acesso se baseiam em pelo menos dez indícios de petróleo e gás em sete poços, conforme comunicados enviados à ANP desde 16 de junho de 2011.

Em respostas enviadas por email, a Petrobras declinou dizer quanto petróleo estima haver em SEAL-11 e seus blocos adjacentes, mas disse que 16 poços perfurados desde 2008 na região de águas profundas de Sergipe encontraram vários acúmulos de petróleo, “que compõem uma nova província de petróleo na região”.

O número exato somente será conhecido quando os planos de avaliação forem concluídos em algum momento de 2015, disse uma fonte da BPCL na Índia sob condição de anonimato. Alguns especialistas da indústria acreditam que os testes podem demorar mais, pelo fato da Petrobras estar atualmente sobrecarregada com outros investimentos gigantescos e estar enfrentando dificuldades para levantar fundos.

A fonte da BPCL disse que o SEAL-11 provavelmente possui entre 1 e 2 bilhões de barris de “petróleo in situ”, um termo que inclui reservas impossíveis de recuperar e aquelas que podem ser economicamente produzidas. O volume pode aumentar quando as reservas nos blocos subjacentes forem incluídas.

Se a área revelar possuir 3 bilhões de barris “in situ” ou mais, ela seria capaz de produzir 1 bilhão de barris, com base nas taxas de recuperação do Brasil, de 25 a 30 por cento do petróleo existente, disse um especialista do setor petrolífero com conhecimento direto sobre o programa de perfuração.

A Petrobras e seus parceiros continuam a perfurar a área e solicitaram que a ANP aprove 8 planos de avaliação de descoberta para a região marítima, último passo antes do campo ser declarado comercialmente viável.

GIGANTE OU SUPER GIGANTE?

Além SEAL-11, a Petrobras fez pelo menos mais oito descobertas no bloco vizinho SEAL-10, que é 100 por cento de propriedade da estatal brasileira, e mais duas descobertas no bloco SEAL-4, com 75 por cento detidos pela Petrobras e 25 por cento pela indiana Oil & Natural Gas Corp (ONGC), segundo dados da ANP.

As descobertas não indicam, necessariamente, que há petróleo ou gás em quantidades comerciais. Todo óleo e gás encontrados durante perfurações, por mais insignificantes, devem ser comunicados à ANP.

A relutância da Petrobras para estimar as reservas no campo de Sergipe não é incomum na indústria do petróleo, onde muitas empresas só confirmam as estimativas de reservas após extensas perfurações.

Tal atitude, no entanto, contrasta com a avidez das autoridades brasileiras em enaltecer a área super gigante de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos. Em maio a ANP disse que Libra possui de 8 a 12 bilhões de barris de óleo recuperável, com base na perfuração de um único poço. O governo planeja leiloar os direitos de produção em Libra, maior descoberta petrolífera do Brasil, em 21 de outubro.

Caso a descoberta de Sergipe seja confirmada, o petróleo e o gás encontrados em SEAL-11 podem se tornar a primeira descoberta brasileira “super gigante” (na casa dos bilhões de barris) fora da região do pré-sal, onde Libra está localizada.

Recentes perfurações também sugerem que um campo gigante de gás natural pode se estender para muito além de SEAL-11, com gás suficiente para suprir todas as necessidades atuais do Brasil “durante décadas”, disse uma das fontes.

Mesmo que o volume recuperável em Sergipe fique na categoria “gigante”, ou seja, na faixa das centenas de milhões de barris, a área ainda seria a primeira grande descoberta marítima no Nordeste do Brasil, uma das regiões mais pobres do país.

“A descoberta é muito grande, e caso seja desenvolvida poderia transformar a economia do nosso Estado e da nossa região”, disse à Reuters o subsecretário de Desenvolvimento Energético do governo de Sergipe, José de Oliveira Júnior.

Oliveira Júnior disse que não poderia dar uma estimativa do tamanho das reservas em SEAL-11, mas que elas são tão grandes que a Petrobras teria dito ao governo que provavelmente não será capaz de considerar o desenvolvimento da área por cerca de seis anos.

Autoridades em Sergipe estão ansiosas para desenvolver a área rapidamente. Petróleo há muito tempo tem sido produzido no Estado, principalmente em terra, mas os volumes são pequenos. A produção mensal em Sergipe é menor do que os maiores campos brasileiros produzem em uma questão de horas.

Os frutos da descoberta, no entanto, podem levar anos para chegar até os acionistas e residentes de Sergipe, apesar de sua proximidade da costa, da qualidade do óleo e de os reservatórios de menor complexidade sugerirem que seria mais barata para desenvolver do que os campos gigantes do pré-sal, disseram as fontes.

Situada em áreas com rochas mais porosas e permeáveis, o óleo leve poderia ser relativamente mais fácil de ser extraído em relação ao petróleo do pré-sal, mais pesado e preso em rochas mais compactas, disse uma fonte da indústria no Brasil.

(Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier no Rio de Janeiro, Prashant Mehra em Mumbai e Nidhi Verma em Nova Délhi)

Homem, o maior culpado pelo aquecimento global

Por Alister Doyle e Simon Johnson

ESTOCOLMO, 27 Set (Reuters) - Importantes cientistas do clima disseram nesta sexta-feira que há mais certeza do que nunca que a atividade humana é a principal responsável pelo aquecimento global, e alertaram que o impacto das emissões de gases do efeito estufa pode durar séculos.

O relatório do Painel Integovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) minimiza a desaceleração do aquecimento nos últimos 15 anos, argumentando que há variações naturais que mascaram a tendência de aquecimento no longo prazo.

O texto diz que a Terra deve esquentar ainda mais e enfrentar mais ondas de calor, inundações, secas e elevação do nível dos mares à medida que os gases do efeito estufa se acumulam na atmosfera. Os oceanos se tornariam mais ácidos, numa ameaça à vida marinha.

“É extremamente provável que a influência humana seja a causa dominante para o aquecimento observado desde meados do século 20″, disse o sumário divulgado após uma semana de discussões em Estocolmo. O texto deve servir para amparar decisões de gestores públicos na migração dos combustíveis fósseis para as energias mais limpas.

“Extremamente provável” significa uma probabilidade de pelo menos 95 por cento. No relatório anterior, de 2007, essa probabilidade era calculada em 90 por cento, e em 2001 era de 66 por cento.

O relatório, compilado a partir do trabalho de centenas de cientistas, enfrentará escrutínio extra neste ano, já que o relatório de 2007 incluiu um erro que exagerava o ritmo de degelo dos glaciares do Himalaia. Uma revisão externa posterior concluiu que o erro não afetava as conclusões principais.

Céticos que questionam as provas da ação humana no aquecimento e a necessidade de ações urgentes ficaram animados com o fato de as temperaturas terem subido mais lentamente nos últimos anos, apesar do aumento nas emissões de gases do efeito estufa.

O IPCC reiterou em relação a 2007 que o aquecimento é uma tendência “inequívoca”, e disse que alguns efeitos durarão por muitas gerações.

“Como resultado das nossas emissões de dióxido de carbono no passado, no presente e as esperadas para o futuro, estamos comprometidos com a mudança climática, e os efeitos vão persistir por muitos séculos, mesmo que as emissões de dióxido de carbono parem”, disse Thomas Stocker, copresidente do IPCC.

Christiana Figueres, principal autoridade climática da ONU, disse que o relatório salienta a necessidade de uma ação urgente para combater o aquecimento global. Os governos prometem definir até o final de 2015 um acordo da ONU para combater as emissões.

“Para guiar a humanidade imediatamente para fora da zona de perigo, os governos devem intensificar a ação climática imediata e moldar um acordo em 2015 que ajude a ampliar e acelerar a reação global”, disse ela.

O relatório disse que as temperaturas devem subir entre 0,3 e 4,8 graus Celsius até o final do século 21. A previsão mínima só seria alcançada se os governos reduzissem drasticamente as emissões de gases do efeito estufa.

O nível do mar, disse o relatório, pode subir entre 26 e 82 centímetros até o final do século, por causa do degelo das calotas polares e da expansão da água marinha ao ser aquecida Isso ameaçaria cidades litorâneas em lugares tão distantes quanto Xangai ou o Rio de Janeiro.

(Brasil 247)

Reintegração de posse no Cocó compete à Justiça Federal, diz AGU

Advocacia-Geral da União (AGU), em Brasília, protocolou, na tarde desta sexta-feira (30), uma manifestação na ação dereintegração de posse, ajuizada pelo estado do Ceará, da área do Cocó que a Prefeitura de Fortaleza pretende utilizar para a construção de dois viadutos no cruzamento das avenidas Antônio Sales e Engenheiro Santana Júnior.

No documento, a AGU explicou à Justiça que a União é a possuidora legitima da área, e não o estado do Ceará como alegado na ação. Na prática, isso significa que uma ação de reintegração de posse na área do Cocó cabe à União. O órgão pediu que o processo seja transferido paraJustiça Federal, a quem compete julgar a legitimidade da posse da área.

A decisão foi motivada por pedido da juíza Joriza Magalhães Pinheiro que, após cancelar a liminar que concedia reintegração de posse do Parque do Cocó ao Estado do Ceará, determinou a intimação da AGU, argumentando que foi convencida “diante das manifestações apresentadas pelo Ministério Público Federal e Defensoria Pública da União, dando conta de possível interesse da União na posse a área objeto da Ação”.

O texto protocolado pela AGU destacou ainda que a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) chegou a autorizar, por meio da Portaria SPU/CE nº 32/2013, o município de Fortaleza a construir o viaduto no local. A mesma decisão que foi suspensa nesta sexta-feira (30) pela Advocacia da União no Ceará.

(Diário do Nordeste)

 

Tubarão que “anda” é descoberto na Indonésia

Jacarta – Uma nova espécie de tubarão, que “caminha” no fundo do mar usando as nadadeiras como patas, foi descoberta no leste da Indonésia, informou um grupo ambientalista nesta sexta-feira.

O tubarão com manchas marrons e brancas anda durante a noite pelo oceano em busca de peixes e mariscos para se alimentar, segundo a Conservation International, cujos cientistas participaram nesta descoberta, juntamente com membros do Museu daAustrália Ocidental.

Este animal, que mede no máximo 80 centímetros e é inofensivo para os seres humanos, foi descoberto em Halmahera, uma das Ilhas Molucas, localizada a oeste de Nova Guiné.

Ketut Sarjana Putra, diretor do grupo para a Indonésia, disse que este tubarão Hemiscyllium halmaherapoderia “ser um excelente embaixador para chamar a atenção do público para o fato de que a maioria dos tubarões são inofensivos para os seres humanos e merecem atenção e conservação”.

(Exame)

Viver em SP é tão bom quanto no Rio, segundo grupo Economist

São Paulo – Os brasileiros podem vir a discordar, mas para a Economist Inteligence Unit(EIU), braço de pesquisa do grupo que edita a The Economist, as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, com todas as suas diferenças, apresentam o mesmo nível de qualidade de vida. As duas ficaram empatadas na 92ª posição em ranking que avaliou as 140 melhores cidades do globo para se viver.

Embora com padrão muito inferior às campeãs mundiais, Rio e SP tiveram leve melhora de um ano para o outro. Em 2012, haviam conquistado a 93ª posição 

A campeã internacional, pelo terceiro ano seguido, foi Melbourne, na Austrália, com pontuação 41% maior que as duas brasileiras avaliadas.

Segundo a EIU, cada cidade foi analisada através de 30 fatores qualitativos e quantitativos, inseridos dentro de 5 categorias: estabilidade, saúde, cultura e meio ambiente, educação e infraestrutura.

Tantos itens torna ainda mais supreendente o empate entre Rio e São Paulo. A Economist, porém, não revelou as notas de cada um deles para que se chegasse ao resultado final.

Com base em todos esses fatores, as cidades obtém uma nota geral, que vai de zero a cem. Quanto maior a pontuação, mais “apropriada” para viver é a cidade. São Paulo e Rio ficaram com 69,1, enquanto Melbourne marcou 97,5 pontos. 

(Beatriz Souza, Exame Online)

No Ceará, cabrito nasce com o rosto semelhante à de um ser humano

O proprietário da Fazenda Agropecuária Lima, no Sitio Três Riachos, situado a 10 Km do Centro de Dep. Irapuan Pinheiro, no Sertão Central cearense, tomou um susto na manhã desta terça-feira (27), quando foi realizado um parto em uma cabra na sua propriedade.

 

A surpresa foi porque os dois filhotes de caprinos tinha uma anomalia, sendo que, um deles tinha a cabeça num formato de uma cabeça de um ser humano. Tendo a cabeça, a boca e o nariz um pouco semelhante à de uma pessoa.

 

O proprietário Raimundo Pereira explicou que a cabra teve dificuldade para parir, daí então, ele entrou em contato com uma pessoa da região que veio até a sua propriedade para fazer o parto, para a surpresa de todos, os dois filhotes que foram retirados tinha uma anormalidade, o primeiro a ser retirado foi o que teve a cabeça com formato de um ser humano, sendo que nasceu morto, já o segundo filhote também tinha uma deficiência e morreu em seguida.

 

Pereira ainda acrescentou que só nesta terça-feira, nasceram 06 (seis) filhotes e que 05 (cinco) destes nasceram com anormalidades e todos morreram, sendo que, apenas um nasceu perfeito e ainda sobrevive. O mesmo relatou ainda que nunca havia nascido nenhum animal com anomalia genética na sua propriedade.

 

Fonte: Sertão Central / Aratuba Online

Ceará se consolida como estado líder do país na criação de camarão

Ao longo da costa cearense, os viveiros se multiplicam. Em uma propriedade em Paraipaba, litoral oeste, são 81, que somam 215 hectares de espelho d’água. Mais da metade da área foi implantada nos últimos dois anos, período em que o criador Cristiano Peixoto viu a produção dobrar de 600 para 1,2 mil toneladas por ano. Ele planeja mais investimentos.

O Ceará responde por quase metade da produção brasileira de camarão. No país, os números voltaram a crescer após uma crise que abateu o setor há 10 anos.

Em 2003, a produção chegou ao pico de 90 mil toneladas. Depois de seis anos estagnado, o volume voltou a crescer em 2009 e chegou a 75 mil toneladas em 2012. Para 2013, a projeção é de 80 mil toneladas.

O aquecimento do mercado interno é o responsável pela retomada do crescimento da produção de camarão no Brasil, que hoje é totalmente consumida no país. O preço pago ao produtor é quase igual ao praticado nos principais mercados consumidores do mundo, como os Estados Unidos. Um camarão médio, de 10 gramas, por exemplo, sai por R$ 10 o quilo.

O presidente da Associação Brasileira dos Criadores, Itamar Rocha, acha que é possível aumentar o consumo interno.

De acordo com a Associação de Criadores do Ceará, para se ter uma ideia do quanto o mercado nacional ainda pode crescer, na Europa, o consumo médio de camarão per capita é de 12 quilos por ano e nos Estados Unidos, nove.

(Globo Rural)

Viaduto é indesejado nas cidades pela agressão estética e ambiental?

Com o título “Viadutos e o Parque do Cocó”, eis artigo do professor Jose Borzachiello, da UFC, que está no O POVO desta quarta-feira. Para ele, além de ser indesejado nas cidades pela agressão estética e ambiental, os viadutos são geradores de um medo urbano e acelerado processo de degradação do território onde ele é construído. Confira:

Fortaleza tenta implantar um viaduto projetado em gestões anteriores. Trata-se de obra viária concebida noutro contexto histórico, quando não se contestava nada que significasse progresso. É verdade que a consciência ecológica já se fazia bem presente em nossa cidade.

Fortaleza ficou entulhada de carros e viaduto aparece como opção de escoamento do trânsito. O problema é que, além de ser indesejado nas cidades pela agressão estética e ambiental, os viadutos são geradores de um medo urbano e acelerado processo de degradação do território onde ele é construído.

Não dá para esquecer o viaduto do cruzamento das avenidas Santana Júnior e Santos Dumont. Sua construção decretou a desvalorização de um comércio florescente que crescia nos quatro cantos do cruzamento. O que sobrou? Sob o viaduto, água empossada, sensação de insegurança a qualquer momento. A obra pouco acrescentou no plano da acessibilidade. Não permite conexões e acesso aos bairros contíguos nem à direita nem à esquerda. O custo ambiental pago em termos de agressão à paisagem é muito alto.

O problema maior no caso do viaduto agora questionado, previsto para facilitar o escoamento no ponto de encontro das avenidas Antônio Sales e Santana Júnior, foi o avanço sobre o Parque do Cocó, ocasionando derrubada de árvores. A reação popular foi imediata e não poderia ser diferente.

A sociedade reagiu quando árvores frondosas foram abatidas na quadra localizada na esquina das avenidas Senador Virgílio Távora e Santos Dumont. Tratava-se de propriedade privada. Imagine uma agressão ao Parque que é expressão de lutas permanentes dos fortalezenses pela preservação do manguezal e do verde na cidade.

Não cabe discutir a necessidade ou não do viaduto. O que está em questão é a integridade do Parque e a crítica às soluções que favorecem o transporte individual em detrimento dos de massa. Em tempos autoritários de forte repressão política, o Brasil construiu enormes mostrengos.

Em São Paulo, o conhecido Minhocão amesquinhou a belíssima avenida São João. Sob esse viaduto várias pessoas encontraram naquele espaço o abrigo possível na cidade. Há forte pressão popular para que ele seja demolido. No Rio, o viaduto da avenida Perimetral está em fase de demolição. Aqui em Fortaleza, quando do projeto inicial do Metrofor, a proposta previa para a área central, a linha em elevado, aproveitando o meio das quadras que ele atravessava. A reação foi imediata e assim se chegou ao metrô subterrâneo que atravessa todo o Centro desde o início da avenida Carapinima até o pátio da Estação João Felipe.

Fortaleza tem sérios problemas de mobilidade urbana e de acessibilidade. É necessário muito diálogo e bom senso para se chegar a bom termo. Não tem sentido dicotomizar a questão do viaduto. A reação dos ecologistas é justa. Problemas urbanos não deveriam ser caso de polícia.

Fortaleza seria menos agradável, caso fossem permitidas todas as agressões ao Parque do Cocó. Só para se lembrar um pouquinho de Maiakóvski: “Você não pode deixar ninguém invadir o seu jardim para não correr o risco de ter a casa arrombada”.

* José Borzacchiello da Silva

borza@secrel.com.br
Geógrafo e professor da UFC.

Via Blog do Eliomar

Região Metropolitana de Fortaleza é a 5ª pior em condições de vida no Brasil

Um índice elaborado através dos dados do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010 apontou a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) como a 5º pior em condições de vida dentre 15 estudadas. O Índice de Bem-Estar Urbano (IBEU) apresenta a RMF à frente apenas das Regiões Metropolitanas do Rio de Janeiro, de Recife, de Manaus e de Belém.

Foram 5 itens observados para se chegar aos números: mobilidade urbanacondições ambientaiscondições habitacionais,serviços coletivos e infraestrutura. Fortaleza ficou em 11º lugar no ranking, com 0,564 pontos no geral, o 5º pior resultado dentre todos. A melhor RM foi a de Campinas, com 0,873 pontos. A média Nacional foi de 0,605 pontos.

Condições ambientais, serviços coletivos e infraestrutura foram os quesitos em que a RMF apresentou os piores números. No item que verificou a arborização, esgoto a céu aberto e lixo acumulado no entorno dos domicílios, Fortaleza ficou em 12º lugar com 0,498 pontos, à frente de Recife (0,432), Manaus (0,366) e Belém (0,034). Campinas, a melhor RM, registrou 0,906 pontos.

Já em serviços coletivos, item que avaliou o fornecimento de água, energia elétrica e a coleta do lixo, a Região Metropolitana de Fortaleza ficou novamente em 12º lugar, com 0,479 pontos, sendo seguida também por Recife (0,363), Manaus (0,279) e Belém (0,152), com Campinas liderando (0,959).

Em Infraestrutura, quando foram avaliadas a iluminação pública, pavimentação, calçadas, meios-fios, bueiros e acessibilidade nas ruas, o mesmo cenário para a Capital cearense: 12º lugar com 0,438 pontos, à frente de Manaus (0,394), Recife (0,274) e Belém (0,094). Neste ponto, São Paulo superou Campinas e marcou 0,782 pontos.

Nas Condições habitacionais, que considerou a relação do número de moradores com banheiros nas residências e a qualidade do material das paredes das casas, Fortaleza, com 0,613 pontos, ficou em 11º lugar, superando São Paulo (0,599), Salvador (0,590), Manaus (0,322) e Belém (0,256). Quem ficou em primeiro lugar foi a RM de Florianópolis, com 0,906 pontos.

O melhor índice de Fortaleza foi na questão mobilidade urbana, que avaliou o tempo de deslocamento de casa para o trabalho. Fortaleza ficou em 3º lugar com 0,790 pontos, atrás apenas de Florianópolis (0,962) e Campinas (0,932).

Pacatuba é melhor município dentre os cearenses

O estudo avaliou cidade a cidade das Regiões Metropolitanas dentro dos quesitos para chegar aos números finais do IBEU. Desta forma, a cidade cearense com melhores índices foi Pacatuba. O município ficou em 93º lugar dentre os 289 verificados. O Índice de Bem-Estar pacatubenseficou em 0.757, igual ao de São Paulo (94º), superando a Capital Fortaleza, que ficou em 126º, com 0,741 pontos; Recife (142º, com 0,733 pontos); Salvador (154º, com 0,719 pontos); Manaus (247º, com 0,608 pontos) e Belém (257º, com 0,584 pontos).

(Diário do Nordeste)

A degradação do Parque Ecológico do Rio Cocó

MUSEU DO PARQUE

Parque Ecológico do Rio Cocó

Archiprix MIT USA | Pedro Câmara e Roberto Castelo | 2011

Parque estadual localizado em Fortaleza, nomeado como tal por causa do rio Cocó, que corre ao longo do comprimento do parque e alimenta um rico ecossistema e  manguezais. 

A bacia do rio cobre uma área de aproximadamente 485 km2 ocupando cerca de dois terços do território municipal, que transforma o parque em uma paisagem predominante em muitos bairros da cidade.

A especulação imobiliária e os assentamentos ilegais foram devastando o sistema ecológico do parque, principalmente devido à ausência de limites de preservação oficiais, o que deve ser uma responsabilidade dos órgãos públicos. 

Além disso, os vetores de expansão urbana foram cortando o parque através da abertura contínua de novas estradas, como resultado de um processo descontrolado de crescimento urbano. 

O Parque Cocó e o seu sistema hidrológico são de grande importância sócio-ambiental para a cidade. 

Assumindo a forma de meia-lua, o parque cria um corredor de ventilação na cidade.

Como a maior parte da praia é cercada por arranha-céus e torres residenciais, os ventos oriundos do mar entram na cidade através do rio Cocó e se espalham para o resto do território urbano de lá. 

Preservar o parque e a brisa agradável é, portanto, essencial para a sustentabilidade do ambiente urbano e para a manutenção do local.

Além de abrigar uma rica biodiversidade, o ecossistema do manguezal é também uma importante fonte de renda para as comunidades locais, através da pesca e outras atividades. 

Os manguezais do rio Cocó  estão presentes em áreas urbanas consolidadas integralmente em Fortaleza. 

Em suas seções bem preservadas, várias espécies de moluscos, crustáceos, peixes, répteis, aves e mamíferos participam de cadeias alimentares complexas, em ambientes favoráveis à reprodução, desova, crescimento e proteção natural. 

Fortaleza ainda tem pouca diversidade de equipamentos culturais perto das áreas verdes e o potencial da paisagem do Parque Cocó não está totalmente explorado pelos habitantes locais. 

Estas questões foram exploradas neste projeto através do desenvolvimento de um edifício que representa um marco urbano, em homenagem ao rio e seu ecossistema de mangue: o Museu Park. A proposta consiste em um espaço para atividades que ajudem a preservar o patrimônio natural do parque, ao mesmo tempo enfatizando a sua riqueza natural para a população local. 

O programa montado para este projeto apresenta uma exposição científica sobre o ecossistema do local e também inclui funções e espaços que podem ser adequados para atividades educacionais, eventos culturais, exposições de arte e lazer contemplativo.

Designer: Pedro Câmara
Universidade Federal do Ceara-UFC – Curso de Arquitetura e Urbanismo – Tutor: Roberto Castelo

Via http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-degradacao-do-parque-ecologico-do-rio-coco

36 municípios do CEARÁ podem ficar sem água até 2014

Relatório da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) apresentando nessa segunda-feira (12) aponta que as principais fontes de água de 36 cidades cearenses deverão secar até o começo do próximo ano. A situação ficará semelhante à vivida por outros municípios como Quiterianópolis, Salitre, Antonina do Norte e Caridade, cidades que viram suas fontes primeiras de abastecimento se acabarem nos últimos meses.

Com o objetivo de tentar amenizar o problema, a perfuração de poços será reforçada a partir do próximo mês. Com recursos do Governo Federal e mais cinco novos equipamentos para perfuração, o Batalhão de Engenharia do Exército Brasileiro deverá construir 40 novos poços até dezembro e recuperar cerca de mil, em parceria com a Defesa Civil e o Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs).

Os municípios de Canindé, Nova Russas, Caririaçu, Potengi, Baixio e Irauçuba devem ser os primeiros beneficiados. Três distritos em situação de colapso na principal fonte hídrica também devem ser priorizados: Santa Cruz de Banabuiú (Pedra Branca), Campos Belo (Caridade) e Crioulas (Pereiro). 

Nas cidades em situação crítica, as ações definitivas planejadas ou em andamento incluem, entre outras medidas, a construção de novos açudes. Já entre as ações emergenciais, a medida utilizada é a distribuição de água em carros-pipa, o que, no Ceará, ocorre em 151 municípios.

Conforme relatório, quanto a Fortaleza, o abastecimento está garantido “por pelo menos mais três anos”, mesmo com pouca chuva nos próximos meses, pois o açude Castanhão, em Alto Santo, está com 49,48% da capacidade.

(CNews)

Fortaleza será sede da 9ª Conferência Mundial de Água

Fortaleza será sede de 12 a 16 de agosto próximo, da 9ª  Conferência Geral Mundial da Rede Internacional de Organismos de Bacias Hidrográficas. O evento, que será realizado no Marina Park Hotel, na Praia de Iracema,  vai reunir cerca de 35 países que virão para debater e trocar experiências de boas práticas em recursos hídricos desenvolvidas pelos organismos de bacias hidrográficas implantadas em todo planeta.

Os objetivos maiores da Conferência é possibilitar que os Organismos de Bacia de todo o mundo identifiquem as oportunidades e desafios para a promoção da gestão integrada e participativa das águas de forma descentralizada, de modo a apontar para a toda a sociedade a efetiva sustentabilidade dos recursos hídricos, sempre em busca da construção de pactos que vislumbrem no médio e longo prazo a qualidade e quantidade das águas superficiais e subterrâneas no planeta.

Na ocasião o presidente da agência nacional de águas, Vicente Andreu, será empossado como presidente da Rede Internacional de Organismos de Bacias Hidrográfica (Riob-s). Lupercio Ziroldo Antônio,  estará  na capital cearense até o dia  24  para fazer as articulações sobre o evento. “Mais do que um evento internacional, este acontecimento possibilitará aos participantes que virão de todo brasil e de cerca de 35 países do mundo a oportunidade de conhecer, debater e trocar experiências”, disse o coordenador do evento, engenheiro Lupercio Ziroldo Zntônio.

“Os organismos de bacias hidrográficas, hoje em número próximo a 200 no Brasil, entre comitês, consórcios e associações, já mobilizam mais de 70 mil pessoas direta e indiretamente no processo de gestão qualificada dos recursos hídricos, fundamentalmente visando estabelecer em cada bacia condições ideais de habitabilidade e desenvolvimento”, completa Lupercio.

A Conferência também proporcionará a ampliação dos debates sobre a participação da sociedade nos processos de gestão participativa dos recursos hídricos através do setor público, usuários e sociedade civil organizada, fundamentalmente dentro dos Organismos de Bacias Hidrográficas que vem realizando principalmente no Brasil, através dos Comitês de Bacia e Consórcios Intermunicipais, ações compartilhadas e integradas de gestão das águas.

A conferência tem cinco temas centrais: “Impactos das mudanças climáticas nos diferentes setores e implicações para adaptação”; “Relação entre adaptação e desenvolvimento para o bem-estar humano”; “Abordagens integradas diante de um mundo 4°C mais quente”;
“Adaptação ao limite”; e “Compreendendo e comunicando adaptação”.

A Rede Internacional de Organismos de Bacias Hidrográficas foi criada em abril de 1.994 para estruturar a troca de experiências sobre a gestão de recursos hídricos em todo mundo, tendo ainda como missão a organização de outras Redes Mundiais visando o mesmo propósito de forma integrada e compartilhada.

(G1 Ceará)

Caso Cocó: Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares denuncia a Prefeitura de Fortaleza

A Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares no Ceará, RENAP-CE, dá entrada em denúncias nos seguintes espaços, no último dia 9 de agosto, após as violências perpetradas pela Prefeitura Municipal de Fortaleza e Governo do Estado do Ceará, datadas de 8 de agosto, contra manifestantes::

- Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República;
- Programa de Proteção de Defensores de Direitos Humanos;
- Ouvidoria da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República;
- Ordem dos Advogados do Brasil;
- Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado;

Destaca-se, primeiro, que a desocupação foi feita de forma ilegal, de madrugada, sem prévio aviso, indo de encontro a recomendação da Defensoria Pública da União-DPU, embasada no Código de Processo Civil. Além disto, as forças de repressão destas Administrações agiram com excesso, descontroladas, demonstrando despreparo, cometendo lesões corporais e abuso de autoridade, em diversos atos de covardia.

A forma que as Administrações escolheram de desocupação poderia levar alguém à óbito, sendo uma ação que tinham conhecimento deste risco, pela forma que realizaram. A agressão aos manifestantes foi gerada por sua luta em defesa da Constituição Federal, legislação ambiental e Estatuto da Cidade. Os manifestantes lutavam pela preservação e recuperação do meio ambiente, efetivação de um planejamento urbano com racionalidade, garantindo à participação popular.

RENAP – Ceará.

Via http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar/

Fortaleza: Túneis e viadutos são ineficientes, dizem estudiosos

Prefeitura quer construir viadutos no encontro das avenidas Engenheiro Santana Júnior e Antônio Sales – Foto: Fábio Lima

Os protestos em torno dos impactos da construção de viadutos nas avenidas Engenheiro Santana Júnior e Antônio Sales ao Parque do Cocó põe em relevo a polêmica da viabilidade de viadutos e túneis para uma mobilidade eficiente na Capital. Não apenas em termos ambientais, questiona-se também se as intervenções são as opções mais acertadas para desafogar o trânsito das áreas que os receberão e se atenderão a demanda do intenso fluxo de veículo a médio e longo prazos. Para estudiosos da área, eles são vistos como “paliativos” e não estão inclusos em um plano consistente e eficaz de mobilidade urbana.

“Viadutos e túneis, tecnicamente, são perfeitos, mas a discussão não deve se pautar nisso. Deve-se pensar em termos de uma mobilidade mais moderna, que atenda aos vários tipos de modais de locomoção. Viadutos e túneis são investimentos pontuais, que privilegiam o transporte particular e não estão inclusos em um planejamento a médio e longo prazos”, resume a arquiteta urbanística Carla Camila Girão Albuquerque, professora da Universidade de Fortaleza (Unifor).

Carla defende que os túneis – em se tratando de escolha – são melhores que os viadutos por deixarem a cidade menos impactada com as construções, mas considera um equívoco não enxergar soluções além. “Daqui a cinco anos vai ser preciso pensar em outra solução porque eles já não vão dar mais conta de tanto carro. E aí? Não temos nenhum planejamento que contemple outras maneiras de locomoção, não temos nenhum plano de mobilidade que não se esgote em pouco tempo”, avalia a doutora em desenvolvimento urbano.

Ela aponta um sistema integrado entre os vários modais como uma das soluções possíveis, com menos intervenções na cidade e bem mais eficiente. “É preciso dar às pessoas a possibilidade de andar de bicicleta, a pé ou em um transporte coletivo de qualidade, não apenas de carro”, enumera. 

Transportes coletivos

Para o engenheiro civil Dante Rosado, mestre em engenharia de transportes, o investimento do dinheiro público deve buscar contemplar transportes coletivos. “Os túneis e viadutos que querem construir em Fortaleza desafogam, por muito pouco tempo, um trânsito que prioriza o transporte particular e subutiliza espaços. Observe os arredores desses espaços que já existem. São desvalorizados. Esses túneis e viadutos são planejados para mostrar serviço, mas não fazem parte de um plano concreto de mobilidade que norteie ações eficientes de fato, a longo prazo”, diz o engenheiro.

O POVO buscou ouvir a Secretaria da Infraestrutura de Fortaleza (Seinf) e a Autarquia Municipal de Trânsito (AMC) para melhor quantificar viadutos e túneis, atuais e em planejamento, e analisar a necessidade das obras para a mobilidade da Capital. A assessoria da Seinf não deu retorno até o fechamento desta matéria. A assessoria da AMC informou que não seria possível fornecer os dados ainda ontem. 

Saiba mais 

A construção de um viaduto na Engenheiro Santana Júnior com Antônio Sales já é pensada desde a primeira gestão do prefeito Juraci Magalhães (1990- 1993). Ele fazia parte do pacote de ações de mobilidade urbana na Capital, chamado BidFor, que, na gestão da prefeita Luizianne Lins, foi intitulado de Transfor. 

Inicialmente, a obra foi pensada atrelada a uma rotatória que passaria por baixo da Engenheiro. Durante a segunda gestão de Luizianne, o projeto foi rediscutido e passou por mudanças para ser adaptar ao fluxo de veículos atual. “Um dos grandes erros do replanejamento foi a não participação popular nesse processo”, critica o engenheiro Dante Rosado.

(Por Sara Rebeca Aguiar, O Povo Online)

Aquífero Alter do Chão: O maior reservatório de água doce do planeta

O aquífero Alter do Chão já era conhecido pelos cientistas, mas ainda era desconhecida a quantidade de volume d´água que ele guardava.  Em abril de 2010, pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) afirmaram que o aquífero Alter do Chão, localizada sob os estados do Amazonas, Pará e Amapá  é o maior aquífero do mundo em volume d´água.

 

Depois das geleiras, a água existente na Amazônia representa um quinto de toda a água doce do mundo. Os rios e lagos presentes na paisagem amazônica é apenas uma pequena parcela de toda água potável que há na região. O aquífero Alter do Chão, em comparação ao aquífero Guarani, é duas vezes maior em volume d´água , tendo 86 mil km³ contra 46 mil km³ pertencentes ao aquífero Guarani. O aquífero Guarani é maior em extensão e está situado no centro-sul do Brasil e nas regiões da Argentina, Paraguai e Uruguai.

 

A partir desses dados apresentados pela UFPA, o aquífero Alter do Chão passa a ser considerado o maior aquífero do mundo, com a capacidade de abastecer toda a população mundial por 100 vezes.
Comparando os dois aquíferos, em nível de acessibilidade, o Guarani está sob uma camada rochosa, o que dificulta a sua exploração e renovação natural ; já o Alter do Chão está sob uma camada de terra arenosa, em épocas de precipitação, a água da chuva cai no solo, penetra com maior facilidade e a areia funciona como um filtro natural, deixando a água naturalmente filtrada.
Portanto, explorar a água do Alter do Chão é mais rápido e mais barato do que na área rochosa do aquífero Guarani.  A população de Manaus já utiliza cerca de dez mil poços particulares e 130 da rede pública para o abastecimento de 40 % da população. A água desse aquífero propicia água limpa no lugar das águas superficiais já poluídas.
O estudo da UFPA necessita ainda de apoio da Agência Nacional de Águas e financiamento do Banco Mundial para a conclusão do estudo. O aquífero do Alter do Chão servirá para implementação de estratégias de interesse nacional, desde que o Brasil saiba aproveitar e gerir da melhor maneira.
O aquífero Alter do chão recebeu esse nome pelo ponto de estudo  estar situado nas proximidades da cidade de  Alter do Chão,  uma cidade turística próxima de Santarém . Os dados dos estudos foram colhidos de forma pontual  ao longo de 30 anos,  os cientistas da UFPA acreditam que o aquífero Alter do Chão é a maior reserva de água doce subterrânea do mundo .
Em nível de capacidade hídrica, estima-se que o aquífero ocupe uma área de 437,5 mil quilômetro quadrados e espessura média de 545 metros, em comparação ao Guarani é menor em extensão e maior em espessura.
(Fernando Rebouças, G1)
Por Fernando Rebouças

 

O aquífero Alter do Chão já era conhecido pelos cientistas, mas ainda era desconhecida a quantidade de volume d´água que ele guardava.  Em abril de 2010, pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) afirmaram que o aquífero Alter do Chão, localizada sob os estados do Amazonas, Pará e Amapá  é o maior aquífero do mundo em volume d´água.
Depois das geleiras, a água existente na Amazônia representa um quinto de toda a água doce do mundo. Os rios e lagos presentes na paisagem amazônica é apenas uma pequena parcela de toda água potável que há na região. O aquífero Alter do Chão, em comparação ao aquífero Guarani, é duas vezes maior em volume d´água , tendo 86 mil km³ contra 46 mil km³ pertencentes ao aquífero Guarani. O aquífero Guarani é maior em extensão e está situado no centro-sul do Brasil e nas regiões da Argentina, Paraguai e Uruguai.

Verão mais quente dos últimos 140 anos causa 10 mortes em Xangai

Pelo menos 10 pessoas morreram em consequência da onda de calor que afeta a cidade chinesa de Xangai, onde o mês de julho foi o mais quente dos últimos 140 anos, quando os dados meteorológicos começaram a ser registrados, informou nesta quarta-feira a imprensa oficial do país asiático. 

As vítimas morreram devido ao calor que, segundo as autoridades locais, vem afetando a cidade, onde as temperaturas ultrapassaram os 38º C por oito dias consecutivos. 

Por conta desta inusitada onda de calor, os médicos locais recomendam os moradores da maior cidade da China, especialmente os mais velhos, a utilizarem o ar-condicionado, já que algumas das vítimas tinham o aparato desligado para economizar ou por medo de uma possível doença respiratória. 

Para ilustrar o calor descomunal que afeta a cidade, a emissora local Xangai TV demonstrou ao vivo que, pondo um filé de carne sobre o pavimento de uma calçada, este mesmo ficava assado em 10 minutos, como em uma grelha ou um forno de assar carne. 

A onda de calor, que também afeta uma dúzia de províncias no sul do país, obrigou às autoridades a estabelecer um mecanismo de alerta por possíveis emergências.

(EFE)

Perto do Castanhão, maior açude do Ceará, moradores sofrem com a seca

Da Agência Pública

Nos arredores do maior açude do Ceará, moradores de assentamentos, cidadezinhas e vilas sofrem com a seca enquanto a água passa diante dos seus olhos para abastecer o agronegócio, a indústria, e a capital, Fortaleza

 

Leva-se uma hora para chegar da nova à velha Jaguaribara em um barco de alumínio com um motor de popa de 25 HP. A extensão do Castanhão, o maior açude cearense, impressiona, mas o nível d’água baixou tanto nos últimos dois anos que a antiga sede do município, inundada há uma década pela própria barragem, emergiu. A seca reduziu à metade a capacidade de 6,7 bilhões de metros cúbicos do Castanhão, que perde 22 mil litros de água por segundo, quase metade deles conduzidos pelo Eixão das Águas, o canal de transposição, à região metropolitana de Fortaleza. O sistema Castanhão-Eixão das Água responde por 37% da capacidade de armazenamento de água do Ceará.

A reaparição da antiga Jaguaribara, que jazia sob a obra de engenharia hidráulica que prometia reduzir drasticamente os efeitos da seca no Vale do Jaguaribe, tem um quê de fantasmagórica no período mais árido que o Ceará enfrenta nos últimos 50 anos. Dos 184 municípios do entorno do rio Jaguaribe, represado pela barragem, 175 estão em situação de emergência. A nova Jaguaribara, a cidade planejada que substituiu a que foi submersa pelo açude, está sendo abastecida por carros-pipa e seus moradores chegam a pagar R$ 8 o quilo do feijão, enquanto os pequenos agricultores às margens do Eixão, o canal que abastece Fortaleza, precisam repartir a água com os animais e vêem suas lavouras perdidas.

A mais de 200 quilômetros dali, porém, o Castanhão, via Eixão das Águas, garante a água na capital cearense e, em breve, vai suprir também a demanda hídrica do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, o maior projeto de infraestrutura para o desenvolvimento econômico do Ceará, localizado na região metropolitana da capital. Resta apenas concluir o quinto trecho do Eixão das Águas – que então terá 255 km de extensão – o que está previsto para setembro.

A água do Castanhão vai completar seu trajeto do sudeste do Estado, onde está o açude, ao litoral cearense. O objetivo é final é o complexo industrial conjugado ao porto, que vem registrando crescimentos anuais entre 20% e 30%, composto por uma siderúrgica da Vale, uma refinaria da Petrobrás e duas usinas termelétricas da empresa MPX, do grupo de Eike Batista – que já opera com uma das usinas e vai colocar a outra em funcionamentonos próximos meses. As duas usinas térmicas, planejadas para gerar 1.085 MW, vão consumir até 800 litros de água por segundo. A demanda total de água prevista para o complexo é de 5 mil l/s de “água bruta” – o termo técnico para a água doce não tratada.

Dez anos de promessas não cumpridas

Açude Castanhão – Ceará

Em um cenário em que 71 dos 143 reservatórios monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) estão com níveis abaixo de 30%, o Castanhão, inaugurado em 2003, cumpre missão de seguir abastecendo Fortaleza, que concentra mais da metade da população do Estado, e de parte considerável do agronegócio no Estado, como a produção de frutas para exportação no perímetro irrigado da Chapada do Apodi, com altas taxas de crescimento. Mas, como mostra a situação dos moradores de Nova Jaguaribara, ainda não trouxe benefícios à população local, nem mesmo aos que perderam suas casas para a obra.

Dos 22 mil litros por segundo de vazão do Castanhão, 10 mil seguem pelo Eixão das Águas e 12 mil são despejados no leito do Rio Jaguaribe – o maior rio cearense, com cerca de 600 km de extensão, margeado por empreendimentos do agronegócio. Esse volume de água explica por que, ao contrário de Recife, por exemplo, nem a seca prolongada trouxe ameaça de racionamento à capital cearense, destaca o coordenador geral do Complexo do Castanhão, José Ulisses de Sousa, engenheiro do Departamento de Obras Contra as Secas (Dnocs).

Por outro lado, nem todos os 18 assentamentos planejados para receber as famílias desalojadas pela barragem foram concluídos. A maior parte dessas famílias era arrendatária de terras alheias e não recebeu indenização pelas casas perdidas. Na ponta final do Eixão das Águas, a obra atingiu os índios Anacé, que tiveram uma lagoa aterrada, riachos represados e perderam suas terras para grandes indústrias e para a infraestrutura do governo.

Houve esperança no início. Os primeiros assentamentos a serem construídos, como o Curupati Peixes, desenvolveram com sucesso a psicultura em Jaguaribara, e hoje o Castanhão é pontilhado por gaiolas para a criação de peixes em cativeiro, principalmente tilápias. Segundo, o engenheiro Ulisses, “é o maior parque psicultor do País”. Outros assentamentos foram destinados à pecuária leiteira, como o Mandacaru, em que cada família recebeu três hectares de terra para o cultivo do pasto. Mas as “matrizes” – as vacas leiteiras – que deveriam chegar de Minas Gerais, como prometido à época da inundação, uma década depois ainda não chegaram.

“Concordo que é um pouco tarde”, concede Ulisses. “É a questão da burocracia do sistema do governo brasileiro. Nós temos vários órgãos fiscalizadores, temos uma Lei de Licitações engessada, que proíbe a gente de correr. Não tem como. A gente fica engessado. Tem que esperar licitação, Procuradoria dar parecer, ai demora mesmo. Agora que é tarde, é”, reconhece o engenheiro. “Existe um débito do governo com essas comunidades, mas em nenhum momento parou-se de trabalhar em cima de alcançar o objetivo do projeto inicial do Castanhão”, afirma.

Ulisses também reconhece que é um “absurdo” que as comunidades às margens do Castanhão tenham que ser abastecidas através de carros-pipa. Dos 820 caminhões da Operação Carro-pipa no Ceará – coordenada pelo Exército e pela Defesa Civil e responsável por atender a 134 municípios do estado –, dois deles abastecem exclusivamente Jaguaribara, incluindo casas da sede do município.

“Essas coisas pretas são do pipa mesmo”

O dono e motorista de um destes caminhões é Fabiano Souza, de 33 anos, que encontramos despejando 8 mil litros de água na cisterna do agricultor Francisco Ferreira Sobrinho, o seu Zé Vital, a cerca de 300 metros de uma das margens do açude. A água é captada a alguns quilômetros dali, na estação de tratamento da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), e não tem muito boa cara dentro da cisterna de seu Zé Vital.

“Essas coisas pretas assim são do pipa mesmo, ferrugem talvez. Não tem problema não porque a gente bota no filtro e bota na geladeira. A gente bebe dela aqui e nunca ninguém adoeceu, não”, confia seu Zé Vital.

No centro comercial de Jaguaribara a revolta com a falta d’água na vizinhança do açude transborda na fala de Dona Jacinta Sousa, 48 anos. Para reforçar a dificuldade por que passa o município ela pega uma maletinha de ferramentas repleta de pequenos blocos de anotações, que registram os muitos débitos não saldados em seu comércio. “Eu tenho raiva quando pego nela!”, diz, fechando a valise e jogando-a mais uma vez para debaixo de seu birô.

Em Jaguaribara, quase todas as mercadorias vêm de fora. Segundo os entrevistados, o peixe, criado nos projetos de psicultura, é a única opção de renda da cidade – além das aposentadorias, das bolsas governamentais e dos empregos na Prefeitura. Praticamente todas as frutas e verduras do comércio vêm de Fortaleza ou da Chapada do Apodi, com preços inflacionados pela seca. Ou seja, além do prejuízo na lavoura, os pequenos agricultores precisam pagar até duas vezes mais para comer.

As chuvas de abril, maio e junho, que amenizaram os impactos da estiagem, não significaram o fim da seca – especialmente porque o segundo semestre é naturalmente o período de estio no semiárido brasileiro. Também não alteraram consideravelmente os níveis dos açudes, apenas dois deles estão com mais de 90% de seus níveis máximos: Curral Velho e Gavião, ambos alimentados pelo Castanhão. O primeiro, localizado no município de Morada Nova, é o marco entre os trechos I e II do Eixão das Águas; o segundo, na região metropolitana de Fortaleza, fica na intersecção entre os trechos IV e V, de onde parte tanto a água da capital quanto a tubulação de 55 km  que leva ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP).

No percurso entre um e outro reservatório, porém, populações das margens do canal sofrem com a escassez de água – como os moradores do Assentamento Amazonas e da comunidade Piauí de Dentro, localizados na fronteira entre os municípios de Morada Nova e Russas.

No Assentamento Amazonas, que cobre uma faixa de terra de 3.700 hectares, cortada pelo Eixão, o ano passado e os primeiros três meses deste foram improdutivos, com água suficiente apenas para a sobrevivência. Além do abastecimento do carro-pipa, que enche as cisternas de uma a duas vezes por semana, uma outorga da Cogerh autorizou retirar 15 mil litros de água por dia do canal. Mas, embora o assentamento exista há 15 anos, não há adutora instalada para abastecer as mais de 50 famílias. Eles têm que pagar um trator para transportar a água, por 25 a 30 reais a carrada (mil litros. Conforme o tamanho do rebanho e da família, isso significa desembolsar até R$ 150 por semana, retirados das bolsas governamentais e aposentadorias.

Os assentados Irmão Nem, presidente da associação dos assentados, e Antônio Porfírio, o Tonhão, que ocupava esse cargo quando foram feitas as negociações para que o canal cortasse a terra do assentamento, afirmam que até hoje as promessas da época da construção do Eixão das Águas não foram cumpridas.

“Na época, eles indenizaram essa parte aqui [a faixa de terra por onde hoje passa o canal]. Mas quando foi pra passar o pique, veio uma equipe do governo e prometeu que deixava áreas irrigadas aqui pra nós. No caso, ele prometeu 50 hectares, pelo menos meio hectare de irrigação pra cada um. Sendo 46 de irrigação e 4 hectares de tanque de peixe. Mas infelizmente já se passou o tempo e até hoje ninguém encontrou isso aí”, conta Irmão Nem.

Na Fazenda Melancias tem água

A poucos quilômetros dali, porém, uma adutora abastece a Fazenda Melancias, propriedade da Agropecuária Esperança que pertence a um dos maiores grupos econômicos do Ceará – o Grupo Edson Queiroz, dono de emissoras de televisão e rádio, jornal, universidade, fábricas de eletrodomésticos, distribuidoras de água mineral e gás butano etc. Dois grandes canos captam água do Eixão para irrigar a pastagem, que alimenta o rebanho de ovinos e caprinos. Entre 2003 e 2011, a empresa foi flagrada três vezes pelo Ministério Público do Trabalho pelo uso de trabalho escravo em outras de suas fazendas no Maranhão e no Piauí.

Na lista de outorgas para o Eixão, sete estão em nome da Agropecuária Esperança, totalizando uma vazão de 2.318 litros por segundo. Questionado sobre o assunto, o diretor de Planejamento da Cogerh, João Lúcio, afirmou que a vazão para a fazenda foi reduzida para priorizar o abastecimento da grande Fortaleza na estiagem, e negou a existência de privilégios no acesso à água.

“Se houver disponibilidade, essa água vai atender o pequeno e vai atender o grande. Não desconhecemos a questão política, porque a gente sabe que a sociedade tem suas correlações de forças, mas nós temos nossa visão aqui na Cogerh. Se tiver água, nós vamos atender os pequenos e vamos atender o grande”, insistiu.

De fato, a lista com 240 outorgas ao longo do canal é formada principalmente por pequenos usuários, que consomem volumes entre 0,4 e 10 l/s. Contudo, não é possível precisar quantos destes estão na mesma situação do Assentamento Amazonas, que possui a outorga, mas não a adutora. A instalação da adutora é de responsabilidade de quem solicita a outorga e os trabalhadores rurais não tem como bancar esse custo, o que prejudica toda a atividade econômica nas pequenas propriedades.

Mesmo quando já investimento do Estado para as adutoras, outros problemas podem inviabilizar o abastecimento das comunidades. A Secretária de Recursos Hídricos – órgão ao qual está subordinada a Cogerh – investiu R$ 6,5 milhões em 23 sistemas de abastecimento que atendem a 32 comunidades localizadas a uma distância de até 2 km das margens dos trechos I, II e III do Eixão. Segundo a secretaria, foram construídas infraestrutura de captação, adução, reservação e chafariz para estas comunidades e outros 12 sistemas estão em fase de licitação. No entanto, ressalva feita pela própria assessoria do órgão, seis dos sistemas já instalados estão parados por falta de infraestrutura suficiente de energia elétrica, de responsabilidade da Companhia Energética do Ceará.

 Da varanda se vê, mas não chega na casa

Apesar de não ter sido citada pela secretaria, este parece ser o caso da comunidade de Piauí de Dentro – vizinhas ao Assentamento Amazonas –, em que as 60 famílias  continuam sem acesso à água do Eixão. A agricultora Maria Glécia, de 31 anos, conta que a adutora instalada pelo programa da SRH com recursos do Fundo de Combate à Pobreza funcionou durante uma hora e meia. Há mais de um ano está parada, assim como estão sem uso a caixa d’água e o chafariz construídos para distribuir a água.

“Agora tá até bom, tá chovendo um pouquinho… Mas foi ruim, viu? 2012 a gente vendo os bichos morrer… E a gente também. Tinha dia que não tinha água. A gente sabia que tinha aqui, mas como tirar?”, pergunta.

Glécia mora com a família a menos de 40 metros do canal. A varanda dá vista para o cânion de 30 metros de profundidade formado depois que o topo de serra foi dinamitado para a passagem da água, por gravidade, do Castanhão ao litoral. Mas, como não é possível manualmente puxar a água através do cânion, ela precisa percorrer 3 km até encontrar um trecho do Eixão ao nível do terreno. O motor que deveria bombear a água queimou logo após ser ligado. Nem o eletricista enviado pelo governo, nem as inúmeras visitas semanais que seu pai, líder comunitário, fez à sede do município de Russas, deram jeito na situação.

Glécia, o marido Josemberg, o irmão Wagner e o cunhado Gertúlio não sabem dizer quantas cabeças de gado perderam pela falta de água ou mesmo por caírem dentro do canal ao escorregarem no desfiladeiro, que não possui qualquer proteção. Outras tantas foram furtadas depois que o trânsito de pessoas aumentou na área com a abertura da estrada que margeia o canal. Por isso, ninguém cria mais gado solto ali.

As obras do Eixão trouxeram outros impactos graves à comunidade. As pedras e sedimentos gerados pela obra, assim como a engenharia utilizada para o desvio do curso da água, acabaram por aterrar parte de uma lagoa e de um açude da comunidade, hoje água salobra. O cânion separou de um lado a vila de casas e do outro os lotes de terras dos moradores, o que transformaria um percurso original de poucos metros num jornada de 3 km cada trecho, não fosse a resistência. Foi preciso a comunidade se mobilizar e passar três dias inteiros deitada sobre dinamites até conseguir a garantia do governo de que seria construída uma ponte no local.

Para a indústria, água subsidiada

A lista de outorgas de uso de água para o CIPP já soma uma demanda de 3.860 l/s, incluindo empreendimentos que ainda serão instalados, como a Companhia Siderúrgica do Ceará. A CSP, um investimento da Vale em parceria com as multinacionais sul-coreanas Dongkuk e Posco, lidera a lista com uma demanda de 1,5 mil l/s, quando entrar em operação em 2017. Mas, no momento, a Cogerh já fornece uma vazão de 55 l/s para a fase de terraplanagem. A demanda da CSP inclui o consumo de água a termelétrica que será construída para fornecer energia à siderúrgica.

As duas usinas termelétricas da MPX possuem duas outorgas no valor total de 800 l/s, volume que deverá ser usado na totalidade quando a segunda unidade entrar em operação, no segundo semestre. Não é tão grande se comparado ao utilizado pela agricultura irrigada, que representa cerca de 60% da demanda do estado, mas está entre os maiores da indústria. Além disso, ao contrário do que ocorre em projetos semelhantes da MPX no Chile e no Maranhão, as térmicas do Pecém não dessalinizam a água do mar, que fica a poucos quilômetros da usina.

No vídeo institucional das térmicas do Pecém, a empresa chega a se gabar da “abundância” de água: “Além do carvão mineral, outra matéria é necessária para a geração de energia: a água. Nessa região, ela é encontrada em abundância devido à proximidade com o reservatório da Cogerh.”

O reservatório ao qual o vídeo se refere é o Açude Sítio Novos, com capacidade para 50 mil m³, ou seja, um açude de pequeno porte. Não por acaso, afora o Eixão das Águas, cinco outras cinco barragens de mesmo tamanho serão construídas para abastecer o pólo industrial – como mostra o documento “Cenário Atual do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (versão preliminar)”, produzido pelo Pacto pelo Pecém, uma articulação de várias instituições em torno do projeto do CIPP, capitaneada pelo Conselho de Altos Estudos da Assembleia Legislativa do Ceará, fortemente engajada na concretização do CIPP.

Alguns deputados estaduais chegaram a formar uma caravana para percorrer o Estado com o objetivo de pressionar a Petrobrás para iniciar a construção da Refinaria Premium II – que compõe com a siderúrgica da Vale os empreendimentos-âncora do complexo –, e as matérias de interesse do CIPP são tratadas com deferência na assembléia. Em junho de 2011, por exemplo, os deputados estaduais aprovaram um desconto de 50% no preço da água consumida pelas térmicas da MPX, o que foi contestado por parte da opinião pública cearense.

Os subsídios, uma tradição da política econômica do Nordeste desde pelo menos os primórdios da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) na década de 1960, são defendidos até hoje pelo secretário estadual de Recursos Hídricos, César Pinheiro: “Pra você trazer empresas pro Nordeste, você tem que fazer um incentivo. Então pra térmica nós demos um desconto de 50%, mas nós fizemos uma coisa que não é discutida. A térmica fica parada durante um período do ano e nesse período ela paga água. Quer use ou não, nós estamos cobrando dela e é um valor significativo. Então não é 50%, porque quando ela não tá usando, nós estamos cobrando. Isso dá um balanço para que nós não tenhamos prejuízo”, diz Pinheiro.

A lei que instituiu o desconto estabelece que a empresa deve consumir no mínimo 7.200.000 m³ por ano, o que representa aproximadamente 228 l/s. Se o número for confrontado com os 800 l/s previstos na outorga, portanto, em três meses e meio as térmicas atingem a cota mínima determinada. A reportagem da Pública entrou em contato com a assessoria da MPX para uma entrevista sobre as tecnologias de reuso de água e redução da emissão de gases poluentes das duas térmicas do Pecém. Mas foi informada de que a empresa não poderia se pronunciar por estar no “período de silêncio”, uma determinação da Comissão de Valores Mobiliários que tenta impedir que empresas envolvidas no momento em transações influencie o mercado.

 

OS VIZINHOS DA TERMELÉTRICAS

 “É muito distinto você ter uma população que veio ter um contato com o automóvel em 1971, veio ter uma televisão colorida em 90, 94, pra de repente estar no ano 2000 e já ter filhos pilotando retroescavadeiras, trator de esteira, ganhando muito dinheiro”, diz Kleber Nogueira, 31 anos, professor da Escola Indígena Direito de Aprender do Povo Anacé, um dos oito indígenas que conversou com a Pública na escola, localizada na comunidade de Matões, hoje na área do CIPP (Complexo Industrial e Portuário de Pecém).

Ainda é difícil para eles engolir o projeto industrial que os expulsou de suas terras  e os jogou na área de influência do complexo. Além da vizinhança com as termelétricas da MPX, os indígenas sofreram ainda mais com a transformação dos municípios litorâneos de Caucaia e São Gonçalo do Amarante, que até pouco tempo viviam da pesca e da agricultura familiar

“Ninguém perguntou pra nós… É isso que me faz raiva, é isso que me faz ficar chateada, me deixa com vontade de gritar, estraçalhar mesmo… Não tem como a gente falar de impactos, nesse momento, pro choro não vir aqui, porque em menos de um mês a gente perdeu quatro pessoas na comunidade, por conta dessa porcaria dessa Estruturante (via rodoviária) que passou aí e que não é sinalizada. Uma menina morreu num acidente de carro, antes de ontem uma criança de menos de anos também foi atropelada”, desabafa Andrea Coelho, moradora da Comunidade do Bolso, outro povoado Anacé.

Entre os impactos causados pela atividade econômica acelerada está a drenagem de pequenos riachos e nascentes da comunidade para a instalação das indústrias, e o aterramento da Lagoa do Murici – um dos vários mananciais de água da região, com um lençol freático bastante próximo à superfície, como aponta o estudo “O povo indígena Anacé e seu território tradicionalmente ocupado”, encomendado pelo Ministério Público Federal. Produzido pelo professor Jeovah Meireles, do Departamento de Geografia da UFC, e outros dois analistas periciais em Antropologia, o parecer demostrou que várias comunidades da área decretada como de interesse público foram ignoradas pelo Estudo de Impacto Ambiental do CIPP.

“Quem tá lá fora não sabe o que está acontecendo aqui na ponta do Eixão, não sabe que a água que sai de lá vem trazendo na tubulação essa enxurrada de coisas. Você pensa que mudou só uma forma de vida, uma coisa bem simples, mas não. O impacto é bem maior. Porque esse Eixão das Águas vem pra alimentar a sede de um complexo industrial”, diz Kléber.

Hoje, boa parte dos Anacé está de mudança para a nova área que conseguiram conquistar a leste do Complexo, para onde os ventos não podem levar a fumaça e a fuligem do carvão mineral das térmicas. Mas os índios que assinaram os primeiros acordos de desapropriação tiveram sorte pior: moram hoje debaixo do “sovaco da MPX”, como eles próprios dizem.

 O Coletivo Nigéria é formado pelos jornalistas Bruno Xavier, Pedro Rocha, Roger Pires e Yargo Gurjão e sediado em Fortaleza (CE). Há mais de dois anos trabalha com produções audiovisuais e assessoria de comunicação de movimentos sociais.  Esta reportagem foi realizada através do Concurso de Microbolsas de Reportagem da Pública.

Bondinho de Ubajara volta a funcionar após 20 dias parado

Sobral. O Bondinho de Ubajara volta a operar após passar mais de 20 dias parado. Considerado um dos principais pontos turísticos da Serra da Ibiapaba, a parada do equipamento deu-se, conforme a prefeitura Municipal, para correções técnicas. Comércio e turismo da Região foram prejudicados.

A Secretária de Turismo de Ubajara, Rozimary Aguiar, admite que o tempo de paralisação do Bondinho, um verdadeiro atrativo turístico local, afetou o comércio no entorno. Ela conta que hotéis e restaurantes se encontram funcionando com dificuldades e pacotes de turismo programados para este mês foram desmarcados. “Toda a região sofre quando há paradas no Bondinho. A trilha que dá acesso ao parque é muito desgastante, ainda mais por que é feita numa altitude de 500 metros. Poucas pessoas conseguem descer e subir”. A queda de turistas, quando o bondinho deixa de funcionar, chega até a 90%.
Primeira do ano

Para a secretária, um novo equipamento é fundamental para toda a Serra da Ibiapaba. Apontado por Rozimary como o carro chefe no turismo da região, ela afirma que grande parte dos visitantes que vão a serra passa pelo Parque Nacional e Bondinho. Neste ano, é a primeira vez em que o teleférico fecha. “Mesmo assim, foi no mês em que normalmente temos o maior movimento turístico e isso está sendo sentido economicamente por toda a população”, destaca.

Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Turismo do Estado, que é responsável pelo equipamento, existe uma manutenção preventiva mensal ou bimensal e o bondinho é fechado apenas quando é necessária uma manutenção detalhada, principalmente por causa do uso e vida útil do teleférico. As peças necessárias para a manutenção normalmente vêm de fora do país, o que pode influenciar no tempo de conserto.

O Chefe do Parque Nacional de Ubajara, Francisco Humberto Sousa Bezerra, explica que com a parada do equipamento há uma queda nas visitas do parque. Segundo os dados fornecidos por ele, em 2011 quando o bondinho ficou parado nos meses de abril, maio e junho, não houve nenhuma visita à gruta.

Ainda em 2011, os números de visitantes na gruta caíram de uma média de 35 mil para 25 mil no ano inteiro. Já a média anual de visita ao parque caiu de 96 700 para 87 600, o que foi recuperado em 2012, com o equipamento em seu funcionamento normal.

Humberto conta que, até junho deste ano, cerca de 50 mil pessoas passaram pelo parque e, destas, 15 mil visitaram a gruta. Os números do mês de julho, após a parada do teleférico, ainda não foram contabilizados.

Ele explica que a alternativa dos visitantes é descer pela trilha, com uma extensão de sete quilômetros em pedra tosca e bastante íngreme.

O percurso é feito, em média, por quatro horas de caminhada. Apesar de longo, o passeio oferece uma vantagem que é deslumbrar as belezas existentes no Parque, tais como fauna, flora, riachos e cachoeiras, assim como tomar um banho na Cachoeira do Cafundó ou Rio das Minas. O visitante pode ter ainda a visão panorâmica do Parque, através do Mirante que está localizado às margens do Riacho Gameleira e na borda da Chapada.

Para o visitante que não tem interesse ou tem problemas de saúde ou fobia a altura ou ambiente fechado, a opção de acesso é pela Cachoeiras e Mirantes. O passeio até o Mirante é em trilha por meio da floresta com uma extensão de aproximadamente de 1,5 km em trilha bastante suave. Até o Cafundó, a trilha tem uma extensão de aproximadamente 3,0 km.

Atrações

A grande atração do Parque Nacional de Ubajara é a Gruta de Ubajara, a qual está situada em uma depressão de 535 metros, com relação à Plataforma Superior do Teleférico. A visita ao parque é completamente gratuita, sendo cobrado apenas o serviço de guias autorizados pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade, e a descida e subida no bondinho. A capacidade do Bondinho é de até dez pessoas por viagem, percorrendo os 450 metros que separam o alto da plataforma, de onde se tem uma visão espetacular da região e da entrada da gruta. O preço para descida e subida é de R$8,00.

Trilhas

O Parque Nacional de Ubajara dispõe também das Trilhas Ibiapaba, Samambaia e Ubajara/Araticum. A primeira tem uma extensão de aproximadamente de 300 metros, a qual tem início na Portaria Principal do Parque e segue paralela à Estrada de Asfalto que dar acesso ao Estacionamento Interno do Parque.

Já a Trilha da Samambaia tem uma extensão de aproximadamente de 1,5 km, até ao Mirante, onde o visitante pode deslumbrar da vista Panorâmica. Retornando do Mirante em direção à Trilha da Samambaia e dando continuidade ao trajeto tem-se o acesso à Trilha Ubajara/Araticum e aproximadamente 10 metros depois se tem acesso ao Circuito das Cachoeiras, onde o visitante pode ter acesso à Cachoeira do Cafundó.

Mais informações:
Parque Nacional de Ubajara

Rodovia da Confiança, 187
Telefone: : (88) 3634-1388
Setur
Telefone: (85) 3101-4688

(Diário do Nordeste)