Em menos de uma semana, um monumento milenar foi transformado em cascalho. Uma empresa no Belize utilizou escavadeiras para destruir uma pirâmide construída pelos maias há 2.300 anos e transformá-la em matéria-prima para a construção de estradas.
O Belize é um país da América Central que faz fronteira com o México e a Guatemala. Essa região viu florescer a cultura maia séculos antes dos europeus chegarem nas Américas. A pirâmide de Nohmul, no norte do país, era uma das mais altas de região, com cerca de 30 metros de altura.
Segundo a imprensa local, houve enorme indignação pública quando os arqueólogos do Instituto de Arqueologia de Belize descobriram a destruição. Segundo Jaime Awe, que chefia o instituto, as primeiras denúncias foram feitas na semana passada.
“É um enorme sentimento de descrença na ignorância e falta de sensibilidade dessas pessoas, que vão usar isso para construir uma estrada”, disse Awe. “É como sentir um soco no estômago”.
Em vistoria nesta terça-feira, os arqueólogos encontraram o monumento praticamente destruído, com apenas um pequeno pedaço da pirâmide de pé. A pirâmide fica em terras privadas, de controle de uma empresa de cana-de-açúcar, mas segundo o governo do país os artefatos arqueológicos são protegidos por lei e não poderiam ter sido destruídos.
De acordo com a CNN, o ministro de Recursos Naturais do Belize, Gaspar Vega, divulgou nota dizendo que o governo não teve responsabilidade na destruição. O Ministério do Turismo iniciou uma investigação do caso.
“Monumentos culturais como Nohmul são artefatos sagrados na história de Belize e devem ser protegidos a todos os custos. Isso [a destruição da pirâmide] mostra desdém pelas nossas leis e políticas”.
Segundo Awe, a destruição de pirâmide pode ser punida com dez anos de prisão pela lei do país.
O secretário nacional de Defesa Civil, Humberto Viana, disse hoje (16) que a quantidade de carros-pipa destinados a combater a estiagem no Nordeste brasileiro pode passar dos atuais 4,9 mil para até 6 mil, mas pondera que é preciso organização das prefeituras no momento de relatar a necessidade de ajuda.
“O que a gente precisa é ter demanda. Às vezes, a informação que é repassada não confere com a realidade. Há falta de oferta de água? Não. O que, na verdade, precisa existir é uma demanda segura, para que a gente possa saber onde é que está precisando levar essa água”, explicou.
Viana ressaltou que o detalhamento das necessidades pelos gestores é importante para garantir a efetividade das demais ações implementadas pela pasta na região, como a oferta de milho para ração animal por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a implantação de cisternas.
“Todos esses programas estão sendo acompanhados e estão chegando à ponta. Essa rede de proteção que foi montada pelo governo nos dá a garantia de que estamos no caminho certo. Necessidade de ampliar e melhorar vai haver sempre, porque isso não é história que começou ontem. Temos um acúmulo histórico de problemas”, completou.
De acordo com o secretário, a presidenta Dilma Rousseff não definiu um período específico para que o pacote de combate à estiagem seja implantado. “Temos que compreender que há papéis nesse contexto – o da prefeitura, o do estado, o do governo federal e, sobretudo, o papel do cidadão. Se há pontualmente alguma área não atendida em um contexto de 10 milhões de pessoas afetadas, é preciso que a gente tome conhecimento disso de forma clara”.
Nesta quinta-feira, a concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera medida diariamente pelo Observatório Mauna Loa, no Havaí, ultrapassou a marca de 400 partes por milhão pela primeira vez desde o início das medições, em 1958. Segundo os pesquisadores, o valor é simbólico, pois nunca foi atingido durante toda a História da humanidade — pesquisas mostram que a última vez em que a concentração do gás na atmosfera chegou a um nível tão alto foi há mais de três milhões de anos.
O dióxido de carbono emitido para a atmosfera pela queima de combustíveis fósseis e outras atividades humanas é o principal gás do efeito estufa, contribuindo com grande parte do aquecimento global. Assim que é emitido, o gás se espalha pela atmosfera — onde permanece por milhares de anos —, aprisionando a radiação do Sol e impedindo que o calor seja dissipado do planeta. Desde que os cientistas começaram a acompanhar sua concentração na atmosfera, ela vem crescendo a taxas cada vez maiores. Antes da Revolução Industrial, no século 19, a concentração média de CO2 era de cerca de 280 partes por milhão.
Os primeiros dados obtidos pelo Observatório Mauna Loa, em 1958, mostravam que a concentração de CO2 já estava na faixa de 316 partes por milhão. A partir daí, o nível só aumentou. Durante os primeiros anos de medição, a concentração crescia a uma taxa de 0,7 partes por milhão por ano. Na última década, esse crescimento acelerou e chegou a 2,1 partes por milhão por ano.
Observações realizadas no Observatório pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos e pelo Instituto Scripps de Oceanografia durante as últimas semanas jámostravam que a marca estava para ser atingida. “Esse crescimento não é uma surpresa para os cientistas. Isso é uma evidência conclusiva de que o forte crescimento nas emissões globais de CO2 vindas da queima de carvão, pertróleo e gás natural está levando a essa aceleração”, diz Pieter Tans, pesquisador do Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos.
Tanto a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos e o Instituto Scripps de Oceanografia, realizam mediçõe periódicas no Observatório Mauna Loa, localizado perto de um vulcão extinto no Havaí
Marco pré-histórico — Durante os últimos 800.000 anos, a concentração de CO2 na atmosfera ficou entre 180 partes por milhão — durante as eras glaciais — e 280 partes por milhão, nos períodos mais quentes. A taxa atual de crescimento na concentração do gás é mais de 100 vezes mais rápida do que o aumento que houve no final da última Era Glacial.
Os cientistas estimam que a última vez e que a concentração de CO2 chegou ao nível atual foi há mais de três milhões de anos, durante o Plioceno, época geológica em que as temperaturas na Terra eram cerca de três graus mais quentes do que hoje. “Não há como impedir que o dióxido de carbono ultrapasse a marca das 400 partes por milhão. Isso já aconteceu. Mas o que acontecer daqui para frente ainda vai influenciar no clima e pode ser controlado”, disse Ralph Keeling, pesquisador do Instituto Scripps de Oceanografia.
Limite — Os dados do IPCC ( o painel de mudanças climáticas da ONU) sugerem que a concentração de 450 ppm representa o limite a partir do qual o aquecimento ganharia uma dinâmica que poderia prejudicar a existência humana sobre o planeta. O ideal, ainda de acordo com o IPCC, seria manter a concentração abaixo de 450 ppm para evitar que a temperatura subisse acima dos 2 graus Celsius, limite capaz de provocar danos no ecossistema. Segundo estimativas do órgão, no pior cenário acabariam as geleiras do planeta.
É significativo o fato de a concentração de CO2 ter ultrapassado o limite de 400 ppm. Mas ainda é impossível precisar de forma definitiva quais serão os efeitos dessa concentração sobre o planeta.
Além disso, as medições do IPCC têm sido alvo de várias críticas. Como afirmou o climatologista inglês Nicholas Lewis em reportagem de VEJA, publicada em 8 de maio, que usou dados do próprio IPCC para prever o aumento da temperatura global até o ano 2100, não existe o risco de se concretizarem a maioria das previsões catastróficas que são propaladas pelos alarmistas, como a de que cidades à beira-mar vão ficar submersas.
São Paulo – No começo, parece um anúncio de refrigerante comum, com gente bonita e sorridente curtindo a bebida durante um dia ensolarado numa praia paradisíaca. Até que um, dois, três, quatro, um verdadeiro bando de pássaros despenca do céu. Todos mortos.
O vídeo feito por ambientalistas do GreenpeaceAustrália imita um anúncio da Coca-Cola para responsabilizar as garrafas de plástico pela poluiçãodos mares, apontada pela ong como principal causa da morte de milhares de aves no país, que confundem detritos plásticos com alimento.
De acordo com o Greenpeace, 65% das aves são afetadas por esse tipo de poluição. “Quando eles engolem, seus pequenos estômagos se tornam tão cheio que eles são incapazes de ingerir qualquer alimento e literalmente morrem de fome”, diz o grupo.
Em março deste ano, a Coca-Cola ganhou na Justiça o direito de impedir uma política de reembolso de 10 centavos para incentivar a reciclagem na região Norte do país. Esse incentivo teria contribuído para dobrar as taxas de reciclagem no território e operado com sucesso no Sul da Austrália durante mais de 30 anos, diz a ong.
Em sua defesa, a Coca-Cola argumenta na mídia local que o esquema foi um fracasso, com aumento de apenas 33% da taxa de reciclagem, e que o método de reembolso é o mais caro e ineficiente para tal finalidade.
A chuva que atingiu o município de Iguatu, a 384,1 km de Fortaleza, na madrugada desta quinta-feira, 9, provocou alagamentos e deixou carros submersos. Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Iguatu registrou índice pluviométrico de 98 milímetros. No total, choveu em 105 municípios cearenses.
Após Iguatu, a cidade com maior intensidade de chuva foi em Ipaumirim, que teve um índice pluviométrico de 75 mm. Também choveu forte em Ibiapina (60 mm); Ubajara (57 mm); Acopiara (56 mm); Cedro (55,2 mm); Banabuiu (52 mm); Quixeramobim (51 mm); e Lavras da Mangabeira (50mm). Em Fortaleza, a média foi de 6,5 mm.
Segundo a Funceme, a chuva no centro-sul do Ceará, onde está localizado Iguatu, é provocada pela influência de um canal de umidade sobre o setor nordeste do Brasil. Ainda de acordo com a Fundação, a chuva está associada a um Sistema Convectivo de Mesoescala (aglomerado de nuvens do tipo cumulu nimbus).
Os cemitérios públicos de Fortaleza não possuem licença ambiental, documento obrigatório pela resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), de abril de 2003.
Em abril último, O POVO mostrou o desconhecimento da Prefeitura sobre a situação das licenças. Levantamento da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma), após envio de ofícios às Regionais, indica o descumprimento da legislação por parte dos cemitérios.
De acordo com a Seuma, o processo de regularização será iniciado com a visita de um técnico da equipe de licenciamento do órgão às Regionais II, III, IV, V e VI, que possuem cemitérios em seus territórios. A visita tem o objetivo de apontar a documentação necessária para a regularização, que deve ser entregue em um prazo de cinco dias úteis.
Após análise da documentação, serão realizadas vistorias para a verificação do potencial de poluição do solo dos cemitérios. As vistorias resultarão em um parecer técnico que poderá detectar conformidade com a legislação ou existência de irregularidades.
Caso os cemitérios da Parangaba, Bom Jardim, Messejana, Antônio Bezerra e Mucuripe apresentem situações que atendam aos padrões da legislação, as licenças ambientais obrigatórias poderão ser emitidas em processo que deve durar, em média, quatro meses. Se forem constatadas irregularidades, medidas de redução dos impactos ambientais serão cobradas para que as licenças sejam emitidas.
Dez anos depois
A resolução do Conama que fixa a necessidade de os cemitérios, horizontais ou verticais, se submeterem ao processo de licenciamento ambiental estipula o prazo de 180 dias, após a publicação (abril de 2003), para que os esquipamento busquem regularização no órgão responsável.
Dez anos depois, os cemitérios públicos de Fortaleza ainda iniciam esse processo, desconhecendo os impactos ambientais causados em seu entorno.
Legislação
A Resolução do Conama, indica que o descumprimento das disposições elencadas em seus artigos poderá implicar em sanções penais e administrativas, assim como multa e outras penalidades previstas em Termo de Ajustamento de Conduta e na legislação vigente.
A Resolução também prevê que o órgão ambiental competente pode exigir a imediata reparação dos danos causados, assim como a mitigação dos riscos, a desocupação, isolamento e/ou recuperação da área do empreendimento.
O Brasil é um Estado laico. Assim como a maioria dos países do mundo, não tem uma religião oficial e garante constitucionalmente a liberdade de credo para todos os seus cidadãos. Entretanto, desde 1891 — quando o catolicismo deixou de ser a religião oficial do país — as instituições religiosas participam do debate público, em certos casos fundamentando inúmeras posições com base na fé e na doutrina. Com a bancada evangélica nos holofotes, o tema voltou a ganhar relevância no espaço público.
Na opinião da professora de Direito Constitucional da UFPR Vera Karam de Chueiri (na foto abaixo), o debate público não comporta o pensamento religioso, pois questões de convicção pessoal não podem servir como baliza para decisões que envolvem toda uma sociedade — que inclui também ateus, agnósticos e pessoas das mais diversas religiões. “O argumento religioso não pode entrar no debate público. As razões sempre devem ser de ordem pública, e não individual”, resume.
Já para o doutor em Direito pela Universidade Mackenzie Ives Gandra Martins, a laicidade do Estado não significa a ausência da religião no espaço público. “O Estado laico não é um estado ateu. O Estado laico é apenas um Estado em que as decisões políticas não dependem de qualquer igreja, mas onde quem tem religião tem todo o direito de exercer sua cidadania”, afirma.
Gandra defende que, para quem tem uma religião, é impossível dissociar convicções religiosas de convicções não religiosas.
Portanto, o argumento calcado na fé teria tanta legitimidade quanto um argumento baseado em uma ideologia ou visão de mundo leiga. “Os que acreditam em Deus defendem seus pontos de vista, certamente influenciados por seus valores, e os que não acreditam são influenciados por suas convicções pessoais. O debate não pode impedir que aqueles que tenham religião opinem sobre os interesses da cidadania”, afirma.
A discussão sobre o Estado laico ganhou força nos últimos anos, uma vez que diversos temas na agenda pública brasileira têm colocado em lados opostos igrejas – especialmente as evangélicas – e segmentos sociais leigos. Um exemplo recente é a PEC que torna instituições religiosas aptas para contestar a constitucionalidade de leis no Supremo Tribunal Federal. A eleição do deputado e pastor Marco Feliciano (PSC-SP) para a presidência da Comissão de direitos Humanos da Câmara é outro fato que levantou a questão. A legislação referente à homossexualidade e ao aborto também são pontos de crise entre os segmentos.
Seguem alguns exemplos, atuais e antigos, dessa relação, às vezes conturbada, entre igrejas e o Estado laico:
Direitos LGBT
A questão LGBT é, atualmente, um dos principais pontos de atrito entre os que defendem a laicidade do Estado e a religião – as polêmicas envolvendo o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) são apenas a ponta do iceberg. A união entre pessoas do mesmo sexo, em âmbito civil, e a possibilidade de esses casais adotarem crianças, são criticadas de forma veemente por instituições religiosas, com o argumento de que esse seria um risco para a instituição familiar – esse debate ocorre também em democracias mais antigas e tradicionais, como a França. O Projeto de Lei 122, que torna a homofobia um crime de ódio (assim como já é para o racismo e a xenofobia), também recebe a oposição de parlamentares evangélicos. Para eles, nesse caso, o Estado passa a interferir na liberdade de culto.
Na última semana, um projeto que permite a “cura” de homossexuais, apresentado por um deputado evangélico, foi colocado na pauta da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. A Organização Mundial da Saúde (OMS) não considera a homossexualidade uma doença desde 1993. É um outro exemplo da moral religiosa interferindo em uma questão pública.
Símbolos religiosos
Apesar de o Estado ser laico, é comum ver crucifixos e outros símbolos religiosos em vários órgãos públicos — e, apesar de muitas vezes esses símbolos passarem despercebidos, eles não deixam de causar polêmica. No ano passado, o Ministério Público Federal pediu a retirada da frase “Deus seja louvado” de novas cédulas de real, alegando que ela feria a separação entre igreja e Estado. O pedido gerou reações exaltadas de ambos os lados. A ironia é que a própria Constituição brasileira evoca a proteção de Deus, em seu preâmbulo. Na França, a polêmica foi ainda maior — especialmente com os muçulmanos. Em 2004, uma lei proibiu o uso de símbolos religiosos em escolas, mesmo quando usados pelos próprios alunos.
Divórcio
Essa é uma polêmica já superada, mas que, por décadas, acirrou os ânimos dos brasileiros. Pela ótica laica, a institucionalização do divórcio era apenas a confirmação legal de algo que já existia na sociedade civil — casais já se separavam e encontravam novos parceiros, independentemente da lei, assim como há muito tempo casais gays vivem juntos. Entretanto, esse ato contrariava — e até hoje contraria — a doutrina da Igreja Católica, que se opôs radicalmente ao projeto. As tentativas de se legalizar o divórcio vêm do século 19, mas apenas em 1977 o divórcio foi instituído, por uma margem estreita de votos. Hoje, é visto com naturalidade pela maioria da população brasileira.
PEC das Igrejas
A PEC 99/10, de autoria do deputado evangélico João Campos (PSDB-GO), inclui entidades religiosas de âmbito nacional entre os entes aptos a contestar a constitucionalidade de leis no STF. Hoje, as organizações de classes e federações sindicais já podem fazer isso assim — como representantes dos três poderes, em nível estadual e federal. Para muitos, isso significa uma interferência direta da religião na vida pública, incompatível com a existência do Estado laico. Já outros veem a PEC como uma ampliação da cidadania, permitindo mais entidades representativas na sociedade de participar da democracia. De qualquer forma, essa interferência já ocorria de forma indireta. Por exemplo: quando era procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, católico, questionou a constitucionalidade das pesquisas com células-tronco embrionárias após pedido da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Aborto
O debate sobre a descriminalização do aborto é encarado com lógicas diferentes entre seus defensores e críticos. Pela lógica da maioria das igrejas, trata-se de uma questão metafísica: a partir de qual momento começa a vida? Pela doutrina cristã, a vida começa a partir da fecundação – logo, o aborto pode ser considerado o equivalente a um assassinato. A ciência não estabelece um ponto exato, mas é comum considerar a formação do tecido nervoso como um ponto inicial. Independentemente disso, quem defende a descriminalização argumenta que a proibição não resulta em uma redução do caso de abortos e causa a morte de milhares de mulheres em todo o país.
247 - A grande vitrine eleitoral da presidente Dilma Rousseff para a tentativa de reeleição em 2014 deve ser mesmo a erradicação da miséria. Pelo menos é o que indica a mobilização bolada pela presidente para dar resultado até o início do próximo anos. Ministérios e órgãos federais foram mobilizados para localizar famílias em situação de miséria que não são beneficiadas pelos programas sociais ou integram o cadastro único do governo. Nas contas do Planalto, faltariam apenas 700 mil famílias para fechar a conta.
Aproximadamente 22,2 milhões de pessoas deixaram a extrema pobreza desde o início do governo Dilma. Para completar o número, a chamada “busca ativa” inclui prefeituras e governos estaduais, reunidos sob a expectativa de que o plano seja concluído até o início do ano que vem. Essa busca, coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento, existe desde o lançamento do Brasil Sem Miséria, mas ganhou novo formato no fim do ano passado. Os esforços acabaram prejudicados pelas eleições municipais.
“Na verdade, estamos tentando fechar as arestas para que a coisa aconteça: para que aconteça o cadastramento, para que a família entre no Bolsa Família”, contou ao jornal Valor Econômico a diretora do Departamento do Cadastro Único da Secretaria Nacional de Renda de Cidadania da Pasta, Cláudia Baddini. A estratégia da busca ativa já permitiu, desde o início do Brasil Sem Miséria, em 2011, cadastrar e incluir no Bolsa Família cerca de 800 mil famílias extremamente pobres.
Neste ano, o trabalho de busca se concentra em Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Amapá e região metropolitana do Rio de Janeiro. O governo espera que a busca sob responsabilidade dos municípios ganhe novo fôlego a partir de deste mês, quando as prefeituras que sofreram mudanças de gestões nas últimas eleições já estejam aptas a aderir a esse esforço. “Eleição municipal é um ‘strike’, porque muda muita gente. Você tem que dar um tempo, e é esse tempo que a gente está dando, para as prefeituras novas conseguirem entender e para a gente conseguir chegar já com tudo funcionando”, diz Cláudia Baddini.
Geólogos brasileiros anunciaram nesta segunda-feira (6) que foram encontrados, a 1.500 km da costa do Rio de Janeiro, indícios de que estaria ali um pedaço de continente que submergiu durante a separação da África e da América do Sul, época em que surgiu o Oceano Atlântico.
De acordo com Roberto Ventura Santos, diretor de geologia de recursos minerais do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), há dois anos, durante um serviço de dragagem (retirada de solo oceânico para análise) na região do Elevação do Rio Grande — uma cordilheira marítima em águas brasileiras e internacionais — foram encontradas amostras de granito, rocha considerada continental.
Ele explica que, inicialmente, levantou-se a hipótese de que o recolhimento de tais amostras fora engano ou acidente. No entanto, no último mês, uma expedição com cientistas do Brasil e Japão, a bordo do equipamento submersível Shinkai 6.500, observou a formação geológica que está em frente à costa brasileira e, a partir de uma análise, passou a considerar que a região pode conter um pedaço de continente que ficou perdido no mar por milhões de anos.
“Pode ser a ‘Atlântida’ do Brasil. Estamos perto de ter certeza, mas precisamos fortalecer essa hipótese. A certificação final deve ocorrer ainda este ano, quando vamos fazer perfurações na região para encontrar mais amostras”, explicou Ventura ao G1.
O diretor do CPRM não especificou a idade dessas rochas, no entanto, contou que os pedaços de crosta continental que foram encontrados são mais antigos que as rochas encontradas no assoalho oceânico, nome dado à superfície da Terra que fica abaixo do nível das águas do mar.
De acordo com Ventura, o próximo passo será enviar ao governo brasileiro uma solicitação para que o país reclame a área, que está em águas internacionais, junto à Autoridade Internacional de Fundos Marítimos (ISBA, na sigla em inglês), organismo ligado à Organização das Nações Unidas, para que seja realizada no local prospecção de recursos minerais e estudos relacionados ao meio ambiente.
Rochas encontradas durante expedição geológica à Elevação do Rio Grande, na costa brasileira (Foto: Divulgação/CPRM)
Pesquisador segura rocha com minério de ferro encontrada durante dragagem feita no ano passado, na região da Elevação do Rio Grande, na costa brasileira (Foto: Divulgação/CPRM)
O Cine Ceará abriu inscrições para a 23ª edição. Os interessados têm do dia 7 de maio a 7 de junho para apresentarem seus longas e curtas-metragens. Com a realização da Copa das Confederações, o Festival Ibero-Americano de Cinema será realizado de 7 a 14 de setembro, Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
O regulamento completo do festival, organizado pela Associação Cultural Cine Ceará, estará disponível no site http://www.cineceara.com a partir desta terça-feira, 7.
Concorrem ao Troféu Mucuripe os filmes inscritos nas categorias longa-metragem (divididos em filme, direção, fotografia, edição, roteiro, som, trilha sonora original, direção de arte, arte, atriz e prêmio da crítica) e curta-metragem (filme, direção, roteiro, produção cearense e prêmio da crítica).
Os curtas-metragens deverão ter duração mínima de 20 minutos e realizados por produtores e/ou diretores brasileiros ou radicados no país há mais de três anos. Para concorrer, a obra deverá ter sido concluída a partir de janeiro de 2012. Os longas-metragens deverão ter duração mínima de 70 minutos e terem sido finalizados a partir de 2011 por produtores e/ou diretores de países da América Latina e o Caribe, Portugal e Espanha, em formatos profissionais.
As premiações da crítica para melhor curta e longa-metragem serão concedidos pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). O melhor longa vai ganhar um prêmio especial no valor de US$ 10 mil.
Um novo tremor de terra atingiu o município de Sobral, Região Norte do Ceará, durante o último domingo (5). O tremor foi registrado pelo Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LabSis/ UFRN). Segundo os especialistas, o tremor atingiu 2.1 graus de magnitude na escala Ritcher, que vai de 0 a 10.
De acordo com o registro, o tremor foi sentido com maior intensidade na localidade de Hilários, na divisa dos municípios de Meruoca e Alcântaras e correu às 4h20min (horário local).
De acordo com o LabiSis, o mais forte tremor registrado no Ceará foi em Sobral, em 2009, e atingiu 4.3 graus na escala Richter. Desde 2008, a atividade sísmica da região é monitorada pelo Laboratório Sismológico da UFRN.
Não é de hoje que os congressistas brasileiros elaboram as mais estúpidas e estapafúrdias leis, para vigorarem neste nosso país de extensões continentais, já tentaram criar uma lei para dar desconto em restaurantes às pessoas que fizeram a cirurgia de redução do estômago, também tentaram proibir o uso da minissaia e uma ainda houve um projeto de lei que serviria para definir o que é presunto.
Porém, nenhuma dessas leis é tão “estranha” quanto o projeto do ilustre deputado e presidente da Comissão de Direitos Humanos, senhor Marco Feliciano, que propõe a revogação de determinados artigos de uma resolução para dar o caráter de doença à homossexualidade.
Sim, é isso mesmo, você não leu errado, com a revogação desses artigos, a rede pública e privada de saúde poderão iniciar tratamentos contra a orientação sexual dos indivíduos.
Desculpem-me os politicamente corretos que se ofenderão com minhas palavras, mas eu fico imaginando como seria este tratamento: “Ah, o senhor é homossexual? Prescrevo então striptease de uma mulher bem gostosa três vezes ao dia e se o problema persistir, assista um filme pornô da Bruna Surfirstinha”. Imagino ainda o seguinte diálogo: “Minha senhora, o seu problema é muito grave, a senhora aprecia mulheres, mas fique tranquila que nós iremos dar um jeito nisso, este aqui é o Jorjão, e ele irá transar com vossa pessoa, até que a senhorita passe a gostar do sexo oposto”.
Obviamente, esta é uma situação ridícula que busca ridicularizar a lei que foi proposta, e apesar de ser um assunto extremamente sério e relevante para a sociedade, temos que pensar nesse projeto de lei como uma piada e fazer graça com o assunto, para que não nos aborreçamos com tal cidadão relator do projeto.
Atualmente, falar em opção sexual é considerado errado por diversos setores da sociedade, onde o termo correto seria orientação sexual, porém, não sei até que ponto as pessoas escolhem tornarem-se gays ou não, mas vamos fazer de conta que é uma escolha, assim, porque raios alguém ia querer se tratar de um “problema” que foi escolhido e que não faz mal pra ninguém?
Apesar de polêmico, o projeto encontra muitos defensores, e estes basicamente se utilizam da religião para dar força às suas argumentações de que o homossexualismo deve ser tratado, ou combatido como preferem alguns mais radicais, outros que apoiam a ideia, defendem o direito de escolha, talvez o mesmo direito que as pessoas tem para decidir que caminho seguir em sua vida sexual, para que todos tenham o direito de escolher se querem ser curados ou não.
Vale destacar, que um eventual tratamento não seria compulsório, assim o risco de um enfermeiro do tamanho do incrível Hulk bater à porta de sua casa pra te colocar em uma camisa de força e te jogar dentro de uma ambulância é nulo, afinal o tratamento se destinaria, ou se destinará, apenas àqueles que desejarem a “cura dessa doença terrível”.
E sendo um tratamento opcional, neste momento só me vem à cabeça uma cena do filme X-Men, onde centenas de pessoas fazem fila para se curarem de uma mutação genética e outras centenas ficam do outro lado da rua protestando contra aqueles que querem ser curados.
Assim, como vivemos em um país livre e democrático, resta a você escolher de que lado da rua quer ficar.
Agora é oficial. Francisca de Paula de Jesus, a “Mãe dos Pobres” de Baependi (MG), é a primeira negra, analfabeta, filha de escrava e leiga a receber o título de beata pela Igreja Católica no Brasil. A cerimônia que concedeu o título à mulher que viveu a maior parte de sua vida no Sul de Minas começou pontualmente às 15h deste sábado (4).
Usando sombrinhas e proteções, milhares de fiéis acompanharam a cerimônia sob o sol, do jeito que puderam. Pessoas de todas as idades, desde crianças até idosos, participaram da cerimônia. Além dos fiéis, também estiveram presentes autoridades religiosas do Vaticano e da Igreja Católica brasileira. Gilberto Carvalho, secretário geral da Presidência da República representou a presidente Dilma Rousseff. O governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia, também acompanhou a cerimônia.
Nhá Chica Francisca de Paula de Jesus, a Nhá Chica, será a primeira beata negra do país. Leiga, ela não pertencia a nenhuma ordem religiosa. Analfabeta, não lia a bíblia, mas aplicava no dia a dia o amor ao próximo e a caridade, o que a fez ser conhecida como “Mãe dos Pobres”. Nhá Chica nasceu em São João Del Rei (MG) mas viveu a maior parte da sua vida em Baependi (MG), onde morreu no dia 14 de junho de 1895. Desde então, os relatos de cura por intercessão de Nhá Chica são vários.
O processo de beatificação começou em 1993, mas foi em 1995 que o processo ganhou um capítulo decisivo. Em julho daquele ano, a professora Ana Lúcia Leite descobriu que tinha um problema congênito no coração. Na véspera de fazer uma cirurgia, ela sentiu uma forte febre e exames posteriores revelaram que o problema havia desaparecido. Ana Lúcia havia rezado a Nhá Chica e considera que foi curada por intermédio dela.
Em 1998, o provável milagre foi enviado ao Vaticano. Em janeiro de 2011, o Papa Bento XVI aprovou as virtudes heróicas da religiosa e designou o título de Venerável a Nhá Chica. Em outubro do mesmo ano, a comissão médica da Congregação das Causas dos Santos do Vaticano aprovou o milagre atribuído a Nhá Chica, concordando que a cura não tem explicação científica. A comissão de cardeais do Vaticano atestou o milagre em junho de 2012 e no mesmo mês, o Papa Bento XVI assinou o decreto de beatificação de Nhá Chica.
Samantha Silva - Do G1 Sul de Minas, em Baependi, MG
BAEPENDI (MG) – A mineira Francisca de Paula de Jesus ou Nhá Chica, que será beatificada na tarde deste sábado, dia 4, em Baependi, sul de Minas, entra numa lista ainda restrita de apenas 5 santos e 80 beatos brasileiros reconhecidos pela Igreja Católica. Desse total, 37 nasceram no País e 48 são estrangeiros que viveram aqui. Cerca de 60 outros candidatos estão em processo de beatificação e canonização, com boa chance de merecer em breve a veneração dos fiéis nos altares. O único brasileiro nato canonizado é Frei Antônio de Sant’ Anna Galvão, paulista de Guaratinguetá, proclamado santo por Bento XVI no Campo de Marte, em 2007.
O processo de beatificação de Nhá Chica correu relativamente rápido. Começou em janeiro de 1992, dois anos após o então bispo de Campanha (MG), d. Aloísio Oppermann haver submetido a causa à apreciação do episcopado brasileiro. Desde 1952 vinha sendo feita uma campanha popular para que Nhá Chica fosse considerada santa.
Em janeiro de 2011, Bento XVI aprovou o decreto da Congregação para as Causas dos Santos sobre as virtudes heroicas e ela recebeu o título de venerável. Em outubro do mesmo ano, foi reconhecida como milagre para a beatificação a cura da professora Ana Lúcia Meirelles Leite, que tinha um defeito congênito no coração. Marcada para 11 de maio, a cerimônia foi antecipada para este sábado.
Abençoada.Aos 67 anos, a professora beneficiada pelo milagre obtido pela nova beata mora na cidade de Caxambu, a seis quilômetros de Baependi, onde será realizada a cerimônia.
“Vou levar até o altar e entregar ao cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, a relíquia, um pedacinho de osso de Nhá Chica, que será levada para o Vaticano”, disse Ana Lúcia. Ela foi vítima de isquemia cerebral em 18 de junho de 1995, quando estava passando um pano no chão da casa e, de repente, ficou cega.
Foi tateando para o quarto, deitou-se na cama e mandou chamar o marido. Quando conseguiu se levantar, percebeu que estava enxergando e logo atribuiu a melhora a Nhá Chica, a quem tinha recorrido. Nhá Chica era, fazia tempo, a santa de sua devoção, bem antes de se falar em beatificação. A história de Ana Lúcia é contada na edição impressa de sábado do
Estado
- Santos e beatos brasileiros:
Santos
Frei Antônio de Sant’Anna Galvão (Frei Galvão) – 2007
Beatos
André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro e 28 companheiros mártires assassinados em 1645 pelos holandeses no Rio Grande do Norte -2000
Árvore é única no mundo e concorre com criação de animais no nordeste, segundo especialistas. Mas pesquisas e investimentos para aumentar exportação procuram salvar a planta típica do nordeste do país.
Batizado pelo escritor brasileiro Euclides da Cunha (1866 – 1909) como a “árvore sagrada do Sertão”, o umbuzeiro corre risco de extinção na sua terra natal, o semi-árido brasileiro (nordeste). Devido a esse alerta feito por especialistas, organizações locais e nacionais trabalham para estimular a preservação e a exportação do umbu, uma planta que só cresce na caatinga, uma paisagem exclusivamente brasileira.
Extrair o fruto dessa planta única no planeta significa uma forma de sobrevivência para muitas comunidades nordestinas. “É uma das únicas fontes de renda para mais de 200 famílias” no âmbito de uma cooperativa no Estado nordestino da Bahia, exemplifica Avay Miranda, gestor de projetos da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).
Para aumentar a produção de umbu e de outros itens agrícolas típicos da biodiversidade brasileira, a Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaça (Coopercuc) quer aumentar as exportações e incentivar negócios sustentáveis com esses produtos.
Em fevereiro deste ano, por exemplo, Apex e Coopercuc assinaram um convênio. A Apex deverá disponibilizar R$ 1 milhão para ações de incentivo aos negócios e exportações. O dinheiro será distribuído à Coopercuc, para cultivar umbu, e a outras cinco cooperativas que trabalham com produtos típicos da região, como castanha do Brasil e de Baru, babaçu e cajá.
A ideia da parceria entre a Apex e as cooperativas é agregar valor aos produtos brasileiros e gerar renda para as famílias beneficiadas, além de contribuir, por exemplo, na conservação do umbuzeiro, explica Miranda, da Apex-Brasil.
Preservação da espécie
O umbuzeiro é considerado uma árvore pequena, com cerca de seis metros de altura. Como não existem relatos sobre a existência da planta em outras regiões do planeta, conservá-la é uma das principais preocupações de quem trabalha com ela.
Na caatinga praticamente não existem novas plantas de umbuzeiro. As espécies encontradas têm mais de 100 anos de idade, segundo o biólogo José Alves, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasp), que estuda o umbuzeiro há oito anos. O pesquisador é taxativo: “O umbuzeiro é uma espécie ameaçada de extinção, embora oficialmente não seja considerada ameaçada pelo governo brasileiro”.
Para o autor do livro A Flora das Caatingas no Rio São Francisco, recém-publicado, o principal problema que ameaça a espécie é a criação inadequada de bodes, cabras e ovelhas no nordeste – região que, segundo o professor, detém o maior rebanho do Brasil. Como muitos animais são criados soltos na caatinga, comem as plantas recém-germinadas – o que faz com que as espécies mais jovens desapareçam.
José Alves aponta que, para evitar a extinção do umbuzeiro, os animais precisam ser mantidos em ambientes mais confinados. O pesquisador ainda alerta que, se as comunidades não mudarem a forma de criação de ovinos e caprinos, o trabalho da Coopercuc, de preservação do umbuzeiro, corre um sério risco: “Do contrário, teremos de escolher se vamos querer comer carne de bode ou provar umbu”, adverte o professor.
Geleia brasileira no exterior
Em 2005, a Coopercuc iniciou as exportações de geleias para a França. Depois de atingir outros mercados, como Áustria e Itália, a cooperativa quer ampliar os negócios. “O objetivo é aumentar as exportações para a Europa. A Alemanha é um dos mercados que queremos atingir”, conta o presidente da Coopercuc, Adilson Ribeiro.
Criada em 2004, a Coopercuc tem sede na cidade de Uauá, na Bahia, e reúne 244 cooperados, a maioria mulheres, que produzem doces e geleias à base de frutas nativas do sertão. O envolvimento dos cooperados é um dos motivos apontados para o sucesso da iniciativa. Desde 2005, a cooperativa já exportou para a Europa mais de 15 contêineres. Cada um deles estava carregado com 20 toneladas de geleia de umbu orgânica.
Umbu como cartão de visitas
Na opinião de especialistas, o umbu encontra adesão em novos mercados porque tem um sabor exótico: é agridoce e difícil de se comparar com outra fruta. José Alves, da Univasp, sugere que o umbu também seja exportado in natura.
Segundo Alves, a região entre Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) é a maior produtora de frutas para exportação do Brasil. Mas não deve plantar frutas como uva, manga e melancia para exportação: “Sempre defendi que a solução é trabalhar com espécies nativas do semi-árido. O umbu é o principal cartão de visitas, tem a maior potencialidade para se fazer um trabalho de médio e longo prazo”, acredita Alves.
Mas a preservação do umbuzeiro precisa ser impulsionada imediatamente “para que se garanta essa atividade sustentável pelos próximos dez, 20 anos – como acontece com a castanha do Pará e o açaí na Amazônia”, afirma José Alves. Do contrário, a atividade tende a se tornar insustentável e a exportação para países europeus pode ser comprometida ao longo dos anos, avalia o especialista.
Um quarto das 154 línguas indígenas ainda vivas no Brasil está ameaçado de extinção, já que contam com menos de cem falantes, alerta um relatório realizado pelo Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG).
O mais grave é que é impossível determinar quantas línguas já se extinguiram desde a chegada dos colonizadores portugueses ao Brasil em 1.500, segundo o estudo do órgão estatal, ligado aoMinistério de Ciência e Tecnologia.
“O Brasil é um dos países com maior diversidade linguística da América, já que conta com 154 línguas ainda faladas, mas o número era muito maior e não sabemos quantas desapareceram sem que restassem registros”, disse à “Agência Efe” a linguista Ana Vilacy Galucio, pesquisadora do MPEG e que coordenou o estudo.
“E muitas das línguas ainda vivas estão ameaçadas de desaparecer, já que têm muito poucos falantes, em sua maioria idosos, e as novas gerações não estão interessadas em aprendê-las. A tendência em médio prazo é que essas línguas desapareçam”, acrescentou a antropóloga.
Segundo dados do Censo de 2010 divulgados este mês pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 37,4% dos 896.917 brasileiros que se declararam como índios falam a língua de sua etnia e somente 17,5% desconhecem o português.
O censo também revelou que 42,3% dos índios brasileiros já não vivem em suas reservas e que 36% se estabeleceram em cidades. Dos que não estão nas reservas, apenas 12,7% falam sua língua.
Ana esclareceu que o inventário do Museu Goeldi considera como ameaçadas as línguas que têm menos de cem falantes, mas que o número seria muito superior se fossem adotados os critérios internacionais, que definem como em perigo às que têm menos de mil praticantes.
De acordo com o relatório do Museu Goeldi, mais da metade das línguas indígenas do Brasil tem menos de mil falantes.
“A situação é crítica para a maioria. Algumas têm menos de dez pessoas que ainda falam sua língua”, segundo a especialista.
O censo de 2010 contabilizou 305 etnias indígenas no Brasil que falavam 274 línguas.
O governo reconhece que esses números superam os calculados pela Fundação Nacional do Índio (Funai), o que atribui a subdivisões que os próprios indígenas desconhecem.
O relatório do Museu Goeldi é ainda mais rigoroso e limita a 154 o número de línguas, em comparação às 180 com que a Funai trabalha.
O estudo cita como exemplo o caso dos gaviões, uma etnia no estado de Rondônia a qual eram atribuídas cinco línguas, mas que, após as análises linguísticas, se descobriu que pratica cinco dialetos derivados da mesma língua.
O relatório inclui até a língua dos xipaias, uma etnia assentada no estado do Pará e da qual só restam dois idosos que falam a língua nativa.
A linguista do Museu Goeldi alerta que a principal ameaça das línguas não é o reduzido número de pessoas que a falam, mas a falta de uso, já que os idosos que a conhecem, sem ter com quem praticá-la, começam a esquecer o vocabulário e a gramática.
O caso dos Xipaia é novamente exemplar já que a população é numerosa, mas as novas gerações foram alfabetizadas em português e os dois idosos que falam a língua não vivem perto.
Segundo o Museu Goeldi, com a morte das línguas também se perdem conhecimentos culturais, econômicos e até medicinais, que já não podem ser transmitidos pelos idosos por não terem como se comunicar com os mais jovens.
“Por isso é importante documentar e ter registros em áudio e vídeo dessas línguas”, diz Ana, que coordenou um projeto para registrar em gravações línguas ameaçadas e criar escolas bilíngues nas aldeias.
A antropóloga citou o caso dos puruborás, uma etnia também em Rondônia com 800 integrantes, dos quais apenas quatro falam sua língua, que foram beneficiados com um projeto de preservação da língua.
Além de registrar em gravações as conversas dos quatro anciãos, os antropólogos elaboraram um vocabulário básico e montaram uma escola da língua em uma aldeia dos puruborás.
Os rinocerontes estão oficialmente extintos do território de Moçambique, na África. Os últimos 15 animais que viviam no Parque Great Limpopo, que fica na fronteira com a África do Sul e o Zimbábue, foram encontrados mortos no mês passado – em 2002, a área de conservação ambiental tinha uma população de 300 rinocerontes.
Autoridades ambientais acusam os próprios guardas florestais da reserva de colaborar com os caçadores na busca pelos animais que eles deveriam proteger. Segundo os administradores do Great Limpopo, 30 guardas já estão sendo investigados por corrupção e poderão responder judicialmente pelo crime.
Os caçadores promovem a matança por conta dos valiosos chifres dos rinocerontes, que valem mais que ouro no mercado negro. É que o osso é usado na medicina de países asiáticos, como China e Vietnã, por ter grandes efeitos de cura.
A busca sangrenta pelos chifres já causou, segundo levantamento de organizações não-governamentais, a morte de 180 do total de 249 rinocerontes de uma reserva na África do Sul só neste ano.
O prefeito Roberto Cláudio (PSB) resolveu vetar parcialmente o Projeto de Lei Complementar que inclui a ponte estaiada sobre o Rio Cocó, na capital. A ponte é uma promessa do governador Cid Gomes, de modo a eliminar a emenda que prevê a construção de uma avenida paisagística nos entornos do Cocó.
Após uma semana de intensos protestos tanto na Câmara Municipal de Fortaleza e inclusive pressões de movimentos sociais, o prefeito cedeu a pressão e recuou o projeto com o veto. De acordo com a Procuradoria Geral do Município, já são muitas as pendências judiciais referentes àquela região, inclusive de delimitação do próprio Cocó.
Ainda de acordo com a Procuradoria, caso o prefeito não vetasse a construção da via, poderia ser causado um prejuízo ambiental muito maior à estrutura do Parque.
A aprovação da emenda, apresentada conjuntamente pelas comissões de Meio Ambiente e Legislação, foi questionada logo no dia seguinte à votação, que ocorreu na última terça-feira (23), pela própria base aliada do prefeito.
A base do Governo na Câmara municipal, pediu que a emenda fosse aprovada em nome do Governo, apesar de sua autoria não ser do Executivo Municipal, que fez questão de esclarecer que ela não integra o projeto original que altera as vias do Sistema Viário do Município.
Sem jeito!
A situação criou um clima de constrangimento entre os vereadores da base aliada, já que muitos se sentiram induzidos a votar a favor da emenda, enquanto outros disseram pensar que a autoria fosse do Executivo. A emenda garantia que seria criada uma via separando a Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie) das Dunas do Cocó.
A via paisagística seria construída no limite sul do Loteamento Jardim Fortaleza, entre a Avenida Sebastião de Abreu e prolongamento da Rua Almeida Prado.
Já a bancada do governo municipal na Câmara Municipal, se apressou em justificar que deixou claro a todos os vereadores que a emenda não era do prefeito, mas sim das comissões da Casa. Nos bastidores da Câmara Municipal, o sentimento de vereadores da base aliada era a favor de o prefeito vetar a emenda articulada.
O vereador Paulo Diógenes (PSD) chegou a defender, no plenário da Câmara, que o prefeito vetasse a emenda, enquanto os vereadores do PV, que fazem parte da base aliada, Adail Júnior e Joaquim Rocha, votaram contrários à emenda na votação da redação final do projeto.
A seca que é considerada uma das piores da história e acomete o Nordeste há dois anos já causou a morte de aproximadamente um milhão de bois na Bahia, conforme informações de matérias dos jornais Correio e A Tarde neste domingo.
Segundo a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), estimativa é a de que apenas o rebanho perdido nos últimos três anos causou um prejuízo da ordem de R$ 800 milhões aos produtores baianos.
Com a morte dos animais, a produção de leite foi afetada, com queda avaliada em 70% na região. Por conta da seca, a cesta básica de Salvador teve a segunda maior alta acumulada do país nos últimos 12 meses, de acordo com o Dieese.
E, infelizmente, a previsão é de que a estiagem continue pelo menos até novembro próximo, de acordo om o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Em combate aos prejuízos ao uso e consumo humano, o governo do Estado enfrenta o desafio de quadriplicar o ritmo de construção de cisternas e atingir a meta prevista no programa Água para Todos.
A média diária de construção de 46 por dia terá que saltar para 211 e chegar à marca de 58.144 equipamentos erguidos.
O “remedinho”, como é conhecido, é um homeopático feito à base do veneno de cobra que tem ajudado a amenizar os sintomas da dengue em 47 cidades goianas. Além disso, ele pode prevenir a doença. O composto foi distribuído pela Secretaria Estadual de Saúde nos municípios com maior incidência da doença.
De acordo com a enfermeira Neila da Costa, o remédio possui princípios ativos que combatem febre, dores no corpo e inflamação. “Não é vacina, é um medicamento que vai diminuir a gravidade e os sintomas da dengue”, ressalta.
Uma das cidades onde as pessoas já estão tomando esse remédio é Jataí, na região sudoeste de Goiás. Quase 1.400 casos de dengue foram notificados no município, desde janeiro.
O medicamento pode ser tomado por qualquer pessoa. No entanto, como o tratamento não faz parte do protocolo nacional, várias cidades não o acataram, como Goiânia.
A chefe da vigilância em saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, Flúvia Amorim, explica que não vai ser introduzido um novo tratamento na capital sem um estudo local.
“É preciso ter a certeza de que pra esse medicamento há um resultado bom. É preciso fazer avaliações para que ele seja utilizado. Cada município tem características próprias que devem ser consideradas”, argumenta Flúvia Amorim.
Mais de 40 milhões de pessoas no mundo se prostituem atualmente, segundo um estudo da fundação francesa Scelles, que luta contra a exploração sexual. A grande maioria (75%) são mulheres com idades entre 13 e 25 anos.
O relatório analisa o fenômeno em 24 países, entre eles França, Estados Unidos, Índia, China e México e diz que o número de pessoas que se prostituem pode chegar a 42 milhões no mundo. O estudo revela ainda que 90% delas estão ligadas a cafetões.
O documento também analisa a questão da exploração sexual por redes de tráfico de seres humanos. De acordo com o relatório, o maior número de vítimas está concentrado na Ásia, que representa 56% dos casos.
Exploração de crianças
A América Latina e os países ricos registram, respectivamente, 10% e 10,8% do tráfico de pessoas para atividades ligadas ao sexo, afirma o “Relatório Mundial sobre a Exploração Sexual – A prostituição no coração do crime organizado”, publicado em um livro.
E quase a metade das vítimas de redes de tráfico humano são crianças e jovens com menos de 18 anos.
“Essa é uma das características da prostituição nos dias de hoje: um grande número de crianças é explorada sexualmente”, diz o documento. Estima-se que 2 milhões de crianças se prostituam no mundo.
Tráfico de mulheres brasileiras
O juiz Yves Charpenel, presidente da Fundação Scelles, diz que não há dados suficientes para avaliar o aumento da prostituição no mundo.
“O elemento marcante, na Europa, é a multiplicação de prostitutas vindas de países diversos, normalmente controladas por quadrilhas que as fazem circular por todo o continente”, afirma.
O estudo da fundação francesa afirma, com base em dados da agência da ONU contra as drogas e o crime, que o tráfico de mulheres brasileiras na Europa estaria aumentando. O documento não revela, no entanto, números em relação a esse crescimento.
“Essas vítimas são originárias de comunidades pobres do norte do Brasil, como Amazonas, Pará, Roraima e Amapá.”
“Se a maioria das prostitutas na Europa são de países do leste europeu e de ex-repúblicas soviéticas, a predominância desses grupos parece estar diminuindo no continente”, diz o relatório, acrescentando que paralelamente a isso o número de brasileiras estaria aumentando.
Em dezembro passado, a polícia espanhola desmantelou uma quadrilha internacional de prostituição que mantinha dezenas de menores brasileiras sob cárcere privado.
Eventos esportivos e prostituição
O estudo também afirma que grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo de futebol e os Jogos Olímpicos, contribuem para agravar o fenômeno da prostituição.
“Futebol e Olimpíadas são identificados como os cenários mais comuns da exploração sexual”, afirma o relatório.
Segundo o texto, essas grandes competições internacionais permitem que as redes criminosas “aumentem a oferta” de prostitutas.
Na África do Sul, por exemplo, 1 bilhão de camisinhas foram encomendadas pelas autoridades para enfrentar eventuais riscos sanitários durante a Copa do Mundo em 2010.
O número de prostitutas no país, estimado em 100 mil, aumentou em 40 mil pessoas durante o evento.
Internet
Segundo a Fundação Scelles, a internet também contribui para ampliar a prostituição no mundo.
“As redes de cafetões agora recrutam pessoas em redes sociais como Facebook e Twitter”, diz o estudo, citando um caso na Indonésia em que as autoridades prenderam suspeitos de aliciar jovens estudantes no Facebook e no Yahoo Messenger.
Nos Estados Unidos, a maioria das menores prostitutas são recrutadas por cafetões no site Craiglist, de anúncios, diz o estudo.
“Os cafetões fazem falsas propostas de trabalho como manequim e utilizam as vítimas para recrutar outras jovens.”
Mesmo com a súplica do sertanejo por chuva, a estiagem na região do Semiárido não dá trégua. É a pior registrada nos últimos 50 anos. De acordo com o governo federal, 1.415 municípios sofrem com a, que afeta a vida de quase 22 milhões de brasileiros. A falta de chuva atinge mais de 90% dos municípios do Semiárido e ultrapassou a extensão das 1.135 cidades que o compõem. No Ceará, o Governo já decretou estado de emergência em 174 municípios.
A Secretaria Nacional de Defesa Civil já decretou situação de emergência e estado de calamidade pública em 1.046 municípios. Só no Ceará, o Governo já decretou estado de emergência em 174 municípios.
O agricultor José Alírio de Macedo, de 61 anos, morador da zona rural de Petrolina (PE) conta que até o momento choveu apenas 28 milímetros (mm) na região onde vive. O período chuvoso no município, que tem início em dezembro e pode se estender até maio, tem em média 530 mm. Apesar da estiagem atual, o agricultor cultiva feijão, milho e sorgo para alimentar seu pequeno rebanho.
“A situação já é feia. Se Deus não tiver compaixão, ninguém vai ficar com nada. E o período mais crítico ainda não começou, que é de agosto para a frente. Ano passado não plantei nada por causa da seca. Nunca vi dois anos diretos sem chuva, como já está acontecendo”.
Com os frequentes problemas causados pela seca, Macedo passou 14 anos trabalhando em São Paulo. Os seis filhos resistiram e ficaram na cidade, mas o agricultor e a mulher voltaram para o sertão. “O cidadão fica velho e quer estar perto das suas origens”.
Investimentos
A gravidade da situação levou o governo federal a investir R$ 32 bilhões nas chamadas obras estruturantes, que garantem o abastecimento de água de forma definitiva, como barragens, canais, adutoras e estações elevatórias. Além disso, anunciou no início deste mês mais R$ 9 bilhões em ações de enfrentamento à estiagem.
A previsão é que cada município atingido pela seca receba uma retroescavadeira, uma motoniveladora, dois caminhões (um caçamba e um pipa) e uma pá carregadeira. O governo também vai distribuir 340 mil toneladas de milho até o fim do mês de maio para serem vendidas aos produtores a preço subsidiado.
Para o coordenador-geral da organização não governamental Caatinga, Giovanne Xenofonte, a realidade do Semiárido é atenuada com os programas de transferência de renda do governo federal, como o Bolsa Família e o Garantia Safra.
“É tanto que, mesmo sendo a maior seca dos últimos 50 anos, a gente não está vendo o que tradicionalmente ocorria nas secas passadas: saques e invasões das famílias na região. Então, esse é o panorama. Se por um lado a gente tem um ambiente muito mais vulnerável, por outro a gente tem algumas ações governamentais que amenizam a situação”.
O coordenador cita a crise da economia local como uma das consequências da estiagem prolongada. Além da alta nos preços dos alimentos na região devido a queda na produção, os animais que sobrevivem à estiagem perderam seu valor de mercado e podem ser vendidos por até metade do preço.
“As famílias agricultoras estão descapitalizadas, elas perderam sua poupança [o rebanho]. Elas tiveram que vender [esses animais] por causa da seca e [cobraram] um preço bem abaixo do que normalmente é comercializado”.
Segundo Xenofonte, isso tudo tem um impacto forte no comércio, porque estamos numa região eminentemente agrícola. “E quando tem uma seca dessa, que afeta as famílias agricultoras, todo comércio sente. A gente nota uma paralisação, uma desaceleração na economia. O que tem mantido de fato são as rendas dos programas governamentais”, argumenta.
O engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Semiárido, Pedro Gama, destaca que a seca é um fenômeno recorrente e cíclico da região do Semiárido, mas que o país ainda não está suficientemente preparado para enfrentar. “A seca, como esse fenômeno de estiagem que é recorrente, é muito comum . A população sabe [disso], [faz parte do semiárido].
“Mas isso que estamos vivendo, essa estiagem prolongada, é uma crise climática e ocorre a cada 40, 50 anos. Houveram avanços, mas ainda é pouco. Precisa de muito investimento em pesquisas, políticas públicas para que estejamos preparados para enfrentar crise desse tipo”.
Gama também ressalta que as políticas de transferências de renda do governo federal amenizam os efeitos da seca, mas não impedem de desencadear outros três impactos: social, de produção e climático.
“O que ocorre com a seca é que ela sempre leva a uma crise de produção. Ou seja, não se produzem alimentos [suficientes] para a população e para os animais. A outra [crise] é o problema da segurança alimentar, que se chama abastecimento de água. Esgotam-se os mananciais e [isso] passa a ser um grande limitante, não só de produção, como para a população”.
Segundo Gama, há também a crise social, que aparecia fortemente nas secas anteriores e provocava os fenômenos migratórios. Ele lembrou que hoje não se vê isso, porque de alguma forma, os programas de subvenção social atuam como um amortecedor dos impactos sociais. “De certa forma, eles protegem essa população pobre dos impactos de uma seca desse tipo”.
Para o pesquisador o aumento do valor dos alimentos, com o agravamento da seca, gera uma segunda etapa na “crise climática” com a corrosão do apoio social das políticas de transferência. “Esse impacto todo pode ser atenuado pela área irrigada, não há crise próxima de uma fonte de água. Onde existe um dinamismo levado por essa cultura irrigada, muda totalmente no entorno”, diz.
Um estudo realizado com a população jovem de Fortaleza demonstrou que a cidade possuía 718.613 pessoas no grupo etário de 15 a 29 anos de idade. O total representa 29,3% da população fortalezense e 28,8% do total de jovens do estado. O levantamento foi realizado pelo Ipece, com base no Censo Demográfico realizado em 2010.
De acordo com o estudo, há uma predominância de pessoas na faixa etária de 20 a 25 anos. Além disso, a divisão por sexo (feminino e masculina) é bem igual, tendo poucas variações.
“No que diz respeito à identificação de cor ou raça, os que se declararam pardos correspondiam a 59%, seguidos pelos 35% que se declararam brancos e 4,4% se identificavam como negros. Os jovens fortalezenses que se reportaram a pesquisa como amarelos (asiáticos) e de origem indígena correspondiam a 1,5% e 0,1% da população considerada”, consta na pesquisa.
Divisão por bairros de Fortaleza
Dentre os bairros com maior população jovem estão: a Barra do Ceará, com 22.577 representantes; Mondubim (Sede), com 22.306; e Vila Velha, 17.836. No entanto, estes bairros correspondem exatamente aos mais populosos de Fortaleza, “o que justifica a grande concentração da população jovem”.
Dessa forma, foi realizada uma divisão percentual de jovens por bairros. Assim, os bairros com maior proporção foram: Benfica, com 33%; Edson Queiroz, também com 33%; e Curió, 32,7%. “Isso se justifica pela proximidade com universidades e faculdades e parece se confirmar pela maior concentração de jovens de 20 a 29 anos”.
Educação e nível escolar
Quanto à educação, a pesquisa indica que apenas 37,2% dos jovens de Fortaleza são estudantes, enquanto que 61% não estudavam, mas já haviam estudado e concluído algum nível escolar. Mesmo assim, ainda existe o percentual de 1,9% de jovens que nunca frequentou a escola e de 2,1% ter afirmado que não sabe ler e nem escrever.
Além disso, dos jovens que estudavam, 38,9% estava cursando o ensino médio, quase a metade (48,8%) com idade entre 15 e 19 anos. Outros 28,7% cursavam algum curso superior de graduação, destes 54,9% tinham de 20 a 24 anos. Ainda 18,2% cursava o ensino fundamental, em sua maioria (83,7%) jovens de 15 a 19 anos de idade.
A frequência das aulas também foi um item analisado. O grupo com idade entre 15 e 19 anos tem percentual de 69,7% com boa frequência; o que se justifica por se tratar de idades em que a vida escolar é bastante ativa. Já entre os grupos de idade superior, essa frequência tende a declinar naturalmente à medida que os jovens ingressam no mercado de trabalho. Entre os que possuem de 20 a 24 anos, 28,5% estudam e, entre os de 25 a 29 anos, 16,4% declararam estar frequentando algum nível de ensino.
Trabalho
Diferentemente do número absoluto de homens e mulheres em Fortaleza, a proporção de jovens ativos no mercado de trabalho é maior entre os do sexo masculino (67,2%) comparado com as do sexo feminino (56,2%). “Um conjunto de fatores está associado com essa diferença, dentre eles o fato de que mulheres tendem a dedicar mais tempo na vida escolar”, justifica o estudo.
No que diz respeito à taxa de desemprego, 13,8% dos jovens que vivem em Fortaleza estavam desempregados, segundo os dados censitários. A taxa é menor entre os que possuem de 25 a 29 anos (8,3%) e maior entre os que possuem de 15 a 19 anos (26,1%).
A média de renda dos que trabalham na capital cearense é de R$ 803,20. Na faixa etária de 15 a 19 anos, a média é de R$ 447,70; de 20 a 24 anos, é de R$ 694,80; e de 25 a 29, R$ 1006,20.
Estudo e trabalho
Do total, 24,6% de jovens se dedicam exclusivamente aos estudos e 12,6% declararam que estudam e trabalham. Entre o grupo de 15 a 19 anos, o percentual dos que se dedicam apenas aos estudos é de 57,1% e 12,7% estudam e trabalham.
O percentual de jovens que apenas trabalham é de 40,4%. Esse percentual era maior entre os que possuíam entre 25 e 29 anos de idade. Entre os que tinham entre 15 e 19 anos de idade esse percentual era de 17,6% e de 26% entre os que tinham de 20 a 24 anos.
No grupo etário considerado 22,4% declarou não estudar e nem trabalhar. “Com base nessa tabulação, chama a atenção que o maior percentual de jovens que não estudam e não trabalham foi observado no grupo entre 25 e 29 anos – 23,1%. Ainda mais intrigante é a análise da condição dos jovens entre estudo e atividade no mercado de trabalho. Nesse caso é considerada a decisão de estudar e a de estar no mercado de trabalho, o que inclui jovens que não estão ocupados, mas estão pelo menos buscando trabalho”.
Sobre família
Entre os jovens fortalezenses, 16,4% se declararam como responsáveis pelo domicílio entrevistado, sendo que 14,4% se declararam casados. Segundo o estudo, a proporção de jovens que são chefes de domicílios é maior entre os que possuem entre 25 e 29 anos de idade, 28,4%. A grande maioria dos jovens (49,1%) são filhos do responsável do domicílio. Entre os que possuem de 15 a 19 anos esse percentual é de 67,8%, e entre os de 25 a 29 essa proporção chega a ser de 32,5%.
“A Câmara Municipal de Fortaleza aprovou projeto de lei complementar que inclui a ponte estaiada sobre o Rio Cocó, promessa do governador Cid Gomes (PSB), à malha viária de Fortaleza. Foram 31 votos contra seis. Além da mensagem, enviada pelo prefeito da Capital, Roberto Cláudio (PSB), parlamentares aprovaram também, sob polêmica, emenda que prevê a construção de uma “via paisagística”, à margem da cerca que contorna o parque.
A via paisagística, segundo a emenda, será construída no limite sul do Loteamento Jardim Fortaleza, entre a Avenida Sebastião de Abreu e o prolongamento da Rua Almeida Prado. Foi apresentada por Comissão Conjunta de Desenvolvimento Urbano, Habitação e Meio Ambiente e Legislação, Justiça e Cidadania. A aprovação da emenda, por 23 votos contra 7 e uma abstenção, gerou descontentamento entre opositores.
Mesmo admitindo que não foi pedido do prefeito, o vice-líder do Governo, vereador Didi Mangueira (PDT), pediu aprovação da matéria em nome do Governo Municipal. “A emenda melhora o projeto do Governo, demarca definitivamente o parque”, defendeu Mangueira. Segundo ele, trata-se de via paisagística. “Não pode construir nela. Vai ficar bonita. Não fica dentro do parque”. Conforme o vereador Carlos Mesquita (PMDB), a emenda não tem nada a ver com o Parque do Cocó. “O Cocó é um tema muito apelativo, as pessoas apelam, mas só defendem o meio ambiente dos ricos e esquecem o dos pobres”, alfinetou.
O vereador João Alfredo (Psol) contesta, argumentando que o Parque do Cocó e a Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie) sofreram grave violação de suas áreas. “A aprovação dessa emenda dá a cidade de mão beijada para a especulação imobiliária”, lamentou. Ele garantiu que cobrará um posicionamento do prefeito, “alguém que defendeu a lei quando foi procurado”.
O diamante azul pesa 25,5 quilates, ou 5,1 gramas.[Imagem: PetraDiamonds]
Um raro diamante azul de 25,5 quilates, com valor estimado em até US$ 10 milhões (cerca de R$ 20 milhões), foi encontrado em uma mina na África do Sul.
“É muito incomum que um diamante dessa qualidade e desse tamanho chegue ao mercado”, disse Cathy Malins, porta-voz da empresa Petra Diamonds, que descobriu a pedra em sua mina de Cullinan.
A mina, a nordeste de Pretória, é famosa pelo número de diamantes azuis que se originam em seu interior.
Uma pedra semelhante, de 26,6 quilates, foi descoberta pela empresa em maio de 2009 e, após ser lapidada, foi vendida por pouco menos de R$ 20 milhões em um leilão na Sotheby’s, recebendo o nome de Estrela de Josephine pelo comprador.
Em 1905, o maior diamante já encontrado, o cullinan, de aproximadamente 3,1 mil quilates, foi encontrado na mesma mina. Ele foi divido em diamantes menores, sendo que o maior deles é o Grande Estrela da África – o segundo maior diamante do mundo.
Em formato de pera, o diamante de cerca de 530 quilates foi dado como presente ao rei britânico Edward 7º e se tornou parte das joias da coroa.
Brasília – O líder da banda irlandesa U2, Bono Vox, propôs uma soma de esforços entre o Instituto Lula e a organização não governamental ONE, criada pelo músico, para difundir e estimular a criação de programas contra a fome e a miséria. Bono se encontrou hoje (9) com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Londres. A pedido do roqueiro, Lula fez um resumo sobre a atuação dos programas de inclusão social lançados pelo seu governo.
O Programa Bolsa Família, segurança alimentar, fome na África e futebol estiveram entre os assuntos abordados por Lula e Bono. Para o músico, depois que o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela se retirou do cenário político, Lula se converteu naturalmente no grande interlocutor mundial dos pobres.
Ao falar sobre o combate à pobreza no mundo, Lula disse a Bono que o dinheiro gasto para salvar da crise financeira os bancos norte-americanos e europeus e a quantia despejada pelos Estados Unidos na guerra do Iraque, somados, atenderiam a todos os pobres do mundo por 150 anos.
O roqueiro disse a Lula que com o apoio de Bill Gates e do investidor George Soros, a ONE vem implantando na Tanzânia um projeto de produção de alimentos na Savana inspirado no trabalho da empresa brasileira Embrapa, em Gana.
Lua e Bono combinaram se reencontrar para trocar relatórios de suas atividades. Eles também prometeram estar juntos nas arquibancadas do estádio do Corinthians, na abertura da Copa do Mundo de 2014, em São Paulo.
Pesquisadores dizem que aquecimento global foi reduzido temporariamente pelos mares. Mas liberação do calor absorvido pode acirrar mudanças no clima.
Os efeitos da mudança climática podem se intensificar rapidamente se grandes quantidades de calor absorvidas pelos oceanos forem liberadas de volta para a atmosfera, afirmaram cientistas, depois de apresentarem uma nova pesquisa, apontando que os oceanos têm ajudado a mitigar os efeitos do aquecimento global desde o ano 2000.
Gases de efeito estufa vêm sendo emitidos para a atmosfera em ritmo cada vez mais rápido. E os dez anos mais quentes desde que os registros de temperatura começaram a ser realizados ocorreram todos de 1998 em diante. Mas a taxa na qual a superfície da Terra está se aquecendo diminuiu um pouco desde o ano 2000, levando os cientistas a procurarem uma explicação para o fenômeno.
Especialistas de França e Espanha afirmaram no domingo (07/04) que os oceanos absorveram mais calor da atmosfera em torno do ano 2000. Isso ajudaria explicar a desaceleração do aquecimento global, ao mesmo tempo que sugere que a pausa pode ser apenas temporária.
“A maior parte desse excesso de energia foi absorvida na camada submarina que vai até os 700 metros de profundidade na fase inicial desta pausa de aquecimento, 65% tendo sido absorvidos nas regiões tropicais dos oceanos Pacífico e Atlântico”, escreveram os pesquisadores na revista Nature Climate Change.
A chefe da equipe de pesquisa, Virginie Guemas, do Instituto Catalão de Ciências de Clima, disse que o calor absorvido pode voltar à atmosfera na próxima década, acelerando novamente o aquecimento do planeta. “Se depender apenas das variações naturais, a taxa de aquecimento logo poderá aumentar”, alertou.
Caroline Katsman, do Instituto Real de Meteorologia da Holanda, especialista que não esteve envolvida no estudo, afirmou que o calor absorvido pelo oceano vai voltar para a atmosfera como parte dos ciclos dos oceanos, como os fenômenos de aquecimento e de resfriamento do Pacífico, respectivamente chamados de “El Niño” e “La Niña”.
Implicações econômicas
Ela ressalta que o estudo confirmou pesquisas anteriores realizadas por seu instituto, mas que é improvável que seja a única explicação para a pausa do aquecimento, já que só se aplica ao período inicial da desaceleração, em torno do ano 2000.
O ritmo da mudança climática tem grandes implicações econômicas, já que quase 200 Estados concordaram em 2010 em limitar o aquecendo global para menos de 2 graus celsius acima dos níveis pré-industriais, principalmente através de medidas para limitar a queima de combustíveis fósseis. As temperaturas já subiram 0,8 grau. Dois graus já são amplamente reconhecidos como um limite que poderá causar mudanças perigosas,como mais secas, deslizamentos de terra, inundações e elevação dos mares.
Alguns governos e os céticos do clima argumentam que a desaceleração da tendência de aquecimento é uma prova de que há menos urgência em agir. Os governos concordaram em cooperar para fechar até o final de 2015 um acordo global para combater as mudanças climáticas.
O ano passado foi o nono mais quente desde que os registros começaram, em 1850, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial da ONU, e 2010 foi o mais quente, à frente de 1998. Fora 1998, os dez anos mais quentes ocorreram todos a partir de 2000.
O estudo, baseado em observações e modelos de computador, demonstrou que os eventos climáticos naturais do fenômeno “La Niña” no Pacífico por volta do ano 2000 levaram águas frias à superfície que absorveram mais o calor do ar. Num outro conjunto de variações naturais, o Atlântico também absorveu mais calor.
Turbulências
Outra pesquisa, realizada por cientistas britânicos, indica que as alterações do clima poderão provocar um aumento de turbulências em viagens transatlânticas. Segundo escrevem Paul Williams (University of Reading) e Manoj Joshi (University of East Anglia), na edição online da revista Nature Climate Change, a partir de meados deste século pode aumentar a ocorrência das chamadas “turbulências de ar claro”, ou seja, aquelas que ocorrem em um céu sem nuvens. Ao contrário das ocorridas perto de zonas atingidas por tempestades, tais turbulências são muito difíceis de serem previstas. Elas são causadas por correntes opostas de vento, através das quais até aviões de grande porte podem ser puxados abruptamente para cima ou para baixo.
Em sua análise, os pesquisadores se limitaram à zona de voo sobre a metade norte do Atlântico Norte nos meses de inverno de dezembro a fevereiro. Usando simulações de modelos climáticos, eles calcularam que a ocorrência de turbulências na região poderá aumentar de 40% a 170% nos próximos 40 anos. Além de poderem se tornar de 10% a 40% mais fortes. Como consequência, empresas aéreas podem ser obrigadas a planejar novas rotas para seus voos, aumentando o consumo de combustíveis e a duração das viagens.
Rio de Janeiro – O Ceará é bastante afetado pela erosão. A própria existência das famosas falésias do litoral leste cearense já é um indicativo desse fenômeno. Segundo o geólogo Luís Parente Maia, diretor do Instituto de Ciências do Mar da Universidade Federal do Ceará (UFC), que estuda o assunto, em alguns lugares do Ceará, a erosão causada pelo mar avança 10 metros por ano.
Em Caucaia, município onde foi decretada situação de emergência no último dia 3, o avanço varia de 8 a 10 metros. Em Caponga, no município de Cascavel, a leste de Fortaleza, a taxa anual de erosão chega a 13 metros. Já em Icapuí, na divisa com o Rio Grande do Norte, o avanço do mar ameaça a existência de uma comunidade inteira de pescadores.
“Em Icapuí, tem uma comunidade pesqueira que [vive] embaixo das falésias. Embaixo do morro, uma taxa de erosão de um metro significa que neste ano eu perco o guarda-corpo da pista, depois de dois anos perdi toda a pista, no quarto ano já perdi o colégio e a minha casa”, disse o pesquisador.
Maia explica que a erosão severa pode ser, em parte, explicada por intervenções humanas, como o Porto do Mucuripe, em Fortaleza, e os açudes do interior do Ceará, que reduzem a vazão dos rios e a capacidade de transportar sedimentos que poderiam recompor as praias cearenses.
Além da intervenção humana, o problema no Ceará é ampliado por questões naturais, como a seca, que amplifica o poder dos ventos e, consequentemente das ondas, e até furacões do Atlântico Norte. Segundo ele, o Furacão Sandy, por exemplo, que destruiu cidades do Caribe e dos Estados Unidos, provocou grandes ondas (swells) no litoral do Ceará.
Ele acredita que as mudanças climáticas terão um efeito de longo prazo, que poderão piorar a situação das erosões. Uma mudança sentida,, segundo Maia, é o aumento da frequência das tempestades que atingem a costa cearense. “No passado, demorava de seis a oito anos para ter um temporal grande [como o Sandy, que provoca swells no Ceará]. Agora, a cada seis meses, temos um temporal”, disse.
A Coreia do Sul viveu tranquilamente o fim-de-semana, mas aguarda com expectativa a data de aniversário de Kim Il-sung, fundador da Coreia do Norte, a 15 de Abril LEE JAE-WON/REUTERS
As recentes ameaças de guerra da Coreia do Norte e a crescente retórica belicista do seu líde,r Kim Jong-un, levaram os Estados Unidos a adiar a realização de um teste de míssil balístico agendado para esta semana numa base da Califórnia. Da China, chegaram avisos ao regime de Pyongyang de que Pequim não tolerará gestos que comprometam a paz na região e no mundo.
O teste de míssil balístico dos EUA previsto para os próximos dias não estava em nada relacionado com a crescente hostilidade entre os dois países. Mas podia ser interpretado pelo regime de Pyongyang como uma provocação, explicou à Reuters um responsável da Defesa norte-americano não-identificado. Assim, Washington preferiu evitar “mal-entendidos” susceptíveis de agravarem a situação e deixou o teste do míssil intercontinental Minuteman III, previsto para ser realizado na base da Força Aérea de Vandenberg, na Califórnia, para uma data futura.
“Esta é a acção lógica, prudente e responsável a tomar”, disse a mesma fonte, deixando, no entanto, claro que os Estados Unidos continuam prontos para responder a qualquer ameaça de Pyongyang.
Embora a televisão norte-coreana não tenha dado sinais de qualquer tensão no Norte este domingo, escreve a Reuters, a agência de notícias chinesa Xinhua lembrou as palavras do ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Norte deste fim-de-semana. O representante do regime norte-coreano falava a propósito da recomendação que o seu regime fizera na sexta-feira para que as embaixadas retirassem o seu pessoal por não garantir a sua segurança quando afirmou que a questão não era se iria haver guerra, mas quando ela iria acontecer.
Até agora, nenhuma embaixada anunciou a decisão de retirar o seu pessoal. E na Coreia do Sul, o fim-de-semana foi sem preocupações, como nota a Reuters. Mas a aproximação da data do aniversário de Kim Il-sung, fundador da Coreia do Norte e avô do actual líder, 15 de Abril, sempre celebrada com fervor nacionalista e demonstrações do poderio militar do país, está a criar este ano particular expectativa.
Subida de tom na China A China, principal aliado da Coreia do Norte, lançou este domingo vários avisos. O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que nenhum país “devia ser autorizado a arrastar uma região e porventura todo o mundo para o caos para obter ganhos egoístas”. E acrescentou: “A estabilidade na Ásia enfrenta agora novos desafios, numa altura em que questões delicadas continuam a emergir e ameaças à segurança, tradicionais e não-tradicionais, existem.”
Também o ministro dos Negócios Estrangeiros manifestou “séria inquietação” perante “a crescente tensão na península coreana”. E disse, citado numa declaração do seu ministério, que Pequim “não iria tolerar que problemas fossem criados” na região e “às portas da China”. O governante fez saber que a embaixada chinesa continuava a funcionar normalmente em Pyongyang e pediu às autoridades que garantissem a segurança dos seus diplomatas e cidadãos.
Uma erosão da tradicional aliança entre Pequim e Pyongyang, que a China apoia financeira e diplomaticamente, está a ser cada vez mais falada entre analistas. A posição belicista da Coreia do Norte dá uma oportunidade aos Estados Unidos para estabelecer pontes com a China, escreveu a AP.
A KCNA, agência estatal norte-coreana, informou que o governo de Pyongyang autorizou ataques militares contra os Estados Unidos, permitindo inclusive o uso de armas nucleares.
O anúncio norte-coreano ocorre no mesmo dia em que Washington indicou que reforçaria suas defesas antimísseis no Oceano Pacífico, preparando interceptadores terrestres na base de Guam (pequena ilha de possessão norte-americana próxima à China), como medida de “precaução” perante as ameaças da Coreia do Norte, informou nesta quarta-feira o Departamento de Defesa.
“Nós formalmente informamos a Casa Branca e o Pentágono que a política de hostilidade em escala contínua contra a República Popular da Coreia e seus imprudentes testes nucleares serão massacrados pela força de vontade de nosso povo (…) e por meios de atques nucleares de ponta, menores, mais leves e diversificados. A operação implacável das Forças Armadas Revolucionárias nesse sentido foi finalmente examinada e ratificada”, disse um porta-voz das Forças Armadas norte-coreanas.
“O momento da explosão está se aproximando rapidamente”, disse um comunicado das Forças Armadas norte-coreanas, afirmando que “a guerra entre os dois países [que incluiria naturalmente a Coreia do Sul] poderá ocorrer entre hoje e amanhã”, disse um miitar norte-coreano à KCNA citado pela agência France Presse.
O reforço militar norte-americano na região, por sua vez, será feito por meio do sistema antimísseis THAAD (Defesa Aérea Terminal de Alta Altitude), até o momento o único desenvolvido para destruir mísseis de alcances curto e intermediário tanto dentro como fora da atmosfera terrestre.
O movimento é “uma medida de precaução para fortalecer a posição de defesa contra a ameaça regional de mísseis balísticos da Coreia do Norte”, disse o Pentágono. “Este desdobramento fortalecerá as capacidades para defender os cidadãos americanos no território de Guam e as forças americanas que estiverem por lá”, acrescentou.
Antes mesmo do anúncio norte-coreano, o secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, afirmou nesta quarta que as ameaças da Coreia do Norte representam um perigo “real e claro” para os interesses dos Estados Unidos e aliados como a Coreia do Sul e o Japão.
Em 26 de março, a Coreia do Norte anunciou que tinha colocado seus mísseis e unidades de artilharia “em posição de combate” em direção a Coreia do Sul, assim como contra o território continental dos EUA e as bases militares do país americano do Pacífico.
O regime de Kim Jong-un tem aumentado suas ameaças contra a Coreia do Sul e os EUA desde que a ONU impôs em 7 de março novas sanções por seu último teste nuclear de fevereiro.
Em resposta às recentes ameaças da Coreia do Norte, os Estados Unidos enviaram os destróieres “Decatur” e “John McCain” ao Pacífico ocidental.
No mês passado, o Pentágono anunciou um plano para reforçar os sistemas de defesa antimísseis do litoral oeste dos EUA e estar preparados perante um eventual ataque com mísseis.
Durante 50 anos, prédio foi escola de Fortaleza (Foto: Agência Diário)
O bangalô da Rua Padre Valdevino, em Fortaleza, que estava em processo para se tornar patrimônio histórico, foi demolido na tarde desta sexta-feira (5). Durante 50 anos funcionou no local o colégio Nossa Senhora da Assunção, que encerrou as atividades em 2007.
O local foi comprado e deve virar uma propriedade particular. A demolição foi possível por meio de liminar. A coordenação de Patrimônio Histórico e Cultural, da Secretaria de Cultura de Fortaleza, tentou evitar a demolição na Justiça.
A solicitação de tombamento foi feita pelo vereador João Alfredo (PSOL), por meio de ofício enviado à Secultfor. Segundo os atuais proprietários do prédio, o local apresenta rachaduras, tem sinais de degradação e a demolição foi “necessária” para evitar acidente.
Projetado para ser o luxuoso sem deixar de ser sustentável, o edifício Agora Garden começou a ser construído neste mês na cidade de cidade de Taipé, ao norte de Taiwan, na Ásia. Assinado pelo escritório belga Vincent Callebaut Architectures, vencedor do concurso em 2010, o prédio terá 100 metros de altura e uma estrutura que faz giro de 90 graus a partir do solo.
Inspirada no eixo do DNA e na posição das mãos da escultura “A Catedral”, do francês Auguste Rodin, a construção de 42.335 metros quadrados permitirá com que se tenha uma ideia diferente sobre sua forma dependendo do ponto de vista. Os lados leste e oeste se assemelham a uma pirâmide romboidal, enquanto quem olha para os pontos norte ou sul tem a impressão de estar diante de uma pirâmide invertida.
A empresa traduz assim as linhas do Agora Garden: “Nem uma única torre, nem torres gêmeas, o projeto avança para o céu com duas torres helicoidais que se unem em tordo de um núcleo central. Ele traz uma multiplicação de pontos de vista para a paisagem urbana e uma hiperabudância de jardins suspensos”.
A vegetação incorporada à fachada vai oferecer aos moradores pomares, hortas orgânicas, jardins aromáticos e plantas medicinais. As varandas possuem tanques para água da chuva, ninhos para aves e instalações de compostagem para a conversão de resíduos residenciais em adubo.
Previsto para ser inaugurado em 2016, o Agora Garden terá apartamentos de 540 m², mas seus preços ainda não foram divulgados.
Conheça quais são as cidades com maior população no Brasil, EUA e no mundo. São Paulo, Rio de Janeiro, Nova Iorque, Los Angeles, Lima, Moscou, Londres e outras cidades.
O termo maiores cidades merece algumas explicações para que fique claro ao leitor. Uma cidade pode ser comparada com outras usando vários métodos, como exemplo a área do município, a área da cidade em si, a população, entre outros. Há casos em que fatores mais subjetivos são aplicados para formar um ranking, um bom exemplo são as chamadas cidades globais, onde sua importância é medida usando outros fatores. Poderíamos ainda definir as maiores cidades turísticas, de importância econômica, política, religiosa, entre outros.
Neste artigo usaremos o fator população para estabelecer um ranking das maiores cidades do Brasil, dos Estados Unidos e por fim a lista das maiores cidades do mundo.
Há casos em que é necessário mudar o termo maiores para mais importantes, isto se explica já que muitas cidades exercem uma importância fundamental para um determinado segmento. Abaixo algumas cidades de grande relevância mundial e a sua importância:
Saber a data da Páscoa parece simples, mas não é. Ela é calculada a partir de uma complexa fórmula inventada pela Igreja Católica em cima de um calendário baseado nas fases da Lua, com meses de 28 dias. A convenção foi estabelecida no concílio de Nicéia, em 325 d.C.. Na oportunidade, o papa Gregório XIII estabeleceu que a Páscoa fosse celebrada sempre no primeiro domingo depois da lua cheia que ocorre no dia 21 de março ou logo depois dele.
No entanto, esta data não é definida pelo movimento do satélite da Terra, mas pelas Tabelas Eclesiásticas – projeções da posição do astro desenvolvida pela Igreja.
Uma coisa, contudo, é certa: o feriado que marca a ressurreição de Jesus Cristo ocorre sempre entre 22 de março e 25 de abril.
Depois de conhecida a data da Páscoa, fica fácil saber quando será o Carnaval. É só voltar 47 dias no calendário e pronto.
Inaugurada em 14 de agosto de 1938 e dedicada à Nossa Senhora das Vitórias. A igreja foi batizada pelo bispo de Sobral Dom José Tupinambá da frota. Foi construída pelo Monsenhor José carneiro da Cunha, graças à ajuda e cooperação do povo viçosense.
Em 1939 foi construído o Cristo Redentor, esculpido pelo italiano Agostinho Ódisio Baomés. O local de acesso a Igreja se faz por duas vias, ou seja, pelos degraus, que somam 334 ao todo, ao redor das margens das 15 estações da via sacra, representando o martírio de Jesus Cristo e também acessível pela estrada asfaltada às margens do cemitério municipal.
Viçosa reúne história e natureza em um único cenário, com várias opções para o turismo cultural e de aventura: cachoeiras, grutas, montanhas e até uma rampa natural que permite a pratica de vôo livre; uma caminhada pelas ruas da pequena cidade com seus casarões e igrejas tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Berço de figuras ilustres da história nacional como Clóvis Beviláqua, cognominado o Santo do Direito Brasileiro; General Tibúrcio, herói da Pátria na Guerra do Paraguai, e Felipe Camarão, o índio valente que se cobriu de glórias nas lutas pela estruturação política do Brasil, entre outros, Viçosa do Ceará possui umas das mais ricas trajetórias do Estado.
São Paulo — Uma observação dos números de acesso à internet por país revela que só 35% da população mundial – 2,45 bilhões de pessoas – estão conectados. Os demais 4,55 bilhões de humanos ainda vivem no século passado no que se refere à tecnologia (veja as tabelas no final do texto).
Os dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT, números referentes a 2011, os mais recentes disponíveis) também evidenciam a desigualdade entre os países. A Índia, por exemplo, é a terceira colocada em quantidade de internautas. 120 milhões de indianos têm acesso à rede, seja por meio de conexões cabeadas ou de serviços móveis. Mas eles são só 10% da população do país.
A Islândia está na situação oposta. Com 95% da população conectada, é o estado soberano onde o acesso à internet está mais difundido. Mas, como o país é pouco povoado, esse contingente soma menos de 300 mil pessoas, pouco mais de 1 milionésimo dos internautas no mundo. Como a Islândia, muitos dos países com alto índice de conexão são pouco povoados.
O Brasil fica na zona intermediária. Aqui, a estimativa da UIT é que 45% da população tenha acesso à internet, o que equivale a quase 90 milhões de pessoas. É o quinto país com mais internautas.
Confira, na tabela abaixo, os dez países com maior número de pessoas com acesso à rede.
País
Milhares de Internautas
Parcela da população com acesso
Parcela dos internautas no mundo
1
China
511.963
38%
20,90%
2
Estados Unidos
242.615
78%
9,90%
3
Índia
119.750
10%
4,89%
4
Japão
101.377
80%
4,14%
5
Brasil
88.918
45%
3,63%
6
Rússia
69.838
49%
2,85%
7
Alemanha
67.622
83%
2,76%
8
França
51.963
80%
2,12%
9
Reino Unido
51.413
82%
2,10%
10
Nigéria
47.143
28%
1,92%
E, aqui, os dez países com maior porcentagem da população com acesso à internet.
Seis estados do Nordeste brasileiro ainda sofrem com a seca, que afeta 10 milhões de pessoas. Na Bahia, em Alagoas, Sergipe, Pernambuco, na Paraíba e no Rio Grande do Norte chove apenas em pontos isolados, o que não resolve a situação, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A baixa temperatura dos oceanos Pacífico e Atlântico é a causa da falta de chuva na região.
No Recife, mesmo com a chuva na noite de domingo (3) o racionamento nas áreas planas começou na sexta-feira (1°) e 82 bairros da região metropolitana são afetados. De acordo com a Secretaria de Recursos Hídricos e Energéticos de Pernambuco, a medida foi adotada porque uma das barragens opera com apenas 19% da capacidade.
O sistema prevê que as áreas planas do Recife terão 20 horas com água e 28 horas sem. Nas áreas de morro, o racionamento já era a medida utilizada como prevenção. O rodízio foi adotado levando em consideração a situação dos principais reservatórios de água que abastecem a região, já que no mês de fevereiro choveu apenas 30% do esperado.
O índice de chuva abaixo da média nesses estados é 75%. O restante corresponde à quantidade igual ou acima da média. De acordo com o Inmet, não há previsão de chuva para os próximos cinco dias em Alagoas, Sergipe e na Bahia, que estão com o maior número de municípios ainda em situação de emergência.
No sul dos estados do Maranhão e do Piauí a chuva tem sido constante desde outubro. No Maranhão choveu 190 milímetros (mm) dos 230 mm esperados para todo o mês de fevereiro.
Em Teresina, choveu mais que o esperado, 200 mm. Para o Inmet, esses dados indicam que “a situação nesses estados está se normalizando”. No litoral entre Natal e o Recife também chove, mas ainda é muito pouco para abastecer a população.
Pesquisadores da Academia de Ciências da Rússia estimam que o meteorito que atingiu a região russa de Montes Urais nesta sexta-feira pesava cerca de 10 toneladas e entrou na atmosfera da Terra a uma velocidade de pelo menos 54 mil quilômetros por hora. O objeto celeste deve ter se fragmentado a cerca de 30 quilômetros acima do solo. As informações são do site do periódico britânico The Guardian.
Para se ter uma ideia de comparação, o asteroide que deve cruzar “raspando” pela Terra na tarde de hoje tem massa de 130 mil toneladas e cerca de 45 metros de diâmetro.
Pelo menos mil pessoas se feriram após a queda do meteorito, a maioria por estilhaços de vidro. O susto foi provocado após o choque do objeto com a atmosfera, o que provocou uma grande pressão, com deslocamento de ar.
As autoridades de Chelyabinsk, uma cidade de mais de 1 milhão de habitantes ao sul dos Montes Urais, afirmaram que os níveis de radiação na região, que abriga várias centrais nucleares, eram normais e que evacuações não estavam sendo cogitadas. No entanto, escolas e universidades foram fechadas, assim como estabelecimentos comerciais. ”Eu não conseguia entender o que estava acontecendo”, disse Galina Zaglumyonova, que vive em Chelyabinsk. “Houve uma grande explosão e depois uma série de pequenas explosões. Nosso primeiro impressão foi de que era a queda de um avião”, afirmou ao ressaltar que os alarmes dos carros não paravam de tocar após os estrondos do meteorito.
Queda do meteorito
Explosões no céu da região dos Montes Urais, na Rússia, geradas pela queda de um meteorito, causaram pânico e danos em ao menos seis cidades e deixaram mais de 500 pessoas feridas. Testemunhas disseram que casas estremeceram, janelas explodiram, a energia elétrica caiu em alguns locais e celulares pararam de funcionar.
O objeto caiu a 80 quilômetros da cidade de Satki, no distrito de mesmo nome. O fenômento atmosférico gerou consequências nos municípios de Chelyabinsk, Yekaterinburg e Tyumen, entre outros. A Agência Espacial Europeia (ESA na sigla em inglês) confirmou que o evento não tem relação com o asteroide 2012 DA14, que deve passar próximo à Terra nesta sexta-feira.
Rio de Janeiro, RJ – O asteroide 2012 DA14 passou por volta das 17h25 (hora de Brasília) a uma distância de 27 mil km da Terra, de acordo com cientistas da agência espacial americana (Nasa).
Eles acompanharam em tempo real o fenômeno e transmitiram via internet imagens obtidas pelo observatório Gingin, localizado na Austrália.
Uma contagem regressiva acompanhava a transmissão. Segundos após a passagem do asteroide, de acordo com a previsão dos cientistas, um dos apresentadores brincou que “o mundo continuava como estava”.
A passagem do asteroide de 45 metros de diâmetro chamou a atenção pois nunca antes o ser humano identificou a passagem de um objeto tão grande tão próximo da Terra. A distância de 27 mil km é considerada menor do que a de alguns satélites de comunicação. Os chamados satélites geoestacionários ficam a uma altura aproximada de 36 mil km.
Diariamente caem na Terra toneladas de meteoritos. Em geral, são corpos pequenos que cabem na palma da mão. Um deles foi encontrado no deserto do Saara. Outro menor ainda veio da Lua. Um enorme é o Bendegó. Foi encontrado na Bahia em 1884, e é o maior meteorito já encontrado no Brasil. Pesa mais de cinco mil quilos.
Tudo o que existe na Terra em termos de elementos químicos existe também no Universo. Da mesma forma, tudo que existe no Universo existe na Terra. Um dos meteoritos veio do espaço e caiu na Terra, mais precisamente em Minas Gerais, onde foi encontrado em 1921. É feito de ferro, pesado, pesa mais de 22 kg e certamente chegou na Terra a uma velocidade media de 100 mil quilômetros por hora.
Esse meteorito, como quase todos os outros meteoritos, deve ter a idade da formação do sistema solar: mais de 4 bilhões de anos. Os meteoritos são comuns na Terra, mas os asteroides, não. Os meteoritos são pequenos, e os asteroides são grandes. O asteroide que passou nesta sexta-feira (15) perto de nós tinha o tamanho de um campo de futebol.
“Em termos astronômicos, raspou na Terra. Agora, em termos de risco para nós, passou muito longe. Um impacto de um astro em uma velocidade dessa, mesmo que tivesse a consistência de um pudim, poderia destruir uma cidade inteira”, afirma João Paulo Delicato, diretor dos planetários de São Paulo.
O cinema já viajou na ideia de uma turma de heróis sair da Terra para enfrentar a ameaça de um asteroide que caminhava na nossa direção. Por incrível que pareça, isso, um dia, pode acontecer.
Foi um “meteoro” ou “meteorito” o que caiu na Rússia nesta sexta-feira, provocando centenas de feridos? Ambos, explica Rui Jorge Agostinho, director do Observatório Astronómico de Lisboa.
Na terminologia científica, há três nomes para um corpo celeste como aquele. Quando ainda está a navegar no espaço, diz-se “meteoróide”. No momento em que atinge a atmosfera terrestre, passa a “meteoro” – que é o nome que se dá não à partícula em si, mas ao rasto luminoso que deixa no céu, devido à combustão causada pelo atrito com o ar.
Muitos meteoros não passam disso, com o corpo que veio do espaço a desintegrar-se na atmosfera. Mas se alguns resíduos chegam ao chão e são encontrados, então a estes chamam-se “meteoritos”.
“Obviamente que neste caso há meteoritos”, afirma Rui Agostinho, com base nas imagens até agora divulgadas do episódio na Rússia.
A esmagadora maioria dos meteoritos que chegam à Terra provêm da cintura de asteróides que existe entre Marte e Júpiter. Quando os asteróides chocam entre si, explica Rui Agostinho, muitas vezes ejectam material desta cintura para o interior do sistema solar. Algumas destas partículas podem chegar à Terra, como ocorreu na Rússia.
Partículas como estas viajam a velocidades hipersónicas. Segundo as autoridades russas, o meteoro desta sexta-feira terá entrado na atmosfera a 30 quilómetros por segundo, quase 90 vezes a velocidade do som. Sob o atrito do ar, o meteoro trava até atingir a barreira do som. “Neste momento dá-se uma explosão sónica”, afirma Rui Agostinho.
Foi a onda sonora desta explosão que causou a maior parte dos danos na Rússia, sobretudo vidros partidos.
O episódio ocorrido na Rússia não é raro. “Objectos com aquele tamanho até são relativamente frequentes. Mas nem todos chegam até ao chão”, afirma Rui Agostinho. Situações semelhantes podem ocorrer em qualquer parte do mundo, com consequências distintas caso se dêem sobre o mar ou regiões despovoadas, ou em áreas urbanas.
O astrónomo Nuno Peixinho, do Centro de Geofísica da Universidade de Coimbra, relembra que o meteoro que caiu no Sudão em 2008, há quase cinco anos, teria um tamanho entre os dois e os cinco metros.
O objecto foi descoberto 20 horas antes da sua queda na Terra, que se deu a 7 de Outubro de 2008, e foi seguido por astrónomos por todo o mundo por ter sido o primeiro meteoro identificado antes de bater na Terra.
“O meteoro que caiu agora na Rússia foi uma surpresa. Aquele que caiu no Sudão foi identificado com horas de antecedência”, disse Nuno Peixinho ao PÚBLICO. “Com antecedência de 20 horas não daria para evacuar uma cidade grande, mas permitia tomar algumas medidas.”
O investigador explica que o comportamento de um meteoro à medida que se desfaz na atmosfera é, para já, imprevisível. O objecto pode desfazer-se em cem pedaços ou em três bólides maiores e essa diferença pode definir as consequências da queda no que toca aos estragos. “Para se prever melhor, tem de se estudar bem estes fenómenos”, defende o astrónomo.
Mas não são eventos tipicamente previsíveis, como as chuvas de estrelas cadentes, que estão associadas à passagem de cometas.
O caso da Rússia não estará associado à aproximação do asteróide DA14, com 45 metros de diâmetro e que poderá ser visto com binóculos ou telescópios nesta sexta-feira, quando passar a 35.000 quilómetros da Terra. “Não há ligação com isso. A órbita do DA14 é muito estável”, diz Rui Agostinho, que dará uma palestra nesta sexta-feira sobre os asteróides, às 21h, no Observatório Astronómico de Lisboa. A palestra poderá ser seguida em directo na Internet e o Observatório terá as portas abertas, embora as condições do tempo possam prejudicar a visualização do DA14.
Nuno Peixinho também é da mesma opinião: “Muito provavelmente deverá ser uma coincidência. Há muita coisa a passar muito perto da Terra.” Segundo as estatísticas, um objecto de dez metros de diâmetro cai de dez em dez anos. “Estes casos servem de alerta, é de facto necessário que se investigue estes objectos para tentar prevenir este tipo de acidentes.”
Vários meteoritos caíram na manhã desta sexta-feira na região russa dos Urais, acompanhados por clarões incandescentes e violentas explosões, derrubando paredes e janelas, provocando pânico e ferindo quase mil pessoas, segundo o governador da região de Cheliabinsk, Mikhail Yurevich, citado pela agência pública Ria Novosti. “O número de feridos é de 950″, declarou o governador. O balanço anterior era de mais de 500 feridos na região, muitos deles por estilhaços devido à quebra das janelas.
O trânsito pela manhã foi detido subitamente na cidade de Cheliabinsk, nos Urais, enquanto o meteorito queimava parcialmente em sua queda ao ingressar na camada inferior da atmosfera sobre a cidade, iluminando o céu, segundo imagens exibidas pela televisão. Não está claro se este meteorito está vinculado ao asteróide 2012 DA 14, que deve passar a 27.000 km da Terra ainda nesta sexta-feira, em um trajeto próximo ao planeta. Clique no infográfico e entenda melhor.
O ministério do Interior informou que mais de 400 pessoas ficaram feridas, três delas em estado grave, pela onda de choque, em Cheliabinsk e em outras cinco cidades. O ministério das Situações de Emergência apontou que as comunicações dos telefones celulares estavam momentaneamente cortadas.
“Às 09h20 (01h20 de Brasília) foi observado um objeto em Cheliabinsk que voava em grande velocidade e deixava um rastro. Dois minutos depois foram ouvidas duas explosões”, afirmou Yuri Burenko, funcionário do Escritório Regional de Situações de Emergência. “A onda de choque quebrou as janelas em Cheliabinsk e em outras cidades da região”, acrescentou Burenko.
Os primeiros relatórios afirmaram que uma parte do meteorito caiu a 80 km da cidade de Satki, que fica 100 km ao oeste do centro regional, mas isto não foi confirmado oficialmente.”Recebemos milhares de telefonemas avisando de que algo foi encontrado e que a floresta estava pegando fogo. Mas ainda não temos informações confirmadas de que algo caiu na superfície da Terra”, afirmou Burenko.
Este meteorito “foi um objeto bastante grande com uma massa de várias dúzias de toneladas”, calculou o astrônomo russo Serguei Smirnov, do Observatório Pulkovo, em uma entrevista ao canal Russia 24. As escolas receberam instruções de fechar durante esta sexta-feira na região, depois que a onda de choque provocou a quebra das janelas dos edifícios, em meio a temperaturas de até 18 graus celsius.
O serviço local dos correios afirmou que vários de seus edifícios sofreram danos. O estádio Traktor de Cheliabinks para hóquei sobre o gelo também foi afetado, forçando o cancelamento de uma partida. Imagens das redes de televisão mostraram pessoas com o rosto ensanguentado e ao menos uma criança cujas costas estavam cobertas de sangue.
Muitos feridos foram tratados por cortes superficiais e hematomas causados pelos vidros quebrados, afirmou a polícia local à agência de notícias RIA Novosti. “Houve um enorme clarão e dois ou três minutos depois fomos derrubados por uma onda de choque”, disse um homem ao canal de televisão Rossiya. Outro disse que, “a princípio, acreditei que era um avião”.
A região de Cheliabinsk é o coração da zona industrial da Rússia. Está repleta de fábricas e outras instalações, que incluem uma usina de energia nuclear e o grande centro de depósito e tratamento de dejetos nucleares Mayak. Um porta-voz da Rosatom, a empresa de energia nuclear da Rússia, disse que suas operações não foram afetadas.
“Todas as empresas Rosatom localizadas na região dos Urais – incluindo o complexo Mayak – estão trabalhando normalmente”, afirmou à agência de notícias Interfax um porta-voz não identificado da Rosatom. O ministério das Situações de Emergência disse que os níveis de radiação na região não mudaram e que 20 mil socorristas foram enviados para ajudar os feridos e localizar os que precisam de ajuda.
Um asteróide de 50 metros de diâmetro deverá passar raspando pela Terra no próximo mês, de acordo com a Nasa. Batizada de 2012 DA14, a rocha passará a 22 mil quilômetros de distância do planeta.
Em termos astronômicos a distância é muito pequena. A região por onde o asteróide passará é justamente onde orbitam os satélites de comunicação e meteorológicos. Caso a previsão dos cientistas esteja correta, este será o asteróide que passará mais perto da Terra na história da astronomia moderna.
Sem apresentar riscos de colisão com o planeta, o asteróide deverá ser analisado pelos astrônomos durante sua passagem, estimada para o próximo dia 15 de fevereiro. O 2012 DA14, descoberto em fevereiro de 2012 por um observatório na Espanha, só será visível através de telescópios.
A renda líquida obtida em 2012 pelas 100 pessoas mais ricas do mundo, 240 bilhões de dólares, poderia acabar quatro vezes com a extrema pobreza no planeta. A conclusão está num relatório publicado (link em PDF, em inglês) no fim de semana pela ONG britânica Oxfam. A entidade não entra em detalhes a respeito das contas que fez para chegar ao dado, mas os números servem como alerta para a intensa e crescente desigualdade social no mundo. O documento serve para chamar a atenção para os debates do Fórum Econômico Mundial, que começa nesta terça-feira 22 em Davos, na Suíça. A desigualdade ganhou um painel próprio no encontro, marcado para sexta-feira 25, mas tanto suas conclusões quanto os avisos da Oxfam devem cair em ouvidos moucos. O mundo hoje está construído para ampliar a desigualdade e não há sinais de mudança.
O relatório da Oxfam ecoa estudos e análises econômicas recentes sobre a desigualdade. Hoje, as diferenças entre os países estão diminuindo, mas a desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres dentro de cada nação está crescendo. Essa é a regra na maior parte das nações em desenvolvimento e também nas desenvolvidas.
Nos Estados Unidos, a desigualdade social é tão grande hoje em dia que, nas palavras da revista The Economist, supera a das últimas décadas do século XIX, a chamada “Era Dourada” do capitalismo norte-americano. A porcentagem da renda nacional que vai para o 1% mais rico da população dobrou desde 1980, de 10% para 20%. Para o 0,01% mais rico, a bonança foi maior: sua renda quadruplicou.
Na União Europeia, a situação também é ruim. No livro Inequality and Instability (Desigualdade e Instabilidade, em tradução livre), o economista James Galbraith mostrou que, se tomada como um conjunto, a UE supera os Estados Unidos em desigualdade. Isso se explica, em parte, pelas diferenças entre os diversos países do bloco. Ainda assim, se tomadas separadamente, as nações europeias também têm observado aumento da desigualdade. Um estudo sobre o tema publicado em 2012 pela OCDE concluiu que “desde a metade dos anos 1980″, os 10% mais ricos de cada país “capturam uma crescente parte da renda gerada pela economia, enquanto os 10% mais pobres estão perdendo terreno”. No Japão, onde 100 milhões de pessoas se diziam de classe média, estudos mostram, desde o fim da década de 1990, o aumento da desigualdade a partir da metade dos anos 1980.
A política sequestrada
Não é uma coincidência o aumento da desigualdade no mundo desenvolvido desde os anos 1980. Foi nesta época que começaram a ter efeito as políticas lideradas pelos governos de Ronald Reagan nos Estados Unidos (1981-1989) e Margaret Thatcher (1979-1990) no Reino Unido, mas adotadas em boa parte do mundo por outros governantes, como Helmut Kohl (Alemanha), Ruud Lubbers (Holanda) e Bob Hawke (Austrália): impostos mais baixos, desregulamentação do sistema financeiro, redução do papel do governo e outras medidas integrantes do receituário neoliberal. Essa política, arrimo da globalização, teve alguns efeitos positivos, mas foi levada a extremos por quem se beneficia delas. Para manter as políticas desejadas, que aumentavam sua riqueza (e também a desigualdade) esses grupos de interesse se encrustaram nos círculos de poder. Eles sequestraram a política.
Este fenômeno é analisado no livroWinner-Take-All Politics(Política do vencedor leva tudo, em tradução livre), dos professores Jacob S. Hacker, de Yale, e Paul Pierson, da Universidade da Califórnia. Em artigo de capa da revista Foreign Affairs em dezembro de 2011, o jornalista George Packer resume o argumento do livro em duas palavras: dinheiro organizado. Foi no fim dos anos 1970 e início dos anos 1980 que as grandes corporações de diversos setores da economia passaram a financiar as campanhas eleitorais, dando início a uma “maciça transferência de riqueza para os americanos mais ricos”.
Este modelo de política, e de fazer política, grassou no mundo desenvolvido e foi transplantado para os países em desenvolvimento, onde foi emulado com maestria pelas elites econômicas locais. Não é uma surpresa, então, que a desigualdade esteja aumentando também nesta região. A Índia acumula diversos bilionários, mas continua sendo o país com mais pobres no mundo. A África do Sul é mais desigual hoje do que era no fim do regime segregacionista do Apartheid. Na China, onde não é preciso sequestrar a política, apenas pertencer ou ter um bom relacionamento com o Partido Comunista, a desigualdade é semelhante à sul-africana: os 10% mais ricos ficam com 60% da renda.
A América Latina e o caso do Brasil
O único lugar do mundo onde a desigualdade está caindo de forma sistemática é a América Latina, justamente a região mais desigual do mundo. Isso ocorreu nos últimos anos por dois motivos. O modelo neoliberal, e a ascensão do “dinheiro organizado”, também chegaram aos países latino-americanos, mas em alguma medida entraram em choque com forças políticas contrárias a uma parte importante do receituário, a não-intervenção do Estado na economia. Assim, os governos da região, entre eles o de Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil, conseguiram estabelecer a redução da desigualdade social como uma prioridade. Em segundo lugar, os países da região, também incluindo o Brasil, foram muito beneficiados pelo rápido crescimento econômico provocado pela existência de um mundo faminto por commodities.
Há, entretanto, inúmeras dúvidas a respeito da sustentabilidade do modelo latino-americano de redução da desigualdade, especialmente quando a economia começar a desacelerar, situação em que o Brasil já se encontra. Como notou o colunista Vladimir Safatle em edição de dezembro de CartaCapital, o capitalismo de Estado do governo Lula promoveu um processo de oligopolização e cartelização da economia, o que favorece a concentração de renda nas mãos de pequenos grupos. Ao mesmo tempo, Lula não fez, e Dilma Rousseff não dá indícios de que promoverá, a universalização e qualificação dos sistemas públicos de educação de saúde. Sem essas reformas, a classe média seguirá gastando metade de sua renda com esses dois serviços básicos e os pobres continuarão com acesso a escolas e hospitais precários. Os ricos, por sua vez, não terão problemas. A desigualdade de renda poderá cair ainda mais, mas a desigualdade de oportunidades vai perseverar, e a imensa maioria dos pobres continuará pobre.
Para fazer essas reformas, e outras potencialmente capazes de reduzir a desigualdade, como a taxação de grandes fortunas e de heranças e reformas estruturais, o Brasil e outros países latino-americanos enfrentarão as mesmas questões do mundo desenvolvido. Em grande medida, a política latina foi sequestrada pelo “dinheiro organizado”. Levantamento do repórter Piero Locatelli mostra que, em 2010, 47,8% das doações eleitorais no Brasil foram feitas por empresas e que apenas 1% dos doadores foram responsáveis por 73,6% do financiamento da campanha.
O resultado disso, seja nos Estados Unidos, na Europa, na Índia ou no Brasil, é uma grave crise de representação. O cidadão não consegue participar da vida pública e ter seus anseios ouvidos pelo governantes. Os partidos, à esquerda e à direita, caminham cada vez mais para o centro e, como diz o filósofo esloveno Slavoj Zizek, fica cada vez mais difícil diferenciá-los. A esquerda, supostamente contrária aos absurdos do liberalismo econômico, ou aderiu a ele e também tem suas campanhas financiadas por grandes corporações ou não tem um modelo alternativo e crível a apresentar.
Em seu relatório, a Oxfam pede aos governos para tomar medidas que, ao menos, reduzam os níveis atuais de desigualdade social aos de 1990. É bastante improvável que os política e economicamente poderosos resolvam fazer isso do dia para a noite. Estão aí os brasileiros que chamam o Bolsa Família de bolsa-esmola e o ator francês Gerard Depardieu, que preferiu dar apoio a um ditador a correr o risco de pagar impostos de 75%, para provar isso. Talvez apenas o entendimento de que, como diz a ONG britânica, a desigualdade social é economicamente ineficiente, politicamente corrosiva e socialmente divisiva, provoque mudanças. Para isso, no entanto, é preciso que os poderosos entendam os riscos da desigualdade.
São Paulo possui um Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas as riquezas produzidas no Estado) de cerca de R$ 450 bilhões e se fosse um país seria atualmente a 36ª economia mundial, segundo dados divulgados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) nesta quinta-feira. De acordo com a federação, o a cidade ficaria a frente de países como Portugal, Finlândia e Hong Kong.
Quando comparada aos países da América Latina, a economia paulistana ficou na quinta colocação – mesmo lugar de 2009 -, entretanto se aproximou de Colômbia e Venezuela, quarta e terceira colocadas, respectivamente. O levantamento aponta que o PIB da maior cidade do País representa 70% da economia da Argentina, 85% da Venezuela e 90% da Colômbia.
Já na comparação com os 50 Estados americanos, mais a capital Washington, São Paulo estaria à frente de 31 deles, um ganho de cinco posições frente 2009. Dentro da economia brasileira, o PIB paulistano representa 21% da economia da região Sudeste, 65% da Sul e 87% da Nordeste. O PIB de São Paulo é ainda 27% maior do que o PIB do Centro-Oeste e quase duas vezes e meia o da região Norte. Dentro da economia brasileira, São Paulo representa 12% do PIB nacional.
Segundo a FecomercioSP, os dados são baseados nos números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010. Diferentemente de cidades brasileiras que concentram suas atividades econômicas em setores como petróleo, comércio exterior, mineração agrícola, entre outros, São Paulo “agrega as mais diversas atividades econômicas, o que reduz o risco para a cidade em casos de turbulências financeiras”, diz a FecomercioSP.
De acordo com a FecomercioSP, no próximo estudo – com dados referentes a 2011 -, São Paulo deverá apresentar melhora no ranking, “porém variando menos que em 2010″.
“Isso por causa do crescimento nacional de 2011 de apenas 2,7%, ou seja, valor inferior aos 7,5% vistos em 2010″, diz a entidade. “A questão cambial também pode contribuir para brecar a variação de 2011, já que o real se valorizou em uma velocidade inferior do que foi visto entre 2009 e 2010.”
Consumo e negócios Segundo a Fecomercio, as famílias paulistanas gastam, em média por mês, em despesas de consumo “praticamente o mesmo de todas as famílias do Estado carioca e mais de duas vezes o consumo das famílias da região Norte”.
O estudo aponta ainda que São Paulo sedia 38% das 100 maiores empresas privadas de capital nacional, 63% dos grupos internacionais instalados no Brasil e 17 dos 20 maiores bancos. Além disso, aponta que São Paulo também realiza 90 mil eventos por ano, ou um a cada seis minutos.
Alinhados sobre um flamante comboio militar, soldados franceses sorriem à multidão na estrada que leva de Bamako, capital do Mali, ao Norte. Mostram-se orgulhosos, de pé em seus veículos e com óculos escuros espelhados, saudando os malineses que lhes acenam dos dois lados da rodovia.
Na sexta-feira, suas tropas tinham acabado de libertar Konna de uma frente de radicais de diversos grupos e cuja ocupação precipitou a operação militar Serval, liderada solitariamente pela França junto ao exército malinês.
- Que bom que vieram – comenta um vendedor que, embaixo de uma cabana de palha, serve café e pedaços de torta aos clientes.
A alegria, porém, desaparece depois do efêmero desfile da vitória, e o medo regressa aos olhos redondos e sábios de Debé, um ancião enrugado sentado junto à venda.
- Já estão ali – diz a um homem sentado a seu lado, enquanto gira a cabeça com temor em direção ao norte, de onde vem a ameaça de uma frente de combatentes radicais islâmicos.
Os rebeldes pretendem tomar o poder e instaurar um califado islâmico às portas da Europa, com a Sharia (código legal islâmico) como fonte de jurisprudência, ainda que interpretada segundo o mais duro estilo talibã.
Na sexta-feira, o Ministério da Defesa do Mali anunciou a retomada de Diabali, distante cerca de 400 quilômetros de Bamako. A França não confirmou a informação. A localidade havia sido ocupada na quarta-feira por milhares de rebeldes que combatiam corpo a corpo com as forças especiais francesas. A operação começou com bombardeios aéreos, que depois se tornaram impossíveis porque as milícias rebeldes haviam tomado as casas dos habitantes e os transformado em escudos humanos. A luta acontecia por terra, rua a rua.
- Eu não posso voltar a minha casa, porque quando essa gente chegou cortou a eletricidade, são muito violentos e perigosos – conta Mamadou, um habitante de Timbuktu, histórica cidade do norte conquistada no ano passado pelos radicais.
Bamako está em alerta máximo diante da aproximação dos guerrilheiros, que chegaram na quinta-feira a Banamba, a 140 quilômetros da capital e com presença de soldados malineses.
- Por isso, estou 100% de acordo com a operação dos franceses. A culpa é de nosso governo que deixou as coisas chegarem onde estão. Não estou de acordo é com a instauração da Sharia deles, que é a sua própria interpretação do Islã, que não é a nossa – lamenta-se Triaoré Biabouba, um agente de segurança do hotel Laico L’amitié, de Bamako.
Passagem pela Ásia
Os malineses já sabem o que acontecerá se os rebeldes conquistarem Bamako. O Tribunal Penal Internacional abriu uma investigação de crimes de guerra cometidos na região norte do Mali desde janeiro de 2012, onde “diversos grupos armados semearam o terror e infligiram sofrimentos à população por todo um leque de atos de extrema violência”. Em localidades como Gao ou Timbuktu, cortam-se mãos por roubo, lapida-se por adultério, há flagelação pública e até proibição de escutar música e consumir álcool, leis que lembram os anos mais obscuros do regime talibã afegão.
De fato, alguns dos que lutam nesta guerra contra os franceses estiveram no Afeganistão. São os argelinos chamados “afegãos”, curtidos combatentes que estiveram lutando como mujaidim (guerreiros islâmicos) contra os soviéticos e que voltaram para casa nos anos 1990 para continuar com a violência nas fileiras do Grupo Salafista para a Pregação e o Combate (GSOC), transformado mais tarde em Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI). Eles encontraram refúgio no norte do Mali. Somaram-se Al Muthalimin, a brigada de Mokhtar Belmokhtar, ex-integrante da AQMI e conhecido como Sr. Marlboro ou Sheik Torto, responsável pelo sequestro massivo na planta de gás argelina de In Amenas.
Deserto é abrigo para fora da lei
A frente islâmica que controla o norte do Mali tem a participação dos tuaregs (etnia nômade do norte da África) do Movimento Nacional de Libertação Azawad (MNLA).
A eles, paradoxalmente, uniram-se os combatentes refugiados na Líbia nos anos 1990 depois de se insurgir contra Bamako, e que terminaram apoiando o regime de Muamar Kadafi durante a Primavera Árabe. Esses últimos detêm um arsenal extraordinário que lhes permitiu se aventurar em direção ao sul e tentar tomar a capital, segundo o general francês Vincent Desportes, para quem o Mali está “diante da Segunda Guerra da Líbia”.
Completam a frente islâmica outros grupos, como o movimento armado islâmico Ansar Dine (Partidários do Islã), que têm o regime talibã afegão como exemplo a seguir, e outros jihadistas recém-chegados de países africanos e inclusive do Oriente Médio.
Esse conglomerado de grupos radicais islâmicos ganhou força na última década graças ao chamado “gangsterrorismo”, participando em atividades como narcotráfico, tráfico de armas e de pessoas, recolhendo grandes somas com os suculentos resgates pagos pelos sequestros de estrangeiros. Segundo números fornecidos por Soumeylou Boubeye Maïga, presidente do Observatório do Terrorismo no Sahel em 2010, entre 2003 e 2010 esses grupos recolheram até 12 milhões de euros em resgates, convertendo essa atividade em um negócio lucrativo para a AQMI.
Há anos que o deserto constitui um abrigo perfeito, um buraco negro de 4 milhões de quilômetros quadrados que se converteu em refúgio não apenas de terroristas, mas também de meliantes, narcotraficantes de cocaína latino-americana, traficantes de armas, clandestinos subsaarianos ou contrabandistas. Um território onde, segundo Maïga, os terroristas pretendem criar um “Tora Bora” (refúgio de talibãs entre o Afeganistão e o Paquistão) às portas da Europa.
O enorme deserto está catalogado como uma das zonas mais hostis e duras do mundo, com devastadoras e cada vez mais frequentes secas, índices de pobreza extrema (quatro países do Sahel estão entre os 10 IDH mais baixos do planeta) e uma fome que afeta mais de 10 milhões de pessoas, segundo a organização não-governamental Médicos sem Fronteiras. Atravessa uma dezena de Estados da Mauritânia à Somália, muitos deles falidos e com violência, fronteiras difusas e população nômade extremamente difícil de controlar. O norte do Mali, de fato, converteu-se no porto seguro ideal. O Deserto do Saara cobre 60% desse território e tem extensão similar à da França.
Miséria local incentivou adesão a grupos rebeldes
A pobreza fez com que alguns recrutas dos rebeldes, que contam com 1,2 mil homens, se alistassem mais por fome que por fervor religioso. Hoje, o grande temor é que a intervenção militar sirva de propaganda para jihadistas internacionais. Ainda que os franceses tenham assumido sozinhos as operações militares, os Estados Unidos têm presença militar na zona e grandes interesses nos recursos de gás e petróleo no norte da África.
Assim, pode tornar-se realidade o grande sonho de Osama bin Laden de contar, no norte da África, com uma legião de guerrilheiros prontos para atacar em qualquer momento. Nesse caso, essa guerra não fez mais que começar.
Na quarta-feira, radicais islâmicos fizeram um número ainda indeterminado de reféns de pelo menos dez nacionalidades no campo de gás, de In Amenas, no leste da Argélia, próximo da fronteira com a Líbia, para exigir o fim da operação militar francesa no Mali, que já dura oito dias. O local explorado pela petrolífera britânica BP, pela norueguesa Statoil e a argelina Sonatrach foi invadido por membros do grupo radical islâmico al-Mulathamin fortemente armados, que detiveram parte dos funcionários presentes. Na quinta-feira, o exército da Argélia cercou e atacou a área para libertar os sequestrados. A operação de resgate lançada pelos argelinos, sem a participação dos países de origem de parte dos reféns, foi alvo de críticas da comunidade internacional e provocou a morte de um número ainda incerto de pessoas. A primeira informação da segurança argelina indica que 639 dos sequestrados foram liberados, entre eles 66 estrangeiros, mas a operação militar ainda não foi concluída.
Por que o Mali é palco de conflito armado?
O país da Africa do Oeste, possui 12 milhões de habitantes em um território duas vezes maior que o da França. A região sul do país, que gira em torno da capital Bamako, é conhecida como o “Mali verde”, devido à abundante presença de vegetação em torno do rio Niger. É nessa área que estão concentradas 90% da população do país, majoritariamente composta por negros. O norte fica em parte no Sahel, faixa territorial de transição entre as savanas subsaarianas e o deserto, e a outra parte integra a maior zona desértica do mundo, o Saara. Essa região árida e pouco habitada chamada de Azawad é ocupada por uma minoria de árabes e tuaregues, povo de origem nômade. Desde a criação da República do Mali, com o fim da colonização francesa em 1960, um movimento separatista reivindica a independência da região. Mas a zona de ocupação dos tuaregues ultrapassa as fronteiras do Mali, entrando na Argélia, no Niger e na Líbia. Pouco controlada pelo Estado, a região norte do país é um corredor de passagem para o tráfico de pessoas, armas e drogas.
Quais as milícias que atuam na região?
Parte do Saara, o Sahel e especificamente o norte do Mali constituem a área de ação da Aqmi, Al Qaeda para o Magrebe Islâmico. O grupo radical islâmico, braço africano do grupo terrorista Al Qaeda, já executou mais de 80 sequestros na região desde 2007. Com a queda do governo de Muammar Kadafi, após a entrada das forças da Otan, Organização do Tratado do Atlântico Norte, na Líbia em 2011, as tropas tuaregues, antes engajadas pelo ex-governo líbio, retornaram para a região desértica da Azawad, no norte do Mali, fortalecidos e com novas armas. O movimento de liberação da região chamado de “rebelião tuaregue” ou “guerra de Azawad”, existente desde a independência do Mali, é reativado com a fusão do Movimento Nacional do Azawad (MNA) e o grupo armado Movimento Tuaregue do Norte do Mali (MTNM) criando o Movimento de liberação da Azawad (MNLA), que ataca o mal equipado exército malinês. O ataque ao campo de gás em retaliação à entrada das tropas francesa no território malinês foi executado pelo grupo al-Mulathamin, dirigido por Mokhtar Bel Mokhtar, ex-chefe da Aqmi.
Como aconteceu a intervenção francesa?
Em 22 de março de 2012, o exército depois de diversas derrotas para as forças radicais islâmicas decide derrubar o governo do presidente do Mali, Amadou Touré. Em abril, o MNLA declara a independência do Azawad. Além do grupo separatista, luta ao seu lado a milícia tuaregue, Ansar Dine (Defensores do Islã), que defende o islamismo radical e quer impor a charia, lei islâmica, à população local. Os dois entraram em conflito pela administração da área. O governo enfraquecido do Mali e a crescente instabilidade da zona permitem a expansão do poder de grupos radicais islâmicos armados, como o Movimento pela unidade e pela Jihad na Africa do Oeste (Mujao).
Os países vizinhos, Burkina Faso, Mauritânia, Niger e Argélia recebem o fluxo de refugiados do Mali, 150 mil pessoas no último ano, segundo dados da ONU, e começam a se preocupar com o risco de contágio do conflito. O número de pessoas que estão deixando o norte do Mali em direção a outras localidades dentro do próprio país chega a 230 mil.
No dia 10 de janeiro de 2013, os rebeldes ultrapassam a linha invisível que divide o norte e o sul do país, com a tomada da cidade de Konna, e seguem a rota em direção a capital malinesa. A ação desencadeia no dia seguinte a intervenção militar francesa, a pedido do governo interino do Mali. A operação “Serval” obteve o acordo do Conselho de Segurança da ONU e da Comunidade Econômica de Estados da Africa do Oeste (Cedeao).
No Mali, as tropas francesas realizam o seu oitavo dia da intervenção, que conta com a colaboração de tropas africanas e com o apoio logístico da aviação americana, espanhola e alemã. Na quinta-feira a União Europeia aprovou o enviou de 450 militares, dentre eles 200 instrutores, a partir de fevereiro. O projeto vai custar 12 milhões de euros e tem duração inicial de 15 meses. Já as tropas da Cedeao também são esperadas, a partir da próxima semana, para reforçar o combate contra os radicais islâmicos.
Por que a Argélia é importante no conflito?
Maior potência regional e o maior país africano em extensão de território, a ex-colônia francesa possui 35 milhões de habitantes. Situada estrategicamente no coração do Magrebe, entre a Tunísia, o Marrocos, seu principal rival na hegemonia regional, e a Líbia, palco da última invasão das forças da Otan, lideradas pela França, Inglaterra e Estados Unidos, para lutar contra as tropas do ditador Kadafi, que dirigiu o país por mais de 40 anos. Oitavo produtor mundial de gás natural, essa atividade junto com o petróleo representa 49% das exportações do país.
A Argélia possui mais de 1.300km de uma fronteira porosa com o Mali, em pleno deserto, e é o único país da região que não apoiou a operação militar francesa em seu vizinho. O governo do presidente argelino, Abdelaziz Bouteflika, permitiu apenas que caças da aeronáutica francesa sobrevoassem seu território para ter acesso às zonas de conflito. O país foi palco de diversos atentados recentes. Na cidade de Tamanrasset, no sul da Argélia, foi criado o centro de gestão do mecanismo criado por cinco países para combater o terrorismo no Sahel.
Segundo os cálculos feitos pela BBC Brasil, o metrô do Rio de Janeiro precisaria de mais 300 anos para chegar à extensão atual do metrô de Londres, o de Recife precisaria de 257 anos, o de Porto Alegre, 305 anos, o de Belo Horizonte, 358 anos, e o de Teresina, 641 anos.
O cálculo feito pela BBC Brasil, foi com base nos dados de extensão atual dos sistemas e dos anos de existência de cada um. O sistema da capital paulista, inaugurado em 1974, tem hoje 74,3 quilômetros de extensão – numa média de expansão de 1,91 quilômetro por ano. O metrô de Londres, em operação desde janeiro de 1863, tem uma expansão média de 2,68 quilômetros por ano.
Se esse ritmo de expansão do metrô paulistano fosse mantido ao longo de 150 anos a partir de sua inauguração, a rede chegaria a uma extensão total de 286 quilômetros, ou 71% da extensão atingida pelo metrô londrino no mesmo período de tempo.
A maioria dos outros sistemas de metrô brasileiros tem um quadro ainda pior do que o de São Paulo.
O único sistema com ritmo médio de expansão mais acelerado do que o de Londres é o de Brasília, inaugurado em 2001 e que conta atualmente com 42,4 quilômetros de extensão. Nesse período, o metrô se expandiu a um ritmo de 3,53 quilômetros por ano e precisaria de apenas mais 102 anos para chegar aos 402 quilômetros atuais do metrô de Londres.
Questões técnicas
A comparação não levou em consideração o tempo de construção dos sistemas antes da inauguração – o de Brasília, por exemplo, ficou em obras por nove anos antes da abertura ao público e teve sua inauguração prevista adiada várias vezes.
Também não foram consideradas outras questões técnicas como a dificuldade de construção em cada terreno, exigências legais e ambientais de cada local que podem atrasar ou acelerar as obras e as realidades de cada cidade em relação à população, área e necessidades de transporte.
Os dados comparados pela BBC Brasil indicam ainda uma diferença no ritmo de expansão se for considerado o número de estações abertas desde a inauguração da rede. O metrô de Londres tem um total de 270 estações – uma média de 1,8 estação aberta por ano de existência.
O metrô de São Paulo, com 64 estações, teve 1,64 estação aberta a cada ano – o segundo maior ritmo de abertura de estações entre os metrôs brasileiros, atrás somente do de Brasília, com duas estações aberta por ano de existência.
O metrô do Rio de Janeiro abriu em média 1,03 estação por ano, o de Recife abriu uma estação por ano, o de Porto Alegre 0,71 estação por ano, o de Belo Horizonte abriu 0,70 estação por ano e o de Teresina, que tem apenas nove estações, abriu 0,38 estação a cada ano de existência.
Comparação global
O mau desempenho do desenvolvimento dos sistemas de metrô brasileiros fica ainda mais evidente quando eles são comparados em uma lista de todas as redes de metrô em funcionamento no mundo. Para a comparação, foram descartados os sistemas inaugurados há menos de dez anos, para reduzir os riscos de desvios estatísticos.
A lista compilada pela BBC Brasil indica que o metrô de Xangai, na China, inaugurado em 1995, é o que tem o maior ritmo de expansão média do mundo, com 24,3 quilômetros e 16,2 estações inaugurados a cada ano.
O sistema de Xangai, com 437 quilômetros de extensão, já ultrapassou a extensão do metrô de Londres e levou apenas 16,6 anos desde sua abertura para atingir o tamanho da rede da capital britânica.
Inaugurado em 2002, o metrô da capital da Índia, Nova Déli, tem a segunda maior média de expansão mundial, com uma média de 17,6 quilômetros abertos por ano. Em menos de 11 anos, o metrô de Nova Déli já tem mais que o dobro da extensão do metrô de São Paulo, com 193 quilômetros de linhas no total.
O metrô de Seul, na Coréia do Sul, foi inaugurado no mesmo ano que o de São Paulo – 1974 -, mas sua expansão média em seus quase 39 anos de existência é a terceira maior do mundo, com 14,33 quilômetros abertos a cada ano. Com isso, a cidade tem hoje a maior rede do mundo, com 558,9 quilômetros de extensão.
Em seu ritmo médio de expansão desde a inauguração, o metrô de São Paulo ainda precisaria de mais 254 anos para chegar à extensão atingida pelo metrô de Seul em menos de quatro décadas. Mesmo a rede de Brasília, que tem a maior média de expansão entre os sistemas brasileiros, precisaria ainda de mais 146 anos para se igualar à rede atual da capital sul-coreana.
Entre os sistemas de metrô em países latino-americanos, o da Cidade do México, inaugurado em 1969, é o de maior extensão, com 226 quilômetros de linhas no total e o décimo maior ritmo de expansão do mundo, com 5,14 quilômetros a mais em média por ano.
Mas a comparação indica ainda que, a expansão das redes de metrô é irregular. O sistema mais antigo da América Latina, em Buenos Aires, que completa neste ano seu centenário, tem hoje apenas 48,5 quilômetros de extensão, com um ritmo de expansão médio de 0,68 quilômetro por ano.
Desde o início da semana, os moradores de Sobral estão impossibilitados de utilizar a água fornecida pelo município. Segundo eles, a água está com cor e gosto inadequados em razão das chuvas ocorridas no local.
Enquanto o problema não é resolvido, o gerente comercial Vítor Rebouças têm de ir até Forquilha, distante cerca de 14 quilômetros de Sobral, para poder comprar água mineral. “Em Sobral, não tem nem água mineral. As pessoas estão fazendo fila para comprar água e acabou tudo por causa da enorme procura”, explica.
Assim como Rebouças, os moradores do Bairro Alto do Cristo estão revoltados. “A gente fica se coçando, o corpo fica com cor barrenta, nem pro banho está servindo”, conta a dona de casa Cristina Laurindo. As funcionárias de um restaurante têm dificuldade de manter o padrão do sabor dos pratos e informam que esse é um problema antigo no município. Basta começar a chover para a água ganhar essa coloração e sabor diferentes.
Atingidos
O problema atingiu cerca de 150 mil moradores de Sobral, além dos sete distritos atendidos pela autarquia municipal. Para o presidente do Serviço de Atendimento Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), Silvestre Gomes, a solução do problema deve acontecer ainda esta semana. “Com os ajustes que estamos fazendo na estação e com o apoio da Cogerh [Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos] conseguimos solucionar”, finaliza.
O agricultor Maurício Pessoa espeta uma posta de mandacaru e a mergulha num fogareiro construído à beira da cerca que separa seu terreno do caminho. Depois que os espinhos derretem, ele leva o braço da planta para ser moído numa máquina: é o alimento de suas 36 cabras e 18 cabeças de gado. Ele mora na fazenda Exu, distrito de Tapuiaré, a quinze quilômetros de Quixadá; até lá só se chega através de uma estrada coalhada de juremas esturricadas.
Pessoa já perdeu nove cabras e quatro vacas por causa da seca. A carcaça de uma delas, inclusive, ainda apodrece a alguns metros atrás da casa onde ele vive com a família – a esposa e um filho de nove anos. “Em maio a gente deu o resto de cilo e forragem que tinha”, diz. Os dois poços construídos por ele para armazenar comida para as rezes estão vazios atualmente.
O capim, sorgo, cana-da-índia, que plantava e poderia servir de comida para os bichos, não vingaram por falta de chuva. Recebeu os mandacarus que serão alimento de uma doação. Comprar forragem é caro. Principalmente pelo transporte. “Sirvo e depois solto para ver se eles encontram mais alguma coisa para comer”, lamenta. Sentado na cadeira da sala, ele explica que tem de dividir água de beber com o gado, porque, fora o deles, o reservatório mais perto e de água salgada fica a dois quilômetrosu
No perímetro onde em 2011 chegou a colher 40 sacos de milho, cada um com 60 kg, agora é um descampado: as quatro mil raquetes de palma forrageira, doação do governo no início do ano, estão ressecadas. “Eu não penso em desistir fácil. Mas é cruel, é doído. O recurso para a seca só chega na seca. Quando chove, o agricultor é esquecido”, queixa-se.
Seca de 1958
O pai dele, o agricultor Antônio Leite, de 77 anos, já morava por ali em 1958, ano de uma das maiores secas por que o Ceará passou. Olhando o filho derreter o espinho do mandacaru, seu Antônio relembra que não havia qualquer apoio governamental naquela época.
Os que não partiram de lá para construir as barragens do açude Banabuiú – inaugurado em 1966 – mendigavam na estrada. Ou migravam para as cidades grandes. Ele ficou com o pai. Agora enfrenta nova seca com o filho. Mas dessa vez o carro-pipa vem três dias ao mês para encher os reservatórios.
entenda a notícia
A cidade de Quixadá tem sido abastecida por uma adutora que puxa água do açude Pedras Brancas (com 34,38% de sua capacidade). O açude Cedro, o mais famoso, tem apenas 13.31% de seu volume total.
O blog diálogos políticos é uma iniciativa da Secretaria de Formação do Sindicato dos Bancários do Ceará. Nosso objetivo é possibilitar o intercâmbio de informações entre as pessoas interessadas nos mais diversos temas da conjuntura brasileira.
MEDIADOR
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Geógrafo e Funcionário da Secretaria de Formação do SEEB/CE. Atua na CCP-Banco do Brasil e CCV-Caixa. Diretor da AESB e Delegado Sindical do SINTEC-CE.
MÚSICA
Direito a Liberdade de Expressão
"Todo o indivíduo tem direito a liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de expressão".
Art.19 da Declaração Universal dos Direitos do Homem, promulgada em 10 de dezembro de 1948.