Fortaleza ganha unidade da Caixa Cultural

Cinco anos após a previsão inicial, a Caixa Cultural Fortaleza finalmente abre suas portas hoje à noite, na Praia de Iracema. Já presente em Recife, Salvador, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba e prestes a chegar em Porto Alegre, o projeto conta com espaços para atividades artísticas de acesso gratuito ou a preços populares.

A inauguração será marcada por uma solenidade para convidados, com a presença do presidente da Caixa, Jorge Hereda, e a abertura da exposição “Um nome no centro da coleção – Aldemir Martins e o acervo da Caixa”, composta por 42 obras do artista cearense. A exposição e o equipamento serão abertos ao público em geral amanhã.

A nova unidade ocupa um espaço de pouco mais de 3,5 mil metros quadrados e é composta por um cine teatro com capacidade para 190 pessoas, três amplas galerias de arte, sala de ensaios, salas para oficinas de arte-educação, foyer, café cultural e livraria. Além disso, há um jardim e espaços para a convivência e realização de eventos.

O equipamento está instalado no prédio da antiga Alfândega, uma construção que data de 1891, tombada pelo Patrimônio Histórico, localizada na esquina das avenidas Pessoa Anta e Almirante Tamandaré. Foram investidos R$ 13,8 milhões na recuperação do edifício, onde também já funcionou uma sede da Receita Federal e uma agência da própria Caixa.

Programação

A Caixa Cultural Fortaleza terá como gerente Celmar Batista, que vem da unidade de Salvador para trabalhar com uma equipe de cerca de 50 pessoas, entre funcionários e terceirizados. Ele explica que a programação do equipamento será autônoma, mas que há diálogo com as unidades de outras capitais, além da possibilidade de receber as exposições itinerantes.

Para a abertura, foi escolhida a exposição de Aldemir Martins, com curadoria do artista plástico Ralph Gehre, no intuito de homenagear o estado do Ceará. Martins tem presença marcante no acervo da instituição, que é formado por pinturas, gravuras, fotografias e trabalhos de técnicas mistas. Fazem parte dele obras de grandes nomes como Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Portinari e Tomie Ohtake.

Além da exposição com obras de Aldemir Martins, estão confirmados para os próximos meses em Fortaleza a mostra “Luna Lunera”, em comemoração aos 10 anos de atividades da companhia homônima mineira, e show da cantora Adriana Calcanhotto, com canções do seu último álbum, “Micróbio do Samba”. Segundo Celmar Batista, falta apenas fechar as datas.

Também estão abertas, até 15 de junho, as inscrições para a seleção pública de projetos culturais para os quatro programas de apoio que serão realizados ao longo de 2013: Ocupação dos Espaços da Caixa Cultural, de Apoio ao Artesanato Brasileiro, Apoio a Festivais de Teatro e Dança e Apoio ao Patrimônio Cultural Brasileiro. O formulário está disponível na página http://www.programasculturaiscaixa.com.br.

Corredor cultural

A Caixa Cultural Fortaleza possui uma localização privilegiada, no corredor cultural e turístico da cidade: em frente ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC) e próximo à Ponte dos Ingleses. Não muito distante dali estão a Catedral, o Mercado Central e equipamentos culturais como a galeria Antônio Bandeira e o Museu do Ceará. Justamente por causa disso, chegou a gerar polêmica em 2009 com o então secretário de Cultura do Estado, Auto Filho. Ele achava um “equívoco” a instalação da Caixa Cultural ao lado do CDMAC e chegou a mandar uma carta à presidência da Caixa manifestando sua opinião. “Fortaleza não comporta mais um centro cultural naquela área. O centro da cidade já está saturado”, disse ao Diário do Nordeste na época.

O atual secretário, Francisco Pinheiro, tem opinião diferente e afirma, inclusive, que a Secretaria Estadual de Cultura (Secult) está aberta ao diálogo com a Caixa, na perspectiva de promover a integração das ações dos espaços culturais do Estado.

“A chegada da Caixa Cultural à Fortaleza é muito bem vinda por dois aspectos fundamentais, que são a contribuição para o processo de recuperação de patrimônios materiais emblemáticos da história da nossa cidade e o fortalecimento do projeto de requalificação do corredor cultural do centro de Fortaleza, valorizando nossa identidade e convidando os cidadãos a se reapropriarem do espaço público em uma construção coletiva sustentável da cultura”, disse Pinheiro.

É a mesma visão apresentada pela gerência da Caixa Cultural. “O principal objetivo é fomentar a diversidade e a preservação de identidades culturais, tornando a arte e a cultura acessíveis a todos. Nosso interesse é em dialogar não só com os equipamentos públicos e privados do entorno, mas também, e principalmente, com a comunidade”, diz Celmar Batista.

Mais informações:

Caixa Cultural Fortaleza. Inauguração, com abertura da exposição “Um nome no centro da coleção – Aldemir Martins e o acervo da Caixa”. Hoje, às 20h30, para convidados, na Av. Pessoa Anta, 287 . Visitação a partir de amanhã, com entrada gratuita, de terça-feira a domingo, das 10h às 20h. Contato: (85) 3453 2750

(MÔNICA LUCAS – DIÁRIO DO NORDESTE)

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