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Saúde e Comportamento, Sociedade

Meninas se prostituem à luz do dia em avenida de Fortaleza

Na Avenida Padaria Espiritual, no bairro Passaré, próximo ao Estádio Castelão, é possível ver várias mulheres. Elas geralmente ficam em frente a um portão, sem cadeado, que dá acesso a um terreno baldio, principal ponto de prostituição do lugar. À noite, de acordo com os moradores, além de garotas de programa, travestis, usuários de drogas e até mesmo assaltantes ficam no local, algo que amedronta a população. “O terreno está servindo como um antro de drogas, sexo e perigo”, comenta Marco Aurélio Câmara, síndico de um condomínio vizinho.

Segundo reportagem do jornal Diário do Nordeste, as garotas entrevistadas pelo jornal nunca tiveram um emprego com carteira assinada. Rafaela Sousa (nome fictício), por exemplo, tem 21 anos e estudou somente até a 8ª série do Ensino Fundamental. O fato dificulta sua entrada no mercado de trabalho formal. No entanto, conforme alega, apura cerca de R$ 200,00 por dia, valor muito mais alto se comparado ao que ganhava quando era diarista. “Cada programa custa R$ 50,00, mas, se eu tivesse um bom emprego, deixaria essa vida”, fala.

Outro ponto de prostituição em Fortaleza fica na Praça dos Mártires, também conhecida como Passeio Público, localizada no Centro de Fortaleza. Desde que foi reformado, em 2007, o local deixou de ser inseguro e associado apenas à indústria do sexo. Entretanto, principalmente nos fins de semana, mesmo com a presença de guardas municipais e de visitantes, sejam turistas ou fortalezenses, é fácil notar a presença de garotas de programa na praça. A concentração é maior nos bares vizinhos. Na lateral de um deles, por exemplo, existe um motel discreto. Segundo as mulheres, a maioria de seus clientes são homens casados.

Enquanto estávamos lá, como quem não queria nada, uma garota magra, com blusa e saia curtas e com um boné cor- de-rosa na cabeça, começou a abordar alguns homens que estavam sentados nos bancos da Praça.

O primeiro tocava violão quando a jovem se aproximou, sentou, falou algo e saiu fumando um cigarro. Tentou novamente com um garoto, mas não conseguiu. Na terceira abordagem, em apenas dez minutos, convenceu um homem, de aproximadamente 50 anos, a ir ao motel. Meia hora depois, os dois deixaram o estabelecimento discretamente.

Ainda de acordo com a publicação, não são apenas mulheres jovens que entram para o mundo da prostituição nos dias atuais. Nesse grupo, é possível ver mulheres maduras, algumas casadas e até mesmo garotos e travestis.

Conforme o antropólogo e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Carlos Silveira Versiane das Graças Júnior, hoje, a prostituição vai muito além da troca de favores sexuais, é uma lógica de solução econômica.

“Essas meninas e meninos tiveram seus direitos violados. Não tendo oportunidade de estudar, as portas do mercado de trabalho se fecham para eles. A opção que encontraram foi a de vender os próprios corpos”, destaca. Para o antropólogo, a exposição dessas pessoas à luz do dia é explicada pela grande concorrência no período da noite, pois, segundo ele, a prostituição é algo crescente em Fortaleza e a maioria dos pontos estratégicos, ou seja, as chamadas “zonas”, já estão entrando em um processo de “inchaço”. A opção, então, é trabalhar durante o dia.

Surge, segundo Silveira, um mercado itinerante do sexo. Ele explica que esses jovens migram para locais onde aparecem as oportunidades e acabam “invadindo” pontos comerciais e até residências da Capital. De acordo com a socióloga e doutoranda da UFC, Camila Holanda, apesar da sociedade criminalizar a prática da prostituição, esse tipo de trabalho não é crime, a não ser quando crianças e adolescentes estão envolvidos. “O fato de eles ou de elas estarem trabalhando à luz do dia é chocante para a sociedade. Entretanto, quando estamos falando de pessoas adultas, essa prática é uma opção e não um crime”, conclui a socióloga.

Informações do Diário do Nordeste

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