Brasil é o país mais empreendedor do G20

São Paulo – O brasileiro é o povo mais empreendedor no G20 e também do Bric, abre negócios com 10 mil reais e enxerga cada vez mais oportunidades para virar patrão. Essas foram as principais descobertas do levantamento Global Entrepreneurship Monitor (GEM 2010), divulgado hoje pelo Sebrae.

A pesquisa mapeia a atividade empreendedora em 60 países. O Brasil tem 17,5% da população adulta dentro da faixa de empreendedores em estágio inicial, o que significa que quase 22 milhões de pessoas estão tocando um negócio com até 3 anos e meio de vida.

China, Argentina, Austrália e Estados Unidos ficaram para trás. Entre os países do Bric, o Brasil fica na frente de China e Rússia. A Índia não participou do levantamento. “Se fizermos uma análise comparativa, temos quase o equivalente à população da Austrália desenvolvendo alguma atividade empreendedora no Brasil”, destaca o presidente do Sebrae Luiz Barretto.

Oportunidade x necessidade

Além de empreender mais, os brasileiros também avançam quanto o assunto é o motivo do negócio próprio. Segundo a pesquisa, a cada empresário por necessidade, dois empreendem por uma oportunidade, ou seja, mais gente está encontrando nichos de mercado para abrir novas empresas em vez de começar um negócio para sobreviver. “Se a economia continuar crescendo, o Brasil caminha para ter um perfil empreendedor muito similar ao dos países desenvolvidos”, afirma Barretto.

Foi constatado que quanto maior a escolaridade e a renda, maiores as chances de que o empreendedor abra um negócio por oportunidade e não por necessidade. Além disso, os jovens de 25 a 34 anos estão mais propensos a este movimento.

Mais de 40% dos empreendedores por oportunidade abrem uma empresa para conseguir mais independência profissional, outros 35% buscam aumentar a renda e outros 18% querem manter a renda atual. “Esse é um dado que veio para ficar na economia brasileira e veio dessa fase de estabilidade econômica que passamos nos últimos anos. Isso impacta não só no mercado formal de trabalho, mas também no nível de qualidade do empreendedorismo brasileiro”, explica o presidente do Sebrae.

Apesar de buscar mais oportunidades e identificar mercados em potencial, só 16,8% dos entrevistados acreditam que estejam gerindo negócios inovadores. Barretto define esse dado como um grande desafio para o país. “Nos Estados Unidos esse índice é de quase 40%.

O Brasil aumentou a quantidade e melhorou a qualidade das empresas, mas tem que avançar muito quando o tema é inovação. Se pensar que o mundo é global e os chineses estão vindo, esse é um grande desafio para a economia brasileira”, diz.
O setor que mais atrai os novos empreendedores é o comércio, quatro em cada dez empresários optam por abrir um negócio deste tipo.

Eles enxergam mais oportunidades também nas áreas de alimentação, hospedagem, indústria da transformação e atividades imobiliárias.

Investimento

A pesquisa GEM 2010 mostrou ainda que 58% dos empreendedores abriram uma empresa com até 10 mil reais. Em menos de 20% dos casos o investimento ultrapassou os 30 mil reais. De cada 100 empresários, 18 conseguiram tirar uma ideia do papel com menos de 2 mil reais. Do total, 36% do investimento vem do bolso do próprio empresário, confirmando a ideia de que os brasileiros recorrem mais a crédito do que outros empreendedores. Os americanos, por exemplo, costumam ter 86% do valor necessário para abrir um negócio.

Familiares, amigos e vizinhos acabam se tornando investidores dessas empresas. Os empreendedores reivindicam menos exigência dos bancos, mais financiamentos públicos e centrais de aval municipais para alavancar os negócios.

Perfil

Entre homens e mulheres, a taxa de empreendedorismo no Brasil é quase igual. Elas se destacam no cenário mundial. Só as mulheres de Gana empreendem mais do que as brasileiras.

O Brasil também se destaca em relação à faixa etária dos empreendedores. Os brasileiros estão mais propensos a empreender dos 18 aos 34 anos.

A pesquisa GEM é feita desde 1999 pelo Global Entrepreneurship Research Association, organização coordenada pela inglesa London Business School, pelos americanos da Babson College e pela chilena Universidad Del Desarrollo. No Brasil, o levantamento é feito pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBPQ) em parceria com o Sebrae.

(Portal Exame)

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