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Política

Do tassismo ao lulismo

Amanhã, quando chegar ao fim o mandato de Tasso Jereissati (PSDB) no Senado, ele leva consigo os últimos vestígios de uma era na qual exerceu domínio quase absoluto sobre a bancada do Ceará na Casa. Encerra-se o ciclo tassista. Entra em cena a “turma” da presidente Dilma Rousseff (PT) – sob influência direta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Com o trio de senadores Eunício Oliveira (PMDB), José Pimentel (PT) e Inácio Arruda (PCdoB), tem início um ciclo com perfil diametralmente oposto ao que começou a tomar corpo há 20 anos, e que teve seu apogeu entre 1995 e 2006.

No passado, antes, durante e imediatamente depois da gestão presidencial de Fernando Henrique Cardoso (1995–2002), o PSDB reinou com tranquilidade nas cadeiras cearenses no Senado.

Por trás daquela hegemonia estava a força de Tasso, que ajudou a eleger os cinco tucanos que se revezaram no Senado: Beni Veras (1991-98), Reginaldo Duarte (suplente), Sérgio Machado (1995-2003), Luiz Pontes (1999-2003), além de Lúcio Alcântara (1995-2002), que se elegeu pelo PDT, hoje está no PR, mas exerceu praticamente todo o mandato de senador pelo PSDB.

Tasso começou a construir sua hegemonia no Senado em 1990, quando elegeu Beni para a cadeira que havia sido de Virgílio Távora, falecido em 1988.

Em 1994, o tassismo assumiu o controle total sobre a bancada, com a eleição de Sérgio e Lúcio, frustrando os planos de reeleição de Mauro Benevides e Cid Carvalho (ambos pelo PMDB). A influência de Tasso só sofreria uma fissura em função do rompimento com Sérgio, nos anos seguintes.

Mesmo com a chegada de Lula à Presidência, em 2003, o PSDB manteve hegemonia sobre a bancada. Naquele ano, o próprio Tasso se elegeu senador, em dobradinha com Patrícia Saboya (PDT). Os dois se juntaram a Luiz Pontes, formando, pela última vez, um trio de senadores com origens tucanas.

Mas a eleição de Patrícia já representou uma sutil mudança. Pois, embora mantendo seus vínculos com Tasso, ela aderiu à base governista e chegou a ser vice-líder de Lula no Senado.

A transição ganhou contornos mais nítidos em 2006, quando, pela primeira vez, o grupo político que se opõe a Tasso conseguiu fazer um senador. Com a força em ascensão do bloco de centro-esquerda, Inácio Arruda (PCdoB) tomou a vaga deixada por Luiz Pontes e isolou Tasso na oposição da bancada cearense.

Em 2010, a transição se consumou. Patrícia decidiu não tentar a reeleição, para retornar à Assembleia Legislativa, de onde havia saído em 2002 para virar senadora. Tasso, por sua vez, sofreu uma derrota, a princípio improvável, para Eunício e Pimentel. Foi a primeira vez em que foi vencido nas urnas – e a última, segundo ele, pois afirmou que não voltará a se candidatar.

Forças nacionais

De acordo com cientistas políticos ouvidos pelo O POVO, a mudança no perfil da bancada cearense no Senado está diretamente ligada às conjunturas nacional e estadual. “A representação no Senado é muito a cara da liderança no Ceará e no Brasil, hoje caracterizadas pelo governador Cid Gomes (PSB) e por Lula”, explicou o professor da Universidade de Fortaleza Francisco Moreira.

Conforme acrescenta o professor das universidades Federal e Estadual do Ceará Josênio Parente, a “força do projeto nacional” começa ser significativa a partir do governo de Fernando Collor (1990). “O projeto nacional tem, inclusive, se sobreposto ao estadual. Cid não teria sido eleito sem o apoio de Lula”, considerou. Em entrevistas concedidas antes e depois o resultado do pleito, Tasso já havia mencionado a dificuldade de vitória “sem o apoio da máquina federal e estadual”. O tucano, por repetidas vezes, afirmou que esta seria a disputa mais difícil de sua vida. E foi.

ENTENDA A NOTÍCIA

O controle da máquina estadual e a sintonia com o grupo que detém a hegemonia nacional foram determinantes para a construção da hegemonia tassista, bem como para sua derrocada e a ascensão do grupo lulista.

(Hébely Rebouças – O Povo Online)

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