Drogaria São Paulo fecha suas lojas em Fortaleza

Desde o último sábado quem transita pela frente das unidades da Drogaria São Paulo das avenidas Tristão Gonçalves (Centro) e Santos Dumont (Aldeota) se depara com as portas dos dois estabelecimentos fechadas. A empresa se posicionou através do seguinte comunicado: “a Drogaria São Paulo informa que fechou suas filiais de Fortaleza (CE) para reforma com prazo indeterminado. Os funcionários que desejam permanecer na empresa serão remanejados entre as mais de 360 lojas localizadas em outras cidades”, informa a nota.

“Na sexta-feira já ouvíamos comentários de que a farmácia iria fechar. No sábado não abriu e já podemos ver um movimento de retirada de mercadorias”, informou um funcionário de uma loja em frente à Drogaria São Paulo do Centro, que preferiu não se identificar.

Se de fato a empresa encerrou suas atividades na Capital cearense, consumidores já temem que os descontos de até 60% concedidos pela farmácia – precursora da prática em Fortaleza – não sejam mais concedidos por outras grandes drogarias da cidade. “Vai prejudicar o nosso bolso. Eu comprava bastante na Farmácia São Paulo. Quando vi as portas fechadas foi uma surpresa”, disse o técnico judiciário Ricardo César.

Sincofarma lamenta

O presidente executivo do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado do Ceará (Sincofarma), Fábio Timbó, diz “lamentar” o fechamento da drogaria em Fortaleza, “sobretudo por serem uma das maiores redes do setor no País”, afirma.

“O fechamento das lojas só vem consolidar o que a gente vinha sempre falando, que não existe margem para vender medicamentos com descontos entre 30% e 60%. Fecharam porque estavam tendo prejuízo. Quem vende com esse tipo de desconto está querendo comprar mercado e o Estado do Ceará vem pagando um preço alto com o fechamento de farmácias pequenas que ficaram sufocadas”, ressaltou Timbó.

“Guerra” dos descontos

A reportagem tentou contato com representantes do Sindicato dos Comerciários de Fortaleza para confirmar se houve desligamentos de trabalhadores, porém, até o fechamento desta edição, não obtivemos êxito.

A “guerra” dos descontos praticados por farmácias de Fortaleza teve início com a chegada da Drogaria São Paulo ao mercado local, em 2004. Em dezembro daquele ano, o Decon limitou, através de Termo de Ajustamento de Conduta, os descontos nos medicamentos das farmácias em 15%. Dez dias depois, o órgão ajuíza ação civil pública contra a Drogaria São Paulo barrando os descontos.

Já em fevereiro de 2005, por meio de um agravo de instrumento da 4ª Vara Cível de Fortaleza, os abatimentos voltam a ser limitados na Justiça.

Em janeiro de 2006, o órgão de Proteção e Defesa do Consumidor revê sua posição e volta atrás, anulando o TAC e os descontos voltam. Já no dia 15 de maio, o TJCE suspende novamente os descontos. E em junho de 2007 o processo vai parar no TRF da 5ª Região. Esta corte, em 17 de agosto daquele ano mantém a limitação nos 15%. Já em dezembro de 2007, o TJCE ratifica a decisão do TRF.

E, mais recentemente em janeiro deste ano, ocorre um novo capítulo da guerra judicial, com o retorno da permissão da prática de descontos acima de 15% para os medicamentos de farmácias no Estado.

(Lívia Barreira – Diário do Nordeste)

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