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Saúde e Comportamento, Serviços e Utilidades, Sociedade

Tira-dúvidas: como funciona e qual a importância do Censo 2010

Desde o dia 1° de agosto, os mais de 180 mil recenseadores do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) já estão na rua, coletando dados para construir o que Maria Vilma Salles Garcia, Coordenadora Operacional dos Censos do instituto, chama de “retrato do Brasil”. Elaborado a cada dez anos, o Censo 2010 tem orçamento previsto de R$ 1,4 bilhão. Visitando os quase 58 milhões de domicílios, distribuídos entre os 5.656 municípios brasileiros, os recenseadores irão atrás de informações sobre educação, trabalho, renda, condições de moradia, entre outras. Tudo para mostrar quem somos, onde vivemos e, sobretudo, como vivemos. Enfim, revelar que Brasil é esse. Maria Vilma conversou com o eBand para tirar algumas dúvidas a respeito do Censo 2010.

eBand – Responder o Censo 2010 é obrigatório?
Maria Vilma Salles Garcia - Sim. A lei 5534, de 14 de novembro de 1968, determina que todo cidadão brasileiro deve responder às pesquisas do IBGE, e o Censo é uma delas. No entanto, a mesma lei obriga o instituto a manter sigilo individual, só podendo divulgar resultados agregados. Assim, o IBGE nunca pode identificar a resposta de uma pessoa, de uma família ou de uma empresa.

E se a pessoa não responder?
A punição para as pessoas que descumprem a lei é o pagamento de dez vezes o valor do salário mínimo corrente, ou seja R$ 5,1 mil. O uso da lei no censo demográfico pode ser usado no caso de um condomínio, um síndico ou um administrador de prédio não deixar o recenseador entrar, impedindo os moradores que queiram de responder. Mas dificilmente acontece.
O IBGE não gosta de usar a força da lei, principalmente nas pesquisas domiciliares. Preferimos que as pessoas respondam espontaneamente, entendendo a importância do Censo para o país e para a sociedade brasileira.

Pode responder pela internet?
Sim, mas é preciso fazer contato com o recenseador. Ele fornecerá um envelope lacrado, que irá definir se a pessoa responderá o questionário básico ou o da amostra. Ele também traz um código de acesso e uma senha que permitem o preenchimento do Censo no site do IBGE. É um envelope por residência, possui caráter pessoal e intransferível. O sistema não requer download de software algum. Os dados são inseridos diretamente no banco de dados do IBGE. O preenchimento pode ser interrompido várias vezes para a pessoa voltar mais tarde.
Nós preferimos que as respostas sejam dadas na entrevista presencial, porque muita gente que diz que vai responder na internet e acaba esquecendo ou não responde. Essa opção é voltada para os condomínios de alta renda, em que você tem grande dificuldade de encontrar as pessoas, e também para as pessoas que moram sozinhas e viajam muito.

Como identificar o recenseador?
O profissional utiliza um colete azul com a logomarca do Censo nas costas e um bolso transparente na frente, em que é colocado o crachá com sua foto, o nome e número de identidade. Para se certificar, a pessoa pode pedir para ver o crachá e o documento de identidade. Se permanecer a dúvida, pode ligar no atendimento do IBGE, no número 0800 7218 8181, escrito no crachá, ou ainda acessar a página do instituto para comprovar se aquele é o recenseador designado para a região.

Que tipo de informação as pessoas terão que apresentar?
O Censo tem dois questionários. O questionário básico é aplicado em todos os domicílios. Compreende a parte estrutural, os dados do domicílio, como saneamento básico, coleta de lixo e energia elétrica. O outro é um questionário por amostragem, com mais de 100 perguntas sobre as características das pessoas, como idade, sexo relação de parentesco com todos os moradores do domicílio. Mas nem todo mundo responde a todas elas, porque existem blocos específicos para determinadas populações. Cerca de 11% dos municípios brasileiros responderão este tipo de questionário. A porcentagem de famílias respondentes varia conforme o número de habitantes. Naqueles municípios com até 2,5 mil habitantes, serão 50% das famílias. Já nas grandes cidades, de acima de 500 mil habitantes, só 5% das famílias responderão o questionário.

Quais são as novidades deste novo Censo?
O Censo terá novos questionamentos. Para os indígenas, qual a língua falada e a etnia a que pertence. Para todas as crianças até dez anos, se tem registro de nascimento. E para todos os brasileiros, se já viajaram para o exterior.
Além disso, é a primeira vez que o Censo é feito com computador de mão em todo o Brasil. É um equipamento que só serve para coletar dados, feito exclusivamente pelo IBGE. Os recenseadores descarregarão as informações coletadas nos mais de 7 mil postos. À noite, estas centrais transmitirão os questionários preenchidos durante o dia no banco de dados do IBGE.

Demora quanto tempo para responder?
Para uma família de três pessoas, o questionário básico leva cerca de 15 minutos. Já o questionário por amostragem, para uma família de três pessoas, pode levar de 40 a 45 minutos para ser respondido. O recenseador pode até retornar à residência caso o respondente não saiba algum dado na hora.

Qual a importância de responder estes dados corretamente?
O Censo monta o retrato mais completo do país, ao pesquisar várias características das pessoas e dos domicílios. Serve de base para estudos acadêmicos, políticas públicas e até mesmo para orientar o investimento do setor privado. O governo não faz nenhuma política pública antes de olhar os dados do Censo. Traz características da educação, trabalho, migração da população e do mercado de trabalho de determinada região.
Se uma empresa vai instalar uma unidade nova, elas consultam o Censo daquela região para saber se ali é o lugar mais adequado, se não há carência de mão-de-obra especializada, por exemplo.

Como as informações coletadas são apresentadas?
O Censo mostra a informação por município. Mas para as cidades grandes, o IBGE vai elaborar dados por bairro, a menor divisão oficial que a cidade tem. A prefeitura vai poder fazer uma política pública considerando os dados de determinada região do município. Na parte de transportes, por exemplo, poderá considerar as pessoas que se locomovem de um lugar para outro, dentro de uma região metropolitana.
De todos os municípios com mais de 500 mil habitantes, para os quais o IBGE ofereceu a opção de informação em recortes menores, cerca de 100 aceitaram.

(Portal da Band)

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