Avó, de 72 anos, namora o próprio neto e terá filho de barriga de aluguel

O estado do Indiana, nos Estados Unidos, está em choque não porque uma mulher de 72 anos namora com um homem de 26 anos, mas sim, porque essa mulher e esse homem são avó e neto e pretendem ser pais.

Pearl Carter, actualmente com 72 anos, engravidou aos 18 anos e deu a filha para adopção. No entanto, quando descobriu que a filha tinha morrido decidiu procurar o neto, Phil Baile pelo qual se apaixonou.

Além de assumirem publicamente a relação, o casal decidiu ainda ter um filho através de uma barriga de aluguer. Assim, o casal vai gastar mais de 40 mil euros no processo de inseminação artificial e no aluguer da barriga.

Em declarações à revista ‘New Idea’, Pearl confessou que não lhe interessa o que as pessoas pensam e garante que em breve “abraçaremos o nosso filho e tenho a certeza que Phil será um excelente pai”.

Por seu lado, Phil assume que ama a avó e namorada e sublinha que Pearl “é uma mulher maravilhosa” e têm uma vida sexual bastante activa.

(Correio da Manhã, de Portugal)

Chupem essa manga demos e tucanos

Ao contrário de nossos matutos, a mídia internacional deu grande destaque ao fato do presidente Lula figurar como número 1 da lista dos 25 políticos mais influentes do planeta. Pesquisei no mundo inteiro e verifiquei que foram raríssimos os que fizeram a ressalva sobre a lista não ser um “ranking”, e mesmo esses focaram no fato do presidente aparecer em primeiro lugar, no “topo”.

Dentre os que fizeram ressalva, está o Clarín, jornal conservador que faz oposição à Cristina Kirchnner; ainda assim, optou pela manchete: “Lula, no alto do pódio, entre os mais influentes do mundo”.

Abaixo, um apanhado de alguns sites que visitei. Para ver melhor, clique sobre a imagem. Volto a escrever lá embaixo.

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O constrangimento foi geral nas redações. Apesar de, em seu portal na web, ter sido de longe a matéria mais lida e comentada, o Estadão não botou na capa e publicou apenas nota no pé da página. O Globo também não deu na capa, mas publicou quase uma página inteira, enfatizando contudo não o prêmio, seu significado e repercussão, e sim o fato de Michael Moore, que comenta sobre Lula, não ter mencionado o mensalão, problemas na saúde pública, etc, como se o cineasta pudesse sintetizar todos os problemas do governo e do país num texto com menos de uma lauda. O Globo sequer informou a seus leitores que Lula ocupou o topo da lista.

A Folha deu na capa o seguinte:

Ou seja, assim como o Globo, a Folha também ocupou o espaço para “explicar” a seus leitores que não se tratava de um ranking. Pelo menos informa que ele é citado em primeiro lugar, embora não tire a conclusão lógica do fato.

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Alguns colunistas comentaram a notícia na imprensa de hoje. Separei dois textos que me chamaram a atenção: um de Barbara Gancia, na Folha; e outro de Fernando de Barros e Silva, no mesmo jornal.

Reparem nesse trecho da coluna de Gancia:

Ah, e como a gente precisa que gostem de nós! Norte-americano não está nem aí se o resto do mundo quer ver os EUA riscados do mapa; suíço, holandês, canadense, belga, sueco e finlandês tampouco estão se lixando se você aprovou ou não o país dele. Já o italiano faz questão de criticar a Itália junto com você. E só os mais humildezinhos, digamos, uma Honduras, uma Gana, uma Nigéria, um México, uma Venezuela ou… um Brasil têm aquele patriotismo rasgado, de chorar pela pátria quando toca o hino.

Ué, vocês sabiam que o brasileiro era tão patriota? Eu achava que, ao contrário do que diz Barbara, os americanos é que eram. Não tem um filme americano em que não apareça a bandeira deles. Na Europa, o nacionalismo é tão grande que já mataram dezenas de milhões por causa disso. No Brasil, sempre ouvi as pessoas só falando mal do Brasil, sobretudo entre os missivistas de jornal. Nos últimos anos, com Lula, é que temos visto emergir um orgulho maior pela nacionalidade, mas nada que seja tão piegas e exagerado. Ou seja, Barbara esculacha o brasileiro por um patriotismo que só ela vê. Sem contar que ela compara o Brasil a Gana e Nigéria…

Sobre o texto do Fernando, eis um trecho:

No perfil que escreveu do petista, o documentarista Michael Moore diz platitudes, mas é certeiro ao afirmar: “O que Lula quer para o Brasil é o que nós costumávamos chamar de sonho americano”.
Um mundo de consumidores banais e felizes. Uma sociedade remediada na sua selvageria pela força integradora do dinheiro. Do socialismo, nem o cadáver. Esse é o horizonte em que se movem Lula e sua utopia mundana. Moore viu o que muito petista ainda não entendeu.

O antilulismo desses caras é tão doentio, tão radical, que eles preferem se tornar antiamericanos (renegando portanto a si mesmos) a aceitarem um elogio ao presidente. O sonho americano a que se refere Michael Moore é o velho sonho de liberdade e oportunidade para todos. Reduzir a grande nação americana, pátria do rock, do blues, do jazz, da literatura beat, de uma gigantesca e eclética indústria de cinema, que desenvolveu a informática moderna e inventou a internet, a uma “sociedade remediada na sua selvageria pela força integradora do dinheiro” seria coerente na boca de um militante do PSTU, não num assumido conservador ianque como Fernando de Barros e Silva.

Como já dizia Jorge Maravilha, eles podem não gostar do Lula, mas o povo gosta.

(Blog Óleo do Diabo, de Miguel do Rosário)

Urna eletrônica indiana é fraudável. E aqui, não, Jobim?

Avisam-me pelo telefone e pedi que postassem a matéria publicada pelo G1 e reproduzida no Luís Nassif, que reproduz parcialmente uma reportagem publicada pelo Computerworld, site da IDG internacional:

Pesquisadores dizem que urnas eletrônicas indianas são inseguras

Diversos pesquisadores da Holanda, da Índia e dos Estados Unidos trabalharam juntos em um projeto de pesquisa cuja conclusão foi a de que as urnas eletrônicas usadas na Índia são vulneráveis a adulterações. Segundo os especialistas, alguém com a intenção de mudar os resultados das eleições só precisaria de pouco tempo para instalar um componente na urna que seria difícil de detectar e poderia mudar os votos dos eleitores.

O estudo foi organizado e liderado por Hari Prasad, um indiano que foi desafiado a mostrar que as urnas poderiam ser alteradas. Mas a comissão eleitoral indiana decidiu não permitir o teste e não cedeu a Prasad uma urna para que pudesse conduzir sua pesquisa. Os pesquisadores afirmaram que obtiveram a urna por meio de uma fonte anônima, já que o governo indiano não cede o equipamento para testes independentes.

O componente criado pelos pesquisadores permite que um criminoso controle como a urna contará os votos remotamente usando um telefone celular. Prasad contou com o auxílio de Alex Halderman, professor da Universidade de Michigan com experiência em urnas eletrônicas e de Rop Gonggrijp, um ativista que foi responsável por urnas eletrônicas serem banidas nos Países Baixos.

Os pesquisadores alegam que sistemas de armazenamento eletrônico direto, sem um papel para verificação do eleitor e para viabilizar uma recontagem dos votos. Essa é a solução proposta pelos especialistas, cuja pesquisa incluiu diversas medidas de proteção possíveis que são “ineficazes”.

No Brasil, o TSE também não cede urnas para testes independentes. O máximo que se fez até agora foi permitir que especialistas analisassem o equipamento por apenas quatro dias. Já a impressão do voto será obrigatória no Brasil a partir das eleições de 2014.

A cada dia surgem mais provas de que é história para boi dormir a conversa do Ministro (serrista) Nélson Jobim e dos técnicos do TSE dizendo que a urna brasileira é “100% segura”. Os textos, na íntegra, estão nos links do início.

(Blog Tijolaco, do Brizola Neto)

A divisão dos votos de Ciro

Essa aí é para colocar mais um pouquinho de gasolina no braseiro. Vão querer espicaçar de vez o Instituto Sensus. Essa polarização entre os dois institutos pra lá versus os outros dois pra cá, vai ser uma das melhores coisas destas eleições:

Votos de Ciro Gomes tendem a favorecer Dilma, diz especialista

A retirada da pré-candidatura do Deputado Ciro Gomes à Presidência da República consolida uma pergunta que já rondava o debate sobre a sucessão presidencial: para onde escoarão os votos do eleitor de Ciro? Para Serra ou para Dilma?

Na terça-feira 27, o PSB defenestrou Ciro Gomes. A Executiva do partido decidiu, por 11 votos contra 2, que os socialistas não teriam candidatura própria à Presidência da República. Mas, além desse fator, sem a presença de Ciro Gomes na competição, cresce a possibilidade de a eleição de outubro ser definida no primeiro turno. Um resultado possível em eleição polarizada, entre petistas e tucanos, e ainda com forte viés plebiscitário como será a de outubro.

Nesse ambiente inteiramente polarizado,a oposição e a imprensa que a vocaliza reagiram à decisão do PSB de retirar o nome de Ciro do páreo e, principalmente, contra a decisão de consolidar o apoio à candidata governista.

O que será dos votos de Ciro? O cientista político Ricardo Guedes, diretor do Instituto Sensus, responde à pergunta assim: “os votos de Ciro Gomes vão mais para Dilma Rousseff do que para José Serra. Em dados gerais, pelos nossos cruzamentos, 50% vão para a candidata do PT e 30% para o candidato do PSDB.”

Para ele, os 20% restantes seriam redistribuídos igualmente entre Marina Silva, do PV, e os indecisos.

“Se considerarmos as proporções para Dilma e para Serra, temos 65% dos votos indo para ela e 35% para ele”, diz Guedes.

A lógica do raciocínio de Ricardo Guedes baseia-se no princípio do que ele considera “pacto do tipo social-democrata europeu”, que teria se formado no Brasil. Ou seja, “a esquerda passa a ser institucionalizada, e a direita cede para programas sociais”.

Os votos de Ciro Gomes favoreceriam, assim, Dilma Rousseff por estar na posição de centro-esquerda do especto político.

Guedes lembra que o eleitor de Marina Silva, o terceiro nome da disputa com potencial de voto pequeno, mas possivelmente decisivo, pode vir a fazer voto útil em Dilma, na reta final das eleições. Isso ocorreu com a ex-senadora Heloísa Helena, do PSOL, nas eleições presidenciais de 2006. Ela chegou a ter 15% das intenções de voto (um número muito próximo ao porcentual máximo atingido por Ciro nas pesquisas de 2009) e terminou com 5%.

Guedes afirma que o voto dela “fluiu para Lula”.

O nome de Plínio de Arruda Sampaio, recentemente definido como pré-candidato do PSOL, ainda não foi incluído nas pesquisas.

Ricardo Guedes engrossa o coro daqueles que acham possível (como já falou João Francisco Meira, do Vox Populi), a eleição ser decidida pela via rápida, em apenas um turno. A favor da candidata do PT.

As condições econômicas e sociais favorecem a candidatura de Dilma Rousseff, que expressa o voto na continuidade, estando a oposição com dificuldades de formular um projeto alternativo para o País. Com a tendência de maior conhecimento de Dilma, as intenções de voto permanecerão equilibradas até o início do período eleitoral, com os programas eleitorais nos meios de comunicação e os debates”.

Ao contrário do que se esperava, a questão ambiental não tomou conta dos debates. Isso projeta dificuldades para Marina manter um porcentual de votos acima de um dígito. A pesquisa Ibope, mais recente, indicou que 10% dos eleitores votariam nela se a eleição fosse hoje.

Os debates, segundo Guedes, serão fundamentais para a alteração, ou não, dessas tendências. Ele acredita que, como ocorreu com a candidatura de Heloísa Helena nas eleições passadas, parte do eleitorado de Marina Silva pode vir a fazer o voto útil. Enviado pelo amigo Amorim de São Paulo.

Fonte: Carta Capital / Coluna Rosa dos Ventos – Maurício Dias

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=128564&id_secao=1

A ONU e a Lei da Anistia

Comissária da ONU critica decisão do STF sobre anistia

Sul-africana da área de direitos humanos afirma que desfecho foi ”muito ruim” e recomenda que Brasil siga exemplo da Argentina
Jamil Chade – O Estado de S.Paulo

A decisão do Supremo Tribunal Federal de manter a Lei da Anistia no Brasil foi alvo de críticas na Organização das Nações Unidas (ONU). A principal autoridade para direitos humanos na entidade, a sul-africana Navi Pillay, condenou o desfecho do julgamento e pediu o fim da impunidade no Brasil.

“Essa decisão é muito ruim. Não queremos impunidade e sempre lutaremos contra leis que proíbem investigações e punições”, disse a alta comissária da ONU para direitos humanos.

No ano passado, durante sua primeira visita ao Brasil, Pillay já havia afirmado que o País precisa “lidar com seu passado”. Há dois meses, em um encontro com o ministro de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, voltou a falar do assunto em Genebra, dando apoio a iniciativas que levassem a um fortalecimento da ideia de acabar com a Lei de Anistia.

Pillay, que foi também quem julgou os casos de crime de guerra no Tribunal para Ruanda, confirmou que havia sido informada da decisão do Supremo e não disfarçava que não havia sido bem recebida na ONU. “Fiquei sabendo sobre isso hoje pela manhã”, disse, em tom de desagrado.

Ela se disse surpresa com o fato de o Brasil estar seguindo direção diferente da adotada pela Argentina e por outros países latino-americanos no que se refere a investigações contra os responsáveis por torturas durante os regimes militares.

Peritos. No Comitê contra a Tortura da ONU, os peritos independentes também não pouparam críticas à decisão do STF. O comitê é formado por juristas de reconhecimento internacional.

“Isso é incrível e uma afronta. Leis de anistia foram tradicionalmente formuladas por aqueles que cometeram crimes, seja qual for o lado. É um autoperdão que o século 21 não pode mais aceitar”, afirmou o jurista espanhol Fernando Mariño Menendez. “O Brasil está ficando isolado. Parece que, como na Espanha, as forças que rejeitam olhar para o passado estão prevalecendo.”

“Há um consenso entre os órgãos da ONU de que não se deve apoiar ou mesmo proteger leis de anistia. Com a decisão tomada pelo Supremo, o País está indo na direção contrária à tendência latino-americana de julgar seus torturadores e o consenso na ONU de lutar contra a impunidade”, afirmou o perito contra a tortura da ONU, o equatoriano Luis Gallegos Chiriboga.

Ele ressaltou ainda que não há prescrição para os crimes de tortura. “Sociedades que decidem manter essas leis de anistia, seja o Brasil ou a Espanha, estão deixando torturadores imunes à justiça de que tanto se necessita para superar traumas passados.”

Outro perito do Comitê contra a Tortura, o senegalês Abdoulaye Gaye, também mostrou indignação. “Não há justificativa para manter uma lei de anistia. Se uma Justiça decide mantê-la, isso é um sinal de que não quer lidar com o problema da impunidade.”

Pressão. Na ONU, cresce a pressão para que leis de anistia sejam abolidas em todo o mundo. Há poucos meses, a entidade recomendou à Espanha que julgasse finalmente os crimes cometidos na Guerra Civil. Sobre o Brasil, o tema da anistia está na agenda da ONU há uma década. Em 2001, um comitê da entidade sugeriu pela primeira vez ao governo brasileiro que reavaliasse a Lei de Anistia.

Em 2004, outro comitê das Nações Unidas voltou a levantar o assunto em uma reunião privada com o governo. A sugestão foi de que a lei fosse abolida.

O Comitê contra a Tortura da ONU ainda recomendou, em seu último relatório no início de 2008, que o Brasil lidasse com seu passado e abolisse a lei.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100501/not_imp545550,0.php

Apertem os cintos, a manchete sumiu!

Vocês viram que, mais cedo, postei um comentário sobre a manchete da Folha de S. Paulo falando do crescimento de 23% dos homicídios na capital paulista e, também, em todo o Estado de São Paulo, não é?


Aí, mais tarde, recebi um telefonema de um amigo:

- Cara, você ficou maluco?

- Eu? Que é isso, fulano?

- Como é que você me bota aquele post sobre a notícia da Folha, dizendo que os assassinatos subiram 23%, e eu estou com o jornal na mão e não tem nada disso?

- Mas, fulano, tá lá, li a Folha cedo, na internet.

- Ah, então isso só saiu na internet.

- Não, tá no jornal impresso, eu peguei o fac-símile da capa e li na edição digital. Tá lá a reprodução no post da capa da Folha

- Ah, não, aquilo é montagem, só pode ser.

- Cara, você acha que eu ia vacilar e forjar uma capa da Folha?

- É, não ia dar um mole destes…

- O que pode ter acontecido é terem trocado a manchete na edição que vem pro Rio e vai para os outros Estados…Vê se não tem a mesma chamada, menorzinha, aí…

- Não, não tem nada…

- Então tiraram a primeira página, deve estar no caderno Cotidiano, olha lá…

- Não está…

- Nada?

- Nadica de nada…

Bom, claro que fui correndo atrás de um exemplar da Folha. E meu amigo estava certo. Na edição que este jornal “a serviço do Brasil” distribuiu para o país inteiro, o crescimento da violência em São Paulo foi, simplesmente, suprimido.

Pode-se admitir que, por critérios editoriais, o jornal preferisse abrir outra manchete nacional, embora, a meu ver, a importância de São Paulo e o mais do que expressivo salto nas mortes violentas continuassem a ser mais interessantes para quelaquer leitor da Folha, em qualquer parte do país do que uma queda de 12% no superávit do Governo no trimestre.

Mas aí é critério do jornal. Estranho, mas não critico.

O pulo nas mortes violentas em São Paulo, porém, merecia pelo menos um cantinho, uma chamadinha, não é?
Não, não é.

Não mereceu sequer uma linha nas 84 páginas da edição nacional da Folha.

Ela foi arrancada da capa do caderno C2, assim como a rica matéria, com gráficos e fotos, que está na segunda página deste caderno. O caderno encolheu duas páginas na edição nacional e remanejaram os necrológios e os anúncios fúnebres, para a coisa se encaixar.

E não digam que violência é um assunto exclusivamente local, pois o espaço mais nobre do jornal, sua coluna editorial é dedicado a este problema…no Rio de Janeiro!

Semana passada assumiu a nova “ombudswoman” da Folha, que avisou que ia ignorar os blogueiros e cuidar dos leitores do jornal.

Também não foi falta de espaço, porque a outra nota trocada na primeira página foi a da nomeação de Andrea Matarazzo para a Secretaria de Cultura paulista, mas a matéria está lá, bem grande, na página C6, para todo o país.

A dona Suzana Singer me perdoe, mas eu e meu amigo somos leitores do jornal e ele me chamou de maluco e mentiroso por causa do que fez o seu jornal.

O que é manchete do jornal em São Paulo não merece uma linha sequer para o resto do país?

Ou isso é o resultado de uma esquizofrenia editorial entre vender jornal em São Paulo e “vender” José Serra no resto do país?

Ainda bem que não sou jornalista, para não ter motivos profissionais para me enojar do que a Folha fez.

Só fico enojado como cidadão brasileiro.

(Blog Tijolaco, do Brizola Neto)

Violência: Um problema social que picareta não derruba

Folha de São Paulo, edição de 01/05/2010

Um dia, um companheiro, 20 anos mais velho que eu, mostrou-me um “jornalzinho” amarelado pelo tempo. Foi um impresso promocional do musical “Gota D’Água”, do Chico Buarque e Paulo Pontes, onde a atriz Bibi Ferreira era a protagonista. A peça se passava em um cortiço e, no material de promoção, o redator do folheto fazia alusão à então recente demolição de casas na zona do meretrício no centro do Rio, para as obras de construção do Metrô. A “manchete” chamou-me a atenção e ficou na memória: “Prostituição é um mal social que picareta não derruba“.

Lembrei-me disso, agora cedo, ao pegar a Folha de S. Paulo e ler a manchete sobre o salto no número de homicídios na capital paulista – e também no interior. É impressionante como a realidade – outro dia falei aqui que alguns a viam como “a maldita realidade” – se impõe sobre as tentativas de manipulação que se intentam sobre ela.

Não faz uma semana falei aqui sobre a tentativa de manipular eleitoralmente a questão da violência e da criminalidade. Disse que Serra havia entrado de cabeça no tratamento eleitoreiro desta questão, ao se apresentar como “o grande engaiolador” de bandidos e a esta atitude e atribuir a esta atitude o condão de reduzir o crime.  Se quer fazer assim, se quer atribuir a si o mérito de quedas na criminalidade, expõe-se a, também, receber a culpa pelo aumentodela, não é? E olhem que não foi um pequeno aumento, mas 23%!
A língua, diziam os antigos, é o chicote da… deixa pra lá.

O mais curioso é que procuram invalidar a ligação entre as condições sociais e a violência. Quando falamos nisso, vêm com uns argumentos primários do tipo “nem todo pobre é bandido”. Claro que não, é evidente, como nem todo o bandido é pobre. Os maiores – do crime “convencional”, do crime do “colarinho branco”  e os maiores, do “crime de lesa-pátria” – são até bem ricos.

A mentalidade exclusivamente repressiva tem levado, segundo o seu próprio governo, Sr. Serra, ao encarceramento desnecessário de jovens, notícia da mesma Folha de hoje. São 1.787 rapazes e moças “engaiolados” e que têm ótimas chances de sair da ex-Febem como criminosos formados.

A mãe do crime não é a pobreza, por si só. É a degradação da vida e dos valores humanos. E essa é uma obra múltipla. Ela se faz com a massa da pobreza, bem amassada por um sistema educacional miúdo e perverso, socada pelo apelo ao consumo, pelos recalques da exclusão, pelos traumas de uma repressão seletiva, onde existe lei para agir contra um apartamento de rico e se quer a bota arrebentando a porta do pobre.

Onde alguém que teve tudo, inclusive uma família humilde e trabalhadora para dar-lhe valores, vem falar em “engaiolar” aos magotes, em lugar de apostar na cidadania, na educação de qualidade, na elevação dos valores da vida, da liberdade, do progresso social. Dos valores que ele recebeu da família e da escola.

Um presidente – ou uma presidenta – da República tem o papel de educador. Claro que as pessoas que cometem crimes devem ser presas, julgadas e condenadas. Mas a ação essencial de um Governo é evitar que elas cometam crimes, é evitar que se marginalizem, é ajudar a desfazer a fórmula perversa da desigualdade e da exclusão que massacra os pobres e apavora a vida de todos e também “engaiola” milhões atrás de cercas, grades, fios eletrificados…

Para quem vem da esquerda, da generosidade, fica a merecer o anátema, a marca de Caim de “Gota D´Água”, inspirada na grega Medéia, quando a personagem Joana reclama da traição de Jasão o, seu ex-companheiro, que a trocou pela filha de Creonte, o poderoso dono do cortiço:

vai escutar as contas que eu vou lhe fazer: […]
Te dei cada sinal do teu temperamento
Te dei matéria-prima para o teu tutano
E mesmo essa ambição que, neste momento,
se volta contra mim, eu te dei, por engano
Fui eu, Jasão, você não se encontrou na rua
Você andava tonto quando eu te encontrei
Fabriquei energia que não era tua
pra iluminar uma estrada que eu te apontei
E foi assim, enfim, que eu vi nascer do nada
uma alma ansiosa, faminta, buliçosa,
uma alma de homem.(…)

Certo, o que eu não tenho, Creonte tem de sobra
Prestígio, posição… Teu samba vai tocar
em tudo quanto é programa.
Responde ao que eu tou  Em troca pela gentileza
vais engolir a filha, aquela mosca-morta,
como engoliu meus dez anos. Esse é o teu preço,
dez anos. Até que apareça uma outra porta
que te leve direto pro inferno. Conheço
a vida, rapaz. Só de ambição, sem amor,
tua alma vai ficar torta, desgrenhada,
aleijada, pestilenta…
Aproveitador! Aproveitador!…

(Blog Tijolaco, do Brizola Neto)

A mordaça tucana

É muita cara de pau. Depois de levar um flagrante fazendo o jogo sujo da internet,o PSDB quer calar a voz de Lula. Ameaça processar o presidente por ter feito um pronunciamento em cadeira de rádio e televisão em razão do 1º de maio, dia do Trabalho.

O presidente não indicou candidato, não pediu votos. Disse, apenas, que esperava a continuidade das políticas que desenvolveu. Deveria pregar o que? A sua revogação? Deveria fazer um apelo para que parasse a politica de gerar empregos, ou de aumentar o salário-mínimo?

Ficamos assim: Serra, do PSDB, da oposição, diz que é preciso continuar e “poder mais”. Lula diz que está tudo indo mal e que é preciso mudar. Bacana, não é?

A oposição morre de medo das falas de Lula, pela popularidade de que desfruta a junto ao povo brasileiro. E em todas as pesquisas, a maioria da população afirma que votaria em um candidato indicado por ele.

Querem privar a população de ser informada de que há mais emprego, de que há mais salário e de que é decisão de Governo privilegiar a produção e o trabalho.

Ao dizer em seu pronunciamento na quinta-feira à noite que “este modelo de governo está apenas começando”, Lula deixou a oposição em polvorosa, e ela já anunciou que vai ingressar com representação no TSE por propaganda antecipada. Os cães de guarda sairam a campo e se mostraram bem afinados. Álvaro Dias, o entrevistado de sempre pela TV Globo; Sérgio Guerra, já bem definido por Lula, e o – com o perdão das famílias – Roberto Freire acusaram o presidente de proselitismo eleitoral.

A democracia da direita se faz com o silêncio da esquerda.

(Blog Tijolaco, do Brizola Neto)

O arquivamente do caso privatização da Telebrás

O TRF da 1ª Região decidiu arquivar ação de improbidade em torno do leilão de privatização do sistema Telebrás, ocorrido em 1998, por considerar que não houve má-fé nem dano ao Tesouro e que não existem provas das irregularidades alegadas. A ação foi movida pelo Ministério Público contra o leilão da Telemar, uma das 12 companhias telefônicas privatizadas pelo governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Os juízes seguiram as conclusões de tomada de contas realizada pelo TCU (Tribunal de Contas da União), que também apontou para a inexistência de dolo ou prejuízos à União.

A Procuradoria Regional da República em Brasília informou ontem que estuda a possibilidade de ingressar com recurso no STJ (Superior Tribunal de Justiça) ou no STF (Supremo Tribunal Federal) contra a decisão do TRF, tomada em março e divulgada anteontem pelo tribunal.

A ação foi ajuizada por procuradores da República contra o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros, o ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) André Lara Resende e seu vice, Pio Borges, o ex-presidente da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) Renato Navarro Guerreiro e 12 empresas, entre as quais as compradoras da antiga Tele Norte Leste, depois rebatizada de Telemar, controladas pela empreiteira Andrade Gutierrez e pelo empresário Carlos Jereissati.

Em 2009, o juiz federal Moacir Ferreira Ramos, da 17ª Vara Federal de Brasília, decidiu pelo arquivamento da ação, o que foi confirmado pelo Tribunal Regional Federal.

Em seu relatório, que foi acolhido por unanimidade na 3ª Turma do tribunal, o juiz Tourinho Neto descreveu que as afirmações feitas na denúncia pelos procuradores se mostraram equivocadas.

“Não está demonstrada a má-fé, premissa do ato ilegal e ímprobo, para impor-se a condenação aos réus. Também não se vislumbrou ofensa aos princípios constitucionais da administração pública para configurar a improbidade administrativa”, escreveu o relator.

Com a decisão do TRF, Mendonça de Barros disse se sentir “moralmente resgatado perante a opinião pública”. “São 12 anos. Evidente que é um momento importante, pessoalmente, e de revolta, porque você vê que a motivação de todo esse processo foi meramente política”, disse Barros, citando representações feitas à época por políticos e advogados do PT e líderes sindicais.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0105201016.htm

(http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/)

PSTU quer desbancar Cid Gomes e lança candidato ao Governo do Ceará

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), oposição à atual gestão, quer concorrer ao Governo do Estado e lança um nome para representar o partido na disputa: Francisco das Chagas Gonzaga, conhecido como Gonzagão. Líder da área da Construção Civil, ele pretende aprofundar a discussão em torno da Segurança Pública e, assim, cutucar o governador Cid Gomes (PSB), que fez altos investimentos na área.

A legenda também levantará a bandeira da geração de empregos, de cunho fundamental para o equilíbrio da economia. A engenheira de pesca Soraya Tupinambá está engajada nas pretensões do PSTU. Nacionalmente, Zé Maria será lançado como candidato.

(Portal Ceará Agora)

O desafio sindical no pós-Lula

Se hoje, a luta da classe trabalhadora e o sindicalismo se tornaram corriqueiros, os movimentos sociais agora têm o desafio de adequar negociações com a paixão pela luta – ambiguidade conseguida graças ao Governo Lula (PT). Por um lado, a proximidade com o poder, facilita articulações. Por outro a parcialidade de quem participa dele.

Na pauta do Congresso, a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais. Sindicatos e centrais trabalhistas de todo o País pressionam firme. Do outro, empregadores batem forte contra. Quem leva a melhor? “Há uma perspectiva, mas não vai sair exatamente como o trabalhador quer. Vai ser intermediário”, afirma o procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho no Ceará (MPT-CE), Gérson Marques. Para ele, o Governo Lula falhou muito quanto à legislação trabalhista. “Eu diria que não fez quase nada“.

Gérson aponta que isso se deu pelo fato de os sindicatos terem sido chamados ao Governo e terem optado por não enfrentar esse Governo do qual fazem parte. “Talvez tenha havido uma mistura entre política e sindicalismo“.

No entanto, o procurador reconhece que quando Lula assumiu o processo de enfraquecimento iniciado no Governo Fernando Henrique Cardoso (FHC) foi barrado. “Não que tenha fortalecido. Mas com a saída dele (Lula) pode ser que os sindicatos reencontrem seu norte“.

Comemorar
Por outro lado, o presidente da Central Única dos Trabalhadores no Ceará (CUT-CE), Jerônimo do Nascimento, defende que este é um momento de “muitas comemorações“, devido às conquistas com o Governo Lula.

Mas não deixa de lembrar que é um momento de “levantar as armas“ em defesa das conquistas e de causas ainda não estabelecidas como a diminuição da jornada de trabalho, a reforma agrária e questões estruturais urbanas.

Ele alega que mesmo Lula tendo sido o fundador da CUT, a entidade teve “postura” para debater. “Levamos muita peia da polícia. Hoje quando a gente chega no Palácio do Planalto, existe uma tropa de ministros”.

Para ele, a vantagem de conciliar a luta nas ruas com negociações é o reconhecimento de que as entidades apresentam propostas.“Não adianta fazer manifestação, enrolar a bandeira e ir para casa e não conseguir nada“.

No dia 1º de junho, as centrais sindicais vão se reunir para construir uma plataforma da classe trabalhadora. O documento será primeiro entregue à pré-candidata petista, Dilma Rousseff. Depois, encaminhado aos demais pré-candidatos. Com isso, explica Jerônimo, as centrais sindicais querem mostrar que não vão voltar às relações de “2002 para trás”. “Nós que apanhamos, que levamos borrachada”.

EMAIS

1. Entre os pontos que estavam pendentes desde o Governo Fernando Henrique Cardoso (FHC – PSDB) e que poderiam ter sido regulamentados no Governo Lula, mas não o foram, o procurador-chefe do Trabalho no Ceará, Gérson Marques, aponta o aviso prévio proporcional, garantia no emprego e direito de greve no serviço público.“Tipificar como crime a retenção dolosa do salário – quando a empresa deixa de pagar o salário porque quer. Está previsto na Constituição, que remete ao legislador para dizer qual a pena. O legislador não estabeleceu ainda a sanção e a Constituição não tem aplicação“.

2. Quanto à questão do trabalho escravo, o procurador também aponta que o Governo Lula poderia ter sido mais enfático, além do enfraquecimento continuado das instituições trabalhistas.
O trabalho que vem sendo feito, avalia o procurador, tem sido em cima de decisões da Justiça do Trabalho e de ações do MPT, para coibir o trabalho escravo.“As pessoas envolvidas no trabalho escravo, criminalmente quase ninguém foi punida. Já teve assassinato de fiscais do trabalho“.

3. O pré-candidato a presidente pelo PSTU, José Maria de Almeida, disse que será preciso um novo momento da política nacional para que as pessoas voltem a participar do sindicalismo. Isso quando o neoliberalismo prejudicar as condições de vida.

(Por Giselle Dutra, no O Povo Online)

Eleições 2010: Vários caminhos e só um palanque

Em tempos de oposição quase “zero“ no Ceará, o leitor/eleitor já deve ter se perguntado: o que o governador Cid Gomes (PSB) tem de tão interessante, para atrair partidos de todas as cores, tamanhos e bandeiras em torno de si? Com exceção do PR, PPS, Psol e PSTU, o comando das principais siglas do Estado já declarou tendência a apoiar a reeleição de Cid. A adesão delas, entretanto, não será feita de graça.

Para além da “semelhança programática“ alegada, coincidentemente, por quase todas as outras legendas da base cidista, da centro-esquerda à centro-direita , o PSDB admite que “é questão de estratégia. Nós temos a eleição do senador Tasso Jereissati, que é prioridade, temos uma bancada de deputados a preservar. A gente sai fortalecido, inclusive, para lançar candidato à sucessão do Cid (em 2014), e pra prefeito de Fortaleza (em 2012)“, explicou o líder tucano na Assembléia Legislativa, João Jaime.

O PSDB disputa com o PT a preferência de Cid no palanque deste ano. Além de ter interesse em emplacar o deputado federal José Pimentel ao Senado & que passa a ter mais chances se entrar no páreo com as “bênçãos“ do Executivo estadual &, a sigla petista também quer manter o posto de vice-governador na chapa cidista, hoje ocupado por Francisco Pinheiro (PT).

Isso sem contar com o interesse em fortalecer, com Cid, o palanque da pré-candidata da sigla à Presidência da República, Dilma Rousseff. Hoje, o PT não teria nenhum nome disponível, com força equivalente à de Cid, para atrair votos à ex-ministra da Casa Civil.

Por trás da aliança com o PSB existe, ainda, um gesto de gratidão do PT & já que, em 2008, o governador deixou de apoiar sua ex-cunhada, Patrícia Saboya (PDT) à Prefeitura de Fortaleza, para engrossar o coro a favor da então candidata à reeleição, Luizianne Lins.

E o PMDB?
Questionado sobre as afinidades ideológicas que, supostamente, uniriam o partido do governador ao PMDB, o presidente estadual da sigla, deputado federal Eunício Oliveira, adiantou-se: “como o PMDB é um partido de centro, eu fico muito à vontade de não falar nesse ponto ideológico. Nós não temos nenhum preconceito contra partido A ou C, seja da direita ou da esquerda. Nossa questão não é ideológica, mas programática“, salientou.

Para justificar a aproximação com o PSB, Eunício apelou a uma verdadeira declaração de amizade e admiração. “O partido está feliz, satisfeito, com a gestão. Em 2006, quando resolvemos apóia-lo, havia apenas uma expectativa. Hoje, há uma relação pessoal de respeito“.

Até na hora de explicar as vantagens pragmáticas da aliança, o parlamentar lançou mão de elogios a Cid. “No interior, em nenhum local eu vi descontentamento ao Governo. Isso deve ser convertido em aplausos ao nosso projeto“, afirmou, mesmo diante das críticas de que, fora da Capital, Cid enfrentaria resistência em determinados setores. (Hébely Rebouças)

E-Mais

AS RAZÕES DE CADA UM

Para o cientista político da UFC, Valmir Lopes, a resistência do PT em dividir palanque com o PSDB é pragmática, e não político-ideológica, como a sigla petista deseja fazer crer.:

>Conforme o especialista, uma das armas eleitorais da prefeita Luizianne Lins é justamente o fato de ela representar oposição ao “tassismo“. Curvando-se ao senador, ela estaria também perdendo votos.

>Lopes lembrou, ainda, que PT e PSDB já estão juntos hoje, pelo menos indiretamente, compondo o Governo Cid. Durante a eleição, entretanto, “estrategicamente“, não seria conveniente associar a imagem de um a de outro.

(O Povo Online)

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