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Ceará e Nordeste

Como funciona o processo de transferência nas universidades brasileiras

João Castro, 27 anos, entrou para a faculdade de Engenharia Química da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Em 2000, após um ano, a saudade da família que mora na capital paulista fez com que ele tentasse a transferência. Castro realizou a prova específica da Fuvest. E conseguiu uma vaga na Universidade de São Paulo (USP).

As universidades públicas e privadas disponibilizam vagas provenientes da desistência ou da repetência de alunos. Elas são chamadas de vagas remanescentes. Geralmente, são disponibilizadas após o segundo ano ou semestre de cada curso. Apesar de pouco conhecida, trata-se de mais uma chance para os universitários cursarem a faculdade tão desejada.

A transferência entre universidades é diferente do colégio. De modo geral, cada instituição possui seu processo seletivo. Na USP, ele é feito por meio da Fuvest. O conteúdo da prova muda de acordo com a área: humanas, exatas ou biológicas. Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a coordenação de cada curso faz suas próprias exigências. A maioria solicita compatibilidade de currículo e prova específica. Em alguns cursos, como Artes Visuais, os docentes ainda analisam o portfólio do candidato.

É comum as instituições darem preferência aos alunos da própria universidade que querem mudar de curso, como é o caso da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Andressa Luiza de Souza, 21 anos, estuda na Unicamp. Ela está no segundo ano de Letras, depois de cursar três semestres de Pedagogia. “Entrei à faculdade em 2007. Em julho de 2008, remanejei porque sempre quis estudar literatura. Tentei entrar para a Letras pelo vestibular, mas não consegui”, conta Souza. Para conseguir a transferência, ela frequentou aulas no curso de Letras enquanto fazia Pedagogia.

A primeira dificuldade que os interessados em vagas remanescentes enfrentam é obter informações. Cada universidade divulga as vagas em determinada época do ano. Em geral, elas são publicadas após os períodos de rematrícula entre os meses de fevereiro e agosto. Acompanhar os sites das instituições almejadas é uma dica para descobrir quando haverá o processo de transferência.

Na maioria dos cursos, a procura pelas vagas remanescentes é baixa. No ano passado, a Unicamp abriu 773 vagas contra 598 inscritos. O curso mais procurado foi Medicina com 4,6 candidatos para cada uma das nove vagas. Por outro lado, ninguém concorreu às 50 cadeiras disponíveis para Tecnologia da Construção Civil.

Mesmo assim, vaga sobrando não é sinônimo de garantia. “Estudo tudo que a faculdade exige para passar”, conta Benenilton da Silva Santos, de 20 anos. “Ouvi dizer que essa prova é mais difícil que o vestibular”, completa. “Uma dos maiores problemas que enfrentei era a grade curricular diferente. O conteúdo que a Fuvest pedia tinha como base o currículo da USP, mas eu aprendi o conteúdo da UFPR”, lembra o engenheiro químico Castro.

Santos mora em Vitória da Conquista, na Bahia, onde cursa o segundo semestre de Ciências Contábeis. O universitário quer se transferir da Faculdade Independente do Nordeste (Fainor) para a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). “É um absurdo o valor da faculdade. Além disso, não sou natural da cidade e dependo dos meus pais”, diz.

Na maioria das vezes, quando o aluno consegue uma vaga remanescente, deve cursar as disciplinas que não teve na outra instituição. “É importante avaliar se vale mesmo fazer a alteração, pois as diferenças entre as grades podem aumentar o tempo de formação”, explica Castro. “Se o estudante não está contente com seu curso deve correr atrás do que quer”, acredita Andressa.

(Ibest)

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