Geisy foi expulsa pelos filhos da revolução sexual?

11 11 2009

A expulsão da estudante Geisy Villa Nova Arruda, 20 anos, pela Uniban, por “não vestir roupas condizentes com uma universidade” e por seu “comportamento provocativo”, é uma decisão tão totalitária, imprópria e absurda que, depois de escrever um post e uma coluna sobre o caso, achei melhor dar voz hoje a uma mulher que lutou a vida toda contra o preconceito e a favor da liberdade, contra a hipocrisia. Socióloga, fundadora da ONG Davida e da grife Daspu, Gabriela Leite escreveu o livro Filha, mãe, avó e puta - onde conta sua experiência como universitária e garota de programa. Gabriela está na Holanda, soube do caso da Geisy, viu o vídeo do linchamento moral e, a pedido nosso, escreveu um artigo para o blog Mulher 7×7. Ela admite seu estupor com um Brasil que diz desconhecer, talvez mais retrógrado do que há décadas, se for ilustrado por esse caso da Uniban – que transformou uma vítima em culpada, e não puniu os universitários amotinados que colocaram no youtube a seleção vergonhosa de imagens em que a estudante sai escoltada pela PM e coberta com um jaleco branco.

Aqui em Amsterdã, onde estou para uma reunião do movimento internacional de prostitutas, acompanho estarrecida as notícias sobre a moça do vestido rosa-choque. À distância, fica ainda mais difícil entender o que se passa nas cabeças da direção da Uniban e de seus alunos de moral irrepreensível.

O país da Uniban e seus alunos não é, em definitivo, o meu país, como também não é a cidade em que nasci e onde passei grande parte de minha vida.

Fui aluna da USP nos já longínquos anos setenta. Eram tempos efervescentes: todos nós queríamos uma sociedade mais aberta e menos hipócrita em relação à sexualidade. A pílula anticoncepcional deu maior liberdade sexual para a mulher. Nós, meninas cheias de sonhos e cansadas da educação diferenciada, fomos à luta e aderimos à chamada revolução sexual. Marcuse, Foucault, Deleuze – nossos ídolos e gurus do pensamento libertário. Quantas discussões no bar da Consolação sobre a sexualidade livre, mais sincera e menos hipócrita.

A vida real um dia nos chamou, e seguimos cada uma o seu caminho. Fui para a prostituição com um imenso desejo de conhecer um outro mundo, outros códigos. A  “Boca do Lixo” me chamava insistentemente. Acreditava que a sociedade estava mudada e me deparei com a realidade nua e crua do estigma da prostituta: dupla moral para poder viver na sociedade e clientes colocando para fora suas fantasias sexuais. Os mesmos homens que, em suas vidas, posavam e posam de guardiães da moral e dos bons costumes. Homens que, como nós, prostitutas, viviam também uma dupla moral. Como uma tradução dessa realidade subjetiva, sobrava para nós, prostitutas, a realidade nua e crua: violência policial com porradas, prisões e desaparecimentos de colegas dos porões da Terceira Delegacia da cidade de São Paulo.

Resolvi não ficar parada olhando e desde então venho falando, agindo e acreditando que uma sociedade menos hipócrita em seus valores morais é possível de ser alcançada. Esse é meu sonho, essa é minha vida. É difícil! As verdades absolutas (que ninguém vive) estão entranhadas em nossa cultura.

O caso da moça do minivestido rosa-choque me faz lembrar da história de uma amiga prostituta. Trabalhando na praça da Alfândega, em Porto Alegre, decidiu fazer faculdade. Quis seguir meu exemplo e entrar no curso de sociologia. Seu sonho: poder usar as ferramentas metodológicas da sociologia para estudar a fundo o mundo da prostituição. Um belo dia, um colega de classe a viu impávida, encostada em um poste na praça da Alfândega. O rapaz chegou à faculdade e contou para todos os outros colegas de classe a “verdadeira” história de minha amiga. Quando ela chegou para a aula, nenhum aluno a cumprimentou e todos passaram a ignorá-la. Passados alguns dias, minha amiga perdeu a paciência e resolveu enfrentar a situação. Perguntou a todos o porquê de tudo aquilo, o porquê de tanto desprezo. O rapaz que a viu na praça disse então que era inadmissível conviver no mesmo espaço que ela. Sua namorada (moça direita da sociedade gaúcha) não merecia tanta afronta. Finalizou dizendo que as mulheres vagabundas deveriam saber qual o seu lugar e não afrontar a vida das boas mulheres da sociedade.

Ok, disse minha amiga. Não fico à toa encostada no poste da praça. Não sou nenhuma boba de enfrentar o preconceito  e aguentar o frio ou calor por puro diletantismo. Fico lá porque sei que existe demanda para os meus serviços. Eu não existiria se não fosse você – ou homens como você que me procuram para satisfazer suas fantasias. Eu sou o espelho de seus preconceitos morais.

Claro como a água! Aluna brilhante, hoje minha amiga está fazendo mestrado em Direitos Humanos e Gênero na mesma universidade e continua  no mesmo poste e na mesma praça de sempre ajudando os homens a enfrentar suas fantasias sexuais.

Enquanto uma estudante é expulsa da faculdade em São Paulo sem sequer ser avisada, e simplesmente sob a incrível alegação de ser “provocativa” e “usar roupas não condizentes com o ambiente” – um mero minivestido rosa –, estou na Europa tratando de assuntos políticos relativos à prostituição.

Na semana que passou, participei de uma reunião na ONU em Genebra de um grupo de trabalho que está elaborando um documento sobre como trabalhar prostituição e Aids no mundo.  Agora estou em Amsterdã para outra reunião com as colegas europeias. Faremos um apanhado geral de como anda o movimento no mundo e planejaremos os passos para os próximos cinco anos.

Parecem dois mundos!  Bebel (foto ao lado), a grande personagem prostituta de Camila Pitanga em recente novela da Globo, estava um dia linda e maravilhosa no calçadão da Av Atlântica com um minivestido rosa-choque, cheio de brilhos. O namorado rico passou por lá e a tratou como lixo e ela olhou para ele e, de dentro de seu coração, disse: “Sou gente!”

Ontem à noite, bebericando um vinho com minhas colegas europeias,  contei a história de Geisy Arruda, xingada, humilhada e agora expulsa de uma universidade no estado mais desenvolvido do país. Lícia, amiga de anos, me disse:  “Precisamos mais e mais falar e mostrar a compreensão que temos de nós mesmas, mulheres. Fazendo isso estamos nos ajudando e ajudando a sociedade a ter um equilíbrio maior na sua civilidade”.

É isso! Pela nossa civilidade espero que a moça não se cale. Não importa o que ela faz em sua vida particular. O que realmente importa é ela enfrentar a situação e falar, falar muito. É falando e saindo do escuro que todas nós poderemos sair da divisão entre “boas mulheres que vão para o céu” e “más mulheres que vão para todos os lugares”. Ora, todas nós podemos ir aonde quisermos!

(Revista Epoca)





Luizianne e Francisco Pinheiro querem a aliança

11 11 2009

Foto: Adriana Pimentel

A prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, e o vice-governador do Estado, Francisco Pinheiro, defendem a permanência do Partido dos Trabalhadores (PT) na aliança que apoiará o governador Cid Gomes (PSB) na disputa pela reeleição, em 2010.

Enquanto Pinheiro destacou que a definição em torno dos palanques estaduais passará pela direção nacional da legenda, Luizianne admite que não haverá problemas da agremiação continuar na aliança de Cid, mesmo que o deputado federal Ciro Gomes (PSB) seja candidato à Presidência da República. No entanto, a petista condiciona tal acerto a viabilidade de um palanque no Ceará para a candidata da sigla, a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef.

A prefeita ressalta que vai defender a manutenção da aliança vitoriosa no pleito de 2006, descartando qualquer possibilidade de disputar o Palácio Iracema contra Cid Gomes. “Minha posição pessoal, individual, como militante é defender a reeleição do governador Cid Gomes. Estou lutando muito para que isso aconteça, mesmo o Ciro (Gomes) saindo candidato a presidente. Para isso nós precisamos de um palanque para a Dilma. Apoiaremos se tivermos a certeza de um palanque do PT aqui no Ceará. Mas reafirmo que não serei candidato ao Governo do Estado, sob nenhuma hipótese”, colocou.

Indagada se há espaço para o PT manter a vaga de vice-governador na aliança e buscar uma das duas candidaturas ao Senado, Luizianne disse que sim. “Acredito que sim porque o PT tem condições, tem tamanho, tem perfil, tem direito”. Já o vice-governador, Francisco Pinheiro, afirmou que está esperando um posicionamento da direção nacional do partido, o que, segundo ele, deve sair até março do próximo ano.

No entanto, o Professor Pinheiro classifica como fundamental a manutenção da aliança formada entre PSB, PT e demais partidos em torno da reeleição de Cid Gomes no Ceará. “Essa questão do diretório nacional (do PT), não é exclusividade do Ceará, outros estados também aguardam essa posição, o que esperamos é uma decisão sábia. Creio que será uma discussão bastante madura e a intenção é permanecer com a aliança (de Cid), o que já foi aprovado inclusive por resolução do diretório estadual”, ressaltou o vice-governador.

(Diário do Nordeste)





Assai Supermercados abre loja em Caucaia

11 11 2009

Após inaugurar dois supermercados da bandeira Assai no Ceará, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) continua apostando no Estado e investe R$ 10,7 milhões em nova loja da rede, que foi  aberta hoje, às 10h, no Tapabuá (Caucaia). Ao todo, somando as unidades da Av. Bezerra de Menezes e da Washington Soares, o Grupo já investiu R$ 25 milhões no formato atacarejo (atacado + varejo) no Estado, onde emprega direta e indiretamente mais de mil pessoas.

O Assai de Caucaia está instalado ao lado do Centro de Distribuição do Grupo e dispõe de uma área de vendas de 5 mil m², onde os consumidores podem encontrar um mix de aproximadamente 9 mil mercadorias. Entre os itens à venda, estão produtos de mercearia, alimentos, perecíveis, embalagens, bazar, higiene, bebidas e limpeza, de grandes marcas nacionais, regionais e importadas, além de produtos de marca própria.

O foco está em abastecer tanto comerciantes de mercadinhos, como consumidores residentes nos municípios do entorno, como São Gonçalo do Amarante e as praias do litoral oeste. Esta é a 35ª loja Assai em atividade no País. Por enquanto, apenas o Ceará possui lojas do formato fora dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Em breve, Pernambuco ganhará uma unidade em Caruaru.

Atacarejo – O diretor geral do Assai, Maurício Cerutti explica que com a melhoria do poder aquisitivo da Classe C, a Região Nordeste, sobretudo o Ceará, tornou-se um mercado bastante interessante para o atacarejo. O pioneiro foi o Makro, do Grupo Holandês SHV, que chegou no Estado ainda nos anos 1990 e, mais recentemente, de 2008 para cá, veio a “explosão” de outras unidades do formato, como o Maxxi Atacado e o Sam´s Club, ambos do Wal-Mart e o Atacadão do Carrefour.

“A ampliação das operações de atacarejo está entre as prioridades do Grupo Pão de Açúcar, que deve manter o ritmo de crescimento verificado em 2008, com aberturas e conversões de loja (como o que ocorreu com a loja Pão de Açúcar da Avenida Bezerra de Menezes que virou a primeira unidade Assai no Estado, inaugurada em novembro passado)”, explica o diretor geral do Assai, Maurício Cerutti. Para 2010, o executivo não descarta a migração da rede atacadista para o interior do Ceará. “Estamos estudando terrenos na região do Cariri e na cidade de Sobral”, adianta.

Cartão Assai – Atualmente, no Ceará, o diretor administrativo-financeiro do Assai, Milton Justino, informa que já são 22 mil cartões Assai. Segundo ele, as vantagens do cartão próprio “está na isenção da anuidade, nas taxas de juros de 2,99 a/m, no parcelamento diferenciado e em descontos específicos para os portadores”, diz. A meta é até o fim deste ano ainda, alcançar 30 mil clientes com o cartão.

(Diário do Nordeste)





Edital do concurso do Banco Central deverá ser divulgado até sexta (13)

11 11 2009

Até a próxima sexta-feira (13), o Banco Central deve divulgar o edital do concurso para a ocupação de 500 vagas, sendo 150 de técnico (nível médio) e 350 de analista (superior). A Fundação Cesgranrio será a organizadora da seleção. Na última sexta-feira (6), o extrato do contrato responsável pela oficialização foi publicado no Diário Oficial da União.

Para os cargos de nível técnico, os candidatos devem ter o ensino médio completo e o salário inicial será de R$ 4.896,25. Precisarão de nível superior completo os interessados em concorrer ao cargo de analista, que terá remuneração inicial de R$ 12.413,65.

Vagas para Fortaleza - A capital do Ceará  será uma das cidades onde as vagas estarão disponíveis. Além de Fortaleza, as oportunidades serão para Brasília (sede do banco), Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife e Belém.

Provas – O processo seletivo deve ser no mesmo estilo da prova anterior, de 2005, com prova objetiva Conhecimentos Gerais e Específicos), prova discursiva (apenas analista) e programa de capacitação. Há a possibilidade de outras disciplinas serem incluídas na seleção, como informática.

De acordo com algumas fontes, estão confirmadas nove áreas de atuação para o concurso. A maior parte das vagas de nível médio deverá ser destinada para a área  de Apoio Técnico-Administrativo.

Ainda de acordo com fontes, as inscrições devem ser abertas na primeira quinzena de novembro. Já as provas, estão previstas para janeiro de 2010.

(Portal Verdes Mares)





Concurso do Ronda do Quarteirão. Fique por dentro!

11 11 2009

Os concursados do programa Ronda do Quarteirão que realizaram a prova em 2008 continuam na expectativa sobre a possibilidade de convocação de mais de 2 mil candidatos aprovados na 1ª fase, promessa feita pelo governador Cid Gomes, que não poderá realizar um novo concurso ano que vem, devido ao início da campanha eleitoral para o Governo do Estado em 2010.

Uma nova instituição deve realizar as próximas etapas do concurso, tendo em vista que a Advocacia-Geral da União (AGU) se opõe à utilização da Cespe/UnB (que realizou o concurso em 2008), argumentando que o concurso havia sido encerrado e que outros candidatos já foram desclassificados. Por esse motivo, o processo de novas contratações está atrasado.

(Portal Verdes Mares)





Prova do concurso para enfermeiros de Caucaia é anulada

11 11 2009

A Prefeitura de Caucaia acatou a recomendação emitida pelo Ministério Público e vai anular a prova do concurso para enfermeiro do Programa de Saúde da Família, realizada no último domingo (08). Muitos candidatos prestaram queixa na delegacia por terem se sentido prejudicados com o atraso na aplicação dos testes.

Conforme nos explicou por telefone o promotor de Justiça Ricardo Rocha, que assinou o pedido à prefeitura, a intenção é evitar prejuízos a qualquer candidato. “Foi anulada apenas a prova do pessoal de Enfermagem do PSF porque, de todas as localidades onde foi feita a prova, apenas em uma escola houve um princípio de tumulto, em face do atraso da chegada das provas. Esse tumulto fez com que algumas pessoas não fizessem a prova, pois um grupo se reuniu e impediu a entrada”, explicou.

“Eu exigi que fosse feita uma nova prova”, disse Ricardo Rocha. Segundo ele, “vai ser elaborada uma nova prova para todo o pessoal candidato a enfermeiro e vai ser divulgada uma nova data o mais breve possível. O objetivo é que nenhum candidato fique prejudicado. A importância é que a lisura do concurso está garantida”.

Quanto às pessoas que se candidataram a outros cargos, não há o que se preocupar, o concurso vai ter continuidade normalmente conforme o previsto. Ao todo, 29.862 pessoas fizeram a inscrição para 146 cargos nos níveis superior e médio. Nos outros nove locais, as provas ocorreram normalmente.

ENTENDA O CASO – No último domingo (08) foi realizado o concurso público para 2.859 vagas de diversos níveis na Prefeitura de Caucaia. Na Escola Municipal Augusto César Silva Sales ocorreu um tumulto porque, segundo os candidatos, a prova para enfermeiro, que deveria ter começado às 8h da manhã, só teve início duas horas depois. As provas foram realizadas e poucos candidatos entraram para fazer o teste, enquanto muitos outros foram à delegacia registrar um Boletim de Ocorrência contra a organização do certame.

Um dos membros da comissão organizadora, que falou no dia da ocorrência à TV Diário, disse que as provas foram levadas aos 10 locais para realização do exame às 6h30 da manhã e que os fiscais já estavam no local 30 minutos antes do horário previsto. E que houve duas horas de atraso por questões de segurança, já que um grupo de candidatos bloqueou a entrada.

(Portal Verdes Mares)





CCJ aprova proposta que exige diploma para jornalistas

11 11 2009
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara de Deputados aprovou na manhã desta quarta-feira a proposta de emenda constitucional (PEC) que restabelece a exigência de graduação de nível superior para o exercício da profissão de jornalista. A proposta, de autoria do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), teve única manifestação contrária do PSDB. O baiano José Carlos Aleluia (DEM), que já havia se manifestado pela rejeição da PEC e é membro da CCJ, não estava no plenário no momento da votação.

“A aprovação da PEC na CCJ significa um atestado de constitucionalidade da exigência do diploma”, comemorou o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murilo, que está no Congresso acompanhando a PEC e seguiu imediatamente para a CCJ do Senado para convencer seus membros da importância da aprovação da proposta naquela Casa. “A vitória de hoje é essencial para o seguimento da luta de defesa da regulamentação da profissão, e uma demonstração de que não há contradição entre a formação profissional e a liberdade de expressão e opinião”.

Paulo Pimenta, autor da proposta, observou que houve um “equívoco conceitual” quando o Supremo Tribunal Federal (STF) colocou num mesmo patamar a liberdade de expressão e o exercício da atividade profissional de jornalista. “O STF tratou a atividade profissional como se fosse mera divisão da liberdade de opinião, desconhecendo o trabalho de mediador da sociedade exercido pelo profissional – que não é um cronista”, disse, acrescentando que os jornais de todo o país garantem espaçco para que colaboradores não-jornalistas expressem sua opinião.

De acordo com a Fenaj, estima-se que, anualmente, sejam graduados de sete a oito mil novos jornalistas nas cerca de 400 faculdades de jornalismo existentes no país. Atuam no Brasil 60 mil jornalistas, a maior parte diplomados, de acordo com a entidade.

(A Tarde Online)





Agnaldo Timóteo chama Caetano Veloso de covarde.

11 11 2009

“O cantor Agnaldo Timóteo soltou o verbo contra Caetano Veloso, em entrevista à coluna Entre a Gente, do Jornal da Tarde da terça-feira (10).

Ele falou que a declaração de Caetano ao Estado de S.Paulo, na semana passada, chamando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de analfabeto é “deplorável, oportunista, demagógica e covarde”.

Timóteo, que também é vereador em São Paulo pelo PR e é tão polêmico quanto Caetano, alfinetou ainda o compositor baiano por buscar, nos órgãos do governo, “vultosos patrocínios para suas apresentações elitistas”.

Caetano Veloso fez show da turnê Zii e Zie no Citibank Hall, em São Paulo, no último fim de semana. Antes da apresentação de sexta, em entrevista à Record, ele reafirmou que “Lula fala como analfabeto” e que não gosta da idéia de todos terem de “adular Lula”.

Ainda na sexta, após o show, Caetano se recusou a receber repórteres no seu camarim. Ele apenas permitiu a entrada de fotógrafos.

No domingo, ele levou um tombo no palco e criticou a imprensa, por não ter repercutido como ele acha que deveria a morte do compositor baiano Neguinho do Samba, no Olodum, no último dia 31 de outubro.

O público foi fraco no show de Caetano e, no domingo, foi preciso que a casa de show colocasse uma cortina para tampar os muitos lugares vazios, concentrando o pouco público presente na região central da pista, em frente ao palco.”

* O R7 procurou Caetano. Ele mandou dizer, por meio de sua assessoria, que não vai responder às declarações de Aguinaldo Timóteo.

(R7.com)





Comissão do Senado aprova 14º salário para professores da rede pública

11 11 2009

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) aprovou proposta de criação do décimo-quarto salário para professores de educação básica, lotados em escolas públicas dos Estados, DF e municípios, em sua reunião desta terça-feira (10). O texto é autorizativo em relação ao Poder Executivo.

Pelo texto substitutivo do senador Marconi Perillo (PSDB-GO) ao projeto do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), receberão o décimo quarto salário os professores e funcionários de escolas que elevarem o Índice de Desenvolvimento de Educação Básica (Ideb) do estabelecimento educacional em pelo menos 50%, durante o ano letivo. Também farão jus ao benefício, os profissionais da educação de escolas de ensino fundamental que obtiverem Ideb igual ou superior a seis no ano.

Ao defender sua proposta, Cristovam disse que a literatura empresarial conta com múltiplos exemplos de que o incentivo salarial representa um eficiente estimulador de produção. Assim, vincular o bom desempenho de professores e funcionários a uma vantagem pecuniária representa um bom primeiro passo para melhorar o nível dos educadores brasileiros, destacou o senador.

Pelo PLS 319/08, o pagamento do benefício deverá ser realizado até o final do semestre subseqüente ao da publicação do resultado da avaliação do Ideb. A matéria segue para exame e votação na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), em decisão terminativa.

(Agência Estado)





“O Bra­sil che­gou à eli­te mun­di­al”, afirma Shimon Peres

11 11 2009

Shimon Peres

Na ter­ça-fei­ra, 9, o pre­si­den­te de Is­ra­el, o prê­mio No­bel da Paz Shi­mon Pe­res, do Kadima, de­sem­bar­ca no Bra­sil pa­ra uma vi­si­ta de seis di­as. É a pri­mei­ra vi­si­ta de um pre­si­den­te is­ra­e­len­se nos úl­ti­mos 40 anos. Shi­mon Pe­res vai pas­sar por Bra­sí­lia, São Pau­lo e Rio de Ja­nei­ro.

A vi­si­ta tem a ver com o re­co­nhe­ci­men­to, por par­te do go­ver­no de Is­ra­el, de que o Bra­sil é uma po­tên­cia eco­nô­mi­ca e que es­tá se tor­nan­do, ao mes­mo tem­po, uma po­tên­cia po­lí­ti­ca no con­tex­to in­ter­na­ci­o­nal. Os ju­deus que­rem o Bra­sil mais pró­xi­mo de Is­ra­el e mais dis­tan­te do pre­si­den­te do Irã, Mahmoud Ahma­di­ne­jad, uma es­pé­cie de Hu­go Chá­vez do Ori­en­te. O cor­res­pon­den­te da TV Re­cord em Is­ra­el e edi­tor da co­lu­na Di­re­to do Ori­en­te, do Jor­nal Op­ção, Her­bert Mo­ra­es, en­tre­vis­tou o his­tó­ri­co lí­der de 86 anos com ex­clu­si­vi­da­de. Shi­mon Pe­res é, se­gu­ra­men­te, a prin­ci­pal fi­gu­ra po­lí­ti­ca vi­va do Es­ta­do ju­deu.

Um dos mais aten­tos re­pór­te­res do Pa­ís, Her­bert es­pe­ra­va um Shi­mon Pe­res cir­cun­spec­to. Des­co­briu um pre­si­den­te ri­so­nho, fa­lan­do de fu­te­bol, aber­to ao di­á­lo­go e que até dis­cor­re so­bre o amor.

O que o sr. es­pe­ra des­sa vi­a­gem ao Bra­sil?

No mun­do glo­ba­li­za­do vo­cê tem de es­tar em con­ta­to com to­dos os paí­ses. Prin­ci­pal­men­te os paí­ses que for­mam o no­vo mun­do, co­mo o Bric — Bra­sil, Rús­sia, Ín­dia e Chi­na. E o Bra­sil vem se des­ta­can­do ca­da vez mais co­mo lí­der mun­di­al. Há mui­to o que fa­zer e apren­der por lá. Nos­sa re­la­ção com o Bra­sil é lon­ga e mui­to boa. Mas es­te é o no­vo Bra­sil. Vo­cês fi­ze­ram uma re­for­ma eco­nô­mi­ca e atin­gi­ram a eli­te da eco­no­mia mun­di­al, com um lí­der de des­ta­que [Lula]. Que­re­mos apre­sen­tar nos­sa po­si­ção à li­de­ran­ça bra­si­lei­ra. E há tam­bém os as­pec­tos de co­o­pe­ra­ção. Não se me­de um pa­ís pe­lo ta­ma­nho, mas pe­lo de­sen­vol­vi­men­to. E há um cam­po fér­til pa­ra co­o­pe­ra­ção en­tre Is­ra­el e o Bra­sil.

Eu ou­vi que o sr. vai vi­si­tar o Ma­ra­ca­nã, o mai­or es­tá­dio de fu­te­bol do mun­do. É fã de fu­te­bol?

Sou fã do pon­to de vis­ta po­lí­ti­co. O fu­te­bol é uma boa via pa­ra se en­si­nar as cri­an­ças o ca­mi­nho pa­ra a paz. Fu­te­bol é uma guer­ra sem ví­ti­mas. É uma com­pe­ti­ção em que se po­de per­der uma vez, mas não to­das. É uma es­co­la, uma lin­gua­gem co­nhe­ci­da pe­las cri­an­ças. Nós te­mos em Israel mui­tos jo­ga­do­res, in­clu­si­ve do Bra­sil, e to­dos fa­lam a lin­gua­gem da paz — que é a lín­gua que as cri­an­ças gos­tam. Os olhos de­las bri­lham quan­do es­tão jo­gan­do. Fu­te­bol é uma men­sa­gem. Eu pre­fi­ro que os paí­ses jo­guem fu­te­bol do que se pre­o­cu­pem com o en­ri­que­ci­men­to de urâ­nio. Te­mos de co­me­çar a pen­sar na paz edu­can­do as cri­an­ças.

Nos úl­ti­mos se­te anos, o Bra­sil sem­pre vo­tou con­tra Is­ra­el na ONU. O sr. acre­di­ta que é pos­sí­vel mu­dar a po­si­ção bra­si­lei­ra nas Na­ções Uni­das. E o sr. apo­i­a­ria o Bra­sil pa­ra uma ca­dei­ra per­ma­nen­te no Con­se­lho de Se­gu­ran­ça da ONU?

Eu apoio o Bra­sil co­mo integrante do Con­se­lho de Se­gu­ran­ça da ONU sem pré-con­di­ções. O Bra­sil é uma po­tên­cia im­por­tan­te do nos­so tem­po e po­de li­de­rar ne­go­ci­a­ções de paz. La­men­to que o Bra­sil ain­da não te­nha ti­do es­ta opor­tu­ni­da­de. Se exis­te um pa­ís que es­tá lu­tan­do pe­la paz e pe­la de­mo­cra­cia é Is­ra­el. E nós nun­ca pe­di­mos pa­ra que lu­tas­sem por nós. Nem por nos­sa de­mo­cra­cia, mui­to me­nos pe­la nos­sa se­gu­ran­ça. Já ti­ve­mos no­ve guer­ras e ven­ce­mos to­das. E mes­mo as­sim não abri­mos mão da paz. De­vol­ve­mos to­dos os ter­ri­tó­rios que con­quis­ta­mos — do Egi­to, da Jor­dâ­nia, do Lí­ba­no — e va­mos de­vol­ver as ter­ras dos pa­les­ti­nos. Já dei­xa­mos Ga­za. Por­tan­to, acho que não se po­de igua­lar ter­ro­ris­mo e de­mo­cra­cia. Se não di­fe­ren­ci­ar­mos os paí­ses que fa­zem op­ção pe­la de­mo­cra­cia ou pe­lo ter­ro­ris­mo, en­tão não há co­mo dis­tin­guir o que é cer­to do que é er­ra­do.

O sr. de­ve es­tar in­for­ma­do que o pre­si­den­te Lu­la da Sil­va já es­te­ve três ve­zes no Ori­en­te Mé­dio, mas nun­ca es­te­ve em Is­ra­el. O sr. pre­ten­de re­i­te­rar um con­vi­te pa­ra que ele vi­si­te o seu pa­ís?

Vou con­vi­dar Lu­la pa­ra vi­si­tar Is­ra­el não só co­mo pre­si­den­te do Bra­sil mas co­mo lí­der mun­di­al. Nós te­mos um pas­sa­do so­ci­a­lis­ta em co­mum e co­nhe­ço suas po­si­ções. Acho que ele de­ve­ria nos vi­si­tar. So­bre a ONU há um pro­ble­ma: exis­te uma mai­o­ria que é con­tra Is­ra­el. E não tem na­da a ver com jus­ti­ça nem com po­lí­ti­ca. Se vo­cê jun­tar o blo­co ára­be e o blo­co mu­çul­ma­no, além dos afi­li­a­dos, há uma mai­o­ria que sem­pre vai vo­tar con­tra nós. En­tão, Is­ra­el não tem a mí­ni­ma chan­ce de ter mai­o­ria em qual­quer as­sun­to que se­ja vo­ta­do por lá. E, com to­do o res­pei­to, não acre­di­to que o sr. Ahma­di­ne­jad ou o sr. Muam­mar Ka­da­fi [lí­der da Lí­bia] po­dem nos jul­gar com re­la­ção a di­rei­tos hu­ma­nos. Eles não são os mai­o­res de­fen­so­res dos di­rei­tos hu­ma­nos no mun­do. Mas têm a mai­o­ria. Eles não in­ves­ti­ga­ri­am, por­tan­to, ou­tros even­tos co­mo a Che­chê­nia, o Ira­que, o Afe­ga­nis­tão. O úni­co lu­gar que que­rem in­ves­ti­gar é Is­ra­el. Até mes­mo no Irã, on­de en­for­cam pes­so­as, não há in­ves­ti­ga­ção ne­nhu­ma. Em Is­ra­el não há dis­cri­mi­na­ção con­tra as mu­lhe­res. En­tão, na ONU há uma con­tra­di­ção en­tre a Car­ta das Na­ções Uni­das e a po­lí­ti­ca que se so­bre­põe a es­ta Car­ta. Por exem­plo: exis­te um co­mi­tê de Di­rei­tos Hu­ma­nos. Se têm dez de­ba­tes, os dez se­rão so­bre Is­ra­el. É in­jus­to, não é ra­zo­á­vel. E quem são os ju­í­zes? Que eles te­nham di­rei­tos hu­ma­nos em su­as pró­pri­as ca­sas. Em pri­mei­ro lu­gar, li­ber­tem as mu­lhe­res. Até os es­cra­vos de ho­je têm uma cer­ta li­ber­da­de. Se há es­cra­vi­dão no mun­do, é a es­cra­vi­dão das mu­lhe­res. Em al­guns paí­ses são es­cor­ra­ça­das pe­los ma­ri­dos e es­cra­vas de­les. E on­de es­tão os di­rei­tos hu­ma­nos? Se al­guém quer nos ma­tar, é nos­so di­rei­to nos de­fen­der­mos.

O lí­der ira­nia­no Mahmoud Ahma­di­ne­jad con­fir­mou uma vi­si­ta ao Bra­sil tam­bém nes­te mês. Po­de-se di­zer que a sua vi­si­ta ao Bra­sil e à Ar­gen­ti­na é es­tra­té­gi­ca pa­ra a po­lí­ti­ca ex­ter­na is­ra­e­len­se?

Não acho. A mi­nha vi­si­ta tem co­mo ob­je­ti­vo e te­ma prin­ci­pal a re­la­ção en­tre Bra­sil e Is­ra­el. Não vou con­du­zir de­ba­tes com o sr. Ahma­di­ne­jad no Bra­sil. Is­so, nós po­de­mos fa­zer no Ori­en­te Mé­dio.

O fa­to de a Ve­ne­zu­e­la ter si­do apro­va­da co­mo um dos in­te­gran­tes do Mer­co­sul e de apo­i­ar o Irã co­lo­ca em pe­ri­go a re­la­ção de Is­ra­el com o blo­co, já que Is­ra­el é o mai­or par­cei­ro do Ori­en­te Mé­dio pa­ra o Mer­co­sul?

O pro­ble­ma é da Amé­ri­ca La­ti­na— não é nos­so. Se as­su­mir o co­man­do do Mer­co­sul, um líder extremista po­de mu­dar a Amé­ri­ca La­ti­na, que já al­can­çou mais ou me­nos um sta­tus de­mo­crá­ti­co e uma de­mo­cra­cia eco­nô­mi­ca. Ago­ra tem de se tor­nar uma de­mo­cra­cia po­lí­ti­ca. Mas é um problema se a eco­no­mia pas­sa a ser go­ver­na­da pe­la po­lí­ti­ca pa­ra ser­vir aos ide­ais do sr. Hu­go Chá­vez [presidente da Venezuela]. A pro­pó­si­to, há coi­sas que Chávez diz com as qua­is eu sim­pa­ti­zo, co­mo evi­tar can­tar no chu­vei­ro. É uma óti­ma idéia [ri­sos]. Mui­to me­nos nu­ma Ja­cuz­zi [ri­sos]. Ele diz que is­to é an­tis­so­ci­a­lis­mo e eu con­cor­do. Não sou con­tra tu­do o que diz, mas sou contrário a idéi­as mi­ra­bo­lan­tes de co­mo go­ver­nar o mun­do.

O sr. tem um pas­sa­do so­ci­a­lis­ta. É fun­da­dor do Avo­dá, o Par­ti­do Tra­ba­lhis­ta de Is­ra­el. O que acha des­ta on­da so­ci­a­lis­ta que varre a Amé­ri­ca do Sul?

Não acre­di­to que a Amé­ri­ca do Sul vá se tor­nar so­ci­a­lis­ta. A Amé­ri­ca do Sul é to­le­ran­te. Há tolerância entre bran­cos e ne­gros, entre po­bres e ri­cos e entre so­ci­e­da­des de­sen­vol­vi­das e não de­sen­vol­vi­das. Tu­do is­so vai ser jo­ga­do fo­ra em no­me de uma di­ta­du­ra? Te­mos de dis­tin­guir o que é so­ci­a­lis­mo e o que é di­ta­du­ra. Há mui­tos lí­de­res que se di­zem so­ci­a­lis­tas mas, na ver­da­de, são di­ta­do­res. A Amé­ri­ca do Sul já so­freu com a di­ta­du­ra. Não acre­di­to que as pes­so­as que­rem is­so de vol­ta. Além do que não há co­mo com­pe­tir com o res­to do mun­do sob uma di­ta­du­ra. Se vo­cê não ti­ver uma eco­no­mia li­vre não vai des­fru­tar de um mer­ca­do li­vre. A for­ça da Ve­ne­zu­e­la é o pe­tró­leo. Mas o pe­tró­leo tem su­as li­mi­ta­ções e co­lo­ca em pe­ri­go o pen­sa­men­to dos po­vos que o pos­su­em. Além de po­lu­ir o mun­do, tor­na a eco­no­mia ins­tá­vel. O bar­ril de pe­tró­leo custa em tor­no de 140 dó­la­res. Pa­ra quem vai es­se di­nhei­ro? Pa­ra os po­bres da Áfri­ca? O pe­tró­leo não é pro­du­zi­do — é des­co­ber­to. Es­sa ri­que­za mun­di­al é usa­da pa­ra fins po­lí­ti­cos. O Bra­sil, por exem­plo, pos­sui al­ter­na­ti­vas não po­lu­en­tes. O pe­tró­leo não é o fu­tu­ro, e sim o pas­sa­do. Há ou­tras ener­gi­as al­ter­na­ti­vas. Is­ra­el não tem pe­tró­leo, não te­mos água, não te­mos ter­ras. O Ori­en­te Mé­dio es­tá di­vi­di­do em dois ti­pos de paí­ses: os que têm pe­tró­leo e os que são sa­gra­dos. Nós so­mos do gru­po dos sa­gra­dos. Mes­mo sem pe­tró­leo, nos­sa eco­no­mia es­tá num ní­vel mui­to mais al­to do que os que pos­su­em. Há mui­tos ju­deus que di­zem: “Por que Deus não nos le­vou pa­ra um lu­gar que ti­ves­se pe­tró­leo? Por que não nos le­vou pa­ra on­de é a Ará­bia Sa­u­di­ta e sim pa­ra um lu­gar on­de não há na­da?” Eu di­go: gra­ças a Deus. Por­que o pe­tró­leo mi­na, es­tra­ga as pes­so­as. Pa­ra nós, é me­lhor pen­sar e tra­ba­lhar. E des­fru­tar­mos de nos­sas con­quis­tas e ta­len­tos.

O sr. tem uma vi­si­ta agen­da­da na Pe­tro­brás. Pre­ten­de ne­go­ci­ar o pe­tró­leo bra­si­lei­ro?

Com re­la­ção ao pe­tró­leo bra­si­lei­ro te­mos de ver co­mo o Bra­sil vai se com­por­tar. Se o Bra­sil usar o pe­tró­leo co­mo o Irã ou a Ve­ne­zu­e­la, com o in­tui­to de con­quis­tar ou­tras na­ções, vai es­tar er­ra­do. Se aju­dar a com­ba­ter a po­bre­za de ou­tros paí­ses e sua pró­pria de­si­gual­da­de, estará agindo com justiça. Se Lu­la bus­car eli­mi­nar a po­bre­za e a ig­no­rân­cia com a for­ça do pe­tró­leo, o pré-sal te­rá si­do uma bên­ção. O pe­tró­leo não faz po­lí­ti­ca. Po­vos que têm pe­tró­leo fa­zem po­lí­ti­ca. E se mes­mo as­sim o Bra­sil con­ti­nu­ar na lu­ta con­tra a po­lu­i­ção do meio am­bi­en­te, en­tão o acha­do é uma dá­di­va.

Pre­si­den­te diz que Is­ra­el “não” vai ata­car o Irã

O Irã in­sis­te em não ne­go­ci­ar o seu pro­je­to nu­cle­ar. O sr. ain­da acre­di­ta num acor­do di­plo­má­ti­co? Se não hou­ver, Is­ra­el ata­ca­ria o Irã so­zi­nho?

Is­ra­el não vai ata­car nin­guém. Há ou­tras so­lu­ções e, en­quan­to exis­ti­rem, se­rão pre­fe­ri­das. As op­ções di­plo­má­ti­cas, po­lí­ti­cas e eco­nô­mi­cas são as que es­tão va­len­do nes­se mo­men­to. Não acre­di­to que quan­do há uma si­tu­a­ção de pe­ri­go a so­lu­ção é pe­gar uma pis­to­la e sa­ir ati­ran­do.

O pre­si­den­te da Au­to­ri­da­de Pa­les­ti­na, Mahmoud Ab­bas, diz que não vai ne­go­ci­ar com Is­ra­el en­quan­to a ex­pan­são dos as­sen­ta­men­tos ju­dai­cos na Cis­jor­dâ­nia não for in­ter­rom­pi­da. Is­ra­el tam­bém já dis­se que não ne­go­cia com pré-con­di­ções. Co­mo avan­çar em di­re­ção a um acor­do de paz en­tre is­ra­len­ses e pa­les­ti­nos? Ain­da há chan­ces pa­ra a paz?

Acre­di­to 100% nu­ma so­lu­ção de paz com os pa­les­ti­nos. Te­nho cer­te­za de que is­so vai acon­te­cer em bre­ve. Não acre­di­to que se­rá re­sol­vi­do em dois anos, co­mo es­pe­ra a ad­mi­nis­tra­ção ame­ri­ca­na, mas es­se pra­zo po­de ser um co­me­ço. Tal­vez se­ja va­ga­ro­so ou até mes­mo mais rá­pi­do. Mas te­mos de co­me­çar de al­gu­ma ma­nei­ra. E o me­lhor é ne­go­ci­ar do que ame­a­çar um ao ou­tro. As ne­go­ci­a­ções vão co­me­çar em bre­ve.

Co­mo o sr. vê a atu­a­ção de Binya­min Ne­tanya­hu co­mo pri­mei­ro-mi­nis­tro e o go­ver­no de di­rei­ta na po­lí­ti­ca is­ra­e­len­se?

O blo­co de di­rei­ta con­ti­nua sen­do de di­rei­ta, mas sem o blo­co [ri­sos]. No mo­men­to em que o pri­mei­ro-mi­nis­tro acei­tou a so­lu­ção pa­ra dois Es­ta­dos foi o fim da di­rei­ta. Por­que o ver­da­dei­ro de­ba­te en­tre a di­rei­ta e a es­quer­da is­ra­e­len­se era jus­ta­men­te a so­lu­ção pa­ra dois Es­ta­dos. A di­vi­são das ter­ras com os pa­les­ti­nos. No mo­men­to em que a di­rei­ta aban­do­nou a idéia do “Gran­de Is­ra­el” e acei­tou a so­lu­ção de dois Es­ta­dos, o ma­pa mu­dou. Ne­tanya­hu já dei­xou is­so cla­ro em dis­cur­so. Acre­di­to que ele quer a paz. Nós so­mos bons ami­gos e con­ver­sa­mos on­tem à noi­te so­bre is­so. Ele é mui­to sé­rio.

O sr. acre­di­ta que Ba­rack Oba­ma po­de fa­zer a di­fe­ren­ça no Ori­en­te Mé­dio? Co­mo ga­nha­dor do Prê­mio No­bel da Paz, co­mo re­ce­beu a no­tí­cia de que ele tam­bém ga­nhou o mes­mo prê­mio? Acha que me­re­ceu?

Não há mui­to e não há pou­co. Os no­vos ven­tos não po­dem ser me­di­dos por pou­co ou mui­to. Ele ini­ciou um pro­ces­so cu­jo no­me é es­pe­ran­ça e boa von­ta­de. E num cur­to es­pa­ço de tem­po, de ma­nei­ra im­pres­sio­nan­te. Ele deu um no­vo tom. Ele me­re­ceu o prê­mio. Ele é jo­vem, bri­lhan­te, veio do na­da, não tem tra­di­ção po­lí­ti­ca, nem ex­pe­riên­cia e mes­mo as­sim con­quis­tou o mun­do. E de uma for­ma cor­re­ta. Por exem­plo, ele não tem as mes­mas am­bi­ções do sr. Chá­vez. Por­que o sr. Chá­vez quer de­ter­mi­nar quem es­tá cer­to e quem es­tá er­ra­do no mun­do e tor­nar-se um ju­iz su­pre­mo. Ba­rack Oba­ma dis­se: “To­dos nós es­ta­mos cer­tos”. Mes­mo com os que es­tão er­ra­dos, ele quer sen­tar e dis­cu­tir de uma for­ma jus­ta. Num mun­do tão con­fu­so e cheio de ten­são, sus­pei­tas e ar­mas ter­rí­veis, on­de as pes­so­as mal es­cu­tam umas as ou­tras, on­de pre­va­le­cem as guer­ras, con­fron­tos e ame­a­ças, o que es­tá fa­zen­do é um co­me­ço. De­ve ser en­ten­di­do co­mo co­ra­gem. Um no­vo co­me­ço. Não acre­di­to que vá re­sol­ver to­dos os pro­ble­mas do mun­do, mas po­de ame­ni­zar. Au­men­tar a es­pe­ran­ça. As pes­so­as são mais emo­ti­vas do que ra­ci­o­nais. E as emo­ções e im­pres­sões têm uma gran­de in­flu­ên­cia nos no­vos tem­pos. A mí­dia tem tan­ta for­ça que pode até mes­mo cri­ar si­tu­a­ções. As ações de Obama são po­si­ti­vas. Se vo­cê quer ter a paz, é pre­ci­so com­pro­mis­so. E te­mos de en­ten­der que não há quem es­te­ja to­tal­men­te cer­to ou er­ra­do. É pre­ci­so o de­ba­te. A paz é co­mo o amor: não se po­de ter ne­nhum dos dois sem fe­char um pou­co os olhos. Dei­xe a ima­gi­na­ção par­ti­ci­par. Es­tou aqui des­de o co­me­ço des­te pa­ís [Israel foi criado em 1948]. Nós pas­sa­mos por mo­men­tos ex­tre­ma­men­te di­fí­ceis. Qua­se per­de­mos guer­ras. Eu dis­se ao sr. Oba­ma: vo­cês são tão gran­des que po­dem co­me­ter qual­quer er­ro e vão con­ti­nu­ar gran­des. Nós so­mos tão pe­que­nos que, se co­me­ter­mos um er­ro, po­de­rá afe­tar to­da a nos­sa vi­da. Não que­re­mos co­me­ter er­ros — até mes­mo o de per­der uma guer­ra. Se co­me­ter­mos es­se er­ro, en­tão es­ta­mos fo­ra do jo­go. Te­mos de acre­di­tar num mun­do sem me­do, sem ar­mas de des­tru­i­ção em mas­sa e evi­tar que elas cai­am nas mãos de fa­ná­ti­cos.

De­pois de 15 anos do acor­do de paz en­tre Is­ra­el e Jor­dâ­nia, os dois paí­ses ain­da vi­vem uma re­la­ção fria. Há uma fal­ta de pers­pec­ti­va de paz com os paí­ses ára­bes. O sr. ain­da acre­di­ta na sua vi­são pa­ra “o no­vo Ori­en­te Mé­dio”?

Acre­di­to 100% na mi­nha vi­são de um “no­vo Ori­en­te Mé­dio”. Não há amor nos di­as de ho­je. Eu gos­ta­ria que hou­ves­se pe­lo me­nos amor en­tre as na­ções. Até mes­mo na Amé­ri­ca La­ti­na. A paz não é ro­mân­ti­ca. A paz não é per­fei­ta. Mes­mo as­sim, pre­fi­ro uma paz sem ro­man­tis­mo do que uma guer­ra ro­mân­ti­ca. Pre­fi­ro uma paz im­per­fei­ta do que uma guer­ra per­fei­ta. O mun­do ára­be, emo­cio­nal­men­te, é con­tra Is­ra­el, mas de uma for­ma prag­má­ti­ca sa­be que tem de fa­zer a paz com Is­ra­el. Eles têm de acei­tar es­sa ofer­ta prag­má­ti­ca, mes­mo que não ha­ja amor. To­das as guer­ras acon­te­ce­ram por cau­sa de ter­ras. São his­tó­ri­as es­cri­tas com san­gue, até mes­mo na Amé­ri­ca La­ti­na. Ho­je, as pes­so­as en­ten­de­ram que a ci­ên­cia e a tec­no­lo­gia são mais im­por­tan­tes do que a guer­ra. Exér­ci­tos não con­quis­tam sa­be­do­ria e não po­dem de­ter a dis­se­mi­na­ção do co­nhe­ci­men­to. Ve­jo is­so tam­bém en­tre os ára­bes. São se­res hu­ma­nos co­mo nós­, que não po­dem de­ter o avan­ço do co­nhe­ci­men­to e não po­dem se man­ter ex­cluí­dos da no­va era. Mui­tos jo­vens me per­gun­tam o que vai acon­te­cer nos pró­xi­mos 100 anos? Em 100 anos, vai ha­ver um no­vo mun­do ára­be e nin­guém po­de de­ter is­so. Em Is­ra­el, há 1,2 mi­lhão de ára­bes. A mai­o­ria era de agri­cul­to­res e ago­ra há pe­lo men­os 60 mil aca­dê­mi­cos. Não há hos­pi­tais em Is­ra­el que não te­nham mé­di­cos e pa­ci­en­tes ára­bes. E o hos­pi­tal con­ti­nua o mes­mo. To­dos os pro­ble­mas co­me­çam fo­ra dos hos­pi­tais. Quan­do es­ta­mos do­en­tes, vi­ve­mos em paz. Por ­que não po­de­mos vi­ver em paz quan­do es­ta­mos sa­u­dá­veis? Te­nho cer­te­za de que a paz com os ára­bes vai acon­te­cer.

O sr. es­tá com 86 anos e em óti­ma for­ma. Vi­veu e par­ti­ci­pou de to­da a his­tó­ria de Is­ra­el. Ain­da es­pe­ra ver a paz no seu tem­po de vi­da? Qua­is são os seus pla­nos pa­ra o fu­tu­ro?

Acre­di­to que vou ver a paz ain­da em vi­da, até por­que não pre­ten­do mor­rer tão ce­do [ri­sos].Ve­jo mu­dan­ças pro­fun­das no fu­tu­ro. Edu­ca­ção é a cha­ve da lu­ta con­tra as tre­vas. Nos­sos an­te­pas­sa­dos não eram idi­o­tas. Mas não ti­nham nos­sa tec­no­lo­gia. Mas, mes­mo com to­do o nos­so avan­ço, os mai­o­res de­sa­fi­os da hu­ma­ni­da­de ain­da são um mis­té­rio. Ain­da não sa­be­mos co­mo o nos­so cé­re­bro fun­cio­na, por­que o nos­so cor­po mu­da o tem­po to­do, nos­sas cé­lu­las são re­no­va­das a ca­da du­as se­ma­nas. Quem ga­ran­te que, quan­do as nos­sas cé­lu­las se mo­di­fi­cam, a tra­di­ção per­ma­ne­ce? Ain­da não co­nhe­ce­mos o nos­so cé­re­bro por­que ele é tão de­li­ca­do e ain­da não te­mos ins­tru­men­tos ca­pa­zes de es­tu­dá-lo de fa­to. Ago­ra, com a na­no­tec­no­lo­gia, te­re­mos es­sa ca­pa­ci­da­de. Nos pró­xi­mos 50 anos, nós va­mos en­ten­der o nos­so cé­re­bro e al­can­ça­re­mos um co­nhe­ci­men­to que ja­mais ima­gi­na­mos. Gos­ta­ria de es­tar aqui pa­ra ver tu­do is­so e mui­to mais acon­te­cer. O mun­do e o ser hu­ma­no são fas­ci­nan­tes.

(Jornalopcao.com.br)