Perón, Getúlio e Lula

6 11 2009

Blog do Emir, em Carta Maior

Quando acusou Lula de uma espécie de neoperonista, FHC vestia, em cheio, o traje da direita oligárquica latinoamericana. Que não perdoou e segue sem perdoar os líderes populares latinoamericanos que lhes arrebataram o Estado de suas mãos e impuseram lideranças nacionais com amplo apoio popular.

Os três – Perón, Getúlio e Lula – têm em comum a personificação de projetos nacionais, articulados em torno do Estado, com ideologia nacional, desenvolvendo o mercado interno de consumo popular, as empresas estatais, realizando políticas sociais de reconhecimento de direitos básicos da massa da população, fortalecendo o peso dos países que governaram ou governam no cenário internacional.

Foi o suficiente para que se tornassem os diabos para as oligarquias tradicionais – brancas, ligadas aos grandes monopólios privados familiares da mídia, aos setores exportadores, discriminando o povo e excluindo-o dos benefícios das políticas estatais. Apesar das políticas de desenvolvimento econômico, especialmente industrial, foram atacados e criminalizados como se tivessem instaurados regimes anticapitalistas, contra os intereses do grande capital. Quando até mesmo os interesses dos grandes proprietários rurais – nos governos dos três líderes mencionados – foram contemplados de maneira significativa.

Perón e Getúlio dirigiram a construção dos Estados nacionais dos nossos dois países, como reações à crise dos modelos primário-exportadores. Fizeram-no, diante da ausência de forças políticas que os assumissem – seja da direita tradicional, seja da esquerda tradicional. Eles compreenderam o caráter do período que viviam, se valeram do refluxo das economias centrais, pelos efeitos da crise de 1929, posteriormente pela concentração de suas economías na II Guerra Mundial, tempo estendido pela guerra da Coréia.

A colocação em prática das chamadas políticas de substituição de importações permitiram a nossos países dar os saltos até aqui mais importantes de nossas histórias, desenvolvendo o mais longo e profundo ciclo expansivo das nossas economias, paralelamente ao mais extenso processo de conquisas de direitos por parte da massa da população, particularmente os trabalhadores urbanos.

Se tornaram os objetos privilegiados do ódio da direita local, dos seus órgãos de imprensa e dos governos imperiais dos EUA. Dos jornais oligárquicos – La Nación, La Prensa, La Razón, na Argentina, ao que se somou depois o Clarin; o Estadao, O Globo, no Brasil, a que se somaram depois os ódios da FSP e da Editora Abril. Os documentos do Senado dos EUA confirmam as articulações entre esses órgãos da imprensa, as FFAA, os partidos tradicionais e o governo dos EUA nas tentativas de golpe, que percorreram todos os governos de Perón e de Getúlio.

Não por acaso bastou terminar aquele longo parêntese da crise de 1929, passando pela Segunda Guerra e pela guerra da Coréia, com o retorno maciço dos investimentos estrangeiros – particularmente norteamericanos, com a indústria automobilística em primeiro lugar -, para que fossem derrubados Getúlio, em 1954, e Perón, em 1955.

Mas os fantasmas continuaram a assombrar os oligarcas brancos, que sentiam que aqueles líderes plebeus – tinham desprezo pelos líderes militares, que deveriam, na opinião deles, limitar-se à repressão dos movimentos populares e aos golpes que lhes restabeleceriam o poder – lhes tinham roubado o Estado e, de alguma forma, o Brasil.

O golpe militar argentino de 1955 inaugurou a expressão “gorila” para designar o que mais tarde o ditador brasileiro Costa e Silva chamaria, de “vacas fardadas”. A direita apelava aos quartéis, porque não conseguia ganhar eleições dos líderes populares. Durante os anos 50, no Brasil, fizeram articulações golpistas o tempo todo contra Getúlio, até que o levaram ao suicídio. Tentaram impedir a posse de JK, alegando que tinha ganho as eleições de maneira fraudulenta. JK teve que enfrentar duas tentativas de levantes militares de setores da Aeronáutica contra seu governo, legitimamente eleito, tentativas sempre apoiadas pela oposição da época, em conivência com os governos dos EUA.

O peronismo esteve proscrito políticamente de 1955 a 1973. Até o nome de Perón era proibido de ser mencionado na imprensa. (Os opositores usavam Juan para designá-lo ou alguns de seus apelidos.) Quando foram feitas eleições com um candidato peronista concorrendo – Hector Campora -, ele triunfou amplamente e – ao contrário de Sarney no Brasil – convocou novas eleições, truiunfando Perón, que governou um ano, até que foi dado o golpe de 1976, pelas mesmas forças gorilas.

No Brasil, o governo João Goulart foi vítima do mesmo tipo de campanha lacerdista, golpista, articulada com organismos da “sociedade civil” financiados pelos EUA, articulados com a imprensa privada, convocando as FFAA para um golpe, que acabou sendo dado em 1964.

Perón, Getúlio e, agora, Lula, têm em comum a liderança popular, projetos de desenolvimento nacional, políticas de redistribuição de renda, papel central do Estado, apoio popular, discurso popular. E o ódio da direita. Que usou todos os “palavrões”: populista, carismático, autoritário, líder dos ”cabecitas negras”, dos “descamisados” (na Argentina). A classe média e o grande empresariado da capital argentina, assim como a clase média (de São Paulo e de Minas, especialmente) e o grande empresariado, sempre a imprensa das rançosas famílias donas de jornais, rádios e televisões.

É o ódio de classe a tudo o que é popular, a tudo o que é nacional, a tudo o que cheira povo, mobilizações populares, sindicatos, movimentos populares, direitos sociais, distribuição de renda, nação, nacional, soberania. FHC se faz herdeiro do que há de mais retrógado na direita latinoamericana – da UDN de Lacerda, passando pelos gorilas do golpe argentino de 1955, pelos golpistas brasileiros de 1964, pelo anti-peronismo e o anti-getulismo, que agora desemboca no anti-lulismo. Ao chamar Lula de neo-peronista, quer usar a o termo como um palavrão, como acontece no vocabulário gorila, mas veste definitivamente a roupa da oligarquia latinoamericana, decrépita, odiosa, antinacional, antipopular. Um fim político coerente com seu governo e com seus amigos aliados.

(Blog do  Luiz Carlos Azenha)





Caetano Veloso e a perfeita imbecilidade ególatra

6 11 2009

por Mauro Carrara

Disse o baiano ao jornalão dos Mesquitas, declarando seu voto em Marina Silva:

- Ela é meio preta, é cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem.

A declaração é reveladora. Serve bem a desmascarar esse Caetano ególatra, subproduto pós-moderno de si mesmo, tolo que substituiu o poeta sem lenço e sem documento.

O atual Caetano, aliás, converteu-se numa espécie de Gabeira sem carreira parlamentar.

Folga em construir frases de efeito (?) que ecoem o pensamento da malta conservadora.

Aliás, ególatras, tanto um quanto outro, pronunciam aquilo que os eleva a ícones publicitários da mídia reacionária e monopolista.

Para Cagabeira, bons alunos de FHC, princípios e história estão em segundo plano. Vale a exaltação do “eu”, muitas vezes doentia, muitas vezes ridícula, quase sempre deprimente.

Cabe lembrar que, no agora decadente, ambos não se envergonham de adular o tucano-demismo. Julgam-se, assim, diferentes, autônomos, batutas…

No caso do compositor baiano, não há acanhamento na rotina de visitas à casa grande. Pede-se a “bença” ao coronel, como se isso fosse “bonitinho”, supimpa.

Logicamente, ao sair, entregam-lhe na varanda uma cesta de pães amanhecidos, uns maracujás murchos e até uns tostões, prova da generosidade do senhor de engenho.

Caetano se julga o gênio da raça, o supra-sumo da cultura mestiça brasileira, o sol da Tropicália, o sabe-tudo que, de tão sabedor, pode desprezar os incultos da pátria. Blasé por desejo divino e necessidade.

O poeta se julga mais poeta porque inventa coisas enigmáticas que o povo não compreende. Acredita, desde sempre, que se distinguiu dos mortais da arte ao reproduzir os voos concretistas dos irmãos Campos e de Décio Pignatari.

Qual seria, então, o conceito caetanista de analfabetismo? E o que seria “saber falar”? Para quem cagou montes para a regra, o vetusto Caetano agora se arroga protetor da norma culta.

Metido com os descolados gurus da Semiótica, tão afeitos à subversão das formalidades da língua, Caetano vai terminando a vida como um ortodoxo, rabugento e tolo capataz copista.

Talvez o que incomode Caetano seja justamente a inteligência de Lula, sem verniz, sem laços, fitas e rimas forçadas. O pernambucano comunica-se, transmite a mensagem e, mais que isso, faz de sua locução uma poderosa arma de transformação. Lula, para completar, é autêntico e “faz acontecer”.

Ora, isso causa muita inveja nessa turma dos pedidores de “bença”, tantos deles enfiados na boa Bahia, uns rebolando em cima de trios elétricos pagos pela Philips, outros servindo de escribas para a família Marinho.

Ironicamente, o Caetano envelhecido, cruzado da gramática, também levaria puxões de orelha dos Pasquales da vida. Pontua mal, embanana-se em conjugações e, não raro, confunde-se nas regências.

Por fim, talvez “cafona” seja a palavra mais “cafona” da língua. Perceba-se: somente cafonas e afetados a utilizam.

E a que será que se destina, a cajuína?

No caso de Caetano, fazer papel de imbecil ególatra. Esta, pois, virou a sua sina.


(http://www.viomundo.com.br/)





A cobertura da Globo no caso Gol

6 11 2009

Matéria do Blog de  Luiz Carlos Azenha (http://www.viomundo.com.br/)

O Marco Aurélio Mello vai contando, aos pouquinhos, a história dos bastidores da TV Globo, no período em que trabalhou lá.

Uma história, diria ele, de ficção.

Num dos posts recentes, ele conta:

“Dá tempo de tirar meu nome deste abaixo-assinado”, perguntei ao chefe de redação. – Claro, ninguém é obrigado a assiná-lo. Alguém mais lá quer tirar também? Perguntou-me, apontando para a redação. – Espera aí, respondi. E voltei à redação. – Ele está perguntando se alguém mais quer tirar o nome…, disse às minhas colegas editoras de texto (éramos seis, ao todo, no principal telejornal da emissora, mas uma delas não estava entre nós). As colegas também pediram que seus nomes fossem suprimidos. De fato, nossas assinaturas não fariam muita falta. Ele passou o dia circulando pela redação ‘incentivando’ os colegas a fazê-lo. Colegas nas redações do Balneário, do Planalto Central e de Belo Horizonte, também foram a campo. O plano, desmascarado depois, era salvar o Guardião, que foi lançado ao mar, depois de tantas trapalhadas na cobertura eleitoral. A estratégia funcionava assim: ele encostava ao lado da mesa do colega, soltava a folha de papel e dizia: – Vê se você concorda com isso e assina. O desconforto era geral. O clima era péssimo. Quando voltei da sala dele, certo de que nossos nomes haviam sido suprimidos, formamos uma roda quase no meio da redação. Rodrigo Vianna argumentava que quem tinha que defender a cobertura – que no texto do abaixo-assinado levianamente misturava a queda do avião e as eleições – era a emissora, não os funcionários. Rodrigo comparou: – É o mesmo que uma montadora fazer um carro com defeito e pedir para os metalúrgicos fazerem um abaixo-assinado para defender a indústria.(…)

Eu, Azenha, posso acrescentar que também vivi esse momento na emissora, logo depois das eleições de 2006. O sujeito a que ele se refere acima, na mesma data, portando um rádio transmissor — com o qual se comunicava diretamente com o Rio de Janeiro — esperou o momento em que eu deixava a redação e me perseguiu no corredor, com um papel na mão. Cena patética.

Li o texto, a pedido dele. E disse, em linhas gerais, o seguinte: quanto ao acidente da Gol, pelo que ouvi dos colegas, vocês podem até ter razão. O Jornal Nacional decidiu não dar a informação esperando pela confirmação do acidente. Mas quanto à cobertura das eleições em geral e do dossiê em particular, não concordo.

Ele pediu que eu desse um exemplo. Mencionei, a título de exemplo, as colunas do Jabor em pleno período eleitoral. Ele: “Mas o Jabor é o nosso clown (palhaço)”, querendo dizer que o comentarista não deveria ser levado a sério.

Deveria ter perguntado a ele se já tinha combinado com os milhões de telespectadores da emissora, mas respondi: “Não vou assinar, não. Vou conversar com os colegas”.

Virei as costas e fui embora.

O fato é que o Marco Aurélio, aos poucos, vai pondo os pingos nos is. Vai demonstrando que havia um grupo diverso, que não fazia parte de uma patota, nem amigos eram, que discordou profundamente dos rumos que a cobertura das eleições de 2006 teve na Globo. Gente cujo único compromisso era com a verdade factual e com uma cobertura isenta e equilibrada. Quando todos puderem falar abertamente sobre o assunto, sem medo de represálias, vocês vão se surpreender.

(Blog do Nassif)





Irmã Conceição denuncia nepotismo na Casa do Menino Jesus

6 11 2009

A irmã Maria Conceição, que era coordenadora da Casa do Menino Jesus e foi afastada, deu entrevista coletiva, nesta tarde de quinta-feira, na sede de uma construtora, em Fortaleza. Ela informou que foi ao Mnistério Público no dia 14 de outubro último denunciar a prática de nepotismo por parte da presidente da Congregação que responde pela casa, a irmã Maria Aurimar.

Segundo a Irmã Conceição, um motorista, uma atendente e a tesoureira da Casa do Menino Jesus são ligados à família da presidente que, complementou,  queria alterar o estatuto da entidade para permitir a presença desse pessoa.

Outro fato registrado. Por conta dessa briga entre a presidente da Congregação e Irmã Conceição, 60 voluntários se afastaram das atividades. A Irmã Conceição disse que não conseguia mais trabalhar na Casa e que estava sendo isolada. Já a Irmã Aurimar ainda não veio a público dar sua versão. Procurada, atendentes da entidade informam que ela está na missa ou em reunião.

(Blog  do Eliomar)





Ceará participa do congresso nacional do PCdoB em São Paulo com 65 filiados

6 11 2009

Um grupo formado por 65 cearenses (65 é o número da legenda) participa em São Paulo do 12º Congresso Nacional do PCdoB. No total, cerca de 1.500 militantes devem passar pelo Anhembi, até domingo, quando termina a plenária final.

A delegação cearense é comandado pelo presidente regional Carlos Augusto Diógenes, o Patrinhas, e o senador Inácio Arruda. O deputado estadual Lula Morais e o secretário estadual da Saúde, João Ananias, conferem o encontro que vai reeleger Renato Rabelo presidente.

Um dos principais momentos será o ato político, nesta sexta-feira, que contará com a presença do presidente Lula, além de ministros, parlamentares e figuras destacadas da política nacional. Além de sua programação tradicional, o Congresso terá show de Jorge Mautner, lançamento de livros e atividades culturais.

SERVIÇO -* Internautas poderão acompanhar suas atividades através do portal Vermelho (www.vermelho.org.br).

(Blog do Eliomar)





Cid diz não se surpreender com crises na Segurança e reafirma apoio a Roberto Monteiro

6 11 2009

O governador Cid Gomes (PSB) afirmou, nesta sexta-feira, durante entrevista ao Bom Dia Ceará, da TV Verdes Mares, que o secretário da Segurança Pública e Defesa Social do Estado, Roberto Monteiro, tem seu “total apoio” nas decisões que vem adotando no que diz respeito a denúncias envolvendo membros da pasta. Nessa quinta-feira, Monteiro afastou dois delegados e um inspetor acusados de envolvimento em tortura de presos.

Cid Gomes também disse não ter se surpreendido com tantos casos envolvendo um setor que, como observou, é complexo pois envolve cerca de 15 mil pessoas da Polícia Militar, quatro mil da Polícai Civil, além de Corpo e Bombeiros e Pefoce.

”Não me causa nenhuma surpresa a gente ver crise nessa área. O que me preocupa é se tudo tiver tranquilo ou aparentemente tranquilo”, reiterou o governador.

Ele assegurou total apoio e confiança no trabalho do secretário Roberto Monteiro que vem, conforme disse, fazendo esforço, por determinação do Governo, para expurgar ”tumores”. Disse ainda Cid Gomes: “No dia em que qualquer secretário não tiver minha confiança, ele não não será mais secretário”.

Durante a entrevista, Cid Gomes falou também sobre a importância do Fórum de Governadores do Nordeste, que ocorre nesta sexta-feira, no Centro Dragão do Mar.   O encontro discutirá questões como a partilha doPré-Sal e interesses da região.

* Leia mais sobre a crise no O POVO aqui.

Fonte: Blog do Eliomar de Lima