Evocando uma generosa simplicidade em nome da compreensão, a tarefa de criar um arranjo para uma música pode ser comparada ao desafio de escolher com que roupa vestir uma melodia. Um samba, por exemplo. Samba? Tudo bem… Mas qual samba? Samba de raiz, partido alto, samba-exaltação, samba-enredo, samba de morro, samba de roda, samba-funk, samba-rock? O leque de possibilidades é amplo, e esse é apenas um dos primeiros passos: a definição de um ritmo básico para o arranjo e de um andamento que indique com que velocidade a peça será executada.
A estruturação da música – a forma de tocar as partes “A”, “B” e, muitas vezes, “C” do tema criado pelo compositor – já conduz a outras interrogações. Tocar a música inteira, do começo ao fim, por duas vezes, ou repetir apenas a segunda parte? Fazer uma introdução ou ir “direto ao ponto”, ao início da melodia? E quanto ao final? Como encerrar a execução da música, fechando o desfile com a sensação de que se levantou a avenida, para merecidos aplausos?
Todas essas perguntas – e muitas outras – fazem parte do ofício do arranjador. Uma atividade também estudada pelos jovens participantes do VI Festival Música na Ibiapaba, que se estende até sábado, 1/8, no clima acolhedor de Viçosa do Ceará. Entre eles, os alunos da oficina “A Voz como Instrumento”, ministrada pelo baiano Hiran Monteiro, integrante do grupo Banda de Boca, referência nacional quando o assunto são arranjos vocais e gravações em que as vozes são os únicos instrumentos.
Não que essa escolha implique escassez de recursos e de possibilidades para os arranjos. Quem participa da oficina verifica que, na prática, ocorre o contrário. Além das tradicionais divisão e superposição de vozes, de acordo com os princípios do canto coral, há inúmeros caminhos possíveis para se percorrer.
É o que comprovaram os alunos que, na tarde de domingo, tiveram como ponto de largada uma partitura básica de “Maracangalha”, de Dorival Caymmi, e chegaram a uma sugestão de arranjo bem diferenciada – incluindo elementos do hip-hop ao humorístico, sem deixar de passar pela matriz do samba.
Experiente nesse tipo de atividade, a ponto de cativar muitos alunos que já participaram da oficina na edição passada do festival, Hiran vai, aos poucos, descortinando as questões. Se “randomizar” – ou escolher preferências – é um dos neologismos impostos em tempos de onipresença da Internet, os aprendizes de feiticeiros – ou de arranjadores – têm muitas, muitas escolhas a fazer, para começarem a responder, da sua maneira, a todas as perguntas listadas. E para vencerem o desafio proposto pelo professor, de partir de um arranjo vocal “basicão” para uma forma original e interessante de se “re-cantar” a eterna “Maracangalha”.
Obra coletiva - Acomodados nas carteiras de uma das salas de aula do Patronato, em Viçosa, os alunos, agrupados em sopranos, baixos, contraltos e tenores, se mostram bem desinibidos diante do mestre e do próprio grupo. O clima é de descontração, e o entusiasmo é tanto que torna inevitáveis alguns pedidos de silêncio, em certos momentos. O comentário de Hiran sobre o arranjo em processo – “Pode ser louco, mas tem que ser organizado” – não deixar de servir para o espontâneo modo de trabalho dos próprios arranjadores, bastante participativos na concepção de sua obra coletiva. E as sugestões não tardam a brotar durante a oficina.
De um lado, um pandeiro é reinventado pelos vocais trabalhados de Amanda Nunes, estudante da graduação em música da Universidade Estadual do Ceará e integrante dos corais da UECE e Seios da Face. Aos 20 anos, a futura musicista já demonstra musicalidade de sobra, ao reproduzir a síncope do pandeiro, mantendo seguidamente o ritmo, em uma demonstração de talento que vai do “ouvido” para compreender e imitar o som do instrumento até o apuro das técnicas de apoio e respiração, necessárias à peculiar performance.
De outro, também convertendo a voz em instrumento, Dreivos de Souza, 27 anos, músico e educador em Croatá, surge como as batidas de uma “beat box”.
Participante do festival desde a segunda edição, acrescenta ao suingue da marcação rítmica versos improvisados e uma deixa para as vozes tomarem seu lugar no arranjo. A lista de possibilidades para o arranjo, esboçada no quadro pelo orientador, vai crescendo conforme as idéias se acumulam, entre sugestões bem aceitas pelo grupo e outras nem tanto. Um violino? Um trompete? Palmas? O canto de uma lavadeira? Mas quando? No começo, no meio ou no fim da música? O grupo vai, aos poucos, encontrando seu caminho, em uma construção literalmente a muitas vozes, com mudanças de rumo aceitas mesmo quando diferentes das impressões do professor.
Mais informações:
VI Festival Música na Ibiapaba – de 25 de julho a 1º de agosto em Viçosa do Ceará. Contato: (85) 3488-8601 ou presidencia@dragaodomar.org.br.
Matéria completa: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=658256
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O golpe, que foi confirmado por um vídeo fornecido pelo próprio McDonald’’s, mostrou que a ação era cometida com frequência pelos funcionários da lanchonete
cidade de La Plata,
A ex-presidente das Filipinas
VICTÓRIA RÉGIA. Socióloga, assessora da Secretaria de Formação do SEEB e integra a coordenação do Coletivo de Mulheres do SEEB/CE . Atuando nas áreas de formação sindical, economia solidária e autogestão dos Trabalhadores.
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ERISMAR CARVALHO. Geógrafo e Funcionário da secretaria de Formação do SEEB. Atua na Comissão de Conciliação Prévia do Banco do Brasil, no Coletivo de Gênero, Raça/Etnia e Diversidade Sexual e no Grupo de Estudos Sócio-Políticos do SEEB/CE.