A derrota dos Tigres Tâmeis, a guerrilha mais organizada do mundo

COLOMBO, Sri Lanka, 18 Mai 2009 (AFP) – Os Tigres Tâmeis, derrotados militarmente pelo Exército do Sri Lanka, após décadas de luta pela independência do nordeste da ilha, puseram fim a um dos conflitos étnicos mais sangrentos do mundo e a uma das guerrilhas mais temidas e mais bem organizadas do planeta.

Há dois anos, os Tigres para a Libertação do Eelam Tamil (LTTE) pareciam indestrutíveis e controlavam grande parte do norte e do leste do Sri Lanka, onde queriam criar um Estado independente.

Treinados e liderados por Velupillai Prabhakaran, os Tigres Tâmeis enfrentaram durante quase 30 anos o exército de Colombo.

No entanto, uma ampla ofensiva das tropas governamentais os cercou e os derrotou, conforme declarações feitas nesta segunda-feira pelo Exército do Sri Lanka, ao anunciar também a morte de Prabhakaran.

Esta morte parece ter acabado com as poucas chances de reorganização que o LTTE demonstra ter para o curto prazo.

Em sua luta por um Estado tâmil independente, Prabhakaran, de 54 anos, realizou atentados contra importantes personalidades e sangrentas ações, entre elas alguns ataques aéreos espetaculares contra instalações econômicas.

Entre os atentados destacam-se o assassinato do ex-primeiro-ministro indiano, Rajiv Gandhi, por um camicase tâmil em 1991, o assassinato do presidente do Sri Lanka, Ranasinghe Premadasa, em 1993, e a bomba no banco central que matou 90 pessoas.

Os Tigres tinham sua própria força naval, os chamados Tigres do Mar, e também aérea, os Tigres do Ar, capazes de lançar ataques até o sul de Colombo a partir de suas bases na selva.

Em um de seus ataques mais audaciosos, os separatistas tâmeis bombardearam mais de 12 aviões de guerra de uma base militar governamental ao norte de Colombo em 2001 e destruíram aeronaves comerciais no único aeroporto internacional da ilha.

Condenados por utilizarem camicases para seus atentados e terem em suas filas soldados crianças, conseguiram o apoio da comunidade internacional nas negociações de paz com as autoridades de Colombo, realizadas em Oslo em 2002 sob o patrocínio da Noruega.

Mas estas negociações fracassaram e o processo de paz terminou em janeiro de 2008.

As forças governamentais entraram na cidade de Kilinochchi, onde o LTTE tinha seu quartel general político, em janeiro de 2009, após a maior ofensiva na história do conflito étnico mais longo da Ásia.

Para muitos observadores, o espetacular colapso dos Tigres pode ser atribuído a um excesso de confiança por parte da guerrilha tâmil.

“Projetavam a imagem de invencíveis”, disse à AFP Vipul Boteju, um brigadeiro do exército governamental já retirado.

“Também subestimaram o exército, que havia aprendido com os erros do passado”, acrescentou.

Os rebeldes também tinham problemas internos, com fortes sinais de dissidência frente a Prabhakaran, cujo número dois, Vinayagamurthy Muralitharan, desertou e passou para o lado dos governistas em 2004.

No frente internacional, o LTTE estava na ilegalidade, pois era considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos, a União Europeia (UE), a Austrália e a Índia.

Fonte: Folha Online

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