
Banqueiros negaram reivindicações de auxílio-educação, emprego, igualdade de oportunidades e saúde; e querem reduzir conquistas como auxílio-creche, vale-transporte e aposentadoria.
São Paulo - Os banqueiros voltaram na negociação desta terça, dia 16, ao “não para tudo” que sempre aparece em algum ponto da campanha. Eles negaram reinvindicações de saúde e de igualdade de oportunidades e, diante de estudo apresentado pelo Comando Nacional dos Bancários sobre a importância da manutenção dos empregos em situações como fusões, incorporações, alterações tecnológicas, chegaram ao absurdo de afirmar que o emprego é um problema individual e não dos sindicatos.
Num ridículo jogo de empurra, disseram que o auxílio-educação é uma questão que deve ser resolvida banco a banco. Graças ao esforço do SEEB/SP, Itaú, Safra, Caixa Federal, Banco do Brasil, Santander, Unibanco, HSBC já mantêm bolsas de estudos para os bancários. Mas outros bancos que se recusam a pagar dizem que o debate deve ser feito com a Fenaban.
O “não” também foi dito à proposta de extensão do auxílio-maternidade para seis meses. “Os bancos estão perdendo a oportunidade de valorizar suas funcionárias e vão ficar atrás de muitas outras empresas que já estão proporcionando esse direito a suas trabalhadoras”, afirma o presidente do SEEB/SP, Luiz Cláudio Marcolino.
Chantagem, não – Mais do que o “não para tudo”, os banqueiros entraram num clima de chantagem. Queriam condicionar a continuidade das negociações sobre as cláusulas econômicas ao debate de redução de direitos como auxílio-creche, aposentadoria e vale-transporte.
“Questionamos se era isso mesmo que eles queriam, porque se entrassem nesse tipo de debate e interrompessem o processo de negociação, partiríamos para a convocação da greve”, relata Marcolino.
Após uma parada de 40 minutos, eles retornaram e marcaram para as 10h desta quarta-feira, dia 17, o início das negociações sobre as cláusulas econômicas. Foi constituído um grupo de trabalho para debater exclusivamente o modelo do Participação nos Lucros e Resultados (PLR). “Queremos alterar o formato que, em função do crescimento do resultado do setor, está se tornando injusto. Apontamos um modelo simplificado, em que cada funcionário recebe três salários mais um valor fixo de R$ 3.500, sem estar relacionado a crescimento do lucro, de forma que os bancos não possam mais utilizar seus balanços para negar aos bancários a participação nos lucros a que têm direito”, diz o presidente do Sindicato.
“Queremos definir a campanha pelo processo negocial, que é menos desgastante para todos. Mas se os banqueiros não estão dispostos a avançar, arrastando as rodadas sem avanços para os trabalhadores, vamos parar”, completa Marcolino.
Mobilização – Diante da postura acomodada dos banqueiros, um calendário de luta deve ser divulgado nos próximos dias. Os protestos culminam em um grande Dia Nacional de Luta, em 25 de setembro, quando bancários de todo o país realizarão atos para cobrar dos bancos que negociem com seriedade para resolver a campanha.
“Nossas reivindicações são extremamente justas, ou alguém tem dúvida de que os bancos, que no ano passado acumularam lucro de mais de R$ 45 bi, têm dificuldade para pagar reajuste salarial de 13,23%?”, questiona Marcolino.
Fonte: http://www.spbancarios.com.br/
Postado por Erismar Carvalho, às 10h50.